Lily acordou aquecida por um calor delicioso, uma sensação que nunca havia experimentado antes. Demorou um pouco para compreender o que se passava e então sentiu-se no céu. Estava presa pelos braços firmes e musculosos de James, cujo corpo se colava ao dela, produzindo-lhe um imenso bem-estar. Permaneceu quieta, pensando se aquilo não era um sonho e depois acomodou-se melhor de encontro a ele.
O seu homem. Alguma coisa havia nascido entre eles naquela noite. Quando ele a possuíra, ela se sentira reviver. Num ímpeto de ternura, beijou-o no rosto.
— Está acordado, querido?
Ele riu. Se ainda estivesse dormindo, o chamado dela o despertaria. Sentiu-se subitamente vivo, como há muito não se sentia, respondeu, virando-se para ela.
― É sempre assim que as pessoas fazem amor? ― James olhou-a com ar de secreto divertimento.
— Sempre assim como?
— A noite toda.
Lily estava agora sentada na cama, os cabelos soltos sobre os ombros, os seios nus, o lençol estendido sobre as pernas. Ele soergueu-se e beijou-a.
— A noite toda, não.
Os olhos dela brilharam de felicidade.
— Estou faminta.
— Eu também. Você me deu muito trabalho esta noite.
— Vamos deixar de queixas, sim? Eu sei que você gostou.
— Mas não disto. — James apontou para os seus próprios ombros. — Mordidas.
Lily examinou as marcas com preocupação.
— Não exagere.
— Não estou exagerando. Dormi com uma pequena tigresa.
Ela enrubesceu.
— Sinto muito.
James puxou-a para si e beijou-a.
— Não sinta nada. Adorei cada minuto de nossos momentos de amor. — Ele sorriu com ternura. — E agora telefone ao restaurante.
— Vai querer alguma coisa especial?
Ele beijou-a de novo, desta vez mais demoradamente e com mais paixão. Depois pôs as pernas para fora da cama e calçou os chinelos.
— Peça o café da manhã completo. Para dois. Tenho a impressão de que vou ter que comer muito para resistir.
— Um momento. Para onde é que você vai?
— Vou tomar um bom banho — ele disse, sem tirar os olhos de cima dela.
— Ótimo. Depois vai se sentir melhor. — Lily ficou de joelhos na cama. — Mas antes chegue aqui, sim?
James aproximou-se ela passou-lhe os braços pelo pescoço e puxou-o para si. Os seus lábios eram quentes e macios.
— Agora vá tomar seu chuveiro, James.
Sem sair da cama, ela chamou o serviço de quarto e fez os pedidos. Depois tornou a enfiar-se debaixo das cobertas. O ruído da água do chuveiro chegava até ela misturado aos ruídos da cidade, enchendo-a de um estranho langor.
Estava satisfeita consigo mesma. Depois de tantas indecisões, de tantos desencontros, fizera por fim a coisa certa. Naquela noite, realizara cada uma das fantasias que devaneara com James Potter. Nunca se sentira tão feliz, tão consciente de seu próprio corpo. O que não compreendia era por que esperara tanto para se decidir...
— Lily!
O chamado urgente de James arrancou-a dos devaneios.
— Sim, querido!
— Venha cá. Rápido!
Ela saltou da cama e correu para o banheiro.
— Que é que você quer? — perguntou, enfiando a cabeça para dentro do boxe.
James agarrou-a pela cintura e puxou-a para debaixo do jato de água quente. Pôs-se a beijá-la com lábios ávidos e possessivos.
— Isto! — disse triunfante. — E isto! — tornou e continuou a dar-lhe pequenos beijos enlouquecedores na boca, no colo, na delicada concavidade entre os seios.
— Oh, James... — ela suspirou.
Ele afastou-se para olhá-la. Os bicos de seus seios estavam túrgidos e a doce pelúcia entre as pernas brilhava em minúsculos brilhantes.
― Senti sua falta.
— Foram apenas cinco minutos — fez-lhe ver Lily, toda alegre.
Apertaram-se no pequeno boxe, entre risadas e carícias.
— Eu também preciso de um chuveiro — ela justificou-se.
James apanhou o sabonete e começou a ensaboá-la devagar. Suas mãos desceram-lhe pelos mamilos e pelo umbigo até chegar aos pêlos do púbis. Ensaboou-os cuidadosamente, depois deixou que a água caísse diretamente sobre o monte de Vênus.
— Você é linda, Lily. Maravilhosa.
Ela começou a sentir seu sexo pulsar com uma força que chegava a assustá-la. Apoiou-se nele, arquejante.
