Disclamer: Saint Seiya não me pertence e essa fic não tem fins lucrativos.

Agradecimentos: Para todos que acompanham esta fic e especialmente a Danizoll por seu incentivo.

Comentários da Autora: Peço desculpas pela demora, mas estes próximos capitulos estão sendo especialmente difíceis dada a complexidade da cerimônia pagã e sua adaptação ao Santuário e aos nossos costumes cristãos. Este capítulo não foi betado, por favor perdoem possíveis erros e me avisem.


A cerimônia de casamento na Grécia pré-cristã era um assunto de foro privado, em se tratando do Santuário de Athena e seus moradores especiais essa instituição e seu cerimonial essa privacidade era ainda mais exarcebada.

Tradicionalmente não era necessário um sacerdote para celebrar o casamento, entretanto, no Santuário alguns aspectos das diversas culturas que compunham aquele microcosmo fizeram com que algumas tradições fossem alteradas. Athena pessoalmente iria abençoar o casamento de Shura e Shina. Como todos ali não possuíam família, os noivos escolheram padrinhos que representariam as suas famílias. Milo e Camus para Shura, Marin e Aiólia para Shina.

A cerimônia duraria três dias. Foi decretado feriado no Santuário. O primeiro dia seria dedicado aos Deuses. Seriam feitas as oferendas e os noivos seriam purificados com o banho ritual. No segundo dia se daria o casamento propriamente dito, com o banquete de casamento e as bênçãos de Athena e no terceiro dia os últimos banquetes e oferendas agradecendo aos Deuses por suas bênçãos.

Milo ainda estava atordoado com todos os acontecimentos, o nariz quebrado, a chegada inesperada de Héctor, os preparativos para o casamento. O dia passou corrido e ele nem mesmo se deu conta do correr das horas. Adormeceu exausto nos braços de Camus depois de uma luta campal para fazer o garoto dormir, mas os seus problemas estavam apenas começando...

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O sol, majestoso astro-rei que era conduzido diariamente por Apolo pelo firmamento, anunciou a chegada de um novo e grande dia no Santuário de Athena.

- FOOOOOOOOMMEEEEEEEEEEEE, MÃAAAAAEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!

Milo e Camus acordaram assustados com a potência do berro que ouviram. O que estava acontecendo, o Santuário estava sendo atacado novamente? Não sentiram nenhum cosmo alterado. O berreiro se intensificou, seguido por um choro de criança. Espera... criança!

- Hector! – os cavaleiros falaram em coro, levantando-se de maneira atabalhoada.

Milo correu para tentar calar aquela sirene infantil antes que todo o santuário cercasse sua casa enquanto Camus se preocupava com a mamadeira do garoto.

- Uma coisa podemos ter certeza, este garoto não tem problema algum de pulmão! – o francês comentou, ao entrar no quarto com o alimento em mãos.

- E podemos ter certeza de outra, se eu não aprender a cuidar dessa criança rapidamente, eu vou ter um colapso nervoso. Como aquela mulher conseguia?

- Ela é mãe e mulher, mas não se preocupe, mon ange, você aprende. – "ou eu volto para a Sibéria", o aquariano completou em pensamento.

Antes mesmo que os moradores do Templo de Escorpião tivessem tempo de fazer coisas triviais como trocar os pijamas ou beber uma simples xícara de café, a porta da residência estava sendo esmurrada por mãos furiosas.

- Não é possível! Será que todos resolveram que não temos o direito de descansar?

- Milo, hoje é o dia das oferendas aos Deuses. Todos já devem estar reunidos no templo de Athena e ainda temos que ir buscar a água na fonte sagrada. Esqueceu?

Milo deu um tapa na própria testa que refletiu no nariz quebrado o que o fez sentir uma dor aguda e soltar alguns palavrões. Camus deixou-o sozinho e dirigiu-se a porta cantando um mantra aprendido com Shaka.

- Camus, Athena me pediu que viesse apressá-los. Shura os aguarda para que possam acompanhá-lo ao templo. Shina já está no Templo de Aiória esperando a saída do cortejo do noivo. As oferendas já estão prontas.

- Seyia, obrigado por vir nos avisar. Acabamos de alimentar o menino, precisamos apenas tomar um café quente e um banho.

- Por favor, se apressem...

- Você poderia nos fazer um favor?

- Claro!

- Entre e brinque um pouco com Hector enquanto nos apressamos.

Camus afastou-se um pouco para que Seiya entrasse enquanto gritou, para que Milo trouxesse o menino, informando que ele arrumara uma babá. Parecia que o hábito de se comunicar gritando dos gregos estava atingindo até o gélido francês. O cavaleiro de Pégasus olhava aturdido para o turbilhão louro que entrava na sala com uma pequena miniatura em seus braços. Milo entregou o pequeno aos cuidados do recém-chegado e apontou para um canto da sala onde se encontrava um saco cheio de brinquedos deixados por Catarina. Sumiu, tão rápido quanto chegara, seguido por Camus.

