Disclaimer: Gundam Wing não me pertence, assim como seus personagens.
Casal: 1x2
Gênero: Yaoi, Angst, Drama, Romance.
Sinopse: Após conhecer o glamour e o lado negro da fama percebe que apesar de todo o dinheiro e luxo do qual vive cercado sua vida não passa de uma grande mentira inconformado com a figura patética na qual se transformou em meio a crises de identidade passa a se alto destruir vivendo ao estilo sexo, drogas e rock'n'rol. Será que Heero poderá salva-lo?
Agradecimentos: a todos que me deixaram reviews um muitissimo obrigado!
Fatos, locais e alguns personagens são frutos do delírio da autora.
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Sempre Depois da Tempestade
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Capitulo 05: Farther away
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Duo havia subido para seu quarto após a cansativa entrevista coletiva. Jogou-se na imensa cama da suíte presidencial sentindo seus ombros tão pesados que pareciam carregar o peso do mundo. Estava tão cansado de tudo a sua volta que nem sabia para onde fugir ou correr, quando usava sua mascara de felicidade, sua mascara de sorrisos a dor parecia doer menos, mas agora parecia que esse truque não mais funcionava.
Enquanto sorria, doía do mesmo jeito. O vazio em seu peito não diminuía, estava sempre ali, consumindo, aumentando, dilacerando. E Duo não sabia como preencher esse buraco. Por mais que tentasse fugir de sua realidade, quando o efeito das substancias tóxicas passava, a dor voltava, mas forte, mais presente, mas intensa. Tentava desesperadamente descobrir em que ponto de sua vida havia se perdido. Mas era mais fácil fugir do que enfrentar sua realidade, qualquer coisa era mais fácil do que ficar sozinho em seus quarto.
Quando estava no palco cantando e ouvindo seu nome ser ovacionado por todos, Duo tinha a ligeira ilusão de que era amado, de que não estava sozinho, de que sua vida era um conto de fadas e que existiam finais felizes. Mas quando estava sozinho um buraco negro parecia engoli-lo e puxa-lo cada vez mais para o fundo. Precisava escapar mais uma vez.
Levantou-se da cama apenas para pegar o telefone, discou o numero do serviço de quarto.
-Pois não? – Duo ouviu a voz da simpática atendente.
-Oi, aqui É Duo Maxwell, você pode mandar uma garrafa de champanhe para a suíte presidencial?
-Claro senhor, já estou providenciando! – a moça prontamente respondeu.
-Obrigado! – Duo desligou o telefone.
Enquanto esperava por mais uma forma de escapar, jogou-se na cama de novo, com o braço direito por sobre seus olhos como se os tapasse dos raios de sol. Suspirou novamente. Sua mente mais uma vez divagando entre memórias.
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I took their smiles and I made them mine.
Eu tomei os sorrisos deles e fiz deles meus
I sold my soul just to hide the light.
Eu, eu vendi a minha alma para se esconder da luz
And now I see what I really am,
E agora eu vejo o que eu realmente sou
A thief, a whore, and a liar
Um ladrão, um prostituto, e um mentiroso
I run to you,
Eu corro para você
Call out your name,
Chamo o seu nome
I see you there, farther away.
Eu te vejo lá, bem longe
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Ano 196 D.C. (Depois da Colonização)
Alguns meses após o
Fim da Guerra contra as Tropas de Mariméia
Depois do incidente no karaokê, Duo e Heero andavam muito distantes um do outro. Heero vivia sempre no telefone com conversas que Duo nunca podia ouvir, estava sempre ausente, pensativo, distante. Mas o que Duo não percebia era que Heero o observava o tempo inteiro.
Heero percebia as mudanças de humor de Duo, notava como o americano era espontâneo, brincalhão, alegre quando ele não estava por perto, mas quando o japonês estava por perto Duo era sempre cauteloso, retraído, tenso, simplesmente não era ele mesmo, e isso magoava Heero, pois ele sabia que Duo estava abrindo mão de seus sonhos infantis por sua causa.
