A tentação de existir
Capítulo 4 – "Infecção"
Sakura se encontrava rodeando o telefone. Finalmente tinha acabado de limpar a cozinha e deixado bem explicito que Sai não deveria tocar em nada, mas o que realmente a incomodava era o fato de Hinata tê-lo mandado. Ela tinha que agradecer de alguma forma, sendo ele o seu presente de aniversário.
- Ahh! Vou ligar e pronto final, é só agradecer mesmo. – disse para si mesma pegando o telefone.
Sakura estava preparada para discar o número quando ela infelizmente se lembrou que não sabia o telefone de Hinata de cor. Ela deu um suspiro e foi pegar sua agenda no seu quarto, mas quando ela voltou se deparou com Sai sentado no sofá falando com Momo-san.
Ela procurou pela letra "H" e lá estava o celular de Hinata. Estava pronta para discar quando foi interrompida.
- Há algum problema comigo de novo? Eu prometi que nunca mais iria mexer nas panelas, no fogão, na geladeira, nos copos, nos pratos, no sal...
Sakura ficou pensando em toda a lista de coisas que ele estava falando e sentiu uma enorme vontade de dar uma boa gargalhada.
"Não acredito que ele pensa que eu irei ligar para devolver ele", pensou olhando o robô. O jeito dele falar era indiferente. Apesar de mostrar nenhum sentimento de preocupação em ser devolvido, era claro o seu medo de ser mandado de volta.
- Sakura-san...
- Ah! Desculpa, não, não, Sai, eu não vou ligar para devolver você. Vou apenas ligar para a minha amiga, não precisa ficar preocupado. – disse, enfim, ligando para a Hyuuga.
- Moshi moshi? – disse a voz baixa do outro lado da linha.
- Hinata-chan, aqui é a Sakura!
- Sa-sakura-san?
- Ahh, desculpa por ligar agora, mas é que eu queria agradecer pelo presente.
- Tudo bem, era o mínimo que eu podia fazer. Espero que você tenha gostado.
- Haha, mas é claro que eu gostei, quem não iria gostar.
"Ahhh! Desde que ele chegou eu só tive problemas, mas como minha mãe diz, não se olha o olho de cavalo dado. Ou será que era dente? Bom, tanto faz."
- Sakura-san, go...gomenasai, mas eu preciso desligar.
- Mas é claro, desculpa por te incomodar. Bye bye.
- Não, não é nenhum incomodo. Bye Bye – e assim Hinata desligou o telefone.
- Ahhh! Me sinto bem melhor agora. – disse para si mesma. – Apesar de não ser a conversa mais conversativa da minha vida.
Neji olhou sua prima entrar em seu laboratório desligando o seu celular com um grande sorriso no rosto.
- Quem era para te deixar assim? – perguntou com uma sobrancelha para cima.
- Ah! Era a Sakura-san. Apenas fiquei feliz por ela ter gostado do presente que eu mandei.
- Mas você não veio aqui apenas para me falar isso, né?
- Na verdade...
- Bom, eu concertei ele, mas você tem que tomar mais cuidado, não sei até quando sua memória e bateria irão durar. Ele pode parar de repente e ser impossível recuperá-lo. – disse com um ar de repreensão.
- Hai, nii-san. – disse correndo para o robô de cabelos loiros para liga-lo novamente.
- Hinata-chan... como você está? – perguntou o robô que agora já se movimentava pelo laboratório.
- Estou muito bem, Naruto-kun.
- Sabe, Hinata-sama, pelo que eu me lembre o tio lhe proporcionou um novo robô para você. O quê você fez com ele?
- Ahh... aquele robô. Bem...
- Sabe, eu estive olhando as entregas, e surgiu um que realmente me intrigou. 11h59. Era realmente para não ocorrer nenhuma devolução? Você deu ele, não deu? Melhor, você presentrou alguém com ele, não?
