Capítulo 1 - Ressaca Matinal

Eu quero viver

Nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião

formada sobre tudo

Metamorfose ambulante - Raul Seixas

Parecia que eu tinha acabado de fechar os olhos quando o despertador tocou. Na verdade, isso era bem provável. Quero dizer, cheguei da festa daquela idiota da Juliet Prince às, o quê?, seis, seis e meia? Dancei a noite toda, bebi até cair e tive que ser carregada do carro de Vince até aqui po Steve, o motorista grandão que meu pai contratou semana passada no lugar daquele idiota que eu despedi depois que ele se recusou a passear com Janis Joplin, minha shar-pei.

É claro que ouvi um monte do meu pai por causa disso, é fantástico como ele só se dá conta de que eu existo na hora de me chamar de irresponsável, imatura e inconsequente. Mas, quer saber? Foda-se! Eu tenho dezoito anos e no ano que vem pretendo comprar uma cobertura bem linda em LA e sumir daqui. Como sempre, as coisas que meu pai falou entraram por uma orelha e saíram pela outra, e eu me ocupei em ficar observando o escritório cirurgicamente limpo dele. Não, Thomas Zwecker não é médico, mas tudo indica que é o que nasceu pra ser. Digo, ele é um chato quadrado que vive para o trabalho e não tem tempo para família (que se resume a mim e Janis, embora ele não conte ela como um membro da família, mas tudo bem. Talvez nem eu esteja dentro dos padrões daquilo que ele chama de 'família'), não são os médicos que fazem isso? Voltando ao assunto, do cara que eu despedi, meu pai pagava muito bem pro cara pra ele dirigir o meu carro e me levar pra lugares maneiros (excetuando a escola, aquele covil de nerds), e quando eu peço pro homem passear com a Janis um pouquinho, ele se recusa! Rua, claro! Pensa que a vida é fácil? Nananinanão, meu filho.

Janis estava ao meu lado e nem se mexeu quando o despertador tocou. Decidi fazer o mesmo e fechei os olhos para dormir eu estava pegando no sono, um ser maléfico abriu as cortinas e fez o sol entrar na minha caverna.

"Oh, merda, feche isso!, reclamei, pondo um dos travesseiros em cima do rosto.

Mas a enviada do demônio não desistiu da empreitada de me acordar e puxou minhas cobertas.

"Elizabeth, hora de levantar!", a gorda da sra. Miles falou com aquela voz de sapo rouco "Vamos, ou você vai se atrasar para a escola!"

Eu juro que, se aguentasse o peso dela, a jogava da varanda do meu quarto da fazenda que temos no Texas, pra ela cair exatamente dentro do lago do meu pai e servir de alimento pras carpas dele.

"Eu não vou pra escola hoje!"

Ela tirou o travesseiro do meu rosto e eu tapei os olhos com as mãos. "Não foi isso que seu pai me falou antes de sair. Agora vamos!", vendo que eu não me mexia, resolveu tirar Janis da minha cama e a colocou para fora do quarto "Você dormiu sem trocar de roupa e tirar a maquiagem? A que horas chegou?"

"Às trinta e nove da tarde, velha chata.", resmunguei enquanto ia para o banheiro.

Como sempre, a sra. Miles já havia enchido minha banheira com água quente. Prendi meu cabelo em coque e fiquei de molho ali até ela bater na porta, me mandando sair. Fingi que não escutava por mais quinze minutos, até que ela ficou bravinha e entrou no banheiro, ameaçando me tirar dali ela mesma se eu não saísse logo.

A droga toda de ser órfã de mãe e ter um pai que vive para o trabalho é ter que aguentar essa baleia ruiva que tenho que chamar de governanta, e atende pelo nome de Rosan Miles.O engraçado é que, mesmo ela sendo minha empregada, paga com o dinheiro da minha família, sou eu que tenho que obedecê-la, não o contrário. Vai entender a cabeça do meu pai.

Quarenta minutos depois eu estava pronta, de jeans justíssimo e camiseta caída em um ombro, estampada com um 'I NY' com direito a coração vermelho gigantesco bordado com lantejoulas, mas meu all star fudido e preto preferido, porque eu não aguentaria nem dar um passo de salto. Meu cabelo, cortado a duas semanas por mim mesma, permanecia repicado e absurdamente bagunçado. Nem na franja eu passei a mão. Pra tampar as olheiras, nada melhor que um óculos retrô gigantesco, visto que eu estava com uma preguiça monstra de me maquear.

