Disclaimer: Gundam Wing não me pertence, assim como seus personagens.
Casal: 1x2
Gênero: Yaoi, Angst, Drama, Romance.
Sinopse: Após conhecer o glamour e o lado negro da fama, Duo percebe que, apesar de todo o dinheiro e luxo do qual vive cercado, sua vida não passa de uma grande mentira. Inconformado com a figura patética na qual se transformou, em meio a crises de identidade, passa a se alto destruir vivendo ao estilo sexo, drogas e rock'n'rol. Será que Heero poderá salva-lo?
Agradecimentos: A Blanxe pela revisão do capitulo \o/ Thanks Blanxita! E a todos que postaram review... Valeu pessoal \o/
Fatos, locais e alguns personagens são frutos do delírio da autora.
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Sempre Depois da Tempestade
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Capitulo 03:
Quando fecho meus olhos.
Não vou mais viver em paz
agora é minha chance de entender
o que ficou pra trás
tanto tempo em vão
dispersar a ilusão
nem sempre tudo é fácil de explicar
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Arde em meus olhos
mas posso enxergar mentiras
que não vão calar agora
"Atenção passageiros do vôo 912 com destino a Colônia L2, dirijam-se ao portão de embarque 03"
Eu estou aqui na sala de espera do Espaçoporto, rumo ao portão de embarque 03 para a colônia L2. Não sei se estou fazendo a coisa certa, estou tão inseguro desta decisão tomada a força, eu mesmo decidi deixa-lo... Será justo procurá-lo agora? Será que ele ainda pensa em mim? Não sei se terei coragem de procurá-lo.
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Finalmente após a cansativa viajem até L2, minha Colônia natal, chego ao hotel onde ficarei hospedado até o show. Faz muito tempo que não venho a esta Colônia… este lugar me trás muitas lembranças dolorosas.
-Duo? - ouço a voz de minha secretaria pessoal me chamar, correndo pelo hall de entrada do Hotel.
-Duo, a Angélica esta te berrando. Não vai atendê-la? –Hilde, que caminha ao meu lado, se mostra indignada por eu não dar à mínima atenção a secretária, então ela mesma segura a porta do elevador para que Angélica possa entrar.
-Obrigada, Hilde. –Angélica a agradece e me lança um olhar de reprovação. –Duo eu só queria te informar da sua agenda para hoje de amanhã. Bem, com a proximidade da estréia nos cinemas do filme Hellish boy, do qual você é o ator principal, você dará amanhã uma entrevista coletiva junto com os outros atores do filme. A entrevista será dez da manhã. Um carro, com seguranças, virá buscá-lo. Apenas esteja pronto no horário certo… Você está me ouvindo?
-Claro que estou, pode continuar. – na verdade eu não estava prestando a menor atenção ao que Angélica dizia, apenas via a boca dela se mover sem entender uma palavra.
-Depois da entrevista você terá um almoço com os patrocinadores do filme. Depois você volta para o hotel descansa um pouco, às nove horas o pessoal da MTV (1) estará aqui para fazer uma entrevista sobre o novo cd da banda. Todos vão participarão e será aqui mesmo no hotel. Amanhã será o grande show, depois disso embarcamos para a próxima Colônia, ok?
- ...
Eu não tinha prestado a atenção em nada, também não era preciso, pois com certeza, antes de cada um destes compromissos Angélica ficaria atrás de mim dando palpites em tudo.
-Angélica, hoje nossa agenda esta livre? – Hilde perguntou, sempre sorridente.
-Está sim! Hoje podem descansar.
-Que bom! Ouviu isso, Duo? – Hilde agarrou o meu braço. –Teremos à tarde de folga, que tal passearmos pela Colônia como costumávamos fazer antes? O que acha?
-Vou pensar. – finalmente a porta do elevador se abriu e eu pude sair, deixando Hilde sem uma resposta completa.