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Seiya olhou para o garoto sem saber exatamente o que fazer, entretanto percebeu que as fraldas do pequeno precisavam de substituição urgente.

- É, acho que você precisa de fraldas novas. Onde será que seu pai guardou as suas fraldas.

- Tá no quarto. – Hector puxou as mãos de sua nova "babá" em direção ao quarto em que fora acomodado.

Pegasus assustou-se com a quantidade de bolsas e mochilas acomodadas naquele local, parecia que ocorrera uma mudança ali. Será que o garoto moraria de vez no Santuário? Não cabia a ele questionar e sim ajudar seus amigos no que fosse possível. Levou algum tempo para encontrar o que procurava, mais ainda porque Hector falava sem parar, trocando ainda as palavras e enrolando a língua, mas queria mostrar para o novo amigo as suas coisas mais queridas.

Desde que chegara ao Santuário, Seiya era a primeira pessoa com quem Hector tinha contato além do pai e do "tio" Camus. Involuntariamente a criança o elegera como um amiguinho, tentando levá-lo para seu pequeno mundo que fora completamente perdido. Trocar as fraldas até que não foi um trabalho tão árduo, principalmente se levar em conta que o "babá" teve uma ajuda do pequeno.

Milo entrou na sala já arrumado, com o curativo do nariz tomando quase todo o rosto e encontrou o recinto vazio. Entrou em pânico, o que o pangaré alado tinha feito com seu filho? O curativo no nariz o impedia de gritar a plenos pulmões. Olhou para Camus, a preocupação refletida no olhar.

- Calma Milo, eles estão no quarto, posso sentir o cosmo dos dois.

O Escorpião se acalmou e pôde sentir o cosmo sereno do filho. Respirou fundo e foi atrás dos dois, já antevendo o caos. O susto que levou ao ver Seiya e Hector foi maior do que quando pensou que ambos haviam sumido.

Hector estava limpo e arrumado, ajudando Seiya a desfazer suas malas enquanto conversavam coisas incompreensíveis.

- Acho que encontramos alguém com a mesma idade mental de Hector para tomar conta dele, mas parece que fez um bom trabalho. Milo, pode fechar a boca. O garoto está bem e pronto. Estamos atrasados. Vamos?

Seiya ouviu o chamado de ambos e só então se deu conta da presença dos "pais" do menino. Pegou o garoto no colo e saiu do quarto.

- Desculpem invadir a casa de vocês, mas o Hector precisava ter as fraldas trocadas.

- Não tem problema, obrigado pela ajuda.

Milo permanecia calado com uma expressão enigmática. Falar se tornava complicado por conta do ferimento e pela primeira vez agradecia ao silencio no qual se encontrava. Estava tendo tempo para pensar e colocar as idéias em ordem.

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- Hombres! Quieren matar-me???? Estoy a esperá-los a horas!

- Desculpe-nos Shura, tivemos uma noite atribulada. Mas não vamos nos atrasar mais.

Saga, Kanon, Aioros, Mu, Shaka, Aldebaran, Máscara da Morte, Afrodite, Shun, Hyoga, Shiryu, Ikky aguardavam o noivo e os padrinhos no salão principal do templo de Capricórnio. Todos se reuniram fazendo uma breve oração pedindo aos Deuses que toda abençoassem a cerimônia que se iniciava. Cada um carregava um cesto com as oferendas do noivo aos Deuses.

Vinho para Dioniso, uma espada para Zeus, um arco para Artémis, perfume para Afrodite, frutas para Démeter, um livro para Athena, um pergaminho com as leis do Santuário para Hera. Sobre todas as oferendas que seriam "sacrificadas" aos Deuses estavam cobertas por ramos de oliveira. Shura levava a ambrosia e os padrinhos, o mel.

Saíram em cortejo em direção ao templo. Servas correram para o templo de Leão. Avisariam a noiva que o cortejo do noivo já saíra.

Shina saiu de seu templo acompanhada dos padrinhos com suas própria oferendas aos Deuses. Não encontraria com Shura nesse momento. Suas oferendas seriam feitas em Star Hill acompanhada apenas dos padrinhos e das demais amazonas. Entregaria sua máscara a Hera e receberia o véu, que só seria retirado no dia seguinte, após as bênçãos de Athena.

A segunda parte da cerimônia e que encerraria aquele dia seria o banho com as águas da fonte sagrada. Pela primeira vez Shura viu a noiva. Ela estava deslumbrante. Ele tinha a impressão de que poderia desfalecer a qualquer momento. Os padrinhos se retiraram, e seguiram até a fonte nos arredores do Santuário. Cada um carregava uma antiga ânfora, que encheram com as águas.