Duo fazia questão de esconder de Heero que ele ainda freqüentava o karaokê, não queria que Heero brigasse com ele novamente, já estava decidido a desistir de seu sonho idiota de ser um cantor, não queria se afastar do japonês, não queria ter que passar meses longe de Heero por causa de uma carreira de astro do rock, cantar sempre havia sido seu sonho, sua paixão, mas quando conhecera Heero, seus sonhos mudaram. Ele só queria estar ao lado do japonês.
Mas Duo não conseguia evitar freqüentar karaokê, sempre que podia se reunia com seus amigos de musica e fazia rodas de violão, se sentia realizado quando cantava e tocava, mas não tanto quanto sentia quando estava com Heero. Na noite do incidente no karaokê havia ficado claro para Duo que Heero não gostava de sua cantoria, por isso Duo escondia essas coisas do japonês.
Assim como havia escondido do japonês que o produtor de uma grande gravadora havia lhe oferecido um excelente contrato, e ele não havia aceitado, pois teria que embarcar imediatamente para fora do país, e ficar meses longe do japonês. Duo sabia que Heero jamais largaria seu emprego nos Prevents para acompanhá-lo nesse sonho maluco, e nem ele queria isso, preferia ceder e continuar com Heero a aceitar o contrato e perder o japonês.
Mas Heero também escondia coisas do americano, fingia não saber das coisas que Duo fazia escondido dele, fingia não se importar com a musica de Duo, Heero escondia principalmente que ele sabia que Duo havia deixado escapar de suas mãos a chance de sua vida, a chance dele realizar seus sonho e ser feliz. Heero escondia tantas coisas...
Abriu a mala por sobre a cama e começou a colocar as camisas cuidadosamente dobradas dentro da mala, sua decisão já estava tomada, olhou para o relógio, ainda teria tempo antes que Duo voltasse, sabia que quando Duo saia com os amigos do karaokê ele perdia a noção de tempo, tudo que ele não queria era ter que encarar os olhos do americano, sabia que talvez não seria forte o bastante para levar sua decisão ate o fim.
Heero sabia que se olhasse para aqueles olhos violetas uma ultima vez, seu coração se partiria, ele não iria conseguir deixa-lo, seria mais fácil ir embora quando Duo não estivesse lá para questioná-lo, seria mais fácil se Duo sentisse raiva dele.
Terminava de ajeitar as ultimas peças de roupa dentro da mala quando ouviu um barulho de porta se abrindo vindo da sala, olhou para o relógio mais uma vez, não podia ser Duo, ainda estava muito cedo para o americano chegar, suas mãos começaram a tremer levemente quando viu a maçaneta da porta do quarto girar, em seu intimo desejava que fosse qualquer outra pessoa menos Duo.
Mas suas preces não foram atendidas, viu a figura cabisbaixa do americano entrar no quarto, Duo o olhou com certa surpresa parecia que não esperava encontrar Heero em casa. Viu quando os olhos de Duo se moveram para olhar a mala, ele parecia mais surpreso ainda.
-Vai sair em missão? – Duo perguntou estranhando o fato de Heero não tê-lo avisado antes, reparou a quantidade de roupas dentro da mala, parecia que o japonês havia esvaziado o armário pela quantidade de roupa dentro da mala.
-Não. – foi à única resposta de Heero que continuou a arrumar a mala sem encarar Duo nos olhos.
-Então... Vai viajar para alguma conferencia ou congresso? – Duo insistiu tentando decifrar o porquê das malas.
-Não.
-Então, posso saber o porquê das malas? – Duo já estava ficando irritado com o silencio de Heero.
-Eu... Estou indo embora. – Heero apenas respondeu frio e sem encarar os olhos do americano.
Duo arregalou os olhos pelo choque daquelas palavras, instintivamente seus olhos se marejaram, o que Heero queria dizer com "ir embora?".
