Capítulo 2: Tiago, Quase Robô
Entretanto no trabalho da Diana ouvia-se ao longe a Elsa a cantar...
Elsa: Gimme Gimme more!! O patrão quer que eu os valores dos ordenados decore!
Diana e Ivone: Oh não!
E foram ter com a Elsa que dançava em cima da secretária.
Diana: Oh Elsa! Outra vez! Quantas vezes é k é preciso te dizer que cantas pior que o Zé Cabra e consegues dançar ainda pior que a Britney...
Elsa: Ah ta bem! Eu canto outra...Ó Mila! Mil e um papeis para carimbar e rever...
Ivone: Não tem cura…
Enquanto isso na Mansão Meireles, o Óscar já tinha chegado e carregava um saco preto, lixívia e uma pá.
Virgínia: Estava a ver que não! – disse ela, impaciente.
Óscar: Calma, vamos tratar do assunto.
Com a perícia de um profissional, o Óscar calçou umas luvas e pôs os pedaços do corpo da Rosalina dentro do saco preto.
Óscar: Ó mulher, você podia ter cortado o corpo em menos pedaços, não? É que assim é mais difícil. - queixou-se ele. - Bom, leve já os lençóis da cama e ponha-os a lavar. Depois volte aqui com outros para fazer a cama de novo. Eu vou tratar do sangue.
Enquanto a Virgínia foi fazer o que o Óscar mandou, o Óscar conseguiu livrar-se do sangue, com a lixívia, um balde de água e uma esfregona.
Um quarto de hora depois, parecia que estava tudo normal.
Óscar: Vá lá que o sangue que estava na parede não secou, porque senão seria muito difícil tirá-lo de lá.
Virgínia: Pronto, agora temos de nos livrar do corpo.
Óscar: Eu trato disso.
Virgínia: Eu quero ir consigo.
Óscar: Está bem.
Eles foram na carrinha do Óscar e embrenharam-se numa mata. O Óscar pegou numa pá, fez uma grande cova e pôs lá o saco com os pedaços do corpo da Rosalina. Depois voltou a pôr a terra no lugar.
Óscar: Está feito.
Virgínia: Óptimo. A propósito, afinal o que é que enviaste à Diana? E como é que sabias onde ela trabalhava?
Óscar: Já te disse que investiguei onde ela trabalha. Não é difícil. Aliás, na revista que eu vi sobre o noivado diz que ela trabalha num jornal, por isso foi só procurar em todos e pronto.
Virgínia: Mas o que é que lhe enviaste?
Óscar: Um vestido em miniatura, com sangue por cima.
Virgínia: O quê? Só isso?
Óscar: Achas que não chega?
Virgínia: Isso não assusta ninguém! – gritou ela, zangada.
Óscar: Foi o melhor que me lembrei. Agora, tem de me pagar pelo serviço.
Virgínia: Ora, não pago nada! - gritou ela, zangada. - Olhe, já não preciso dos seus serviços. A partir de agora, trato eu da Diana.
Óscar: Você não pode fazer isso! Deve-me dinheiro!
Virgínia: Quero lá saber! Não me chateie!
Óscar: Eu sei muitas coisas sobre si, Virgínia. É melhor pagar e fazer o que eu mandar!
Virgínia: Isso é uma ameaça?
Óscar: É. Você está nas minhas mãos.
Virgínia: Ainda bem que eu trouxe isto comigo. - disse ela, tirando uma pistola de um dos bolsos. - Eu sabia que se calhar ir precisar disto.
Óscar: O que é que está a pensar fazer? Matar-me, é?
Virgínia: Sim. Adeus!
Ela pressionou o gatilho e a bala atravessou a cabeça do Óscar.
Virgínia: Bem feito!
A Virgínia pegou na pá, cavou outra cova e atirou lá para dentro o corpo do Óscar. Depois, pôs terra por cima da cova.
Virgínia: Está feito. - disse ela. - Agora, vamos à fase seguinte.
Ela pegou na carrinha do Óscar e guiou até um penhasco. Para lá do penhasco havia apenas o mar profundo.
Virgínia: E agora, é só livrar-me da carrinha.
Ela saiu da carrinha, deixou-o destravado e a carrinha foi pelo penhasco abaixo, caindo na água e afundando-se.
Virgínia (pensando): Já está. Agora, como há uma cidade aqui perto, é só apanhar um táxi e voltar para casa.
E assim foi, ela andou dois quilómetros e chegou à cidade, onde apanhou um táxi para perto da sua casa. Saiu antes, para que, se o homem do táxi fosse interrogado sobre alguma coisa suspeita, não saberia onde a Virgínia vivia. E assim, calmamente, depois de ter matado duas pessoas, a Virgínia regressou a casa.
