Capítulo 4: O Castelo do Tomás Touro

O dia amanheceu rapidamente e os companheiros já tinham planos delineados nas suas cabeças. Mesmo não estando todos juntos, não deixariam que a situação se mantivesse ou piorasse.

Patareca e Cícero tinham elaborado um plano em conjunto na noite anterior, depois de Cícero ter insultado Patareca pela centésima vez e tê-la feito parar de chorar depois de lhe conseguir fazer um elogio forçado.

Quando um guarda rato veio trazer a comida aos dois, abriu a porta e pousou o prato de comida no chão.

"Agora comam e não façam barulho. Mais tarde o mestre Bernardo vai decidir o que fazer com vocês." disse o guarda.

"Ei, senhor guarda, não se sente sozinho?" perguntou Patareca, piscando-lhe o olho. "Não quer aproximar-se mais?"

O guarda piscou os olhos, sem perceber.

"Anda lá querido." disse Patareca, numa voz sedutora.

O rato sorriu e aproximou-se. Nesse momento, da lâmpada que pendia do tecto saltou Cícero e caiu em cima da cara do rato.

"Muco Paralisante!" gritou Cícero.

A cara do rato ficou cheia de muco e o rato caiu no chão, desacordado. Patareca pegou em Cícero.

"Foi uma boa ideia usar o muco especial que tinhas na tua carapaça." disse Patareca.

"Tenho muitas coisas escondidas na minha carapaça. Isto é quase como um armazém ambulante. Bem, não vamos perder mais tempo. Vamos sair daqui. Mas com cuidado, para não sermos vistos."

Os dois saíram da sua cela e viram que havia outras celas com outros animais lá dentro, que só não os viram por pouco.

"Acho que aquele Bernardo Boi é um tirano e estes animais que aqui estão foram os que se opuseram a ele." murmurou Cícero.

"Então devíamos libertá-los." sugeriu Patareca.

Enquanto isso, Gabriel, Guiomar e Pedro tinham voltado a entrar na aldeia e iam-se escondendo por entre as casas.

"Temos de ver se encontramos a Vanda e os outros." disse Gabriel. "Não podem estar muito longe. A aldeia não é assim tão grande."

"Aquele boi maluco saiu de uma casa no centro da aldeia." disse Guiomar. "É melhor irmos até lá para ver se achamos alguma pista ou podem estar mesmo presos naquela casa."

"Acho é que nos vão transformar em lombo de porco e galinha assada e que tu vais perder uma das tuas vidas, Gabriel." disse Pedro, tremendo e seguindo os outros dois.

No quarto onde estava presa, Vanda andava de um lado para o outro, esperando uma oportunidade para escapar. Essa mesma oportunidade surgiu poucos minutos depois, quando uma andorinha destrancou a porta e trouxe uma bandeja de comida para Vanda.

"Aqui tem o pequeno-almoço e..."

Vanda empurrou a andorinha para o lado e saiu a correr do quarto. Desceu umas escadas apressadamente e viu a porta da rua. Do outro lado do corredor surgiram Bernardo Boi e o camaleão Cláudio.

"A minha noiva está a fugir!" gritou Bernardo, furioso. "Vamos apanhá-la!"

Vanda correu para a porta da rua e saiu para o centro da aldeia, sendo logo seguida por Bernardo e Cláudio.

"Guardas! Apareçam e prendam a vaca!" gritou Bernardo.

Alguns lobos, ratos, porcos e bois surgiram rapidamente e Vanda viu-se rodeada.

"Desta vez não vou desmaiar, nem fugir. Vou lutar." disse Vanda, determinada. "Carga de Vaca!"

Vanda correu rapidamente e embateu contra dois lobos, lançando-os contra a parede de uma casa.

"Agarrem-na!" gritou Bernardo. "Cláudio, tu que tens poderes de hipnose, hipnotiza-a e pára-a como da outra vez."

"É para já." disse Cláudio, dando um passo em frente.

"Ovo Míssil!"

Um ovo acertou em cheio na cara do camaleão, fazendo-o cair no chão. Guiomar, Gabriel e Pedro surgiram de uma das ruas.

"Chegámos para arrasar!" gritou Gabriel, correndo para dois porcos. "Garras de Gato!"

