Disclaimer: Gundam Wing não me pertence, assim como seus personagens.

Casal: 1x2

Gênero: Yaoi, Angst, Drama, Romance.

Sinopse: Após conhecer o glamour e o lado negro da fama percebe que apesar de todo o dinheiro e luxo do qual vive cercado sua vida não passa de uma grande mentira inconformado com a figura patética na qual se transformou em meio a crises de identidade passa a se alto destruir vivendo ao estilo sexo, drogas e rock'n'rol. Será que Heero poderá salva-lo?

Agradecimentos: a todos que deixaram reviews a Larcan, Naru Hiwatari, Blanxe, Jamara (Hikaro), RaposaVermelha \o/ valeu pessoal!!

Obrigado a Blanxe pela revisão da fic \o/

Fatos, locais e alguns personagens são frutos do delírio da autora.

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Sempre Depois da Tempestade

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Capitulo 2:

Anything for you

(Qualquer coisa por você)

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Estacionei meu carro na vaga da garagem e me dirigi ao elevador esperei que este chegasse. Ao ver a porta se abrir, entrei apertando o nono andar. Estava cansado. Há cinco anos que eu enfiava a cara no trabalho, sem pensar em mais nada. Desde que Duo foi embora, não consegui achar outro jeito de ocupar minha mente, a não ser trabalhando.

A porta do elevador abriu, indicando que já chegara ao andar. Saí, peguei minhas chaves e abri a porta de meu apartamento. Ao entrar, empurrei a porta atrás de mim com os pés, joguei a chave longe e despenquei o corpo pesado no sofá. Elevei o pacote em minha mão para o alto. Não sei por que havia comprado aquilo, mas quando passei em frente á loja de cds não resisti ao ver a capa do novo cd da banda Deathscythe Hell na vitrine, ganhando um destaque todo especial. Nem ao menos gosto do estilo da música, um estilo que mescla gótico com new metal e até mesmo um pouco de rock hadcore ou coisa parecida. O vendedor da loja me dissera que o cd estava esgotado e que só tinha dois últimos exemplares. Um eu comprei. Tirei o cd da sacola e analisei. A capa tinha a imagem de um cemitério, enfocava um túmulo com a estátua de um anjo e, naquele momento, a mesma me pareceu estranhamente familiar. Lembrava muito um certo baka que não vejo á anos.

Levantei-me tirando o cd da capa, o coloquei no aparelho de som e voltei a me jogar no sofá, acionando a tecla play com o controle remoto. A primeira música começou a tocar. Iniciava com um solo de violino com notas tristes e suaves, logo depois veio uma voz totalmente angelical, esplendida e inigualável. Palavras eram pouco para classificar aquela voz. A letra da música considerei-a mais triste ainda. Olhei no encarte da capa e a composição era dele, Duo Maxwell.

I'd give anything to give me to you

Eu daria tudo para me entregar a você

Can you forget the words that you thought you knew?

Você pode esquecer as palavras que você achava que sabia?

Por que será que quando essas palavras chegaram ao meu ouvido, eu me sinto estranho, como se elas tivessem sido escritas pra mim? Eu devo estar imaginando coisas… Ele nem ao menos deve se lembrar de mim, quanto mais escrever letras de músicas pensando em alguém tão arrogante como eu. Após o demorado solo de violino e as duas primeiras frases, começa um toque de guitarra suave acompanhando e a maravilhosa voz de Duo... Eu disse maravilhosa? Tá, eu admito, a voz dele é sublime sim, mas isso não quer dizer que eu ainda goste dele ou coisa do tipo... Ah! Quer saber? Que se dane!

If you want me

Se você me quiser

Come and find me

Venha procurar-me

Nothing's stopping you so please release me

Nada esta te detendo então, por favor, venha me libertar.

Quase pulo do sofá ao ouvir as frases seguintes. Eu poderia estar apenas imaginando coisas, mas que essas palavras caíram em mim como uma carapuça, isso sim. Algo dentro de mim despertou desde que Duo deixou os Preventers e eu venho sonhando com um reencontro, onde possamos sei lá dizer que eu sinto falta das coisas idiotas e que ele dizia, dizer que eu sinto falta do ruído do seu sorriso dizer que... Eu não sei que talvez eu... Talvez eu goste dele mais do que deveria gostar...

