- Qual é a da camisa branca?
Sasuke olhou para sua camisa branca perfeitamente passada.
- Talvez eu vá no festival, mais tarde. - Ele respondeu, simplesmente.
Era o começo de setembro, e ainda estava um pouco quente, mesmo que os ventos do norte soprassem para aliviar o calor de Konoha. As quatro da tarde havia uma terrível calmaria na torre Hokage; o tipo de onda preguiçosa que só acontece em tardes de domingo, mesmo que fosse quinta. Mas, Sasuke estava supondo que todos estavam ansiosos para mais tarde: O começo do Festival Bon.
Com uma certa delicadeza, Menma começou a batucar sua caneta na mesa. Sasuke o encarou com uma sobrancelha levantada, sabia que o amigo queria dizer algo.
- Eu não ia dizer nada. Mas, me disseram que um certo Uchiha anda passando muito tempo no complexo Hyuuga. Dizem que está cortejando uma Hyuuga. - Sasuke quase podia ouvir um sorrisinho malicioso.
Sasuke olhou para o relatório de missão que estava lendo e virou a página, mais pela potência dramática da ação do que pela necessidade de virar a página.
- É, faz algumas semanas, agora.
Menma arregalou os olhos, estava confuso e surpreso.
- Você? Cortejando? Uma Hyuuga? Há algumas semanas? Está pensando em sossegar, Sasuke?
- Sim, eu. Mas, não estou cortejando ninguém. Só estou passando um tempo com a Hina.
Menma o encarou e parou de batucar a caneta.
- Hyuuga Hinata?
- É, Hyuuga Hinata. - E ele preferiu não explicar mais nada. Menma se surpreendeu que ele tinha repetido a resposta, mesmo com o olhar de evacuar os intestinos que ele havia lançado.
- Sabe, como seu melhor amigo, eu esperava que você mencionasse que estava virando amigo da "Hina".
Sasuke não acreditava que ele tinha apelado pra frase tabu de "melhor amigo". Ele raramente falava alguma coisa para Menma, Sasuke gostava de pensar que a melhor amiga de um homem era sua esposa. A pessoa com quem você se enroscava a vida toda, na saúde e na doença, e tudo mais. E Sasuke não conseguiria pensar em Menma como sua futura esposa.
- Eu não precisava mencionar, só tomamos chá algumas vezes, ela me ajuda com coisas na casa e eu sirvo como saco de pancadas em alguns treinos dela.
Suspeitosamente, Menma não comentou nada. Sasuke o enrolou dizendo o quanto trabalho era necessário na casa. Naruto reclamou sobre o preço de materiais de construção. E acabaram relembrando suas missões de nível D, quando ajudavam as pessoas com suas casas.
Ambos riram e Sasuke achou que tudo estava bem. Até que...
- Gaara está estabelecendo uma Unidade de Transação de Medicamentos Organizados, então, eu tenho de perguntar, já que você é responsável pela nossa U.T.M.O., se você terminou de reportar os arquivos de plano de trabalho para os próximos três anos na nossa unidade. - Algumas vezes, a parte burocrática deixava Menma louco. Detestava essa parte de seu trabalho. Precisava de muito esforço para não atingir seu próprio estômago com um rasengan.
- Não reportei.
Menma olhou para ele como se esperasse a elaboração de uma desculpa.
- E a razão é...? - Menma forçou.
- Eu estava ocupado.
- Fazendo o quê, idiota? - Menma queria arrancar seu próprio cabelo. Sasuke sabia ser irritante quando queria.
- Trabalhando na casa com a Hina.
Menma pegou a caneta novamente e voltou a batucar, dessa vez de maneira furiosa.
- Então você tem a tarde toda para reportar.
- Não posso, combinei de encontrar a Hina mais tarde na praça.
Menma riu, desacreditado. Sasuke codificou aquilo como a risada do "melhor você não ter dito o que eu acho que você disse". Sasuke sentiu um arrepio de perigo em sua pele. Fazia um tempo que ele não brigava de verdade com Menma.
- Isso é estranho, eu tinha certeza que ela sairia para uma missão essa noite.
- Que missão?
- Classificada.
- Classificada? Quem vai com ela?
- Ninguém.
- Vai mandá-la pra uma rank A ou S sozinha? Ela pode ser forte, mas é bem arriscado. Desde que se tornou líder dos Hyuuga não tem ido a muitas missões.