Gabriel arranhou os dois porcos, que guincharam de dor. Dois bois vieram a correr na direcção de Pedro e Guiomar.

"Tape o bico Guiomar." disse Pedro. "Nuvem de Flatulência!"

Depois de um pum, o ar em volta de Pedro e Guiomar tornou-se quase irrespirável. Os dois bois cheiraram o ar e caíram no chão, desmaiados.

Vanda e Gabriel atacaram mais guardas. Cláudio levantou-se do chão e Bernardo estava possesso.

"Raios! Vocês são mais do que eles! Prendam-nos!" gritou ele.

De seguida, levou com um ovo na cabeça e virou-se, vendo Patareca a aproximar-se e Cícero no seu ombro.

"Chegámos!" gritou Patareca. "E não viemos só."

Atrás deles apareceram todos os outros animais que tinham sido presos a mando de Bernardo. Eram mais de trinta.

"Pessoal, vamos lá vencer estes malvados!" gritou Cícero. "Atacar!"

A confusão instalou-se rapidamente. Os ex-prisioneiros correram para os guardas e para o Bernardo Boi e começaram a atacá-lo. O camaleão Cláudio tentou escapulir-se mas Patareca e Pedro barraram-lhe o caminho.

"Não podes fugir." disse Pedro, tentando parece confiante.

"Saiam da minha frente!" gritou Cláudio, tentando empurrá-los.

Patareca e Pedro saltaram para cima do camaleão e começaram a bater-lhe, conseguindo imobilizá-lo de seguida. Cláudio começou a entoar um cântico para se libertar mas Pedro pegou numa pedra que estava ali perto e enfiou-lha na boca, fazendo-o calar-se.

"Toma lá, parvo!" exclamou Pedro.

"Boa Pedro. Assim é que é! Já estás mais corajoso." disse Patareca, sorrindo.

Cícero tinha passado para o ombro de Guiomar, que tinha acabado de dar com um ovo na cabeça de um dos bois.

"Agora, atira-me!" ordenou Cícero.

Guiomar assim fez e Cícero voou em direcção a um porco, acertando-lhe na cara.

"Toma lá, Muco de Espirros!"

A cara do porco ficou cheia de muco e ele começou a espirrar. Cícero saltou para o chão e enrolou-se na carapaça para não se magoar.

"Bolas, isto agora é perigoso." disse ele, rastejando para longe dos pés dos lutadores que quase o esmagavam sem querer.

Gabriel e Vanda, acompanhados de mais cinco ex-prisioneiros estavam nesse momento a rodear Bernardo.

"Estúpidos! Como se atrevem a enfrentar-me?" perguntou Bernardo, furioso. "E tu Vanda, ias ser a minha noiva."

"Ora, eu não quero ser a noiva de ninguém!" exclamou Vanda, irritada.

"O Bernardo Boi apareceu com os seus guardas malvados e o camaleão e tomou a aldeia, prendendo-nos a todos." disse um dos ex-prisioneiros. "Tem de ser castigado."

"Atacar pessoal!" gritou Gabriel.

Todos se atiraram para cima do Bernardo Boi, que acabou por ser imobilizado. Em poucos minutos, todos os guardas de Bernardo tinham sido vencidos.

Algumas horas depois, Bernardo, Cláudio e os guardas estavam todos na prisão e os animais da aldeia puderam voltar para as suas casas.

A anciã da aldeia levou Vanda e os amigos até à sua casa, que era a maior casa da aldeia e era a casa que Bernardo tinha usado e onde deixara Vanda fechada.

"Agradeço-vos muito." disse a anciã, que era uma cabra velhota. "Se não fossem vocês, ainda estaríamos todos presos e à mercê do Bernardo Boi e dos outros malvados."

"Não tem de nos agradecer." disse Vanda. "Nós até nem sabíamos que vocês estavam presos. Lutámos para nos livrarmos deles porque eles nos ameaçaram, prenderam e raptaram."

"Têm é de agradecer a mim e a à pata tonta." disse Cícero. "Nós é que vos libertámos."

"Não sejas chato, Cícero." disse Patareca, abanando a cabeça.

"O mínimo que posso fazer por vocês é oferecer-vos uma boa refeição e um lugar para dormir." disse a cabra anciã.

