A chuva caiu mais cedo, deixando o ar noturno rápido e penetrante. A neve ainda não tinha caído em Konoha, mas especialistas no clima (lê-se velhas senhoras fofoqueiras) declaravam que aquele seria o ano em que neve cairia em Konoha. Todos estavam animados e crianças quase explodiam em frenesi. Sasuke entendia, mesmo que detestasse a neve, Hinata, por outro lado, queria esconder, mas realmente apreciava a neve. Ela sabia porque, era mais uma memória associada a sua mãe, mas nunca dizia aquilo. Enquanto isso, via o ódio do Uchiha a neve como mais um de seus atos melodramáticos.

- Melodramático? De quem você tá falando, Senhorita "Eu Não Tenho Medo de Morrer Te Protegendo Porque Eu Te Amo"? - Sasuke disse enquanto varria a poeira de serra para uma pá. Observou do canto de olho Hinata tensionar os ombros. - É, eu lembro, Hina. - Ele viu a face dela se fechar, como esperado, mas algo novo surgiu: uma respiração profunda para diminuir sua irritação. Em seguida, levou a lata de lixo até ele, para que ele depositasse a poeira.

Por um momento, apenas ficaram parados observando os pilares de madeira que haviam terminado de polir. Uma inesperada lufada de vento soprou pela porta e pelas janelas, soprando o longo cabelo de Hinata no rosto de Sasuke. Ela se moveu para impedir as madeixas, mas ele foi mais rápido e agarrou as pontas dos cabelos dela. O momento seguinte foi... estranho para ambos, para dizer o mínimo. Foi apenas por poucos segundos, mas haviam compartilhado alguma intimidade, um olhando para o outro, ambos segurando o cabelo dela, sem quebrar o contato visual. Ele afrouxou o punho deixando as madeixas caírem, como água em suas mãos.

Era esquisito, ele diria. Estranho para cacete, ela diria. Ambos tentaram encontrar algo para fazer, já que não encontravam palavras para dizer.

Ele se moveu até a cozinha, pensando na comida do jantar, ou pelo menos tentando, sem conseguir tirar a cena vivenciada a poucos. Quando Sasuke se virou viu a ex-líder Hyuuga na entrada, calçando seus sapatos silenciosamente.

- Para onde você vai?

- Casa. - Hinata disse, sem olhá-lo realmente, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo, em uma prevenção interna para que a cena não se repetisse. - Você deveria ir também, Uchiha, não comeu hoje.

- Na verdade, estava pensando em fazer um guisado no irori. - Ela finalmente olhou para ele.

- Então o chef vai finalmente mostrar seus dons? - Sasuke sentiu a ironia naquela interrogativa.

- Você ainda acredita que não sei cozinhar. - Ela lhe deu um olhar. Era difícil de acreditar que alguém como ele tinha dons culinários. - Pode jantar comigo, pagamento pelos serviços de hoje.

- Pagamento em guisado? Pelo menos os gennins recebem dinheiro. - Ela deu um sorriso de canto.

- Hyuuga-Hime gananciosa. - O sorriso dela pareceu mais caloroso. Sasuke se sentiu um tanto hipnotizado. Mudou de assunto o mais rápido que pôde. - Sabe, acho que eu já poderia me mudar pra cá.

Ela continuava parada na entrada.

- Ainda não. Tem de concertar os banheiros internos, além do encanamento ainda estar bagunçado. A menos que queira usar o banheiro externo.

- Hmm. Banho sob as estrelas. - Sasuke disse com seu típico sorriso.

- Por mais romântico que possa parecer. - Ela apontou, irônica. - Está congelando, caso tenha esquecido. - Trazendo ele de volta para o chão, pensou uma solução, já que ele pensava em se mudar. - A menos que queira fazer do jeito antigo, tranzendo água do poço para ser aquecida aqui dentro.

A resposta de Sasuke se iniciou em uma careta.

- Só vou me fazer passar por tanto esforço se os clones do Menma fizerem a parte pesada por mim. - Ao ouvir o nome de seu ex-marido, Hinata tensionou-se, seu pequeno sorriso voltou para dentro de si. Sasuke olhou rapidamente para os olhos dela, que agora não tinham apenas a cor da neve, mas a frieza e o dureza do inverno também. Era uma súbita apatia, que ele conhecia bem. acontecera com ele várias das vezes que mencionavam Itachi.

