Yo, minna!

Aqui está mais um capítulo de E se fosse verdade...?.

Espero que gostem. E só para lembrar, estou postando também o último capítulo de I miss you. Sejam bonzinhos e leiam, OK? ^_^

Boa leitura!

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E se fosse verdade…?

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By Lin-chan

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Capítulo 5: Acidentes acolhedores.

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Na manhã seguinte, lá estavam eles.

Assim como fora combinado, Sesshoumaru procurava evidências sobre a misteriosa vida de Matsubara Rin. E não havia maneira mais fácil do que perguntar àqueles que moraram junto a ela. Seus vizinhos.

Saíram do apartamento do último andar, o qual os pertencia, e desceram as largas escadas do escuro corredor. De imediato, a primeira porta apareceu, e exatamente por ela iniciaram suas pesquisas.

Sesshoumaru bateu levemente nela, esperando que alguém a atendesse, e melhor, que esse alguém soubesse de absolutamente tudo sobre a vida daquela mulher.

Logo a porta fora aberta, revelando a figura velha e cansada de um senhor, que olhou-os interrogativamente. Sesshoumaru olhou de soslaio para Rin, que apenas balançou negativamente a cabeça, como forma de afirmar que não o conhecia.

- Sumimasen. – Sesshoumaru disse, olhando confiantemente para o velho. – Por acaso conhecia a moradora da cobertura? – ele perguntou apontando para o andar acima.

- … - o homem continuou a olhá-lo, arqueando as sobrancelhas depois. E um longo silêncio foi instalado a partir disto.

Sesshoumaru arqueara a sobrancelha assim como o senhor antes havia feito, e permaneceu o encarando, parando depois para olhar para Rin, suspirando cansadamente. Aquele seria um longo dia…

- Vou repetir. – informou. – O senhor conheceria a moça que morou no andar acima?

- … - o homem mais uma vez permaneceu calado, levando o dedo indicador ao queixo. E logo relatou. – Pensei que estivesse vago. – ele disse, vendo Sesshoumaru estreitar os olhos e se encostar à parede em frente à porta.

- E estava. – Sesshoumaru explicou. – Mas antes disso, uma mulher morava lá. A conhecia? – tentou novamente.

- Desde que cheguei, pensei que estivesse vago. – o velho comentou.

- E desde quando está aqui? – Sesshoumaru perguntou cinicamente.

- Há cinqüenta anos. – respondeu o senhor, e no instante seguinte, Sesshoumaru rodou os olhos, assim como Rin, e desceu por todas as escadas, a fim de encontrar o próximo apartamento.

Desceram rapidamente, chegando logo na outra porta. Assim como fizera antes, Sesshoumaru batera levemente no local, aguardando a chegada do residente. Que não demorou.

- Sumimasen. – disse ele ao ver uma mulher de meia idade sair de dentro do apartamento, esperando intimamente que soubesse, pelo menos, que o local em questão era habitado. – Por acaso conhecia a mulher que habitava o último apartamento?

- Iie. – respondeu ela simpaticamente. – Infelizmente não a conheci.

- Diga como sou. – Rin falou para Sesshoumaru, que olhou-a atentamente, antes de dizer.

- É aproximadamente desta altura… - mostrou para a mulher com seu braço. – Possui longos cabelos castanhos, olhos da mesma cor, é pálida…

- O que disse?! – perguntou Rin irritada com o comentário do rapaz.

- Sinto muito, mas não a conheço. - confirmou a mulher, sorrindo depois.

- Arigatou. – o homem agradeceu, saindo novamente de lá, e indo até o último vizinho com quem Rin residira.

Era definitivamente inadmissível que absolutamente ninguém conhecesse Rin. Sesshoumaru não poderia dizer quanto tempo ela residira naquele local, mas deveria ser o suficiente para que pelo menos um dos moradores a conhecesse, ao menos de vista.

Ao sair de lá, caso não houvesse informação alguma, não saberia o que fazer. Não saberia onde procurar mais pistas sobre uma pessoa que não existe.

Batera mais uma vez na porta do último apartamento, tendo que esperar consideravelmente menos que nos outros locais. Imediatamente a porta fora aberta, revelando a imagem cansada de uma mulher. Uma mulher vestida apenas com uma pequena roupa de ginástica. E que ao ver Sesshoumaru, amparou-se de uma sensual queda pela parede.