"Nós aceitamos a comida, mas temos de partir imediatamente." disse Vanda.

"Porquê? Apetecia-me dormir numa cama macia." disse Pedro.

"Mas já perdemos um dia por causa do Bernardo Boi. O Tomás Touro e a minha mãe já chegaram ao castelo dele, de certeza e eu tenho de salvar a minha mãe." disse Vanda.

"A Vanda tem razão." concordou Guiomar. "Vamos partir depois de comermos."

"Desculpem se estou a ser muito rígida, mas não posso deixar a minha mãe raptada mais tempo. Já vi o que custa e só estive raptada durante umas horas. Mas talvez seja melhor não me acompanharem mais, para não se exporem ao perigo. E podiam ficar nesta aldeia, instalados no conforto."

Logo de seguida, todos os outros falaram.

"Vanda, eu vim para te ajudar. Nunca te ia deixar sozinha. Podes contar sempre comigo." disse Gabriel.

"E comigo também! Vocês salvaram-me daquela raposa malvada e tenho vivido coisas que nunca tinha vivido antes. E acho que estou a tornar-me mais corajoso. Posso dormir numa cama fofa daqui a uns tempos. Agora o importante é ajudar-te, Vanda." disse Pedro.

"Eu também vou continuar com vocês. São meus amigos e faço tudo por vocês." disse Patareca.

"Eu, como a mais velha do grupo, nunca iria desistir a meio da aventura. Vou ajudar em tudo o que precisarem, na medida do possível, é claro." disse Guiomar.

"Apesar de serem todos uns bananas, até não são más pessoas. E até estou a... não desgostar de vos acompanhar. Além de que tu, vaca lerda, precisas da minha ajuda para salvares a tua mãe. Vais ver que a minha estratégia vai ser muito necessária." disse Cícero.

Vanda sorriu aos amigos.

"Obrigada a todos, mesmo a ti, Cícero. Obrigada por serem meus amigos e me acompanharem. "Vamos então comer para depois partirmos."

Depois de uma grande refeição, em que Gabriel comeu toda a carne que quis, o grupo saiu da aldeia, em direcção à base da montanha e ao castelo do Tomás Touro.

O grupo desceu a montanha, o que demorou quase um dia inteiro. Quando deixaram a montanha para trás, começaram a ver, ao longe, um castelo negro erguido numa colina.

"É o castelo do Tomás Touro, de certeza." disse Vanda.

"Finalmente, depois de tanto tempo a caminhar, estamos a chegar ao nosso destino." disse Gabriel.

Os outros concordaram, parecendo ficar animados. Todos menos Cícero, que ia pousado no ombro de Vanda e abanou as suas antenas.

"Vocês parecem muito animados, mas não deviam estar. Não vai ser fácil lá entrar e vai ser muito perigoso. Se calhar só metade de nós é que sai de lá vivo. E isto se tivermos sorte." disse ele.

Os outros lançaram-lhe olhares frios e zangados.

"Não olhem assim para mim. Eu tenho razão! Nós somos só seis e o Tomás Touro deve ter, no mínimo, cinquenta bois ao seu serviço. Vencemos o Bernardo Boi e os guardas com a ajuda dos aldeões, mas sozinhos não vai ser nada fácil."

"O Cícero até tem razão..." disse Patareca, pensativa. De seguida tropeçou numa pedra e caiu no chão. Pedro ajudou-a a erguer-se.

"Isto está bonito, está." resmungou Cícero. "Eu até já me estou a arrepender de ter vindo com vocês. Eu sou um caracol e não posso nada contra um Touro. A pata é trapalhona, a galinha ainda acerta com uns ovos mas nada mais, o porco é cobarde e o gato é pequeno em relação ao Touro. Enfim, reformulando o que eu disse anteriormente, acho que nenhum de nós vai sair vivo do castelo."

"Não podemos pensar assim." disse Vanda. "Mas se queres ficar para trás, fica. E vocês também. Ouviram o que ele disse e podemos todos morrer."

"Não me matam assim tão facilmente." disse Guiomar. "Eu sou rija. Até houve uma vez em que eu comi milho envenenado e passei dias à beira da morte, mas sobrevivi porque sou uma galinha de coragem. Não é um touro e uns bois parvalhões que me vencem."

