Hey! Sei que disse que postaria o novo capítulo na quarta mas como já o terminei, aqui está ele! O próximo fica para a quinta ou sexta.

PS: não sou dona de Glee, nem de nenhum dos personagens citados, apenas da história.

Espero que gostem!


Fanfiction – Will/Rachel

(PV do Will)

Era só uma conversa, só isso. Não haviam motivos para eu ficar nervoso. Não era como se um dos pais dela fosse atirar em mim com uma espingarda ou algo do tipo. Só conversaríamos. Mais nada.

Eu não tinha feito nada de errado para me preocupar, tinha?

Na verdade, eu tinha.

# Décimo Primeiro Capítulo – Pressão #

Eu ainda não havia descido do carro.

Chequei o visual no espelho retrovisor, espreguicei-me, conferi o horário no relógio de pulso. Estava 5 minutos adiantado. Admito que gostava de chegar cedo nos compromissos. Beleza, agora está tudo certo. Desci do carro.

Toquei a campainha. Não me sentia nem um pouco tranquilo, mas não havia como fugir: sempre soube que chegaria um dia em que eu teria de ficar frente a frente com os pais da Rachel. Bem, esse dia era hoje. E bem naquele exato instante.

Um homem alto, um pouco magro e de cabelos grisalhos abriu a porta. Segurava uma xícara na mão esquerda.

_ Como vai, Sr. Schuester? – eu teria de mentir.

_ Ótimo, Sr. ... – eu não sabia seu nome.

_ Pode me chamar de George. – riu.

_ Certo. E você, George, como vai?

_ Perfeitamente bem. Estava ansioso para conhecê-lo pessoalmente. Entre, sente-se enquanto chamo o Henry.

_ Obrigado.

Engraçado, tudo indicava que a Rachel não estava lá. Se estivesse, teria sido ela a atender a porta. Poderiam ter a convencido a sair para que não atrapalhasse em nada, para que não me defendesse. Minha situação havia piorado e meu nervosismo, aumentado.

O George entrou na sala acompanhado do outro pai da Rachel, Henry. Esse era mais baixo, tinha cabelos castanhos. Sentaram-se no outro sofá, fazendo com que ficássemos literalmente frente a frente.

_ Então, prazer em conhecê-lo, professor. – Henry falou a palavra com certa ironia. Ele não gostava de mim.

_ Prazer em conhecê-lo também. – estendi a minha mão, sorrindo, para que ele a apertasse. Cumprimentar era sempre um bom início.

Minha mão ficou parada no ar. Tive de abaixá-la depois de alguns segundos. O Henry havia me ignorado, dispensando o aperto de mão.

Me encarava. Comecei a pensar naquela hipótese de ele ter uma espingarda em casa. Se tivesse, a usaria a qualquer momento.

_ A questão é a seguinte: você é o professor da minha filha. Ela é sua aluna. Vocês estão juntos. Isso não lhe soa errado? – indagou o Henry, fuzilando-me nos olhos.

_ Perdão, senhor, mas apesar de eu concordar que isso é bastante errado, não escolhi apaixonar-me pela Rachel. Aconteceu.

_ Pelo amor de Deus, ela é uma criança! – gritou, perdendo o controle. Vi o George colocar a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo.

_ Discordo, Henry. A Rachel é quase uma mulher adulta psicologicamente falando! É muito madura para sua idade. Além do mais, não vai demorar para ela terminar os estudos.

Chegou o corpo para trás, encostando suas costas no sofá. Seu rosto era pensativo.

_ Will Schuester, se algum dia a minha filha chegar em casa chorando porque você machucou seus sentimentos... Eu juro que vai se arrepender. – sua mão estava fechada em punho.

Calafrios percorreram minha espinha só de pensar em sua ameaça. Eu nunca faria nada para ferir a Rachel, pelo contrário, eu a amaria e cuidaria dela, porém o risco que eu corria era grande.

