Capítulo Quatro
A carta chegou em uma sexta-feira, dez dias depois que eu sai de Montreal. Eu a deixei na minha mesa por dois dias, antes de eu sequer pensar em abri-la. Eu a olhava cada vez que eu passava por ela, esticava minha mão, mas nunca a tocava. Finalmente, no domingo, eu me sentei à mesa e peguei o envelope.
Eu a virei várias vezes, antes de abrir o envelope muito lentamente. Eu removi o papel dobrado lentamente e o olhei pelo que pareceu uma eternidade. Eu prendi minha respiração e desdobrei o papel, olhando para as palavras sem realmente lê-las. Eu encontrei a primeira frase e comecei a ler.
Querido David,
Se você está lendo essa carta, isso quer dizer que a missão um está completa. Eu sei que você não quer me ouvir enrolar sobre coisas que não importam mais, então eu vou direto ao assunto.
Nós começamos a namorar e você sabe que isso tudo era novo para mim. Quero dizer, a parte da monogamia. Nós discutimos esse assunto pela primeira vez, apenas dois dias depois de eu ter jurado nunca te trair. Eu sei. Eu estraguei tudo. Eu sempre estrago. Eu estava beijando Pete antes que eu soubesse o que tinha acontecido, e você estava vendo com lágrimas nos seus olhos. Desde esse momento, eu me prometi ser completamente fiel a você, não importava o que acontecesse. E eu fui, honestamente, por todos os primeiros cincos anos que estávamos juntos.
E, aí, uma noite nós estávamos em uma festa depois do melhor show das nossas vidas, e eu estava tão bêbado. Havia esse loirinho bonito na platéia e eu completamente pensei que ele fosse você. Ele tinha o mesmo cabelo, o mesmo óculos, mesmo tamanho... Eu estava muito bêbado para lembrar que você estava passando mau depois do show e foi se deitar. Esse cara e eu fomos para o quarto dele e transamos. Quando eu acordei no dia seguinte, eu percebi o que havia feito.
Eu instantaneamente fui diretamente até você e te contei o que aconteceu. Você acreditou em mim depois de ver o cara, e você me aceitou de volta. Eu nunca intencionei te machucar novamente, eu juro, David. Eu te amava. Eu ainda amo...
Mas, então, o cara veio até mim novamente, uma semana depois, no próximo show e dessa vez eu estava sóbrio. Ele me convidou para ir ao quarto dele para conversar e beber alguns drinks. Eu não tinha intenção de dormir com ele, honestamente, não tinha. Até hoje eu não sei por que eu dormi com ele. Eu não tenho idéia por que fiz isso.
Mas eu fiz. E isso continuou acontecendo por quase seis meses, antes de alguém descobrir. Chuck que soube disso primeiro. Eu pedi a ele para não contar... Eu disse a ele que eu ia terminar com um de vocês dois mais cedo ou mais tarde, mas eu precisava colocar meus pensamentos em ordem, primeiro.
Zack (o nome dele) achou que eu iria escolhê-lo. Eu pensei o mesmo, David. Eu sinto muito, mas eu realmente pensei que iria escolher a ele. E então Chuck me ligou uma noite, e me fez pensar sobre o que eu estava fazendo. Eu já estava com você há cinco anos. Foram os melhores cinco anos da minha vida, de verdade, foram! Ele me fez perceber que o que eu estava fazendo era errado com você e que você não merecia isso. Você era a única coisa boa acontecendo comigo... E eu estava arruinando isso. Eu disse a Chuck que eu ia terminar as coisas com Zack e que você e eu poderíamos ficar juntos como deveríamos.
Eu terminei com Zack no dia seguinte e as coisas entre nós, de repente, começaram a ficar estranhas. Eu não sei se você descobriu ou se era apenas horas de nós terminarmos... Mas você estava dormindo na noite em que Zack voltou para mim, três meses depois. Ele me ameaçou, e disse que se eu não transasse com ele novamente, ele iria contar sobre nós para o mundo todo... Eu entrei em pânico e fiz o que ele queria. Você partiu na manhã seguinte.
