Então Rumpel não quis ir atrás da sereia
- Sorte a minha você não ser o único que faz tratos, Rumpel. - E Regina foi em busca de alguém que fosse pudesse fazer o trabalho. E, honestamente, nós sabemos quem. A única que saberia cuidar de corações infelizes.
Mas antes que qualquer trato entre Ariel e Úrsula pudesse acontecer, Ariel buscou a ajuda de alguém que já tinha ouvido falar anteriormente, famoso por fazer tratos.
-Foi por isso que eu te chamei. Quero pernas... poder andar, quero um trato.
-Eu poderia fazer isso... por um preço
-E- Eu dou qualquer coisa!
Rumpelstiltskin arqueia as sombrancelhas e se agacha perto de Ariel. - O que uma menina como você quer com pernas?
-Eu só... queria ser humana. Saber como é aqui. Andar sob o sol com a areia nos pés, ver o que é fogo...E eu realmente daria qualquer coisa pra que meu sonho se realizasse.
- Mas eu nem disse o meu preço, dearie... Eu quero a sua coleção.
- É só um monte de coisa. Nada daquilo deve ter valor...
-Coisas sem valor são mais fáceis de se desfazer, não acha?
Ariel para, respira, olha pro mar, vira o rosto em direção à praia. Ela parece já ter saudade. - Feito. Mas eu quero poder cuidar das minhas coisas... ou ao menos dar uma olhada de vez em quando...
-É razoável. Temos um trato - Um estalar de dedos, uma fumaça entre roxo, vermelho e preto esconde Ariel e ela é humana como sempre quis.
-Sou humana! Olha! Olha! Pés! Do jeito que eu imaginei. Obrigada! - A saudade que estava nos olhos some, trocada em instantes por um acesso de animação que faz Ariel se jogar em cima de Rumpelstiltskin e lhe dar um abraço.
Ele desfaz o abraço, a encara em silêncio, franze as sobrancelhas. Espana as roupas com as mãos como se não soubesse o que fazer, como se estivesse constrangido
- Desculpa...
O que, infelizmente torna as coisas mais difíceis para a Rainha, pois sem um trato para fazer com Ariel, como Úrsula se aproximaria dela e a tiraria do caminho? Apenas se ela pudesse mostrar a Ariel que havia algo que ela desejava mais que as pernas, alguém, por exemplo... E mostrar pra Ariel exatamente com quem falar para conseguir esse alguém.
Em Storybrooke, se chama Lorelei, a do meio de dois irmãos, Sebastian e o pequeno Dylan, o Linguado. Eles, família Fisher tem um bar, aquele que Ashley, Mary Margaret e Ruby foram no dia dos namorados, onde os meninos almoçam antes de Lorelei ir ajudar na loja de penhores. Grande parte da coleção dela está lá, um monte de quinquilharias que ela guardou até o pai mandar ela se desfazer por falta de espaço, e que ela não fez questão de pegar de volta...
Esses são dias amenos para , os que Lory vai até sua loja, bate com força na porta, entra como um furacão e fica horas conversando sobre alguma coisa que ela achou ou que deram pra ela. O faz lembrar de coisas do passado que ele finge esquecer.
É uma massa de cabelos avermelhados que fazem ir até a porta. Ele a abre permitindo uma menina de uns 17 anos, cabelos cor de cobre, sardas, calças jeans e moleton rosa, apoiada em muletas entre na loja.
- Bom dia, Lorelei. Chegou cedo da escola hoje?
Ela abre um sorriso travesso. - Matei a última aula mesmo. Era revisão de prova, não é como se adiantasse muito. Então eu catei um sanduíche no Sebastian e vim pra cá te mostrar o que eu achei. Olha. - Jogou a mochila de couro marrom cheia de adesivos e chaveiros no balcão. - Já viu uma lamparina assim? Não faço idéia de que material é esse, mas achei muito bonita.
- Onde conseguiu isso Lorelei?
- Leroy. E ele me ensinou a mudar a cor da chama.
- Onde você está me levando Vanessa? - sussurou - Aqui é horrível. - Aquela lamparina feita naquele material diferente e cor de marfim estava com Ariel iluminando o caminho.
