James hesitou antes de bater na porta do quarto. Podia ouvir Lily movendo-se em seu interior. Por fim, decidiu-se e bateu.
— Pode entrar!
Lily estava de pé ao lado da cama. Em vez do jeans, vestia uma camiseta branca de dormir e, pelo que lhe era dado ver, constatou que ela nada usava por baixo.
— Precisa de alguma coisa? — ela perguntou.
— Vim apanhar uma muda de roupa e um terno. Vou sair logo cedo pela manhã. Não quero incomodá-la.
— Estou constrangida — ela confessou. — Privei-o de seu quarto e de suas comodidades.
— Nem pense nisso.
— Você devia me deixar dormir no quarto de hóspedes.
— No chão? Não diga bobagens — ele observou, desaparecendo no interior do closet.
Ela disse atrás dele:
— Estou acostumada a dormir em qualquer parte. A banda costumava tocar até altas horas da madrugada e, se eu quisesse descansar, tinha de fazê-lo onde quer que estivesse.
James emergiu do closet com o terno, a camisa e a gravata dobrados sobre o braço.
— Você vai descansar melhor aqui. Quanto a mim, uma noite no chão não irá me matar.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Acho que vou seguir seu conselho. Estou exausta — ela concedeu, esticando os braços acima da cabeça.
James desviou os olhos, mas não antes de ter uma boa visão dos seios dela comprimidos dentro da camiseta.
— Vá deitar-se, Lily.
— É o que vou fazer — ela anunciou, deixando-se cair sobre a cama com um movimento harmonioso, fluido. — Ah! É o paraíso!
James sentiu a antiga impressão de inocência e vulnerabilidade envolvê-lo e penetrá-lo. Lily parecia uma menininha encolhida na espaçosa cama de seus pais. Uma menininha que devia ser protegida e tratada de maneira excepcional. Agora mesmo, tinha vontade de apanhá-la ao colo e aquecê-la com seus braços...
Virou-se bruscamente e afastou-se da cama e da mulher ali deitada, escapando de sua influência. Antes de sair, apagou a luz.
— Boa noite, James — ela disse com voz suave, que mais parecia um convite.
Olhou-a à luz do luar que se filtrava pela clarabóia. Naquela noite de verão, ela dissera que o amava. Mas aquilo, sem dúvida, fora uma tolice, uma paixão efêmera de colegial que já devia estar superada.
— Boa noite, Lily. Durma bem.
Fechou a porta atrás de si, sabendo que estava querendo se enganar. Ela não havia esquecido e ele também não. Do contrário, não estaria sentindo o que sentia. Lily estava dentro dele, como coisa sua, parte de seu corpo.
Sempre acreditara que o tempo acabasse de uma vez por todas com essa obsessão. Doce ilusão! Lily parecia ter aumentado seu poder sobre ele. Percebera isso após o acidente. Ao descobrir que Jeremy a deixara desamparada, sentira imediatamente o impulso de oferecer-lhe alguma espécie de ajuda. Ela não merecia passar por novos aborrecimentos. Como os que Jeremy lhe causara.
Seu irmão fora sempre um ansioso. Na ilusão de que procurava e encontrava seu caminho, tornar-se um grande astro do rock, ele não tivera escrúpulos em sacrificar a mulher, obrigando-a a compartilhar de sua vida errante.
Logo ficara claro para todos, menos para Jeremy, que ele não tinha nem talento nem força de vontade suficientes para isso. Mas Jeremy agarrara-se a seu sonho tão tenazmente quanto se agarrara a Lily, como se as duas coisas estivessem intimamente ligadas. Impelidos por uma inquietação que não lhe dava sossego, ele a arrastara, ano após ano, de um lugar ao outro do país.
Lily sempre sofrera com o estado de exaltação em que ele vivia. Desistira dos estudos e até mesmo da perspectiva de uma vida normal, como casa e filhos. O fato de que não tivessem tido nem uma coisa nem outra não surpreendera a ninguém. Jeremy não mudara nada. Continuava a ser o mesmo irresponsável que sempre fora.