Enquanto isso, no trabalho, a Diana preparava-se para sair.
Diana: Bom, está na hora. Vou-me embora.
Ivone: Eu também vou. Já puseste aquela caixa com o vestido no lixo?
Diana: A Elsa foi ao contentor e pôs lá a caixa por mim.
Ivone: Ok, bem, vamos embora, então.
As duas começaram a andar para se irem embora. Pararam à porta do escritório, para falar com a Elsa, que como era recepcionista tinha o balcão logo ali à frente da porta.
Ivone: Vamos embora, Elsa.
Elsa: Ah, está bem. Eu também ia, mas tenho que esperar que o Chefe Teles se vá embora também, senão ele ainda ralha comigo.
Nesse momento, ouviu-se um grito. Era o Chefe Teles, que gritava do seu gabinete.
Chefe Teles: Ó Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelsa! Vem cá!
Elsa: Já voooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooou!
Diana: ¬¬ Vocês têm mesmo de parar com isso.
Elsa: Bom, eu vou lá ao gabinete. Até amanhã, meninas.
A Ivone e a Diana foram-se embora e a Elsa entrou no gabinete do Chefe Teles.
Elsa: O que quer, chefe?
Chefe Teles: Hoje andou outra vez a cantar, Elsa. Não gosto disso!
Elsa: Oh, porquê?
Chefe Teles: Você canta mal! Parece uma cana rachada a apanhar vento!
Elsa: Oh... mas chefe...
Chefe Teles: Nada de mas! Ainda por cima, se você fosse bonita, ainda a desculpava, mas você é uma feiosa! Bom, pode ir, Elsa. Mas se a apanho a cantar outra vez, despeço-a!
Elsa: Está bem.
E a Elsa, triste, saiu do gabinete a chorar, pensando como podia agradar as suas colegas e o chefe, não lhe convinha nada ser despedida...tinha os irmãos mais novos para criar...
Elsa (pensando): Tenho que reagir! Não posso desamparar a Mimi, a Quiqui e o Totó. Vou tirar um curso de canto, vou tentar controlar a minha voz de cana rachada e vou começar a falar normalmente!
Nesse momento deu um saltinho e sorriu de contente que estava com a sua brilhante ideia.
Entretanto na cova para onde o Óscar tinha sido atirado, ia a passar um pastor com as suas ovelhas.
Pastor Gervásio: Olha! Tá ali uma coisa a brilhar.
Ao aproximar-se, ele vê uma mão que está quase tapada pela terra. Um anel num dos dedos brilha quando a luz do sol lhe toca.
Pastor Gervásio: Credo! Uma mão… será que está uma pessoa enterrada aqui?
O Pastor Gervásio começou a desenterrar o Óscar.
Pastor Gervásio: Oh Santa Miquelina! Tá aqui um homem! Senhor está bem?
Óscar: hh...hh...
Pastor Gervásio: Não se preocupe vou levá-lo lá para casa e a Maria trata de si.
Óscar (pensando): Virgínia, Virgínia...pensavas que eu morria assim tão facilmente? Nunca tiveste pratica com as armas, o tiro não foi fatal...e com muita sorte, assim que recuperar vai ver...
Entretanto na casa do Nuno...
Nuno (pensando): Tenho que fazer algo...ela não pode simplesmente casar com ele... eu sou mais giro. - olha-se ao espelho - Muito mais giro. Além disso eu gosto verdadeiramente dela...
E enquanto o Nuno pensava num plano para conquistar a Diana, o Tiago chegava a casa depois de um árduo dia de trabalho.
Tiago: Boa noite mãe.
Virgínia: Boa noite querido.
Tiago: Que tal o seu dia mãe?
Virgínia: Foi...óptimo...aliás... excelente.
O Pastor Gervásio rasgou um pouco da sua camisola e embrulhou-a à volta da cabeça do Óscar.
Pastor Gervásio: Agora é só eu levá-lo até à minha carrinha. Está aqui perto.
Com alguma dificuldade, o Gervásio lá conseguiu pôr o Óscar na carrinha. Pouco depois, estavam em casa do Gervásio, uma pequena casa humilde.
Gervásio: Maria! Ó Maria! Anda cá depressa mulher!
A Maria apareceu a correr.
Maria: O que foi, homem?
Gervásio: Tenho aqui um senhor doente.
Maria: Doente? Então devias tê-lo levado para o hospital.
Óscar: N-não. Hospitais não. – disse ele, debilmente.
