Quando chegou ao topo da colina das flores, uma picada de ansiedade fez o coração de Hinata dar um pulo, e ela tomou um gole de água, para tentar mascarar isso. Olhava para os vermelhos, brancos e roxo em flor, por colinas e colinas, se assemelhando com um grande tapete.
Ela ficou próxima aos limites do campo, escondendo sua presença de baixo da sobra das árvores e mascarando o chakra. Ela espalhou óleo de citronela no corpo, com o objetivo de disfarçar sua essência e, de quebra, manter os mosquitos afastados.
Ela estava rastreando as florestas desconhecidas por quase duas semanas, agora. Andar pelas árvores era proibido nesse território, já que haviam casas nas mesmas, que acabavam sendo postos de observação. O que queria dizer que ela tinha de fazer do jeito antigo, caminhando através do denso labirinto da selva. A vegetação era grossa e as árvores alcançavam alturas impressionantes, os troncos eram acorrentados por vinhas que se pareciam, estranhamente com intestinos. As folhas gigantes dessas árvores ofereciam proteção do calor do sol e dos olheiros, mas faziam a atmosfera semelhante a uma gigante, enevoada e fervente panela. O ar era nebuloso e quente, fazendo-a soar muito. O terreno era cheio de inclinamentos íngremes e ravinas profundas. E ela andou por eles usando o mínimo de chakra para ajudá-la.
Hinata ativou seu byakugan mais uma vez e analisou a área. Estava quase cercada de ninjas inimigos, que ainda não haviam percebido sua presença. Aumentando seu alcance, ela percebeu uma vila, a primeira adaptada ao chão, aninhada do outro lado da crista daquela colina. Ela procurou e procurou, e viu uma pessoa em particular que interessaria ao Hokage. Ela focou no rosto dele e notou o olhar transparente em seus olhos e a fraqueza de seu corpo enquanto descansava em uma esteira de palha em uma sala pequena. Ela desviou o olhar da visão lamentável, se sentindo incomodada. Ela precisava voltar para trás, a situação estava tensa. As poucas pessoas que tinha visto antes estavam no alto das árvores, os civis tentando atuar como olheiros militares, mas Hinata não se preocupou com nenhum deles, especialmente porque que eles não tinham notado a presença de uma jounin no chão. Mas, esta jounin estava quase cercada por ninjas inimigos. Hinata se sentiu sortuda por conseguir estar na única área sem ninjas perigosos. Ela memorizou a posição dos ninjas e começou a registrar o espaço em fotografias. Ela sairia pelo mesmo caminho, ou tentaria(ela tinha quase certeza que a floresta estava se deslocando sozinha) e se livraria o mais rápido e silenciosamente possível.
Ela mal se virou e andou vinte passos, e lá estavam três crianças olhando para ela. Uma delas era uma menina com um fixo sorriso largo que parecia de alegria ou diversão. A pele era queimada de sol e o cabelo avermelhado pela falta de vitaminas. Praticamente aderido ao seu quadril, estava uma criança menor, com o nariz irritado e o sexo indeterminável, e, atrás dos outros dois, um menino nu, todo sujo, chupando o polegar e olhando para a forasteira protuberante, curioso.
Se os deixasse vivos, iriam informar qualquer acampamento ninja que havia uma ninja inimiga na floresta. Se os prendesse ali mesmo, não seriam encontrados e ficariam expostos aos perigos da selva, aquilo seria desnecessário e cruel, especialmente se tratando de crianças inocentes. Matá-los resolveria todos os problemas, mas Hinata era contra isso e se manteve contra. Jamais ferir ninguém que não pode se defender.
Ao, fim, assumiu o risco de deixá-los vivos. Então, Hinata sentiu algo lancinante em suas costas, com tanta força que ela tropeçou e escorregou colina abaixo, batendo seus joelhos nas próprias órbitas com força, fazendo seus ligamentos vibrarem tanto que ela não conseguia controlar a velocidade, culpando ninguém além de si mesma. E quando ela inevitavelmente tropeçou em uma pedra e foi tombando e se torcendo no ar só para aterrissar com um duro baque que só a fez se sentir como se sua espinha tivesse se amassado, ela mal pôde reclamar. E quando ela escorregou e caiu em um fenda na terra, incapaz de se preparar para sua queda a tempo e sentiu seu pé esquerdo e quadril quebrarem em quebrarem em três lugares quando caiu na água de uma altura que a fez parecer concreto, ela não culpou ninguém além de si mesma. Mas, ela já tinha se acostumado a isso.