- Olha, como sua amiga estou tentando ajudar. - Vanessa parou e olhou Ariel nos olhos. - Você quer ou não quer ficar com o Eric?
- Quero...
- Esse é o preço! É parte das misérias do amor, pense assim. Eu não quero ficar com ele, mas não posso fazer nada se você não fizer um esforço!
Ariel estava certa sobre o lugar ser horrível, mesmo naquele dia de sol alto e quente aquela viela era úmida e escura. Ainda bem, ao menos, que a porta que elas deveriam ir não estava muito a frente. Bateram numa porta de madeira simples, que levava a uma casa de teto baixo, cheia de potes de plantas e ervas na sala, com as janelas escancaradas tentando deixar entrar o sol. E mesmo assim as paredes tinham manchas de bolor. Sofá e toalhas com cheiro ruim de umidade e guardado.
- Como é bom ver duas mocinhas bonitas! - Se aproximou delas uma senhora de cabelos brancos e curtos, maxilares altos, buchechas muito rosadas, pele sem viço, como se não tomasse sol há muito tempo e um pouco acima do peso. - Então, a que devo a visita?
- Minha amiga - Vanessa se adiantou. - Está apaixonada, e ela precisa de ajuda... - a senhora se sentou e apoiou o rosto na mão.
- Que tipo de ajuda? Amor verdadeiro não tá fácil hoje em dia.
- Eu só... Ele parece gostar de mim, ele só não pode! Eu preciso que ele possa. Você me entende?
- Isso é difícil... Vai sair caro, sabe? Você vai poder pagar? Arranjar o que eu preciso?
- Até onde for necessário.
Úrsula, a dona da casa, estudou Ariel, depois resolveu se levantar para fazê-lo de perto.
- Seu amor será possível, se... eu não sei, você parece uma moça simples para mim, e um feitiço desses tem um custo alto para nós duas.
- Como o que?
- Tem certos objetos que são inestimáveis para mim... uma varinha de condão, pó de fada, um tridente mágico...
Os olhos de Ariel saltaram e ela levantou o rosto. - Um tridente seria suficiente? Faça o feitiço que eu o trarei.
- Antes as contra-indicações. O feitiço tem validade. Só dura se o príncipe se mostrar realmente apaixonado, casamento, por exemplo. Se não...
- Se não? - perguntou Vanessa
- Quando as contas escurecerem você vira espuma do mar. Ainda acha que vale a pena?
Ariel olhou para Vanessa, respirou fundo - Só vale se você o ama muito, Ariel... E a gente pode dar um jeito se esse preço for muito pra você...
-Não. Vanessa, eu tenho que tentar. Eu aceito. E trarei um tridente.
- Onde a Lory foi? - perguntou o irmão caçula ao mais velho dos três quando acabava de chegar da escola.
- Deve ter se enfiado na loja do de novo.
- Ele não parece muito boa companhia irmão... Sinceramente, ele me assusta.
- Assusta todo mundo, linguado. Todo mundo. - Despenteou o cabelo do irmão e foi em direção a janela olhar a chuva que deixava o céu cinza e triste. - Mas ela gosta dele. Ela parece estar sempre feliz, mas...não é assim. A gente sabe o quanto ela sente falta do pai, do quanto ela se culpa pelo acidente. Aquele cara deve ter a mesma tristeza nele. E se esse é o pai adotivo que ela pode arranjar...
- Ele é durão igual ao pai, né Sebastian? - Este deu um sorriso triste na direção da janela e se voltou pro irmão de novo.
- Verdade. Mas o pai era pior. Lembra que depois do carro bater ele ainda conseguiu levar Lory até o hospital? E aquele era um dia feio...
O que ocorreu foi que Lory queria ir pra Boston com a coordenadora do coral, Cecília. O pai de Lory levaria as duas até lá. A ideia era procurar um conservatório de música para Lory. Tinham que pelo menos dar uma chance. Pena o tempo ter ficado tão ruim, aparentemente esse era o motivo de apenas Ariel ter voltado pra casa. E mesmo ela não passara por essa experiência ilesa, física e mentalmente.
