No controle da situação
Caius pov
I know you suffered
But I don't want you to hide
It's cold and loveless
I won't let you be denied
Eu não me atrevia a tocá-la como imaginei que faria, em partes porque ela havia se tornado algo tão glorioso que eu me sentia quase insignificante, mas acho que o verdadeiro motivo estava no olhar frio e altivo dela. Dês de que ela compreendeu o quão forte havia se tornado e que quase nada na terra poderia feri-la, Athena não mais respondia quando a chamavam de escrava, ou serva. Ela estava acima de tal tratamento.
A insubordinação e o desdém com o qual ela tratava todos ao seu redor, em especial eu e Sulpicia, era palpável. Absolutamente ninguém dentro da casa merecia qualquer consideração da parte dela, a não ser por Marcus e Dydime. A esposa de Aro a encarava com uma raiva atroz e sempre reagia a presença de Athena como uma criança mimada, fazendo ceninhas e disputando atenção. Eu ignorava os rompantes de infantilidade da minha cunhada enquanto encarava Athenodora deslumbrado. Se Aro estava irritado ou não com aquilo, eu não fazia idéia. Às vezes ele me parecia curioso diante da personalidade da minha serva, as vezes ele me parecia indignado com o modo que ela agia com sua fútil e adorada esposa.
Eu via um prazer mórbido nos olhos de Athena, em particular quando ela se encontrava com Sulpicia cara a cara. Enquanto minha cunhada parecia incapaz de se defender de uma fêmea que estava claramente tentando se afirmar naquele território, Athena ganhava confiança diante da fragilidade da rival. Sulpicia podia ser insuportável quando queria, podia dar quantos acessos de raiva que quisesse, já que Aro existia para assegurar sua posição lá dentro, mas ela nunca esperou se deparar com uma concorrente em igual posição e que tinha o status tão elevado quanto o dela.
Enquanto eu desejasse Athenodora como minha companheira, o que era mais e mais evidente a cada dia, Aro não podia fazer nada. Tratava-se de uma lei não positivada, mas amplamente aceita e respeitada. Nós não atentávamos contra as parceiras de outros como nós, a dor da perda de uma alma gêmea era insuportável. Aro não tinha qualquer autoridade para fazer mal a Athena, quando muito ele me ameaçava numa tentativa de que eu exercesse algum controle sobre ela e conseguisse fazê-la parar. Evidentemente eu não tinha sobre Athena o mesmo poder que Aro tinha sobre sua esposa. Bastava um olhar, ou um afago para que Sulpicia cedesse a ele.
A maneira como Aro dominava a esposa era eficiente e silenciosa. Sulpicia não era capaz de ter segredos para ele e eu nem queria imaginar como eles se entendiam longe dos olhos dos outros. Era com uma pontada de inveja que eu olhava para o casamento do meu irmão. Por mais irritante que a mulher dele fosse, ele a tinha nas mãos e não havia nada que ela não estivesse disposta a fazer por ele.
Athena me evitava, mal olhava em meus olhos quando éramos obrigados a permanecer em um mesmo ambiente por um tempo maior que dez minutos. Eu tinha ganas de agarrá-la pelo pescoço e obrigá-la a me encarar. Prendê-la para que ela não tivesse a chance de fugir de mim ou evitar minha presença. Eu a havia transformado para me servir e o que estava acontecendo era o contrário. Era eu quem estava a serviço dela, como um joguete, ou um escravo que rasteja aos pés de sua senhora.
Eu tinha plena consciência de que ela entendia o poder que tinha sobre mim e meus desejos, sabia também que no momento em que ela resolvesse usá-lo em toda sua potência então eu estaria perdido. Eu não seria capaz de negar a ela coisa alguma. Que ela me pedisse o sol e a lua, eu entregaria ambos numa corrente.
Eu estava aos poucos perdendo a minha identidade e meu orgulho, eu estava implorando pela atenção de uma fêmea que eu havia humilhado e mal tratado enquanto humana. Cora deixou aquele corpo perfeito e agora apenas Perséfone governava, sem misericórdia, sem compaixão. Ela era aquela que trazia a destruição do meu mundo. Eu passei um ano enlouquecendo um pouco a cada dia, um ano até que a força dela diminuísse e ela não mais pudesse me matar quando eu fizesse menção a tocá-la.
