Leia as considerações do primeiro capítulo ;)
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Capítulo 2
Harry Potter acordou sobressaltado. Seus olhos verdes desfocados percorriam a penumbra da sala de estar. Havia dormido no sofá novamente. Isso vinha acontecendo muito desde a morte de seus dois melhores amigos Ron Weasley e Hemione Granger, há algumas semanas. Depois de dividir um apartamento com Ron desde que se formaram em Hogwarts, ele agora estava morando na casa de seus pais, James e Lily. Era doloroso demais voltar ao apartamento depois do que acontecera lá.
Ron e Hemione eram namorados e, em um dia que Harry deixara o casal a sós, eles foram surpreendidos por Comensais da Morte que invadiram o lugar e os torturaram e mataram. Harry não se conformava por ter conseguido escapar enquanto seus amigos não. Ele preferia estar morto com eles do que sentir a angústia que o atingia toda vez que fechava os olhos e revia a imagem dos dois assasinados. Então toda noite, ao invés de ir para seu quarto, Harry se instalava na sala e ligava o aparelho de tevê trouxa que sua mãe comprara e assim ele tentava não dormir, mas sempre acabava cochilando.
Harry saiu de suas divagações ao ouvir batidas insistentes na porta e notou que fora isso que o acordara. Levantou-se, pôs os óculos e ajeitou-se melhor que pôde para atender a porta.
- Dawlish? – ele perguntou surpreendido por ver seu colega auror à sua porta tão tarde da noite – Aconteceu algo?
- Na verdade aconteceu sim, Potter – disse o homem – Você tem que me acompanhar. Houve um assassinato e Moody precisa de você.
- Um assassinato? – indagou Potter – É mais sério do que eu imaginava. Dê-me um minuto, Dawlish, vou me arrumar e já volto.
Harry foi até seu quarto, no andar de cima, lavou o rosto, trocou de roupa e ajeitou seus cabelos negros o máximo que pôde e pegou a sua varinha. Pensou em passar no quarto dos pais para avisar que estava de saída, mas lembrou-se que essa noite os dois iriam a algum evento social junto com seu padrinho, Sirius Black. Rapidamente desceu as escadas rabiscando um nota para seus pais e indo ao encontro de Dawlish, que o aguardava ainda na porta.
- Vamos aparatar.
- Ok. Para onde?
- Hogwarts – foi tudo o que ele disse antes de sumir deixando um Harry atônito para trás.
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- Você poderia ter me dito antes que viríamos para cá – falou o moreno enquanto atravessavam os portões do castelo – Só falta agora me dizer que a vítima é Albus Dumbledore.
Dawlish limitou-se a olhá-lo e Harry estancou aturdido.
- Vamos Potter, não temos a noite toda.
O moreno seguiu-o em silêncio, sua cabeça fervilhando, mas conseguiu arranjar espaço para pensar que Hogwarts era a mesma de quando ele havia estado ali e, por um momento, a perturbação deu lugar à nostalgia.
Harry quase trombou com Dawlish, quando este parou em frente a uma tapeçaria, por trás da qual Harry sabia ter uma escadaria de acesso ao terceiro andar do castelo.
Após passar dos primeiros degraus, era possível divisar duas figuras no alto da escada, uma delas estirada no chão e, mesmo à distância, Harry reconheceu os inconfundíveis cabelos e barba brancos.
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Draco Malfoy desaparatou com um estalo suave exatamente como queria. Havia escolhido um local afastado em Hogsmeade, não queria chamar atenção. Passou a caminhar a passos largos, precisava chegar a Hogwarts antes que fosse tarde demais.
Se tudo desse certo, ainda esta noite ele faria justiça em nome da sua família.
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- Finalmente, Potter – a familiar voz rosnada de Alastor Moddy, chefe do esquadrão de aurores, chegou aos ouvidos de Harry. Ele havia subido enquanto Dawlish montava guarda por fora da tapeçaria.
- Moody – ele cumprimentou evitando encarar o corpo estendido à sua frente, o que não adiantou muito, pois Moody o obrigou a fazê-lo.
- Reconhece? – ele perguntou apontando para o corpo.
- É óbvio, Moody – Harry respondeu franzindo o cenho de leve – O que eu aconteceu, afinal de contas?
O auror deu um sorriso que na opinião de Harry era bastante desagradável.
- É disso que eu gosto em você, Potter. Sempre direto ao ponto – comentou com um dos olhos fixos em Harry e o outro, que era de vidro e giratório, olhava na direção da tapeçaria – Bem, parece que alguém aproveitou que o castelo está vazio por causa das férias e apagou o velho diretor aqui.
- Algum suspeito? – Harry perguntou em tom profissional.
- Com certeza alguém que tivesse muito ódio do homem, não acha? Mas é estranho pensar nisso quando Dumbledore sempre foi tão querido.
- Eu discordo, Moody. Talvez Dumbledore não fosse tão querido assim. Talvez alguém o tenha visto como ele realmente era.
Você está chegando exatamente onde eu queria, Potter.
- Dando razão ao assassino, Potter? Não esperava isso de você – o auror mais velho disse.
- Não estou dizendo que isso justifique um assassinato, Moody, só acho que as pessoas deveriam parar de colocá-lo em um pedestal.
Antes que Moody pudesse falar mais alguma coisa, alguém os interrompeu.
- Com licença? – a voz arrastada chegou até eles fazendo-os olharem pra baixo.