Eu não sei o que acontece comigo, queria que ele me dissesse que sentimento é esse, porque não sei como lidar com ele. Nunca me senti assim antes, não compreendo por que sinto tanta vontade de estar com ele o tempo todo. Me pego pensando nele nos mais inapropriados momentos! Até mesmo sonho com aqueles olhos violetas! Eu não sei expressar sentimentos, toda minha vida havia sido direcionada para a batalha. Eu não entendo o que estou sentindo! Quando eu o deixei, pensei que seria fácil me acostumar a viver sem ele, mas não está sendo… Eu só fiz o que pensei ser melhor para ele.

Balanço a cabeça, tentando racionalizar meus pensamentos. A confusão havia se instalado em mim desde o primeiro instante em que pus os olhos em Duo. Sua grande trança, seus hipnotizastes olhos violetas, a beleza de suas feições sorridentes, o cheiro fresco de sua pele, tudo me deixava extremamente desconcertado. Eu não sei ao certo o que está acontecendo, nunca havia me sentido atraído por ninguém, mas com Duo era diferente. Toda vez que estava perto dele, sentia uma vontade incontrolável de tocá-lo.

É difícil admitir pra mim mesmo que preciso de alguém. A guerra acabou não, preciso mais cumprir meu papel de soldado perfeito e sem sentimentos, mas ainda não sei como lidar com todas essas emoções. Palavras nunca foram meu ponto forte. Como posso dizer pra ele que eu só me sinto bem quando ele está aqui? O que eu posso dizer? Eu não sei ser... Humano... Eu não sei ser falante e desinibido como ele... Queria que ele me ensinasse...Será que eu fiz a escolha certa quando o deixei livre? Odeio admitir, mas... Eu preciso dele. Eu o quero... Como diz a letra dessa musica, será que eu devo procurá-lo?

-

A forte maquiagem negra no contorno de meus olhos contrasta de uma forma estranha, mas não menos bela, com minha pele branca e totalmente pálida, além da cor dos meus olhos ajudarem um pouco. Ás vezes eu pareço um cadáver. Aqui, em meu camarim, eu quase posso ouvir os gritos dos fãs. Logo eu estarei no meio da tempestade, vestindo a minha máscara de alegria, dando meu show, enchendo minha vida com mais mentiras.

Toc toc

A assistente de palco abre um pouco da porta para me avisar de que faltam apenas cinco minutos para o inicio do show. Eu confiro se minha trança esta bem feita, termino de calçar meu coturno e visto meu sobretudo. Já estou pronto para atuar. Antes de sair do camarim dou uma olhada para a mesa onde coloquei uma garrafa de conhaque, pelo menos desta vez eu não vou entrar no palco alcoolizado. Antes que minha vontade de beber seja maior do que o meu bom senso, eu deixo o camarim. No corredor vejo meus companheiros de banda dando o último retoque em seus instrumentos. Daqui onde estou posso ver a lateral do palco. O "circo" está armado, só falta eu, o palhaço, para fazer a festa.

Meus companheiros de banda são os primeiros a subir no palco, ainda escuro. Hilde passa por mim e agarra meu braço.

-Você tem certeza de que está bem, Duo?

-Tenho, não se preocupe. –eu não tenho certeza de nada, mas respondo mesmo assim.

Todos tomam suas posições só falta a mim para assumir o vocal, na música de abertura eu começo tocando violino. Assim que eu pego o instrumento e começo a tocá-lo o palco se ilumina e aplausos e gritos em polvorosa são ouvidos. O show devia contar com uma platéia de 50 mil pessoas, mas pela quantidade de gente parecia ter umas 25 mil a mais. No meio de tantas pessoas, eu olho e só consigo enxergar o rosto de uma em especial, uma pessoa que há muito tempo não vejo, a razão pela qual compus essa e a maioria de minhas musicas, minha inspiração... Alguém que nunca terei... Heero.