Agora era diferente. Lily não tinha mais ninguém no mundo. Seus pais haviam morrido e James era seu único parente vivo. E ela confiava nele. O passado era passado. Lily guardara absoluto segredo sobre o fato e ele também. Era como se nada tivesse acontecido.
Mas acontecera e James devia lembrar-se do que se seguira depois. A ânsia contida, a depressão inexplicável, a inquietação que se havia instalado dentro dele, frustrando todos os seus prazeres.
Tirou o roupão e estendeu-se sobre o colchão de ar com as mãos cruzadas atrás da cabeça e os olhos voltados para o teto. Começou a pensar em como Lily estava bonita naquela noite. Tinha apenas dezessete anos, quase uma menina, e era doce, graciosa, delicada. A ternura o havia dominado...
Ela nunca escondera seu interesse por ele. Sem o traduzir em palavras, ele sempre deixara claro que não a levava a sério. Mas aquela noite... Fechou os olhos. Fora há muito tempo atrás e, contudo, não estava tão longe assim. Nove anos. Tanta coisa acontecera desde então e, no entanto, bastava ativar a memória para que tudo voltasse com a maior nitidez.
Toda a vizinhança havia comparecido àquela festa de 4 de Julho. A meia-noite, as ruas estavam repletas de gente. A um certo momento, não se lembrava por que, tomara o braço de Lily e a levara em silêncio até a casa dele. Olharam-se um instante. Ele curvara a cabeça para ela. Lily aproximara o rosto, seus lábios se tocaram.
Tornara a olhá-la. Vira que ela estava com os olhos fechados e um pensamento atravessara-lhe a mente, como um relâmpago: "É uma loucura, James! Ela pode parecer mulher, mas é apenas uma garotinha de colégio. Uma menininha romântica. Não seja idiota!"
Mas ela descansara a cabeça em seu ombro e isso acabara por anular suas boas intenções. Fizeram amor e algo especial acontecera entre eles, uma espécie de química que fizera o sangue de ambos fervilhar e seus sentidos delirarem. Quando voltaram a si, e ele percebera o que haviam feito, era tarde demais.
Naquela mesma noite, por uma daquelas coincidências que às vezes mudam o destino dos homens, seu irmão confessara-lhe que amava Lily. O dia seguinte, sem hesitar, James pusera fim ao que havia apenas começado. Era o mínimo que podia fazer por Jeremy, que sempre se considerara inferior a ele. E renunciara ao amor de Lily.
Sabia que a magoava profundamente. Vira as lágrimas que lhe afloravam aos olhos e que ela procurava desesperadamente conter. Mas não percebera quanto, até que, passados dois meses, fora abalá-lo uma novidade: Lily abandonara a família e fugira com Jeremy. Uma carta de seus pais, poucos dias depois, deu-lhe mais notícias do jovem par: haviam se casado em Reno.
Esse detalhe viera ajudá-lo na luta que travava consigo mesmo para tirar da mente as lembranças daquela noite. Mas, embora não quisesse admiti-lo, ficara com ciúmes do irmão e esse fora um dos motivos de seu afastamento. Não poderia suportar a presença de Jeremy feliz, não poderia suportar a idéia de sabê-lo possuindo a mulher que tivera nos braços, fazendo-a gemer de prazer, gritar um nome que não era o seu.
Fizera esse supremo sacrifício pelo bem dele. Na ocasião isso lhe parecera tão nobre... Mas, à medida que os anos passavam, percebera que seu gesto não lhe trouxera nenhum consolo. Nenhuma mulher conseguira substituir Lily e nenhuma o fizera sentir o que sentira por ela naquela noite quente de verão.
O que a tornava, agora, um perigo em potencial. A sua missão era ajudá-la, protegê-la, não causar-lhe mais problemas. Ela já os tivera em demasia no passado, para que agora tivesse de suportar o assédio de seu próprio cunhado.
Fechou os olhos e procurou descansar. Mas a consciência de que Lily estava ao alcance de sua mão, levava-o a pensar que aquela seria a primeira de muitas noites mal dormidas.
Os móveis do quarto de hóspedes chegaram às primeiras horas da tarde. Lily esperou que os encarregados montassem as peças e então começou a arrumar tudo com capricho. Quando terminou, deu um passo para trás e admirou sua obra. O quarto pareceu-lhe muito aconchegante, com suas cortinas floridas e o espelho sobre a cômoda.