A água em que ela caiu era escura, não só pela falta de luz, mas pela poluição. Estava fedendo por causa dos restos de quaisquer animais que tivesse caído e morrido ali. Estava tão estagnado que parecia que não caía chuva o bastante naquela fenda, provavelmente pelo escudo de folhas que estava ali acima, nas árvores. Hinata escalou até uma pedra que estava alojada entre as paredes, notando, miseravelmente, que se chuva caísse continuamente por dois ou três dias, depois de um pouco enlameado, a água enlameada cairia na fenda, cobriria a pedra dela e ela acabaria se afogando, eventualmente. Ela já tinha notado que estava nas reservas de chakra. O que não era o bastante para curá-la e ainda subir por cem metros de parede de uma caverna escorregadia.
Ela observou a própria situação. Todo seu mantimento, incluindo suas pílulas de soldado, já eram. Algumas foram esmagadas na sua queda pela colina, outras destruídas quando ela caiu na piscina negra de putrefação. O chakra dela estava perigosamente baixo. O pé e o quadril estavam ferrados, mas diante do nível baixo de chakra, ela pensava em se curar e talvez tentar subir as paredes do jeito antigo. A flecha presa em suas costas estava perigosamente afundada entre suas veias, e fazia-a se sentir... desorientada. A passagem era tão estreita que quando ela caiu, sentiu que ralou o lado direito de seu corpo, incluindo seu rosto e ela sentia esse lado ardendo ferozmente. Ela havia ingerido um pouco da água fedorenta e sabia que a disenteria e a desidratação eram problemas iminente, fazendo sua ideia de escalar a parede sem chakra parecer inacreditável e fantástica.
Ela se lembrou de Sasuke. Ele estava na mente dela o tempo todo em brechas não contínuas e ela não havia notado que era ele que mantinha um estranho controle sobre parte de sua atenção. Ela só sabia que sentia culpa, pesada como uma âncora, que ela ignorava, porque culpa era uma coisa que ela estava acostumada a sentir. E agora ela se lembrava do preocupado e denunciante olhar que ele lhe deu quando ela disse "Não perca seu tempo se preocupando comigo." Ela não achava que ele perderia tempo. Mas, será que ele perderia?
Sasuke estava atrás da mesa do Hokage, entediado, se perguntando se ele poderia sancionar uma lei proibindo a produção, venda e consumo de ramen. De qualquer forma, ele relutantemente se lembrou do porque estava atuando como Hokage - porque seu tipo de autocracia não era o que o mundo precisava naquele momento. Menma já havia explicado por horas porque era necessário o voto do conselho. Sasuke não ligava. Qualquer homem na rua poderia dizer o que estava errado com a democracia, ou qualquer tipo de governo.
Ele olhou para a pilha de papelada e se perguntou se Menma tinha deixado de trabalhar nelas de propósito, para deixar o trabalho pra ele. Ele não gostava muito de desorganização. Preferia lugares espaçosos com poucos pontos de foco. A mente dele rapidamente associou isso para sua casa de infância. Ele imediatamente descartou o pensamento. O próximo exemplo que ele podia pensar era a mansão Hyuuga, principalmente o cômodo onde costumava jogar conversa fora com Hinata. O chão escuro de madeira, sempre reluzente. Uma memória o impactou, de repente.
- Gosto desse chão. - Ele disse para ela uma tarde, no começo da tentativa de amizade. O aroma de chá de crisântemo era forte em sua xícara. Chuva caía. Dali ele só podia ver a fina garoa que caía, acabando com a estabilidade do lago, do lado de fora.
- Hmm? - Ela perguntou sonolenta. Sua mente deveria estar em outro lugar. O foco dela nunca era ele
- Concentre-se, Hina. - Ele repreendeu-a com um sorriso. Ela rolou os olhos. - Eu disse que gosto do chão.
- Desde que você começou a vir aqui, essa é a primeira coisa que você me disse que gosta. - Ele não tinha muita certeza daquilo. Ela sorriu. - Está aprendendo a ser elusivo, Uchiha. - Ele achava que não deveria ser o único a falar. Mas, deu um sorriso que poderia dizer tudo. Ela notou, mas continuou. - A única coisa que sei, desde que voltamos a nos falar, é que você gosta muito de chá branco.
Ele decidiu pressioná-la, se tornara tão misteriosa quanto ele.
