CAPÍTULO 3

- Eu te parabenizo, Inoue Orihime, por ter a dádiva de receber o seu treinamento aqui no Palácio Ninomaru. – disse uma elegante mulher sentada a sua frente, naquela grande sala. Ela trajava terninho e saia pretos com uma faixa vermelha na cintura, que tinha bordado o emblema da família real. Seus cabelos eram curtos e negros.

- O-Obrigada. É... Como é mesmo o seu nome? – no mesmo instante, duas mulheres igualmente vestidas de ternos negros e saias entraram com enormes pilhas de livros e pararam, visivelmente exaustas pelo peso, esperando uma ordem.

- Me chamo Soi Fong.– disse, apontando para a mesa, indicando que colocassem as pilhas ali. Elas obedeceram rapidamente. – Inoue Orihime essas são Yadomaru Lisa... – e apontou para a de cabelos longos e negros – ...e essa é Kuna Mashiro. – desta vez apontou para a de cabelos verdes. Orihime cumprimentou com um sorriso. – Elas serão suas acompanhantes daqui pra frente. E bom... – continuou apontando para a pilha de livros. – Essas são as matérias que você precisa estudar.

- O que? Isso tudo? – ela arregalou os olhos.

- Sim. E pode começar por japonês. É essencial que consiga falar com clareza e corretamente. – disse pegando na pilha um enorme e pesado livro. Ela levantou e abriu em uma página colocando-o na frente da ruiva. – Começaremos pelos provérbios. Leia e passe para o caderno o que concluiu sobre eles. Qualquer dúvida pode me chamar. Com licença. – disse levantando-se. Orihime olhou, meio perdida, as mulheres saírem pela grande porta e voltou-se desanimada para os livros.

- Ok! Se é assim... Vamos começar! – concluiu consigo mesma. Pegou o lápis a sua frente e começou a ler o livro.

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- A Imperatriz chegou... – disse uma voz melódica vinda do lado de fora da sala. Masaki entrou elegantemente e parou ao ver a cena. Orihime estava dormindo debruçada sobre os livros com as pernas cruzadas em cima da cadeira e descalça. Masaki olhou aborrecida para Soi Fong que reverenciou em desculpas.

- De onde começarei a ensinar essa menina? – disse Masaki, com pesar.

- Perdoe-me Imperatriz. Eu disse para tomarem conta dela... – explicou olhando mortalmente para as duas acompanhantes ao seu lado. Elas abaixaram a cabeça e foram com passos rápidos para perto de Orihime.

- Por favor, acorde. – pediu Lisa sacudindo a ruiva levemente.

- A senhorita tem que acordar... – pediu Mashiro em desespero.

- Para mãe! ... Eu só quero dormir mais um pouquinho... – resmungou Orihime sem abrir os olhos.

- Senhorita... Por favor! - continuou Mashiro.

- Deixe-a em paz. – mandou Masaki. – Ela deve estar bastante cansada. Provavelmente não dormiu esta noite. Soi Fong...

- Sim, Alteza.

- Acompanhe-me. – pediu caminhando tranquilamente para o belo jardim do Palácio. Parou em frente a uma roseira e virou-se para a morena. – Nada pode dar errado com o protocolo de casamento, é essencial que a cerimônia ocorra tranquilamente. Ela comete muitos erros. Por isso empenhe-se em ensiná-la a se tornar uma Princesa.

- Sim, alteza. – disse em uma reverência.

- E mais uma coisa, faça com que ela perceba que as regras do Palácio são extremamente severas.

- Sim, alteza. – repetiu em mais uma reverência. Outra acompanhante aproximou-se, com o chamado de mão da Imperatriz, e estendeu para Soi Fong uma caderneta.

- Anote cuidadosamente tudo o que ela fizer certo e errado, durante todo o treinamento. Confio bastante em suas habilidades para cuidar disso tudo, Soi Fong.

- Fico lisonjeada, vossa alteza. – agradeceu com outra reverência.

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Orihime saiu sorrateiramente pela porta e correu até o jardim. Viu Mashiro indo em direção a sala e sorriu divertida. Correu mais um pouquinho e escondeu-se atrás de uma cerejeira. Depois de alguns minutos chegou um pouco para o lado e viu a mulher saindo desesperada de dentro do Palácio. Riu com vontade desta vez. Mashiro correu até Lisa e a ruiva pode ouvir bem baixinho pela distância.

- Ela sumiu!

- O que? – perguntou a morena assustada.

- Ela não está na sala, nem no banheiro, nem em lugar algum dentro do Palácio.

- Como isso pode acontecer? – perguntou Lisa já se desesperando.

- Eu não sei... Ninguém viu nada!

- Temos que encontrá-la. Rápido! – disse a morena saindo correndo pelo jardim. Mashiro pôs-se a segui-la. Orihime arregalou os olhos e agachou-se entre os arbustos. Correu dando a volta no Palácio.

- Onde que ela se meteu? – queixou-se Mashiro apoiando-se nos joelhos.

- O que vamos fazer? Se a Soi Fong-sama ficar sabendo disso...

- Seremos mortas se isso acontecer... Não posso acreditar! – reclamou desesperando-se.

A ruiva podia ouvir toda a conversa, pois se encontrava em um tipo de porão em baixo da sacada em que elas estavam. Orihime ouviu alguns passos e deduziu que já podia sair.

- Onde pensa que vai, senhorita? – estatelou ao ouvir a voz gélida atrás de si. Virou-se e deu de cara com a morena de cabelos curtos. As outras duas acompanhantes ouviram a voz da supervisora e correram até ela. Aliviaram-se ao verem a figura de Orihime.

- O que vocês duas pensam que estão fazendo? – gritou no instante em que Mashiro e Lisa pararam ao seu lado. Orihime assustou-se e arregalou os olhos. – Que imaturidade! – continuou.

- É que... – Orihime tentou se pronunciar.