Voltou cantarolando ao quarto de James, para recolher seus pertences. Sentia-se de novo jovem e contente. James... Por um instante, na noite anterior, pensara que ele fosse passar-lhe o braço em torno da cintura. Desejava ansiosamente sentir seu calor, ainda que fosse como amigo. Fazia tanto tempo que não a tomavam nos braços...
Com um suspiro, voltou ao seu próprio quarto e pôs-se a desfazer a mala lembrando, com renovada angústia, seu tolo comportamento de adolescente. Especialmente naquela noite...
Forçara-o, praticamente, a fazer amor com ela. Mas estava tão apaixonada que não podia sentir ou ver outra coisa que não fosse ele: suas mãos, sua boca, seu corpo sobre o dela. Fora maravilhoso. Exatamente como sempre achara que devia ser o ato de amor compartilhado por duas pessoas interessadas uma na outra.
Até a manhã seguinte, quando ele batera à porta da casa dela logo cedo e desculpara-se por ter aproveitado de sua inocência. Fora um erro, dissera. Tudo acontecera num instante, mas aquele momento fora decisivo para ela. Dera-lhe as costas e saíra da sala correndo, a dor apertando-lhe implacavelmente o coração.
Se Jeremy não estivesse lá, provavelmente não teria aguentado tamanho sofrimento. Mas Jeremy estava lá e confortara-a com o seu amor, com a sua presença. Então, quando se dera conta, vira-se casada com um homem a quem estava agradecida, mas que não amava.
Não fora culpa de Jeremy, apenas dela própria. Fizera de tudo para compensá-lo de sua falta de amor. Fora delicada com ele. Tão delicada que ele nunca percebera nada. Nem mesmo a infinita amargura que havia dentro dela.
Continuava a pensar nisso, quando desceu à cozinha para preparar uma xícara de chá. Oh, James! Não podia querer-lhe mal. Ele a estava ajudando agora. Sabia que não era apenas pela memória de Jeremy, mas também para redimir-se de um erro do passado. Estava agradecida por isso, mas não queria que ele se sentisse ainda mais responsável por ela do que já se sentia. Não queria tornar-se uma carga sobre seus ombros.
— Olá!
Lily virou-se num ímpeto, o coração batendo forte. Bastava James estar por perto para que ela se sentisse melhor. Era estranha essa sensação de segurança que ele lhe dava.
— Não ouvi você chegar.
— Você parecia imersa em pensamentos. ― Lily desconversou.
— Ainda não são cinco horas. O que o trouxe para casa tão cedo?
— Estava ansioso para saber se os móveis tinham chegado. Chegaram? ―Ela fez que sim. — Gostou?
— Adorei. São simplesmente maravilhosos.
— Combinam com o estilo da casa — ele disse parecendo satisfeito com a reação dela. — Fui eu que escolhi tudo.
— Pois escolheu bem. A cama parece ter sido feita para caberem quatro pessoas. Uma delícia!
James sentiu o sangue correr mais rápido em suas veias, enquanto sua mente formava imagens extasiantes de Lily na cama. Nua. Sensações arrebatadoras inflamavam seu corpo, mas procurou dissimular o que sentia.
Lily viu o desejo aflorar em seus olhos e enrubesceu. Como pudera dizer tal coisa? Acabara de se prometer que não o colocaria numa situação embaraçosa e atrevera-se a falar no tamanho da cama! James estava evidentemente embaraçado.
— Estava pensando em dar uma volta de carro. Você se importa?
— Claro que não. Deixei as chaves na ignição da caminhonete para isso. Use-a sempre que quiser. Aonde quer ir?
— Estou com vontade de dar uma olhada nas lojas — ela disse, corando. — Preciso de roupas para quando as aulas começarem.
James assentiu e serviu-se de café.
— Acho que sabe que muitas coisas terão de mudar, a partir de agora. Você vai precisar também de alguma coisa para as ocasiões formais. Pretendo oferecer jantares para um ou outro cliente importante, quando a casa estiver pronta. Sabe cozinhar?
— Muito bem.