- Pois não? – ela perguntou, olhando diretamente para ele.

- Sou seu novo vizinho e queria saber se conhecia a antiga moradora da cobertura. – Sesshoumaru perguntou, olhando ora para a mulher, ora para Rin, que mantinha seus olhos estreitados à garota.

- Ah, uma esquisitona? – indagou a mulher, ao que Sesshoumaru mostrou um meio sorriso.

- Exatamente. – ele respondeu, olhando de soslaio para Rin. – A conhecia?

- Apenas de vista. – concluiu. – Não sei seu nome, ou nada de útil. Sei apenas que saía pela manhã de casa e às vezes voltava apenas no dia seguinte. Ato bastante esquisito.

- Com certeza. – concordou Sesshoumaru, vendo Rin olhá-lo irritadamente.

- Mais algo? – Sesshoumaru viu a mulher se desgrudar da parede andando em sua direção.

- Iie. – ele negou. – Arigatou.

- Ozawa Kagura. – ela disse, vendo-o virar-se novamente para si, e apertar a mão que acabara de estender. – E seu nome?

- Taisho Sesshoumaru. – ele respondeu, soltando depois a mão dela, e virando-se novamente.

E mais uma vez, fora interrompido.

- Sabe… - começou Kagura. – Meu chuveiro está quebrado. Poderia dar uma… - olhou de cima a baixo para ele. – Olhadinha?

Sesshoumaru manteve-se frio e impassível, como sempre se mantinha quando estava diante de situações que não o agradavam. E definitivamente, aquela situação não o estava agradando…

- Estou ocupado. – ele dialogou friamente, vendo a mulher lançar-lhe um meio sorriso.

E assim, sem antes ver se ela permanecia lá ou se fechara a porta, finalmente pôde sair daquele lugar, indo, junto à Rin, até a escada, que os levaria novamente à sua moradia.

Rin suspirou pesadamente, olhando depois raivosa para o lado em que a porta de sua antiga vizinha se encontrava. Sesshoumaru percebeu tal ato, e permitiu-se dar mais um de seus meios sorrisos. Ela estava com ciúmes…

- Aquela ridícula. – proferiu Rin, virando o rosto para frente. – Como assim esquisitona? – indagou irritada. – E que história foi aquela de meu chuveiro quebrou? Essa é mais velha que aquele senhor!

- Deixe esse ciúme, Rin. – Sesshoumaru comentou propositalmente, vendo depois a garota arregalar os olhos em sua direção. – Temos de procurar novas pistas sobre você.

- Está insinuando que eu estou com ciúmes? – ela perguntou incrédula, olhando para ele. – Eu? De você?

- Exatamente. – concordou, rindo internamente.

Sesshoumaru não sabia por que estava tendo aquele tipo de reação às palavras grossas de Rin. Sabia que a garota não gostara da mulher simplesmente por tê-la chamado de esquisita, mas sentia a necessidade de pensar que tudo aquilo era por sua causa. E talvez, não estivesse de um todo errado.

Decidira a ajudar, pensara, apenas para ver-se livre dela. Mas sabia que não era isso. Por mais que não pudesse falar, se sentia bem com a companhia daquela garota. Gostava de irritá-la, gostava de brigar com ela. Com Rin perto de si, não poderia se sentir só. Detalhe que com Sara, não era alcançado.

- Ora, não seja tão metido! – berrou a garota, levando seu braço de encontro ao forte peito de Sesshoumaru, na intenção de batê-lo. Mas como suspeitava, não fora isso que acontecera. – Por que eu não consigo bater em você?! – perguntou irritada.

- Pare de gritar e vamos embora. – Sesshoumaru ordenou, vendo Rin fechar a cara e segui-lo para onde quer que ele fosse.

Mas felizmente, não foram para tão longe dali. Antes mesmo de perceberem, já estavam dentro do apartamento, e Sesshoumaru terminava de fechar a porta. Rin, num ato impensado, lançou-se contra sofá, o que fazia sempre que estava muito cansada ou irritada. Mas sem atenção, não conseguira ficar sobre ele, e passara direto, caindo sobre o chão.

Sesshoumaru viu a queda que a garota levara, e lançou sob ela, pela primeira vez, um sorriso mais largo que os que dera naquele dia, chamando a atenção da garota.

