James tamborilou com o dedo no balcão. Era um daqueles dias em que devia ter ficado em casa. Nada parecia dar certo. As lojas estavam cheias demais e ele muito impaciente para suportar a espera.
Lançou um olhar furtivo na direção de Lily. Ela se esforçava para exercer com competência seu papel de decoradora. Examinava as amostras de tecido, combinava, comparava e fazia escolhas que submetia à sua apreciação. Mas seus pensamentos não estavam realmente concentrados na decoração da casa. O que o fazia reagir com indiferença ao entusiasmo dela.
Ela procurava ocultar sua frustração mantendo-se um pouco mais rígida, mais distanciada. O que era ótimo! Já vivera o suficiente para deixar de ser doido. Não queria complicações, queria sossego. Tudo fácil, sem armadilhas, sem complicações sentimentais. Um relacionamento de parentes, amigos. Nada mais. Queria ficar em paz com a sua consciência.
Mas aquele beijo...
A verdade era que não podia olhá-la como antes. Não, depois daqueles momentos de completa loucura. Agora que sentira seu perfume, sua chama, queria mais. E sabia que, se ela também quisesse, não resistiria, apesar de todos os seus escrúpulos.
A atração que sentia por ela vinha de longe. Vinha dos anos de sua juventude, quando uma jovem sonhadora o perseguira até colhê-lo. Mas o que acontecera na noite anterior fizera-lhe ver que a Lily mulher era infinitamente mais desejável do que a aquela adolescente do passado. Era uma tentação.
Tinha que reconhecer, porém, que essa nova mulher não parecia muito interessada nele. Deixara isso perfeitamente claro. Fora uma criancice, ela dissera após aqueles instantes de paixão. Um momento de loucura. Nada mais.
O jogo invertera-se e havia uma espécie de justiça nisso. Mas, mesmo assim, não conseguia dominar-se. Só de acompanhar-lhe os movimentos, vê-la inclinar-se para a frente, correr a mão sobre o tecido do sofá e sorrir, sentia o desejo crescer. E atravessar o dia naquele estado de excitação sexual...
Estava cansado. Quase não dormira aquela noite e não sabia se conseguiria agüentar aquela tensão.
Após oito horas de shopping, Lily estava a ponto de estourar. James e ela tinham gostos completamente diferentes, em matéria de decoração. Conseguira impor-se em algumas coisas, mas tudo levava o dobro do tempo necessário. Além disso, seu desinteresse apanhara-a de surpresa. Havia sido frustrante escolher tudo sob o seu olhar crítico.
Contudo, apesar dessas diferenças, tinham tido um dia bastante produtivo. Quanto ao resto era como se, por um acordo tácito, ambos pretendessem que nada mudara, como se o beijo que haviam trocado na véspera fora apenas algo inocente. Uma criancice, como ela mesma dissera, e nada mais. Talvez fosse porque James se mostrava tão à vontade e tão senhor de si como sempre. Ao contrário dela, que fazia questão de evitar-lhe os olhos quando lhe dirigia a palavra.
Ao fim do dia, a maior parte dos móveis já escolhidos, ele propôs:
— Você está exausta. Vou levá-la para jantar fora.
— É muita gentileza sua. Mas será que não podemos deixar para outra ocasião? Não estou com a menor vontade.
— Então passarei no Stage e comprarei alguma coisa.
— Está certo.
Anoitecia, quando chegaram em casa. James foi logo esvaziando a sacola de compras em cima do bufê.
— Agora, vamos comer. Estou faminto.
Lily sentiu a boca encher-se de água com os odores maravilhosos dos sanduíches de carne e dos pastrami.
— Vou preparar a mesa.
Pôs mãos à obra e, em poucos minutos, tudo estava pronto. Comeram em silêncio, famintos demais para perderem tempo com palavras. Enquanto tomavam café, James suspirou.
— Gostaria que o sofá do escritório já tivesse chegado. Estou com os ossos moídos.
— Prometeram entregá-lo dentro de duas semanas — lembrou-o Lily.
— Para quem esperou dois anos, duas semanas não farão diferença — ele comentou, contemplando-a. — Você parece bem cansada.
— Exausta é a palavra certa. O dia não foi brincadeira. Estou pensando em tomar uma boa chuveirada.
— Já experimentou o hidromassageador?