— Ótimo. — Ele colocou a xícara na pia e voltou-se para ela. — Não quer que eu vá com você?
— Será um prazer.
Desceram até a garagem. Lily sentou-se ao volante e seguiu as instruções dele. O lugar não mudara muito desde a época em que morava ali. Mas, de algum modo, parecia diferente.
— Que é que há, Lily? — ele perguntou. — Alguma dificuldade?
— Não me lembro bem do caminho.
— É natural. Faz quase nove anos que você saiu de Nova Jersey.
— Nove anos... Mal posso acreditar!
— Para onde será que foram?
— Não sei — ela confessou, enquanto entravam no estacionamento do shopping.
Seus olhos se encontraram e, dessa vez, houve calor no sorriso que trocaram. James deu-lhe a mão.
— Vamos — ele disse, ajudando-a a saltar.
Lily entrou hesitante na grande loja de departamentos. Não estava acostumada a fazer compras. Nunca tivera dinheiro suficiente para formar um bom guarda-roupa. E também nunca houvera necessidade disso, vivendo ao estilo de vida de Jeremy. Camisetas e jeans tinham sido suficientes para qualquer ocasião.
Mas como James dissera, agora precisava de algo mais. Ia governar a casa dele, fazer as vezes de anfitriã e teria de apresentar-se à altura do que se esperava dela.
— Vou ajudá-la a escolher — ele disse, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. — Afinal de contas, somos velhos amigos.
A afirmação colheu Lily de surpresa. Assentiu, mas sem deixar de pensar como os dois irmãos eram diferentes. Jeremy não se importava nem um pouco com o que ela usava ou fazia. Nem mesmo para onde iam. Era ela quem tomava todas as decisões, agindo, de certo modo, mais como mãe do que como esposa.
Sorriu para James. Embora gostasse de tomar suas próprias decisões, era uma impressão muito agradável a de ter ao seu lado alguém que soubesse tomar a iniciativa.
— Manequim? — ele perguntou.
— Trinta e oito. Ou era, quando comprei um vestido pela última vez.
Começaram a percorrer juntos os corredores da seção de roupas. James foi o primeiro a achar alguma coisa.
— Que tal este?
Lily examinou o vestido. Era bonito mas de estilo antiquado.
— Não sei... — disse, sem entusiasmo.
— Não é de seu agrado?
— Para ser franca, não.
— Muito bem. E este? ― Lily torceu o nariz.
— Mangas compridas... Decote fechado...
— Muito adequado para o inverno que vem aí — fez-lhe ver James.
Ela riu.
— Oh, quanto a isso... Prefiro este — anunciou, erguendo um pretinho de malha.
James abanou a cabeça. Muito curto e muito justo. Os olhos dos homens se voltariam automaticamente para ela, quando entrassem num lugar público.
— Não é ousado demais?
— Não acho — rebateu Lily e entrou no provador com o vestido na mão.
Quando ela reapareceu, ele teve a impressão de que estava vendo outra pessoa. Olhou-a com admiração. Podia ver, através do vestido justo, os músculos ondulantes das coxas, o contorno dos seios. Esbelta, mas inconfundivelmente feminina. Contudo, objetou:
— Curto demais. Justo demais.
Lily mirou-se no espelho, empolgada por uma onda de satisfação. O que via lhe agradava muito. O vestido fazia-a parecer mais sexy, mais mulher.
— É maravilhoso! Parece que foi feito sob medida para mim.
— Pintado sob medida para você!
Ela não pôde impedir-se de dizer:
— Oh, James, como você é antiquado!
— Bom, é que...
— Não gosta do vestido?
— É lindo, mas...
— Acha que seus clientes vão gostar dele?
— Tenho certeza que sim. Mas não se trata disso.
— Do que, então?
James não respondeu. Lily estava muito perto e dela vinha um perfume empolgante, que lhe punha fogo nas veias. Não era fácil resistir.
— Está bem, Lily. Se o vestido lhe agrada tanto, compre-o.
O rosto dela abriu-se num sorriso.
— Era o que pretendia fazer! — ela declarou, tornando a entrar no provador.