- Do que está rindo?! – perguntou ela irritada, vendo-o caminhar até sua direção.

- Age como seu fosse uma humana. – viu Rin amenizar face aborrecida, e por um momento, transformá-la no mesmo rosto triste que vira no dia passado.

Mesmo não gostando daquela situação, nunca gostaria de vê-la triste por um comentário seu. Sim. Percebera o quão tinha sido ignorante com ela. Não só agora, mas antes também. Principalmente antes.

- Vamos conseguir. – ele completou, notando-a levantar o rosto para ele, e sorrir tristemente.

- Não sei como. – sentou-se no sofá, que antes fora motivo de riso. Conseguia manter sólida algumas vezes, apenas quando dispunha de bastante atenção. Mas ainda assim, não conseguia segurar ou tocar em nada. E o pior, não conseguia sentir. E era disso que tinha mais falta. – Ninguém sabe informação alguma sobre mim.

- Daremos um jeito. – disse reconfortantemente. – Sempre há um jeito.

Rin se impressionou com tais palavras, afinal, nunca vira Sesshoumaru ser compreensivo com alguém. Nem mesmo com o rapaz que fora tão gentil com ele na noite passada. E saber que aquilo pôde ter sido alcançado por ela, fez sentir-se bem. Pela primeira vez em tanto tempo, sentiu-se bem. Graças a Sesshoumaru.

Sem esperar, Sesshoumaru viu Rin apoiar a cabeça em seu ombro. Pelo menos era isso o que ela desejava no momento. Sabia que, caso tentasse se apoiar realmente, o atravessaria, assim como aconteceu com absolutamente todos os outros objetos.

E por um momento, Sesshoumaru se angustiou, pelo simples fato de não poder senti-la. De não poder sentir aquela, de qualquer maneira, forma carinhosa pela qual estava sendo tratado.

E angustiou-se ainda mais ao perceber que não havia notado aquela predileção pela garota. Ao contrário do que pensara logo que chegara ao apartamento, agora tinha algo com o que se preocupar. Algo pelo qual se interessava. Algo que lhe importava.

Mas lembrar-se do passado fez apenas com que percebesse o envelope que encontrara no momento em que chegara ao recinto. O mesmo envelope que continha as contas pertencidas à Rin. E lembrar-se disso, fê-lo lembrar também que, disposto entre as várias contas, vira um pequeno pedaço de papel.

E nele, continha um endereço. Um endereço que poderia representar algo. Algo importante naquele momento.

Sem pensar em nada, saiu de onde estava, indo em direção à mesa que apoiava a televisão. Nela, se encontrava o tal envelope, e sem dizer nada, o abriu. Rin estranhou a atitude do rapaz, levantando-se e indo até onde ele estava.

- O que foi, Sesshoumaru? – perguntou curiosa.

- … - ele não respondeu nada, apenas tirou o papel que vira e estendera para ela, mostrando seu conteúdo.

- É… - ela murmurou. - É um endereço.

- Exatamente. E pode ser o endereço de alguém que lhe conheça. – deduziu.

- Demo… - Rin observou mais atentamente o papel, notando algo que Sesshoumaru pareceu não perceber. - Este número é meio ilegível. – apontou para o número do lugar.

- Mas tenho idéia de qual seja. – Sesshoumaru pegou a chave da casa e foi e direção à porta. – Vamos.

- Hai. – foi o que Rin disse antes de sair novamente.


Na rua indicada pela caprichada caligrafia, podia se ver várias casas. Impressionantemente iguais.

E em uma delas, a casa em que o número do pedaço de papel sugeria, via-se um carro.

O carro de Sesshoumaru.

Para uma pessoa normal, apenas seu rosto seria visível no meio daquele grande automóvel. Mas para ele, mais algo era visível.

Rin permanecia sentada em um dos assentos, enquanto Sesshoumaru se apoiava no objeto. Ela olhava desdenhosamente para a casa, e forçava sua mente a reconhecê-la. Mas era em vão. Não reconhecia nada dali.

Vendo o olhar que Sesshoumaru lançara a si, Rin teve certeza de que era a hora. Era o momento de saber se realmente a pessoa que ali morava sabia algo sobre ela. E era isso que esperava. Afinal, para que teria o endereço completo de alguém que não conhecia?