- Ela tem capacidade o bastante pra isso.
- É, mas foi você quem a impediu de ir em missões porque ela não estava em condições emocionais pra isso.
- Mas, eu preciso que ela vá, desta vez.
- Sem uma justificativa específica.
- Olha, ela é forte, não é como se fosse a primeira missão dela. E não é como ela fosse a ninja que mais trabalha em grupo em Konoha. Não a subestime.
- Eu, definitivamente, nunca fiz isso. - Menma serrou os olhos, se perguntando o significado oculto naquelas palavras. - Mas, você fez. Mais de uma vez. - Sasuke acrescentou, sério.
Menma não sabia como responder aquilo e Sasuke sentiu uma presunçosa e vazia satisfação em encurralar o amigo em um assunto emocional estranho.
Menma estava eriçado, mas respirou fundo e, aparentemente, esqueceu todo o assunto.
- Então, vai reportar os arquivos pra mim ainda hoje?
Ele não tinha esquecido.
- Tá. - Sasuke rolou os olhos e saiu da sala.
Assim que a porta se fechou, Menma encarou o ANBU escondido na sala por um genjutsu.
- Não fique parado aí! Me ajude a procurar uma missão para Hina... Para Hyuuga-sama! - Menma exclamou enquanto revirava as caixas de arquivos.
As crianças da academia estavam um pouco inquietas, Iruka notava. Sem dúvidas, suas mentes divagavam no futuro próximo, imaginando as guloseimas que iam comer festival e que brincadeiras iriam fazer. Alguns deles tinham as cabeças escoradas nas mãos, quase não deixando os olhos abertos enquanto suas bocas abertas podiam ser usadas como pega-moscas. Outros estavam ansiando por algum tipo de problema, ele pensava no jovem Hyuuga que estava se esticando para puxar o cabelo de uma garota, especificamente. Toda vez que Iruka pensava em problema, se lembrava que, dentro de alguns anos, os filhos de Naruto estariam nessa turma. Não um, mas os dois! Como o destino podia ser cruel!
Uma batida na porta interrompeu seus ensinamentos. Ele ficou um pouco surpreso em Inuzuka Kiba, sem seu cachorro rebelde e Hyuuga Hinata.
"E aí, Iruka-sensei?" Kiba cumprimentou, simpático enquanto plugava um rádio pequeno na tomada próxima a porta.
"Bom Dia." A líder Hyuuga parecia entendiada.
- Por que parece surpreso? Não recebeu o memorando avisando que nós viríamos para ensinar a dança do festival aos mais novos? - Kiba perguntou.
Iruka olhou para baixo, mais precisamente para um papel que estava servindo de descanso de copo em sua mesa. Ele virou o papel, e, realmente, era um memorando o avisando sobre a visita de seus antigos alunos para ensinar sobre a dança do Festival Bon para os seus atuais alunos.
- Ahhh.
Kiba sorriu e bateu palmas para ganhar a atenção da classe.
- Ei, crianças! Sou Inuzuka Kiba, segundo no comando do clã Inuzuka e líder da força canina policial de Konoha. Esta mulher incrivelmente bonita e mal-humorada é Hyuuga Hinata, ex-mulher de nosso Hokage e... Ai! - Hinata deu uma cotovelada em seu ex-parceiro de time. Não deveria apresentar uma mulher como ex-mulher de alguém. Não quando ela tem coisas mais importantes sobre si a serem ditas. - ... E líder do clã Hyuuga. Sejam bons conosco!
- Hinata-sama!
Era um jovem Hyuuga, que Kiba reconheceu imediatamente como Hyuuga Kouji, ou, como ele gostava de chamar, Neji 2.0. O garoto tinha a mesma aparência de Neji quando ele entrou na academia, até o cabelo ridículo. A única diferença entre Neji e sua duplicata era a personalidade. Kouji conseguia ser mais agitado, com tanta energia que ele poderia ser dois, ao invés de um. Ah, sim, e o garoto tinha a inocência de uma criança, que não era o caso de Neji.
Ele era, também, a memória física do maior erro e das piores memórias de Hinata. Hyuuga Kouji era filho de uma mulher do clã que foi sua governanta. Hinata sempre imaginou que essa seria a aparência de seu filho se ele tivesse passado de dois anos de idade. Mas, claro que ela não tinha dito isso a ninguém. Ela fazia seu melhor para evitá-lo, o que era difícil por morarem no mesmo bairro e, também, por crianças, de um modo estranho, tenderem a gostar dela. O que não quer dizer que ela não continuava a evitá-lo. Ela se envergonhava disso, um pouco.