Aro me considerava motivo de vergonha e chacota, mais de uma vez ele sugeriu que eu a tomasse a força. Nas palavras dele ela era uma virgem grega que permaneceu virgem por tempo de mais. É claro que Dydime ficava revoltada com este tipo de comentário e sempre tentava afastar a idéia de minha mente, ao passo que Sulpicia resmungava qualquer coisa sobre "isso mostraria a esta escrava o seu lugar".
Sim, Athena ainda era minha escrava particular. Uma serva que eu havia me dado ao trabalho de adquirir para o meu próprio prazer, para que ela saciasse meus desejos mais mundanos e devassos. Entretanto, eu nunca consegui usufruir de tais deveres, tão pouco me atrevi a tocá-la de maneira que ela pudesse desaprovar simplesmente porque eu estava enfeitiçado por ela. Desesperado para que ela sentisse algum amor por mim.
Please me
Show me how it's done
Tease me
You are the one
Marcus poderia dizer o que e o quão forte era o sentimento que ela nutria por mim, mas eu nunca me atrevi a perguntar. Eu vi olhares de solidariedade lançados a mim por parte dele e de sua esposa e depois de um tempo Dydime passou a ser uma companhia mais constante na minha existência e na de Athena. Ela estava sendo piedosa ao me dar momentos de alegria, mas sempre que ela se afastava eu voltava a minha angustia.
Eu já havia deixado de viver a pelo menos mil anos e só agora eu me sentia enterrado em um poço sem fim. Era como dormir sem descansar. Meus pesadelos despertos mostravam olhos ora castanhos, ora vermelhos, gritos de dor e pânico, lágrimas e uma esperança vã que eu vi nos olhos dela por tantas vezes antes que ela fosse transformada como punição. Se eu pudesse me arrepender de algo, se eu achasse que ela devia ter tido uma vida normal, com um marido e filhos correndo ao seu redor enquanto ela lançava a eles sorrisos genuínos, eu jamais teria feito o que fiz. Mas a verdade é que eu não conseguia me arrepender nem quando sabia que estava errado. Eu era egoísta e sem coração, apaixonado de mais por ela pra permitir que ela fosse feliz com alguém que não fosse eu.
Eu estava exausto de ter que agüentar reclamações de Aro, chiliques de Sulpicia, pena de Marcus e Dydime, e principalmente eu estava farto de suportar a frieza de Athena. Ela permanecia usando meus aposentos particulares, maior parte do tempo ela ficava na ante- sala, ou na pequena biblioteca que eu mantinha. As portas trancadas eram um aviso claro de que ela não tinha a menor intenção de olhar para mim, ou de se tornar minimamente próxima.
Por ironia ou não, ela mantinha o lugar arrumado e limpo, às vezes eu ouvia seus dedos hábeis trabalhando no tear e não era surpresa que houvesse novos tapetes, mantas e xales prontos ao nascer do sol. Ela constantemente mudava a decoração da câmara, imagino que fosse um passatempo, ou quem sabe uma forma de me afrontar. Eu gostava do que ela fazia com as cores dos fios, deixava o lugar mais aconchegante, mais parecido com uma casa de verdade e eu gostava ainda mais de ter a ilusão de que aos poucos eu ia conhecendo ela, ao menos pelo gosto.
Entrei uma vez em meus aposentos e ela já estava lá, debruçada sobre o tear enquanto os dedos trabalhavam com a velocidade de um raio. Azuis, vermelhos, amarelos, púrpuras, tons de bege, laranja e terra cota misturados com habilidade. Ela nem mesmo olhou para mim, ela não se deu ao trabalho de desviar a atenção da trama, ou de me dizer qualquer palavra de boas vindas. Aquilo mostrava bem o quão insignificante eu havia me tornado na vida dela. O que eu era? Eu era absolutamente nada! Eu nem mesmo era digno de uma gota da atenção dela.