- É melhor eu ir. Até, Uchiha.

- Eu te acompanho, devo voltar ao apartamento mesmo.

Ela esperou ele colocar os sapatos e fechar a porta da frente. A lua se escondia por trás das nuvens, deixando o caminho escuro. Eles se afastavam da casa através do caminho de pedras. O frio consumia qualquer pele exposta. O vento uivava através das árvores. Ela parou subitamente.

- Droga... Eu não quero ir para casa. - Sasuke deu tempo para que ela se explicasse. - Estão me esperando porque Hanabi organizou um jantar de aniversário idiota pra mim.

Ele ficou surpreso em descobrir que era aniversário dela, principalmente porque ela passou a tarde toda ajudando ele na casa, como se fosse qualquer outro dia.

- Não quer ficar com sua família hoje? Sério? - Ela concordou seriamente.

- Eu só... - Prefiro ficar com você, porque você não me obriga a agir como se eu estivesse feliz. Ela completou mentalmente. - Eu me sinto culpada porque sei que ela se esforçou, mas eu não quero ir.

Sasuke estava em silêncio, um comportamento estranho, mas que ela apreciava mais que a faladeira constante. Ele estava pensando em um conselho para dar a ela. Ele sabia que ela dispensava festas. O Uchiha, por outro lado, apreciava esse tipo de diversão e sabia que alguma diversão familiar poderia fazer bem para Hinata naquele momento. Além disso, sabia que por se tratar de um evento feito para ela, a culpa tomaria conta dela se não fosse, mesmo que ela não admitisse.

- Você não deveria deixar sua irmã na mão, ela se deu a esse trabalho todo.

- Eu não quero ir. - A familiaridade de Sasuke a voz da Hyuuga ajudou a perceber um leve tremor.

Ele sabia que ela diria isto. A teimosia era provavelmente sua característica mais visível.

- Certo, vamos andar então.

Eles deram a volta para retornar ao seu ponto de partida, mas não entraram na casa dessa vez. Sasuke indicou a ela a parte de trás da casa, onde puderam se sentar em troncos e observar as luzes de outras casas a distância. Ele acendeu uma fogueira (usando fósforos, dessa vez), que os deixou hipnotizados pela dança das chamas por um tempo. De repente, ela perguntou:

- Que tipo de guisado ia fazer?

- Nada muito elaborado, só carne com legumes. - Sasuke sentiu o subtexto daquela pergunta. Hinata estava com fome. - Vamos para dentro, tenho os ingredientes.

Sasuke apagou a fogueira antes de ir para dentro. Hinata estava se sentindo secretamente grata a ele e se ofereceu a ajudar da única forma que podia: cortando a carne e os legumes. Entretanto, quando foi a cozinha, achou algumas tigelas, dois pratos, dois copos de isopor e quatro pares de hashis, mas nenhuma faca.

- Uchiha, você tem alguma faca? -Ela disse da cozinha, alto o bastante para que ele ouvisse enquanto acendia o irori.

- Não. Por que não usa sua kunai? Deve ter mais domínio com ela mesmo. - Após acender o irori, Sasuke resolveu aproveitar da boa vontade rara da Hyuuga. - Pode me trazer uma panela com água?

- Aqui. - Ela não demorou e lhe estendeu uma panela cheia de água. Hinata não o encarou. - Minhas armas precisam ser afiadas.

Estava confuso em ouvir aquilo, mas preferiu não questionar, só puxou uma de suas próprias kunais e colocou-a no fogo para esterilização, antes de passar para ela. Ela deu um meio sorriso, mas seus olhos falavam outra coisa. Estavam frios de novo, por que aquilo?

- Me deixe afiar as suas armas enquanto espero a água ferver, então. - Hinata pausou como se fosse recusar a ajuda, no entanto, passou suas armas silenciosamente a ele e se dirigiu para a cozinha.

Instantaneamente Sasuke notou uma coisa: Todas as kunai e shuriken de Hinata estavam tão cegas que não cortariam um pedaço de queijo em em um dia quente.