I'll believe

Eu vou acreditar

All your lies

Em todas as suas mentiras

Just pretend you love me

Apenas finja que me ama

Make believe

Faça de conta

Close your eyes

Feche seus olhos


I'll be anything for you

Eu serei qualquer coisa por você

Mentiras... A minha vida inteira se resumia a isso, apenas mentiras... Tudo que eu queria era encontrar meu lugar neste mundo... Ser digno de respeito e admiração, ser interessante, importante, educado, sofisticado... Por mais que eu tente, acho que jamais conseguirei apagar as marcas da pessoa suja que um dia eu fui. Eu trocaria tudo o que eu já consegui até hoje, trocaria todo dinheiro, fama, fortuna e tudo mais, pelo respeito e admiração de apenas uma única pessoa. O soldado perfeito jamais aprovaria a vida desonrosa que eu levei no passado e a vida atribulada de hoje.

Queria que ele pelo menos fingisse que eu o agrado, fingisse que eu sou importante, que diferença iria fazer? Não é isso que as pessoas fazem comigo? Só porque sou famoso me tratam aos beijos e abraços, mas no fundo eu sei que me odeiam. Então por quê?

Aquele som frenético e os gritos dos fãs me contagiavam, então o personagem que eu criei na guerra e que agora usava para atuar nos palcos assumiu o controle de minha mente. Eu não era mais Duo Maxwell, agora, eu era Shinigami, o deus da morte. Eu canto descontroladamente. Corro de um lado para o outro num misto de alegria e agressividade. A musica agora é agitada e rápida. Os fãs enlouquecidos pelo som pulam freneticamente. Eu estou no meio da tormenta de mais uma tempestade.

Após o longo show de duas horas e meia, estou exausto. Vou para meu camarim, está noite eu não coloquei uma gota de álcool na boca, preciso distrair minha vontade de tomar algo e vou tomar um banho para espairecer. Após o longo banho, ainda estou parado no meio do camarim só de roupão, tentando não pensar em nada quando alguém bate na porta.

-Pode entrar! –grito para a pessoa de fora.

-Duo? Você ainda esta deste jeito? – Rivers entra não fazendo a menor cerimônia e se espantando ao me ver só de roupão.

-Por que o espanto? –ironizei.

-Nós vamos dar um pulo numa boate para fechar a noite com chave de ouro. Você não está a fim de vim? Vai ter muita bebida, música e companhia para passar a noite... Se é que você me entende! –Rivers sorria maliciosamente. –Todos vão, inclusive a Hilde, você vem?

-Claro, eu não perderia essa por nada! Só vou colocar uma roupa. –eu respondo gostando da idéia de me acabar em uma boate. Não estava nem aí para o dia seguinte e tudo que eu queria era um pouco de "diversão".

-Ótimo! Vamos te esperar no carro, não demore ok?- Rivers deixou meu camarim.

Pelo menos essa noite não iria ser perdida... Apressei-me em escolher uma roupa. As opções não eram muitas, já que só tinha roupas que eu gostava de usar em shows no meu armário. Vestir-me e corri para encontrar meus amigos que estavam a minha espera no carro de Rivers.

-Hum Hum. –forcei uma tosse para chamar as atenções pra mim.

-Duo! Uau! –Hilde aprovou meu look.

Eu vestia coturno preto, uma calça preta justa, uma camisa roxa com alguns detalhes em couro preto e um sobretudo, além de meu quase inseparável crucifixo.

-Pare de fazer pose seu exibicionista e entra logo no carro. –Chester gritou.

Entrei no carro e Rivers deu a partida. Já passava das três e meia da madrugada. Rivers nos levou a lugar que julguei como ser legal. Tocava uma alta musica eletrônica, corpos se balançavam pra lá e pra cá na pista, alguns casais mais espevitados quase faziam sexo no canto da parede, onde tinha pouquíssima luz. Escolhemos ir para um camarote e sentar num sofá reservado, onde tínhamos toda visão da pista e não éramos incomodados. Logo o garçom veio nos servir algumas batidas, peguei uma das mais fortes que era uma feita com tequila. Hilde após beber uma batida sem álcool, puxou Chester para a pista de dança e se perderam no meio dos corpos que se balançavam frenéticos. Rivers saiu em outra direção e voltou minutos depois sorrindo.

-Hey Duo, você tá afim? – Rivers me perguntou e eu arqueei uma sobrancelha não entendo.