Eu nunca recebi uma ligação de volta, e nunca recebi uma carta. Eu imaginei que você não queria mais falar comigo, então eu deixei as coisas como estavam. Mas David... Minha vida tem sido um inferno desde que você foi embora. Eu não tive nenhum relacionamento, eu não dormi com mais ninguém que não eu mesmo (se é que isso conta). Eu me tirei do mercado, por que se eu não podia te ter, eu não queria ninguém.
Eu não estou procurando por sua compaixão. Eu não mereço seu perdão. Eu apenas queria que você soubesse por que eu fiz o que fiz. Eu queria que você soubesse a verdade. Te contar isso foi a coisa mais difícil que eu já fiz, por que eu não apenas admiti isso para você, mas para mim mesmo. Eu trai a melhor coisa que já me aconteceu. Pronto, falei. Por favor, David, se você quiser falar sobre isso, ou apenas falar sobre qualquer coisa, me ligue.
Amor/anteciosamente (você escolhe),
Pierre.
Os números dele estavam escritos abaixo, mas eu não olhei os números. Eu amassei o papel em uma bola e o joguei para o outro lado do cômodo. Eu era uma mistura de emoções, nenhuma das quais eu conseguia decifrar. Eu sabia que estava bravo com Pierre. Eu sempre estaria bravo com ele pelo o que ele havia feito. Eu estava, também, satisfeito que eu sabia a verdade. Ele tinha me escolhido ao outro garoto. A Zack.
Desde que eu, oficialmente, sabia suas justificativas, eu não estava certo do que fazer em seguida. Eu poderia ligar para ele ou eu poderia ficar em Nova York e esquecer completamente esse assunto. Ou havia uma terceira opção, a menos provável entre as três: voltar para Montreal e ter uma conversa cara-a-cara com ele. É claro que David Desrosiers tinha que escolher a opção três.
Eu peguei o próximo avião para fora de Nova York e pousei em Montreal pouco tempo depois. Eu fui de táxi até a casa de Chuck, por que eu não sabia por onde mais começar. Eu não queria começar com Pierre, por que eu queria contar a Chuck o que eu ia fazer primeiro.
Eu bati na porta até que ela foi aberta por um Chuck com os olhos levemente arregalados. Ele me recepcionou e então exigiu saber por que eu tinha voltado.
-Eu achei que você fosse ficar longe para sempre.
-Eu ia... Mas eu recebi a carta de Pierre e eu apenas queria falar com ele. – eu admiti.
-Ele não está aqui.
-Eu posso ver isso.
-Eu quero dizer que ele não está em Montreal. Ele partiu para Vancouver há três dias.
-O que ele está fazendo lá?
-Não sei. Ele mencionou algo sobre se encontrar...
Eu gemi e peguei meu celular. Chuck assentiu animadoramente para mim e eu disquei o número de Pierre pela primeira vez em cinco anos. Chamou e chamou, mas ele não atendeu. Eu deixei uma mensagem de voz, dizendo a ele para voltar para Montreal até o final da semana, ou me perder para sempre. Eu achei que isso foi bastante convincente.
Chuck me convidou para ficar em seu quarto de hospedes novamente, e eu aceitei. Eu teria que esperar em algum lugar a semana, então por que não na casa de um amigo?
Não demorou muito para Seb e Jeff descobrirem que eu estava de volta. Nós tivemos uma festa de boas vindas entre amigos, com quantidades limitadas de álcool (desde que Chuck não nos deixaria ficar perto de Casey com álcool em nossos hálitos), e eu me descobri voltando ao meu antigo ritmo. Isso era legal.
Eu não vi Pierre até sexta-feira. Ele apareceu na casa de Chuck com suas mãos escondidas nos seus bolsos e seus olhos presos no chão. Chuck o convidou a entrar e ele, Sebastien e Jeff foram para o quarto de Casey, enquanto Pierre e eu conversávamos.