"Eu não sou muito corajoso, mas vou dar o meu melhor." disse Pedro. "Podem contar comigo. Vou fazer tudo o que puder."

"Eu também." disse Patareca. "Posso ser trapalhona, mas acho que a minha ajuda é importante."

"A ajuda de todos é importante." disse Gabriel. "Vanda, vamos todos salvar a tua mãe e castigar o Tomás Touro. E tu, Cícero, disseste que nos ias ajudar com planos, por isso, começa mas é a pensar nalguns."

O grupo decidiu parar e continuar a marcha à noite, para não serem avistados do castelo. A ideia foi de Cícero e todos concordaram. À noite começaram a caminhar de novo e chegaram às muralhas do castelo.

"E agora? O portão está fechado." murmurou Vanda.

"Agora arranjamos maneira de entrar no castelo, lerda." respondeu Cícero, no seu tom azedo. "Gato, tira aí a corda da mochila."

Gabriel assim fez e tirou uma grande corda da sua mochila.

"Óptimo. Agora prende na ponta da corda aquela pedra grande que ali está."

Gabriel fez o que Cícero mandou.

"E agora atira a corda com a pedra para ali para cima da muralha. Atira com força, ouviste?"

"Deixa-me atirar a mim. Eu tenho mais força." disse Vanda, pegando na corda e atirando-a.

A corda com a pedra voou para cima da muralha e prendeu-se num buraco. Vanda puxou a corda e ela não cedeu.

"Muito bem, está fixa. Agora, pata, tu que és a mais leve além de mim, toca a subir a corda lá para cima. Se ela conseguir, vai outro a seguir. Mexe-te pata!"

Patareca começou a subir pela corda, rezando para que o seu habitual azar não acontecesse e conseguiu chegar ao topo da muralha. Viu uma luz, que deveria ser o guarda a fazer a ronda, mas estava do outro lado da muralha.

De seguida, Pedro, Gabriel, Guiomar e por fim Cícero e Vanda subiram pela corda, escondendo-se de seguida atrás de uma parede, pois tinham demorado algum tempo a subir a corda e o guarda estava a passar por ali em ronda. Quando ele se afastou, os seis companheiros saíram do seu esconderijo.

"Vêm, o plano resultou." disse Cícero. "Já estamos cá dentro."

"Pois, mas onde será que estará a mãe da Vanda?" perguntou Guiomar. "O castelo é bastante grande. Deviamos dividir-nos e procurar. Agora não deve haver muitos guardas a fazer ronda."

"Está bem. Gabriel, vais com a Patareca e a Guiomar. Eu vou com o Pedro e o Cícero." disse Vanda. "Tenham cuidado."

"Vocês também." disse Gabriel.

O grupinho dividiu-se, indo cada um para um lado do castelo, para procurarem a Vaca Mimosa.

Vanda, Pedro e Cícero foram pelo lado esquerdo do castelo. Havia apenas um guarda a fazer patrulha por ali e outro que parecia ter adormecido.

"Se calhar já estão todos a dormir." murmurou Pedro. "Não vamos conseguir encontrar o lugar onde a tua mãe está, Vanda."

"Cala-te porco pateta!" rosnou Cícero.

Pedro calou-se e Vanda continuou a caminhar, ignorando o que ele tinha dito. Encontraram uma porta e conseguiram entrar para dentro do castelo. Do lado direito do castelo, Gabriel, Guiomar e Patareca tinham feito o mesmo.

"Nós nem sabemos como é a mãe da Vanda." disse Patareca.

"Ora, é como todas as outras vacas." disse Guiomar.

"Eu conheço-a, por isso não se preocupem." disse Gabriel, continuando a caminhar.

Os corredores estavam escuros e eles viam pouco. O grupo de Vanda viu algumas portas pelo corredor e Vanda aproximou-se de uma delas.

"O que vais fazer?" perguntou Pedro.

"Vou abrir a porta e ver se a minha mãe está aqui." respondeu Vanda.

"É perigoso! Podem estar aí alguns guardas ou assim. Além de que, a tua mãe deve estar trancada nalgum lugar, senão fugia." disse Pedro.

"Hum, o porco é medroso, mas neste caso tem razão. Vê lá se a porta está trancada." disse Cícero.

