Capítulo 2 - Velhos conhecidos

Cause it's you and me and all of the people
With Nothing to do, nothing to lose
And it's you and me and all of the people and
I don't know why I can't keep my eyes off of you

You and me - Lifehouse

Porque somos você, eu e todas as pessoas
Com nada para fazer, nada para perder
E somos você, eu e todas as pessoas e
Eu não sei porquê
Não consigo tirar meus olhos de você

Fazendo cara de tédio, peguei minha bolsa e levantei calmamente, sendo seguida por Vince e Cam e suas respectivas mochilas. Pisquei para o professor Matsumura, que riu, e saí pelo corredor, sendo guiada pela mal-amada Wilson, até a sala onde Natalie estava, ela foi chamada e também saiu. Dalí, seguimos pelo conhecido caminho que levava até a sala do diretor.

Chegamos e entramos direto, sem bater na porta. Como eu suspeitava, o diretor Swalk estava a nossa espera, e apenas franziu a sobrancelha ao nos ver. Cam e Vince sentaram nas únicas duas cadeiras disponíveis, eu sentei no colo de Vince e Natalie no de Cam. Olhamos para a cara perfeitamente barbeada do homem à nossa frente. Sorri.

"Bom dia, sr. Swalk."

"Não pra vocês.", começou "Por fontes seguras, fiquei sabendo que vocês quatro têm usado substâncias ilícitas dentro dos limites da escola."

Vince riu, seco. "Fontes seguras? O termo dedo-duro se encaixa melhor nesse tipo de pessoa, diretor.", debochou "E nós nunca usamos nenhuma substância ilícita em nenhum limite da escola."

"Talvez álcool e cigarro sejam os termos mais corretos.", o diretor revidor.

Revirei os olhos. Não se pode fazer nada nessa escola sem que todo mundo saiba.

"Por isso,", continuou o diretor "fui obrigado a enviar e-mails para os pais de vocês, comunicando que estão suspensos por uma semana e que serão expulsos se conseguirmos provas concretas do ato."

Me levantei de um pulo, nem um pouco preocupada, assim como meus amigos. O e-mail de nossos pais que o diretor tinha eram falsos, criados por nós. Vantagens de se ter pais que não têm tempo para os filhos.

"Só isso?", perguntei.

O homem fechou a cara. "Sim. E a suspensão começa hoje."

"Ótimo!", saí puxando Vince pela mão, com Nat e Cam logo atrás.

Fomos andando até o estacionamento em silêncio.

"Então, shopping?", Nat perguntou, encostando no próprio carro, um Porsche vermelho.

Concordamos em passar o tempo em que devíamos estar na escola por lá. Cam foi em seu Volvo preto, e eu peguei carona com Vince no carro que mais parecia meu do que o meu próprio, e que era uma BMW prateada.

Mal saímos do estacionamento e entramos em um engarrafamente de lei em NY. Vince colocou seu pen drive com músicas da Sharp no som, enquanto eu abria o porta luvas. Camisnhas, cigarros e uma garrafa de de vodka caíram em meu colo. Ele começou a rir, ao que eu fiz uma cara feia, guardei as camisinhas e os cigarros e abri a garrafa de vodka, bebendo direto no gargalo e oferecendo um pouco pra ele, que aceitou, tomou um gole e depois me devolveu. O trânsito começou a fluir, e ficamos um pouco em silêncio.

"Sabe, Liz, às vezes eu acho que ando com as garotas erradas."

Ergui as sobrancelhas. "Como assim?"

"Você e Natalie são tão estranhas e é tão natural ficar perto de vocês que nem posso contá-las mais como garotas."

"Faça amizade com líderes de torcida, então.", respondi simplesmente, dando de ombros.

O trânsito parou novamente, e ele se virou pra olhar para mim.

"Não é disso que eu estou falando!"

"Não?", dei uma de desentendida "É do que então?"

"Lembra de quando conversamos sobre amor e você disse que não acreditava?"

Comecei a gargalhar sem parar, engasgando com a Vodka, e Vince voltou a dirigir, não sem antes me lançar um olhar de que não estava entendendo nada.

"Vincent, você está apaixonado?!"

"EU? Mas quem te disse isso?"

"Ninguém, eu só... Estou achando estranho escutar você falando de amor... Tem que estar apaixonado, não?"

"Não! É que eu... Tenho a impressão de que você e Nat nunca serão como as outras...", ele filosofava enquanto dirigia "Quero dizer... Mais você. Eu não te vejo como uma das garotas que eu pego, você é diferente, Liz. É como se... Não achasse nenhum cara bom o bastante pra você."

Tirei os óculos e coloquei o pé pra cima do painel. Olhei para fora, para o trânsito, antes de responder. "É que nenhum cara é bom o bastante pra mim mesmo."

Ficamos em silêncio. Era incrível como, em questão de minutos, Vince conseguia me fazer pensar no tipo de vida que eu levava, como se fosse uma coisa feia, errada. Ele, que errava tanto quanto ou mais que. Vincent, meu melhor amigo rebelde, drogado, fumante, bêbado e pervertido. O modo como ele falava me fazia sentir ruim, e era nessas horas que eu pensava se minha mãe gostaria de mim do jeito que eu vivia se estivesse viva.

"Eu tenho um palpite sobre quem nos dedou para o diretor.", mudei de assunto, torcendo para que ele não insistisse com aquele papo.

"Quem?"

"Donnatela Marshal."

Sua expressão ficou surpresa. "Donna? A peituda que eu peguei mês passado?"

"A própria.", confirmei "Ela ficou bravinha porque voc~e a trocou por aquela francesa intercambista... Monic?"