- Por que está tecendo outro? – eu não resisti à curiosidade. Ela parou suas mãos por um momento – Não precisa parar. Só estou curioso, já que você praticamente encheu os cômodos com eles.
- Tecer era algo que eu costumava fazer para me distrair e passar o tempo. – ela respondeu num tom quase inexpressivo – Mas agora nada parece ser capaz de me distrair e eu tenho uma eternidade aparentemente. Por mais que eu tente, o tempo nunca passa mais rápido.
- Você está no seu primeiro ano, ainda não faz a menor idéia do que é eternidade, ou a monotonia que ela trás. – murmurei um tanto nervoso com ele.
- Graças a você, vou acabar descobrindo. – ela rebateu tão mal humorada quanto a Medusa. Ela estava me irritando.
- Eu realmente gostaria de entender o motivo de tanta hostilidade contra mim. Aliás, não só contra mim, mas com todos nessa casa. O que está acontecendo com você?
- Eu não sei, dominus. – ela respondeu num tom insolente e sarcástico enquanto se levantava e me encarava nos olhos com um brilho sádico. – Talvez o fato de que eu seja uma escrava, de ter que me submeter a situações constrangedoras logo que cheguei aqui, te ter sido capturada e espancada quando tentei recuperar minha liberdade e por fim ter sido transformada nesse monstro que não dorme, não come nada e só consegue sentir alguma felicidade quando bebe sangue! – ela vociferou – Eu realmente nem consigo imaginar porque eu sou assim. – eu não me contive diante de tanto desaforo. Sem pensar duas vezes eu lancei um tapa no rosto dela para que se calasse.
- Já chega! – rugi – Eu tenho tolerado a sua insolência, a sua falta de educação e respeito para comigo e meus irmãos. – eu a agarrei pelos cabelos da nuca com força, fazendo seu rosto ficar a milímetros do meu – Não vou tolerar mais isso. Fui claro?!
- E depois ainda me pergunta por que eu ajo assim. – ela continuou provocando.
- O que te faz pensar que é igual a nós, Athena? – eu a apertei contra meu corpo com força – Você é tão escrava agora quanto era há um ano.
- Eu sou igual a vocês, agora. – ela sussurrou – Eu tenho pele de mármore, olhos de sangue, a força de uma deusa. Você não me assusta mais, você não pode mais me amedrontar ou desafiar sem o risco de um confronto de iguais. Você é tão escravo quanto eu, dominus.
- Não Athena, você nunca vai ser igual a mim. – eu sussurrei ao ouvido dela – Eu tenho mil anos de experiência, força acumulada, inteligência e habilidade. Você... – beijei-lhe o pescoço – não passa de uma criança. Ainda que seja uma criança tão...Tentadora. – uma de minhas mãos deslizou do pescoço dela até os seios, apertando um deles com cuidado.
- Não toque em mim! – ela rugiu e tentou me afastar, mas sua força não era mais tão grande quanto a de um recém nascido, então eu consegui segurá-la.
- Há um ano eu não toco em você. – eu falei em tom ameaçador – Há um ano eu tenho sido paciente e dado todo espaço para que você pudesse se acostumar com sua nova vida. Eu não agüento mais, Athena. – sussurrei e acariciei o rosto dela por algum tempo, até que ela se acalmasse – Você vem sendo cruel comigo. Me afastando de você, me torturando quando tudo o que eu quero é mostrar que esta vida não precisa ser tão cinzenta quando está parecendo agora.
- Você só quer uma prostituta e nada mais! – ela me acusou e eu ignorei o desaforo. Lambi o lóbulo da orelha dela e senti todo o corpo de Athena estremecer em resposta. Ela estava cedendo aos poucos.
- Se eu quisesse realmente isso, poderia ter matado você depois de violentá-la. Poderia ter drenado até a última gota do seu sangue enquanto suas pernas ainda estivessem abertas para mim. – enquanto ela permanecia imóvel diante dos meus carinhos, eu aproveitei para soltar as amarras da túnica que ela usava – Eu não fiz isso com você, Athena. Eu não quis que você sucumbisse como todo mortal, eu te poupei da velhice e da morte, da pobreza e de todas as doenças. Ninguém neste mundo foi tratado com mais carinho e mais dedicação do que você e por que acha que eu me dei ao trabalho?