_ Certo, Henry. – olhava para baixo.

Ficamos em silêncio por um momento. O clima estava cada vez mais tenso.

_ Henry, você tem que entender que ela tem ficado muito mais alegre de uns tempos para cá. É por causa de você, Will, provavelmente. – sorriu o George.

_ Fico feliz em saber disso. – retribui o sorriso da mesma forma.

_ Bem, aceita uma xícara de chá, Will? – falou, levantando do sofá.

_ Sim, obrigado.

Ao passo que o George saía da sala, amedrontei-me. Só ficaríamos eu e o Henry naquele espaço. Eu e o único pai da Rachel que me odiava.

Uma porta se fechou atrás de nós.

_ É a primeira aluna que namora, Schuester? – disse, cruzando os braços.

_ Sim, senhor. – senti que não deveria chamá-lo mais de Henry. Nossa intimidade começou em zero e agora tinha um valor negativo.

_ Nunca sentiu algo a mais por alguma das suas alunas além da minha filha? – coçou o queixo.

_ Não, senhor. A Rachel é... especial, entende? E para começo de conversa, ela quem me beijou. Ela quem despertou esse sentimento em mim. – fui verdadeiro.

_ Eu sei, Schue. Contaram-me como tudo começou.

Apenas assenti.

_ Você a ama mesmo? – seus olhos se estreitaram. Ainda não estava convencido.

_ Mais do que tudo nesse mundo. – sorri. Comecei a pensar na Rachel. Imaginei aquela garota incrível, inteligente e bonita que eu adorava sentada na primeira carteira na aula de espanhol. Aquela garota que não precisava fazer muito esforço para que eu me encantasse com o que fazia, o que falava. Aquela garota que, ao cantar, fazia com que eu pensasse estar vivendo uma fantasia. Não reparei que meu rosto estava molhado.

_ Schue? Está tudo bem? Oi? – fui despertado de meus pensamentos com uma mão que balançava freneticamente na minha frente.

_ Ah, estou. – limpei as lágrimas com meu pulso.

_ Então por que está chorando?

_ Não é nada... Só estava lembrando dela.

George colocou a mão em sua boca levemente, desacreditado.

_ Desculpe a demora, Will. Aqui está seu chá. – nem tinha visto o George entrar na sala. Estendia a xícara para mim. Devia estar muito quente pois um fio de fumaça saía do pequeno recipiente de porcelana.

_ Obrigado.

Henry ainda estava com a mão em sua boca e seus olhos eram arregalados.

_ Henry, você está bem? – disse o George, notando sua expressão.

_ Estou, George. Agora estou. Aceito que estava equivocado desde o começo. Eu devia agradecer ao Sr. Schuester aqui por estar cuidando tão bem da nossa Rachel. Por estar a amando de um modo que ninguém mais vai amá-la.

Agora quem estava de olhos arregalados éramos eu e o George.

_ Você está falando sério?

_ Sim, George. Obrigada, Schuester, por tudo. – estendeu a mão para mim.

Cumprimentei-o como esperava que fosse no início.

_ Ahm, a propósito... Onde estaria a Rachel? – perguntei. Estava curioso em relação à resposta que me dariam.

_ Está na casa do Kurt. Ele a convidou por telefone. Disse que iriam assistir alguns filmes, ler revistas da Vogue... Essas coisas que só divas fazem. – deu uma gargalhada. Acompanhei-o.

Eu estava errado sobre o verdadeiro motivo da sua ausência.

_ Bem, então já vou indo. Podem pedir para ela me ligar quando chegar em casa?

_ É claro, Will. – disse o Henry.

...

Saí daquela casa me sentindo dez vezes melhor do que quando entrei. Eu havia retirado um peso das minhas costas. Os pais dela sabiam e aprovavam.

Agora só existiam duas coisas me incomodando: morar com a Terri e o divórcio que demorava sair.


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