Disclamer: Não custa nada continuar a avisar que os personagens de Saint Seyia não me pertencem e esta fic não tem fins lucrativos.

Comentários da Autora: Esta história já mudou de rumos na minha cabeça algumas dezenas de vezes, daí a demora na postagem, agradeço a compreensão... mas chega desse negócio formal! Agradecimentos pra lá de especiais para Áries Sin pela ajuda e pela betagem desse capítulo. Como não podia deixar de ser, dedicatória especial para meu amorzinho Lhu-Chan. E, para todos que lêem essa história (não sei se aquele acento caiu, mas sou jurássica mesmo) muito obrigada e não deixem de comentar.


Capítulo 3 - Quebra de Rotina

Contar a história dos "Cavaleiros do Zodíaco" para uma incrédula Catarina foi uma das tarefas mais árduas enfrentadas pelos dois cavaleiros dourados. A cada instante eram interrompidos, provas eram pedidas, enfim, foi um exercício de paciência. Findo o processo, Hector dormia calmamente no colo da pai, Camus preparava uma refeição a guiza de acalmar-se , Catarina andava de um lado para outro falando palavras desconexas e Milo soprava a franja enquanto acalentava o pequeno.

- Vamos jantar, creio que depois de alimentados as informações não seja tão indigestas.

- Milo, a última coisa que eu posso pensar agora é em comer.

- Lamento quanto a você, pois eu vou aproveitar os dotes culinários de Camus. – Milo levantou-se e dirigiu-se à mesa primorosamente posta por Camus.

Catarina não teve muita opção e acabou por juntar-se ao s cavaleiros dourados. A refeição estava realmente deliciosa. A cada instante surpreendia-se mais com aqueles homens. Eram capazes de matar sem hesitar, mas eram delicados com a criança e capazes de cozinhar como mestres. Tinham poderes sobre-humanos – vira isso com seus próprios olhos – mas tinham reações e sentimentos completamente normais. As contradições em pessoa. Estava enlouquecendo.

- Acho que vou embora.

- Catarina, está tarde. Durma aqui. Amanhã você conhecerá a nossa Deusa, depois a levarei em casa e deixarei que compreenda tudo que viu e ouviu, somente então conversaremos a respeito do pequeno.

A jovem mãe pensou ainda em discutir, mas a curiosidade falou mais alto. Pediu apenas uma muda de roupa para si. Trouxera coisas para o garoto. Camus achou melhor dormir em seu templo. Tanto o cavaleiro de Escorpião quanto o de Aquário tiveram uma noite insone. Já não mais sabiam dormir separados.

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As notícias no Santuário corriam como rastilho de pólvora. Todos já sabiam da história do filho de Milo. Mu e Shaka aproveitavam a brisa fresca da noite, conversando calmamente no jardim das árvores gêmeas.

- O que você acha?

- Que nosso amigo aparentemente está encrencado.

- Sabe Mu, temos de ser responsáveis por nossos atos. Milo demorou muito para perceber isso. Agora que ele e Camus finalmente conseguiram paz, precisam pagar pelos seus erros passados.

- Nada do que fazemos passa impune, isso eu sempre soube, mas me pergunto se essa criança não vai ser um benefício para todos nós.

- Acho que essa história está apenas começando... falando em crianças, quando vamos ter um ariano no Santuário?

- HEIN?!?!?!? Ficou maluco?

- Você acha que não sei que mais dia menos dia você terá de cumprir a sua obrigação com sua raça?

- Por que pensar nisso agora?

- E por que não pensar? Você terá de ter um filho. Ele terá de ser criado aqui no Santuário. Nós estamos juntos... É... cada vez que penso nisso acho que consigo entender um pouco o que Camus está passando.

- Shaka, um problema de cada vez e, nesse exato instante, você precisa resolver um problema meu de falta de ar...

Mu selou sua frase com um beijo cinematográfico. Uma coisa de cada vez. Detestava a mania do namorado de antecipar os problemas. Em seu tempo tudo seria resolvido. Agora estava mais interessado em rolar com Shaka naquela grama macia.

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Athena , como todos os demais moradores do Santuário, já estava ciente do que acontecia no templo de Escorpião. Quando Milo fora buscar Catarina, Camus alertara a Deusa a respeito da presença de uma estranha no Santuário, bem como da existência da criança que supostamente seria filho de Milo.

- Saori, você acredita nessa história de filho?

- Não sei dizer, ainda não conheci a criança, mas eu não duvido.

- Mas o Cavaleiro de Escorpião é tão sério... ele ama tanto o Cavaleiro de Aquário.

- Seiya querido, você perdeu muita coisa durante o tempo que permaneceu doente. Milo de Escorpião nem sempre foi esse homem exemplar que você conhece hoje. O amor o transformou, não só a ele, como a Camus também. O Cavaleiro de Aquário precisou aprender a sentir e a ceder.

- Como será que eles vão se virar com uma criança e uma mulher no meio.

- Não faço idéia... mas só sei que vai dar gosto de assistir da platéia.

- Saori, às vezes você me dá medo...

- Não é porque sou uma Deusa que não posso ter senso de humor... muito pelo contrário.

Antes que Seiya pudesse responder, o casal foi interrompido por um guarda avisando que o Cavaleiro de Escorpião e seus acompanhantes desejavam falar com Athena. Saori autorizou a entrada de todos.