Olhar dentro dos olhos dele foi a parte mais difícil. Eu podia ver a dor que ele estava tentando esconder, e eu conseguia ver o quanto ele queria me segurar entre seus braços, como era antes. Ele não tinha idéia do quanto eu queria a mesma coisa.
-Então... – ele começou.
-É.
-Dave, eu sinto muito... Eu devia ter te deixado ir.
-Não. Eu estou feliz que você não tenha. Se outro modo, eu não teria voltado.
-Você queria voltar?
Eu assenti.
-Mas... Por quê?
-Eu senti saudade de todos. Eu senti saudades de você.
-Mas você me odeia.
Eu balancei minha cabeça.
-Eu nunca te odiei, Pierre! Eu estava apaixonado por você… Eu ainda estou.
-Você está?
-Sempre. Mas isso não quer dizer que eu te perdoei.
-Eu sei. – ele disse tristemente. – Eu não mereço seu perdão, de todo modo.
-Não, não merece. E eu nem sequer sei por que eu vim aqui te dizer que eu provavelmente nunca vou ser capaz de te perdoar completamente.
Ele abaixou a cabeça.
-Mas... Eu quero tentar. Eu tenho que começar por algum lugar.
Ele olhou para cima novamente, seus olhos cheios de choque.
-E eu acho que começar bem aqui seria uma boa idéia. – eu disse, me precipitando e o abraçando fortemente. Ele passou seus braços ao meu redor e nenhum de nós nos mexeu até que dez minutos tinham se passado. Quando ele finalmente me deixou voltar para onde eu estava antes, nós dois estávamos em silêncio.
-Eu acho que você quer que sejamos amigos? – ele ofereceu.
-Não. – eu disse.
-Não?
-Eu quero ser mais do que amigo, Pierre. Eu não me guardei por cinco anos, só para que eu pudesse ser amigo do homem que eu amo!
Ele sorriu e assentiu suavemente.
-Graças a deus! Eu não saberia quanto eu teria durado se você tivesse dito sim.
Estar nos braços dele era estranho, mas parecia certo. Isso era o que eu vinha sentindo falta e finalmente isso havia voltado. Eu não sabia como Pierre estava se sentindo, mas eu sabia que ele não poderia, possivelmente, estar se sentindo tão bem quanto eu estava me sentindo. Quando ele hesitou em meus braços, entretanto, eu fiquei preocupado.
-O que foi? – perguntei.
-Eu… David… Isso é ótimo e tudo, mas você mesmo disse. Eu não te mereço. Eu estraguei tudo. Você não merece ser tratado do jeito que eu te tratei.
-Não, eu não merecia. Mas aconteceu e eu estou escolhendo te perdoar.
-Mas isso não me faz me sentir melhor...
-Mas vai, Pierre. Sério. Nada parece melhor do dia para a noite.
-Eu sou suposto a me sentir dessa forma?
Eu dei de ombros e deslizei minha mão pela dele.
-Eu não sei. Eu nunca trai ninguém.
-Eu disse que sinto muito!
-Eu sei, Pierre, estou brincando! Apenas brincando. Isso é ilegal?
Ele deu de ombros, mas não sorriu como eu pensei que ele faria. Muito cedo para brincadeiras, eu pensei.
-Eu vou sair um pouco, okay?
-Você não tem que...
-Eu sei. Eu preciso pensar sobre algumas coisas.
-Pierre, nós estamos bem, certo?
-Yeah. Estamos bem. Te vejo depois.
Ele nem sequer me abraçou em despedida. Quando ele foi embora, eu caí no sofá de Chuck e enterrei minha cabeça em minhas mãos. Eu não entendia o que tinha saído errado. Parecia que tudo estava indo ótimo! O que tinha ido tão errado, assim tão de repente?