— Ainda não, mas parece tentador.
— Essa é uma ótima ocasião para você experimentá-lo. Faz milagres. — James ajudou-a a levantar-se e empurrou-a gentilmente para a porta. — Vá, Lily. Dê-se ao luxo de um longo banho de banheira.
Lily sorriu-lhe por cima do ombro e então reuniu as últimas forças para subir as escadas. No banheiro, prendeu os cabelos num coque no alto da cabeça e, enquanto a água escorria, examinou as prateleiras do armário. Escolheu uma essência aromática de jasmim e despejou o vidro inteiro na banheira. Ia despir-se, quando ouviu uma batida na porta.
— Entre! — gritou.
A porta abriu-se e James espiou cautelosamente. Ao vê-la ainda vestida, entrou.
— Sabe manejar o hidromassageador?
— Para dizer a verdade, não.
— Deixe-me mostrar para você — ele disse, aproximando-se. — Quanto tempo quer banhar-se?
— Não sei... Meia hora?
James girou as duchas e ajustou o timer.
— Feito — ele disse.
Não percebeu que Lily tinha mudado de lugar e esbarrou nela. Por um momento ficou a olhá-la, a imaginação acesa e o sangue desperto. Desejava-a agora, pura e simplesmente. Queria despi-la, peça por peça, e deixar suas mãos correrem por aquela pele cuja suavidade já conhecia. Sentiu a tensão dominá-lo mais uma vez e cerrou fortemente os maxilares, procurando conter-se. Mas estava começando a perceber que essa contenção seria cada vez mais breve.
— Aproveite o banho — murmurou com voz abafada, passando-lhe devagarinho a mão pela nuca. Quase não resistiu à tentação de desfazer o coque apertado e soltar-lhe os cabelos macios, mergulhando os dedos naquela fofura de seda. Mas não quis assustá-la.
Lily permanecia imóvel. O espelho começava a embaçar-se e ela continuava ali, perdida num mundo de irrealidade. Sentia um calor agradável espalhar-se por seu corpo e as sensações tornarem-se mais fortes: o som da água escorrendo na banheira, o vapor umedecendo sua pele, a névoa velando seus olhos...
Instantaneamente, o cansaço lhe deixou o corpo. Todos os seus sentidos estavam alertas. Queria tocar e ser tocada. Queria ser beijada de forma delirante e brutal, queria pedir a James que compartilhasse seu banho... Enquanto as imagens sucediam-se, rápidas, sentiu uma onda de prazer descer até a virilha, tão forte e tão intensa que chegou a doer. Envergonhada de seus próprios pensamentos, corou até a raiz dos cabelos.
James observava a mudança que se operava no rosto dela. Quando a viu corar fortemente, retraiu-se. Lily estava aborrecida com a liberdade que ele tomara, era isso. Pensou brevemente no que fora feito daquela desinibida adolescente de outrora. Seria capaz de aquecê-la, de fazê-la vibrar como nos outros tempos? Procurou afastar esse pensamento, porém a imagem já estava instalada em sua mente. Seria difícil esquecê-la.
— A água está esfriando — avisou, virando-se bruscamente.
Lily ficou parada na porta, observando-o atravessar o quarto e fechar a porta. Depois voltou-se e contemplou-se no espelho grande da pia. Havia uma serenidade em seu rosto que a surpreendeu, pois não refletia a excitação que fervilhava dentro dela.
Rapidamente, tirou a blusa por cima da cabeça e abaixou a saia. Entrou na banheira no momento em que as duchas automáticas começavam a funcionar. Sentiu que a lassidão a invadia. Era delicioso. Estendeu-se na banheira para que cada parte de seu corpo fosse acariciada pelos jatos d'água. Um deles parecia estar dirigido diretamente para a região entre as suas pernas. Pensou em James e acariciou-se. No mesmo instante, sentiu um calor espalhar-se por dentro dela. Estava excitada de uma forma como não acontecia há muito tempo. Era como se James lhe houvesse desencadeado uma reação que contribuía para aumentar cada vez a consciência de sua própria sexualidade.
Desde que chegara à casa dele, tornara-se uma pessoa diferente. Fazia anos que vivia em solidão e sempre sentira-se bem assim, satisfeita com a sua vida casta. Nunca, nem durante o tempo de casada com Jeremy, sentira essa necessidade urgente, poderosa, de fazer amor. Que estava acontecendo com ela?