- Eu dei ordens expressas para que cuidassem dela! E olhem o que aconteceu! – Orihime olhava assustada de Soi Fong para as acompanhantes. – Vocês pensam o que? Que o Palácio é um parque de diversões? – continuou gritando com severidade.

- Desculpe-nos... – pediram de cabeça baixa.

- Não foi isso, Soi... Soi Fong-san. Elas não têm culpa, foi tudo culpa minha! – disse ainda assustada.

- Não, nada disso foi culpa sua, senhorita. – disse em uma reverência, mudando completamente seu tom para o gentil. Orihime estranhou.

- Quem é ela? – perguntou dirigindo-se para as acompanhantes, voltando para o seu tom severo. – Ela será a nossa futura Princesa! Esse tipo de coisa não pode ocorrer! Entenderam? ... Vocês vão falhar de novo?

- Não, não acontecerá de novo! – disse Mashiro, chorando.

- Não ocorrerá novamente, Soi Fong-sama. – concluiu Lisa em uma longa reverência.

- Soi... – Orihime tentou mais uma vez.

- Deixarei passar as falhas de vocês por enquanto... Mas que isso não se repita! – disse cortando a ruiva. - O fabuloso vestido Real já está praticamente pronto, senhorita. Peço que vá com urgência acertar os detalhes. – Orihime assustou-se com a mudança repentina de assunto e de tom.

"Essa mulher me dá medo!", pensou.

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- Como está atualmente? – perguntou Unohana olhando altiva pela janela. – O calor do sol pela janela não aquece meu coração... Apenas me trás mais saudades de você. – continuou olhando fixamente para o céu. Levantou devagar e caminhou até a grande cômoda com infinitos porta-retratos. Acariciou a foto do falecido Imperador Yamamoto. – Até em meus sonhos eu quero te encontrar. – disse acariciando a foto. Nemu olhava altiva para a cena. A Rainha-mãe respirou fundo e olhou com um sorriso meigo para Nemu. Ela continuou com sua expressão altiva, apenas reverenciando a Rainha. – Então me diga Nemu... Alguma notícia da Ise Nanao? – perguntou curiosa.

- Ela ainda está resolvendo algumas pendências, então continua na Inglaterra, vossa majestade. – informou com eficiência.

- Amanhã a Família Real estará celebrando uma grande cerimônia. Não seria maravilhoso se toda a família estivesse reunida?

- Ise Nanao-sama não acha que é a hora certa de voltar, vossa majestade. – Unohana respirou fundo e olhou mais atentamente para um outro porta-retratos. Ali estavam no trono Kurosaki Shunsui e Ise Nanao, e em um pequeno trono a frente encontrava-se Grimmjow com 5 anos. Ela alisou a figura de Shunsui.

- Ser separada tão brutalmente do seu marido pela morte, foi traumatizante para ela. Ela se tornaria a Imperatriz, mas foi posta para fora do Palácio por conseqüência das leis imperiais. – lembrou com pesar. – Ela deve ter uma amargura profunda em seu coração. Entendo perfeitamente...

- Sim, majestade. Ise Nanao-sama tem um grande vazio ao lembrar-se de sua Majestade Kurosaki Shunsui. – Unohana respirou fundo contendo a emoção e virou sorridente para sua dama de companhia.

- Nemu... Se não me falha a memória sua mãe foi a babá de ambos os Príncipes, Isshin e Shunsui não foi? Sempre brincou com eles...

- É verdade, majestade. Se as coisas tivessem caminhado de acordo com as fotos, o Príncipe Herdeiro Kurosaki Shunsui seria o atual Imperador do Japão. Ambos, filho e mãe estariam sentados nos tronos de Imperatriz e Príncipe Herdeiro.

- Não adianta falar do passado... É tudo mera lembrança agora. – encerrou com pesar.

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- Já que teremos uma grande cerimônia amanha, peço-lhe que descanse hoje. – pediu servindo lhe um chá.

- Como fui teimoso e cheguei a este ponto... Então, ouvirei o pedido da minha esposa. – Masaki sorriu alegremente para o marido. Ela sempre reagia assim perto do Imperador.

- Felizmente você parece bem melhor...

- Com esse remédio... Como não haveria bons resultados?

- Mas tem que continuar sendo cuidadoso. Pois não há doença mais traiçoeira do que esta. – ele sorriu meigamente.

- Pare de se preocupar. Eu estou bem! E a propósito... Como vai o treinamento da futura Princesa? – Masaki desfez o sorriso.

- Ela está recebendo o treinamento necessário, mas... Ela não consegue compreender nem o básico, então está sendo bem complicado. – ela respirou fundo e continuou. – Estou tão preocupada com a cerimônia de amanhã. E ainda mais em como iremos treiná-la de agora em diante.

- Não a imagine como uma pessoa inferior. Vamos treiná-la devagar. – disse o Isshin com um semblante confiante.

- Esta não é uma situação que podemos nos permitir ter pensamentos assim, alteza. Tivemos muitos problemas em criar o nosso filho. E veja o comportamento dele. – disse com o semblante sério. – Então é por isso que irei fazer um treinamento extremamente rigoroso com a futura Princesa.

- Se você pressionar demais uma criança que viveu a vida inteira fora do Palácio, será ainda mais difícil para ela. Não vai? – ela sorriu levemente.

- A situação da futura Princesa está sobre meu comando. Não precisa se preocupar. Deixe por minha conta, alteza.

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- Você tem trabalhado duro nesse treinamento... – disse Soi Fong servindo duas xícaras de chá.

- Bom, elas trabalham muito mais do que eu. – disse apontando para Mashiro e Lisa. – A aula terminou agora?

- Sim, o treinamento preparado para você. – Orihime sorriu empolgada para as duas acompanhantes que estavam sentadas ao lado, elas sorriram em retribuição. – De agora em diante você recitará tudo que aprendeu com o treinamento. – a ruiva e as duas acompanhantes desfizeram instantaneamente o sorriso.