-De quê?

-Eu conheço um cara aqui que vende Ecstasy (2) então peguei alguns comprimidos pra nós. Você ta a fim de relaxar um pouquinho? Isso só vai fazer você ter mais energia na pista de dança! – Rivers sorria me oferecendo um comprimido branco.

Eu sei que não devia consumir drogas, nem permitir que meu companheiro também faça isso, mas quer saber? Eu senti uma vontade enorme de experimentar, na verdade estava meio desanimado e sem vontade para dançar e talvez esse comprimido branco fosse uma "solução". Quer saber? Que se dane! Não vou ficar aqui analisando os prós e os contras e perdendo tempo. Peguei o comprimido e o coloquei goela adentro com a ajuda da tequila.

-Isso aí, Duo! Gostei de ver! – Rivers sorriu, batendo palmas.

-Quando essa coisa vai fazer efeito? –perguntei.

-Logo, logo. Você já pode ir para a pista arrasar.

Levantei-me e fui para a pista me espremendo, tentando passar entre as pessoas e não ser arrastado. Logo meu corpo foi ficando leve e minha mente vazia, uma sensação agradável me consumiu. Sentia-me leve como se fosse o dono do mundo. Começou a tocar uma música gothic eletronic, parecia que o DJ a tinha escolhido especialmente pra mim. Comecei a dançar de olhos fechados, meu corpo realizava movimentos majestosos. Eu tinha que admitir que era um ótimo dançarino, minha trança chicoteava em minhas costas complementando a dança. Logo me tornei o centro da atenção, algumas pessoas abriram espaço para me ver dançar. Sentia-me imensamente feliz sem qualquer motivo. O efeito da droga era ótimo, eu via diversos olhares de cobiça sobre mim. Agradeci por ainda não ter sido reconhecido como vocalista do Deathscythe Hell.

Uma das pessoas que me cobiçavam me chamou a atenção. Era um rapaz alto, com os cabelos curtos e castanho escuros, olhos azuis que me lembraram de um certo japonês que a muito não vejo. Fiquei impressionado com isso e, por alguns momentos, até achei estar tendo alucinações. Fui em sua direção e o convidei para dançar. Ele prontamente aceitou. Dançamos um pouco.

-Escuta, qual seu nome? –ele gritou ao pé do meu ouvido, tentando me fazer ouvi-lo.

-Meu nome não é importante agora, apenas curta o momento! –comecei a gargalhar. Era incrível como esse cara se parecia com Heero, mas suas personalidades definitivamente eram inversamente diferentes.

-Meu nome é Eduard.

-Escuta Eduard, porque você não vai lá no bar pegar umas bebidas pra gente, eu já te alcanço. –despachei o cara.

Dancei mais um pouco e logo comecei a sentir uma dor no meu peito, não, eu não estava passando mal, era uma dor emocional. Era como se eu carregasse o mundo nas costas, toda a frustração da pessoa mentirosa em que me tornei veio à tona, sentia a necessidade de tomar mais um comprimido de Ecstasy. Queria sentir novamente aquela sensação de alegria. Eu precisava esquecer tudo isso. Subi as escadas e fui até o camarote procurar por Rivers.

-Rivers?

Eu o encontrei agarrado a duas mulheres.

-Eu preciso de mais! –eu dizia gesticulando como um doido.

-Duo... – Rivers tentava se livrar de uma das garotas que o beijava ferozmente. –Você tem que ir com calma essa foi a primeira vez que você tomou Ecstasy, não pode ir se entorpecendo de cara!

-Que se dane, Rivers! Já tomei coisas piores, eu quero e pronto! Onde está esse cara que vende?

-Nem pensar, Duo. Eu não vou te dizer! – Rivers voltou ao "trabalho" de beijar as duas mulheres.

-Ah! Aí está você. Eu peguei bebidas pra gente, mas você tinha sumido. – Eduard, o quase "sósia" de Heero, veio ao meu encontro com duas bebidas na mão.

-Aproveita a chance e vai se divertir! – Rivers me despachou, insinuando o que eu deveria fazer com Eduard.