Em meio a seus pensamentos, viu Sesshoumaru se levantar de onde estava, e ir até o local esperado, sem sua presença. Sem pensar, Rin saiu dali, caminhando na mesma direção em que seu mais novo amigo caminhara, alcançando-o rapidamente.

Eles pararam frente à porta, e Sesshoumaru encarou a garota. Olhou-a como se perguntasse se estava pronta para aquilo, ao que ela respondeu afirmativamente com um forte aceno de cabeça. Não esperaria mais por aquilo.

E como numa ordem, Sesshoumaru apertou o botão referente à campainha, esperando que alguém atendesse.

O que não demorou.

Logo, um rapaz de aproximadamente trinta anos, segundo Sesshoumaru, atendera à porta, olhando interrogativamente para ele. Com certeza ele estaria pensando o que um rapaz frio como Sesshoumaru iria querer em sua casa. Por isso, apressou-se.

- Pago todos os meus impostos e não sou usuário. – falou o homem, vendo Sesshoumaru arquear uma de suas sobrancelhas.

- Não é por isso que estou aqui. – Sesshoumaru explicou, vendo o rapaz suspirar pesadamente com a descoberta.

- Ah, claro… - ele murmurou, sem saber o que dizer. – Então, o que houve?

- Por acaso você conhecia Matsubara Rin. – ele foi direto ao ponto, observando a face interrogativa do rapaz, e a esperançada de Rin..

- Iie. – ele respondeu após pensar bastante. – Não me lembro de ninguém que possua este nome.

Sesshoumaru olhou rapidamente para Rin, que parecia decepcionada com a notícia. Era o mínimo depois de todo aquele trabalho.

Mas por um momento, Sesshoumaru lembrou-se de algo.

E assim como ela lhe mandara fazer antes, decidiu descrevê-la.

- É uma moça de aproximadamente vinte e cinco anos. – ele começou. – longos cabelos castanhos, olhos da mesma cor. Aproximadamente esta estatura… - e mostrou com uma de suas mãos.

À medida que Sesshoumaru descrevia Rin, era possível se notar o arregalar de olhos do rapaz. Rin se felicitava com aquilo. Era uma mostra de que ele a reconhecia, logo, de que ele a conhecia.

Mas não escutou o que esperava…

- Mantenha em segredo. – ele pediu murmurosamente, vendo Sesshoumaru não entender sua reação.

- Preciso saber sobre ela. – Sesshoumaru comentou, observando o olhar precavido que o outro lançara para dentro de sua casa, e depois, suas passadas para longe dali.

- Ninguém precisa saber do que aconteceu. – o homem, comentou, tirando de seu bolso um pedaço de papel e uma caneta.

- É mesmo? – Sesshoumaru perguntou sem saber o que fazia, afinal, ele não sabia o que havia acontecido.

- Olha… - o homem murmurou, apoiando a cabeça em uma das grandes mãos, num ato desesperado. – Eu tenho uma esposa, e ela não precisa saber dos meus casos. Entendeu?

Rin estancara secamente no caminho. Caso? O que ela fez, afinal?

Já Sesshoumaru, lançara mais um de seus meios sorrisos, mesmo que, intimamente, estivesse incomodado com aquela nova informação. Então, Rin, uma mulher que aparentava inocência, mantivera um romance com um homem casado?

- Peça o que quiser, mas mantenha-se calado. – o rapaz disse, entregando à Sesshoumaru um pequeno pedaço de papel, o qual Sesshoumaru apertou raivosamente.

- Pode deixar. – ele respondeu, vendo o homem entrar apressadamente em sua casa, e fechar a porta.

Fechou a porta vagarosamente, olhando para ele com uma expressão de desespero. Desespero… O mesmo desespero que Rin apresentava. Seria possível?

- Não acredito nisso… - Rin murmurou, abaixando a cabeça e fechando os olhos, apertando-os.

Sesshoumaru olhou para a face tristonha da garota, lembrando-se do papel que lhe fora entregue há pouco. Abriu lentamente sua mão, podendo focalizar as letras malfeitas pela pressa. No papel, continha o suposto nome do sujeito. Aoki Naraku.

Um rapaz abominável, segundo Sesshoumaru.

