Todo o Glee Club se encontrava reunido parar visitar Quinn no hospital, ela tinha um sorriso de lado a lado no seu rosto, que tomavam conta dos seus lábios rosados, enquanto cada um dos membros foi entrando lentamente e só tocando sua mão, ou sorrindo para ela.

Finn trouxe consigo um vaso de flores e alguns dos membros Glee Club também tinham algumas flores consigo, Rachel carregava balões, cabisbaixa. Ela sorriu para Quinn e sentiu vontade de se ajoelhar e pedir perdão no instante em que seus olhares se cruzaram.

-As flores são minhas e de Rachel, Quinn. – disse Finn, que deixou o vaso ao lado da cama de Quinn e apertou levemente a mão da menina, ela quase achava que ele estava mais alto.

Os Gleeks começaram a conversar e rir em sua volta, contado de todas as coisas tolas que haviam se passado nessas três semanas na escola, as novas fofocas que haviam sido inventadas ou as tarefas que Mr. Schue tentou passar para os alunos. Nenhum deles citou os maus momentos que estiveram passando com a falta da menina, em alguns momentos o olhar de Quinn se cruzou com o de Rachel e ela parecia querer dizer para a outra, que estava tudo bem.

-Garotos, - disse Quinn tendo a atenção de todos a sua volta, - Eu realmente aprecio todas essas novidades, e principalmente, que vocês tenham vindo me visitar e me fazer rir, mas vocês poderiam me deixar com Rachel por alguns minutos? – perguntou suavemente a ex- HBIC. Ela jurou ver um olhar vacilante no rosto de Finn enquanto ele se retirava do quarto.

-Fico feliz que você tenha se recuperado... – disse Rachel da forma mais animada que podia. Mesmo que seu sorriso não pudesse chegar em seus olhos, Quinn sorriu para ela em resposta.

-Você e Finn... – vacilou Quinn, - ...vocês se casaram? - perguntou finalmente, desviando em seguida o olhar para baixo.

-Não. – respondeu a cantora – A pessoa que te encontrou na estrada, ligou para o primeiro número que estava no seu celular logo após chamar os bombeiros, e por coincidência era o meu. – Rachel riu do humor negro que havia naquele fato. – O casamento parou em seguida e todos vieram para o hospital.

-Sinto muito... Não queria atrapalhar o seu casamento. – disse Quinn e ela se pegou querendo rir da ironia que havia em sua frase.

Rachel olhou para os vidros, percebendo que vez ou outra algum dos Gleeks jogava um olhar para dentro do quarto, mas ela segurou a mão de Quinn hesitante se sentando na beira da sua cama.

-Eu senti tanto medo Quinn... – Seus olhos marejaram – Eu achei... Que você nunca mais acordaria, todos estávamos tão cientes de como um quadro de coma poderia ser extremamente grave e conforme as semanas se passavam, eu só sentia que eu te perdia cada vez mais. – lágrimas corriam, agora, pelo rosto da morena e Quinn levou uma das suas mãos limpando a face dela.

-Está tudo bem, Rach. Nada disso é sua culpa.

Rachel se permitiu chorar enquanto Quinn apertava sua mão e afagava o seu braço, confortando a morena.

-Quinn... – A morena vacilou em falar e pareceu suspirar desistindo, seja lá do que ocorria em seu pensamento. – Só, por favor, não se vá deixando coisas inacabadas aqui...

A loira sorriu e apertou a mão de Rach, fazendo-a dirigir seu olhar para ela. Um médico entrou na sala, acompanhado de seus pais, que fuzilaram Rachel com o seu olhar, pelo que Quinn pôde observar, então aquela se levantou e arrumou sua saia, não sem antes dirigir um último sorriso para Quinn.

-Muitas visitas por hoje não mocinha? – perguntou o doutor, ele segurava uma prancheta na mão e sorriu de forma simpática. –Mas eu acho que depois de nossa conversa, você pode ver um pouco mais os seus amigos.

-Seria ótimo. – respondeu Quinn sorrindo para seus pais e os médicos, aquele procedimento de hospital era realmente um saco.

- Querida, o médico quer te falar algumas coisas a respeito do seu quadro. – falou Judy, sua mãe, sorrindo e apertando a mão de Quinn. Por algum motivo, algo no olhar de todos naquele momento, a fez pensar que alguma coisa estava realmente muito mal.

O médico caminhou até alguns aparelhos e fez o que pareceu ser umas pequenas anotações parando do outro lado de Quinn antes de começar a falar.

