Disclaimer: personagens e lugares pertencem a Ryan Murphy e à Fox Network. Fanfiction escrita sem fins lucrativos.
Quaisquer semelhanças com outras fics não passam de meras coincidências.
Avisos: fanfiction apropriada para todos. Não betada! Esta fanfiction não segue as regras do novo acordo ortográfico porque a autora é demasiado preguiçosa para se actualizar devidamente. :p
Spoilers: todas as temporadas.
Sumário: Colectânea de momentos perdidos de Glee.
N/A: inspirada no capítulo 6 da fanfiction "Problemas" da Sudden Wishes, com a devida autorização da autora. Entretanto não se esqueçam de ler a fic dela, porque vale mesmo a pena. :)
EIS O QUE PERDERAM EM GLEE
(keywords: Mercedes Jones ; Sam/Mercedes )
MELHOR DO QUE ISTO
«Sou melhor do que isto!» E repetes o mantra, dia após dia, como uma vã tentativa de encontrar forças para lidar com a idiotice que te rodeia.
És melhor do que aqueles que se aproveitam do teu bom coração, aqueles que te usam para consertar os seus problemas e depois te agradecem com um pontapé no traseiro quando já não precisam mais de ti ou dos teus serviços.
És melhor do que aqueles que te apontam o dedo e riem maldosamente à tua passagem, aqueles que não sabem ver além do teu peso a mais ou da cor da tua pele.
Bolas!, és até melhor do que os teus próprios amigos, aquelas pessoas que te transformaram num plano B para a solidão desde que ganharam o passaporte para as calças de alguém.
«Sou melhor do que isto!»
Então, dia após dia, estás sempre lá: abanas a cabeça em incrédula negação, sopras baixinho de frustração, cantas em silêncio as canções que nunca consegues obter. Esperas que um dia eles desçam à terra e aprendam a ver-te como mereces. Constróis estas paredes em torno do teu coração e garantes pela quinquagésima vez que não vais deixar que eles te magoem. E dizes a ti própria que és mais feliz assim. Porque lá no fundo sabes que antes sozinha do que mal acompanhada, e porque lá no fundo sabes que não precisas de ninguém para preencher o vazio que existe dentro de ti.
E depois conheceste Sam. O rapaz que apareceu do nada para fazer aquilo que ainda ninguém tivera a coragem de fazer.
Não era como se ele fosse um estranho. Mas depois do Baile (porque lhe estavas agradecida, porque reparaste em algo de familiar nele, porque é aquilo que sabes fazer melhor e no fundo não sabes como lhe resistir) tentaste aproximar-te, para que o pudesses ver tal como ele te vira. E viste… Viste a solidão atrás da popularidade, o nerd atrás do atlético, a simpatia atrás da beleza, e deixou-te verdadeiramente surpreendida compreender que afinal vocês não eram assim tão diferentes quanto pensavas.
Não reparaste, contudo, que enquanto destruías as paredes em torno do seu coração, ele destruía as tuas. Não reparaste que o estavas a deixar ver mais do que aquilo que desejavas. E ele acabou por ver cada insegurança, cada sorriso tremido, cada nota temerosa na voz, cada suspiro de solidão. Acabou por encontrar a miúda recatada que se escondia atrás da diva. A miúda que, lá no fundo, eras tu e que tentavas a todo o custo esconder.
Mas não fugiu, tal como esperavas que fizesse. Ficou ao teu lado, secou-te as lágrimas que nunca choraste, trouxe o teu sorriso ao mundo. Pegou-te pela mão, arrastou-te até à ribalta e, mesmo que eles ainda assim não te vissem, não importava – porque com ele sentias-te real e isso era tudo quanto podias pedir.
E continuas a dizer a ti própria (fazendo eco dos que te rodeiam) que miúdas como tu não têm assim tanta sorte.
E continuas a dizer a ti própria (fazendo eco dos que supostamente sabem) que rapazes como ele não podem ser assim tão simples.
É por isso que todos os dias te preparas para o bater das doze, para o fim do sonho, para o momento em que vais acordar para a dura realidade que os rapazes como ele não acabam com miúdas como tu. Nunca.
Mas hoje, enquanto compões o cabelo ao espelho da entrada antes de sair de casa, pensas "Que se lixe!" e decides que vais experimentar dar-lhe a mão quando saírem para a escola esta manhã.
Afinal, és melhor do que quem quer que seja que eles pensam que és.
E hoje estás simplesmente tão feliz quanto costumas fingir estar.
fim