Tomei com certa agressividade uma das batidas da mão de Eduard e a bebi em um único gole. Era uma bebida levemente forte de vodka, minha garganta ficou queimando, mas não me importei. Depois agarrei o copo da bebida que Eduard levava a boca e comecei a tomá-lo.

-Vai com calma, garoto! Você já tá muito alterado. – Eduard me alertou.

-Eu não sou um garoto! E não é da sua conta! Eu posso beber o quanto achar que devo. –se Rivers não me dava mais Ecstasy então eu iria me entupir de álcool. –Vamos dançar!

Puxei Eduard para a pista e esbarrei em Hilde e Chester no caminho. Ela me olhou com desaprovação por eu já estar bêbado. Chester fingiu não se importar. Eu não estava nem ai para a reprovação de Hilde. Para fugir de seu olhar e da bronca que ela me daria, logo em seguida peguei Eduard de surpresa, o encostei contra a parede e ataquei sua boca. Ele se assustou com a minha agressividade, mas respondeu com a mesma ânsia ao beijo. Ainda o beijando olhei de rabo de olho para Hilde que saiu inconformada.

-Uau! Você é realmente...

-Pegue mais uma bebida pra mim, por favor, vou esperar lá na pista de dança. –cortei o que quer que fosse que Eduard iria dizer. Eu estava adorando dar ordens e ele obedecer. Ele era tão parecido fisicamente com Heero e, em minha mente doente, eu já tentava olha-lo como se realmente fosse.

Não demorou muito e ele retornou com uma bebida na mão. Eu dançava freneticamente, meio zonzo por estar bêbado e ter sacudido a minha cabeça. Eu agarrei a bebida e comecei a mandá-la pra dentro.

-Você não deveria continuar bebendo. –Eduard me aconselhava, enquanto me acompanhava até a escada que dava para o camarote.

-Eu digo quando tenho que parar de beber! –eu disse com a voz alterada, totalmente tomada pela bebida e quase não conseguindo subir as escadas.

-Agora eu sei por que não quis me dizer seu nome. –eu congelei quando Eduard tocou nesse assunto. –Você é Duo Maxwell, não é? O famoso vocalista da Deathscythe Hell, não é isso?

-Não, não é isso. Você está me confundindo. –eu disse entrando no camarote.

-Não se preocupe, eu não vou espalhar pra ninguém, afinal... – Eduard se aproximou de mim. –Eu não quero dividir sua atenção com outros fãs. –ele sorriu maliciosamente e tentou me beijar. Eu me desvencilhei dele.

-Eu quero ir embora! –falei o empurrando.

-Eu te levo. Em qual hotel você está hospedado?

-Não precisa. Eu vou voltar com meus amigos… só tenho que procurá-los. –de repente parecia que o mundo caia nas minhas costas e finalmente senti o peso da bebida.

-Rivers você não vai encontrar porque ele acabou de sair com aquelas duas mulheres você imagina pra onde.

-Desgraçado, eu o mato quando encontrá-lo. –eu pensava em um meio bem dolorido de esganar aquele idiota do Rivers por ter me deixado ali.

De repente minha vista ficou escura, minha cabeça girava como se a boate não parasse no lugar, minha mente foi tomada pela escuridão perdi a consciência meu corpo foi para o chão.

Anything for you

Qualquer coisa por você

All without your hurt inside

Tudo sem sua mágoa por dentro

Will ever never die

Desejo nunca, nunca morrer

I'll be everything you need

Eu serei tudo que você precisa

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Maldita hora que eu tive a idéia de comprar esse cd! Passei quase à noite inteira ouvindo-o e o pouco que consegui dormi, ainda sonhei com o maldito sorriso daquele baka americano. Cheguei ao prédio em que ficava a cede principal dos Preventers meio atrasado e me odiei por isso. Com a minha mente atribulada de pensamentos desconexos, nem percebi quando Wufei passou por mim e me deu bom dia. Quase que não percebo Trowa passar por mim também me cumprimentando. Na verdade só o notei porque ele esbarrou em mim, quase me derrubando.

-Desculpe, Heero. Bom dia.

-Bom dia, Trowa.

-Como você chegou um pouco atrasado, eu deixei os documentos de identificação do corpo encontrado ontem na sua mesa. Deveria dar uma olhada. acho que é importante.