Rin olhara na mesma direção que Sesshoumaru, vendo o mesmo nome que o rapaz vira. Não se lembrava dele. Por mais que se esforçasse, não conseguia se lembrar de ninguém com aquele nome. Não conseguia se lembrar de ninguém com aquela feição. Não se lembrava de absolutamente nada. E isso a deixava relativamente amedrontada.

- Sou uma prostituta? – Rin perguntou para Sesshoumaru, que olhou divertidamente para ela.

- Não necessariamente. – ele respondeu, indo em direção ao carro. – Apenas se relacionou com um homem casado.

- Kami-sama… - ela murmurou, entrando no carro, e se sentando ao lado de Sesshoumaru, este ainda parado, segurando o volante.

Parecia pensar em algo, passando a observar além do vidro. Novamente, de volta a estaca zero, com certeza era isso o que ele pensava. Afinal, aquilo ainda não era nem um pouco significativo.

Mesmo que o que aquele homem falasse fosse verdade… - pensou Rin. – Isso não nos ajudaria em nada. Ainda não sei quem eu sou

Sem que Rin tenha percebido, Sesshoumaru ligou o carro e mudou a marcha, saindo dali para algum lugar. Algum lugar que ela não estava interessada em saber.


Muitas vezes, pensamos que nossa vida é guiada por um destino. E outro tanto de vezes, chegamos à conclusão que o destino não nos leva para onde queríamos ir. Seria o que costumamos chamar de golpe do destino. E foi exatamente isto que Rin e Sesshoumaru sofreram naquele dia.

Algumas vezes nos arrependemos de ter feito algo, outras vezes nos arrependemos de não ter feito.

E Rin, com certeza, se arrependeria de ter ido embora naquele momento. Porque no mesmo instante em que foram, duas pessoas passaram diante daquela rua. E uma delas, com certeza chamaria a atenção. Porque era ninguém mais, ninguém menos, que Higurashi Kagome, a prima de Rin.

Caminhando ao lado de um rapaz, ela permanecia com a mesma expressão triste e solitária de Rin. Mesmo estando acompanhada.

Passou a mão levemente por dentro de sua bolsa, puxando de lá um molho de chaves, das quais uma delas servia perfeitamente na fechadura da porta da frente.

Depois de entrar na casa, foi seguida pelo homem, parando na cozinha do local. Sentou-se cansadamente em uma das cadeiras que rodeavam a elegante mesa, e cobriu seu triste semblante com suas mãos, chamando, assim, a atenção do rapaz para si.

Ele, que ainda permanecia em pé, sentou-se ao lado dela, e acariciou delicadamente o rosto da garota, que sorriu abatidamente para ele.

- Não sei o que faria sem você, Inu Yasha… - murmurou Kagome, olhando amorosamente para o rapaz.

- Precisa se cuidar mais, Kagome. – ele comentou, olhando para a fisionomia apática da garota.

- Não consigo. – ela falou com um tom choroso. – Depois do que aconteceu… Não consigo mais fazer nada, Inu Yasha.

- Pois deveria. – ele encarou os olhos azuis da garota. – Era isso que ela queria.

- Hai… - ela deixou de encarar os olhos dourados para olhar algo no chão. – Eu sei.

- Então-

Triimmmm

Inu Yasha foi interrompido bruscamente pelo som estridente do telefone da casa. Num ato rápido, Kagome se levantou de sua cadeira e foi direto ao objeto, que tocava ininterruptamente. Recebera muitas ligações desde que aquilo acontecera, e tinha certeza de que tal ligação seria pelo mesmo motivo.

E isso acabava com toda a vontade que lhe restava para continuar com aquilo. Todo aquele sentimentalismo… A despedaçava.

- Moshi moshi. – ela atendeu o telefone, esperando pela resposta do outro lado da linha.

- Kagome? – uma voz feminina e conhecida se pronunciou. Tão conhecida que fez Kagome estremecer.

- O que houve? – ela perguntou preocupada.

- Venha para cá. – ela falou cautelosamente.

- Demo… Doush'te (1)? – Kagome se irritara com o tom utilizado pela outra.

- Venha e descobrirá.

- Sa—

Interrompeu seu falatório ao perceber que a outra pessoa desligara o telefone, e que, no momento, estava falando sozinha. Falava sozinha, até que Inu Yasha chegou-lhe perto mais uma vez. E acalmou-a, como sempre fazia naqueles momentos. Kagome odiava e adorava aquelas ligações, tudo ao mesmo tempo.

