Capítulo 3: O Sexto Membro do Grupo

O grupinho caminhou durante algumas horas, até que ouviram um barulho atrás de si. Viraram-se rapidamente, não fosse a raposa Rita ou outro inimigo os tentar atacar. Mas não viram nada.

"Quem está aí?" perguntou Vanda. "Apareça!"

O grupo olhou mais uma vez à sua volta, mas não viram nada, nem ninguém. Mas segundos depois, de uma árvore apareceu um falcão, chamado Frederico.

"Foram vocês que andaram à luta na floresta, não foram?" perguntou ele, voando perto do grupo.

"Fomos." respondeu Vanda.

"Como se atrevem a quebrar o equilíbrio da floresta? Vão pagar por isso!"

Pedro tremeu e escondeu-se atrás de Guiomar.

"Ei! Nós só lutámos para nos defendermos." disse Gabriel, zangado.

"É verdade. Fomos atacados por duas raposas e um morcego. E pronto, a Vanda foi contra a raposa mais velha, depois de eu lhe ter lançado um ovo míssil, que é um ataque meu que é do melhor. E o Pedro usou a sua flatulência na raposa mais nova e..."

"Silêncio!" gritou o falcão, fazendo com que Guiomar interrompesse o seu discurso. "Vocês vão ser levados até à presença do mestre Cícero."

"Ai! Vamos morrer!" gritou Pedro, começando a tremer como varas verdes.

"Bolas, eu bem sabia que tinha imenso azar." murmurou Patareca. "Mas não queria morrer antes de viver um grande amor..."

"Vão acompanhar-me de boa vontade ou terei de os forçar?" perguntou o falcão Frederico.

"Ora, nós somos cinco e tu és só um. Se queres luta, nós vencemos-te e vamos embora." disse Gabriel, confiante.

O falcão emitiu um som e pouco depois, quatro lobos e quatro ratazanas apareceram do meio das árvores.

"Porque é que não consegues manter a tua boca fechada, Gabriel?" perguntou Vanda, irritada. "Pronto, nós vamos com vocês."

O grupo foi escoltado por alguns minutos, até que chegou a uma clareira na floresta. A clareira tinha apenas uma árvore grande no meio.

"Chegámos." anunciou o falcão Frederico.

"Mas não está aqui ninguém." disse Vanda.

"Pois, onde é que está o tal Cícero? É invisível ou quê?" perguntou Guiomar.

"Ele está ali, em cima do tronco da árvore. Façam-lhe uma vénia. Já!" gritou Frederico.

Os cinco companheiros olharam para o tronco da árvore e depois de olharam com bastante atenção viram que lá estava um caracol de casca castanha, mas bastante pequeno.

"O quê? Aquele é o Cícero?" perguntou Guiomar, incrédula.

"Um caracol?" perguntou Pedro, confuso.

Vanda e Gabriel entreolharam-se e começaram a rir-se.

"Ei! Que falta de respeito!" gritou o caracol Cícero.

Apesar de pequeno, tinha uma voz que se ouvia bastante bem.

"Como se atrevem a gozar com o mestre Cícero?" perguntou Frederico, furioso.

"Nós não vamos obedecer a um caracol." disse Patareca. "Não queremos mal a ninguém. Só queremos atravessar a floresta e pronto."

"Agora não atravessam que eu não deixo!" gritou Cícero. "Eu sou um caracol de respeito! Vocês são uns mal-educados e vão pagar por isso. Frederico, prende-os!"

Logo de seguida, Frederico, os lobos e as ratazanas avançaram, para prender os cinco amigos, que saltaram para o lado.

"Deixem-nos em paz! Jacto de Leite!" gritou Vanda, lançando leite contra Frederico, que ficou atordoado.

"Ovo Míssil!" gritou Guiomar e um ovo acertou em cheio na cara de uma ratazana, que cambaleou e caiu no chão.

"Garras de Gato!" gritou Gabriel, atirando-se para cima de um dos lobos.

"Ai credo! Eles são mais que nós." disse Pedro, tremendo.

Patareca olhou para os outros, sem saber o que fazer. Depois pousou o olhar no caracol Cícero que estava ali perto e teve uma ideia. Correu para ele e agarrou-o.

"Larga-me, pata desgraçada!" gritou o caracol, furioso.

"Quietos! Se atacarem, eu esmago o caracol!" gritou Patareca.

De imediato, os lobos, as ratazanas e o falcão pararam.

"Boa Patareca!" exclamou Pedro, aliviado.

"Agora, se não querem que eu mate o caracol, vão-se embora. Já!" gritou Patareca.

Os inimigos hesitaram.

"Vão-se embora, parvalhões! Não quero morrer!" gritou Cícero.