— James...
Com um gemido rouco ele trouxe-a para si, pressionando o membro endurecido contra seu ventre macio.
— Sonhei com isso tantas vezes...
De um só impulso, ergueu-a e por um instante, manteve-a no ar. Automaticamente, Lily abriu as pernas, enlaçando-o pela cintura, baixando depois o corpo devagar ao encontro do dele. Quando ele a penetrou, soltou um grito de alegria e o fez penetrar mais, até a loucura, até acontecer a mesma explosão delirante que a sacudira horas antes e com ela, a renovação das mesma delícias.
Passada a febre, James a fez escorregar lentamente até o chão, mas manteve-a em seus braços até que sua respiração ofegante sossegasse lentamente. Ao erguer os olhos para ele, Lily entreviu uma expressão fugidia em seus brilhantes olhos castanhos, algo que fez o coração bater-lhe como um alucinado no peito. Amor?...
— Vamos. Estamos correndo o risco de nos afogar debaixo dessa torrente de água.
James deu-lhe a mão e ela o seguiu para fora do boxe, deixando que ele a envolvesse numa das enormes toalhas de banho. Envolveu-o em outra e pôs-se a enxugá-lo delicadamente, amorosamente.
— Estou me sentindo ótima! — declarou, cheia de entusiasmo.
James manteve-se em silêncio.
— Você é um homem especial, James Potter! Sabe disso?
Ele olhou-a ainda sem poder falar. Uma estranha sensação invadia seu coração. Um sentimento irresistível, grande demais para ser confundido com atração física. Amor! Amava Lily e essa descoberta o deixava feliz. Era a constatação mais preciosa de sua vida.
Ia confessar isso, quando houve uma batida na porta.
— Ah, o café! — ela disse com uma voz em que transparecia satisfação. — Deixe que eu vou atender.
Rapidamente, Lily enfiou-se num roupão, enrolou uma toalha em torno da cabeça e foi até a sala.
— Entre! — gritou.
O garçom entrou rolando a mesinha de café.
— Bom dia, senhora.
— Bom dia.
Lily assinou a nota, enquanto ele trabalhava, e rebuscou a bolsa em busca de uma gorjeta. Quando James chegou, a mesa já estava posta. A toalha e os guardanapos eram de linho e no centro havia uma rosa amarela num vaso de prata.
— Bonito — ele elogiou, puxando a cadeira para Lily.
— Tome o suco antes — ela aconselhou. Ele ergueu seu copo.
— A felicidade.
Lily ergueu o dela e beberam juntos.
— Café? — ela perguntou.
— Simples.
James recebeu a xícara das mãos dela. O café estava forte e quente, como ele gostava.
— Sirva-se e aproveite bem. Essas refeições matinais de hotel costumam ser fartas.
Lily ergueu as tampas e aspirou o perfume que se exalava das travessas.
— Maravilhoso!
Havia filé, salsichas e rins grelhados. E mais, ovos mexidos e panquecas, além de café, croissants, torradas e geléias.
James concordou com ela, ao mesmo tempo que se servia da segunda xícara de café.
— Não disse?
Estavam um dando comida ao outro na boca, quando tornaram a bater na porta. James levantou-se.
— Quem pode ser?
— Talvez o garçom tenha esquecido alguma coisa.
Ao abrir a porta ele teve uma surpresa. Lene e Sirius estavam diante dele com grandes sorrisos estampados no rosto. Olhou-os por um momento, sem saber o que dizer. Mas logo se recompôs. Abriu mais a porta e afastou-se um pouco para deixá-los entrar.
— Sirius. Lene. Que surpresa agradável! Entrem, por favor.
— Acabamos de deixar o hotel e pensamos em vir desejar-lhes novamente boa viagem — explico Sirius, avançando até o meio da sala.
Lily cumprimentou-o com a cabeça, dizendo:
— Mas que ótima idéia!
Lene notou seu rosto enrubescido e ficou constrangida.
— Oh, Sirius! Eu disse a você para telefonar antes. Eles ainda não terminaram de comer!
Mas Lily soube deixá-la à vontade.
— Venha sentar-se aqui ao meu lado, Lene.
Lene aproximou-se dela e inclinou o rosto para que ela a beijasse.
— Que surpresa, hein? Tenho de lhe pedir desculpas.
— Nem pense nisso!
James olhou para Sirius. Se ele estava constrangido, não dava o menor sinal disso.
— Quer tomar um café? — convidou educadamente.
