Disclaimer: personagens e lugares pertencem a Ryan Murphy e à Fox Network. Fanfiction escrita sem fins lucrativos.
Quaisquer semelhanças com outras fics não passam de meras coincidências.
Avisos: fanfiction apropriada para todos. Não betada! Esta fanfiction não segue as regras do novo acordo ortográfico porque a autora é demasiado preguiçosa para se actualizar devidamente. :p
Spoilers: todas as temporadas.
Sumário: Colectânea de momentos perdidos de Glee.
EIS O QUE PERDERAM EM GLEE
(keywords: Mercedes/Rachel friendship ; Sam/Mercedes friendly )
QUANDO ACABA BEM
"Bem, tudo está bem quando acaba bem, não achas?"
Mercedes rolou os olhos à pergunta de Rachel e respondeu-lhe com o silêncio. Não, para ela não estava nada bem. Pusera todas as suas esperanças naquela audição, entregara a alma e o coração naquela música… para quê, afinal? Aquele Jesse não passava de um idiota! E até Mr. Schue, depois de todos os elogios e palavrinhas bonitas, falhara e negara-se a atribuir-lhe o voto de confiança final.
Estava atirada para o background. Outra vez.
Mas não ia cansar-se a tentar explicar-lhe isso. Rachel, que mais uma vez iria choramingar, queixar-se de tudo e de todos e ameaçar não pôr os pés em Nova Iorque até conseguir pisar o palco como a estrela principal da companhia, nunca iria entender.
"Então?" A voz de Rachel parecia carregada de teimosia. "Não achas?"
Tentando ao máximo controlar as emoções, Mercedes fechou a porta do cacifo com um pouco mais de força do que seria necessário e encarou-a:
"Aquilo que fizeste foi muito feio!"
Viu-a abrir a boca de espanto perante as suas palavras.
"Eu?!" conseguiu ela articular por fim. "O que é que eu…"
"Ora, não me venhas com tangas! Isto nunca foi pelo clube! A participação do Jesse," acrescentou rapidamente, apercebendo-se que ela a ia interromper. "Ele foi horrível para com todos nós mas só tinha elogios para ti. Tu sabias que ele te queria levar às Nacionais, por isso é que insististe na contratação dele…"
"O Jesse só queria que o Glee levasse a sua melhor oportunidade a Nova Iorque!"
"Não, ele só te quer dar aquilo que queres para te ter nas palminhas. E tu estás a deixá-lo!"
Rachel não perdeu tempo a verbalizar o seu desagrado:
"Não acho que estejas no direito de andar a meter o nariz na minha vida!"
"Não te preocupes, não quero saber de vocês os dois!" A verdade é que estava cansada de dar conselhos a pessoas que claramente não queriam ser aconselhadas. A Rachel que fizesse o que a Rachel quisesse fazer. "Mas se a vossa relação afecta o Glee, então isso é comigo também, é com todos nós!"
"Não penso que esteja a afectar ninguém…"
"Não?! Desde que ele chegou que não temos feito mais nada senão discutir uns com os outros!"
"Chama-se competição, Mercedes, e é saudável no nosso meio! Sabes, devias experimentá-lo… ajuda-nos a crescer como artistas!"
A visada parou então subitamente no meio do corredor e fitou-a por momentos, como que para avaliar se valeria ou não a pena enveredar por aquele caminho outra vez. Competição saudável? Estaria a própria Rachel Berry a tentar dar-lhe um sermão sobre competição saudável?!
Ao fim de uns segundos, Mercedes desistiu:
"Porque é que tu és assim? Sempre a competição, sempre o destaque, sempre o ser melhor do que os outros… És melhor do que isto, Rachel!" A outra ainda lhe tentou responder, mas, mais uma vez, não lhe deu oportunidade: "Tu consegues ser uma boa amiga e uma boa colega, mas sempre que sentes que as pessoas te estão a roubar o espaço na ribalta, viras-te contra elas. Acalma-te, miúda, estás a perder aquilo que realmente importa!"