-Obrigado, vou olhar. O prisioneiro do caso 403 B já foi transferido?

-Heero, o prisioneiro já foi transferido há cinco dias. Você mesmo cuidou disso, não se lembra?

-Claro... Vou pra mim sala. – encerrei a conversa, antes que Trowa me questionasse sobre meu bem estar.

Como eu poderia me esquecer das coisas que faço? Isso sempre acontecia quando eu tinha insônia ou então tinha a maldita idéia de ouvir as canções de Duo. Só queria entender o que acontece comigo. Essa não era a melhor hora para ficar me questionando sobre meus sentimentos em relação a Duo. Fui até o banheiro e me olhei no espelho, molhei meu rosto e balancei a cabeça tentando afastar qualquer vestígio de sono. Então enxuguei meu rosto e fui pra minha sala. Não tinha o dia inteiro pra ficar pensando no baka.

Eu analisava os relatórios da última missão, quando Wufei bateu a minha porta. Ele poderia ter simplesmente entrado já que a porta estava aberta, mas preferiu se anunciar.

-Heero?

-Sim.

-Une pediu que você desse prioridade aos relatórios da última missão. Você já descobriu quem burlou o sistema de identificação de agentes do Preventers? Se quiser eu posso fazer isso, já estou na cola deste hacker há algum tempo.

-Ah sim, Wufei. Eu agradeceria se você fizesse isso, estou meio atribulado com tantos relatórios para entregar e uma reunião com meus "superiores" devido ao meu "abuso" de poder! –ironizei a parte do abuso.

-Pode deixar comigo.

Quando Wufei ia saindo de minha sala, vimos um rastro loiro correndo apressado nos corredores. Wufei olhou pra mim de deu um meio sorriso logo o tal "rastro loiro" voltou.

-Bom dia Wufei, Heero. – respondemos com um aceno de cabeça. -Vocês viram o Trowa por ai? –Quatre perguntou, parando á porta de minha sala.

-Ele deve estar entrando em uma reunião agora. –respondi, olhando em relógio para ter certeza do horário.

-Aí que pena! Eu tenho que entregar essa pasta pra ele, Trowa iria usá-la na reunião, ele a esqueceu lá em casa e quando eu percebi vim correndo trazer.

-Pode deixar comigo que eu entrego. Daqui a pouco entro na reunião e fica tudo bem, não se preocupe. –Wufei se ofereceu dando um meio sorriso do desespero de Quatre.

-Obrigado. Eu estou com pressa, desculpe não poder ficar mais, tenho negócios a tratar na empresa. Mas vocês estão convidados a ir jantar lá na minha casa, ok? –Quatre sorriu entregando a pasta para Wufei.

-Não se preocupe, Quatre. Todos nos estamos trabalhando muito.

-Eu sei, só estou avisando para vocês não se afastarem de mim como aquele amigo da onça do Duo. –Quatre fez um muxoxo. –Bem agora eu tenho que ir, até mais.

Quatre saiu apressado, eu fiquei pensando no baka assim que ouvi seu nome. Parecia uma sina, assim que eu conseguia esquecê-lo, alguém tratava de me lembrar. Fiquei parado um bom tempo pensando e Wufei deve ter me observado.

-Deveria procurá-lo. – Wufei me despertou dos meus pensamentos.

-O quê?

-Estou falando do Maxwell, você deveria ir atrás dele. –Wufei cruzou os braços a minha frente, me encarando.

-Não sei do que você esta falando. –voltei à atenção à minha mesa, fingindo analisar alguns papéis.

-Não se faça de desentendido, Yui. Você sabe do que eu estou falando. Desde que Maxwell se afastou de nós que você anda estranho. Eu não sou cego e nem idiota, aprendi com Winner e Barton a vencer qualquer barreira de preconceito e então me dei conta do que Maxwell era capaz de fazer com você.

-Wufei, eu estou muito ocupado no momento, pode me deixar sozinho? Tenho que analisar vários relatórios de missões. – tentei fugir do assunto que Wufei insistia em tocar.

-Eu sei que você está ocupado, mas tem pelo menos uns quatro anos que você foge desse assunto. – Wufei se sentou a minha frente, demonstrando que não pensava em me deixar em paz. –Eu não sou a melhor pessoa para falar desses assuntos, mas até agora pelo visto ninguém teve coragem o suficiente para tocar neste assunto com você.