- Porque é louco. – ela respondeu num sussurro, antes de deixar escapar um gemido baixo quando suas roupas caíram no chão e eu toquei seus seios, apertando-os.
- Talvez esteja certa. – sussurrei girando-a em meus braços – Eu quero você, Athena. Dês do primeiro dia que a vi. Quero você como minha companheira.
Eu a beijei nos lábios, sedento, da maneira que eu ansiei por tanto tempo. Era como provar sangue humano pela primeira vez. Era poderoso, luxuriante, viciante, insano. Os braços dela enlaçaram meu pescoço. Minhas mãos se ocuparam de tocar, conhecer, explorar cada pedaço do corpo desnudo dela, enquanto Athena gemia baixo contra meus lábios. Eu ia perder o controle se não a tivesse. Eu precisava dela como precisava do sangue e do poder.
- Preciso de você, Athena. – murmurei beijando o pescoço dela e afundando meu rosto nos cabelos escuros que caiam em cascata. – Toque em mim. – as mãos dela deslizaram até meu tórax, afastando minha capa e depois suas mãos voltaram a minha nuca, arranhando-a e me deixando totalmente excitado.
I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognise your beauty is not just a mask
I want to exorcise the demons from your past
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart
De um jeito meio cego e desastrado nós nos movemos até o quarto. Sem me separar dela nem por um segundo, tranquei as portas e joguei-a na cama. As mãos dela me ajudaram a retirar minhas roupas, enquanto eu sentia o toque dela sobre minha pele, queimando como o fogo do inferno.
Com minha boca eu busquei cada sabor dela, deliciado com os sons desconexos de puro desejo, prazer e luxuria que ela emitia num estado de transe. As mãos dela se perdiam no meu cabelo, me instigando a buscar os gostos ocultos no corpo suave, macio e perfeito dela. Que viesse o inferno naquele momento, não me importava mais.
Meus lábios alcançaram o espaço bem escondido entre as pernas dela, beijando, mordiscando, lambendo até que ela estivesse tão quente e úmida que eu mal conseguia resistir ao cheiro do desejo dela. Meus dedos a penetraram, fazendo-a se contorcer enquanto minha boca continuava absorvendo tudo como se fosse o sangue mais doce. Ouvi vagamente o som de lençóis sendo rasgados em meio à onda de prazer que Athena estava sentindo. A voz dela estava rouca quando seu ultimo gemido atingiu meus ouvidos.
Voltei a buscar os lábios dela, faminto, cedendo. Em um movimento ágil invertemos as posições. Eu a abracei firme beijando-a sem parar, conduzindo suas mãos para que ela me tocasse e retribuísse o prazer que havia dado a ela.
Ela me segurou em suas mãos, forte, imperativa, ela se movimentava calculadamente. Tudo nela era feito para me enlouquecer, mas eu não faria isso antes de tomá-la em definitivo. Mais uma vez invertemos posições e sem nem pensar no que eu estava fazendo eu a penetrei com força, fazendo-a gritar alto, num misto de susto e dor.
Comecei a me movimentar sinuoso, enquanto as minhas mãos buscavam meios de fazê-la sentir tanto prazer quanto eu estava sentindo. Cada vez mais rápido, cada vez mais forte, cada vez mais descontrolado. Athena agora parecia usufruir daquilo tanto quanto eu. Ela enlaçou meu quadril com as pernas e todo resto foi mera questão de tempo.
Foi como saltar de um precipício. Foi como renascer.
Eu agora podia dizer que Athena me pertencia por completo, mas isso era mesmo verdade, ou apenas uma vã ilusão que eu criei para satisfazer meu ego? Enquanto estava em meus braços ela parecia quente, receptiva, verdadeira, mas no instante seguinte a frieza dela voltava e tudo era como antes. Há uma linha tênue entre a sanidade e a falta dela, neste meio tempo eu já não sabia em qual destes lados eu me encaixava.