— Mas que droga! — disse, em voz alta.
Sentou-se na banheira e pôs-se a esfregar-se energicamente com a esponja, procurando bloquear a imagem de James acariciando-a. Quando os jatos da ducha pararam, descobriu que a premência havia desaparecido.
Saiu da banheira e envolveu-se numa grande toalha felpuda. Tirou os grampos dos cabelos e deixou que caíssem, livres, pelos ombros. O banho havia-lhe acalmado os nervos. Sentia-se relaxada, preguiçosa, a ponto de mal conservar os olhos abertos.
Com a toalha enrolada em volta do corpo, encaminhou-se para o quarto e deixou-se cair na cama, pensando em descansar alguns minutos, antes de vestir-se e descer para servir o chá a James.
Quando acordou, viu pelo relógio digital que era quase meia-noite. Sentou-se na cama, incerta entre levantar-se e voltar a dormir. Um súbito arrepio de frio a fez desejar uma xícara de chá bem quente. Estava agora completamente desperta. Levantou-se, foi direto à pia do banheiro e lavou o rosto com água fria. Depois enfiou-se num conjunto de moletom e começou a sentir-se melhor.
Ao sair, ficou olhando um instante a porta fechada do quarto de James. Ele devia estar dormindo. Parecia muito cansado na véspera, ao chegar do trabalho, o que talvez explicasse seu mau humor naquela manhã. Silenciosamente, desceu as escadas e enveredou pelo corredor.
A cozinha estava iluminada apenas pela pequena luminária em cima do fogão. Encheu a chaleira de água e, enquanto esperava que fervesse, apanhou a caixa de chá do armário. Um barulho seco, como o de uma pancada, a fez voltar-se bruscamente. Só então notou que a porta para a escada de serviço estava parcialmente aberta. E havia luz no patamar.
Terminou de fazer o chá, encheu uma xícara e, com ela na mão transpôs o limiar. Ouviu de novo o mesmo ruído. Desceu os degraus e parou aos pés da escada. Pela porta entreaberta da sala de jogos, viu James debruçado sobre a mesa de bilhar. Esperou que ele terminasse de jogar. Então anunciou-se, dizendo:
— Bela tacada.
Ele voltou-se.
— Lily.
Ela suspirou. Devia estar na cama, dormindo. Devia estar em qualquer lugar, menos ali!
— Não quero incomodá-lo.
— Não é incômodo nenhum. Entre.
— Pensei que você estivesse dormindo.
James deu de ombros.
— Não consegui. Estressado, suponho. E você?
— Estava dormindo, mas acordei de repente com vontade de tomar chá. — Lily ergueu a xícara. — Quer?
— Não, obrigado. Prefiro isto. — Ele mostrou o alto copo de scotch com gelo sobre a mesinha ao lado. — Você sabe jogar?
— Costumava jogar com Jeremy.
— Quer experimentar?
— Por que não? — ela disse, adiantando-se. Escolheu um taco de tamanho médio, esfregou giz azul na ponta e debruçou-se sobre a mesa. Fazia alguns anos que não jogava. Aprendera com Jeremy e depois tornara-se uma jogadora razoável. Mas não ia dizer isso a James. Estranhamente, sentia um certo constrangimento de falar do marido com ele. Não porque isso a entristecesse.
Jeremy e ela tinham sido bons amigos. Guardava boas recordações de seus primeiros anos de casados.
Mas não se sentia à vontade, falando dele. James havia percebido vagamente isso e raramente mencionava o nome do irmão. Fizera-lhe apenas umas poucas perguntas sobre o acidente... perguntas que ela evitara responder.
Voltando de súbito ao presente, debruçou-se sobre a mesa e, cuidadosamente, fez sua primeira jogada. Errou. Não apenas uma, mas duas vezes.
— Tem certeza de que sabe jogar? — perguntou James com um leve sorriso de condescendência.
Lily endireitou-se.
— Absoluta — disse.
Depois, com o queixo apoiado sobre a mão que segurava o taco, ficou estudando a mesa para ver o que havia feito de errado.
James colocou-se atrás dela.
— Precisa de alguma ajuda?