Do acidente, Lory só lembra do barulho do hospital, de acordar assustada de um pesadelo e ver um monte de gente em volta dela segurando as lágrimas.
- Já voltou? - perguntou Linguado sentado no sofá.
- É. Hoje não tem natação. - E se jogou no sofá.
- Seu pacote chegou. O que que você comprou?
- Uma luminária em forma de tridente. É pra acender quando você encosta.
- Cabe no seu quarto?
- Lógico. - olhou pras muletas, pro irmão, pra tv...- Deixa de ser preguiçoso e pega lá pra mim!
- Pegar lá... hunf! Tá muito folgada! - voltou do quarto com uma caixa 30x16 embrulhada e endereçada a Lorelei Fisher. - Olha - sussurrou - Eu não sei quanto tempo você acha que o nosso irmão não vai descobrir você namorando nas costas dele... mas ele não vai gostar de saber. Ainda mais se for quem eu acho que é.
- Mas eu...
- Hoje você matou aula para ir na loja de penhores, mas eu sei que você matou o clube de natação e o coral também. Só toma cuidado com quem você tá se metendo, por favor.
- Eric é um menino legal. É só o pai dele que é meio chato, com umas mania de grandeza esquisita, mas não tem nada a ver. Você vai pensar diferente quando o conhecer... você vai ver! Qualquer dia desses eu trago ele aqui e você vai ver como ele é diferente. Nem sei por que ele anda com aqueles meninos esquisitos...
- Se você diz...
- Tem certeza que só o Tridente do pai serve pra bruxa? Ariel, eu vou trazer ele pra você. O pai não vai se importar... mas não é assim.
- Linguado, eu pedi pra você vir me encontrar por que imaginei que você entenderia. Só você vai convencer o papai de me entregar o Tridente! Ele confia em você.
- Mas, Ariel! Olha pra nós agora! Você tá aí, em terra firme com pernas, me chamando pra conversar numa praia distante de tudo, pra me pedir que te traga o Tridente do pai, pra que você entregue pra uma bruxa e assim, você e o Eric ficarão juntos.
- Tá parecendo o Sebastião! E eu já fiz o trato... se der certo, dará certo. Tudo ficará bem. Acredita em mim.
- Te trago em 2 dias...
- Dylan, você é o melhor!
- Não deixe o Sebastian ouvir isso. - Eles riram... Um sorriso antes da tempestade. A tempestade que levaria todos pro fundo do mar. Aquela foi uma noite de muita chuva. Vanessa, a amiga que Ariel tinha encontrado no Castelo do príncipe Eric tinha desaparecido. E este não tinha mais uma noiva. Então, talvez, alguém bela e adorável como Ariel tivesse possibilidade de ser aceita, quando foi "descoberto" um vínculo dela com um nobre das Ilhas. Só que não foi só isso que a chuva trouxe.
Dois dias depois, Linguado tinha mais que um tridente para entregar pra Ariel. Segundo foi contado no mar, a bruxa tinha contado que Ariel estava prestes a morrer e que, para evitar o fim dela, Úrsula precisava fazer uma troca - parece que a promessa do tridente não foi suficiente, ou não era o que, exatamente, Úrsula queria. Seria uma troca entre a vida do rei dos Mares pela de Ariel. E ele aceitou. O tridente foi o que restou. E agora era dela.
Ariel não conseguiu chorar. Ela só sabia que era culpa dela. Por que tinha de ser tão impetuosa?
- Sebastian vem te ver amanhã. Disse que vai atrás dessa bruxa. E ele acha que essa sua amiga que sumiu, Vanessa, também tem a ver com isso... Eu sei que é demais pra lidar agora, mas ele não quer perder tempo. Ele só fala em fazer justiça o tempo todo...
- Eu... eu... vou ver ajuda... vou. Eu conheço alguém que vai ajudar.
- Eric?
- Não. Um amigo, o que me deu as pernas... Rumpelstiltskin.
- Aquilo é um monstro! Como você confia nele?
- Ele pode ter algum interesse em saber quem é essa bruxa, vai saber? Mas fique tranquilo, Linguado, esse tridente é meu. E nós vamos achar essa bruxa.