- Você deveria falar, também, Hina.
- Eu prefiro chá verde ou vermelho.
Ele franziu as sobrancelhas. Ele não estava falando daquilo e ela sabia. Ela deu um meio sorriso. Ele involuntariamente sorriu de volta. Talvez não saber muito sobre o outro fosse o que os impedia de brigar. E, no lugar, tomarem um chá quase sereno apreciando a companhia. Pelo menos era isso que ele pensava.
- Tem curiosidade, sabe, sobre mim?
- Bem, de vez em quando. Ao contrário do que você pensa, seu umbigo não é o centro do universo. - Ele não sabia exatamente como a resposta irônica de Hinata o fez se sentir. Tantas garotas gostariam e implorariam para saber tudo sobre ele, e lá estava a líder Hyuuga, dizendo que o umbigo dele não era o centro do universo. Parecia a adolescência toda de novo. Era sim que as garotas se sentiam quando ele dava um fora nelas? Ele estava pensando absurdos. Não deveria ligar. - Bem, de qualquer forma, devo supor que, se eu não te matar no futuro, nos conhecermos bem será uma consequência. Sabe, nossos gostos, desgostos e ambições. - Ponderou as palavras dela. De alguma forma anormal, aquilo o reconfortou. - Você deveria substituir o piso da casa de fazenda por esse. Descobrirei que tipo de madeira é essa. Você poderia colocar isolamento em baixo das tábuas, assim sempre teria uma casa morna.
Sasuke olhou para ela em confusão. Ela dizia que ele sempre fazia isso. Ele mencionava alguma coisa. Ela sugeria algo, sem ser irônica ou grosseira. Ele olhava para ela como se ela tivesse dito um absurdo. Ela levantava uma sobrancelha. E ele continuava pensando no que ela dizia.
- Parece uma boa ideia. Eu realmente gosto desse chão. - Ele se corrigiu. - Na verdade, eu gosto desse cômodo, eu gosto... - Ele disse, distraído enquanto seu olhar passeava pela sala, cercando-a, brevemente. Ela parecia um pouco surpresa.
- Eu gosto também, é relaxante. Como qualquer cômodo deveria ser. Fui eu quem projetou. - Ela revelou. - Eu queria que aliviasse meu estresse. Não gosto de desordem.
- Eu também não, por incrível que pareça.
Eles acabaram conversando durante a noite, escutando o som da chuva e reabastecendo as xícaras com chá a maior parte do tempo.
Enquanto ele olhava para a zona no escritório do Hokage, em especial na mesa de Menma, ele não entendia como ela podia aguentar Menma. Havia tanto que Sasuke não sabia sobre ela. Nos conhecermos bem será uma consequência. Ele se perguntou se ela estava bem, se Menma havia encontrado-a a tempo. Ele devia ter ido junto. Não se dê ao trabalho de se preocupar comigo. As palavras dela penetraram a sua mente. Ela não é da sua conta. Ele mandou seu foco para a papelada a sua frente. Estava agradecido por Menma ter deixado trabalho para ele. Ele precisava de uma distração.
Ela estava relativamente próxima ao rio, a única via de acesso de Mori no Kuni, mas ainda estava longe. Ela se sentia delirar. Seu estômago tinha espasmos e sua cabeça estava como se seu cérebro tivesse explodido. Sua visão estava nebulosa, como em um sonho, e, por um instante, Hinata se perguntou se seria tão ruim morrer ali.
Depois de tudo que aconteceu, seria isso tão ruim assim? Ela finalmente estaria com seu pequenino e poderia pedir perdão pessoalmente pela sua negligência. Ela de repente se lembrou da reunião que tivera com Menma antes de sair na missão.
Ela estava falando com Sasuke quando percebeu que Menma estava pedindo um encontro imediato com ele. Ela via ele rindo e sorrindo com Sasuke bem ao lado dela, veementemente analisando o seu ex-marido, quando, momentaneamente, Menma pareceu olhá-la diretamente. Ele levou o punho ao coração e bateu duas vezes. Para qualquer um, aquilo parecia que ele estava tentando tossir, ou algo assim. Para ela, era o velho sinal que eles usavam, quando estavam em festas, quando ele pensava nela, ou quando ele precisava ser resgatado de uma mulher irritante que não parava de tagarelar com ele. Era o código secreto deles. Mas, agora, ela reconhecia aquilo como ele querendo vê-la, simplesmente.