Ele estava tão perto, que ela sentia o leve fluxo e refluxo da respiração dele contra seus cabelos. Uma excitação febril aqueceu seu sangue, obrigando-a a lutar contra o desejo de apoiar-se nele.
— Não, obrigada. Vou conseguir sair dessa sozinha. E vou ganhar.
— Quer fazer uma aposta? — ele desafiou.
Lily olhou-o por cima do ombro.
— Dinheiro?
— Que mais podia ser?
Ela enrubesceu e James teve vontade de morder a própria língua. Quando iria parar de colocá-la em situações constrangedoras?
— Que tal um jantar? — propôs.
— Não tem graça. Jantar é coisa rotineira.
— Almoço, então. Quem perde oferece um almoço.
— Feito!
Lily deu uma tacada, dessa vez perfeita.
— Muito bom — ele elogiou.
— Obrigada.
James foi para o lado oposto da mesa e ficou a olhá-la. Seus lábios estavam entreabertos e a ponta rosada da língua apareceu entre os dentes brancos, enquanto ela esfregava o giz na extremidade do taco. Semicerrou os olhos e deixou a imaginação galopar. Podia quase sentir a ponta daquela língua explorando-lhe os recantos secretos do corpo...
Lily percebeu que ele a olhava fixamente e perguntou:
— Fiz algo errado?
— Quê?
— Você estava me olhando de um jeito estranho. A jogada não foi boa?
James não se moveu. Sentia o sangue pulsar-lhe no pescoço.
— Você fez uma ótima jogada — murmurou, com voz rouca.
Lily lançou-lhe um olhar intrigado e depois voltou a atenção para a próxima tacada. Quando ela se debruçou sobre a mesa, seu perfume, uma doce fragrância de jasmim do óleo de banho, invadiu-lhe as narinas. Viu-a nua na banheira e sentiu o calor habitual subir-lhe pelo corpo. Não! Outra vez, não!
Aborrecido, caminhou para o outro canto da mesa. As coisas simplesmente não estavam dando certo. Não estavam seguindo o rumo que ele imaginava. Desejava-a desesperadamente... sentia por ela coisas que não devia sentir. O que precisava era afastar-se dessa tentação. Só era preciso ter um pouco de força de vontade e determinação. Aproximou-se da mesa e concentrou-se no jogo.
Após duas boas tacadas, Lily perdeu a terceira.
— É sua vez — ela disse, recuando para ceder-lhe o lugar.
Enquanto ele estudava a mesa, ela descobriu-se acariciando-o com os olhos, deslizando-os dos ombros amplos para a linha firme dos quadris. Ele era tão bem-feito... Seu pensamento não parou nesse ponto.
Afinal, quem iria pensar que as coisas pudessem correr melhor agora do que haviam corrido pela manhã? Não encontrava sentido nisso. Havia muitas coisas nele que não compreendia. Conhecia-o bem sob certos aspetos. Mas sob outros ele permanecia ainda um enigma.
Como essa noite. Surpreendera-o inúmeras vezes olhando para ela de um modo que podia descrever como decididamente sensual. Não estava tão exausta que não reconhecesse essa expressão de desejo nos olhos de um homem. Ele podia controlar seus gestos, suas palavras, mas não aqueles olhos castanhos, que ardiam como duas chamas quando se fixavam nela.
Estaria ansiando por ela, desejando-a... amando-a como ela o amava? Sentiu um latejar nos ouvidos, um fogo nas faces... A vontade de se atirar nos braços dele era quase irresistível. Ah, se ele desse ao menos um indício! Poderia então agir a seu modo.
Seria maravilhoso. Sabia que seria assim. Melhor e mais gratificante do que a primeira vez. Mas... e se estivesse enganada? Se fizessem amor e ela descobrisse que isso era tudo o que ele queria? Morreria de desespero, porque James era sua vida, sua razão de ser...
O barulho da tacada, interrompeu-lhe os pensamentos. Com um suspiro, ergueu os olhos e acompanhou a jogada de James com o olhar distraído.
— É a sua vez — ele disse, virando-se para ela.
Lily mordeu o lábio inferior. Não sentia mais vontade de jogar. Não queria fazer mais nada, só fugir dali, fugir de si mesma. Sem prestar muita atenção, jogou e perdeu.
— Você não está concentrada, Lily — ele observou, sacudindo a cabeça.