Odiava porque às vezes serviam para más notícias, e adorava porque, outras vezes, eram notícias boas. Mesmo levando em consideração que a quantidade de notícias más era relativamente maior que a quantidade de notícias boas.

- O que foi? – Inu Yasha quis saber, assim que Kagome desligou a chamada feita.

- Estão me chamando. – Kagome contou. - Para .

- … - Inu Yasha permaneceu calado.

Sabia que o a que Kagome se referia era o local no qual ela menos gostava de estar. Mas quanto à isso, infelizmente, não poderia fazer absolutamente nada.

Mesmo que isso significasse muito para Kagome , e de certa forma para ele também, aquilo era necessário. Era necessário.

- Vamos. – ele levantou a mão para buscar a da garota, que não lutou contra.

- Vamos. – ela respondeu com um sorriso triste em seus finos lábios, seguindo com ele até o tão deprimido e trágico destino.

O traiçoeiro destino.


Desde que saíram dali, Rin permanecia quieta. Ainda tentava digerir todas aquelas informações que colheram naquela manhã. E isso era extremamente difícil.

Mal percebera quando Sesshoumaru parara o carro. Muito menos onde ele parara.

Isso para ela, não significava nada no momento. Absolutamente nada.

- Venha. – a voz de Sesshoumaru soou em seus ouvidos, o que a fez virar-se finalmente para ele.

- … - Rin olhara para fora do carro, vendo o belo e acolhedor local onde se encontravam.

Uma lanchonete.

Não sabia o motivo, mas… Gostava daquele lugar. Sentia-se… Bem.

Sem pensar em mais nada, Rin saíra do carro, mantendo ainda os olhos fixos no recinto. Várias pessoas completavam a imagem alegre e viva da colorida praça. E isso talvez a machucasse ainda mais. A machucava porque, no fundo, queria poder estar entre eles. Queria poder estar viva novamente.

Queria pelo menos sentir que ainda estava viva.

Mas isso era algo a ser deixado para trás, naquele momento.

Agora, estou com Sesshoumaru, e devo aproveitar o tempo que passarei com ele. – pensou inocentemente, percebendo depois o sentido de suas palavras.

- NANI?! – gritou para si mesma, esquecendo-se que Sesshoumaru estava lá, e que com certeza escutara o grito que dera.

- O que foi? – perguntou interessado pela repentina ação da garota.

- N-não é nada. – gaguejou ao vê-lo olhá-la tão compenetradamente. Isso estava a enlouquecendo.

Como poderia pensar em Sesshoumaru desta forma? Eles tinham um acordo! Logo que descobrissem toda a verdade, ela… Ela iria embora. Não poderia pensar numa maneira de ficar. Afinal, Sesshoumaru só havia se metido em tal fato para mantê-la afastada de si. Apenas para isso…

Continuou caminhando, seguindo o rapaz por onde quer que ele fosse. Não se importava no que mais teria de fazer para se descobrir. Teria sido a amante de algum homem e por aí sua história terminava.

Não havia mais nada a ser pensado.

Sentou-se vagarosamente em uma das belas cadeiras que ocupavam o local, assim como Sesshoumaru fizera tempos atrás. Mesmo sentada, não conseguia parar de observar aquelas pessoas, e isso foi rapidamente percebido pelo rapaz.

Num ato impensável, Sesshoumaru pôs uma de suas mãos sobre a da garota, que permanecia encima da mesa. Como previsto, Rin não sentira aquele toque. Mas a delicada aproximação fora percebida, chamando a atenção dela, que voltou aqueles brilhantes olhos castanhos para ele.

Assim como no dia passado, os dois ficaram presos naquele contato visual. E assim como Rin gostaria de senti-lo naquele momento, o mesmo ocorria com Sesshoumaru.

Ele se amaldiçoava constantemente por não poder sentir aquele toque aveludado que com certeza emanava da pele dela. E também repreendia-se firmemente por pensar em tais coisas.

Além do que, apenas agora conseguia, de certa forma, conformar-se com o poder que aqueles olhos castanhos possuíam sobre si. E ao se lembrar do motivo pelo qual estava ali, ajudando-a… Fê-lo apenas pensar que não queria deixá-la ir embora. Que não queria mais ficar só.

Contudo sabia que isso era algo impossível.