A sra. Miles só mfaltou ter um filho ao me ver daquele jeito, mas, como sempre, eu a deixei gritando sozinha, tomei meu café da manhã tranquilamente, mesmo com ela mugindo que eu ia chegar atrasada no primeiro tempo da escola, peguei minha maxibolsa de couro preto brilhante, já com meu material dentro, entrei no elevador (eu moro na cobertura), e cheguei na garagem, onde Steve me esperava com a porta da Mercedes preta aberta pra mim.

"Bom dia, srta. Zwecker."

Joguei a bolsa lá dentro antes de responder e entrar. "Só se for pra você, meu filho."

Saímos do prédio pra uma das mais movimentadas avenidas da maçã, Nova York, e rumamos para a prisão fantasiada de 'melhor escola para os melhores jovens das melhores famílias' (não que eu me encaixe no quesito de 'melhor jovem' da minha família, mas como sou a única, eu que tive que pagar o pato), a Instituto Roosevelt de Ensino, popularmente conhecia como 'a escola mais cara dos EUA'. Grande merda. Eu teno certeza que em qualquer escolinha do governo eu aprenderia o que aprendo lá. Por sorte, estou no último ano. E depois: LIBERDADE!

Steve me deixou na porta da escola, e todos já haviam entrado. Assinei a frescura do caderninho de atrasos, peguei o bilhetinho da mulher da secretaria e e fui para aula de Física, dada pela srta. Goone, uma velha de uns sessenta anos, gorda, feia, encalhada e provavelmente virgem, porque nenhum homem se aventuraria a ir pra cama com um dragão daqueles, ainda mais formada em Física! Fala sério, quem em são consciência faz faculdade de Física, meu Deus? Bem, eu e a Natalie chegamos à conclusão de que é falta de sexo. Precisamos urgentemente arrumar um namorado pra professora. Mas, antes, umas plásticas seriam boas, assim como uma depilação naquele bigodinho de mano que ela apelida carinhosamente de buço.

Abri a porta e ela parou de passar a matéria no quadro pra olhar pra mim.

"Não te ensinaram a bater na porta antes de entrar, srta. Zwecker?"

Apenas estendi o bilhete, liberando a minha entrada, e fui sentar no meu lugar, na última carteira do canto esquerdo, ao lado de Natalie, minha melhor amiga.

"Achei que você não viria pra escola hoje, depois do estado em que chegou em casa."

Bufei, deitando a cabeça na mesa. "A baleia ruiva não me deu alternativas."

"Ei, o que você tem contra ruivos?", ela disse apontando para o próprio cabelo, um pouco maior que o meu.

"O seu é pintado, Natalie, não conta!", mostrei a língua "E você, tá fazendo o que aqui? Até onde eu me lembro, já estava pior que eu."

"Minha mãe pensa que eu consigo aprender alguma coisa de ressaca.", apontou para baixo dos olhos castanhos "Tive que passar quilos de corretivo e pó pra esconder as olheiras."

"Será que eu posso continuar dando minha aula, ou vocês duas querem vir aqui explicar a matéria, srta. Zwecker e srta. Blinder? ", a bigoduda encalhada crocitou "Existem pessoas nesta sala que querem aprender!"

Fiz uma careta, no que fui acompanhada por Nat, e nos calamos. Consegui dormir durante as duas aulas de Física, e só acordei porque Natalie me sacudiu quando o sinal tocou.

"Acorda aê, Ressaca Matinal, hora da sua aula de Biologia!"

Peguei minhas coisas e caminhei com ela até o corredor três, onde Nat seguiu para a aula de Trigonometria.

Na porta da sala de Bilogia, encontrei Cam e Vince, meus amigos. Cam era o capitão do time de basquete da escola, de cabelo escuro e liso e olhos negros e alto. Cinquenta por cento das meninas da escola pagavam pau pra ele. As outras cinquenta por cento babavam por Vincent, o Vince, simplesmente braços e pernas perfeitas, uma cabeça bem resolvida, cabelo loiro escuro em que passava máquina dois e uma argola charmosa em cada orelha. Não era o capitão de nenhum time, mas tinha a melhor banda de rock de NY. Pode acreditar quando eu digo que a Sharp vai ficar famosa mundialmente. E eu não falo isso pra qualquer bandinha de garagem.

Pois bem, os dois estavam na porta da sala.

Vince bagunçou meu cabelo, se é que ele podia ficar ainda mais bagunçado. "Fala, Platina!

Ele me chamava desse jeito porque sabia que eu odiava. A causa desse apelido ridículo era o tom que eu pintava meu cabelo, já loiro por natureza, mas não tanto quanto eu gostaria que fosse.

"Vai pro inferno, Vince.", reclamei enquanto ganhava um beijo no pescoço dado por Cam.