Ela deixou Sasuke na árvore, logo depois dele implorar pra que ela não fosse na missão, depois dele admitir que duvidava das habilidades dela. Ela estava chateada com ele. Ela foi até Menma, com sua antiga determinação pulsando em suas veias. Isso explicava porque ela estava indo até ele tão voluntariamente. Normalmente, ela iria procurar todos os tipos de desculpas para não ter de estar no mesmo espaço que ele.
Ela o encontrou no parque, há duas ruas do festival. Ele estava sentado em um dos balanços. Ela parou a sua frente.
- Eu pensei que você não viria.
- Não poderia negar um pedido do Hokage.
- Mas, poderia negar um pedido meu? - Ele disse, sorrindo, mas ela sabia que aquilo era uma farpa. Ela olhou para as árvores do outro lado, de repente, elas pareciam bem interessantes.
- Por que queria me ver?
- Você vai para Mori no Kuni. Um trabalho básico de reconhecimento. Não deve ser tão ruim. Quer dizer, você é uma caçadora, então, é seu tipo de trabalho. Eu sei disso. - A confiança firme dele nela a fez sentir desvalorizada, se lembrando do que Sasuke dissera. - Estou procurando por informações de algumas pessoas, em especial o sobrancelhudo.
- Lee.
- É, sabemos que ele está por lá há um tempo. Essa situação toda está bem complicada. Descubra o que puder. Há rumores de uma insurgência por lá também. Essa área é bem fechada e densa, precisamos de mais informação.
- Entendo. Vou fazer o melhor que posso.
Houve um silêncio tenso entre eles.
- Eu... - Ele limpou sua garganta. - Eu trouxe um pouco de bolo de chocolate da barraca da Sachiko-san no festival, para você. Eu sei o quanto gosta desse bolo e que não teria a chance de comer esse ano, já que sai em missão essa noite e estava meio ocupada dançando, conversando com o Sasuke e tudo mais... - Ele se arrastava com incerteza.
Ela foi pega desprevenida pela consideração dele que ela só encarou o pedaço de bolo envolto em papel encerado. As mãos dele ficaram estendidas por um tempo longo e inapropriado. Ele pegou as mãos dela e colocou o bolo nas mesmas. As mãos continuaram ali. Ela permitiu. Então, ela notou. E trouxe suas mãos para si, para longe do toque dele.
Mais um silêncio tenso entre ele antes dela se lembrar de toda sua etiqueta.
- Obrigada, Menma. - Sua voz ficou um pouco trêmula, percebendo que não dissera o nome dele por quase um ano inteiro.
- Por quanto tempo as coisas vão ficar assim? - Ela o encarou. Ele parecia tão dolorido. - Eu nem posso conversar com você como costumávamos fazer.
Ela abriu a boca para dizer... Dizer o quê? Tinham tantas coisas a serem ditas, que ela mal conseguia articular. Ela estava cansada de machucá-lo.
- Tenho que ir. Me preparar. - Ele pareceu atordoado pela súbita mudança de assunto, mas era bem adaptável.
- Ah, claro, você vai sair em missão, tem de arrumar suas coisas. Bem... Boa sorte. - Ele colocou a mão nos bolsos, balançando a cabeça levemente enquanto desejava sorte. Ela só fez o mesmo em resposta. Olhando para aquela imagem machucada.
- Obrigada. Pelo bolo. - Ela disse, se virando para deixá-lo. Estava mais para fugir dele. Na mente dela, só podia visualizar o rosto dele mascarando a dor. Ela queria parar de machucá-lo.
Se ela morresse ali, resolveria aquele problema, ela pensou taciturnamente. Ela finalmente seria punida por toda a dor que causara a Menma. Ela teve um conjunto de coisas preciosas por um tempo: Casada com Menma, seu filho já se mostrava sinais de que seria um prodígio com seu byakugan, era a regente do clã que todos respeitavam e toda missão que tinha era bem-sucedida. E então as coisas mudaram tão drasticamente. Ela podia morrer naquela noite ali na vala e ninguém ligaria. Ninguém sentiria a falta dela, ninguém ia chorar por ela e ela estava aceitando isso perfeitamente bem... Nem tão bem assim. Algumas lágrimas rolaram em seu rosto, queimando os ferimentos ali.
E, do nada, tão clara quanto a luz da manhã, ela ouviu a voz dele.
- Hina!
Assustada, ela olhou para cima, mas não viu nada na escuridão.
