Aqui está o Capítulo 10. Espero que gostem! *-* O próximo capítulo será postado na quarta.
PS: não sou dona de Glee, nem de nenhum dos personagens citados, apenas da história.
Fanfiction – Will/Rachel
(PV da Rachel)
Eu havia dormido pensando na futura conversa que eu teria com meus pais. Contar tudo para eles era complicado, arriscado, exigia coragem, mas era necessário. Eu poderia até ter problemas depois de lhes dizer a verdade. Ou então... seriam compreensivos e guardariam o segredo.
Eu torcia para isso.
# Décimo Capítulo – Destemida #
Nós sempre conseguíamos arranjar um tempinho para a gente no intervalo. O estádio de futebol era convidativo: arquibancadas limpas e vazias.
_ Pretendo contar tudo para os meus pais hoje, Will. – abria um pacote de biscoitos de chocolate.
Sua testa se enrugou.
_ Será que isso vai dar certo, Rach? Estou meio preocupado. – seus olhos se estreitavam em reação à luz forte do Sol.
_ Espero que sim. – alcancei sua mão, colocando a minha em cima dela. Isso era o máximo que podíamos fazer quando não estávamos exatamente sozinhos.
Ele sorriu.
_ Não vai me oferecer um cookie desses? - fazia uma carinha de sapeca.
Estendi o pacote para ele enquanto ria de sua expressão facial.
_ Obrigado, Rach. - comia o biscoito com os olhos fechados e ao mesmo tempo exibindo um sorriso.
_ De nada. - olhava para ele, feliz.
_ Bom... Qualquer coisa me ligue, O.k.? Pode ser antes ou depois da conversa, você quem sabe. - mostrou suas covinhas.
_ Tudo bem, Will. – sorri.
...
O meu pai, George, era um leitor assíduo. Eu sempre poderia encontrá-lo lendo livros na biblioteca.
_ Pai, posso entrar? – bati na porta.
_ Entre, filha. – respondeu uma voz grossa e abafada pelo obstáculo.
Abri a porta lentamente. Sorri quando encontrei seu rosto sereno e concentrado num livro azul empoeirado. Estava sentado numa poltrona macia de veludo.
_ Precisando conversar sobre algo importante, Rachel? – não havia desviado os olhos do livro para me ver ainda.
_ Sim. Muito importante, pai. – minha ênfase naquela palavra o fez fechar o livro rapidamente. Colocou-o numa mesinha de lado e tirou os óculos de grau, passando a mão nos seus cabelos lisos e grisalhos em seguida.
_ Pode falar, querida. Sente-se. – apontou para uma outra poltrona localizada à frente da que ele estava sentado. Sentei, cruzando as pernas.
_ Antes de começar, pai, preciso que o senhor prometa que será compreensivo.
Franziu a testa.
_ É claro, Rach. Prometo. – ajeitou-se na poltrona tentando encontrar uma posição que lhe fosse confortável.
Respirei fundo.
_ Eu estou apaixonada pelo meu professor, pai, o Sr. Schuester.
Sua boca se contorceu num sorriso torto.
_ Isso é bem normal na sua idade, Rachel. Acontece com muitas garotas. Se interessam pelo professor pelo fato de ele ser mais velho, mais charmoso, mais inteligente que os garotos da sala. Porém, devo ser sincero com você: é uma perda de tempo. É um amor platônico. Vocês dois nunca poderão ter um futuro juntos. Um professor não se apaixona pela aluna porque ela é muito nova, é uma criança para ele. Além do mais, o fato de ficarem juntos seria completamente errado. Sei que dói, mas é a pura verdade, querida. – não doía em mim. Não doía pois aquele certamente não era o meu caso.
Engoli seco.
_ É exatamente aí que o senhor se engana, pai. – baixei o tom da minha voz, aflita.
_ Perdão, Rachel? O que quer dizer com isso? – passou a mão nos cabelos novamente.
_ Eu e o Sr. Schue... Eu e o Will, pai... Nós... Nós... Estamos... Juntos. – a frase não saiu como eu planejava. As palavras saíram separadas por grandes pausas devido à minha dificuldade de respirar propriamente.
...
_ Ele ficou bravo? – perguntou o Will. Estávamos conversando pelo telefone fazia poucos minutos.
_ Mais ou menos. Ficou um pouco chocado. De início, acho que nem tinha acreditado, mas depois que expliquei a história calmamente desde o início, entendeu. Ele confia em você, Will.
Houve um pequeno momento de silêncio. O fato de meu pai não ter ficado superbravo surpreendeu o Will.
_ E o Henry, seu outro pai? Contaram para ele?
_ Sim, nós já conversamos com ele. A reação dele foi um pouco... diferente.
_ Diferente como? – soou preocupado.
_ Surtou, Will. Tivemos que lhe dar um copo de água com açúcar para ele se acalmar. Mas não se preocupe, O.k.? Ele já está bem. Disse até que vai ficar melhor se eu fizer uma coisa...
_ Que coisa, Rach?
_ Quer que eu o convide para vir aqui. Disse que precisa conversar com você.
_ Tudo bem. Não vejo problema nisso.
_ Isso é ótimo, Will. – animei-me.
_ Amanhã?
_ Perfeito. Bem, preciso ir. Daqui a pouco um dos dois chega aqui dizendo que é tarde e que devo acordar cedo amanhã. – olhei para a maçaneta da minha porta. Eu não havia a trancado.
_ Entendo. – escutei uma risada leve. _ Vai para a caminha, Rach. – brincou. _ E bons sonhos.
_ Obrigada, Will. Certamente terei bons sonhos. Sonharei com você.
_ Tem tanta certeza assim?
_ É claro. Penso tanto em você que é impossível não tê-lo em meus sonhos.
_ Saiba que também penso muito em você, Rach. A todo momento. – o Will era um fofo.
_ Até mais, Will. Te amo.
_ Eu também, Rach.. Eu também.
Desliguei o telefone com uma lágrima no rosto. Falar ao telefone com o Will era como um analgésico ruim: aliviava a dor por algumas horas e depois ela retornava. Não era o bastante apenas ouvir sua voz... Bom mesmo era senti-lo perto de mim. Era abraçá-lo. Beijá-lo. Tocá-lo.
Lembrei que ao falar que estava apaixonada pelo Will para meu pai tive uma sensação diferente. Era como seu eu tivesse admitido aquilo para mim pela primeira vez. De fato, eu estava loucamente apaixonada por ele.
Levantei da cama em que estava sentada e liguei o som, baixinho.
Fui dormir ao som de "Meant Every Word", do See You Soon.