— Não, obrigado. Tomei-o com o meu pessoal. Estão entusiasmados com a parceria e pensei que você gostaria de saber disso.
James procurou imprimir calor em sua voz.
— É realmente uma satisfação saber disso.
Sirius passou-lhe a maleta que tinha nas mãos.
— Aí estão os papéis que você precisa examinar. Mas não tenha pressa. Aproveite bem o fim de semana. Telefonarei para você segunda-feira.
— Ótimo.
Sirius olhou para Lily e comentou em voz baixa:
— Grande mulher. — Ele abaixou ainda mais o tom de voz. — Parece que você seguiu o meu conselho.
James sorriu, meio sem jeito.
— Ah... sim.
Lene deixou Lily e veio tomar-lhe o braço.
— Vamos, Sirius? Não podemos perder o avião.
— Oh... sim. Claro!
Quando os dois saíram, James voltou-se para Lily.
— Não acredito!
— Fiquei tão constrangida...
— E eu!
Olharam-se por um momento e depois romperam numa risada.
— Você viu a cara de Lene, quando abriu a porta? — perguntou Lily.
— Não. Estava olhando para Sirius, que olhava para você de queixo caído.
Lily riu.
— Afinal, que importância pode ter isso? Lene deve estar satisfeita. Segui os conselhos dela.
James ergueu as sobrancelhas.
— Que conselhos?
— Ela me deu alguns conselhos, quando foi jantar lá em casa. Pensei bem e resolvi segui-los.
— Você está querendo dizer que ontem à noite...
— Pois é.
— Sabe que Sirius deu-me também o mesmo tipo de conselho? Mas você tomou-me a dianteira.
— As mulheres são sempre mais rápidas do que os homens em assuntos do coração.
Como sempre, nesse particular, ela tinha toda a razão. James abriu-lhe os braços.
— Venha cá.
Lily foi correndo aninhar-se neles.
— Tenho uma grande idéia — ele anunciou. — Vamos fazer as malas...
— E voltar para casa! — ela completou. Depois, com fervor — Sim, James. Vamos voltar para casa!
Era natural que acontecesse e aconteceu. Lily mudou-se para o quarto de James. Não havia mais barreiras entre eles. Agora ela acordava nos braços dele. E era tão exclusivamente sua aquela alegria, que não poderia reparti-la com ninguém. Ele era coisa sua, parte de sua vida, de seu corpo.
Havia apenas uma pequena nuvem em seu horizonte. Pequena, mas que a impedia de atingir alegrias ainda maiores. Não contara ainda a James o que realmente acontecera na noite do acidente que levara Jeremy. Desculpava-se sempre, dizendo-se que não era necessário, ele jamais saberia. Mas isso lhe doía fundo na consciência. Ainda não se atrevera, porém sabia que, mais dia menos dia, teria que lhe dizer a verdade. Era inevitável.
Tudo era tão maravilhoso agora, mas ainda assim tão frágil... Tinha medo de que sua admissão de culpa pusesse em risco essa felicidade tão duramente conquistada e a tinha pleno direito. James poderia não compreender. Então, o que seria dela?
Sempre o amara e agora sabia que ele também a amava, embora ainda não tivesse dito nada. Mas estava disposta a esperar. Era só questão de tempo. E o que responderia, quando ele se declarasse? Diria: "Eu também te amo, James", como sempre sonhara dizer? Ou as palavras lhe ficariam presas na garganta, incapazes de transpor o amontoado de mentiras que acumulara com o correr do tempo?
Estava pensativa, quando subiu as escadas. Era sábado e deixara James dormindo mais um pouco. Ele precisava de descanso. Trabalhava demais, não se poupava. Entrou no quarto sem fazer ruído. Ele estava reclinado sobre o braço direito, com os olhos fechados. Ficou a contemplá-lo, emocionada. Um homem grande e forte, capaz de satisfazer uma mulher, como ela se sentia satisfeita.
Aproximou-se da cama silenciosamente e inclinou-se. A tentação de beijar-lhe os olhos, os cabelos, acariciá-lo, era forte. Desejava até deitar-se docemente ao seu lado e beijá-lo... Mas se conteve. Ia endireitar-se, quando ele abriu os olhos.
— Bom dia, querido — disse-lhe carinhosamente.
Sem proferir palavra, ele a agarrou pelo pulso e a fez sentar-se ao seu lado. Depois olhou-a, os olhos ainda inchados do sono, mas cheios de amor.
— Eu te amo, Lily.
Os olhos dela encheram-se repentinamente de lágrimas. Um nó fechou-lhe a garganta, prendendo-lhe as palavras. Exatamente como previra que ia acontecer. Preferiu pensar que ele não dissera nada e levantou-se.