Fui para a minha suíte e me joguei na cama. Minhas malas já estavam desfeitas e minhas roupas bem arrumadas no closet. O quarto estava impecável e certamente isso era obra da Angélica. Aquela garota fazia tudo pra me agradar, acho que se eu a mandasse se jogar em frente a um carro em movimento com certeza ela o faria. Às vezes eu tinha ganas de perguntar se ela não tem vontade própria, já que sempre atendia as minhas exigências como o cãozinho adestrado.
Jogado na cama, minha mente solitária voltou a vagar por lembranças do passado.
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Flashback
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Estávamos, Heero e eu, em um clube de karaokê. Eu adorava ir nesse tipo de lugar, ainda mais hoje que era a "Noite dos Calouros". Uma noite em que desconhecidos e principiantes podiam fazer apresentações em público no palco principal ou simplesmente fazer uma apresentação usando um karaokê, para mostrar seus dotes vocais. Eu ouvia boatos de que vários "olheiros" de grandes gravadoras freqüentavam esse tipo de lugar a procurar de novos talentos, mas eu nunca tinha visto nenhum.
Eu havia acabado de fazer uma apresentação pública e, ao que me pareceu, pelos gritos e aplausos, a minha canção realmente tinha agradado. Eu tinha achado estranho um detalhe, durante toda a minha apresentação Heero ficou conversando com um homem, que pelo menos pra mim era desconhecido. Talvez fosse apenas um amigo dos tempos de guerra, mas ele pareceu irritado com aquele homem, parecia que a conversa não tinha agradado o japonês em nada.
Depois que desci do palco, fui direto falar com Heero, que estava sentado em uma das cadeiras do balcão do bar, bebendo algo.
-Oi! E ai? Gostou da minha apresentação? – perguntei sorridente.
-Boa, muita boa. – Heero respondeu, sem nem me olhar.
-Quem era aquele homem que conversava com você? – perguntei em um tom descontraído, fingindo não me importar com o descaso dele.
-Por que quer saber? Por acaso está com ciúmes? – Heero foi ríspido ao me responder.
-Não, me desculpe, só perguntei por curiosidade. – eu disfarcei com um sorriso. –É que você ficou estranho de repente. Parece que a conversa com aquele homem não foi nada boa, não é?
-Ele não era ninguém importante, se você quer saber. Agora, dá pra parar de me encher com suas perguntas? – Heero bebeu de uma só vez a bebida em seu copo.
-Desculpe, não está mais aqui quem falou.
Eu me sentei ao lado de Heero observando o movimento da pista. Logo as apresentações se encerraram e começou a tocar uma música eletrônica que eu adorava. Virei pra Heero sorrindo.
-Vamos dançar, Hee? – eu me levantei, puxando-o pelo braço.
-Não, agora não.
-Ahhh vamos!! Só um pouquinho. – Eu continuei, puxando o braço dele.
-Não estou a fim. – respondeu grosso.
-Por favor! – eu insisti ainda puxando-o.
-NÃO. – ele gritou bem na hora em que música parou. –EU JÁ DISSE QUE NÃO ESTOU A FIM. – todos que estavam na pista olharam para Heero. –Será que você não sabe diferenciar um não de um sim? Você é irritante às vezes. DROGA!
Eu larguei o braço de Heero e ele saiu pisando firme, esbarrando agressivamente em todas as pessoas em seu caminho até chegar à saída. Eu apenas o vi sumir porta afora. Todos naquele clube olharam pra mim como se eu tivesse alguma coisa bem esquisita no meio da cara, e me senti muito envergonhado. Olhei para todos, com um sorriso disfarçado nos lábios, me sentindo a pior pessoa do mundo.
-Voltem a dançar, o show acabou. – eu falei para todos tentando ser firme, segurando as lágrimas que insistiam em surgir no canto de meus olhos.
Todos voltaram a dançar ou a fazer o que faziam. Eu me sentei novamente na cadeira em frente ao balcão do bar e desabei a chorar. Não conseguia entender o porquê de tanta agressividade. Será que eu tinha feito algum de errado? Vasculhei minha mente em busca de respostas, mas não as encontrei.
