5 – Eu odeio como você é ciumento
"Pelo amor de deus, Sirius, você está sendo ridículo!"
Dez e meia da noite. Sexta-feira. Salão comunal da Grifinória. Eu tinha acabado de sair da reunião dos monitores, após um longo e torturante monólogo sobre regras, com a vã esperança de jogar-me na cama e dormir até que aquela maldita dor de cabeça passasse. Mas é claro que a idéia de encontrar Padfoot dormindo tranquilamente, e não me bombardeando com perguntas, era boa demais para ser verdade.
"Ridículo?", repetiu ele, indignado, seguindo-me escada acima. "A reunião acabou às dez, eu vi Lily chegando!", rolei os olhos, soltando um grunhido cansado. Ele não ia desistir. "Onde você estava até agora?"
"É tão difícil acreditar na minha palavra, Sirius?", indaguei, voltando-me para ele, irritado. "Eu disse que fiquei discutindo algumas coisas com os monitores da Corvinal, por isso Lily chegou mais cedo!"
"Ah, claro, os monitores da Corvinal!", foi a vez dele de rolar os olhos. "Isso, obviamente, inclui Thomas Berker."
"Ah, não, Padfoot.", gemi. "De novo com o Thomas?"
"Ele gosta de você, Moony!", ele declarou, como se isso justificasse toda aquela briguinha ridícula. Ai, minha cabeça.
"Sirius, sinceramente," comecei, massageando as têmporas. "segundo você, Hogwarts inteira é perdidamente apaixonada por mim."
"Eu estou falando sério!"
"Eu também. Só porque ele gosta de mim, não quer dizer que seja recíproco, Padfoot. Custa tanto assim confiar em mim?", encarei-o, cansado.
"Mas você dá corda, Remus, esse é o problema!", ele reclamou. "Por que ele te trouxe até aqui hoje, de qualquer forma? Por que vo--"
"O quê?!", cortei, elevando a voz, franzindo o cenho. "Como você sabe que ele me trouxe até aqui hoje, Sirius?"
Foi então que eu notei que aquilo que Sirius trazia debaixo do braço era um capa. Uma capa.
"Sirius, você estava me seguindo?!", ralhei, profundamente chocado. "Você sabia que eu estava com os monitores, você sabia que Thomas tinha vindo comigo até o salão!", ele abriu a boca para falar, parecendo tão indignado quanto eu. "Você é doente, Black!"
"Será que vocês podem calar a boca?", James surgiu às minhas costas, o cabelo apontando em todas as direções, vermelho de raiva. "Nós temos prova amanhã e eu pretendia dormir, bastardos! O que diabos está acontecendo aqui?"
"Acontece que Black não tem o mínimo de confiança em mim e anda me seguindo com a sua capa, Prongs! Acontece que todas as meninas de Hogwarts suspiram por ele e ele acha que tem o direito de se importar com Thomas Berker conversando comigo! Acontece que eu estou cansado, com dor de cabeça e esse paranóico está me dando nos nervos!", explodi, entrando no dormitório e batendo a porta às minhas costas, ainda conseguindo ouvir o assobio baixo de James do outro lado.