E da mesma maneira que aquilo se iniciou, também terminou. Desta vez, com um fino e estridente grito que ecoava por todo o espaço. A voz de mulher.

Ambos voltaram suas atenções para o casal que jazia sentados numa mesa não tão distante da deles.

Num curto espaço de tempo, viram a mulher gritar aterrorizadamente por socorro, ao ver seu acompanhante se contorcer, por algum motivo desconhecido, no chão.

Rin observava atônita a cena, percebendo o pequeno tumulto que se formava ao redor dele. Curiosa e ao mesmo tempo preocupada, conformou-se apenas em se levantar e chegar mais perto do moço, o que não seria problemas. Mas um estranho sentimento apossou-se de si, mandando-a fazer algo a mais do que apenas ficar observando. Mas como poderia? Não sabia ao menos o que estava acontecendo com ele!

E instantaneamente, percebeu o que era. Sem alguma explicação, Rin percebeu que era uma obstrução, e soube de repente o que poderia fazer para salvá-lo. Mas ela não poderia. Não conseguia tocar em nada. Havia apenas uma solução…

- Sesshoumaru! – ela gritou para o rapaz, que ainda estava sentado, sem se importar com o que acontecia.

- O que é? – ele quis saber, falando para o nada. Com o barulho que todas aquelas pessoas fazia juntas, tinha certeza de que ninguém se preocuparia com o que fizesse ou dissesse.

- Vamos salvá-lo! – exclamou desesperada.

- Como se eu soubesse o que fazer. – ele comentou sarcasticamente, deixando um meio sorriso debochado aparecer em seus lábios.

- Mas eu sei. – ela revelou, vendo-o olhá-la de maneira curiosa.

- Como? – perguntou com uma de suas sobrancelhas arqueadas.

- Não sei explicar, apenas faça o que digo!

-… - Sesshoumaru permaneceu parado, apenas encarando a garota que parecia realmente preocupada com o que estava acontecendo. Não tinha intenção de ajudar, mas…

- Sesshoumaru! – ela gritou novamente, vendo-o mexer exasperadamente nos cabelos prateados, e depois, dirigir-se à ela, afastando todos os que estavam ali.

- Precisamos de uma ambulância! – gritou um dos clientes, vendo que o homem já não se mexia mais.

- Tentarei ajudar. – Sesshoumaru se pronunciou, ficando de joelhos e esperando os comandos de Rin.

- O que você é? – indagou curiosamente o dono do estabelecimento, afastando-se depois ao notar o tom gélido com que recebera sua resposta.

- Sou médico. – Sesshoumaru respondeu. – Afinal, não acha que eu tentaria salvar alguém sem saber o que fazer, ne?

- Precisas de algo? – perguntou o garçom.

Sesshoumaru olhou brevemente para Rin, pedindo ajuda a ela. Afinal, fizera apenas aquilo que a garota mandara, e não queria ser o culpado pela morte de alguém, no caso, sabendo como ajudá-la.

- Peça uma faca e uma garrafa de uísque. – ela falou rapidamente, ao que Sesshoumaru logo obedeceu.

- Preciso de uma faca e de uma garrafa de uísque. – comentou, vendo o garçom correr para algum lugar longe dali, e o dono do recinto ligar, certamente, para a ambulância.

- O que houve com ele? – investigou um dos clientes, segurando o rosto com uma das mãos.

- Ah… - Sesshoumaru murmurou sem saber o que dizer, olhando depois para Rin, que rapidamente lhe disse.

- É uma obstrução nas vias respiratórias. – ela disse. – Acarretada por diversos motivos. Mas no caso dele, não deve ser…

- …algo grave – repetiu exatamente o que ela dissera.

- Devemos apenas arranjar um orifício para que haja a passagem de ar, sem levar em consideração…

- …o nariz ou a boca. – ele continuou, notando a presença do garçom, que estendeu para si o que pedira há pouco.

- Derrame um pouco da bebida sobre o peito dele. – Rin balançou equivocadamente as mãos em frente ao corpo, nervosa com o que estava acontecendo.

- Pronto. – murmurou Sesshoumaru após fazer aquilo que ela indicara.

- Procure um espaço entre as duas últimas costelas. – Rin observou Sesshoumaru percorrer seus longos dedos por entre o local ordenado, achando rapidamente o que desejava. – Isso!