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Fim do Flashback
Por que seránão posso mais fugir
sem força pra lutar e perdoar
encare as coisas de uma vez
e sinta o gosto amargo de perder
Eu sou um inútil. Nem em meus próprios devaneios consigo criar uma lembrança de um dia feliz, só consigo imaginar coisas que me trazem angústia e que torturam meu coração. Parece-me que tenho prazer em me auto-torturar. Sentimentos… sentimentos amargos que pensei ter escondido no fundo da minha alma, mas que hoje percebo jamais ter esquecido, e jamais esquecerei.
Perdido em meus pensamentos, nem percebi quando Hilde entrara em meu quarto e estava a me chamar.
-Duo? Ou bela adormecida? Acorda. – Hilde subia em cima de minha cama me sacudindo.
-O que foi? – respondi para que ela parasse de me sacudir.
-Rápido! Me dá um sinônimo para palavra amor.
-Sofrimento.
Hilde anotou a palavra em seu caderninho e depois se voltou pra mim interrogativa.
-Por que a pergunta?
-Eu estou escrevendo uma música e não queria repetir duas vezes a palavra amor, mas esse "sinônimo" que você me deu é muito triste. Eu não estou escrevendo uma música depressiva. Essa é alegre e sobre um amor correspondido.
-Então você está falando com a pessoa errada porque eu não sei dar sinônimos alegres para o mal de amar. Pra mim foi um louco perverso que inventou o amor.
-Credo, Duo! Já vi que hoje você levantou com o pé esquerdo. E aí? Vamos dar uma volta por L2?
-Acho melhor não, Hilde. Eu não to nem um pouco a fim de ser parado a cada passo que eu der, por um fã pedindo autografo. Prefiro ficar aqui recolhido a minha própria insignificância. Vai você, chame o Chester ou o Rivers.
-Engraçadinho você! Imagine eu e o Rivers dando uma voltinha romântica pela cidade! Sabe muito bem que não nos damos a mil maravilhas. Eu vou sozinha mesmo, antes só do que mal acompanhada.
Hilde deixou o meu quarto, mas não sem antes me olhar com piedade. Eu odiava esse olhar sobre mim. Não quero que ninguém tenha pena ou compaixão pelo meu sofrimento.
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Meu Deus! O que aconteceu ao Duo? Por que tanta hostilidade? Por que tanta tristeza? Onde está aquele garoto alegre e comunicativo, que esbanjava sorrisos, e um dia eu conheci? Onde está aquele garoto sonhador que queria mudar o mundo? Quem levou o brilho do seu olhar? Isso tem que acabar! Duo não pode continuar se auto-destruindo. Eu não vou ficar aqui parada assistindo a queda de meu amigo. Não vou mesmo! Em cinco anos de banda, ele se transformou em outra pessoa. Agora é amargo, triste, hostil, solitário e calado. Será que eu tenho culpa nisso?
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Flashback
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Eu estava parada a porta do apartamento de Heero, decidindo se tocava ou não a campainha. Achava que Heero não me suportava, mas então, por que ele havia me ligado pedindo para eu ir falar com ele? E ainda mais, pediu que eu não contasse nada ao Duo. Finalmente toquei a campainha, não muito tempo depois Heero a atendeu e me olhou surpreso. Acho que ele não esperava que eu viesse.
-Oi, Heero. – disse, meio sem graça. –Desculpe por ter vindo sem avisar. Sei que é meio tarde, mas... Eu posso entrar para falar com você? - sorri não sabendo onde esconder o rosto.
Heero me olhou e finalmente abriu a porta dando espaço para a minha entrada. Quando passei por ele, fechou a porta e me encarou arqueando uma sobrancelha. Eu estava pouco a vontade.
-Então? O que você quer? – perguntei tentando saber o porque dessa conversa em particular.
-Bem eu... –Heero parecia não saber por onde começar.