Hinata voltou com quatro tigelas: uma com a carne de porco (cortada grossa demais, Sasuke percebeu), outra com os vegetais e duas vazias, além de dois pares de hashi. Ela sentou no lado oposto dele no irori e começou a conversar assim que entregou a ele as tigelas.

- Fiz o melhor que pude, sei que estas coisas tem molho, mas isso é com você. Se estiver muito grosso...

- Hinata, por que suas armas estão cegas desse jeito? Você não tem treinado?

- Eu não tive tempo de afiá-las. - Ela evitou o olhar dele enquanto passava um par de hashis.

- Hina, olha pra mim. - O estranho tom de seriedade a forçou a encará-lo. - Você sabe que não é seguro andar com armas cegas. Por que elas estão nesse estado? Você não deveria sair em missão com armas assim. Por que elas estão assim?

O olhar dela estava vazio. Ele esperou pacientemente pela resposta dela. Mas, ela não estava escutando. A mente dela estava longe, no aniversário dela de dois anos atrás. Você me fez parar de ir em missões. Você não confia em mim? A voz dela ecoava em sua própria mente. Ela balançou a cabeça, podia praticamente enxergar Menma a sua frente.

- Hina? - A preocupação de Sasuke cresceu. Os olhos estavam fechados e ela tremia. Balançava a cabeça como quem tentava se livrar de um mosquito. Parecia perdida dentro da própria mente. Ele se levantou e parou perto dela. Chamou-a delicadamente, tendo cuidado para não tocá-la. - Hina. Hinata, me escuta. Hinata.

Ela estava ouvindo. Ele notou que ela estava praticando um exercício de respiração. Quando se acalmou, olhou para ele, seus olhos estavam avermelhados.

- Uchiha, me desculpe.

- Se desculpando?

- Hoje não é só o meu aniversário. Hoje fazem dois anos que pedi o divórcio a Menma.

Ocorreu a Sasuke que Hinata ainda poderia amar Menma e esse pensamento o fez sentir-se estranho. Era como se alguém tivesse chutado-o no peito e forçasse seu coração a ir direto ao seu estômago. Foi então que ele se lembrou de como era se sentir atraído por Hinata.

Não era uma sensação nova para ele. Tinha passado boa parte da adolescência assim. Claro que ele se atraía por outras garotas, saíra com várias garotas bonitas em sua vida, mas tudo era superficial e acabava rápido. O que assustava nele quando se tratava de Hinata era que ele sabia, naquela época, que não era só físico, um pensamento que assustava profundamente ao Sasuke de 16 anos. Foi aí que começou a mentir para si mesmo dizendo que somente o corpo da Hyuuga lhe atraía, mas ele sempre soube que era mentira. Sabia melhor ainda naquele momento, porque depois de cozinhar aquela estranha relação em fogo brando por meses, estava sentindo tudo de novo.

Ao revelar isso a si mesmo, endireitou a postura, se virou e saiu. Quando passou pela porta, notou que ela nem havia chamado-o.


O choro alto podia ser escutado mesmo antes de Menma atender a porta. Quando ele o fez, Sasuke viu Menma com um bebê no colo e outro Menma balançando o carrinho de bebê para frente e para trás, com outro bebê chorão.

- Cadê a Sakura?

- Acho que ela acabou de me deixar.

- O quê? - Sasuke perguntou em confusão quando Ryuichi lhe foi entregue. Menma dispensou seu clone. O garotinho se remexeu e gemeu no colo de Sasuke.

- A gente brigou. Ela disse que não era só babá dos meus filhos e saiu. Eu tentei parar ela.

- Tá falando sério? Ela te deixou?

- Não, ela só disse que precisava de um tempo. Deve estar na Ino. - Menma nem esperou um comentário do amigo. - Mas parece que ela me deixou, tivémos uma briga bem feia.

Sasuke se lembrou do que Hinata havia dito e percebeu a razão de porque o que parecia ser um briga normal fez Menma se sentir como se seu mundo estivesse caindo... mais uma vez.

- Por que eles estão chorando? Já tentou usar um clone que se pareça com a Sakura?