-O que você quer dizer com ir embora? – Duo estava segurando as lágrimas em seus olhos, sua voz saiu baixa e um pouco chorosa, seu coração estava tão apertado dentro de seu peito, seu coração começou a bater acelerado.
Heero respirou fundo, se segurou para não olhar dentro daqueles olhos que tanto amava, sabia que se olhasse ele não conseguiria. Reuniu toda a força que consegui e mentiu.
-Eu sinto muito Duo. Não dá mais.
As pernas de Duo falharam, sentou-se na beirada da cama para que seu corpo não fosse ao chão, suas mãos apertaram levemente os lençóis macios, não pôde mais segurar as lagrimas, aquilo só podia ser um maldito pesadelo, não era verdade. Seu coração batia tão forte que parecia que iria arrebentar seu peito a qualquer momento.
-Por quê? – Duo tentou fazer sua voz parecer firme, mas ela só revelava o seu choro. –Foi alguma coisa que eu fiz? Algo que eu disse? – Duo se virou para encarar Heero. –Eu posso mudar... Eu posso concertar... Me diz o que eu fiz de errado, eu juro que vou corrigir... Eu posso mudar.
Heero olhou para os olhos lacrimejados de Duo, sentiu uma vontade imensa de abraçar o americano e consola-lo, dizer que aquilo tudo não passava de uma brincadeira de muito mau gosto, mas se conteve, não podia fraquejar agora. Mas não queria ver Duo chorar e implorar daquela forma.
-Não torne as coisas mais difíceis do que elas já são Duo. – Heero desviou os olhos e voltou a arrumar as malas.
-Por favor, me diz, o que eu fiz de errado? É o meu jeito? É porque eu freqüento aqueles bares de musica? Eu prometo que eu vou mudar, eu nunca mais vou a lugar algum se você não quiser, eu juro, só não me deixe.
Duo implorava entre lagrimas, pouco se importava em fazer uma cena tão humilhante, se aquilo fizesse o japonês ficar, ele assim o faria.
-Você não fez nada de errado, simplesmente não dá mais. – Heero continuou com o seu teatro, mesmo que dentro de si algo houvesse se despedaçado.
-Por quê? Por que você não pode ficar? – Duo falou entre soluços.
Heero não podia estar fazendo aquilo com ele, ele tinha desistido de seus sonhos para segui-lo, o que tinha dado errado afinal? Duo só queria entender porque o japonês não queria ficar. Se ele estava fazendo algo de errado ele iria mudar, tudo que Duo queria era um motivo, não queria perder Heero, nem que para isso tivesse que implorar.
-POR QUÊ? – Duo começou a tirar as roupas que Heero havia colocado na mala, às jogava para o alto numa tentativa desesperada e impensada de fazer o japonês ficar. –Por que você não pode ficar?Se eu te amo tanto.
-Duo pare com isso. – Heero tentava acalmar o americano, mas era inútil, ele continuava a jogar as roupas que estavam na mala no chão. –Duo pare!
-Por quê? Você não pode fazer isso comigo, não pode. – Duo já não mais pensava nas palavras que dizia, elas panas deixavam sua boca numa mistura de choro e angustia. –Eu pensei que você me amasse. Por quê?
-Duo pare! Para.
Heero tentava segurar os braços de Duo, mas por causa da raiva o americano parecia forte demais para que conseguisse conte-lo. Duo tentava livrar seus pulsos das mãos de Heero e voltou sua raiva para atacar o japonês agora.
-Duo pare!
-Por quê? POR QUÊ? – Duo gritava enquanto atacava o japonês.
-PORQUE EU NUNCA TE AMEI. – foi à única coisa que Heero conseguiu em dizer para fazer Duo parar com aquele ataque.
Duo parou imediatamente de atacar Heero, parecia em estado de choque, ao ouvir aquelas duras palavras algo dentro dele se despedaçou. Heero viu uma sombra passar pelos tristes olhos do americano, imediatamente soube que havia cometido o maior erro de sua vida.
