está na porta, Milorde. –falou Pettigrew com as mãos estremecidas.
-Pois, mande-o entrar. Já te disse, Rabicho, que Regulus entra nessa casa a hora que lhe bem entender.
-Per-perdão, Milorde. –falou o servo gaguejando, com terror em seus olhos.
-Vai, antes que ele desista de falar-me. –falou Voldemort irritado. -Tu me pagarás por isso depois.
-Seja bem-vindo, meu caro. –falou Voldemort, abrindo um sorriso ao perceber que Regulus adentrava a sala. –Perdoe-me os modos do meu criado. Já repeti a ele diversas vezes que tu já és de casa, mas custa-lhe entender.
-Imagina, Milorde. Não te preocupa. Sei que tu tens a mim em grande estima.
-Nas maiores, meu caro. Entretanto, tu pareces não me apreciar mais. Desde o dia em que o Lestrange aqui estivera tu nunca mais voltara.
-Desculpe-me, Milorde, mas andei ocupado. –falou Regulus com um sorriso malicioso nos lábios.
-Pois, sente-se. Pelo visto, tens muito a me contar. Sua investida em Bella funcionara?-perguntou, segurando uma margarida que estava encima de uma mesinha perto do divã onde se encontrava.
-Perfeitamente, Milorde. Não poderia ter sido melhor. E eu não poderia estar em maior júbilo. Há dias que Bella e eu não saímos de casa, até mesmo por isso que não pude vê-lo, meu caro. Desculpe-me, mas a proposta de passar dias e noites com Bella em meus braços parecia irrecusável. Milorde, foram momentos indescritíveis. Amamo-nos de todas as formas já inventadas pelos humanos. Espero que tu consigas imaginar. Prazer, ardor, libido, volúpia. São palavras que expressam apenas artificialmente o que aqueles momentos significaram. Nada me agrada mais que um momento com Bella, seu corpo ao meu, seus lábios vermelhos como o sangue a beijar-me o corpo em lugares que me constrange dizer. Ah Milorde! Sinto-me subindo aos céus.
-Apraz-me tua felicidade, meu caro -falou serrando os dentes e terminando de amassar a flor na mão- E ao mesmo tempo entristece-me em demasia por ser portador de uma notícia desagradável. –terminou com um sorriso disfarçado.
-Que estás a dizer, Milorde? –perguntou Regulus com o cenho franzido.
-Lestrange viera aqui novamente.
-Que dizes, Milorde? Que queria aquele devasso?
-Queria alertar-me, com certeza para que eu te alertasse que não desistirá de Bella.
Regulus soltou uma gargalhada gélida.
-Aquele homem está insano, Milorde. Bella é minha –falou com um brilho diferente nos olhos- e nada nem ninguém vão mudar isso. Muito menos alguém tão insignificante quanto o Lestrange.
-Não zombe de Rodolphus. Pode ser um crápula, um devasso, canalha, mas é um inimigo considerável, não pode ser desprezado.
-Ah Milorde! Melhor que não discutamos sobre Lestrange. Vim aqui para terminar nossa conversa anterior. Escuta-me. Vim para gozar de tua sabedoria e conhecimento. Faça-me grande, ò Lorde. Ensina-me. –falou em tom de deboche.
-Ora, Regulus, tu pareces não perceber que eu já te ensinara algo essa noite. Talvez Bellatriz esteja distraindo-te em demasia. –falou Voldemort com irritação.
-Perdoe-me Milorde se minha atenção apresenta-se desvirtuada. Mas tu entendes, não entendes? Que queres mais um homem que a fria tez de uma mulher sobre si. Desculpe-me se não paro de falar de Bella, mas encontro-me inebriado por sensações desconhecidas. Perdoe um rapaz que acabara de conhecer os maiores prazeres que seu corpo pode proporcionar. Desculpe-me, por fim, a inexperiência que brota de mim como se não houvesse terreno mais fértil nesse mundo.
-Ah Regulus! Por mais que eu saiba que tu te vales de pura retórica, creio que me dizes a verdade e que não quer enganar-me.
-Meu coração é puro, Milorde. Nunca enganaria alguém que prezo tanto quanto o senhor. És como um pai para mim. Um irmão mais velho seria mais apropriado. És o que Sirius não fora para mim.
-Pois bem, meu caro, orgulho-me de sê-lo. Espero cumprir o papel ao qual me incumbira.
-Pois já o cumpre por demais em perfeição. No entanto, não me dissera: o que já me ensinaste?
-Ah Regulus como queria eu zangar-me com ti! Dizer-lhe que me nego a repetir o que disse outrora, que não mais o ensino ou guio. Entretanto não consigo. Sou um títere em tuas mãos.
-Pois me diga, então.
-Não subestime seus inimigos.