- Tentei. Ryuichi está com gases. Teinosuke está mal-humorado porque o irmão não deixa ele dormir. - Menma olhou para Sasuke. Aquilo era um claro grito por socorro.

Levou em torno de uma hora, mas finalmente os garotos estavam dormindo em seus berços. Eles pareciam pacíficos e bem fofinhos, bem diferentes dos pequenos diabretes gritadores de uma hora atrás.

- Cara, eu agradeço muito. Como sabia que eu precisava de ajuda?

Sasuke deu de ombros. Ele não tinha vindo para ajudar, mas não sabia como tocar no tópico desejado sem que ouvisse que deveria cuidar de sua vida, mas decidiu que sinceridade continuava sendo a melhor política.

- Hoje é aniversário da Hina...ta. - Se lembrou de não chamá-la pelo apelido, para não tornar aquilo mais estranho do que realmente era. Menma estava colocando as mamadeiras sujas na pia. Sasuke conseguia vê-lo do sofá.

- Eu sei. Você passou com ela? - Menma perguntou. Estava de costas para Sasuke, então sua expressão fechada não foi vista.

- Mais ou menos. - Menma se virou para ele como se pedisse explicação. - Ela está em um estado complicado... Me contou que te pediu o divórcio a dois anos. - Menma pareceu irritado.

- Eu me lembro.

- É por isso que está agindo assim? Por que acha que essa briga com Sakura vai acabar desse jeito?

Menma se debruçou sobre o balcão que dividia a cozinha e a sala.

- Eu só queria conversar com ela. - Sasuke não tinha certeza de qual "ela" Menma estava falando. - Eu só queria conversar, mas as coisas saíram do controle. Eu estava cego. Eu não sabia que ela já tinha essa ideia na cabeça. - Sasuke então percebeu de quem ele falava. - Até hoje me lembro dessa conversa e me pergunto o que eu falei de errado.

- O que quer dizer?

- Eu voltei para casa com um bolo para o aniversário dela. Era de rolos de canela, eu tinha encomendado. Estava desesperado em tentar qualquer coisa que fizesse ela sorrir um pouco de novo. Sabia que ela tem um sorriso maravilhoso? - Sasuke sabia que aquele era o motivo porque ele a provocava tanto. Não fazia isso com tanta frequência com ninguém.

"Você me fez parar de ir em missões. Você não confia em mim?"

- Aquela pergunta veio do nada. Eu tinha feito ela parar por uns dois meses e ela concordou. Ela estava sentada no escuro no nosso quarto. Quando eu acendi a luz vi que ela estava péssima, como se tivesse chorado. Ela tem uma cara de choro muito feia.

Sasuke concordou com a cabeça. Mesmo que tivesse visto o choro dela pouco, sabia que aquela cara não era das mais bonitas.

"Não é porque não confio em você."

"Não?"

"Olha pra gente. Nós não confiamos um no outro. Nós não somos mais os mesmos."

"Nós não deveríamos estar juntos."

"O quê?! Não foi isso que eu quis dizer. Não é isso que eu quero."

"Eu não quero mais estar com você"

- Ela estava falando com tanta calma. Estava fixa nessa ideia. - Sasuke concordou mais uma vez. Também conhecia a teimosia dela.

"Hinata, vamos ser honestos, falar sobre tudo honestamente."

"Certo. Você me culpa. Eu cometi um erro e você me culpa. Você não me vê como a mesma pessoa. Nós não confiamos um no outro."

"Não é verdade. Eu estou tentando. Não estou te culpando nem um pouco. Quero que nós consigamos seguir em frente. Estou te implorando para seguir em frente. Eu quero que um dia tenhamos outro filho. Nós conseguimos. Ainda podemos ter tudo isso - uma família feliz do Hokage e da líder do clã Hyuuga. É difícil ouvir, mas existe vida depois da tragédia."

"É tão fácil seguir em frente para você?"

"Não é! Mas eu estou tentando."

"Eu sei que você quer tudo. Você quer salvar o dia, ser o Hokage perfeito, ter a garota perfeita e contruir a família perfeita. Mas eu fodi tudo como sempre, fodi seu plano de mostrar pra todo mundo sua vida perfeita e feliz."

"Não é verdade. Eu só quero continuar a viver. Foi um acidente. Ninguém tem culpa. Você tem de aceitar isso."