Depois disso, James achou que era melhor acabar com aquilo logo de uma vez. Se não a visse provar os vestidos, não seria apanhado de surpresa. E, com a desculpa de que precisava comprar algumas coisas para si mesmo, deixou-a, dizendo que voltaria dentro de meia-hora.
Lily observou-o afastar-se com uma certa preocupação. Não tivera a intenção de desafiá-lo. E, para penitenciar-se, comprou duas saias e duas blusas clássicas, e um blazer azul-marinho com botões dourados. Era tudo o que se podia permitir, naquela primeira compra.
Instantes depois, com a sacola na mão, pôs-se a vaguear pela seção de lingerie. Súbito, seus olhos detiveram-se numa encantadora camisola azul, de um transparente crepe de seda com aplicações de cetim do mesmo tom.
Era, sem dúvida, a coisa mais feminina e deliciosa que já vira. Tocou-a com a ponta dos dedos, reverente. Não tinha nenhum motivo para usá-la, ou para querer usá-la. Mas, ainda assim, gostaria de possuí-la.
A voz de James às suas costas interrompeu-lhe os pensamentos.
— Muito bonita... apesar de tão transparente.
Lily virou-se.
— É a coisa mais linda que eu já vi.
A vendedora aproximou-se, solícita.
— Não quer experimentá-la?
— Oh, não! Estava apenas admirando.
— Você está encantada com a camisola — observou James. — Por que não a compra?
— Não viu o preço? Astronômico! E depois, o que eu iria fazer com ela?
— Usá-la, Lily.
Ela não pôde deixar de sorrir. Aquela seria a última coisa em que pensaria. E James ficou calado por um momento. Depois decidiu-se.
— Vou comprá-la para você.
— Oh, James!... Por favor, não.
— Por que não?
— É um bocado de dinheiro.
— Mas você gostou dela e eu quero oferecê-la a você.
— Sinto muito, James, mas não quero.
Ele acariciou-lhe o rosto com o dorso da mão.
— Será que não posso oferecer-lhe um presente?
— Claro. Mas...
— Então!
Ele fez um sinal à vendedora, que se aproximou com um sorriso profissional estampado no rosto.
— Mudaram de idéia? — ela perguntou.
— Pois é... — respondeu Lily, lacônica.
A moça retirou a camisola do cabide e, com ela no braço, encaminhou-se para a registradora.
— Seu marido é muito generoso — ela observou.
— Ele não é meu marido — disse Lily com um sorriso. — É...
Nesse exato momento, os olhos de James encontraram os dela. Por um instante, houve uma fagulha entre ambos. Uma promessa?
A vendedora deu uma risadinha e ambos voltaram-se para ela. James dominou-se e passou-lhe o cartão de crédito.
— Tenho um lindo negligé que combina perfeitamente com a camisola — ela disse, enquanto envolvia a camisola em papel de seda. — Não querem vê-lo?
— Não — disse Lily imediatamente.
— Pois eu gostaria muito — retrucou James. A moça tornou a sorrir.
— Estarei de volta num minuto.
Enquanto ela se afastava, Lily virou-se para ele, aborrecida.
— É uma loucura, James! Você já gastou uma fortuna com a camisola. Não vou permitir que gaste mais um só níquel!
Mas a vendedora já voltava com o negligé.
— Aqui está. Não é lindo?
James ficou satisfeito. A peça era da mesma cor da camisola, mas não tão transparente. Cobriria Lily da cabeça aos pés.
— Vou levá-lo — decidiu-se.
— Não faça isso! — murmurou-lhe Lily nervosamente, enquanto a moça embrulhava as duas peças e as colocava numa sacola.
James não respondeu. Apanhou a sacola com uma das mãos e, com a outra, tomou-lhe o braço.
— A camisola é para o seu uso particular, Lily — ele disse, guiando-a para fora da loja. — O negligé, você vai usá-lo para mim.
— Oh! — fez ela, perplexa.
Ele parou e olhou-a.
— Está aborrecida comigo?
— Não.
— Não quero que fique.
— E não estou — disse Lily, o rosto iluminado por um sorriso.
— Assim é que eu gosto!
Ela fitou-o nos olhos. E as palavras que disse vieram-lhe do fundo do coração.
— Você é o homem mais maravilhoso que já conheci.