-Tu tens razão, tentarei não fazê-lo. É uma promessa. –falou ao perceber o olhar descrente de Voldemort. –Quero que me digas tua opinião. Achas-me extraordinário? –perguntou rindo. –Bella vive repetindo que eu o sou.
-Tu és, com certeza, extraordinário. Não há dúvidas quanto a isso. Em todos os sentidos o és. Apresenta o extraordinário na beleza, na juventude, na riqueza, no sangue, na nobreza, no espírito, na alma. És o espécime mais curioso que eu conhecera.
Regulus gargalhou com vontade.
-Vós sois idênticos no pensar.
-Somos apenas verdadeiros, meu caro.
-Estás a me bajular. –falou Regulus com desdém.
-Não tenho por que fazê-lo. –falou Voldemort com a expressão rígida. –Se digo que tu és extraordinário é porque tu o és. Escute-me. Tu és superior à maioria, como é Bella e como sou eu.
-Tu és mais que todos, Milorde. Estive pensando no que conversamos pela última vez e acho que tu tinhas razão.
-Do que estás falando?
-Do mais forte. Tu tens razão. O homem que conquista a mulher pelo convencimento é uma espécie de homem que se vale da força. Tu tens razão.
-Agora entendes?
-Entendo, mas ainda não compreendo. Não consigo ver-me agindo assim.
-Para tudo há o seu momento certo. –falou Voldemort com um brilho fugaz nos olhos.
-Agora que eu já disse o que queria, Rodolphus veio-me à cabeça. Talvez ele seja um problema, Milorde. Tu como sempre estás certo. Não posso subestimá-lo. Tu já me disseras que não posso com Lestrange. Deves ter um motivo razoável para isso.
-Ora, meu caro. Lestrange também é extraordinário, não tanto como tu _falou Voldemort ao perceber a expressão de descontentamento de Regulus –Mas, não te esqueça. Ele é mais velho e mais experiente e, além disso, excelente duelista.
-Excelente duelista... –repetiu Regulus pensativo. –Que faz ele de tão especial?
-Usa as maldições imperdoáveis, meu caro.
-As imperdoáveis? –perguntou Regulus com surpresa. –Eu nunca fiz uso delas. Acredito que nem saberia fazê-lo.
-Lestrange pode matar-te em menos de cinco segundos.
-Merlin, que devo fazer? –perguntou para si mesmo-Por acaso tu sabes como usá-las, Milorde?
-Perfeitamente bem. –falou Voldemort com um sorriso. A conversa estava chegando onde ele queria.
-Podes me ensinar?
-Se tu quiseres... Nada me dá mais prazer que tua companhia mesmo que seja apenas para que sugues as muitas experiências que a vida me deu.
-Ah Milorde! Tu falas como se fosse eu um parasita a sugar-te e matar-te aos poucos.
-Pois é exatamente o que tu és.
-Aborrece-me com essa comparação. –falou Regulus cruzando os braços.
-Eu te guio, ensino-te, aconselho-te, escuto-te. E tu que me ofereces?
-Meu carinho. –falou Regulus prontamente.
-Teu carinho? Tu nem ao menos apertara minha mão quando chegaste.
Regulus deu um suspiro.
-Perdão, Milorde. Diga-me o que queres. Mesmo que for impossível, que minha força não seja suficiente, que minha razão me condene, juro que faço o que me pedires. Qualquer coisa. Peça.
-Quero tua alma. –falou Voldemort com uma gargalhada.
-Que dizes, Milorde? –perguntou Regulus assustado.
-Não me leve a sério, meu caro. Por ora nada me interessa mais que te ensinar.
-Mas quero fazer algo por ti.
-Tu farás no momento certo. Está bem?
-Está. –falou o garoto a contragosto. –Sinto-me um aproveitador.
-Não te aborreça. Eu estava a ser leviano.
-Milorde, tu achas que eu serei capaz de realizar as imperdoáveis?
-Mais do que capaz, meu caro. Já viste alguém executá-las?
-Não, Milorde, nunca.
-Pois verá. RABICHO –gritou Voldemort.
-Pois não, Milorde. –falou o servo encolhendo-se ao deparar-se com Voldemort e Regulus.
-Entre, entre. Fique ali. –falou Voldemort apontando para um canto da sala. –A primeira delas é a maldição imperius –falou, virando-se para Regulus.- Tu sabes para que ela serve?
-Controlar as pessoas.
-Exatamente. Imperius-gritou Voldemort.-Que queres que ele faça?
-Quero que ele queime a si mesmo na lareira.
-Boa pedida! –falou Voldemort com admiração de seu pupilo.
Resolvi postar dois capítulos hoje! Espero realmente que estejam ao menos se divertindo com a fic.
Beijos a todos.