- O quê? – perguntou Orihime nervosa.

- Primeiro, explique o comportamento tradicional para a cerimônia de amanhã.

- Mas tem que falar tudo?

- Sim, tudo. – a ruiva suspirou.

- Primeiro, o Imperador concederá o status e título de-de esposa legal do Príncipe. – começou gaguejando um pouco. – Depois da cerimônia eu volto ao Palácio para receber a concessão de... de... – pensou confusa. Mashiro olhou um pouco nervosamente para ela e mexeu os lábios dando a resposta. A ruiva olhou um pouco desesperada para ela, pois não conseguia entender.

- Isso não está funcionando! – esbravejou pegando uma grande régua que estava na mesa. – Levante suas mangas! – mandou olhando para Orihime. Ela se assustou.

- O quê? – perguntou baixinho.

- Eu disse que não permitiria erros! Levante as mangas agora! – esbravejou novamente. As duas acompanhantes levantaram, quase chorando, suas mangas e estenderam os braços. Ela levantou a régua com força e foi impedida pelo lápis da ruiva quando estava quase acertando os braços das acompanhantes.

- Eu... Eu acho que lembrei agora. – a ruiva, teatralmente, levantou o braço esquerdo e apoiou a cabeça, fingindo pensar. Fazendo com que assim ela pudesse ver a cola que ela tinha feito em seu braço. – Ah! Isso mesmo! Depois que a cerimônia no templo acabar, tenho que aceitar o título de esposa legal do Príncipe herdeiro. Então o Imperador irá oferecer o vinho cerimonial ao Príncipe, logo após ele será instruído pelos dizeres dos anciões e em seguida haverá a cerimônia de troca de pombos. Então sairemos a rua para receber a benção do povo. Depois retornaremos ao Palácio e o Príncipe herdeiro e a Princesa passarão pela cerimônia de Núpcias ingerindo a comida e o vinho cerimonial, logo após irão para a noite de núpcias. E então está finalizada a cerimônia de casamento.

- Muito bem, Inoue-sama! – cumprimentou Soi Fong. Mashiro e Lisa bateram palmas e receberam um olhar severo da supervisora. Orihime deu uma piscadinha para elas.

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- Antes vossa Majestade disse que estava frio. Como se sente agora? – perguntou Sado.

- Estou confortável. – respondeu Ichigo sem tirar os olhos da revista que estava lendo. Com a resposta Sado fez uma anotação em seu bloquinho.

- E o que achou do novo medicamento? Está ao seu gosto? - o ruivo levantou os olhos, um pouco impacientemente para o secretário, e respirou fundo.

- Sim, está. – respondeu voltando a revista. Sado fez mais uma anotação e fechou o bloquinho.

- Então, lhe deixarei, sua majestade. – cumprimentou com uma reverência. – Grimmjow-sama. – cumprimentou, também com uma reverencia o rapaz de cabelos azulados, que olhava a parede cheia de fotografias feitas pelo Príncipe herdeiro. E então se retirou. Ichigo largou a revista e se recostou mais confortavelmente na cadeira.

- Você está confortável? Você está tranqüilo? NÃO! Eu estou completamente desconfortável se é isso que quer saber! – disse revirando os olhos. Grimmjow apenas riu, divertido.

- Vamos! – levantou o ruivo como se tivesse se lembrado de algo. Grimmjow olhou confuso para o primo.

- Aonde?

- Visitar a Inoue no Palácio Ninomaru. Vamos juntos. Você disse que ela é da sua sala. – Grimmjow virou e voltou a olhar as fotografias.

- Não, não quero ir.

- Ah vai! Se dois garotos bonitos forem visitá-la, ela vai gostar. – disse ainda folheando a revista em suas mãos.

- Vá sozinho. Ela deve estar cansada depois de tanto treinamento. Ela vai gostar se você comprar alguns chocolates e doces para ela. – disse virando-se para o ruivo. Ichigo levantou os olhos, um pouco indignado.

- Eu tenho que comprar coisas desse tipo pra ela? Ela não deveria se sentir honrada só pelo fato de eu ir visitá-la? – concluiu pomposamente.

- Você vai lá para confortá-la. E já que ela é uma garota ela vai gostar disso.

- Humf... Ninguém merece! – disse largando a revista e saindo para a outra parte do seu gigantesco quarto.

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Ela estava fazendo uns desenhos no caderno, na caricatura estava ela, Matsumoto, Tatsuki e Yachiru. A ruiva sorriu divertida para o seu desenho e bocejou. Espreguiçou-se e se assustou ao ver aquela bela figura parada na porta da sala. Ela esfregou os olhos, meio confusa, e viu que não era ilusão. Ele a olhava divertidamente.

- Errr... Eu pensei que ninguém podia entra aqui no Palácio. – disse meio confusa. Ele caminhou para mais perto e sentou-se na mesa.

- E eu sou um ninguém? – disse com um sorriso divertido. Ele desfez o sorriso e começou a abrir a bolsa que trazia. – Só pensei que eu tinha que ver como você está antes de nos casarmos. – confessou sem olhá-la e retirou da bolsa uma sacola rosa, empurrando-a para ela. A ruiva sorriu e pegou a sacola abrindo-a rapidamente. Retirou dali um monte de bombons e balas.

- Grimmjow mandou isso. Você o conhece não é mesmo? Ele é da sua turma.

- Grim-Grimmjow? – perguntou pensativa. – Não sei quem é.

- Ele disse que garotas gostam desse tipo de coisa. E como também é obvio que você não pode comer esse tipo de coisas aqui... Ele disse que você gostaria que eu desse isso pra você. – disse olhando através da grande janela a sua frente. – Então me diz... Você já chorou porque queria ver sua família? – perguntou brincalhão, voltando a olhá-la. Seu sorriso se desfez ao ver a expressão de Orihime. - O que foi? – perguntou confuso.

- Não, não é nada. – mentiu com um sorriso leve. Ele respirou fundo.