Chuck saiu do quarto de Casey um pouco depois e se sentou ao meu lado. Ele não falou, então eu também não o fiz. Eu não sabia o que dizer.
-Dave? – Chuck finalmente disse. – Você está bem?
-Fantástico.
-O que… O que aconteceu?
-Nós estávamos bem, Chuck. Nós íamos voltar ao que era antes! Eu não sei o que deu errado...
-Talvez ele apenas precise pensar.
-Yeah. Ele apenas precisa pensar. A melhor coisa acabou de acontecer com ele, e ele precisa pensar sobre isso?
-Desculpe, David. Eu não tenho uma resposta... Apenas dê um tempo a ele.
Eu encolhi os ombros.
-Yeah. Tempo. Eu acho. Diga a ele que quando ele quiser conversar, eu vou estar em Nova York.
Eu fui embora sem minhas coisas e peguei o primeiro ônibus para fora de Montreal. Eu nem sabia para onde estava indo. Eu acabei há duzentas milhas de Nova York e tive que pegar outro ônibus para voltar para casa. Eventualmente, entretanto, eu me joguei na minha cama e não me movi por outros dois dias.
Comida não parecia necessária e água estava na forma de água engarrafada no meu criado mudo. Eu estava com a barba igual à de Jesus quando alguém começou a bater na minha porta. Eu não a atendi pelas primeiras três mil batidas, mas lá pela quatro mil eu estava aborrecido que o mundo não pegou a dica de que David Desrosiers não queria conversar.
Eu abri a porta abruptamente e olhei bravo para o meu vizinho, Scott.
-O quê? – eu disse, irritadamente.
-Eu... Uh... Alguém me pediu para dar uma olhada em você.
-Yeah, bem, eu estou bem, okay?
-Você tem certeza...?
-Sim, eu tenho certeza! Por favor, vá embora e diga a todo mundo para me deixar em paz!
Scott assentiu e se apressou para se afastar. Eu bati a porta e andei de volta para meu quarto, intencionando em entrar em coma por outros dez anos. Eu, entretanto, não cheguei tão longe, antes de chutar a cômoda e amaldiçoar com todos os palavrões em todas as línguas que eu sabia, e alguns nem sequer eram uma língua.
Eu me sentei na cozinha e peguei uma maçã, mas a soltei quando minha mão tocou em sulcos podres e grosseiros. Eu procurei na geladeira por algo comestível e percebi que não iria encontrar nenhuma comida. Eu não estava com humor para falar com alguém no telefone e pedir pela internet não era algo que eu poderia fazer sem meu laptop (o qual eu tinha deixado em Montreal, na casa de Chuck).
Eu optei por ficar faminto por mais alguns dias, até que alguém viesse encontrar meu corpo frio e morto, deitado no meio do chão da cozinha. Eu meio que desejei que minha morte iminente viesse logo, então eu não teria que ficar deitado no chão por muito tempo. Apenas não era um bom estilo sair dessa maneira.
Meu telefone tocava como louco. A cada dois minutos alguém me ligava. Eu apenas o configurei para vibrar, no chão, na minha frente, nunca o atendendo. Isso era entretenimento, mas depois de um tempo eu apenas o desliguei. Eu não estava no humor para ouvir alguém ficar puto comigo por morrer.
Por volta das três da manhã, quando todos no mundo são supostos a estarem dormindo, alguém bateu suavemente na minha porta. Algo sobre a batida me fez me levantar e fazer meu caminho até a porta. Eu nem sequer olhei pelo olho mágico para saber quem era. Eu abri a porta lentamente, e encontrei Pierre com uma careta.
-O que você está fazendo aqui? – eu perguntei asperamente.
-Eu queria me desculpar, David... Eu não quis ficar afastado por tanto tempo.
-Qual é a sua desculpa dessa vez? – eu perguntei, deixando a porta aberta e andando até minha sala de estar. Pierre entrou e fechou a porta atrás de si.