- Uchiha? - Ela sussurrou, sem obter resposta. - Sasuke? - Ela aumentou a voz, lembrando-se do quanto costumava gritar com ele. Queria que ele escutasse. Ela ativou sua kekkei genkai, mas não viu ninguém além dela mesma.
Estava presa em um genjutsu, só podia.
- Concentre-se. - Era a voz dele!
- Sasuke!
Ela se sentiu nauseada de novo. Se curvou um pouco para frente e vomitou. Seu estômago estava em colapso. O fedor da caverna submersa era sufocante. Se ela estava presa em um genjutsu, ela era a causa. Seus pensamentos estavam em todo lugar ao mesmo tempo. Quando o enjoo violento passou, ela sentiu o mundo inteiro mudar. Ela flutuava e afundava, simultaneamente. Ela não queria morrer!
- Concentre-se!
Ela ouvia a voz dele claramente e tentava se prender a ela. As costas dela doeram e ela se lembrou de quando ele acidentalmente a jogou de uma janela.
Seria tão simples desistir ali. Mas, aquilo não era coisa dela. Não era coisa de Menma e ela notou que também não era coisa de Sasuke. Ela queria provar a Menma que ele estava certo sobre ela, ela era capaz. E queria se vingar de Sasuke, deixando-o saber que estava errado sobre ela. Ela era capacitada como sempre fora. Ela não iria desistir. Ela nunca foi fraca. Ele não a conhecia.
Nos conhecermos bem será uma consequência. A memória da noite chuvosa veio de repente. É, ele precisava conhecê-la, para aprender que ela era capacitada e não iria desistir. Conhecê-la seria uma consequência.
Ela mordeu o dedo e fez os selos necessários.
Uma pequena lebre branca passou a estar na frente dela, descansando em suas pernas, seus olhos cor-de-rosa quase brilhando na escuridão.
- Hinata-sama! - A lebre olhou para ela, chocada.
- Inada-san, preciso de seus serviços. Tem de ir a Konoha e buscar ajuda.
- Claro.
A lebre desapareceu tão rápido que Hinata não tinha certeza do que havia acontecido. Ela ainda via os olhinhos cor-de-rosa dançando a sua frente. Com o pouco chakra que lhe restava, ela focou em curar o quadril e a perna, mesmo que parcialmente. Depois disso, ela iria escalar a parede estreita de pedra. Ela faria isso. Ela não iria desistir. Precisava voltar a ser quem era.
Ela se forço a ficar de pé, mesmo tremendo, e começou a escalada. O espaço era tão estreito que as costas dela quase se chocavam em alguns pontos. Seus dedos agarravam a sua vida, cada músculo em seu ser estava no limite, enquanto ela lutava contra seus delírios.
Quando a lebre apareceu do nada no escritório, Sasuke jogou uma kunai nela. Ela se desviou e franziu as sobrancelhas. Lebres tinham sobrancelhas?
- Jovem Uchiha, não tema. Sou Inada-san. Fui invocada por Hinata-sama. - Ela fez o contrato com uma lebre? Sasuke achava isso irônico. - Ela está em grave perigo.
- Eu sei. - Ele nem teve tempo de terminar de falar e a lebre começou a repreendê-lo.
- E mesmo assim, está sentado aqui, ociosamente!
- Uma equipe e o próprio Hokage estão em missão para resgatá-la enquanto conversamos. - Ele disse, calmo.
- E por que você não fez nada, Uchiha-san?
- Por que eu deveria?
A lebre pareceu lhe dar um olhar de reconhecimento antes de desaparecer. Ele tinha de parar com a atromorfização, pensou.
Não obstante, dois dias depois, a inação trouxe o melhor dele. Na madrugada ele se encontrou em uma das árvores próximas ao portão ocidental, enquanto pensava se deveria ou não entrar em ação. Ele não era muito bom em momentos de grandes ações heróicas, como Menma, mas se fosse atrás dela ia dizer tantas coisas que não sabia como dizer, sem dizer uma palavra. Se ele saísse agora para salvá-la, as ações dele diriam o bastante.
Um vento gelado soprou em seu cabelo assim que ele se decidiu. De repente, ele os viu a menos de um quilometro. Menma não tinha a especialidade de infiltração, e isso era notável pelo brilho amarelo do chakra da nove caudas. Ela estava em seus braços. O resto da equipe de resgate estavam bem atrás deles.
Sasuke rapidamente desceu da árvore e voltou para o escritório. Ele não tinha nada a dizer.