O casal levou o Óscar para a casa e deitou-o numa cama.
Maria: Credo, mas como é que isto lhe aconteceu?
O Óscar não respondeu.
Maria: Não quer falar, está bem. Vou levá-lo ao hospital.
Óscar: Não! Não pode!
Maria: Porquê?
Óscar: A-andam atrás de mim. Querem matar-me. – mentiu ele.
Gervásio: Coitado do homem. - disse ele. - Está a correr perigo. Maria, tens de tratar dele aqui.
Maria: Está bem, está bem. O que vale é que eu já fui enfermeira e teve sorte da bala não ter acertado em nenhuma zona vital e de ter atravessado a cabeça, por isso não ficou com ela dentro da cabeça. - disse ela. - Bom, agora tem de repousar. Eu vou fazer-lhe um penso. Hei-de fazer com que recupere ou não me chame eu Maria Rabanesca.
Na mansão Meireles, o Tiago estranhou uma coisa.
Tiago: Onde está a Rosalina? Ainda não a vi.
Virgínia: Tu vê lá que ela se zangou comigo e foi-se embora. Despediu-se.
Tiago: O quê? Mas ela trabalhava nesta casa há tantos anos.
Virgínia: Pois é. Mas deve ser da idade. Já estava meio senil. Eu só lhe disse para me trazer um chá forte e ela ficou toda irritada, a dizer para eu fazer o chá e que estava farta disto, pegou nas malinhas e foi-se embora.
Tiago: E para onde é que ela foi?
Virgínia: Não sei. Ela nem tem mais família nem nada. Pobre coitada. - disse ela. - Se calhar está a dormir numa vala, com terra por cima dela...
Tiago: Terra por cima dela?
Virgínia: Terra? Eu queria dizer, mantas. – corrigiu ela rapidamente. - Com mantas por cima dela.
Tiago: Ah...
No dia seguinte, o Nuno foi até à casa da Diana bem cedo.
Diana: Olá Nuno. O que é que estás aqui a fazer tão cedo?
Nuno: Tinha de vir falar contigo.
Diana: Ah. Sobre o quê?
Nuno: Eu nunca te disse isto... mas eu estou apaixonado por ti há muito tempo, Diana!
Ela pareceu surpreendida.
Nuno: Tu não podes casar com o Tiago.
Diana: Nuno... eu não sabia que gostavas de mim, mas isso não muda nada. Eu gosto é do Tiago.
Nuno: E eu? Eu estive sempre ao teu lado, durante todos estes anos.
Diana: Desculpa Nuno... tens sido um bom amigo, mas nada mais do que isso.
O Nuno baixou a cabeça.
Nuno: Ai é assim? Está bem... mas ainda te vais arrepender!
E saiu dali rapidamente.
Algum tempo depois, a Raquel estacionou o carro em frente à mansão Meireles. A Virgínia ouviu um carro a chegar. O Tiago já tinha ido para o trabalho. Será que ele se tinha esquecido de alguma coisa?
Tocaram à campainha.
Virgínia: Clara, vá abrir! Depressa!
A Clara apareceu a correr.
Virgínia: Mais depressa! Parece uma lesma paralítica!
A Clara abriu a porta e a Raquel entrou.
Clara: Bom dia. – disse ela, cumprimentando a Raquel.
Raquel: Só se for para si. - disse ela. - Vá buscar-me um chá.
Clara: Mas...
Raquel: Já!
A Clara saiu dali rapidamente.
Virgínia: Raquel, que prazer tê-la aqui. - disse ela, cumprimentando a Raquel. - Você é tão boa a dar ordens aos criados.
Raquel: Eu sei. Está-me no sangue. - disse ela, sorrindo. - Mas o que me trouxe aqui foi outro assunto.
Virgínia: Ai sim? Que assunto?
Raquel: Pelo que soube, o Tiago e a Diana ainda não têm a data do casamento marcada, por isso, eu não os quero ver casados e vou fazer com que eles não se casem mesmo!
Virgínia: Ai sim? Não gosta de os ver juntos?
Nesse momento, a Clara ia entrar na sala com o chá, mas parou pois pareceu-lhe que a conversa era séria.
Raquel: Eu quero ficar com o Tiago. Amo-o e conheço-o há mais tempo.
Virgínia: Que bom, querida! Eu também não estou de acordo com o casamento. Gostava muito mais que a menina casasse com o meu filho.
Raquel: Pois bem. Por isso, preciso da sua ajuda. Devíamos unir-nos para acabar com este casamento!
Virgínia: Claro, é uma óptima ideia.