Harry mirou o homem loiro de olhos azuis acinzentos que avançava os degraus e não pode deixa de notar o quão atraente ele lhe parecia e desviou os pensamentos disso logo em seguida. Não era o momento de ficar reparando nessas coisas.
- O que faz aqui, rapaz? – rosnou Moody, irritado por ter sido interrompido – Só é permitida a entrada de pessoas autorizadas.
- Eu tentei impedi-lo, Moody – Dawlish subiu as escadas, esbaforido – Mas ele disse que...
- ... que sou parente da vítima – o loiro completou por ele – Draco Malfoy – apresentou-se.
- Parente é? – Moody perguntou cético – Que eu saiba, Dumbledore só tem um irmão meio biruta e com certeza não é você.
Malfoy olhou-o com escárnio.
- Então você não o conhecia bem.
- Bem, não é culpa minha se eu não sabia da sua existência, meu rapaz. Afinal, onde é que você esteve enfiado?
Malfoy suspirou irritado. Mal havia chegado e aquele velho estava lhe tirando do sério. Ele preciva se controlar para fazer o que tinha que ser feito. Mas não é como se não tivesse esperado por isso quando soube que Olho-Tonto Moody é quem chefiaria as investigações.
- Isso não é da sua conta.
Moody fez um movimento em direção à varinha, mas desistiu.
- E o que diabos você veio fazer aqui, afinal? Não temos tempo para ficar perdendo com desocupados.
- Desocupados? Não fale do que não sabe, Moody – Draco falou friamente – Não estou aqui para brincar. Vim tratar de assuntos que dizem respeito à minha família.
Moody pareceu perfurar o jovem loiro com os olhos enquanto lutava contra a vontade de enfeitiçá-lo.
- E que assuntos exatamente são esses?
- Bem, o enterro de Dumbledore, é claro. Meus pais e eu queremos dar a ele a despedida que merece. E para isso eu preciso de uns documentos que devem estar no escritório dele – ele disse começando a subir as escadas.
- Espere só um instante, Malfoy – a voz irritada de Moody fez com que ele parasse – Ocorreu um crime aqui. Qualquer poeirinha desse castelo pode significar uma pista até o culpado. Você acha mesmo que eu vou simplesmente deixar você perambular por aí? Está muito enganado. E outra, o corpo do seu amado parente não será liberado enquanto não resolvermos tudo isso, então não vá ficando tão ansioso para enterrá-lo.
Draco cruzou os braços com enfado. Moody estava certo. Mas isso não significava que ele se daria por vencido e já era hora de jogar a cartada final.
- Não sou idiota, Moody. Sei muito bem como são essas coisas e também sei como tudo isso pode ser demorado. Eu simplesmente quero deixar tudo preparado para que quando nos seja permitido, possamos enterrá-lo. E se você não confia realmente em mim como parece, pode simplesmente pôr um de seus aurores para me acompanhar.
Moody pareceu poderar. Aquele homem não desistiria. Lançou um rápido olhar para Dawlish e por fim decidiu.
- Dawlish, acompanhe-o, então.
O auror começou a mover-se, mas a voz do loiro o deteve.
- Dawlish? – ele perguntou com desprezo – O mesmo auror que não conseguiu me barrar e permitiu que eu chegasse até aqui? É, você deve ter muita confiança nele...
Olho-Tonto rosnou perdendo a paciência.
- E quem você se sugere? Eu não tenho mais ninguém.
- Sabe, se eu fosse o Potter aí, teria me sentindo muito ofendido de ter sido chamado de ninguém – ele disse indicando Potter.
- Mas acontece que eu não posso liberar Potter para atender seus caprichos, Sr Malfoy. Eu preciso dele aqui.
- Bom, se você precisa tanto dele, significa que ele deve ser um dos melhores aurores que você tem e pra mim, isso é suficiente. E, além disso, eu não confio nesse Dawlish.
- Ora, seu...- Dawlish manisfetou-se se sentindo ofendido, mas foi interrompindo.
- Moody... – Potter falou pela primeira vez desde que o loiro tinha chegado – Talvez seja melhor eu ir acompanhá-lo.
- Enlouqueceu, Potter? De jeito nenhum...
Potter bufou e agarrou o braço de Moody afastando-o dos outros.
- Escuta, Moody, nós temos duas escolhas, eu posso simplesmente levar Malfoy aonde ele quer, vigiá-lo para que ele não pegue nada além do necessário e enxotá-lo daqui o mais rápido possível, ou nós podemos ficar aqui até o amanhecer com Malfoy tagarelando em nossos ouvidos e sem avançar um passo nas investigações. O que é que você prefere?
Moody pareceu bastante contrariado, mas Potter tinha razão.
- Está bem, está bem – concordou a contra gosto – Mas escute bem uma coisa, Malfoy, você vai pegar a droga de documento que tiver que pegar e vai dar o fora daqui.
Draco somente lhe sorriu afetadamente e voltou-se començando a subir as escadas com Potter em seus calcanhares, seu olhar tornando-se sombrio quando passou pelo corpo do diretor.
N/A: Genteeee, mil mil perdões pela demora de 1 ANO D: Eu prometo que o 3º capítulo vai ser mais rápido e o 4º já tá em andamento. Por favor, mandem reviews, eu preciso muito sabe o que você estão achando e isso me dá motivação para postar mais rápido. Beijos.