Rachel não parecia muito convencida. Perante o olhar desconfiado e a expressão de descrença no rosto, Mercedes acabou por sorrir e passou-lhe o braço pelos ombros, convidando-a a seguirem o seu caminho.
"Eu sei o que fizeste no Baile," acabou por confessar, agora sem ressentimentos. "E apesar de me preocupar o facto de não seres capaz de guardar nada para ti, gostava de te agradecer o facto de seres tão… pró-activa!"
A outra sorriu por uma fracção de segundo, mas depois franziu o sobrolho e o espanto substituiu a expressão de agradecimento.
"O que é que eu fiz?"
"No Baile…" relembrou Mercedes, baixando o tom de voz para evitar que outras pessoas a ouvissem. "Tu sabes… aquilo com o Sam…"
"Com o Sam?" O grito de Rachel, claro, atraiu olhares indesejados de todas as direcções. "O que eu é que fiz ao Sam? Só porque contei ao Jesse o que tinha acontecido à família dele? Pensava que já tínhamos conversado sobre esse assunto e ultrapassado isso! Ou ele foi-se queixar por eu não lhe ter prestado muita atenção? Porque, quer dizer, eu tinha o Jesse e nós estávamos a divertir-nos imenso até o Finn se ter metido no meio…"
Mercedes simplesmente sorriu perante as suas desculpas.
Mas depois reparou na confusão da sua expressão facial, no seu olhar perdido, no discurso que começava a roçar o desarticulado enquanto se tentava redimir sem realmente admitir que os tinha trocado pela companhia do ex-namorado. E Rachel até podia ser uma excelente actriz, mas havia algo nela que gritava sinceridade. O que só podia significar uma coisa…
"Tu não sabes do que é que eu estou a falar!" Nem sequer era uma pergunta. Era simplesmente uma constatação.
Rachel abanou negativamente a cabeça, verdadeiramente surpreendida.
"Do que é que estás a falar?"
Entreabrindo a boca de estupefacção e sem se importar em dar-lhe uma resposta, Mercedes virou-lhe costas e seguiu o caminho oposto, de regresso à sala do coro, sentindo a cabeça a funcionar a mil à hora.
"Mercedes!" chamou Rachel, que ficara para trás, agora com a voz a transbordar de curiosidade. "Do que é que estás a falar?"
Mas o silêncio foi, uma vez mais, a única resposta que lhe conseguiu dar. Durante os últimos dias guardara com todo o carinho a memória daquele momento, como garantia do facto que, no fundo, não estava assim tão sozinha quanto pensava estar. Que, no fundo, ainda tinha quem se preocupasse, quem a quisesse ver feliz e estivesse disposto a tudo para isso.
Afinal estava enganada. Devia ter sabido melhor, Rachel fizera a sua parte ao convidá-la para fazerem companhia uma à outra, uma vez que estavam as duas no mesmo barco. Mas, por outro lado, estar enganada desta vez implicava algo tão mais especial, tão mais fascinante, tão mais inimaginável…
Palmilhando os corredores sem um destino certo, Mercedes esqueceu Rachel, Jesse, Mr. Schue e os seus óbvios favoritismos pela primeira vez naquele dia. Não, ela não se ia dar ao luxo de acreditar que seria possível, aquele pequeno momento ser apenas o ponto de partida de algo maior. Mas quando passa diante da porta da sala do coro e vê Sam ainda lá dentro, tocando guitarra enquanto Mike e Artie dançam no meio de grande galhofa, ela percebe também que sonhar ainda é um luxo que ninguém lhe pode roubar.
Na noite do Baile, Mercedes fora Cinderela por si mesma. Simplesmente uma princesa despertando a atenção de um príncipe, que viera não por lhe ter sido pedido, mas porque ele assim quisera.
Esse era o final de uma parte da sua história.
E quando esta acabava bem, por qualquer motivo, tudo estava bem por fim.
fim