Os lobos, as ratazanas e o falcão Frederico recuaram, desaparecendo pelo arvoredo. Os amigos aproximaram-se.

"Assim é que é Patareca." disse Vanda, sorrindo.

"Agora, para termos a certeza de que não somos atacados antes de sairmos da floresta, tu vens connosco." disse Guiomar.

"Seus parvalhões! Como se atrevem a fazer isto a um caracol importante como eu?" perguntou Cícero, furioso.

"Ei, se nos insultares mais, podes ter a certeza que te piso e vais desta para pior." ameaçou Gabriel.

"Bom, vamos seguir viagem. Patareca, não o deixes fugir." disse Vanda.

"Olhem, é melhor ser outra pessoa a levá-lo. Com o meu azar, ainda o perco ou o mato sem querer." disse Patareca.

E assim, Guiomar pegou no caracol e o grupo continuou o seu caminho.

O grupo passou algumas horas a andar, sempre com o caracol Cícero a reclamar.

"Onde é que já se viu, raptarem-me?" perguntava ele, furioso. "Vocês vão arrepender-se disto!"

"Está mas é calado antes que te atiremos para dentro de uma poça de água e morras afogado." ameaçou Vanda, aborrecida. "Temos de chegar ao fim da floresta rapidamente. Tenho de salvar a minha mãe."

"Salvar a tua mãe, vaca estúpida? Que conversa é essa?" perguntou Cícero, curioso.

Apesar do insulto, Vanda contou a Cícero o que tinha acontecido.

"E vocês vieram este caminho todo para salvarem outra vaca?" perguntou ele.

"Não te atrevas a dizer mal da minha mãe, nem do que estamos a fazer, senão dou cabo de ti!" ameaçou Vanda.

"E eu ajudo-te, Vanda." disse Gabriel.

"Eu não ia dizer mal. Sabem, quando eu ainda era um caracol pequeno..."

Os outros entreolharam-se e começaram a rir-se.

"Estúpidos! Vocês pensam que por serem maiores que eu são grande coisa? Hunf, estava eu a dizer... quando eu era um caracol mais novo, a minha mãe também foi raptada."

"A sério?" perguntou Patareca, curiosa. "E então?"

"Uma lesma enorme raptou-a. Mas eu fui atrás dela. Com a ajuda de um louva-a-deus, um periquito e uma borboleta, conseguimos salvar a minha mãe."

"Isso é interessante." disse Pedro. "Mas olha lá, como é que um caracol pode ser o chefe de lobos e ratazanas? Eles são muito maiores e mais fortes que tu."

"Mas são estúpidos e burros. Até o falcão Frederico é burro. Como eu sou mais esperto que eles, eu é que mando."

"Já não deve faltar muito para chegarmos ao fim da floresta." disse Guiomar.

O grupo continuou a caminhar.

"Ah, sinto falta do tempo em que eu era pequeno e ficava em casa a ver televisão. Adorava ver o Porcoball Z." disse Pedro.

"Eu gostava mais de ver o Dartagato." disse Gabriel. "Era muito interessante. O Dartagato e os três gatosteiros."

"Eu gostava era de ver a Sailor Múu. Adorava aquelas perucas falsas de cabelo loiro e ataques e mini-saias." disse Vanda.

"Pois eu gostava de ver os Patomons. Eram tão giros. Patomon patovului para Grandepatomon ou para Muitofortepatomon." disse Patareca.

"Eu ainda sou do tempo da abelha Laya. Aquilo sim, eram desenhos animados. E também gostava de ver a galinha Galinheidi, que vivia nas montanhas com o avô." disse Guiomar.

"Eu nunca gostei de desenhos animados." disse Cícero. "Isso era para quem não tinha gosto nenhum. Se bem que havia aqueles desenhos animados do Caracol Captor Sakura, que até não eram maus..."

Alguns minutos depois, o grupo chegou finalmente ao final da floresta e saíram para o ar livre.

"Conseguimos atravessar a floresta." disse Pedro, suspirando. "Ainda bem. A floresta dava-me arrepios."

"Pronto, Guiomar já podes voltar para a estalagem. E leva o Cícero contigo, porque assim tens a certeza de que não és atacada pelo caminho." disse Vanda.

"Eu... bem, eu sei que deveria voltar, mas já agora, eu queria ir com vocês até ao final." disse Guiomar.

"Mas a tua irmã está à espera que voltes." disse Patareca.

"Não faz mal. Ela que espere. A prima Guilhermina já deve ter chegado para a ajudar. Vamos lá salvar a tua mãe. Quando mais formos melhor, não achas?"

Vanda olhou para os outros, que acenaram afirmativamente.

"Está bem. Podes vir connosco." respondeu ela.