-Duo eu... – o que quer que Heero fosse dizer foi impedido pela forte dor que sentiu na maçã esquerda de seu rosto.
Duo havia se soltado de suas mãos e lhe acertado um tapa em cheio no rosto. Aproveitando do choque de Heero com o tapa inesperado, Duo juntou o resto dos cacos de seu coração e saiu o mais rápido que pode daquele lugar, em suas mente as ultimas palavras de Heero ainda ecoavam como um terrível pesadelo.
... EU NUNCA TE AMEI...
Viu Heero tentar ir atrás de si, mas não queria encará-lo, queria apenas fugir daquele lugar, ir para longe, sumir do mapa, deixar de existir. Não conseguia sentir o chão abaixo de seus pés, não conseguia assimilar direito o que acontecia ao seu redor, seu mundo havia se partido em mil pedaços e sabia que jamais iria conseguir juntar todos os cacos e consertar seu coração.
Ao ver Duo bater violentamente a porta do apartamento desistiu de ir atrás dele, afinal havia conseguido o que queria, certamente o americano o estava odiando agora. Não fazia sentido ir atrás dele, embora temesse que Duo fizesse alguma besteira.
-Missão cumprida. – falou em voz baixa para si mesmo em sinal de desabafo.
Voltou para o quarto e começou a recolher as roupas do chão, voltou a dobrá-las e recoloca-las na mala. Ainda olhou para porta que Duo havia passado, embora quisesse mentir para si mesmo sabia que seu coração também havia se partido em mil pedaços ao ver a reação de choque nos olhos do americano, ainda se perguntava se tinha feito à coisa certa ou não, não sabia a resposta, mas às vezes era preciso se arriscar para acertar.
Sabia que jamais poderia fazer Duo feliz tanto quanto ele merecia, Duo era como um pássaro livre que a qualquer momento abriria suas asas para voar alto, Heero sempre soube disso, o japonês só não queria ser a corrente que impedia o americano de voar.
Tempo presente
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I'm numb to you - numb and deaf and blind.
Eu sou inexistente para você, inexistente e surda e cega
You give me all but the reason why.
Você me deu tudo menos o motivo
I reach but I feel only air at night.
Eu alcanço mas eu sinto apenas ar na noite
Not you, not love, just nothing.
Nem você, nem amor, apenas nada
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Seis anos depois
Passou pela recepção do hotel e cumprimentou a recepcionista, entrou no elevador a apertou um botão de um andar diferente do qual havia se hospedado, o elevador o levaria ate o andar onde ficavam as suítes presidências. Estava decidido a fazer isso, afinal para acertar era preciso arriscar, um certo americano havia lhe ensinado isso.
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Já estava quase na metade da garrafa e a bebida ainda não lhe causava muito efeito, apenas uma leve tontura, mas a sensação era agradável, lhe fazia esquecer de tudo que o incomodava no momento. Enquanto entornava outro gole cantava letras desconexas misturando varias musicas de sua banda.
Ouviu o soar da companhia, mas não se incomodou em levantar para ir atender, apenas continuou a beber e cantar. A companhia tocou insistente mais algumas vezes e isso o irritou profundamente.
-Será que ninguém tem paz nesse hotel não? – resmungou levantando-se e indo em direção a porta. –Eu não pedi serviço de quarto e muito menos pedi para ser incomodado...
O que quer que fosse completar sua frase morreu em sua boca quando abriu a porta e viu quem estava a sua espera. Ficou atônito e sem reação, de todas as pessoas do mundo Heero era o ultimo da lista de possibilidades de quem estava tocando companhia.
Heero olhou para o americano com certa surpresa, não esperava encontrar Duo sem camisa, vestindo uma calça de couro preta bem agarrada ao corpo e com os cabelos preso numa trança quase desfeita. Mas o que mais lhe chamou a atenção foi a garrafa de champanhe pela metade nas mãos do americano, ele nunca fora de beber, quando havia começado a encher a cara?
