Capítulo 02

Uma barragem composta de pedras e madeira estocava um reservatório de água, utilizados nas lavouras da pequena vila próxima. Sua cor era de um cinza escuro, e sua largura era de dois passos mais ou menos. Olhando pelo lado de fora, tal represa parecia forte, firme, não dobrável, fixo para sempre. Mas as pessoas que conservava a represa não sabiam como ela estava debaixo da água. Mergulhando mais e mais profundo, atravessando as águas amarronzadas do rio, e se aproximando próximo onde as pedras tocavam na lama do fundo do rio, seria capaz de ver uma profunda cicatriz na primeira pedra colocada na represa. Um rachado enorme e profundo deixava a represa frágil naquele lugar. Neste ponto da represa, alguém conseguiria atravessar a represa usando apenas uma das mãos, e não os passos de sua largura. Ela permanecia parada, esperando apenas uma oportunidade para se quebrar.

Até que a oportunidade pareceu.

Durante o amanhecer de um dia nublado, o chão da pequena vila começou a tremer. O mecânico e sua esposa, que estavam deitados sobre uma confortável cama de madeira, ele com um tampão nos ouvidos e nos olhos, pois testava estes novos inventos a serem vendidas para a família Bem Fong, e ela abraçando-o e dormindo tranqüilamente, sentiram a cama tremer. Ela acordou e olhou para o marido, estranhando o acontecimento. Ele acordou, retirando o tampão das vistas e comentando:

- O que aconteceu? O Teo caiu do berço de novo?

Os dois olharam para a parede de madeira do quarto, e perceberam que ela vibrava. O homem pulou rapidamente da cama, vestindo seus chinelos de madeira e gritando:

- Terremoto. Temos que pegar rapidamente o Teo e sairmos da nossa casa. Jusata, saia rapidamente daqui que eu o busco.

A mulher correu, tentando se equilibrar e não cair com a tremedeira do chão. Ela podia ouvir as madeiras trincando, pratos de louça caindo e quebrando no chão, alem dos lampiões desligados na sala caindo. Ela abriu rapidamente a porta da sala e viu as pessoas na rua, olhando desesperadamente para as casas que tremiam.

O pai subiu as escadas a saltos largos, pisando várias vezes fora de seu chinelo e de olhos arregalados e bufando por causa do esforço físico. Ele entrou no quarto e viu o pequeno garoto escondido debaixo dos travesseiros. Ele não chorava, mas tinha os olhos brilhantes e assustados, alem de sua boca mostrar preocupação. Correu na direção do filho, pegando-o nos braços, ouvindo a fraca voz de seu filho:

- Papai, o que está acontecendo?

O pai colocou um pano sobre a cabeça do menino, respondendo:

- É um terremoto.

Em seguida, escondendo o corpo da criança sobre o seu, correu para fora da casa. Ao alcançar o pátio externo, o tremor cessou automaticamente. As pessoas que se acumulavam na rua estavam todas assustadas e preocupadas. Crianças choravam e berravam. Animais latiam e uivavam.

O homem encontrou a esposa sentada no chão, com o joelho roxo devido a uma queda, e a abraçou, ainda com o garoto no colo. Ela estava angustiada e o abraçou ainda mais forte. Depois do abraço, ela colocou a mão no rosto do garoto, acariciou o rosto, falando:

- Não se preocupe, o terremoto já acabou. Foi só um susto.

O pai o colocou no chão e disse sorrindo:

- Eu não disse que não lhe deixaria acontecer nada com você?

Em seguida, os três se abraçaram, abaixados para alcançar o garoto, e de olhos fechados, tentando segurar as lágrimas que tentavam escorrer.

Um morador da vila estava passando próximo à barragem um pouco depois do terremoto. Ele estava com o seu chapéu de palha, barba enorme e branca, trapo que lhe cobria o corpo além de seu mau humor por ter que enfrentar "a tremedeira do chão" no meio da viajem. Quando estava a apenas dezoito passos da represa, ele ouviu alguma coisa estralar. Ele falou sozinho:

- Pelas marmotas trepadeiras, o que foi esse som?

Ele correu em direção da represa. As pedras pareciam estar firmes e fortes. Ele respirou aliviado e pensou, enxugando o suor da testa com a manga de suas vestes:

- Ainda bem que não foi da represa este barulho!

Neste exato momento, as pedras da represa que ficavam do lado de fora da água começaram a tremer, emitindo um estranho barulho de pedra sendo quebrada. O homem suou frio, quando a represa parou de tremer de repente.

- Vixe, pelas barbas do profeta, preciso avisar o chefe do vilarejo logo deste problema.

O camponês saiu correndo, levantando poeira com os seus pés ligeiros. Enquanto isso, dentro das águas barradas, na cicatriz que existia na rocha, o buraco havia aumentado com o tremor do terremoto. E a cicatriz ia crescendo cada vez mais e mais, espalhando para as rochas vizinhas, transformando o buraco um risco do tamanho de duas casas empilhadas uma sobre a outra. E ela crescia cada vez mais.