Interiormente, ela grunhiu. Mas, se corrigiu, não tinha de maltratar a criança só porque ela tinha nascido com aquele rosto e personalidade.
Ela, séria, cumprimentou-o com um movimento de cabeça.
- Como vocês sabem, - Kiba continuou. - hoje começa o Festival Bon. Nós dançamos para dar boas vindas aos nossos ancestrais, como o vôvô e a vóvó.
- Meus avós estão vivos, eles moram comigo. - Uma garotinha loira disse.
- Só vamos receber os mortos.
As crianças pareceram horrorizadas, sem dúvidas ouviram sobre os terrores da última Guerra Ninja. Iruka queria espancar Kiba.
- Bem, é, é... Hinata?! - Kiba parecia desesperado para consertar a situação.
Hinata, por outro lado, estava se divertindo em ver o amigo encurralado, mas ela teria de ajudar.
- De qualquer forma, vou ensinar os passos de dança para vocês. - Porque, junto com aulas de etiqueta, vêm aulas de dança para eventos públicos, é. - E os melhores dançarinos vão ganhar um brinde mais tarde. - Competição faz as pessoas se esforçarem mais, era a lei da vida.
Eles animadamente começaram a conversar enquanto moviam as carteiras para aprender a dançar. Kiba colocou a música e o som de tambores preencheu o espaço. Hinata começou a ensinar a eles a simples dança do Festival.
Quando terminaram e estavam quase indo embora, Kouji foi até ela, puxando a barra de sua yukata. Ela olhou para ele e seu estômago deu uma cambalhota.
- Sim, Kouji?
- Hinata-sama, vai ao festival mais tarde?
- Sim.
- Você vai dançar?
- Sim.
- Vou dar o meu melhor pra dançar pra você, então!
Hinata sentiu seu peito apertar, a sensação que ela esperava se acostumar, que acontecia quando interagia com aquele garoto. Ela deu um pequeno sorriso para ele, mas, em sua cabeça, imagens de ela mesma e Neji naquela mesma idade, do corpo empalado dele na batalha, Menma abraçando-o e ao filho deles, se misturavam. Seu olhar estava vago e vazio.
Ela tinha quase certeza de que ia vomitar.
- Hinata, você tá legal? - Kiba perguntou.
Ela se virou para fugir da criança e, quando se deu conta, havia esbarrado em Sasuke no corredor. Que inferno ele estava fazendo ali? Ela estava tão confusa! Ela deu um passo para trás, ele segurou seus pulsos e ela quase deu um golpe nele em reflexo.
O repentino encontro com ele ali, combinado com as memórias perturbadoras, apagou sua mente por um segundo, fazendo-a se soltar dele com violência.
- Não me toque! - O sussurro foi quase um grito, de alguma maneira.
- O que está acontecendo aqui? O que você está fazendo aqui? - Kiba perguntou, entrando no corredor a tempo de ouvir as palavras de Hinata. Ele encarou Sasuke com suspeita.
Sasuke olhou para Hinata, que teve que dar um tempo para respirar e acalmar a mente, mas na cabeça do Uchiha, ela estava perfeitamente a vontade em deixar que Kiba achasse que ele estava violentando-a ou algo assim. Decepcionado, ele se virou e foi embora.
Kiba o ignorou e foi até Hinata.
- Você está bem?
- Sim, eu só... - Ela olhou em volta e viu a silhueta de Sasuke indo embora pela porta. Deuses! Ela estava se sentindo um caco e ainda se sentia culpada. Ela passou a mão no rosto, estava cansada.
- Hinata, você não foi a nenhum terapeuta, não é?
- Eu não preciso disso. Estou ótima, não se preocupe. Vamos, temos que ensinar outra classe. - Ela entrou em outra classe, ignorando os olhares preocupados de Kiba.
Depois de literalmente esbarrar em Hinata, Sasuke perdeu qualquer vontade de ir nas celebrações daquela noite. Ele era quem tinha insistido dias a fio para que ela fosse ao festival e ficasse um tempo por lá, ao invés de ir, dançar uma vez e ir para casa, treinar. Mas, depois daquela tarde, ele duvidava que ela ficaria. E, realmente, ele queria não ligar a mínima pra isso.