-O que você quer aqui? – Duo se recuperou de seu estado catatônico e falou agressivo.
Pelo bafo de álcool Heero não tinha mais duvidas de quem havia tomado metade daquela garrafa.
-Posso entrar? – Heero perguntou, mas sem esperar por uma resposta foi logo entrando temendo que Duo batesse a porta na sua cara.
-A segurança desse hotel é realmente péssima. – Duo fechou a porta atrás de si após ver o japonês passar por ela. –Não sei por que deixam qualquer um entrar aqui?
Duo deu de ombros e seguiu para dentro de sua suíte parando perto da cama, sendo seguido por Heero, fingiu não se importar com a presença do japonês, havia prometido a si mesmo que jamais deixaria Heero mexer com seus sentimentos de novo. Deu mais um gole em sua bebida e olhou com um olhar cínico para o japonês.
-Então o que você quer aqui? Por acaso veio relembrar os velhos tempos?
Duo sorriu maliciosamente se aproximando de Heero com um olhar provocativo. Se tinha uma coisa que a vida havia lhe ensinado era a ser um bom ator, e vendo as coisas por um outro ângulo o fato de Heero estar ali em sua suíte era só uma oportunidade do americano provar para si mesmo que o japonês não balançava mais seu coração. Era uma oportunidade de brincar com Heero assim como ele havia brincado com seus sentimentos há anos atrás.
Aproximou-se do japonês colando seu corpo no dele, percebeu o corpo do japonês estremecer levemente e sorriu, seu toque ainda causava algum impacto. Tocou o peito de Heero fazendo leves movimentos circulares por cima da camisa do japonês, parecia que ele havia crescido nesses últimos anos, estava mais alto, o corpo mais bem definido. Duo mordeu os lábios inferiores imaginando como seria agradável ver aquele peito nu.
- Por acaso sentiu saudades Heero? – Duo levantou a cabeça olhando diretamente nos olhos azul cobalto do japonês. Sentia que seus atos estavam causando desconforto ao japonês e estava adorando agir de forma dissimulada.
Como Heero estava de costas para sua cama, Duo o empurrou fazendo com que os joelhos do japonês batessem de contra a cama fazendo-o cair sentado em cima do imenso colchão. Antes que Heero pudesse recuperar seu equilíbrio e se levantar, Duo sentou em seu colo colocando uma perna de cada lado do corpo do japonês impedindo-o de se levantar.
-Por acaso sentiu falta disso? – Duo deu mais um gole de sua bebida e a deixou cair pouco de importando em ver o liquido derramar em cima do tapete branco e circundava a cama.
-Duo o que você esta fazendo? – Heero tentou falar com uma voz firme e decidida, mas sua voz saiu rouca e carregada de desejo. Xingou-se mentalmente por isso, odiava quando perdia seu auto-controle e Duo sabia muito bem como fazer isso. Não podia impedir seu corpo de responder aos toques do americano.
-Relaxa, não estou fazendo nada demais. – Duo falou com uma voz sensual e provocativa enquanto dava pequenas mordidas no lóbulo da orelha de Heero. –Afinal somos adultos agora.
Duo olhou nos olhos de Heero e os viu embriagados de desejo. Sorriu ao constatar que o japonês não era capaz de resistir as suas investidas. Duo passou a língua por seus lábios umedecendo-os o que não passou despercebido pelos olhos ávidos do japonês.
Tocou os lábios do japonês com cuidado como se pedisse passagem para sua língua avançar, quando o japonês entreabriu seus lábios era a deixa que Duo esperava para avançar, sorriu internamente pela passividade do japonês. Sua língua entrou de forma sedutora e selvagem, logo estava explorando cada centímetro daquela boca que há tantos anos não beijava. O beijo era desesperado, provocativo, correspondido.
