Capítulo 05

A vila estava arrasada. Muitas pessoas estavam mortas. Casas estavam no chão, com suas coisas espalhadas pelas ruas da vila. Os sobreviventes buscavam por outros sobreviventes.

O mecânico estava ao lado de onde era a sua casa, mas que agora só havia destroços de madeira molhada e quebrada, junto com alguns pedaços de pedra. As pessoas que ali estava puxavam as toras para o lado, procurando por sobreviventes. Mas o homem não tinha esperança. Ele ficava imaginando sua família sendo levado pelas águas, engasgando e se afogando com a tormenta e sumindo da face do planeta. Ele não conseguia falar uma palavra, não tinha força, nem esperança.

Um amigo se aproximou dele e, colocando suas mãos sobre o seu ombro, já que o mecânico estava sentando, falou com tentativa de o animar:

- Quem sabe não encontramos a sua família viva? Não perca a esperança.

O mecânico não se virou, não se levantou. Respondeu com a mesma voz triste e fraca, enquanto olhava para uma pequena pedra arredondada e a pegava:

- Certas horas, termos conhecimento e sabermos como as coisas funcionam é ruim. Eu tenho conhecimento de quanto destrutivo é uma enxurrada de água daquele tamanho. Assim como estudei sobre terremotos, estudei sobre este problema. Pelas contas, a chance de alguém estar vivo é pequeno.

O homem ficou ao seu lado mais um tempo, tentando consolar, mas sem sucesso. De repente, alguém gritou por entre as toras de madeira:

- Aqui, aqui. Encontrei corpos de pessoas aqui.

O dono da casa destruída correu na direção da voz, levantando-se a um salto veloz. Ele passava por entre os entulhos, equilibrando-se para não tombar naquele terreno irregular. Próximo, ele pode ver o rosto de sua esposa soterrada por entulhos cinzas e pelo barro deixado pelo rio. Ele se ajoelhou do seu lado, e então acariciou seu rosto completamente pálido de forma vagarosa. Sentiu a sua pele fria e sem vida, enquanto se lembrava do dia que a viu pela primeira vez, na sensação estranha daquele momento, que mais tarde descobrir ser amor. Ele afastou a franja sebosa por causa do barro e da sujeira e pode contemplar melhor e pela última vez Jusata.

O homem começou a escutar um pequeno choro de criança. Um abafado choro infantil parecia vir de dentro do corpo da mulher. Mas isso era estranho. O homem disse gritando:

- Silêncio, estou escutando algo. Estou escutando choro.

Todos a sua volta, com a cara suja de barro e poeira, calaram-se. Ele colocava o ouvido mais próximo do corpo da mulher. Debaixo dela, enterrado entre os entulhos, existia um pequeno garoto, de cabelos escuros e olhos fechados, que não se mexia, mas estava bem vivo.

- Teo, é você meu filho? – disse se desesperando, tentando retirar as toras de madeiras, mas não conseguindo devido ao grande peso.

Em resposta, pode ouvir uma voz fraca e quase sumindo:

- Papai?

O rosto do mecânico se iluminou, deixando seus olhos novamente brilhante e escorrendo lágrimas. Falou para todos novamente com vida em sua voz:

- Meu filho está vivo, meu filho esta vivo. MEU FILHO ESTÁ VIVO.

Todos correram na sua direção sorrindo e festejando uma notícia boa no meio da tragédia. Ele e a multidão começaram a retirar o entulho sobre o pequeno corpo. Após muito tempo, eles conseguiram liberar a criança dos escombros e foi rapidamente colocado sobre uma reta tábua de madeira. Ele pode ver um gravíssimo ferimento na região de sua coluna. Quase era possível ver os ossos saindo do local do ferimento.

O pai sabia, aquilo traria seqüelas para toda a vida do garoto. Prometeu para si mesmo, vendo o pequeno corpo de Teo sendo levado pelas pessoas para longe dos escombros e na direção do centro dos machucados:

- Eu prometo, e desta vez vou cumprir: não vou deixar que esta tragédia seja uma cela para a sua vida. Prometo sobre o corpo de minha amada esposa.

Os sobreviventes da tragédia andava sobre um pequeno caminho entre as montanhas, avançando sobre a neve branca, subindo para acima das nuvens e quase alcançando o céu. O mecânico ia à frente, empurrando uma pequena cadeira, onde Teo dormia, agasalhado por dois pares de manta bege e lilás.

- Tem certeza que existe ruínas ao fim desta montanha?

O homem conseguiu ver ao alto, a alguns metros de distância de onde estavam as paredes de um templo abandonado. Ele sorriu e disse apontando para o local:

- Veja, eu disse que existia. E como eu disse, um local bem longe de rios e de represas. No alto da montanha não precisaremos mais preocupar com isso.

Ele olhou para seu filho, e sorriu, despedindo-se mentalmente de sua esposa e prometendo-lhe:

- Adeus minha amada. Prometo fazer estas ruínas o nosso querido lar.

FIM