Hector, tão logo entrou no grande salão, desvencilhou-se das mãos dos pais e partiu em uma correria desembestada em direção a Deusa. O forte cosmo da Deusa atraiu a criança como açúcar atrai formigas. Catarina estagnou confusa. Milo colocou a mão na cabeça, envergonhado, deveria ter previsto esta reação. Camus virou o rosto na tentativa inútil de esconder o sorriso de reconhecimento. Athena recebeu a pequena criança de braços abertos e teve a certeza de que o sangue de um de seus mais valorosos cavaleiros corria naquelas pequenas veias.

- Parabéns, você tem um belo filho e será um cavaleiro muito forte quando crescer. Vocês sempre serão bem vindos em meu Santuário.

Catarina apenas olhava para Athena com os olhos arregalados e a voz entalada na garganta. Estava realmente perante uma deusa.

----------- X --------------

- Chega Camus, não consigo mais treinar.

- Tudo bem, estes últimos dias têm realmente sido estranhos. Vamos para casa.

Milo e Camus caminharam silenciosamente em direção ao Templo de Escorpião que ambos elegeram como "casa".

- Pode me dizer agora o motivo desta cara macambúzia!

- Estou preocupado com o pequeno. E se aquela louca resolver sumir com ele pelo mundo?

- Milo, você quando está preocupado é hilariamente obtuso, sabia?

- Eu te amo, mas não precisa ofender por causa disso. O que tem de errado em minhas preocupações?

- Você realmente acredita que ela vai conseguir sumir com a criança no mundo sem que nós a encontremos? Você viu a reação de Hector ante a presença de Athena. Você se acha tão incapaz assim de encontrar o cosmo de seu filho?

Milo parou e pensou, finalmente levantando as mãos em sinal de rendição. Camus tinha razão. Se ele quisesse encontrar o filho, ele o faria. Já se passara uma semana e Catarina não entrara novamente em contato. Daria a mulher o tempo que ela precisasse. Imaginava que não deveria ser nada fácil descobrir tantas coisas acerca da natureza de seu próprio filho, principalmente esta criança tendo nascido de dentro de seu corpo.

- Você tem razão... eu me rendo. Está um calor tremendo. Que tal um banho de cachoeira?

Camus concordou e os dois andaram calmamente em direção há uma das muitas cachoeiras existentes. O suor e o calor do dia lavados pelas águas geladas e límpidas. Milo sentiu um arrepio na pele. Aproximou-se do namorado, afastando os longos cabelos ruivos grudados na pele e distribuiu pequenos beijos por todo o pescoço do aquariano.

- Milo... não brinque com fogo, você pode se queimar...

- Eu pensei que estava brincando com gelo...

- O gelo também queima, sabia?

Camus tomou a boca de Milo em um longo beijo. As mãos percorriam os músculos bem torneados, a pele do escorpiano arrepiando-se sob os toques. As roupas molhadas foram arrancadas sofregamente e jogadas à margem do lago formado aos pés da cachoeira. Os dois homens continuavam a se beijar, seus corpos se amando. Camus começou a preparar Milo para a invasão que se fazia necessária. Seus dígitos acariciando internamente o corpo há muito conhecido, dando o prazer que fazia esquecer a dor. Logo os dedos foram trocados pela ereção pulsante. Os gemidos cada vez mais altos se misturando com o som das águas. O êxtase arrebatador os deixou com a mente vazia, o corpo saciado. Abandonaram-se, nus e abraçados, na relva que circundava o lago apenas apreciando o belo céu grego. O resto do dia passou calmo e arrastado, mas quem se importava com isso?

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- Aiória eu vou te matar!!!!! O casamento do Shura é amanhã e você me quebra o nariz!?!?!?! Esqueceu que eu sou o padrinho?!?! Pode tratar de dar um jeito nisso!!!!

Milo arrancara a camisa e tentava conter o sangue que escorria abundantemente pelo nariz enquanto gritava com o leonino que o atingira com um soco certeiro durante o treinamento. O sangue quente e a fúria faziam com que não sentisse a dor do ferimento.

O leonino se segurava o máximo possível para não explodir em uma sonora gargalhada. Esse tipo de acidente acontecia naturalmente em treinamentos como os deles. Mas a fúria de Milo, preocupado com sua aparência no casamento do amigo era demasiadamente cômica.

- Deixa eu consertar a besteira que eu fiz!!!!!

Antes de Aiória conseguisse concentrar seu cosmo para cicatrizar o ferimento um grito histérico tomou toda a arena paralisando o treinamento.

- Milo!!!!!!! Você está machucado!!!!!!!

Catarina chegara com o pequeno Hector e ficara em pânico com a quantidade de sangue que sujava o rosto do cavaleiro de Escorpião.

- Era só o que me faltava... Catarina sem show, isso não é nada. É apenas um nariz quebrado.

- Ué Milo, não era você mesmo que estava fazendo um escândalo agora a pouco por causa disso? – Aiória não perdeu a oportunidade de colocar um pouco de lenha na fogueira.

- Cala a boca gatinho, a culpa disso tudo é da sua falta de atenção. Não se meta aqui, mas não pense que escapou não! Você ainda vai ter que consertar o estrago que fez no meu lindo e maravilhoso rosto.

- Bom... pelo visto está tudo bem...Eu vim aqui para deixar Hector com você por algum tempo. Fechei um contrato com uma grande empresa de modelos e estou partindo para Nova Iorque hoje. As malas dele estão na entrada deste lugar, por favor, pegue assim que puder. Até mais ver.

Catarina deu dois beijos no rosto do filho, despediu-se dele, entregou a criança à um atônito cavaleiro, virou-se e partiu.