"Marie.", ele me corrigiu "Boa de cama, Liz, você tinha que ver!"

Tapei os olhos "Eu não tinha que ver nada!"

"Oh, me esqueci que você é puritana!"

"Vou te mostrar a puritana, V.", falei enquanto tomava mais um gole de Vodka.

"UH! Está me ameçando, Liz Zwecker?"

Dei de ombros, colocando os óculos novamente, já estávamos entrando no estacionamento do shopping. "Se assim você entendeu."

Ele riu um pouco, bagunçou me cabelo e murmurou algo a ver com 'criança boba', antes de estacionar, sair do carro e acender um cigarro. Antes de sair, passei um dos batons que sempre carrego na bolsa (vermelho sangue, combinando com o coração da camiseta), tirei ot ênis e me virei pra trás pra pegar a sandália que eu sempre deixava no carro dele, um scarpin vermelho. Saí e encontrei os três lá fora. Parei ao lado de Cam enquanto esperávamos Vince terminar o cigarro, e Cam me puxou pra perto, encostando minhas costas em seu peito.

Depois que Vince terminou de fumar, entramos no shopping proproamente dito, os meninos pararam em uma loja de jogos de computador. Aguentamos quinze minutos lá dentro, depois os convencemos à nos levar para a praça de alimentação. u estava morrendo de fome e necessitava urgentemente de um milk shake de morango ou Ovomaltine.

"De lá nós vamos para o cinema1", Nat comandou.

Vince a abraçou por trás. "Uuuh, escurinho com duas gatas!"

"Ótimo pra dormir!", eu sorri.

Ele soltou Natalie, parecendo ofendido.

"Pô, Liz, tanta coisa mais interessante pra fazer no escuro e você me pensa em dormir?"

Dei um sorriso sacana. "As coisas legais de se fazer no escuro eu fiz ontem a noite com Jason Folk, que aliás e o baterista da sua banda, e hoje estou cansada, com fome e com uma ressaca animal, e aúnica coisa que quero fazer é dormir."

Continuamos conversando até metade do caminho para a praça de alimentação, quando Natalie parou do nada, e me puxou pelo braço.

"Ai. Meu. Deus. Olha só aquilo Lizzie!"

Segui o olhar para onde ela olhava, e meu queixo caiu. Era um grupo de sete pessoas, que saíam da maior livraria do shopping. A garota que vinha na frente era morena, com o cabelo na metade das costas e cortado em camadas, usando uma jeans coladíssima e uma camiseta com um decote master nas costas e no peito. Tinha os olhos dourado e estava acompanhada pelo cara mais alto e musculoso que eu já tinha visto na minha vida. El tinha cara de mal e um cabelo cacheado fofíssimo. Do outro lado da menina andava um garoto grandão, de olhos escuros e pele um pouco mais clara que a do outro gigante, também grande e musculoso, mas nada que se comparasse ao da cara de mau. Atrás do grandalhão moreno andava uma menina enorme, de cabelo ondulado curto (N:/A: siiim, Moory cortou o cabelo!), enfeitado com uma borboleta brilhante, e estava de mãos dadas com um cara branquíssimo, de cabelo comprido e preto, também de olhos dourados como os da primeira menina. Assim como ela, era incrivelmente lindo. Ao lado, um pouco atrás deles, um casal formado por um menino loirinho e sorriso fofo no rosto e uma menina morena e de vestido soltinho, ambos de olhos dourados. Todos eles deixavam no chinelo Vince e Cam, e de repente minha auto-estima foi pro chão.

Foi então que eu vi o último. Ele usava calça jeans e bata branca de algodão, tinha os mesmos olhos dourados da maioria de seus acompanhantes, e também era muito branco. Algo nele me prendeu a atenção, e não foi só seu peitoral maravilhoso marcado sob a bata que usava, ou sua beleza perfeita e delicada, e ao mesmo tempo tão masculina. Algo nele me lembrava alguém muito especial, e me sentia bem. Eu não conseguia desviar meus olhos daquele rosto, e de repente me peguei pensando na conversa tida anteriormente com Vince, sobre alguém bom o batante pra mim. Sacudi a cabeça, tentando parar de pensar besteiras, mas quase doía desviar minha visão daquele cara.

De repente, nossos olhares se cruzaram, ele ficou estático, e os outros que estavam ao seu redor também olhavam pra mim. Um arrepio percorreu a minha espinha, meu coração falhou e bateu descompassado. O rapaz sorriu. Um sorriso tão lindo e verdadeiro como eu nunca tinha visto, e ele tinha covinhas na bochecha.

Me peguei sorrindo de volta.


N/A - Eeeei! desculpem a demora, mas eu não tô de férias (pelo menos não totalmente, tô tendo aula no cursinho à noite) e tenho simulado Fuvest amanhã e até quarta-feira.... então tô estudando feito uma doida, e nos tempos livres aproveito pra fugir pro cinema. Ontem via A Era do Gelo 3, rachei de rir! e terça vou na pré de HP 6, meia noite!!!! finalmente, depois de séculos esperando!

mas então, dez reviews e o próximo cap tá aqui, depois de quarta to de folga total. mas viajo no dia 21/07 pra casa da mamãe, e só volto no dia 3/8. se emprenhem pra deixar reviews bonitinhas antes disso, tá?

não vou responder reviews hoje pq tenho q tomar banho e ir pro cursinho.

Ah, Bella Giacon, não respondi sua review do prólogo pq vc deixou ela e essa merda do ff só me avisou depois que eu já tinha postado o cap 1. ^^

E Chantal, brigada pelas capas! ficaram lindas, as duas! vão lá ver, gente, as capas que a Chant fez pra Recomeçar, tá? :D

Salut!