— Vou preparar o café.
— Lily — ele chamou com suavidade. — Venha cá. ― Hesitante ela deu um passo. James soergueu-se no cotovelo e insistiu:
— Mais perto.
Ela aproximou-se lentamente.
— Que foi, Lily? — ele perguntou.
— Oh... nada.
Ele a olhou com severidade.
— Nada? Eu digo que amo você e isso é nada? Por que fugiu de mim?
Lily torceu as mãos nervosamente.
— Bem, é que...
James sentou-se na cama, deixando que o lençol lhe caísse até a cintura.
— Diga, Lily.
Ela ficou por um momento em silêncio, olhando para as próprias mãos. Então disse:
— Não posso.
Por um louco momento, ele teve medo de que ela tivesse deixado de amá-lo.
— Você não me ama, Lily?
Ela viu a mágoa espelhada em seus olhos e ficou consternada.
— Oh, James! Não é nada disso — murmurou. Depois afastou-se dele.
— Que diabo está acontecendo, Lily? — ele perguntou, francamente alarmado.
Ela virou-se, encarando-o com um estranho olhar de desespero e culpa.
— James... Há uma coisa que você precisa saber.
— Venha até aqui e diga o que é.
— Prefiro ficar aqui.
— Pois bem. Sobre o que você quer me falar?
— Jeremy.
— Pensei que já tivéssemos dito tudo o que há a dizer sobre Jeremy.
— Tudo, não. Há ainda uma coisa.
— Se isso fizer bem à sua alma, fale.
— Eu podia ter evitado o acidente que o vitimou.
James ficou subitamente impaciente.
— Não diga bobagens, Lily! Podia ter evitado de que maneira? Você não estava no carro com ele. O acidente foi provocado por um motorista embriagado.
— Não, não foi, esse é que é o problema.
— Não foi? Explique-se melhor.
— Jeremy bateu com o carro numa árvore. Estava alcoolizado.
— Que é que você está dizendo?
— A mais pura verdade. Eu sabia que ele estava alto e o deixei apanhar as chaves do carro e sair. Não devia ter deixado, mas eu estava zangada. Tínhamos discutido...
— Sobre o quê?
— A nossa vida... O fim de nosso casamento... Eu queria o divórcio.
James jogou o lençol para o lado e levantou-se. Desapareceu no closet e reapareceu pouco depois vestindo uma calça jeans. Caminhou para Lily e passou-lhe o braço pelos ombros. Ela estava tremendo. Gentilmente, levou-a para a cama e a fez sentar-se.
— E agora conte-me tudo. Do começo. ― Lily respirou fundo.
— Não estávamos mais dormindo na mesma cama. Nem no mesmo quarto. Jeremy passava a maior parte do tempo fora de casa. Tinha uma amiga.
— Amiga...
— Eu não me importava com isso. Queria de volta a minha liberdade, queria reconstruir a minha vida. E aquela noite, quando ele voltou para casa...
— Continue — estimulou-a James.
— Disse-lhe que queria o divórcio, mas ele não me levou muito a sério. Já tínhamos tido esse tipo de conversa outras vezes e eu sempre acabava desistindo. Jeremy pensou que fosse ser assim também daquela vez. — Ela o encarou com os olhos cheios de lágrimas. — Mas eu estava decidida. Daquela vez, pretendia ir até o fim!
— E foi.
Lily fez que sim.
— Jeremy enfureceu-se, esbravejou, gritou. Enfim, teve uma de suas habituais crises de nervos. Mas, daquela vez, eu não estava disposta a ser chantageada. Ao final, ele jurou que lutaria comigo nos tribunais. Acho que não sabia o que estava dizendo. — Ela respirou fundo. — Ele agarrou as chaves do carro e saiu de casa feito um louco. Partiu guinchando os pneus. Uma hora depois, recebi um telefonema...
James inclinou-se para ela.
— Por que não nos contou nada?
— Não podia — ela murmurou, fugindo-lhe com os olhos. Depois levantou-se e foi outra vez até a janela. De lá continuou: — Sabia o que seus pais sentiam por Jeremy e achei que não devia entristecê-los ainda mais. Deixei-os acreditar que a culpa era de outro. Mas o que eu estava realmente procurando esconder deles era a culpa que me cabia pela morte de Jeremy. Eu. Eu era a única culpada. — Ela o fitou com desespero. — Eles confiavam em mim e eu falhei. Falhei com Jeremy e com toda a família dele.