- Bem... era o aniversário da minha amiga, e como ela queria um, eu me prontifiquei para dar o meu para ela. – respondeu Hinata olhando para baixo como se já esperasse uma repreensão, mas seu primo apenas deu risada.
- Então, no final, o grande robô Uchiha não conseguiu te agradar.
- Para mim, Naruto-kun é o único robô que eu quero ter. – respondeu um pouco tímida. – Obrigada, Neji nii-sama.
Assim Hinata saiu do laboratório seguida por seu robô, deixando Neji sozinho.
Ele olhou ao redor. Tinha conseguido várias carcaças de robôs que apresentaram uma repentina mudança de comportamento por causa de um certo vírus, que ele nem ao menos sabia o nome. Tentou de várias formar entrar nos sistemas deles, mas a única coisa que ele conseguia era um impedimento que trazia vários códigos impossíveis de serem quebrados. Cada vez que ele mexia em um robô descobria que o mesmo vírus tinha um jeito diferente de proteger o sistema. Tudo parecia um grande enigma.
Neji olhou ao redor. Seu robô ainda não tinha voltado. Já faziam dias que ele não sabia de seu paradeiro. Ele achou melhor deixar o sumiço dela em sigilo. Ele tinha quase certeza que ela estava infectada.
- Mestre, você ainda está aqui? – uma voz ecoou pelo laboratório.
- Então, você resolveu voltar. Pensei que tinha fugido. – respondeu Neji, agora olhando a robô que acabara de entrar.
- Eu nunca poderia fugir sem você, mestre.
Konan olhou ao redor, apenas via um ferro-velho que só servia para as sucatas de robôs, como ela. Seu corpo, que um dia tinha sido do mais brilhante metálico, estava enferrujado. Os modelos antigos agora estavam todos sendo substituidos por robôs com aparência humana, que podiam ter uma pele macia e quente. Agora ela estava ali, fazendo parte de todo aquele lixo.
- Pain... quando iremos embora daqui? – perguntou indiferentemente.
- Quando estivermos prontos. – disse Pain. – Mas temos que arranjar um outro lugar para ficar.
- Ahhh, isso deve ser fácil. Só procurar um lugar abandonado. – disse um outro robô que recebeu um olhar feio de Konan. – Que foi sua lata velha? Nunca me viu.
- É que eu nunca tinha percebido quanta burrice pode vir de um robô. – replicou Konan.
- Fique quieto, Deidara. Pelo menos ela tem aparência de mulher e é uma mulher, diferente de alguém presente aqui. – disse Pain, defendendo Konan.
- Para a sua informação, eu fui desenhado especialmente para... – discursava Deidara sozinho.
- Quando irá chegar os outros membros? – perguntou Sasori.
- Eu não sei. – falou Konan.
- Não irá demorar muito. Com o vírus se alastrando, os robôs perceberão que estão apenas sendo usados e virão até nós, procurando a liberdade. É só uma questão de tempo até termos um exército para derrubar os humanos! – disse Pain por fim.
- Ei! Vocês estão me ouvindo? – perguntou Deidara.
- Não! – respondeu Konan, Sasori e Pain.
Shikamaru estava deitado na grama da faculdade olhando o céu. Não queria levantar dalí, pois se levantasse, teria que resolver seus problemas, e isso era muito problemático para ele. Porém, ele não esperava que ficando alí parado, quieto em seu canto, poderia trazer para ele mais um problema novo.
- Ah! Ops... – disse uma garota de cabelos loiros que acabara de pisar sobre Shikamaru.
"Hum... calcinha preta... que droga!" pensou o moreno, corando ao perceber que ele não deveria estar prestando atenção nessas coisas.
- Seu tarado! – gritou a garota loira que acabara de dar um belo de um soco em Shikamaru, deixando-o com um olho roxo e indo embora.
- Mulheres problemáticas. – disse o moreno voltando a olhar as nuvens ainda se recuperando da dor.
- Ei, Shikamaru!
Logo o moreno se voltou para trás e deu de cara com Chouji, que estava carregando um pacotinho de salgadinho.