— Não diga isso...
James encolheu os ombros e tornou a jogar.
— Game! — anunciou, com evidente satisfação. Lily colocou o taco de volta no porta tacos e depois admitiu:
— Você venceu.
Ele deu um breve sorriso.
— É o que parece.
— Devo-lhe um almoço. Quer que eu ponha isso por escrito e assine embaixo?
James aproximou-se dela por trás e debruçou-se sobre o seu ombro para guardar o taco.
— Confio em você — disse com suavidade. Ela voltou-se e encarou-o.
— Confia mesmo?
— Por quê? Não deveria? — ele perguntou, surpreso. Lily suspirou fundo e baixou os olhos.
— Não sei. Às vezes eu mesma não me compreendo.
Estavam muito próximos, tão próximos que James podia ver-lhe os cílios orlando as pálpebras abaixadas. Ergueu-lhe o queixo com dois dedos, obrigando-a a encará-lo. Reparou na maneira como ela o olhava. Com uma expressão sensual.
— Que há, Lily?
— Desculpe. Disse uma bobagem.
— Não quer falar? Lembre-se do que combinamos.
— O que aconteceu ontem à noite...
— Estávamos falando de Jeremy e você ficou perturbada. Quis confortá-la e dei-lhe um beijo. Essas coisas acontecem, Lily — ele disse com voz suave. — Não aconteceu realmente nada.
— Sou uma tola. Desculpe.
— Chega de pedir desculpas. Assim você fará com que eu me sinta culpado.
— Mas é que... — Ela hesitou, incapaz de dizer exatamente o que sentia.
— Continue, Lily.
Só agora ela estava compreendendo como estava excitada. E não conseguiria dormir se não aliviasse a tensão que ameaçava explodir dentro dela.
— Gostei muito — completou, meio sem jeito. James sentiu o coração bater de maneira estranha.
— Que foi que disse?
— Gostei, quando você me beijou. Gostei do que você me fez sentir e...
— E o quê?
— Gostaria que você me beijasse de novo.
James enrijeceu-se subitamente.
— Não acho que seja uma boa idéia.
Lily não desistiu.
— Por que não?
— Não sei até onde isso iria nos levar. Não posso prometer que tudo terminará num beijo.
Lily umedeceu os lábios com a língua.
— Vou correr o risco. Sei que posso me controlar.
Ele emitiu um som que devia ser uma risada, mas que não era mais do que um gemido.
— Pode? — perguntou, mergulhando os dedos em seus cabelos macios. — Pois eu não. Não sou uma máquina. Sou humano.
— Oh, James...
— Não quero perder a cabeça novamente, Lily.
Ela acariciou-lhe o peito, timidamente.
— Eu sei.
Foi demais para ele. Suspirando, aceitou o convite de sua boca, de seus olhos e beijou-a. A princípio com suavidade, apenas roçando os lábios sobre os dela, depois suas bocas se uniram perfeitamente, intimamente, como duas partes de um todo.
Puxou-a para si sem deixar de beijá-la e ela abandonou-se em seus braços, lânguida e sensual. Afastou-se então e olhou-a. Notou-lhe os olhos enevoados de desejo e tornou a empolgar-lhe a boca. E foi como se o beijo da noite anterior tivesse sido apenas uma prova e este o real, o verdadeiro.
Lily sentia-se envolta em indizível exaltação. Sensações despertavam dentro dela, excitadas por aqueles beijos repetidos, molhados. Um tremor percorreu-a toda, tão intenso que teve que se apoiar nele para refrear a tontura. Ele a ergueu de um golpe e sentou-a sobre a mesa, posicionando-a entre suas coxas. Instintivamente, trançou as pernas em torno de sua cintura, apertando-se toda contra seu sexo túmido.
Alucinado com aquele contato, James ergueu-lhe a camiseta, expondo-lhe os seios. Cobriu-os com as mãos, apertando os bicos entre o polegar e o indicador até sentir que se endureciam sob seus dedos. Ouviu a respiração dela se acelerar e isso deixou-o louco de desejo.
— Sinta, Lily. Sinta... — murmurou roucamente.
— James — ela implorou com um suspiro. Não sabia mais quem era nem onde estava. Sabia apenas que era tão bom... tão bom...