- Para falar a verdade, tem uma condição para você se casar comigo. Eu pedi para que nossos quartos ficassem no Palácio Himejijo. Então, ficaremos bem longe dos anciões. Assim seremos menos examinados por eles. Então, uma vez por mês você pode visitar os seus pais sem que eles saibam. – Orihime levantou a cabeça, olhando-o mais animadamente. – E tem mais... – disse pegando um papel no bolso. – Ah! Você pode convidar seus amigos para uma festa no Palácio. E nossa! Você também pode convidar sua família para o Spa Resort Hawaiians e passar suas férias lá! – disse ainda lendo o papel. – Você já passou suas férias fora do país? – perguntou interessado. Ele riu pelo nariz. – Vamos ver... O que tem mais... – disse lendo o papel.

- Pare!

- O que?

- Eu falei pra parar! Se assim que você quer me consolar... – ele olhou-a surpreso, e em seguida amassou o papel um pouco irritado.

- Tá certo, isso foi o que o Grimmjow escreveu pra mim! – confessou jogando o papel pela janela. – O que posso prometer a você é apenas poder!

- O que? – perguntou um pouco descrente do que havia escutado.

- Quando eu ficar um pouco mais velho... poderei fazer qualquer coisa sem ninguém me atrapalhar. E depois disso você pode já não agüentar mais e querer ir embora do Palácio. Confesso que não serei capaz de agüentar uma esposa que implora pela mãe. Então, eu posso deixar você ir. Mas eu sou o Príncipe herdeiro, futuro Imperador do Japão e sei que o divórcio é uma coisa bem difícil de conseguir. Então me diga quando você estiver ao ponto de morrer. – Orihime permaneceu estatelada com as palavras do seu futuro marido.

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Urahara estava admirando no espelho o elegante fraque negro, desenhado por um famoso estilista, que vestia.

- Acho melhor não ajoelharmos para agradecer ao meu pai, vai amassar toda a roupa. – disse a Yoruichi, que trajava um belo quimono estampado vinho.

- Não... É necessário, querido. JINTA! Venha agradecer ao seu avô! – gritou e o menino de cabelos vermelhos veio correndo trajando também um pequeno fraque negro. Eles se ajoelharam, com cuidado, em frente à foto de Inoue Ukitake.

- Começa você vai... – disse Urahara.

- Mas o pai é seu...

- Ah vai... - ela revirou os olhos.

- Ukitake-sama, como o senhor disse, a nossa Orihime está se casando com o Príncipe Herdeiro. Então, me desculpe por não ter acreditado no senhor e tê-lo ignorado!

- Isso pai! Muito Obrigado por tudo! E proteja nossa Orihime para que ela não tenha nenhum acidente no Palácio. – pediu sorrindo.

- Ei Jinta, diga alguma coisa ao seu avô...

- Ah! Err... Vô! Me deixe mais musculoso, por favor, para eu ser mais popular na escola! – Urahara levantou para dar um cascudo em Jinta, mas Yoruichi segurou sua mão.

- Quais são as regras Jinta? – perguntou severamente.

- Coisas demais são tão ruins quanto coisas de menos. Não exagere. – resmungou fazendo bico.

- Isso... E ah! Você decorou tudo que tem que falar na cerimônia Urahara? – perguntou levantando-se.

- Ah, mas é claro! Vamos lá! ... Nunca esqueça de ser respeitável e obediente. Confie e siga as palavras de seus pais. Siga e... Siga e... O que era mesmo? – Yoruichi olhou raivosamente para ele.

- Mas será possível? – esbravejou. – Sério! Já faz semanas e você ainda não decorou Urahara? Olha... Eu só aviso uma coisa... Se você chegar lá e errar isso, eu definitivamente vou me divorciar de você!

- Você realmente tem coragem de falar isso no dia do casamento da sua filha? Tenha dó mulher! - Jinta apenas olhava entediado para a cena.

- Arg! Eu só to dizendo que é importante você ter decorado isso... – disse um pouco arrependida.

- Eu sei! ... Trabalhe duro desde a hora que acordar até a hora de dormir!... Nunca esqueça de ser respeitável e obediente a seus anciãos. Confie e siga as palavras de seus pais. Trabalhe duro desde a hora que acordar até a hora de dormir! ... É isso! – concluiu, animado, saindo para o jardim.

- Ei, ei, ei! Volta aqui e diga mais uma vez.

- Arg! Que coisa... Eu já decorei, olha só... Nunca esqueça... – ele parou e coçou a cabeça. - Nunca... – Yoruichi levou as mãos à cabeça e se jogou no sofá.

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Em uma ornamentada sala encontravam-se vários homens impecavelmente vestidos. A frente, em um altar, encontrava-se sentado o Imperador Kurosaki Isshin, trajando uma bela vestimenta militar japonesa vermelha, e a sua frente encontrava-se ajoelhado o Príncipe Herdeiro, que também trajava uma igual vestimenta militar, porém azul marinho. Entre os dois havia uma mesa com vários tipos de utensílios de ouro. Destacando-se o cálice de vinho que Kurosaki Ichigo levantou em reverência e bebeu. Todos olhavam atentamente a cerimônia. O Imperador pegou o pergaminho que o acompanhante trazia em uma bela bandeja dourada e abriu.

- Construa o melhor casal real que a família japonesa já teve oportunidade de ter. – começou lendo. – Siga os caminhos de seus ancestrais. Obedeça as instruções. Cuide de sua saúde e dê descendentes saudáveis à família japonesa. Seja respeitável e fiel aos ordenamentos do Japão.

- Eu, Kurosaki Ichigo, respeitarei essa posição. Não esquecerei suas ordens, vossa majestade. – finalizou com uma longa reverência ao Imperador.

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- "Em breve a cerimônia de casamento do Príncipe Herdeiro terá início. Todos aguardam ansiosos pela passeata do Príncipe e da Princesa Herdeira!" – dizia o repórter sobrevoando a cidade de Tókio.