-Olha, Heero. Eu sei que você não gosta muito de mim e eu entendo, também não ficaria muito feliz se meu namorado tivesse uma garota todo tempo atrás dele. Se você quer saber se Duo e eu temos alguma coisa? A resposta é não. Duo é um cego, ele só tem olhos pra você. – eu falei imaginando que seria esse o motivo da conversa.
-Isso não tem nada a ver. Chamei-te aqui por outro motivo. – Heero disse com um tom frio.
-Então... Qual é o motivo? – não entendia onde Heero queria chegar.
-Você acha que Duo é feliz? – ele me perguntou sem qualquer rodeio.
-O quê? – eu perguntei surpresa, achei que não tinha ouvido direito.
-O Duo é feliz? – ele repetiu.
-É c... Claro que sim. – eu gaguejei ao responder. – Que pergunta é essa?
-Às vezes eu penso que Duo ficaria melhor sem mim... – eu não acreditava no que meus olhos viam, será que eu tinha visto direito? Heero estava com uma expressão triste nos olhos.
-Porque você diz isso? Você é tudo o que Duo sempre quis. – eu falei tentando ajudar a tirar aquela tristeza nos olhos do japonês.
-Isso não é verdade. – ele abaixou a cabeça, parecia derrotado. –O Duo sempre quis cantar profissionalmente para seguir os sonhos da mãe dele. Eu sou apenas um estorvo em seu caminho.
-Você está louco? Por que diz isso?
-Duo não aceitou a proposta do agente de uma das maiores gravadoras que existe para assinar um contrato. – Heero parecia perdido em lembranças. –Ele não aceitou por minha causa.
-O Duo te contou isso? – perguntei surpresa. Isso era verdade, mas Duo me fez prometer que jamais contaria isso pra ninguém, muito menos para Heero. Como ele sabia disso?
-Não importa quem me contou. – Heero me encarou. –Ele não aceitou a oportunidade da vida dele, porque para isso ele teria que sair do país e ficar algum tempo viajando e bem longe de mim. – Heero abaixou os olhos.
-Não liga pra isso, Heero. Outras oportunidades virão. – eu falei tentando acalmá-lo.
-Então é mesmo verdade? – Heero voltou a me encarar.
-É sim. Duo me pediu pra nunca te contar isso. Como você ficou sabendo? – eu perguntei tentando entender.
-Um dos agentes dessa gravadora me disse isso, mas agora não importa.
-Heero...
-O Duo vai ficar muito melhor sem mim. Ele está desperdiçando todas as boas oportunidades que ele tem e eu não vou permitir isso. – Heero falou parecendo determinado.
-Não é assim, Heero. Duo esta fazendo as escolhas que quer fazer... Ele sabe muito bem o que está jogando fora pra ficar com você. – eu disse meio sem pensar.
-Não, Hilde, ele não sabe. – Heero foi até a porta de seu apartamento e a abriu indicando a saída e também que a conversa estava encerrada.
-Heero...
-Obrigado, Hilde, por me esclarecer algumas dúvidas.
-Sinceramente eu não te entendo. – eu disse passando para o lado de fora do apartamento.
-Não precisa entender. O Duo vai começar a tomar as decisões certas, você verá. Por favor, não diga a ele que conversamos sobre isso. – Heero bateu a porta na minha cara e eu fiquei sem entender suas palavras.
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Fim do Flashback
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Eu podia jurar que nos olhos de Heero se formaram lágrimas. Ele estava tramando alguma coisa, disso eu tinha certeza. Quando eu fiquei sabendo que ele havia terminado tudo com o Duo, tive a certeza de que era isso que ele estava querendo… deixar o Duo livre. Nunca odiei Heero, eu só tinha inveja dele porque Duo o amava e a mim não. Como eu pude ter sido tão estúpida e não falar nada para o Duo? Heero o amava, disso eu tinha certeza, então porque eu não falei nada para o Duo? Porque eu o deixei sofrer achando que Heero não o queria?