Vanda rodou um pouco o puxador e viu que não. Mesmo assim, espreitou para dentro da divisão e viu que era apenas uma dispensa.

"Vamos continuar." disse ela.

Ignorando os avisos de Cícero e Pedro, Vanda foi abrindo todas as portas. Achou uma casa de banho, um quarto vazio, outro onde um guarda dormia profundamente e uma cozinha vazia, mas não havia sinal da sua mãe.

O grupo subiu umas escadas e entrou num novo corredor, quando começaram a ouvir vozes. Aproximaram-se da porta de onde vinham as vozes.

"Oiçam." murmurou Vanda.

"Já disse que não!" gritou Mimosa, do outro lado da porta.

"Mimosa, não sejas casmurra." disse Tomás Touro, aborrecido.

"Eu não me caso contigo amanhã!"

"Mas já está tudo preparado."

"E eu ralada! Não caso amanhã e não caso mesmo!"

"É a minha mãe. Está ali." disse Vanda. "Vou salvá-la."

"Espera!" exclamou Pedro, mas Vanda já tinha aberto a porta e entrado no quarto, com Cícero ainda pousado no seu ombro.

Mimosa e Tomás olharam para Vanda, com a sua entrada repentina.

"Filha!" exclamou Mimosa.

"Mãe, vim salvar-te!" exclamou Vanda.

No lado oposto do castelo, Patareca abriu uma porta e viu que dava para um quarto, onde alguém dormia.

"É melhor sairmos daqui sem fazer barulho." murmurou Guiomar.

Mas no momento seguinte, Patareca tropeçou nas próprias pernas e caiu no chão, fazendo imenso barulho. A figura adormecida acordou e acendeu a luz. Era uma vaca já idosa.

"Ah! Ladrões! Guardas! Guardas! Ladrões!" começou a gritar a vaca.

"Bolas!" exclamou Gabriel.

"Bem, dá para perceber que aquela não é a mãe da Vanda, a não ser que tenha envelhecido uns vinte e tal anos." disse Guiomar.

"Vamos sair daqui, depressa!"

Os três correram para o corredor e começaram a ouvir passos. Com os gritos da vaca idosa, o castelo pareceu despertar. As luzes acenderam-se, os guardas levantaram-se e prepararam-se para agir.

Vanda encarava Tomás Touro, com ira nos olhos. Pedro espreitava pela porta do quarto.

"Solte a minha mãe, seu vilão!" gritou Vanda.

"Ah, então esta é a tua filha." disse Tomás, olhando atentamente para Vanda.

Logo de seguida, eles começaram a ouvir passos apressados.

"Ai! Vêm aí guardas!" exclamou Pedro.

"Não saímos daqui sem a minha mãe!" exclamou Vanda. "Jacto de Leite!"

O jacto de leite acertou em Tomás, atirando-o ao chão. Vanda pegou na pata de Mimosa, que ainda estava atordoada e puxou-a para fora do quarto.

"Vamos fugir!" gritou Vanda, começando a correr pelo corredor, arrastando a mãe e com Pedro a segui-las. Cícero agarrava-se ao ombro de Vanda para não cair.

Eles saíram para o exterior do castelo e começaram a descer umas escadas. O castelo estava agora iluminado e vários guardas olharam para eles.

"Apanhem-nos! Querem raptar a noiva do chefe!" gritou um dos guardas.

Do outro lado do castelo, Gabriel, Guiomar e Patareca saíram do corredor de onde estava para a rua, com vários guardas atrás deles. Desceram umas escadas a correr e chegaram ao centro do castelo, no preciso momento em que o grupo de Vanda fazia o mesmo.

No entanto, vários guardas bois, vindos de todos os lados, cercaram-nos.

"Vanda, conseguiste salvar a tua mãe." disse Guiomar.

"Mas agora estamos cercados!" exclamou Pedro.

"A culpa é toda minha..." disse Patareca.

"Pronto, vamos mesmo todos morrer, é o que é." disse Cícero.

E assim termina o quarto capítulo. Vanda e o grupo chegaram até à Vaca Mimosa, mas agora estão encurralados. Irá salvar-se? Não percam o próximo capítulo, que será também o último.