Capítulo III


Harry sabia beijar. Delicado, com pequenas mordidinhas que davam início a vagarosa e erótica guerra de línguas. Hermione podia ter passado o resto da noite dentro do carro ao dispor dele, deixando que ele a enlouquecesse com aquele prazer que poderia certamente fazer qualquer uma perder a cabeça. Mas um homem, vestido com um terno preto, interrompeu o momento deles ao abrir a porta do carro e trazê-los de volta ao mundo real. Para o alívio de Hermione, o valete havia sido treinado para ser discreto, e não fez nenhum comentário sobre o passageiro vendado enquanto a ajudava a sair do carro.

Pegando sua bolsa, Hermione enlaçou os dedos de Harry com os seus e o guiou pelo hotel, atravessando o elegante lobby e ignorando os olhares curiosos que as pessoas lançavam em sua direção. Ela entrou em um elevador vazio e apertou o botão da cobertura.

O dedo dele começou a acariciar a mão dela e ele deu um sorriso preguiçoso. "Por que eu tenho a impressão de que você deu a volta no quarteirão e que nós estamos de volta no meu escritório?"

Hermione beijou rapidamente o queixo dele, simplesmente por que ela assim desejava. Simplesmente porque ele era dela por toda a noite e ela podia. "Não estamos, eu prometo."

Em menos de um minuto eles estavam entrando no magnífico quarto que ela havia reservado. Largando a bolsa em uma cadeira, Hermione se virou para Harry e o puxou pelo quarto, enquanto prestava atenção em cada detalhe do belo quarto em que estavam. A suíte não havia sido barata, mas pelo menos uma vez ela resolveu se mimar um pouco e sucumbir a todo o luxo que o hotel prometia. Naquela noite ela não mediria esforços para ter tudo o que o seu coração quisesse.

E no pacote estava incluso Harry Potter.

Ela virou para encará-lo, seu coração batendo descompassado em seu peito. "E aqui estamos nós." Ela anunciou.

Ele pendeu a cabeça para o lado. "E aonde seria aqui?"

Ela passou um dedo pelo colarinho da blusa que ele usava e desceu passando pelos botões, ansiosa pra sentir a pele nua sob seus dedos. "Nós estamos em uma suíte no Four Seasons, o palco pro nosso show dessa noite."

Harry estava adorando esse lado desinibido e sensual de Hermione. Normalmente ela era muito calma e centrada, mas ele sempre suspeitou de que por baixo daquela farsa havia uma mulher bastante passional. Aquela última hora com ela havia provado que tal pensamento estava correto, assim como o tom animado dela enquanto descrevia para ele, em um tour verbal, o local privativo designado para a noite de pecado e sedução que os aguardava – que contava com uma jacuzzi e uma sacada reservada.

"Você quer comer alguma coisa?" ela perguntou enquanto eles retornavam a área principal da suíte. "Eu pedi pro serviço de quarto trazer uns aperitivos, caso você esteja com fome."

O braço dela começou a escapar do dele, onde estava entrelaçado, mas antes que ela pudesse se afastar, ele conseguiu segurar o pulso dela. Levando a mão dela até a boca, Harry beijou a palma e então mordeu de leve a pele macia logo abaixo do polegar dela. Ela prendeu a respiração, um som simples, porém erótico, que Harry imaginava que ela faria quando estivesse à beira de um orgasmo.

Naquela noite ele descobriria.

"Minha fome não é por comida, Hermione," ele disse.

"Então o que você deseja?"

A voz dela estava rouca, o tom era de um desafio sugestivo, que Harry certamente não iria recusar. "Eu gostaria que você se despisse para mim. Devagar e sensualmente."

A risada suave dela foi quase como uma carícia para ele. "Pra que fazer um strip se você nem mesmo pode me ver?"

"Você vai ser os meus olhos, lembra? Apenas me diga o que você está fazendo e como você está fazendo, que minha imaginação vai preenchendo o resto."

"Tudo bem." Ela concordou e o levou até uma cadeira, para que ela pudesse começar o show.

Sentando em uma cadeira de espaldar reto e sem braços, Harry esticou as pernas, se fazendo confortável. "Agora eu quero sua blusa, e eu quero detalhes." Ele sorriu.

"Eu estou levantando minha blusa devagar... vou tirá-la agora..." ela disse, sedutora, e um momento depois ele sentiu o tecido cair em suas mãos, quando ela jogou a peça para ele. "E aqui vai o meu sutiã de renda branca." A peça caiu no ombro dele. "Agora meus seios estão desnudos."

Uma necessidade imensa surgiu dentro de Harry enquanto ele pegava as duas peças e as jogava no chão. Ele imaginou Hermione a alguns centímetros de distância, os seios dela empinados... ele desejou poder vê-los com os próprios olhos, a forma, a textura, mas no momento ele não tinha escolha, a não ser vivenciar tudo através dela.

"Já que eu não posso ver, você vai ter que descrevê-los para mim."

"Hmmm..." O som provocativo deslizou da garganta dela como um ronrona, dando a ele a impressão de que ela estava tocando os próprios seios e se deliciando com a sensação. "Eles são macios e firmes... meus mamilos estão rijos, são muito sensíveis ao toque."

Harry gemeu, sentindo como se a qualquer momento fosse alcançar o prazer sem nem ao menos tirar as calças. Nem mesmo mudando de posição na cadeira ele conseguia aliviar, de alguma forma, a pressão que estava sentindo em seu membro. Ele não conseguia lembrar uma vez em que estivera mais rijo e excitado. E tudo por uma mulher que mesmo fora do alcance de seus olhos, parecia tão palpável. Era uma sensação deliciosa e ao mesmo tempo frustrante.

"Agora estou tirando minha calça." Ele escutou o som do zíper, junto com roçar do jeans pelas pernas dela. "E por último, aqui está a minha calcinha."

O item em questão bateu diretamente no peito de Harry e caiu até seu colo, bem em cima da ereção pulsante do moreno. Ele pegou o pedaço de seda, ainda com o calor do corpo dela e molhado por sua excitação. O cheiro feminino dela aguçou a mais urgente e primitiva necessidade de Harry.

O coração dele agora batia de forma errática. "Merlin, como seu cheiro é bom," ele diz numa voz baixa e rouca, que ele mesmo quase não reconheceu. "Aposto que seu gosto é ainda melhor."

"Você é mais do que bem vindo para descobrir," ela desafiou, com um tom de voz que o atiçou ainda mais.

Harry não agüentava mais a distância entre eles, aquela venda lhe dava uma estranha sensação de solidão. A visão que ela descreveu para ele não era o bastante quando ele queria, precisava, de uma conexão física entre eles. Ele ansiava por descobrir cada curva, forma, detalhe do corpo de Hermione com as mãos. Descobrir qual preliminar ela gostava mais, com o toque dos dedos dele ou o roçar de sua língua.

Sem mais jogos, sem mais espera. "Venha até aqui, Hermione," ele sussurrou e a chamou com o dedo. "É a minha vez de sentir, tocar e provar."


N.A.: Gente!! Perdão por não ter postado final de semana passado, foi realmente preguiça e nada mais. Mas se ela não me atacar de novo, eu pretendo postar o 4 durante a semana e o 5 no sábado ou domingo... Muuuito obrigada pelas reviews! Eu só não sei porque recebo mais avisos de que colocaram a fic no alerta do que comentários... é tão fácil gente...: Submit Review – GO não custa nada :D

Até o próximo!!