Logo o corpo de Heero estava todo sobre a cama com o corpo de Duo por sobre o seu, beijando sua boca de forma selvagem e seu corpo respondendo a tudo. Algo estralou nesse exato momento na mente de Heero, o que diabos ele estava fazendo? Não havia ido ate a suíte de Duo para ter uma noite de sexo selvagem com ele e sumir depois. Estava fazendo tudo errado de novo.
-Duo... Duo... Para...
Heero tentou fazer o americano parar, mas nem seu próprio corpo o obedecia. Fechou os olhos e tentou recuperar todo seu autocontrole, se queria o americano de volta não seria dormindo com ele que o teria. Segurou o americano fazendo-o para de beijá-lo.
-Duo pare com isso! Por favor. – Heero segurou os punhos do americano falando de forma seria.
-O que foi? – Duo sorriu de forma cínica. – Não me dia que não esta gostando porque eu sei que esta. – Duo sorriu olhando para o membro de Heero que estava inchado por debaixo da calça comprovando que o japonês estava gostando e muito daquele "flash-back".
Heero se repreendeu por ser tão fraco e se deixar levar por seus desejos. Duo tentou se soltar das mãos firmes do japonês e voltar a beijá-lo, mas Heero não estava disposto a ceder.
-Duo pare. Eu não vim aqui pra isso? – Heero segurou os pulsos de Duo firmemente e o encarou serio.
Imediatamente a feição dissimulada de Duo se tornou uma feição irritada. Afinal o que diabos o japonês queria ali? Frustrado por ter sido interrompido Duo se levantou e olhou para Heero de forma irritada.
-Afinal o que você veio fazer aqui então, Heero?
-Eu vim conversar com você. – o japonês respondeu de forma calma.
-Pois eu não tenho nada pra conversar com você. – Duo respondeu ríspido.
-Duo, por favor, me escute. – Heero respondeu de forma calma e monótona e aquilo só irritou mais o americano.
-Me escute você Heero, eu não tenho nada pra falar com você e não quero ouvir nada do que você tem a dizer. – Duo andava de um lado para o outro e gesticulava com as mãos. –Aquele garotinho ingênuo e idiota que morria de amores por você e atendia todos os seus chamados parecendo um cãozinho adestrado morreu há anos atrás. Eu estou vacinado contra você agora.
-Do que você esta falando Duo? – Heero não entendia como Duo podia mudar de humor tão facilmente, há um minuto atrás estavam sobre a cama com o americano tentando seduzi-lo e agora estavam discutindo. Via tanta raiva e magoa nas palavras de Duo.
-O que você quer de mim afinal? – Duo esbravejou.
Heero via tanta raiva nos olhos de Duo, ele só queria fazer tudo aquilo desaparecer e voltar a ter o Duo que conhecera há anos atrás, mas o tempo não voltava e muito menos parava. Só queria fazer o americano entender que ele ainda o amava, mesmo que o americano não o amasse mais, ele só queria fazer Duo entender que ele ainda se importava.
Aproximou-se de Duo de forma cautelosa. Duo apenas ficou paralisado esperando o próximo movimento de Heero, por alguma razão não conseguia se mover. Heero se aproximou e sem que o americano esperasse o envolveu em um abraço, tentou expressar todo seu sentimento naquele abraço terno. Duo não conseguiu se mover, estava chocado demais para esboçar qualquer reação, apenas se deixou ser envolvido por aquele abraço tão caloroso e terno. Parecia algo irreal.
-Eu sinto tanto a sua falta. – Heero falou de forma calma mais carregada de sentimentos.
Os olhos de Duo se arregalaram em surpresa, não esperava palavras assim vindas do japonês, após a surpresa inicial seus olhos se suavizaram e sua boca se contorceu em um pequeno sorriso. Por quanto tempo havia ansiado ouvir isso. Relaxou um pouco curtindo o abraço de Heero.