Ele se lembrava do olhar de desgosto dela, quando disse "Não me toque." Aquilo o tinha machucado bem mais do que ele esperava. E ele sabia porque.
Ele não iria ao festival, mas, depois que reportou os malditos arquivos(irritado porque Menma não estava em sua sala), ele se lembrou de que Menma havia dito que Hinata não iria ao festival porque teria uma missão. Então ele poderia passar pelo festival, para tentar se animar um pouco, sem medo de topar com a líder dos Hyuuga.
E ela foi a primeira pessoa que ele viu quando chegou ao festival.
Ela estava no palco redondo reservado para as danças, com mais vinte ou trinta pessoas dançando, com quimonos tradicionais. Dois homens tocavam música folclórica em seus tambores enquanto cantores acompanham nos microfones. As pessoas variavam entre civis e ninjas, dos jovens aos idosos.
- S-Sasuke-kun! - Ele olhou em volta e reconheceu Ino chamando-o. Ela estava na barraca da melancia com Sakura, Shikamaru, Shino, Chouji, Kiba, Sai e Tenten. Ele sentiu como se faltasse alguém. Ele realmente não estava no humor de se reunir com todo mundo, e piorava quando ele olhava para o palco, o que ele continuava fazendo, não importava o quanto ele tentasse não olhar. Mas, Sakura o viu e murmurou algo com o grupo, que obviamente era sobre ele, já que todos olharam para ele simultaneamente, e aí ela brigou com todos por serem tão óbvios e todos começaram a agir como se nem tivessem visto-o. Ele podia não ser um gênio, mas não conseguia acreditar que todos ali eram Jounins.
De repente, houve um crescimento na animação das pessoas. Era como um zumbido de animação elétrica por encontrar algo de que se gosta. Ele percebeu que todos estavam olhando na mesma direção, e foi quando ele percebeu que o Hokage havia chegado.
Espera! Menma?! Que diabos ele está fazendo aqui, se divertindo, enquanto eu estava sendo escravizado por documentos?! Foi o que Sasuke pensou.
Ele rolou os olhos com tanta força que eles quase caíram da órbitas. E foi aí que seus olhos se encontraram com o de Hinata.
Ela lhe deu um olhar quase autoritário, como se mandasse ele esperar. Ele a ignorou e foi até o grupo.
- Que porra você está fazendo aqui?! - Perguntaram Sasuke e Menma, um para o outro.
- Aliás, eu reportei a porcaria dos documentos. - Sasuke disse, com raiva.
Menma fechou a cara. Sasuke queria matá-lo.
O grupo continuou a conversar sobre o festival, o clima e quanto tempo fazia que ninguém encontrava com Lee, porque ele ainda estava tão mal e porque ele não queria sair de casa. Certo, era ele que faltava, Sasuke percebeu. Todos conversavam, mas ele realmente não prestava atenção, tendo que perguntar do que eles estavam falando constantemente. E ele demorou um pouco para perceber porque estava tão distraído. Notou que Hinata não estava mais no palco, mas sim encostada em uma árvore, há uns 15 metros de distância. Ino, que, como sempre, estava quieta, observava tudo.
- N-não acha melhor ir falar com ela, Sasuke-kun?
Ele queria conseguir ficar bravo com Ino, mas da mesma forma, preferiu ir até Hinata, mesmo que ainda estivesse chateado. Ele mal percebeu os olhares que seguiram seus movimentos, em especial os de Menma e Sakura.
- O que você quer? - A voz saiu mais violenta do que ele esperava. Ela não ligou.
- Eu só queria esclarecer o que aconteceu mais cedo.
- Tá tudo bem.
- Está claro que não.
Houve um silêncio carregado entre eles, mesmo com todos os tambores, músicas e pessoas ao redor.
- Eu... - Ela parecia estar com problema em dizer algo. - Olha, o que eu vou te contar tem de ficar entre nós. - Ela respirou fundo antes de admitir aquilo que só guardava pra si. - Depois de que tudo aconteceu, eu desenvolvi alguns problemas com... Intimidade. - Parecia ter tirado uma pedra da costas, mas reconheceu o olhar confuso de Sasuke. - Quer dizer que, algumas vezes, quando pessoas me tocam, eu tenho uma reação, um tanto exagerada. Por tudo que aconteceu.