"Ei, eu também quero te dar um beijo!", Vince se fingiu enciumado.

"Só eu tenho esse direito, cara.", Cam se gabou, sorrindo.

Cortei a onda deleindo até Vince e mordendo sua orelha. Depois, me virei para Cam. "Pode ir tirando seu cavalinho da chuva, Cam Mooring, eu não sou nem nunca vou ser propriedade de ninguém!"

Cam riu. "Liz Zwecker, sempre um doce de menina!"

Dei um tapa em seu ombro e saí puxando ele e Vince para dentro da sala de aula, onde o professor Matsumura, um dos únicos professores legais daquela merda de escola, havia acabado de entrar.

"Vamos para a sala, seus inúteis.", comandcei.

Os dois começaram a rir. "Vai chover canivete!", gargalhou Cam "Você querendo estudar, Elizabeth?"

Fiz uma careta ao escutar meu nome todo, e apontei os lugares de cada um, como sempre: Cam na minha frente e Vince ao seu lado, deixando a carteira ao meu lado vazia para que eu pudesse espalhar minhas coisas do jeito que desejasse. Só depois respondi à brincadeira do Cam.

"É Liz, você sabe que odeio meu nome!", resmunguei, me sentando logo em seguida "E que foi que falou em estudar? Eu só acho a mesa um lugar mais confortável pra desmaiar por conta da ressaca que se apoderou de minha magnífica pessoa."

Os dois riram um pouco do meu comentário, e o professor começou a aula. Levantei a cabeça e prestei atenção, em um dos meus raros momentos de nerd. Talvez o único, mas eu realmente gostava de Biologia e daquele professor que só faltava se vestir de planária pra prender nossas atenção.

Dez minutos depois do início de uma aula fascinante sobre Platelmintos, em que Vince e Cam dormiram nos três primeiros minutos, bateram à porta. Em seus passinhos miúdos, o professor foi até lá, abriu a porta, e a coordenador, sra. Wilson, lhe falou alguma coisa baizinho. Com ela ainda para lá, ele se voltou em nossa direção. Puxei o cabelo de Cam e belisquei Vince para que eles acordassem. A senhora Wilson entrou e começou a falar olhando para nós.

"Sr. Cam Hector Mooring, sr. Vincent John Wallock e srta. Elizabeth Ann Zwecker, por favor, tenham a gentileza de me acompanhar."

É, fudeu.


N/A - Primeiro cap :D

tá faltando gente de Renascer aqui, avisem quem puder que Recomeçar já está no ar!

então, né, só posto se receber oito reviews, e no próximo cap temos Oleanders :pp

aaaah, eu tenho um pedido encarecido pra fazer pra vcs T.T

tipo, eu não sei fazer capas porque sou uma negação no photoshop, então eu queria pedir pra, quem puder e souber e quiser fazer, faça capinhas pra Recomeçar! Renascer tinha duas lindas, feitas pela Chantal (amo tu! :D) e eu queria que recomeçar também tivesse!

e, ah! os links pras imagens estão estão no meu perfil, os personagens estão lá, quem quiser ver, fique a vontade ^^

respondendo reviews (enquanto como um sushi delicioso que a mãe da minha amiga que mora comigo trouxe pra gente ;D)

viczanini - oown, brigada querida!!! tá aqui mais! bjs!

Chantal - ei Chant! você me seguiu! usauhshuah' podexá que o seu Guel aparece já já ^^ tadinha da mãe da Liz meeesmo, mas isso era preciso :/ que bom q gostou! mais aqui! :D

SAMsamCullen - q bom q gostou de Ren, e muito legal q deixou review aqui, fiquei muito feliz mesmo! aqui tá o cap, ficou feliz? xoxo

Vick - ó nóis aqui traveiz! OMG, tadinha da Liz! mas ela é a Cladia, só que, bem, com umas mudancinhas aleatórias xD fica brava não, tudo se resolve com o tempo :p cap q vem já tem o galerão! bejuux qrida!

Vivi Malfoy - uma leitora anônima de Renascer!!! que bom q gostou, e que feliz q deixou review aqui! certo, nem tudo é perfeito, como a nossa nova protagonista também não é ^^ atualizei, e o que achou da Liz? :D

Thá - q bom q tá gostando! olha, Claudia morreu em 1999. e dez anos depois cá está Liz ^^ nem demorou tanto quanto Hugo/Henri, né? huashuahsuh' os links tão lá no perfil, ok? nem demorei! uhasuhauh' férias, o q é isso? uahushaus' q nada, férias de escola só sexta, e do cursinho só daqui a duas semanas! --' ooown, me fez passar vontade! beijinhos flor!

Salut!