Raquel: De certeza que vamos ter boas ideias para separar o casal. – disse ela, sorrindo.
Virgínia: Se quiser, eu posso matar a Diana.
A Raquel riu-se.
Raquel: Você é tão brincalhona, Virgínia. Como se você conseguisse matar alguém.
Virgínia: Claro que não. Eu estava a brincar. Nem faço mal a uma mosca. - disse ela, rindo-se.
Nesse momento, a Clara achou que estava na hora de aparecer com o chá.
Raquel: Finalmente criatura! Você é muito lenta. Se fosse minha empregada, já estava despedida!
Clara: Pois, mas você já não é rica! É quase tão pobre como eu, por isso nem tem um tostão para contratar uma empregada! - e saiu dali rapidamente.
Raquel: Ah! Que descaramento! – gritou ela, irritada.
Virgínia: Deixe-a, Raquel. Então, vamos combinar alguma coisa para separar o casal.
Raquel: Já sei! Eu podia levá-lo a sair, embebedava-o e...
Virgínia (interrompendo o raciocínio): E depois fazia o golpe da barriga e dizia que ele tinha de assumir o filho e blá blá blá.
Raquel: E não é uma boa ideia?
Virgínia: Claro...que NÃO! Minha grande aventesma! Se fizesse isso a Diana percebia logo que era a menina que tinha feito tudo de propósito, olhe que ela é irritante mas não é parva.
Raquel: Então o que tem em mente? - olha para o relógio. - Não tenho muito mais tempo para ficar à conversa...
Virgínia: Vá lá então, quando eu tiver um plano telefono.
A Raquel foi-se embora e a Virgínia achou que a melhor maneira de arranjar uma boa ideia era indo ás compras.
Ao chegar ao Fórum Local decidiu ir tomar um café.
Virgínia: Empregada!
Do café aparece a Elsa que tinha um segundo emprego (por causa dos irmãos para sustentar.)
Elsa: Que deseja?
Virgínia: Sua incompetente, já cá devia estar há séculos...
Elsa: Há séculos não, só trabalho aqui há cinco meses.
Virgínia: Que parva. Não percebeu o que eu disse. Você deve ser retardada.
Nesse momento a Elsa desata a chorar
Elsa: Não precisa falar assim, não tenho culpa, estou cansada tenho três irmãos para sustentar – funga - E um curso de canto para pagar - outra fungadela. - E nem com dois empregos tenho dinheiro que chegue... estou tão infeliz...
Virgínia (pensando): Como é que eu não pensei nisto antes? Todas as mulheres têm ciúmes... e acho que encontrei a pessoa certa para provocar ciúmes à Diana... claro que depois de algumas modificações...
Virgínia (dando graxa): Ó minha querida, desculpe. Sente-se e conte-me tudo...já agora...tenho uma proposta muito interessante para lhe fazer...e até pode ser muito bem recompensada.
Enquanto isso a Diana e o Tiago estavam os dois a ver o seu álbum de fotografias e recordavam a sua juventude e infância.
O Tiago mostrou uma fotografia à Diana.
Tiago: Esta fotografia foi tirada uma semana antes de eu cair e bater com a cara numa pedra. Parti os dois dentes da frente.
Diana: Credo, coitado de ti.
Tiago: Tiveram de me tirar os meus dentes e implantaram-me outros.
Diana: Não sabia disso. - disse ela, abanando a cabeça.
Tiago: Olha, esta fotografia foi tirada no dia em que eu caí e esmigalhei a minha rótula direita. Tiveram de me pôr uma coisa qualquer no lugar dela.
Diana: Então, só tens uma rótula? A outra deve ter lá um aparelho qualquer...
Tiago: É verdade... ah, aqui foi quando parti o braço. Tive de andar com ele ao peito durante muito tempo.
Diana: Não me digas que te puseram um braço postiço. – disse ela, já a ficar assustada.
Tiago: Não, que ideia. - disse ele, rindo. - Só um dedo é que é postiço, porque ficou muito danificado.
Diana: O.o Credo Tiago, nem quero saber o que é que tu tens mais postiço...
Tiago: Mais nada. É mesmo só isto.
Diana: Ainda bem. Se não, com tantas coisas postiças, ainda me caso com metade de ti e metade de outra pessoa qualquer ou com metade de uma máquina.
E a Virgínia ataca outra vez, quase matando o Óscar, mas ele conseguiu sobreviver. E agora a Diana ficou a saber mais umas coisas sobre o Tiago. Por fim, a Virgínia vai fazer uma proposta à Elsa. Será que a Elsa vai aceitar? Não percam o próximo capítulo!