"Obrigada. Vai ser muito entusiasmante salvarmos a tua mãe do malvado Tomás Touro. Já estou mesmo a ver, nós a entrarmos pelo castelo e a salvá-la e vencer o Tomás Touro e..."

"Pois, já percebemos." interrompeu Gabriel. "Já que vens connosco, vamos soltar o caracol então."

"Não quero!" gritou Cícero.

"O quê? Vamos devolver-te à floresta." disse Pedro.

"Agora não me apetece. Fiquei interessado na vossa aventura. Quero ir com vocês. E eu é que mando!"

"Primeiro, não mandas nada. Segundo, para que é que queres vir connosco? És demasiado pequeno para nos ajudares." disse Vanda.

"Sou pequeno, mas tenho experiência. Vocês estão a pensar que chegam ao castelo e está tudo de portas abertas para vos receber e salvarem a mãe da Vanda? Claro que não! Têm de arranjar maneira de entrar lá e salvá-la, mas sem darem nas vistas. E eu sou bom com planos."

Os outros voltaram a entreolhar-se, sem saber bem o que dizer.

"Acho que ele tem razão." pronunciou-se Guiomar. "Além de que ele é tão pequeno que não deve comer muito, não é pesado e se nos chatear muito, podemos sempre deixá-lo num lugar qualquer e ele não nos consegue seguir."

"Hunf, galinha parva..." resmungou Cícero.

"Estão todos de acordo que o Cícero venha connosco?" perguntou Vanda.

Os outros acenaram afirmativamente.

"Ok. Cícero, a partir de agora já não és um refém, mas sim um companheiro de grupo. E não és o líder, porque nós não temos lideres. Entendido?"

"Está bem. Hunf, que vaca mais chata..." resmungou Cícero.

Vanda ignorou mais um insulto e o grupo seguiu viagem, a caminho da Montanha Enevoada.

Depois de uma hora e meia a caminhar, o grupo chegou à base da Montanha Enevoada.

"Ena, não conseguimos mesmo a ver o topo, nem lá perto. Está tudo enevoado." disse Pedro.

"Claro, porco lerdo, porque é que achas que se chama Montanha Enevoada?" perguntou Cícero, que se divertia a insultar os outros membros do grupo.

O grupo começou a subir a montanha. Quando iam a meio, começaram a seguir um trilho onde o nevoeiro não era tão denso.

"Temos de ter muito cuidado, senão ainda caíamos." avisou Vanda.

"Eu tenho sete vidas, por isso mesmo que caia, não morro." disse Gabriel.

Depois de várias horas a caminharem, o grupo viu que o caminho se separava. Um caminho começava a descida pela montanha e o outro ia dar a uma aldeia que era pouco visível por causa do nevoeiro.

"Se começarmos a descer, ainda somos capazes de chegar hoje ao outro lado da montanha." disse Vanda.

"Já está a começar a escurecer." disse Guiomar. "Vanda, sei que estás com pressa para salvares a tua mãe, mas acho que estamos todos cansados e uma boa noite de sono naquela aldeia seria óptimo."

"Eu concordo. Estou bastante cansado." disse Pedro.

"Eu gostava de dormir mais uma noite numa cama fofinha." disse Patareca.

"E voltarmos a comer carne! A aldeia deve ter carne. Ou peixe, tanto faz." disse Gabriel.

"Ah, bando de lesmas, não aguentam nada." disse Cícero.

"Cala-te que tu não fizeste esforço nenhum. Ficaste sempre pousado no ombro da Guiomar." disse Gabriel, aborrecido.

"Pronto, se vocês estão cansados, está bem, podemos parar na aldeia. Mas não temos muito dinheiro." disse Vanda.

"Eu trouxe dinheiro comigo. Não se preocupem." disse Guiomar. "Vamos?"

O grupo começou a caminhar em direcção à aldeia. Quando lá chegaram, estranharam não ver ninguém.

"O que será que se passa aqui?" perguntou Patareca, confusa.

"Ai, não estou a gostar nada disto." disse Pedro, tremendo.

O grupo continuou a caminhar pela aldeia. Quando iam a passar pelo centro da aldeia, de uma grande casa saiu um boi e um camaleão com uma bata preta.

"Ah, forasteiros." disse o boi. "Eu sou o Bernardo Boi, o chefe desta aldeia."

"Olá. Nós vínhamos para passar aqui a noite." disse Vanda.

"Hum, esta vaca é gira." murmurou Bernardo. "Cláudio, trata dela."

"Sim senhor." disse o camaleão, começando a murmurar palavras.

Vanda sentiu-se tonta.

"Vanda, estás bem?" perguntou Gabriel. "Ei! O que é que vocês estão a fazer?"