"Você fez isso?"

"O quê?"

"Você tenta me animar, dizendo que eu tenho de seguir em frente, mas você me perdoou de verdade? Você tem marcas do que eu fiz dentro de você. E estão te consumindo. Você quer que eu compense pelo que eu fiz. Eu me sinto sufocada! Você está me sufocando!"

"Para com isso."

"Você está me sufocando! Me deixa em paz!"

"Você se sente sufocada? Eu tenho de assistir você carregar esse fardo sozinha. Por que não me deixa ajudar? Você não é a única perdida. Eu tento, de verdade, mas você se perdeu fundo demais. Eu tenho que medir as palavras perto de você."

"Você não tem mais."

"O quê?"

"Eu quero o divórcio."

- E foi assim. - Menma encolheu os ombros. Ele andou até a geladeira para pegar uma cerveja e lançou uma para Sasuke. Sasuke não abriu. Se houvesse a possibilidade de ver Hinata, não queria beber. - Você acha mesmo que ela acha que eu não ligava? - Menma se sentou no sofá com Sasuke. De certa forma, algo na aproximação do amigo e Hinata o deixava meio feliz, já que poderia usar disso como meio de obter respostas.

Sasuke ficou calado por um tempo. Seu pé balançava o berço de Teinosuke. Ambos os filhos de Menma tinham seu cabelo moreno e bagunçado.

- Para todo mundo parece que sim. - Menma não disse nada, só continuou a bebericar a cerveja. - Ela te afastou porque não queria te levar para baixo no sofrimento dela. E aí... - Sasuke não terminou a frase, só fez um gesto para demonstrar que falava de toda a vida atual de Menma.

O Uchiha se perguntou então sobre quem estava pior. Era Hinata, a mártir torturada que escondia toda a dor que sentia, dando razão para toda tragédia que acontecesse no caminho porque ela acreditava que merecia? Ou era Menma, que foi afastado e acabou sendo abençoado pela vida com coisas que ele não achou que merecia, justamente pela culpa dele? Todos julgavam Menma como um bastardo enquanto Hinata era alvo de pena.

Sasuke soltou um uma risada abafada. Menma o encarou em dúvida.

- Pensei que o inferno ia esfriar quando eu fosse o mais bem-ajustado.

Menma olhou para ele e começou a rir. Sasuke sorriu.

Foi então que Sakura entrou.

- Sasuke-kun?

Sakura olhou para a cena feliz a sua frente: seus garotos dormindo pacificamente em seus berços e seus dois outros garotos sorrindo no sofá. Ela não pôde evitar o sorriso.

- Gostaria de comer alguma coisa?

Sasuke se perguntou o que fazer. Mesmo com o sorriso, Menma estava terrivelmente infeliz. Mas Hinata também estava.

Ele se levantou.

- Não, obrigado, tenho jantar me esperando em casa.

Sakura olhou para ele em confusão. Sasuke tinha jantar o esperando e casa? Hein?


Ele não estava realmente esperando que ela ainda estivesse ali quando ele voltou para a casa de fazenda. Foi uma surpresa agradável vê-la ali, mesmo assim. Ela adormecera perto do irori, com tigelas cobertas perto dela. Assim que ele pisou dentro da casa, ela acordou e sentou.

- Por que não foi pra casa? - Ele perguntou ao se sentar perto dela.

- Por que saiu daquele jeito?

- Não quero conversar sobre isso.

- Eu também não.

As janelas estavam abertas de novo e o interior da casa estava fresco, e ventava. O cabelo dela foi assoprado para o rosto dele mais uma vez. Ele segurou a mecha mais uma vez, mas ela não tentou pará-lo. Ele decidiu por fazer um gesto ousado. Ele se curvou e colocou cabelo atrás da orelha dela. Os olhos dela se ampliaram, em choque, mas não quebraram o contato visual. Ele se afastou lentamente.

Ali estava de novo.

Sasuke só confirmou o que já tinha se tocado naquela noite. Hinata poderia amar Menma. E Menma poderia estar sofrendo pelo que acontecera com eles. Mas Sasuke sabia o que existia entre ele e Hinata. Era potencial.