-Um quadro de coma, por mais que seja retratado como algo "simplório" em muitos seriados de televisão como você possa ter visto, é mais complicado do que as pessoas acreditam, -Quinn olhava atenta para o médico, não entendendo ainda o que ele tentava lhe falar, mas por algum motivo ela já podia sentir seus olhos ficarem marejados. – Você passar dias em um estado que poderia ser classificado como apenas adormecido, não é normal, mas o coma se trata de passar dias recebendo poucos estímulos vindos do seu cérebro, e isto pode de alguma forma levar o mesmo a retroceder em alguns pontos que antes eram inatos em sua vida. – Ele limpou a garganta enquanto Quinn olhava para sua mãe que tinha lágrimas pelo seu rosto, ela estava assustada e sequer percebeu quando lágrimas corriam pelo seu próprio rosto.

Do lado de fora os Gleeks começavam a se dar conta da situação, e dirigiam olhares preocupados em direção ao quarto.

-Eu não estou entendendo o que o senhor quer dizer com tudo isso... – balbuciou a cheerleader entre lágrimas e olhando para o médico que estava na sua frente, tentando passar uma aparência de compreensão e tranquilidade.

-O que eu estou tentando lhe dizer Quinn, é que graças ao estado de coma no qual você esteve, talvez quando você sair deste hospital você se dará gradativamente conta de que "desaprendeu" a fazer algumas coisas que antes você fazia normalmente, talvez não agora, mas mais pra frente você note que você não irá conseguir pronunciar algumas palavras, que você não ira conseguir comer sozinha ou talvez você não possa andar... – o médico continuava a falar calmamente e tudo aquilo dava um giro na cabeça da garota.

-Andar? Como assim? Mas não tem nada de errado com as minhas pernas! – disse Quinn, começando a se tornar um pouco agitada agora.

-Calma, eu não quis dizer que você não irá voltar a fazer essas coisas como fazia antes, com ajuda de terapia você irá aos poucos, como um bebê, reaprendendo cada uma destas coisas, Quinn. Mas eu não estaria sendo totalmente sincero, se não falasse que existe uma possibilidade de cerca de 90% de chance, de que, talvez, você nunca mais recupere certos movimentos de seu corpo ou consiga efetuar tarefas que você fazia antes. Mas o que nos importa neste momento, é essa taxa de 10% de pacientes que acordam de seu coma e têm uma perfeita recuperação! – ele apertou o ombro de Quinn que sorriu para o médico, tentando não lamentar antes sequelas que ela poderia vir a ter.

Ela olhou para fora do quarto e seus olhos se cruzaram com o de Rachel, e ela começou a chorar sem pudor, não pelo que ela havia acabado de ouvir, mas porque ela desejou com todo seu ser ter os braços de Rach a envolvendo naquele momento.

O palco estava com a iluminação baixa e todos os garotos do Glee Club estavam lá para ensaiar uma apresentação.

O pianista marcou o início da música, enquanto Finn permanecia sentado na bateria, Sam estava com seu violão elétrico, Puck com uma guitarra e Artie em sua cadeira de rodas começou a cantar os primeiros versos da música.

"I got troubled thoughts

And the self-esteem to match

What a catch, what a catch…"

A banda iniciou o instrumental da música agora e Blaine tomou frente com os próximos versos.

"You'll never catch us

So just let me be

Said I'll be fine

Till the hospital or American Embassy…"

Finn deu a continuação no seguinte verso,

"Miss Flack said I still want you back

Yeah, Miss Flack said I still want you back…"

Todos entraram juntos agora no coro da música e não perceberam quando um garoto com olhos em uma mistura de verde e azul, rosto quadrado e cabelos levemente loiros, de calça jeans e camiseta, com um paletó preto por cima entrou e começou a observar todos cantarem.

"I got troubled thoughts

And the self-esteem to match

What a catch, what a catch

And all I can think of

Is the way I'm the one

Who charmed the one

Who gave up on you

Who gave up on you..."

O verso seguinte que deveria ser cantado em duo entre Puck e Sam, foi roubado quando o garoto do topo do palco, desceu, cantando-os e tomando a atenção de todos agora.

"I got troubled thoughts

And the self-esteem to match

What a catch, what a catch

And all I can think of

Is the way I'm the one

Who charmed the one

Who gave up on you

Who gave up on you…"

Os garotos sorriram entre si e continuaram cantando com o garoto:

"What a catch

What a catch

What a catch

What a catch…"

-Prazer, meu nome é Chandler (Douglas Booth). Apresentou-se o garoto, dando a mão para cada um dos garotos presentes. Ele tinha um sotaque britânico e um sorriso sedutor, talvez se fosse do feitio masculino temer a chegada de alguém mais bonito, que cantava bem, sedutor e ainda por cima tinha um sotaque britânico, eles não teriam sorrido para o garoto que estava na sua frente.