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Eu não estava nem um pouco a fim de atender a porta. Alguém batia insistentemente e eu já imaginava quem poderia ser. Angélica, para me lembrar de mais um compromisso. Meio a contra gosto, me levantei e destranquei a porta.
-Achei que você não fosse mais abrir. – Angélica adentrou no quarto.
-Você não me deixaria em paz mesmo.
-Duo, por favor, vá se arrumar. Já são quase dez da manhã e você tem que dar uma coletiva de imprensa sobre o lançamento do filme Hellish Boy. – Angélica me implorava com os olhos.
-Está bem. Escolha você uma roupa. Estão todas no armário.
-Obrigada. – Angélica abriu o armário.
-Sabe... – me joguei na cama. –Ás vezes eu me sinto como aquele personagem do filme...
-Como assim? O cara é um demônio Duo... Vindo do inferno.
-Exatamente por isso. Eu me sinto como se tivesse nascido do inferno e ainda não tivesse me libertado. Será que as pessoas não vêem que eu sou uma mentira? Será que elas não percebem que eu as engano? Que sou uma farsa?
-Do que você esta falando, Duo? – Angélica olhou pra mim espantada.
-Nada. Esquece. Não me dê importância.
-Você é estranho mesmo. Olha esta daqui está boa? - Angélica me mostrou uma roupa.
Olhei para a roupa com curiosidade era uma copia exata que eu mandei fazer de uma antiga roupa que eu costumava usar quando era um piloto gundam. Era uma roupa preta lembrava as vestes de um padre só que mais confortáveis. Sorri mostrando que a escolha me agradou. Puxei as roupas das mãos de Angélica e comecei a vesti-las.
-Quer pelo menos esperar eu sair do quarto para começar a se trocar? – Angélica disse tapando os olhos e saiu apressada.
Em quinze minutos eu já estava pronto. Angélica estava toda sorridente, pois pelo menos desta vez eu não iria me atrasar. Passei pelo salão de entrada e Hilde me desejou boa sorte. Rivers e Chester, eu nem os vi. Fomos para o local da entrevista e Angélica me acompanhou. Todos já estavam presentes e a coletiva começaria em poucos minutos. Ocupei o lugar que cabia a mim ao lado do diretor do filme e da atriz que fazia uma espécie de par romântico comigo no filme. Cumprimentei a todos e a coletiva começou.
Os reportes faziam perguntas básicas sobre o roteiro, personagens, efeitos especiais até levantaram uma suspeita sobre um possível romance entre eu e a atriz que interpreta meu par romântico. Fato que foi negado por ambos, pois realmente era só um boato. Uma repórter levantava a mão insistentemente até que a palavra foi passada a ela.
-Duo, como você descreveria o seu novo álbum lançado a pouco menos de um mês e que já é um estouro de sucesso?
-Eu adoraria descrevê-lo para você, mas essa não é uma coletiva sobre minha banda e eu e sim sobre o filme Hellish Boy. –eu respondi tentando não entrar no assunto.
-Este filme é uma produção milionária que promete ser um enorme sucesso de bilheteria. Como você se sente sendo o astro principal? E por que acha que foi cotado para o papel, sem nem mesmo ser ator?
-Acho que eles queriam economizar com a maquiagem e os apliques de cabelo. Já que minha pele é tão branca e meus cabelos são enormes. – todos sorriram do comentário de Duo. –Sinceramente eu não sei por que fui o escolhido, mas me sinto enormemente lisonjeado. Esse filme teve um orçamento milionário, foram meses de trabalho duro e acho que o resultado será sim, cinemas lotados.
Os repórteres continuavam com as perguntas sobre o filme e alguns insistiam em perguntas sobre minha vida pessoal, mas eu me desvencilhava com desculpas. Um repórter insistia em fazer perguntas até que a palavra foi passada a ele.
-Duo Maxwell é verdade que você foi um dos pilotos gundans que lutaram pelas colônias e pela paz mundial há cinco anos atrás?