-Você vai ficar ai só enrolando ou vai me deixar em paz? – tentei ser hostil para que ele saísse.

-Não seja grosso comigo porque isso não vai funcionar, Yui. –minhas esperanças foram por água abaixo. –Não posso afirmar ao certo o que aconteceu para você ter deixado o Maxwell, mas está na cara que você morre de saudades dele.

-Agora dá pra você sair.

-Como eu dizia... você não tem que ser o soldado perfeito frio e sem sentimentos pro resto de sua vida! Maxwell gostava muito de você, eu sei por que ele próprio me disse isso.

-Gostava? – eu pareci um idiota com essa pergunta.

-Está vendo como às vezes você deixa escapar uma pontinha dos seus verdadeiros sentimentos. Seus olhos brilharam só em me ouvir tocar no nome dele. – Wufei me provocou e era verdade, eu não consegui esconder minha animação.

-Você está imaginando coisas. Pouco me importa o que Duo disse ou deixou de dizer. É como você mesmo disse, eu o deixei! Pronto acabou.

-Não faça isso de novo. Não se esconda atrás dessa muralha que você construiu a sua volta, a guerra já acabou. Eu sei que é difícil pra você admitir a si mesmo que precisa de alguém, eu sei por que isso aconteceu comigo, levou tempo pra eu admitir que gosto da Sally.

-Então digamos que eu admita isso, e daí? – me mostrei interessado, afinal não era todo dia que Wufei e eu tínhamos um dialogo tão longo.

-Yui, eu posso estar equivocado, mas se você aceita um conselho, vá atrás do Maxwell, eu sempre tive uma desconfiança desse seu suposto "rompimento" com o Duo. Eu não sei explicar sentimentos ou coisa do tipo, mas acho que você esta desperdiçando uma chance de ser um humano normal. Desde que Maxwell se foi, você enfiou sua cara no trabalho e aquela única vez que consegui falar sobre o assunto, percebi o quanto ele é importante pra você e o quanto tenta negar este fato.

-É como você mesmo disse, Wufei, eu enfiei a cara no trabalho e este é um caminho sem volta. –voltei a analisar os relatórios em minha mesa.

Arqueei uma sobrancelha quando vi Wufei sair da minha sala, sem dizer mais nem uma palavra. Achei estranho ele desistir assim tão rápido, pois estava com um estranho sorriso no rosto. Eu não tinha a mínima idéia do que foi essa conversa, mas serviu pra reacender os questionamentos da noite passada. O que eu sinto por Duo? Era a primeira vez que alguém me dizia o que fazer em minha vida pessoal. Será que eu deveria seguir esse conselho? Mas como? Muitos quilômetros me separavam de Duo e muitas incertezas também.

-

Acordei meio zonzo e com uma enorme dor de cabeça. Por que eu fui beber tanto? Olhei a minha volta e não reconheci o local. Aquele não era o quarto do hotel onde eu estava.

-Bom dia, belo adormecida. – uma voz que eu não reconheci, me cumprimentou.

Tentei me levantar, mas o dor de cabeça era muito forte.

-Maldita dor de cabeça. –xinguei.

-Calma não faça movimentos bruscos.

Olhei para onde vinha a voz e tentei reconhecer seu dono. Tinha certeza que o conhecia. Meus olhos focalizavam imagens distorcidas e ele me pareceu tão familiar.

-He... Heero?

-Não, sinto muito. Adoraria ocupar o lugar desse cara no seu coração, você ficou chamando por ele enquanto dormia. Eu sou Eduard nos conhecemos ontem na boate.

-Ai minha cabeça parece que vai explodir. – olhei pra mim mesmo e me assustei ao ver que só vestia as calças meu sobretudo, camisa e sapatos tinham sido retirados. –Você e eu... Nós não? -olhei pra ele assustado.

-Calma, não se preocupe. Nós não fizemos nada disso. Eu retirei as suas roupas para te dar um banho frio. Você estava muito mal, tive que te dar uma dose de insulina, sou medico. Você costuma fazer isso sempre? Não estou querendo ser chato, mas isso pode te matar!