- Nossa! Nunca pensei que teria tantas pessoas assim esperando pela cerimônia! – exclamou a Rainha-mãe que olhava encantada, pelo telão do grande salão cerimonial, a multidão de japoneses. Ela trajava um trabalhado quimono rosa e usava sua coroa em meio a um belo penteado estilo japonês. – Será que é por causa do interesse no Príncipe? – perguntou divertida.

- Sim, Rainha. – respondeu Masaki, a qual vestia um encantador quimono vermelho estampado e usava também sua coroa em meio a outro especifico penteado japonês. – E também porque nunca houve uma Princesa proveniente dos plebeus na história da família real. Por isso de toda essa repercussão.

- Sim, é mesmo. A concessão dos títulos e a leitura dos dizeres dos ancestrais já devem ter terminado. Nossa... Rezei tanto para que a Princesa não cometa nenhum erro. Se ela fizer algo de errado...

- Não se preocupe Rainha. Soi Fong está lá para ajudá-la, não se preocupe com isso.

- Está certo... Está certo... Ficará tudo bem... – disse acalmando-se.

- Já não está na hora de eles virem para o grande salão, Nemu? – perguntou Masaki.

- Em poucos instantes, alteza.

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Inoue Orihime estava sentada em uma sala vestindo um enorme quimono branco bordado a ouro. Era uma verdadeira obra aquela vestimenta. Em sua cabeça estava uma delicada e linda coroa dourada. Seus cabelos estavam presos em um impecável coque. Soi Fong entrou trajando um formal e belo quimono verde, e ajoelhou-se em frente à Orihime, fazendo uma profunda reverência. A ruiva arregalou levemente os olhos, aquilo era um pouco inesperado.

- O Príncipe acabou de chegar, Princesa herdeira. A cerimônia irá começar. Então, por favor, dirija-se ao grande salão, Hime-sama*. – pediu com outra reverência. A ruiva fechou um pouco o semblante. "É agora..." pensou.

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Youruichi entrou lado a lado com Jinta no grande salão. Caminharam até o altar e se posicionaram ao lado direito. No lado contrário já se encontravam sentados em belos tronos, o Imperador, a Imperatriz e a Rainha-mãe.

Nos telões disponibilizados no grande salão e em toda extensão dos arredores do Palácio, passavam em tempo real a vinda da futura Princesa e do Príncipe herdeiro até o altar.

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- Eram 13 horas por dia. Por um ano eu pratiquei. E agora o tempo que eles determinam é de 5 minutos... Então não cometa nenhum erro Kuchiki Rukia. – falava Rukia, altivamente para si mesma, olhando para o palco de dança. Ela já vestia o seu vestido de apresentação e aguardava a sua vez.

- Está nervosa? – perguntou uma curiosa mulher de cabelos vermelhos, pegando em suas mãos.

- Bastante, Chizuru-san.

- Não se preocupe, você vai arrazar! – disse abraçando-a.

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O Príncipe entrou elegantemente pelo tapete vermelho. Todas as cabeças daquele salão voltaram-se para ele. Leves suspiros eram ouvidos , de algumas jovens da alta sociedade japonesa que ali se encontravam. Ele subiu as escadas e parou em frente ao ancião que ministrava a cerimônia. Quando o ruivo finalmente virou para entrada, os portões se abriram mais uma vez e dali saiu Inoue Orihime, visivelmente corada e estatelada. Olhou assustada para a multidão de quase 1.400 convidados e ouviu um leve pigarro ao seu lado. Olhou para seu pai ao seu lado e o viu olhando para uma nervosa Soi Fong. Respirando fundo, pôs-se a andar pelo tapete vermelho. Todos se levantaram desta vez, acompanhando com olhares curiosos os movimentos da ruiva.

Subiu as escadas, amparada por Lisa e Mashiro atrás de si. Olhou mais uma vez para seu pai de forma suplicante, enchendo seus olhos de lágrimas. Ele a beijou na testa, visivelmente emocionado e entregou sua mão ao ruivo parado a sua frente. Contendo-se, ela tomou coragem e olhou para frente, encontrando, pela primeira vez, o olhar do Príncipe que deu um leve sorriso de lado, fazendo-a ficar furiosa.

- O que foi? – perguntou o Príncipe sem emitir som, apenas com movimento dos lábios. Ela não respondeu e voltou-se para olhar o mestre de cerimônia.

- Senhor Inoue Ukitake, pai da Princesa Herdeira, por favor, diga-nos suas orientações a Princesa herdeira. – Ukitake engasgou subitamente. Yoruichi desesperada tapou os olhos. Ele tentou conter-se e olhou disfarçadamente a cola que tinha nas mãos.

- Trabalhe duro desde a hora que acordar até a hora de dormir!... Nunca esqueça de ser respeitável e obediente a seus anciãos, ... – ele parou e olhou mais uma vez a cola. Orihime riu levemente. -... Confie e siga as palavras de seus pais. – ele soltou o ar aliviado, sorriu para a filha e caminhou para o lado de Yoruichi.

- Príncipe Herdeiro, curve-se e presenteie com o tributo cerimonial. – o Príncipe pegou a pomba branca, devidamente enfeitada e amarrada, que um encarregado trazia e a ofereceu.

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- Grimmjow-sama! – ele se ajeitou na poltrona e olhou surpreso para a porta do salão do palácio.

- Ancião Nakayama, o que faz aqui?

- Vim a sua procura! Por que não foi a cerimônia? – perguntou um velho senhor usando também vestes militares vermelha.

- É por causa das roupas, eles falaram que eu deveria vesti-las.

- Mas será possível? É só por causa das roupas que você ainda não foi? – Grimmjow olhou para a porta, um pouco altivo.

- É que... Eu...

- Grimmjow-sama, o senhor ainda sente pelo último Príncipe herdeiro que morreu, não é? – perguntou o ancião. - Sei o quanto é difícil, mas, por favor, vamos!