-Eu... Eu estou assustado.
-Sério, agora? Por quê?
-Eu não quero te machucar novamente.
-Yeah, bem, obrigado por isso, colega. – eu disse sarcasticamente.
-Olha... – Pierre disse, segurando meu braço. Eu me virei para encará-lo. –Você não tem idéia de como é isso... Eu te quero tanto, David... Mas eu estou com medo de te machucar!
-Nós já falamos sobre isso.
-Yeah, eu sei. E você ainda não entende.
-Você vai acabar me machucando. Grande coisa. Wow, como se isso nunca tivesse acontecido antes.
-Eu não quero machucar você! Eu estou com medo que meu... Meu monstro vai tomar o controle, Dave.
-Muito básico, Pierre. Não assumir responsabilidade por suas ações.
Ele me soltou e eu andei para dentro do meu quarto. Eu me joguei na minha cama e fiquei de costas para ele, sabendo que ele estava parado na porta.
-Você não sabe como era... Tomar cuidado com todos meus movimentos, tentando não ferrar com a única coisa boa que eu tinha. Era terrível, David. Eu acho que isso me machucou mais do que machucou você.
-Que seja. – eu zombei.
-Por favor, apenas me ouça. Eu não vou mais mentir para você. É, eu estou assustado... Eu estou assustado que eu não vou ser capaz de me parar, quando eu ver outro garoto bonito como Zack. Eu estou assustado que você vá encontrar alguém que é melhor nisso tudo, que eu... Eu estou assustado que eu vou perder você.
Eu franzi o cenho para ele, mas não falei. Ele se moveu até a ponta da cama e se sentou no pé da mesma, correndo uma mão pelo seu cabelo várias vezes, antes de falar novamente.
-Zack nunca poderia ficar no seu lugar, David. Ninguém poderia. Foi por isso que eu te escolhi... Mas eu acho que escolhi um pouco tarde demais.
-Yeah. – eu assenti. – Você escolheu tarde demais.
-Então é isso? Nós vamos continuar em caminhos separados?
-Eu...
-Por que se for isso que você quer, tudo bem. Isso pode me matar, mas eu vou fazer isso. Qualquer coisa para te fazer feliz novamente.
-Você acha que te perder me faz feliz? Pierre, eu voltei para Montreal pelo Chuck, sim, mas eu realmente estava lá por você. Eu queria te ver mais do que estava bravo.
-Eu nem tenho o direito de perguntar se você ainda quer me amar.
-Não, eu não quero amar você. – eu disse. – Mas, às vezes, você não pode escolher a pessoa que você ama.
-Você quer dizer... Você ainda me ama?
-Eu já te disse, Pierre. Eu te amei desde o começo, e eu sempre vou amar você.
Ele assentiu, mas continuou sentado na ponta da cama. Eu esperava que ele pulasse em mim a qualquer minuto, mas ele não se moveu.
-Pierre?
-Tudo bem se eu me deitar com você? – ele perguntou.
-É claro.
Eu me ajeitei, então tinha espaço o bastante e, então, me enrosquei no corpo dele, quando ele estava deitado ao meu lado. Era como os velhos tempos.
-David?
-Sim?
-Eu sinto muito. Eu sei que eu nunca vou dizer isso o bastante…
-Então, não diga mais. Eu entendi. Vamos seguir em frente. Sem pensar no passado.
Pierre assentiu e me beijou suavemente, pela primeira vez em cinco anos. Quando ele se afastou, eu descansei minha cabeça em seu peito e nós adormecemos juntos.
Nada parecia mais importar para mim. Não o término, não Pierre me traindo, nada. Cinco anos da minha vida tinham se passado e sido perdidos, e eu estava malditamente certo de que não ia deixar os próximos cinco anos irem pelo mesmo caminho. Pierre era meu e de mais ninguém. Cinco anos era tempo demais para esperar, mas eu suponho que valeu a pena no final. Eu consegui Pierre, afinal.