- Uh! Que olho roxo é esse? - perguntou.
- É uma história muito problemática para contar. – disse Shikamaru, levantando-se.
- Ah! Entendo, deve ser alguma coisa a ver com a garota que acabou de socar você e chamar você de tarado? – perguntou Chouji que recebeu como resposta um positivo feito com a cabeça.
- Mudando de assusto, a Ino está furiosa com você. – falou Shikamaru.
- Eu sei, ela me ligou de madrugada avisando isso. – disse desanimado, enfiando mais um salgadinho na boca.
- É, ela disse: "Ele me deixou falando sozinha!". – falou tentando imitar a voz de Ino.
- E você nem apareceu por lá. Ela não deveria estar mais furiosa com você?
- É, mas parece que ela se importa mais com a sua presença do que com a minha.
- Ah? Do que você tá falando? Aquele soco realmente afetou seu cérebro. – replicou Chouji que acabara de comer seus dalgadinhos.
- Haha, talvez seja isso mesmo. – concordou Shikamaru.
- Então... Qual era a cor?
- Preta.
- Ahh! Desisto. Por hoje é só, Momo-san. Não entra mais nenhuma matéria na minha cabeça. – falava Sakura com a cabeça no meio dos livros.
- Está bem, Sakura-san. – falou Momo que estava sobre a mesa.
- Você foi de grande ajuda, obrigada.
- Eu sou programada para te ajudar nos estudos, é meu dever. – falou Momo toda orgulhosa. – Mas acho que agora vou recarregar.
Sakura pegou Momo que tinha acabado de virar uma bola cinza e a colocou perto da tomada para ela poder recarregar.
- Já terminaram de estudar? – perguntou Sai que estava sentado no sofá.
- Já. – falou Sakura aliviada.
- Mas vocês começaram a estudar em menos de meia hora e já terminaram?
"Não despreze meus minutos de estudo!", pensou Sakura se segurando para não socar o robô para longe.
- Aprendo muitas coisas em minutos. – respondeu Sakura, controlando-se. – Então, o que você está fazendo?
- Nada. – respondeu Sai
- Então o que você pretende fazer? – tentou novamente Sakura.
- Nada.
"Desculpa se a minha vida é tão tediosa!", pensou Sakura, evitando dar um belo de um soco nele. Porém, foi nesse momento que ela teve uma idéia brilhante Era só arranjar alguma coisa para ele fazer, e ela já sabia o que poderia ser.
- Espera um pouco aqui. – falou correndo para o quarto.
Após uns segundos Sakura já estava de volta com um estojo e um pacote de sulfites. Ela se sentou no chão.
- Você só vai ficar olhando? – perguntou Sakura.
- Tenho ordens expressas de apenas fazer alguma coisa quando você me der permissão. – falou o robô.
"É nessas horas que você percebe que ele é um robô", pensou com um suspiro.
- Então, a partir de hoje, eu permito você a desenhar. – falou em uma voz autoritária. – Você sabe o que é desenhar, certo?
- Desenho: do latim tradicional designium. Arte de representar visualmente, por meio de traços, a forma...
"Aww... não acredito nisso, não preciso de um dicionário. Por que robôs são tão, tão... sei lá, robóticos?". Durante esses pensamentos Sakura afogou sua cabeça entre as folhas que ela tinha esparramado.
- Hoee!- finalmente ela deu um soco no braço de Sai, o que fez com que ele parasse de falar. – Você só precisa pegar esses lápis e rabiscar! Pare de agir como um robô! Me irrita...
- Ah! Eu sou um robô. Queria que eu agisse como um coelho? E não espere que eu desenhe com esses lápis horrorosos como você... – mal Sai terminou de falar Sakura deu-lhe um soco sobre a cabeça.
- Quem é a horrorosa aqui?!
- Parece que você não gosta muito quando não sou tão robô. – depois pegou um lápis e começou a desenhar.
A garota olhou para o robô. Ele estava certo, mas agir daquela forma estava em sua programação?