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Após cerca de 1 hora, toda a cerimônia transcorreu tranquilamente, o beijo não ocorreu, pois não era bem visto em uma cerimônia como tal.

A saída foi tranqüila, nenhum tropeço, nenhum acidente. E neste momento o Príncipe e a Princesa herdeira já se encontravam do lado de fora do Palácio.

- Por favor, perdoe qualquer imperfeição durante a cerimônia. – pediu Soi Fong em uma longa reverência aos recém casados. – Por Aqui, por favor. – pediu apontando para a carruagem que estava parada em frente ao Palácio. Orihime subiu com a ajuda das acompanhantes e logo em seguida subiu Ichigo.

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- "O Príncipe herdeiro, Kurosaki Ichigo, e a Princesa Herdeira, Inoue Orihime seguem neste exato momento dentro da carruagem para a tão esperada Parada para todos os súditos japoneses." – dizia o repórter no telão.

- Estava tão preocupada, pois as aulas de etiqueta foram muito limitadas. – disse a Rainha-mãe. – Mas surpreendentemente tudo transcorreu tão bem, sem nenhum imprevisto.

- Sim, alteza. – confirmou Masaki com um sorriso.

- Você se esforçou muito. – continuou dirigindo-se a Imperatriz. – É extremamente necessário que continuemos com a educação da Princesa, para que assim ela se torne um legitimo membro da Família Real.

- Sim, alteza. Seguirei suas orientações.

- O estado do Imperador tornou-se estável graças ao contentamento com o casamento. Tentarei te ajudar com todas as minhas forças. – disse a Rainha com visível carinho.

- Ah, muito obrigada Rainha. Darei o melhor de mim.

- Uma adolescente e uma mulher que esta em seus anos finais de vida. Acho que teremos um abismo muito grande entre nós. – disse a Rainha pensando na Princesa herdeira. – Porém, me sinto muito emocionada no dia de hoje. – continuou dando um leve suspiro e olhou para o telão. - Essa Parada mostra não só a comemoração do casamento do Príncipe, mas comemora a nova era da Família Real que veio junto com a Princesa Herdeira.

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- Você está aqui para participar do evento no Palácio, Grimmjow-sama? – ele olhou um pouco assustado para trás ao ouvir a voz.

- Nemu-sama? O que faz aqui? – perguntou um pouco confuso, pois estava num lado pouco movimentado do Palácio. Era uma pequena construção, tipo uma pequena casa, ornamentada em volta por um impecável jardim, onde ele sabia que seus pais passaram muitas tardes.

- Estava apenas passando. Mas o que vossa alteza faz aqui?

- Estou apenas caminhando. Nemu... Você era a acompanhante principal da minha mãe não era?

- Sim, Grimmjow-sama. É como se o casamento de seus pais tivesse sido ontem. – disse com um imperceptível brilho no olhar. – Naquela época seu pai, o então atual Príncipe Herdeiro, substituiria o Imperador. Mas o tempo mudou tudo. – ela parou ao olhar o triste semblante de Grimmjow. – Perdoe-me Grimmjow-sama, mas é que ao olhar para o senhor eu acabo me lembrando desta triste história. Perdoe-me, alteza.

- Não sou mais alteza, Nemu. – disse com um pequeno sorriso.

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A Parada transcorria linda e perfeita, a multidão de japoneses gritava enlouquecidamente quando passava em frente a eles a carruagem do Príncipe e da Princesa herdeira.

- Eu não acredito que ela não deu nem tchau pra gente! – gritou escandalizada Yachiru.

- E vocês que diziam que a Princesa Herdeira é amiga de vocês. Poupe-me. – debochou o garoto parado ao lado delas na multidão.

- Mas é verdade! ELA É NOSSA AMIGA! – gritou Tatsuki.

- Acalmem-se meninas. Não dêem atenção a esse tipinho. Provavelmente ela não nos viu, foi só isso. – disse Matsumoto.

- Eu acho bom mesmo que seja isso. Se não acabo com a raça dela! – disse Yachiru.

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A Parada finalmente acabou e todos os membros da realeza, e a alta sociedade japonesa dirigiram-se para o Palácio. O Príncipe e a Princesa foram encaminhados para uma grande sala onde encontravam-se os grandes políticos do Japão, juntamente com o Primeiro Ministro.

- Dirija-se ao centro da sala, Hime-sama. – comunicou Soi Fong. Orihime seguiu juntamente com Ichigo, quase esbarrando em uma pequena mesa com o vinho cerimonial que se encontrava no centro da sala, mas conseguiu, habilmente, se desviar.

- Estou aqui em nome de todos oficiais e políticos para parabenizá-los e abençoá-los por tão ilustre união. – disse em uma profunda reverência, sendo seguido pelas outras pessoas da sala. Orihime sem saber ao certo o que fazer deu dois passos a frente sem ver, mais uma vez, a mesinha cerimonial. Curvou-se e juntamente com o seu quimono veio a mesinha, respingando o vinho por seu quimono e em cima do Primeiro Ministro.

- Ah por Kami! Me desculpe eu... Eu limpo. O que eu faço? Ai Kami! – resmungava olhando desesperadamente para os lados. – Ichigo, me ajuda! – ele fingiu não ouvir e continuou sem sair do lugar. Soi Fong veio tentar ajudá-la.

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- Você viu? Agora o Príncipe é o meu cunhado! – dizia Jinta animadamente pelo telefone.

- Sai desse telefone garoto! – mandou Yoruichi, tentando não esbarrar em um convidado. A casa dos Inoue estava cheia de visitas por conta do casamento.

- Mas o que eu vou fazer mãe? Todo mundo da escola tá me ligando. Dizendo que me viram na TV... 'Tchau, tenho que desligar agora'. – disse desligando o telefone, com um sorriso de orelha a orelha. Porém, mal o telefone foi desligado, já estava tocando de novo. Desta vez Ukitake veio atender.