Ele tomou-lhe de novo os lábios, com avidez. E cedendo ao frenesi que se acendia nele e não podia controlar, afrouxou-lhe, num gesto, o cordão das calças e introduziu a mão para dentro das calcinhas leves até encontrar a doce pelúcia entre as pernas. Descobriu-a toda úmida pela premência do desejo e acariciou-a delicadamente.
Sensações estranhas invadiam o corpo de Lily, culminando com uma onda de calor no púbis que refletia o excitamento que fervilhava dentro dela. Era algo além de sua capacidade de sentir, até mesmo de respirar. Lançou a cabeça para trás e seus gemidos se tornaram gritos de prazer.
James sentiu-a gotejar sob o estímulo de seus dedos experientes e soube que ela estava quase alcançando o orgasmo.
— Aí está — sussurrou. — Já vem vindo...
Os quadris arqueados, as pernas afastadas, Lily esperava. E então aconteceu. Os músculos da virilha se expandiram e depois se contraíram, numa explosão tão intensa que a fez dobrar-se ao meio. Ficou ainda um instante na mesma posição, com os olhos fixos e distantes. Depois abandonou-se nos braços de James, numa inércia lânguida.
Quando voltou a si, escondeu o rosto no ombro dele. Desprezava-se nesse instante e não tinha coragem de encará-lo. Sabia que agira como uma alucinada, uma inconveniente e não sabia como justificar-se.
James virou-a para si e ergueu-lhe o queixo.
— Lily?
— Sim, James? — ela respondeu, num sussurro.
— Está se sentindo melhor?
Uma expressão aturdida surgiu nos olhos dela.
— Por que pergunta?
— Queria saber.
— Estou me sentindo bem demais.
— Foi bom?
Lily suspirou e fez que sim.
— Não houve nenhum outro homem desde a morte de Jeremy?
— Não. — Ela não lhe disse que não tivera sexo também durante os últimos anos de casamento.
— Acho bom você se arrumar — ele disse.
— E você, James? Eu posso... se você quiser...
A mão dele tocou a dela por um breve instante.
— Não se preocupe comigo. Eu estou bem — ele afirmou.
O que não era absolutamente verdade. Estava em fogo, mas não ia permitir que ela o satisfizesse apenas porque se sentia obrigada a isso. Aliviaria a tensão com um banho de chuveiro frio. Deu-lhe a mão e ajudou-a a descer.
Lily passou as mãos pelos cabelos e ajeitou as roupas.
— Não sei o que dizer...
— Não precisa dizer nada, Lily. Vá para a cama. Amanhã conversaremos.
Ela sentia o rosto em fogo, mas não se moveu.
— Está sentindo alguma coisa? — ele perguntou.
— Não. — Lily arrancou-se do torpor, murmurando um apressado boa-noite e saiu correndo.
James ficou ouvindo seus passos subindo para o quarto. Um momento depois, o barulho da porta fechando-se ecoou pelo vestíbulo vazio. Automaticamente, encaminhou-se para o bar. Jogou algumas pedras de gelo no copo e despejou scotch por cima.
— Saúde — disse para si mesmo.
Estava tenso, cheio de uma energia sexual que pedia algum tipo de liberação que não fosse uma ducha fria. Pensou em sair, mas não havia lugar algum aonde quisesse ir, nem mulher alguma com quem quisesse estar. A única que desejava já se oferecera a ele. Não aceitara. Não por uma questão de amor-próprio, mas porque queria que ela viesse ansiosa para os seus braços.
A próxima vez, se houvesse uma próxima vez, ela teria de desejá-lo tanto quanto ele a desejava. Enquanto isso, faria o que se propusera. Seria paciente. Talvez desse certo.
Lady Miss Nothing: Obrigada flor pelo seu comentário, amei de coração, é muito bom receber tantos elogios, mas devo todas as minhas fics as minhas amadas autoras, especialmente a J.K. Rowling, sem elas não sairia nada aqui. E muita tensão mesmo, a chama de hoje foi só uma provinha do fogo que vem pela frente e logo, logo mais um cap de Summer ^^ Beijos e até o próximo cap.
Fezinha Evans: Oiii Fezinha, que maravilhoso saber que você está acompanhando as 3 fics, eu tento ao máximo postar rápido, mas quem faz facul sabe como é vida de universitário (: Beijo flor e até o próximo cap.