"Guardas!" gritou Bernardo.

De várias casas saíram alguns bois, uns lobos, alguns porcos e dois ratos.

"Estes forasteiros têm de ser eliminados. A vaca fica para mim. Prendam as fêmeas e matem os machos. Já!" gritou Bernardo.

Os animais começaram a correr para o grupo dos heróis. Vanda caiu no chão, desmaiada.

"Fujam pessoal!" gritou Gabriel.

Gabriel começou a saltar para sair dali. Pedro usou a sua flatulência e fez com que alguns lobos desmaiassem. Patareca preparou-se para correr, mas tropeçou e foi apanhada pelos dois ratos.

Guiomar começou a correr e passou por dois lobos, mas Cícero, que continuava no seu ombro, caiu no chão, sendo apanhado de seguida.

Enquanto Pedro, Gabriel e Guiomar fugiam da aldeia, com os lacaios de Bernardo atrás. Patareca e Cícero foram levados até ao chefe da aldeia.

"Hunf, espero que apanhem os outros. Mas não importa. Já tenho a minha noiva." disse Bernardo, olhando para Vanda, que continuava desmaiada. "Cláudio, fizeste um bom trabalho com o teu poder hipnótico."

"Obrigado." agradeceu o camaleão.

"Malvados! Soltem-nos!" gritou Patareca.

"Levem-na para uma cela." ordenou Bernardo.

"E o caracol, chefe?" perguntou um dos ratos. "Parece ser macho."

"Ó seu parvalhão de um raio!" gritou Cícero. "Os caracóis são hermafroditas. Logo, posso ser macho ou fêmea... er... e sou fêmea, vê-se logo, por isso não me podem matar."

Todos olharam para Cícero, desconfiados. Cícero tentava manter a sua farsa, com medo de ser morto.

"És mesmo fêmea?"

"Claro. Sou a Cissy."

"Hunf, bem prendam a caracoleta com a pata também." ordenou Bernardo.

Vanda foi levada até à maior casa da aldeia, de onde Bernardo e Cláudio tinham saído e Patareca e Cícero foram levados até à prisão da aldeia.

Com o nevoeiro, Pedro, Gabriel e Guiomar tinham conseguido despistar os lacaios de Bernardo, que tinham voltado à aldeia.

"O que fazemos agora?" perguntou Guiomar. "Eles apanharam o Cícero, a Vanda e a Patareca."

"Temos de arranjar maneira de os salvar. Vamos pensar num plano." disse Gabriel.

Na prisão, Patareca tinha começado a chorar, enquanto Cícero olhava para ela, aborrecido.

"Ó minha cabeça de vento, pára lá de chorar. Isso não vai resolver nada." disse Cícero.

"Eu sei... mas não consigo parar." disse Patareca. "Estamos todos separados... e eu estou presa..."

"Então em vez de chorares, pensa é numa maneira de sairmos daqui."

Anoiteceu. Guiomar, Gabriel e Pedro fizeram um abrigo na montanha.

"Temos de nos infiltrar na aldeia e salvar os outros. Depois, saímos de lá a correr." disse Gabriel.

"Mas é perigoso. Podem matar-nos." disse Pedro, tremendo.

"Se tivermos cuidado, não nos acontecerá nada. E além disso, não podemos deixar a Vanda, a Patareca e o Cícero para trás."

"Eu concordo com o Gabriel." disse Guiomar, abanando a cabeça. "Vamos pensar num plano e salvá-los."

Entretanto, Vanda acordou na casa do Bernardo Boi e olhou à sua volta.

"Onde estou?" perguntou ela, confusa.

Pouco depois, Bernardo apareceu.

"Ah, já acordaste minha noiva."

"Noiva? Estás maluco ou quê?" perguntou Vanda. "Onde é que eu estou?"

"Estás na minha casa. E és a minha noiva."

"Onde estão os meus amigos?"

"Alguns fugiram, outros estão presos." respondeu Bernardo. "Mas não te importes com eles. Há muito tempo que eu procurava uma noiva como tu e finalmente encontrei."

"Eu não quero casar contigo, estúpido!" gritou Vanda, furiosa.

"Vais querer. Agora, ficas aqui fechada e não armes confusão, senão castigo-te."

Bernardo saiu do quarto, trancando a porta atrás de si.

"Oh não, como estarão os outros?" perguntava-se Vanda. "Tenho de conseguir sair daqui rapidamente."

E assim termina o terceiro capítulo. Cícero juntou-se ao grupo, mas esse mesmo grupo encontra-se agora separado. Conseguirão Gabriel, Guiomar e Pedro salvar os outros ou irá ser Vanda obrigada a casar com Bernardo? Não percam o próximo capítulo.