- Alô? Ah sim, quanto tempo! ... Ah, é verdade, é uma honra para a nossa família, realmente. Você viu na TV? ... Quer falar com a Yoruichi? Só um estante. – ela fez um sinal de não com a mão.

- Mas é o meu primo Yoruichi.

- Não quero saber. Quando estávamos na pior, ninguém ligava pra saber de nós. Diga que não estou!

- Ah esqueça e perdoe, Yoruichi. Essa é a vida. Deixa de ser metida e atende logo esse telefone. – Ela bufou e arrancou o telefone da mão de Ukitake.

- Alô? É... É verdade... O que? – perguntou surpresa. – Sim, realmente para sua idade este é o seguro ideal. Está certo, eu te ligo depois de ver toda a papelada e passo na sua casa! Certo... Certo! Tchau. – e desligou o telefone com um sorriso.

- O que houve? – perguntou Ukitake.

- Lembra que há dois anos eu quis vender um seguro pra ele e ele não quis?

- Uhum, lembro.

- Pois é, agora ele quer pra toda a família! – disse num pulo.

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A Parada já havia terminado com tranqüilidade. Já era noite e o Príncipe e a Princesa herdeira encontravam-se no tradicional Jantar Nupcial. Havia uma grande mesa comprida, lotada de pratos típicos e variados. Orihime já se encontrava sentada na ponta esquerda da mesa. Todas as acompanhantes estavam sentadas do lado de fora da sala, com a porta aberta. Não demorou 5 minutos e o ruivo entrou, sentando-se na outra ponta. Ela o acompanhou com um olhar extremamente enfurecido.

- Ichigo-kun! – ele olhou pra frente um pouco sem entender.

- Ichigo-kun?

- Sim! Ichigo-kun! – repetiu decidida. – Como você pode ter fingido não me conhecer naquela circunstancia e não fazer nada? Era o Primeiro Ministro! Como você não pode me ajudar?

- Não acredito até agora que você derrubou o vinho cerimonial nele. – disse com um sorriso zombeteiro. Ela o olhou, espantada.

"Que tipo de pessoa ele é? Ele consegue me dizer com toda tranqüilidade do mundo que pretende se divorciar no futuro... Consegue sorrir em uma cerimônia de casamento tão séria... Ele parece ter uma personalidade tão cruel! Mas ele sorriu e acenou carinhosamente para todas as pessoas durante toda a Parada. Tem horas que parece que ele está pensando demais... Que tipo de pessoa você é, Kurosaki Ichigo? ... Eu não sei o que pode acontecer no futuro, mas a única coisa que sei é que estamos no mesmo barco de agora em diante." – pensou com um profundo suspiro.

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- Por favor acorde Princesa! – cochichou Soi Fong em seu ouvido.

- Ainda há alguns procedimentos antes do término da cerimônia, alteza. – tentou, desta vez, acordar o Príncipe. Ele abriu os olhos lentamente, desencostando da parede. Já havia algumas horas que os dois estavam naquela sala. Sem ter o que fazer, cada um encostou-se em uma parede e adormeceram. – A mesa de vinhos será trazida imediatamente. Por favor, prepare-se, Ouji-sama*. – ele fez sinal de sim com a cabeça. – Hime-sama! – insistiu Soi Fong. Ele fez sinal para que ela parasse. Ela fez uma reverencia e se retirou.

O ruivo esperou que ela saísse e se arrastou para mais perto de Orihime. Com o pé, ele a cutucou.

- Ei! Acorda! – ela somente se ajeitou melhor na parede. Ele bufou e cutucou de novo. – Acorda! – não adiantou, ela nem se mexeu. Ele bufou mais uma vez e levantou, agachando-se ao seu lado.

- Ei! Ainda tem uns procedimentos inacabados... – disse calmamente em seu ouvido. Ela deu um pulo e o agarrou pelo colarinho.

- NÃO MÃE! Tem que botar mais sal nisso! Ta horrível! – delirou sacudindo-o fortemente e abriu os olhos. Notou o que estava fazendo e largou-o devagarzinho, fingindo que voltava a dormir. – Minhas palavras de sabedoria já foram ditas... – e recostou-se na parede novamente. Ele se enfureceu de vez e começou a sacudi-la.

- Pare de fingir que ta dormindo garota! Acorda! ACORDA! – e parou ao ouvir um pigarro. Era Soi Fong. Ele a largou imediatamente e voltou sem graça para seu lugar. Orihime notou que ele parou e abriu os olhos, encaminhando-se também com um sorriso sem graça para seu lugar. Soi Fong apenas respirou fundo e entrou, sendo seguida por Lisa e Mashiro, que carregavam o vinho.

- A cerimônia de núpcias... – começou após sentar no meio da mesa, enquanto o casal estava cada um em uma ponta. - ... é a primeira noite juntos do Príncipe e da Princesa herdeira como marido e mulher. Mas como o Príncipe e a Princesa são ambos menores de idade, a cerimônia somente terá fim depois que ambos tornarem-se adultos. Então, por hoje, a cerimônia será finalizada com o consumo do vinho cerimonial e de toda comida preparada. – Soi Fong fez mais uma reverência e começou a servir o vinho.

- Por que tem que ser adiada? – perguntou Ichigo fazendo com que a morena parasse bruscamente.

- O que disse, Ouji-sama? – perguntou confusa.

- A noite de núpcias. Por que ela tem que ser adiada?

- Você é maluco? – perguntou Orihime perplexa.

- Ah! Não me olhe desse jeito bolinho de arroz. – ela abriu a boca para retrucar, mas ele a cortou. – Mesmo que você me implore, eu não estaria nem um pouco interessado de passar a noite de núpcias com você. Só perguntei, pois fiquei curioso. Não acha ridículo? Restringir por causa da nossa idade? Não acha? – ela bufou e virou a cara. Ele riu. – Está certo... Vamos comer.