James ficou um momento em silêncio, pensando no que ela dissera. Estranhamente, não estava surpreendido com essa nova versão do acidente. Tivera sempre a sensação de que havia mais coisas envolvendo a morte de seu irmão. Mas Lily não gostava de falar sobre isso e ele não insistira. O que o surpreendia era o sentimento de culpa que ela alimentava em relação a isso. Seu remorso por ter falhado com todos eles. Como se ela fosse realmente culpada pela morte de Jeremy!
Aproximou-se dela e ergueu-lhe o queixo com dois dedos.
— Olhe para mim, Lily.
— Você deve estar me odiando — ela murmurou, com um fio de voz.
— Tolinha — ele disse, envolvendo-a carinhosamente pelos ombros. — Você achava o quê? Que eu pudesse odiá-la? — Ele tomou-lhe o rosto entre as mãos. — Eu te amo, Lily!
— Depois de tudo o que lhe contei?
— Principalmente por tudo o que você me contou. — Ele inclinou-se e beijou-lhe os lábios. — Acha mesmo que não sabíamos quem era Jeremy? Acha que não sabíamos quanto ele dependia de você? Nós todos somos muito gratos a você, Lily!
Ela suspirou.
— Houve momentos, durante nosso casamento, em que cheguei a ter saudade da adolescência, quando podia apelar para Jeremy toda vez que precisava de ajuda e proteção. Não era mais assim. Era exatamente o contrário. Era Jeremy que precisava de mim.
— Então! Não se culpe por nada. Não sei se você podia ter impedido Jeremy de sair aquela noite. Talvez. E talvez não.
— Gostaria de poder acreditar nisso.
— Pois acredite. Eu também convivi com uma dúvida durante muitos anos. Quantas vezes não me perguntei se era justo eu ter me afastado para deixar Jeremy ficar com você. Se não teria feito melhor lutando por você, por seu amor.
— James!... Você já sentia alguma coisa por mim naquela época?
— Muito mais do que eu próprio imaginava, embora eu não desse a esse sentimento o nome de amor. Mas era algo que me torturou durante muito tempo. Queria você para mim. Desejava-a tanto que me afastei de Jeremy. Tinha ciúmes porque ele possuía a coisa que eu mais desejava no mundo. Nesse particular, ele era mais rico do que eu.
— Você sempre me pareceu tão seguro, tão confiante em si mesmo...
— Tudo isso era falso. Escondi-me atrás de uma máscara de indiferença porque não podia encarar a verdade: a de que cometi um erro, deixando que Jeremy se casasse com você. — James fez uma pausa. — A morte dele deixou o caminho livre, mas não aliviou nossas consciências. Foi isso o que tornou tão difícil a nossa reaproximação. Felizmente, em nossos corações havia algo mais forte do que a culpa que nos corroeu por tanto tempo. Havia o amor que sentíamos um pelo outro.
Quando ele inclinou-se para beijá-la, sentiu o sal das lágrimas dela em seus lábios.
— Lily, minha querida...
Sem proferir qualquer outra palavra, ele ergueu-a de um golpe e a carregou até a cama. Então, com uma ânsia que desafiava a razão, despiu-a inteiramente, peça por peça. Ficou de pé, contemplando-a, depois se ajoelhou ao lado da cama, com o rosto no mesmo plano do dela.
— Eu te amo, Lily.
Ela passou os braços pelo pescoço dele e murmurou:
— Eu também te amo. ― Ele a beijou avidamente.
— Sempre te amarei.
Ela fechou os olhos e abraçou-o com força.
— Sempre...
— Quero que se case comigo, Lily.
— Eu também quero, James. Os olhos dele cintilaram
— E quero filhos. Uma porção deles.
Lily puxou-lhe a cabeça para o seio e o deixou sentir sua nudez.
— Lene disse que teremos de encher esses quartos vazios.
James ficou subitamente sério.
— Você me ama, Lily? Quero que me diga mais uma vez.
— James, meu bobinho!... Você ainda duvida? — Ela alisou-lhe os cabelos gentilmente. — Às vezes acho que sempre te amei.
Ele tomou-lhe o rosto entre as mãos e beijou-a de alma leve, sabendo que ela não era mais a esposa de seu irmão. Ela lhe pertencia.
FIM!
Infelizmente A Esposa do Irmão chegou ao fim! Quero agradecer do fundo do coração a todos que acompanharam a fic e comentaram. Muito Obrigada! Em breve novas fics, além das continuações de Trapaça do Destino e Summer. Beijos gente e até breve.