Ele sabia que ela estava falando da morte do filho dela, mas ele não conseguia associar como aquilo poderia ter desenvolvido problema de toque em uma das mulheres mais fortes que já havia conhecido. Ela olhava para o outro lado, relutante. O por-do-sol atrás dela criava uma silhueta.
De repente, risadas fizeram ambos se virarem na direção do grupo, todos estava rindo de algo que Menma dissera. Sasuke se voltou para Hinata. Ela mordia seu lábio inferior. Ela nem podia dividir o mesmo espaço que Menma e isso a forçava a se afastar de seus amigos. Ele não sabia bem o que dizer. Seria mais fácil se estivessem tomando chá na casa dela, olhando para o belo, quieto e pacífico jardim. Ele estava a ponto de sugerir que eles fizessem isso, quando se lembrou de que ela tinha uma missão, naquela noite.
- Não acho que você deveria ir a essa missão esta noite.
- O quê? Eu não vou a missões há um bom tempo. Não estou em "condições emocionais." - Ela rolou os olhos, no fundo sabia que era verdade, mas não queria admitir.
Sasuke abriu a boca para dizer algo quando um ANBU apareceu e entregou um pergaminho a Hinata, desaparecendo logo depois. Sasuke quase bateu a testa na árvore. Ele ia matar Menma.
- Menma é um grande imbecil. - Sasuke grunhiu enquanto olhava para o amigo mencionado. Hinata tentava desvendar o Uchiha enquanto lia o pergaminho. - Não quis dizer que ele tem momentos idiotas, como todos nós. Quis dizer que é a natureza dele, ser um imbecil. - Ele disse, entredentes.
Hinata quase concordou, mas se lembrou de quem ele falava, então só riu.
- Você não devia...
- Eu devia sim. Fala sério. Você sabe porque ele te deu essa missão? Menma é um absoluto cu... - Ele não se importou em terminar sua frase. Olhou para ela. No passado, ela teria xingado Menma ainda mais que ele. Ela estava... fraca. Ele queria ajudá-la a voltar ao normal. Menma estava errado em designá-la para uma missão. Ela já fora muito forte, hoje, por outro lado... - Por que facilita tanto pra ele? Depois de tudo que aconteceu.
Ele olhou e viu Menma finalmente deixando o grupo.
- Ele faria de tudo por você. Por cada um de nós. - Ela respondeu, séria. Falava a verdade.
- E daí? Você quer fazer tudo por ele, como antes? Ainda quer isso?
- Eu não... Inferno, Uchiha, você está sendo um porco egoísta. - Diferente do normal, ela não gritou.
- E você está sendo covarde. Eu mal te escutei. - Ele viu uma chama de raiva no olhar dela e sentiu uma faísca de esperança
- Eu disse que você está sendo um porco egoísta. - Ela não gritou, mas disse aquilo muito mais alto.
- Eu definitivamente não estou sendo egoísta, Hina. - O jeito como sua voz soou o pegou de surpresa. Ele não queria pensar no que aquilo significava. E se perguntava se ela conseguia perceber que ele estava tendo uma epifania.
Sasuke suspirou. Olhou para ela, a pele clara, o cabelo índigo e os olhos sem cor que pareciam tão confusos.
- Não vai nessa missão.
- Você está duvidando das minhas habilidades, Uchiha? - Ela franziu as sobrancelhas.
- Sim. - Os lábios dela se contraíram em uma linha irritada, o olhar estático.
- É pelo que eu acabei de te contar?
- Sim.
Ela cruzou os braços e balançou a cabeça num misto de fúria e desânimo. Irritada, desapontada e se sentindo até um pouco vulnerável, porque seu único amigo estava fazendo chantagem emocional com ela daquela forma.
- Boa noite, Uchiha. - Ela simplesmente se virou e começou a andar. Ele foi até ela com o intuito de segurá-la, mas se lembrou da confissão de poucos minutos atrás e forçou suas mãos a irem para os bolsos.
- Não precisa provar nada pra ele, não precisa ir nessa missão. - Era estranho Sasuke suplicar algo, mas era menos estranho suplicar para Hinata. Aquilo era tão surreal que ele estava quase gritando para que ela não fosse. Ele queria saber o que era essa teia que ele e Hinata estavam se amarrando.
- Não se dê ao trabalho de se preocupar comigo. - Ela disse, indo pegar o interrogatório da missão, deixando ele a se perguntar porque ele se preocupava tanto novamente.