Eles comeram e as acompanhantes se retiraram, voltando a ficar de guarda na porta. Como ainda havia tempo para terminar a cerimônia eles mais uma vez relaxaram e encostaram-se à parede.

- O que é isso? – perguntou Ichigo perplexo. – Elas deveriam estar de guarda. – disse apontando para as 6 acompanhantes que dormiam sentadas. Ele apenas soltou o ar e se esticou, praticamente deitando na almofada em que estava. – Estou muito cansado. Acho que vou acabar dormindo aqui mesmo.

- O que? – perguntou a ruiva assustada. – O que você esta fazendo? Levante-se. Você não ouviu o que ela falou? Nós dormimos em quartos separados, esqueceu? Este aqui é o meu! – disse apontando para a outra passagem que existia na saleta. Que dava mais ou menos na direção do quarto que Soi Fong havia mostrado para ela.

- É... É verdade. Então vou indo! – disse levantando-se bruscamente.

- Ei! – ela o chamou.

- O que é?

- Você vai me deixar aqui sozinha? – perguntou olhando para o chão. – É que bom... A Soi Fong-san me mostrou onde era o quarto, mas eu não gravei muito bem. Aqui é cheio de passagens e você morou aqui a vida inteira. Você bem que podia me levar até lá...

- Escuta... Não é porque agora nós somos marido e mulher que eu tenho responsabilidades com você. Nunca te prometi isso. Me preocupar com as pessoas ao me redor nunca foi o meu forte e nem nunca vai ser. Nunca fiz isso por ninguém e nem nunca vou fazer por você. Entendeu? – ela apenas estava ouvindo de cabeça baixa. – Realmente é um defeito meu. Mas o que eu posso fazer? Sou assim e sempre vou ser. Então o que eu quero dizer é... – ele emudeceu quando ela levantou os olhos e o encarou.

- Não faça essa cara... – pediu virando o rosto. Ela voltou a abaixar a cabeça. Ele andou e agachou perto dela, estendendo a mão. – Mas eu posso ouvir suas lamentações como um amigo. O que acha? - perguntou ainda com a mão estendida. Ela o olhou maleficamente a abriu um sorrido falso, apertando sua mão.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Ichigo gritou quando subitamente a ruiva puxou e mordeu com força a sua mão.

- Quem pexiu pra voxe me ajudar! Só poxi extá brincando! – disse entre os dentes sem para de mordê-lo.

- ME SOLTAAAAAAAAAAAAA! – continuou gritando sem conseguir arrancá-la de sua mão. Soi Fong e as acompanhantes levantaram assustadas e entraram correndo na sala.

- O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – perguntou quando conseguiu se soltar.

- AMIGOS? QUEM É AMIGO AQUI SEU IDIOTA! I-D-I-O-T-A! É ISSO QUE VOCÊ É!

- IDIOTA? –perguntou num pulo partindo para cima da ruiva, mas as acompanhantes foram mais rápidas e seguram-no.

- Alteza! Por favor, se acalme! – pediam as acompanhantes.

- VOCÊ ME INSULTA E AINDA ME MORDE! EU NÃO ACREDITO NISSO! EU VOU MATAR ESSA MULHER! ME SOOOOOLTA! – mandava, debatendo-se. Mas as acompanhantes foram firmes e o arrastaram dali.

Ela estava dando de língua para ele, mas parou ao perceber que ele já não a via mais.

"Que idiota cruel... você acha que eu preciso da sua ajuda? É que só por um segundo, aqui sentado, você me pareceu tão bonito... Então eu quis te conhecer melhor... Só isso! SÓ ISSO! Idiota! Ai... como isso é desanimador!" – pensou olhando tristemente pela porta.

To be Continued...

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* Ouji-sama = Príncipe

* Hime-sama- Princesa

- NOTA IMPORTANTE! Correção: No começo do Capítulo 1 está escrito assim: -

O 49° aniversário de Kurosaki Shunsui, o sempre saudável Imperador, de repente morreu sem nenhuma causa aparente. A sua posição foi assumida pelo Príncipe Herdeiro, Kurosaki Isshin. Havia tanta tristeza na família real naquele momento, que me deixou ferida e marcada pelo resto de minha vida. – desabafava Unohana – Agora é hora de preparar o futuro da Família Real Japonesa. Falo do casamento do Príncipe Herdeiro. – Masaki arregalou os olhos. – Nós somos a respeitável Família Real e devemos obedecer às regras tradicionais. Temos que agir rápido com o casamento do Príncipe. Esse é um problema que envolve a nossa segurança na realeza. Dessa vez vamos transformar o perigo em oportunidade. Será o passo para a Família Real florescer no século XXI.

CORREÇÃO FEITA:

O 69° aniversário de Kurosaki Yamamoto Shigekuni, o sempre saudável Imperador, de repente morreu sem nenhuma causa aparente. A sua posição foi assumida pelo Príncipe Herdeiro, Kurosaki Shunsui que morreu semanas depois em um acidente de carro, sem nem mesmo chegar a assumir o trono. Desde então seu irmão Kurosaki Isshin assumiu a posição de Imperador.

Havia tanta tristeza na família real naquele momento, que me deixou ferida e marcada pelo resto de minha vida. – desabafava Unohana – Agora é hora de preparar o futuro da Família Real Japonesa. Falo do casamento do Príncipe Herdeiro. – Masaki arregalou os olhos. – Nós somos a respeitável Família Real e devemos obedecer às regras tradicionais. Temos que agir rápido com o casamento do Príncipe. Esse é um problema que envolve a nossa segurança na realeza. Dessa vez vamos transformar o perigo em oportunidade. Será o passo para a Família Real florescer no século XXI.

Uma pequena correção, só para acrescentar informações o/

Desculpe pela MEGA demora. Está muito difícil de continuar, o tempo não ajuda, mas darei o meu melhor pra seguir em frente!

Aproveitem e me digam o que acharam ;*