De repente eu senti uma vontade imensa de vomitar. Eduard entendeu minha necessidade e correu comigo para o banheiro. Vomitei muito, considerando que não tinha comido nada. Ele ficou no banheiro me dando força, depois que enxagüei meus lábios o olhei me lembrando de quando o conheci e pensei em usá-lo como meu "Heero" particular. Como posso ser tão idiota?

-Você precisa comer um pouco, está muito pálido. Isso não é bom para o tipo de rotina agitada que você leva. – eu olhei para Eduard. Aquilo estava parecendo uma consulta médica. –Desculpe-me, eu estou parecendo um médico chato, né?

-Está sim, a minha cabeça ta doendo pra burro! Você é legal! Sou Duo Maxwell. – estendi minha mão para cumprimentá-lo.

-Eu sei quem você é. Ontem você quis negar isso.

-Eu fiz isso? - ele me afirmou com a cabeça. –Desculpe-me, às vezes não é fácil ser perseguido o tempo inteiro.

-Eu sei. Agora acho que você tem que voltar para o hotel, você deve ter uma agenda lotada para cumprir! Eu te levo de volta.

-É verdade, embarco amanhã para L2 em turnê e também para gravar algumas cenas de um filme. Vou aceitar a sua carona até porque eu não tenho a mínima idéia de onde estou!

-Você está em meu apartamento. Os artistas são sempre doidos assim como você?

Eduard sorriu e eu me achei um idiota ao compará-lo a Heero. Ele realmente não tinha nada do soldado perfeito. Era um cara legal, o sorriso dele era encantador, os olhos eram um pouco mais claros que os de Heero e o cabelo mais comportado, além de ser bem falante.

-

Já era quase noite, as coisas estavam bem tranqüilas nos Preventers. Analisei alguns relatórios, participei de uma reunião onde só fui repreendido por fazer de tudo para salvar o mundo, questionando os meus métodos. Fui acusado de abuso de poder, e tá eu admito! Exagero em algumas missões, mas foi preciso. Fechei algumas investigações e me preparava para adiantar o serviço de amanhã, quando Wufei apareceu em minha porta.

-Posso entrar?

-Você já entrou.

Wufei caminhou até minha mesa e colocou um envelope em cima dela.

-O que é isso? –questionei surpreso.

-Você embarca amanha para L2. – Wufei simplesmente afirmou.

-O quê? Mas não me informaram de nenhuma missão em L2.

-Maxwell vai fazer um show em L2.

-Mas o que eu tenho com isso?

-Eu te transferi para uma missão em L2, estão precisando de um agente de campo experiente para investigar uma possível ameaça terrorista. Pode ir tranqüilo que Trowa e eu assumimos todas as suas responsabilidades por aqui. Além disso, você pode aproveitar e ir atrás dele… ainda a tempo para vocês dois. – Wufei sorriu. –Dentro do envelope tem uma passagem para L2, ingresso para o show do Maxwell, o endereço do hotel onde ele vai ficar hospedado e o número do quarto dele, além de uma credencial que te dará livre acesso aos bastidores do show, o que facilitara seu encontro com ele. – Wufei ia deixando minha sala, eu fiquei totalmente sem resposta.

-Mas... Como você conseguiu isso? – apontei para o envelope.

-Por acaso eu trabalho numa agencia do serviço secreto, os Preventers, conhece? – Wufei ironizou. –Não precisa me agradecer. – bateu a porta antes que eu pudesse responder.

Ir atrás de Duo não estava nos meus planos. Wufei estava me dando à chance da minha vida. Seria que seria justo desperdiçá-la?

-

Continua...

-

Cantinho da Autora:

O que estão achando? O.o Comentem!

(1) Pessoal sobre qualquer hipótese jamais usem drogas, elas fazem muito mal á saúde. Não são nada legais. Lembrem-se Drogas nem Morto!

O nome Chester é uma homenagem ao vocalista do Linkin Park e o nome Rivers ao vocalista do Weezer, duas bandas que eu amo de paixão.

A música da fic é Anything for you do Evanescence, infelizmente não é de minha autoria, mas é bem legal.

Até a próxima.

Beijos da Asu-chan.