Ela era nada menos do que fascinante com seus olhos atentos e dissimulados. Seus sorrisos enigmáticos e gestos displicentes. Athena me tinha na palma de suas mãos sem o menor esforço, se ela soubesse, se ela sonhasse com a vastidão desse poder, eu estaria perdido. Caius Volturi era incapaz de negar qualquer coisa àquela mulher.
É claro que eu não imaginava que um dia meus sentimentos seriam postos a prova por ela. Esta era uma época em que eu vivia afastado da lei e das decisões do resto da família num esforço continuo de conquistar o afeto dela. Talvez por um reflexo daquela época, eu não julgava Athenodora capaz de dar grandes passos para atingir o poder, ou uma posição relevante dentro do clã. Na minha vã concepção, o máximo que ela faria seria disputar contra Sulpicia a atenção de todos.
Depois de nossa primeira noite Athena ganhou uma nova confiança para se impor diante da rival. Sulpicia estava cada vez mais incomodada com a presença dela e com o fato de ter sido colocada em posição de igualdade com uma escrava. Elas até então nunca haviam discutido abertamente, ou se dignado a falar qualquer coisa para a outra. Eventualmente, acabou acontecendo. Perséfone e Afrodite decidiram por sua vaidade a prova.
Começou com um esbarro proposital da parte de Sulpicia. A tiara que minha cunhada usava sobre sua cabeça loira caiu no chão de mármore ressoando pelo aposento. Athena olhou para a jóia com indiferença e Sulpicia encarou-a com indignação. Era evidente o que ela queria. Minha cunhada foi tola ao esperar que Athenodora se curvasse para pegar o objeto e devolver a dona, mas a esposa de Aro não era conhecida por sua esperteza.
- Pegue a tiara. – Sulpicia ordenou. Eu me mantive calado e estático em minha cadeira, da mesma maneira que Aro. Nós não iríamos interferir naquela briga. Se elas precisavam se provar então que o fizessem, caso as coisas saíssem do controle, então eu iria até Athena. Minha Perséfone se limitou a encarar a rival com desdém.
- Ela é sua. Pegue você. – Athena respondeu simplesmente. Sulpicia rangeu os dentes enquanto o ódio queimava no fundo de seus olhos.
- Você a derrubou, escrava! Eu estou ordenando que pegue minha tiara! – Sulpicia falou com um timbre histérico e agudo. A voz dela me irritava.
- Escrava? – Athena questionou e eu notei um toque de divertimento em sua voz – Acho que se enganou. Sou tão senhora quanto você, Sulpicia.
- Como se atreve a me chamar pelo nome, garota insolente. – Sulpicia ergueu a mão para atacá-la, mas Athena a segurou antes que tivesse a chance de desferir o golpe.
- Sulpicia é o seu nome, assim como Athenodora é o meu. Você passa o dia todo sentada, se sentindo dona do mundo quando não passa de um mero enfeite. As jóias que você carrega são só mais uma forma de você decorar o ambiente, então me poupe de suas crises de superioridade. – Sulpicia encarou Athena com indignação e ódio. Aro se sentiu atingido pelo comentário tanto quanto a esposa. Não era segredo para ninguém que ele não aceitava qualquer ataque a sua amada companheira, tomava todos como ofensas pessoais. Mas ao contrário do que eu esperava, ele não se levantou para defendê-la.
- Sua criatura nojenta! Acha que é muita coisa?! Deixe-me esclarecer alguns detalhes para você. – Sulpicia disparou venenosa – Abrir as pernas para Caius não torna você igual a mim! Você não passa de uma escrava grega, uma prostituta ordinária que não tem qualquer serventia além de aquecer uma cama. Seu sangue é tão sujo e baixo quanto lama, não importa o que vista ou as jóias que use, você sempre será uma escrava imunda! – desta vez, quem sentiu a ofensa fui eu. Athena não pareceu se abalar. Ela encarou Sulpicia com serenidade.