- E agora…? – ele murmurou o mais baixo possível, arregalado os olhos com a resposta da garota.

- Agora fure. – Rin ordenou calmamente, sorrindo ao ver a expressão assustada de Sesshoumaru. – O que foi?

- Não farei isso. – ele murmurou novamente, segurando com uma das mãos a faca, enquanto que, com a outra, demarcava o local antes citado.

- É a única maneira de salvá-lo! – Rin reclamou, chegando mais perto dele. – Precisamos fazer uma abertura para que o ar possa circular novamente em seus pulmões. Caso contrário ele morrerá, e você carregará esta culpa!

-… - Sesshoumaru não acreditava que poderia fazer isto. Nunca gostara de sangue ou qualquer coisa que pudesse ser relacionada com medicina, e estes pensamentos fizeram-no lembrar-se de algo. Uma luz em sua mente. E logo passou a sorriu como sempre fazia desde que Rin aparecera. – Certo.

Com cuidado, Sesshoumaru enfiou a ponta da faca onde lhe fora mandado, olhando de vez em quando para Rin, apenas para ter certeza do que ele faria. E ao chegar em um determinado ponto, pôde escutar novamente aquela voz que tanto almejava.

- Pare! – Rin gritou, se ajoelhando no chão. – Agora retire o dosador do uísque e ponha sobre o ferimento.

E após fazê-lo, todos puderam ver, imediatamente, o colo do rapaz mexer-se, demonstrando que ele finalmente voltara a respirar. Rin suspirou animadamente com aquilo, enquanto Sesshoumaru se levantava, sobre os aclames dos que lanchavam no imóvel.

- A ambulância já ETA chegando! – informou o proprietário, sorrindo largamente para o rapaz, que olhava assustado todos em as volta.

- Não mexam nele! – disse Rin ao perceber que a mulher que antes o acompanhava ia em direção à ele, com certeza na expectativa de levantá-lo. Palavras que foram rapidamente repetidas por Sesshoumaru.

- Ele deve permanecer em repouso até que a ambulância chegue. – completou a linha de pensamento de Rin, que apenas sorriu verdadeiramente ao perceber que o rapaz entendera aquilo que ela pensara.

- Arigatou. – a mulher desconhecida murmurou para ele, notando depois ele se distanciar dali.

E após sair daquele recinto, olhou demoradamente para Rin, que ainda parecia estarrecida com o repentino acesso de inteligência.

Sentindo olhares sobre si, Rin observou aqueles orbes dourados, sem saber o que dizer. Afinal, o que teria sido aquilo? O que poderia significar?

- Você é médica, Rin. – Sesshoumaru revelou, vendo depois a garota arregalar os olhos.

Nada poderia ser tão óbvio…


Vocabulário:

Doush'te: Por quê?


** Próximo capítulo **

– Me lembro de absolutamente tudo!

- Que acidente foi este?

Capítulo 6: Um caminho a se seguir.


Respondendo os reviews:

Pammy-sama: Eu também assisti o filme por esses dias. Ele é muito bom mesmo ^_^. Que bom que gostou do capítulo, Pammy-chan! Kissus e arigatou pelo review.

Rin Taisho Sama: Aqui está a continuação então. ^_^ Espro que goste, OK? Kissus e arigatou pelo review.

Rayssa Bezerra: O filme é ótimo, não é? ^_^. Realmente espero que vocês gostem da fic. Lissus e arigatou pelo review.

Rukia-hime: É, o que falta agora é ele perceber. Mas isso não vai demorar não... ^_^ Feliz ano novo atrasado, então. Arigatou pelo review. Kissus.

Luh: É. Digamos que eu não tive muito tempo de postar as minhas fics (ou melhor, de escrever). Eu iria postar tudo de uma vez, mas Perda de Identidade e Maybe you're my love ainda não estão prontas, então, só pra vocês terem algo pra ler, eu decidi postar este capítulo e o último de I miss you. Espero que gostem dele. Tasukete significa "Me ajude". E pode perguntar qualquer coisa que não entender, OK? Kissus e arigatou pelo review.

Arigatou a todos os que mandaram reviews. ^_^ Espero que gostem do capítulo e que mandem comentários.

E não deixem de ler o último capítulo de I miss you, OK? ^_^

Kissus,

Ja ne.