Ao ouvir a expressão "piloto gundam", eu gelei e minhas mãos suaram. Como foi que aquele repórter conseguiu aquela informação? Une e os outros fizeram tantos esforços para preservar as verdadeiras identidades dos pilotos e agora esse repórter indesejável poderia botar tudo a perder e tudo por minha culpa. Eu sorri e tentei disfarçar, afinal, o que sabia fazer de melhor era fingir, dissimular. Tudo que eu tinha que fazer era negar e pronto. Eu dei uma gargalhada.
-De onde você tirou essa historia? – eu continuei sorrindo. –Eu adoraria ter sido um desses heróis que salvaram as colônias de uma destruição total, mas... Infelizmente eu não fui. – eu olhei para meus colegas ao lado e eles também sorriram me apoiando.
-Você tem certeza disso? – o repórter insistiu.
-Mas é claro porque eu não teria certeza do meu passado? – devolvi.
-Então como você explica algumas "coincidência" como o nome da sua banda ser Deathscythe Hell, que é um dos nomes dos gundans?
-Bem...
Eu não sabia o que dizer, eu estava apavorado, todas as atenções da coletiva se voltaram pra mim, todos os flash de máquinas fotograficas, câmeras de TV, os repórteres me olhavam ávidos por respostas que eu não sabia como dar. Eu tinha que inventar uma desculpa rápida e ainda manter o meu velho ar brincalhão e despreocupado de sempre. Eu corri meus olhos uma por toda aquela sala e parei na porta quando vi a última das pessoas do mundo que eu esperava ver ali. Era só o que me faltava, delirar! Meu coração parou.
Parado a porta, olhando frio pra mim, estava Heero. Os mesmos cabelos desgrenhados, os mesmos olhos azuis cobalto, a mesma expressão séria de cinco anos atrás. Ele estava com os braços cruzados, e olhando diretamente nos meus olhos. Eu pisquei algumas vezes para ter certeza de que aquela cena era real. E, quando abri meus olhos, ele ainda estava lá do mesmo jeito. Meu coração ia sair pela boca. Já tinha até esquecido a resposta brilhante que tinha bolado para responder o repórter e eu só conseguia gaguejar.
-Podemos tomar esse seu silêncio como um sim, Duo? - o repórter provocou.
-Sim... Quero dizer NÃO. Essas são apenas algumas coincidências bobas que... Bem o nome Deathscythe não é nenhuma exclusividade minha... Olha, eu nunca fui um piloto gundam, não sei nem pilotar meu próprio carro direito quem dirá um gundam. – eu estava realmente nervoso.
-E quanto ao nome Shinigami? Eu soube por fontes seguras que este "apelido" era usado por um dos pilotos, mas precisamente o piloto do 02 Deathscythe. Por "coincidência" é o mesmo apelido que você usa. – o repórter continuava insistindo.
-Eu...
Meu Deus, o que eu iria responder agora? Eu não conseguia pensar. A presença de Heero me desconsertava. O que ele estava fazendo ali? Eu queria sair correndo daquele lugar. Que se dane a imprensa, a coletiva, que se dane tudo. Toda aquela pressão em cima de mim, estava me enlouquecendo... Levantei-me bruscamente derrubando a cadeira, eu não tinha respostas, eu só queria sair dali.
-A coletiva está encerrada. – afirmei.
Eu não vi mais nada, apenas sai correndo pelos bastidores precisando respirar. Houve um imenso alvoroço na coletiva, e Angélica tentou acalmar a todos. Eu não sei se Heero ainda estava lá. Eu sabia que estava botando todos os esforços de Une e dos outros a perder por ter saído correndo sem dar qualquer explicação, mas... Qual é? Eu não sou perfeito! Eu também cometo erros. Eu já podia imaginar as palavras que Heero me diria, e elas não eram agradáveis.
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Continua...
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Cantinho da autora:
Comentários, por favor! Obrigado a todos por lerem.
Musica: Em Meus Olhos (Aditive)
Grande beijo.
Asu-chan.