Milo e Camus banharam Shina com o conteúdo de suas ânforas, dando boas vindas à noiva. Marin e Aiólia fizeram o mesmo com Shura.

A primeira parte da cerimônia terminara. Durante todo o tempo o pequeno Hector ficara sob os cuidados das servas e de Seiya. No fim da manhã o garoto já estava inquieto. Ainda teria o primeiro banquete, mas as babás improvisadas já tinham esgotado todo o arsenal de brincadeiras, uma serva entrou no templo silenciosamente e tocou o ombro do cavaleiro de gelo.

- Mestre Camus, precisamos do Sr. Milo, o menino está incontrolável.

Camus assentiu. Levantou-se pedindo licença a todos levando Milo consigo. Hector chorava chamando pela mão. O escorpião sentiu as lágrimas virem aos olhos. Nunca seria capaz de substituir aquela que sempre foi a única referência da criança. Seu filho precisava de um pai e uma mãe, ele não poderia ser os dois, ou poderia? Pegou o pequeno no colo e começou a cantar, quase em um sussuro, uma antiga canção grega que nem mesmo sabia que conhecia. Foi andando em direção ao seu templo com o garoto no colo. Precisava alimentá-lo. Não entendia nada de nutrição infantil, mas tinha a certeza dada pelo coração que seu filho precisava de algo mais que simplesmente leite.

Ainda com o garoto no colo vasculhou a geladeira e os armários da cozinha, não achando nada que considerasse adequado. Praguejou. Todos estavam no banquete, inclusive Camus. Os dois padrinhos do noivo não podiam se ausentar simultaneamente. Respirou tão fundo quanto o seu nariz permitia. Sabia que era completamente fora do protocolo, mas resolveu voltar para o banquete. Com seu filho no colo.

Silêncio. O que uma criança fazia ali? Todos estavam aturdidos. Hector resolveu o problema com um sorriso, o sorriso de Milo. Camus reconheceu aquele sorriso e seu coração gelado derreteu, assim como o coração de todos os demais. Até mesmo os noivos dedicaram sua atenção ao pequeno.

- A presença de nosso pequeno Hector em nosso banquete é uma coisa completamente fora dos padrões, entretanto ele representa a renovação de nosso Santuário e a perpetuação de nosso modo de viver e defender a humanidade. Bem aventurado seja o nosso pequeno cavaleiro. Bem aventurado sejam os noivos. Glória aos Deuses. Vida longa a humanidade. Respeito a mãe terra e ao pai mar. Futuro infinito aos céus e aos seus habitantes. Que reiniciemos o nosso banquete.

Milo soltou o ar ao ouvir as palavras da Deusa. Shina preparou um pequeno prato com frutas e legumes, entregou ao escorpiano.

- Alimente o pequeno. Ele precisa.

O clima se descontraiu. Todos confraternizaram-se durante toda a tarde como uma grande família que estava ali sendo formada. Hector e seu sorriso escorpiano conquistaram todos a sua volta. No cair da noite voltaram para o templo de escorpião exaustos.

- Eu preciso de um banho. – Camus desabotoava a camisa azul utilizada durante o banquete.

- Esse templo está uma bagunça. Não podemos viver assim, preciso arrumar o quarto do garoto.

O cavaleiro de gelo arregalou os olhos, nunca pensara em ouvir uma frase semelhante saída dos lábios do amado.

- Teremos tempo para isso ao fim das cerimônias. Vamos descansar, o dia amanhã será cheio e longo.

Como que para corroborar a frase do aquariano o pequeno bocejou ruidosamente.

- Non, non , petit. Vamos tomar um bom banho primeiro.

Camus tirou Hector dos braços de Milo e foi dirigiu-se ao banheiro. Encheu a banheira com água morna, na sua opinião um pouco quente, mas que sabia ser adequada. Entrou com o garoto, gestos suaves, luz baixa, sabonete aromático e massagem nos pequenos membros. Em poucos minutos o garoto relaxado e limpo dormia em seus braços. Saiu a banheira suavemente, os pingos de água molhando o piso, mas isso não importava. Enrolou a pequena criança em uma toalha macia e saiu do banheiro, não se importando com a própria nudez.

Milo ficou mudo com a cena, o seu amado nu carregando seu filho adormecido nos braços. Colocou uma fralda na criança, deu uma mamadeira ao pequeno adormecido, acomodou-o no berço, ligou a babá eletrônica – apesar de não ser necessária dada a potencia dos berros – desligou a luz, encostou a porta.

- Camus, agora nós dois.