... EU NUNCA TE AMEI...
De repente essas palavras ecoaram na mente de Duo e em um segundo o flash-back de seis anos atrás atravessou sua mente de forma dolorosa. Não permitiria que Heero brincasse com ele de novo.
-Mentira! – Duo se soltou do abraço de Heero, seus olhos pulsavam de raiva ao mesmo tempo em que lagrimas insistiam em brotar no canto de seus olhos. –Eu não acredito em você!
-Duo...
-Ponha-se daqui pra fora agora! – Duo foi ate a porta e a abriu indicando o caminho que queria que Heero seguisse. –SAI DAQUI AGORA OU EU CHAMO A SEGURANÇA! –Duo gritou.
Heero sabia que não conseguiria ter uma conversa decente com Duo naquele estado, por hora estava satisfeito em saber que em algum lugar dentro daquele ser que esbanjava luxuria e arrogância ainda resistia a existência de um garoto alegre e sorridente que conhecera anos atrás.
O japonês desistiu de bater de frente com Duo, por ora acataria a vontade do americano e sairia dali, antes de passar pela porta que Duo abrira, Heero parou e olhou dentro da íris violeta do americano intensamente.
-Eu não vou desistir de você. – Heero deixou o quarto e logo pode ouvir o barulho estrondoso da porta batendo.
Duo batera a porta com toda o força possível como se aquilo pudesse afastar tudo o que estava sentindo, recostou-se de contra a porta e deixou que suas costas deslizassem pela madeira ate se sentar no chão.
-Maldito Heero, maldito seja. – Duo gritava. – minha vida estava tão bem sem você, porque você tinha que voltar? Por quê?
O americano indagava como se esperasse que alguém o respondesse lhe dando o motivo plausível que explicasse a repentina preocupação de Heero com sua pessoa.
-Maldito desgraçado, se você pensa que vai brincar comigo de novo esta muito enganado. – Duo mal conseguia controlar sua respiração tamanha era sua raiva reprimida naquele momento.
De repente sentiu-se sujo, sentiu nojo de sua própria boca por ela ter encostado na boca de Heero, começou a esfregar a mão na boca como se aquela fricção de algum jeito pudesse apagar o momento de fraqueza que tivera. Embora sua intenção fosse a de brincar com Heero sabia que havia forçado um contato físico com o japonês apenas para satisfazer sua vontade insana de sentir-se protegido. Queria apenas se sentir em casa mesmo que fosse por algumas horas.
-Maldito Heero! – Duo continuava a esfregar a mão na boca.
Retirou todas as peças de roupa que cobria o seu corpo e dirigiu-se ao banheiro da imensa suíte do hotel, não podia explicar aquele comportamento compulsivo, mas naquele momento sentia apenas uma grande necessidade de lavar seu corpo, como se Heero tivesse lhe passado uma doença extremamente contagiosa e com um banho ele pudesse obter a cura.
Abriu a torneira da banheira no máximo que pôde e esperou impaciente que a água cobrisse de forma satisfatória a louça da banheira. Mergulhou seu frágil corpo na água morna e se esfregou o máximo que pôde sem nem mesmo perceber as escoriações que aquela fricção excessiva da bucha com sua pele pálida causava, ate ver a água ficando aos poucos vermelha pelo sangue que começara a escorrer por sua pele arranhada, só então se deu conta do que fazia.
Naquele momento sua insanidade havia sida tanta que nem ao menos percebera a dor das escoriações. Ficou algum tempo parado dentro da água, com a mente vazia, procurava não pensar em nada, porque sabia que qualquer pensamento que tivesse o levaria a pensar em Heero. Não saberia dizer por quanto tempo havia ficado dentro da banheira, se eram alguns minutos ou talvez horas, quando por fim resolveu sair daquela banheira à água já estava gelada.