- E por um acaso você também não é uma escrava? A razão para que você esteja aqui é exatamente a mesma, satisfazer alguém. – Athena retrucou com a voz absolutamente tranqüila – Toda vez que precisa de alguma coisa, que deseja que um capricho seu seja cumprido, o que você faz? Abre as pernas. Não tente se colocar em posição de superioridade só porque você tem o maldito sangue romano congelado nas suas veias. Você é uma prostituta tanto quanto diz que eu sou. Se quer a droga da sua tiara, se abaixe e pegue. Aproveite para mostrar o traseiro para o seu dominus, quem sabe ele gosta da visão e lhe dá um enfeite novo.
You trick your lovers that you're wicked and divine
You may be a sinner
But your innocence is mine
Please me
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Tease me
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Athena deixou a sala dos tronos sem dar mais nenhuma palavra, como se estivesse a cima de tudo e todos, quando na verdade ela estava muito próxima de fazer Aro perder a paciência. Sulpicia por sua vez saiu destruindo tudo o que encontrou pela frente em seu acesso de fúria até o quarto. Aro foi atrás da esposa para tentar contornar a situação de maneira diplomática.
Eu decidi que deveria fazer o mesmo. A disputa entre elas havia atingido níveis preocupantes e a pesar do comportamento frio e controlado que Athena demonstrou eu desconfiava que as palavras de Sulpicia a magoaram muito mais do que ela queria mostrar.
Eu a encontrei no quarto, sentada diante da penteadeira que eu havia providenciado para ela. Ela havia retirado todas as jóias, seu cabelo estava solto e desalinhado e não havia nenhuma nuance de maquiagem sobre a pele. Athena encarava o espelho fixamente, provavelmente amaldiçoando a imagem refletida. Eu a abracei com cuidado, como se eu pudesse quebrá-la.
- Não dê tanta atenção ao que Sulpicia fala. – sussurrei enquanto acariciava os cabelos dela – Ela está apenas enciumada. Ela não está acostumada com a presença de outra fêmea que não seja Dydime.
- Ela está certa. – Athena murmurou – Eu não passo de uma prostituta barata. Olhe para mim. Eu não passo de uma escrava que custou muito mais do que o que valia.
- Não ouse repetir isso outra vez. Ela não é sua dona para dizer o que você é ou não. – eu me abaixei para encará-la – Eu sou. Só eu posso dizer o que você é, Athena.
- E o que eu sou? – ela encarou meus olhos refletidos no espelho.
- Você é a minha deusa. Minha Perséfone. – beijei-lhe o pescoço – Eu não estava brincando quando disse que queria você como minha companheira, Athena.
- Companheira? – ela perguntou.
- É como chamamos nossas esposas. – respondi serenamente.
- Posso lhe perguntar uma coisa? – ela se virou para mim e me encarou de maneira tão doce que eu teria sentido minhas pernas estremecerem se eu ainda fosse humano.
- Pergunte o que quiser, Athena. – ela acariciou meu rosto diante da minha resposta.
- Aro a ama? – Athena me perguntou num tom de voz quase etéreo, pousando suas mãos em minha nuca e beijando meu rosto. Maldita, ela finalmente descobriu o efeito que tinha sobre mim.
- Como um louco, eu diria. – respondi num fio de voz – Aro é totalmente apaixonado por ela.
- Eles são companheiros? – ela perguntou enquanto lambia minha orelha, eu senti um arrepio percorrer meu corpo.
- S...sim. – eu a agarrei pela nuca – Onde quer chegar?
- Você me ama, dominus? – ela perguntou num tom manso e provocante. Meus beijos desceram de seu pescoço até o vale dos seios dela.
- Você tem alguma dúvida? – eu rebati no mesmo tom – O que eu tenho que fazer para te provar isso? – minha outra mão alcançou o tornozelo dela, subindo até a coxa.
- Aaahrr, Caius... – ela gemeu a medida que minhas carícias ficavam mais insinuantes.
- Faz de novo. – eu pedi num sussurro – Chame meu nome. – beijei-lhe o pescoço.
- Caius. – ela repetiu num suspiro.
- Você ainda vai me enlouquecer Athena...
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Em todos estes anos eu nunca imaginaria que Caius pudesse encontrar uma fêmea tão intratável como aquela garota. Sulpicia estava jogada sobre a cama, inconsolável depois de tantos desaforos atirados a ela e eu estava nada menos que perdido diante da guerra particular que ambas decidiram travar.