Enrolou-se no roupão branco que estava no cabideiro, torceu um pouco os longos cabelos castanhos para retirar o excesso de água e foi ate o espelho do banheiro, esfregou a manga do roupão para que pudesse tirar um pouco do embaçado do espelho, olhou seu próprio reflexo e mal reconheceu a face pálida e sem vida que viu refletida, parecia algo fantasmagórico, quando estava sem toda aquela produção que as câmeras exigiam de si era que podia ver seu verdadeiro estado.
Tentou afastar aquela imagem de sua visão e sorriu para o espelho, um sorriso falso, mas tentava se convencer com aquele sorriso de que não havia problemas, tudo estava perfeitamente bem, tinha a vida que sempre quis, podia comprar tudo que quisesse, podia comprar o amor que quisesse. Duo ficou algum tempo olhando seu sorriso refletido no espelho realmente tentando se convencer de tudo que repetia sem parar para si mesmo.
Mas por mais que repetisse tudo àquilo como um mantra, no fundo sabia que não era verdade, não saberia dizer em qual ponto de sua vida ele se perdera, não havia planejado se transformar numa mentira, mas sabia que não passava de um garotinho assustado e sem rumo que jamais conseguiria voltar para os eixos sozinho. Sabia que precisava de ajuda, mas se negava aceita-la, as feridas ainda eram grandes demais para serem curadas. A nova pessoa que se tornara agora jamais admitiria a volta daquele garotinho ingênuo, era como se houvessem duas personalidades completamente diferentes dentro dele, uma desejava desesperadamente ser salva a outra queria se afundar naquele mundo de mentiras.
Olhou para seu sorriso novamente refletido no espelho e seu sorriso não era mais o mesmo, era algo cínico, dissimulado, assustador, era como se não olhasse para si mesmo e sim para uma outra pessoa completamente diferente. Sem pensar, Duo apenas focalizou toda raiva que sentir e socou o espelho como se aquilo pudesse fazer aquele fantasma que o atormentava desaparecer.
-Seu mentiroso. – gritou para o reflexo daquele estranho no espelho.
O soco foi tão forte que o espelho se partiu em vários pedaços causando um alto estrondo. Alguns cacos de vidros acabaram cortando a palma da mão de Duo, tremulo o americano entrou em choque ao ver os estilhaços de vidro perfurarem com profundidade sua fina pele. Não sabia o que fazer ao ver tanto sangue escorrendo, mal conseguia segurar a própria mão de tanto que tremia, retirou a maior caco de dentro de sua pele, abaixou-se ate o porta-papel higiênico e começou a enrolar o papel branco em sua mão, sem antes tirar os cacos menores que ainda estavam enfiados em sua pele, a dor era imensa.
Logo o papel, antes branco, começou a se colorir de um vermelho intenso. Duo sentia como se sua mão estivesse sendo rasgada. Apenas continuou a enrolar o papel em sua mão como se aquilo pudesse fazer a dor ir embora, estava completamente sem controle. Logo sua visão começou a oscilar pela perda excessiva de sangue, seu corpo já estava no limite pela má alimentação, as drogas que consumia e as horas de sono perdidas. Não conseguia mais manter seus olhos abertos, não conseguia focalizar em um ponto fixo sua visão, era como se o mundo inteiro girasse. E não podia mais agüentar tudo aquilo.
Try to forget you,
Tentei esquecer você
But without you I feel nothing.
Mas sem você eu não sinto nada
Don't leave me here, by myself.
Não me deixe aqui, sozinha
I can't breathe.
Eu não consigo respirar
I run to you,
Eu corro para você
Call out your name,
Chamo o seu nome
I see you there, farther away,
Eu te vejo lá, bem longe
Farther away...
bem longe...
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CONTINUA...
Cantinho da autora: Mil desculpa pela longa demora, mas eu prometo que abandonarei minhas fics... Só peço que tenham paciência que todas serão atualizadas.
Espero que tenham gostado desse capitulo, deixem reviews... E ate a próxima!
Grande beijo a todos!