Odiava ver minha Sulpicia inconsolável como ela estava agora. Eu a puxei para o meu colo assim que me sentei ao lado dela na cama e passei longos minutos afagando seu rosto tão suave e delicado. Ela era uma visão e tanto e até quando estava triste como agora ela conseguia me deixar deslumbrado.
- Não fique assim, minha querida. – eu sussurrei para ela – Você é muito superior a ela e não há ninguém neste mundo com o poder de dizer o contrário.
- Por que você permitiu que Caius tivesse essa... ESSA MALDITA ESCRAVA?! – ela gritou comigo. Isso era algo totalmente incomum e inaceitável. Sulpicia era um exemplo de educação e graça, mas agora, tomada pela raiva, ela estava fora de controle.
- O que mais eu poderia fazer? Dizer não ao meu irmão? – eu questionei seu bom senso. Não era incomum ela precisar de alguma ajuda para olhar situações problemáticas por um ângulo mais racional – Ele estava sedento por ela. Era apenas uma escrava, que mal ela poderia fazer? Na pior das hipóteses nós a mataríamos.
- VOCÊ TEVE A CHANCE DE MATÁ-LA E NÃO FEZ! – Sulpicia rugiu – Olhe o que ela está fazendo! Eu estou discutindo com você por causa de uma escrava!
- Eu estava pensando no bem da família, amada. Caius estava disposto a nos deixar se eu a matasse. Pior que isso, ele estava disposto a matar você como retaliação e isso eu jamais permitiria. – tentei sorrir indulgente para ela.
- Você viu do que ela me chamou? PROSTITUTA! É isso o que eu sou pra você, Aro? – ela se virou para mim furiosa.
- É claro que não, adorada. – eu beijei sua testa com paciência diante do ataque de histeria. – Você é minha companheira, minha alma gêmea, é minha razão de felicidade numa eternidade monótona. Pare de se questionar por causa dela. Athenodora é uma criança teimosa que está tentando te tirar do sério.
- Sua irmã gosta dela. – Sulpicia disse num muxoxo. Eu sorri.
- Dydime tem uma tendência natural a gostar de todo mundo, isso não é exatamente uma novidade. – eu respondia indulgente.
- Marcus também gosta. Ele finge que não, mas gosta. – minha esposa insistiu – Ninguém gosta de mim!
- Ninguém? – perguntei arqueando uma sobrancelha – Eu simplesmente adoro você! Isso foi muito injusto da sua parte. Eu, ninguém. Devia ficar chateado com você, sabia?
- Você entendeu o que eu quis dizer, Aro. – ela rebateu.
- O que eu entendi é que você me considera ninguém. – fingi indignação. Sulpicia sorriu para mim divertida com meu drama.
- Você não é ninguém. – ela engatinhou até mim como uma gata manhosa. Eu me deitei na cama até que ela estivesse por cima de mim, com a boca tão próxima que eu podia sentir sua respiração contra minha pele.
- Então o que eu sou? – eu a desafiei e ela me lançou um sorriso malicioso.
- Você é meu rei, meu deus, meu marido, meu amante, meu tudo. – ela sussurrou e em seguida me beijou com voracidade enquanto eu a puxava pela cintura e rolava com ela pela cama.
- Isso definitivamente me torna alguém, não é? – eu brinquei e ela riu, com seu corpo colado ao meu.
- Você tem alguma dúvida disso, amor?
- Talvez... – eu lancei a ela um sorriso malicioso – Mas se você se livrasse dessas roupas, talvez eu ficasse mais convencido de que sou alguém para você.
- Como quiser, querido. – ela murmurou num tom malicioso e eu fiquei louco.
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Nota da Autora: É, animos exaltados e tudo o que tem direito. Pra quem queria Aro/Sulpicia, acho que deu pra perceber que eles são bem entrosados. Caius finalmente teve o que queria de Athena XDDDDDDDD. A música do ultimo capítulo foi Waisting Love, do Iron Maiden, e a deste é Undisclosed Desires, do Muse. Eu recomendo ambas.
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