Capítulo 9 - O melhor professor

(Liz's POV)

Me despedi de Henri e sua família logo após o sinal da última aula. Nem deu tempo de acompanhá-los até o estacionamento: Steve, pontualíssimo, me esperava na frente da escola. Contraditoriamente, aquela era a única vez que eu não estava louca para vê-lo e voltar para casa. Enquanto ficar na escola significasse ver Henri, era lá que eu queria ficar.

O vi no estacinamento, de relance, parado há uma pequenha distância de um carro pequeno, ao lado de seus irmãos. Ele olhava para algo, ou alguém, ao lado do gigante Miguel, que, como uma muralha, atrapalhava minha visão.

"Quer parar em algum lugar antes de ir para casa, srta. Zwecker?"

Neguei, fechando o vidro fumê, com uma sensação estranha, como se deixasse de vê-lo me fizesse incompleta. "Não, Steve.", suspirei "Eu só quero dormir."

Como sempre, o trânsito estava um caos, e ficamos parados por quarenta minutos antes de andar dez metros, para depois ficarmos parados por mais cinquenta. Não quis ligar a televisão do carro, apenas pedi para Steve colocar em uma rádio qualquer. Tocava uma baladinha romântica que eu nunca tinha escutado. E, pela primeira vez, eu achei a letra desse tipo de música bonitinha. Sacudi a cabeça, e a conversa que eu tive com Vince havia uma semana me voltou à cabeça. Fechei os olhos, me sentindo estranha, e uma sensação não conhecida formigou em meu peito, do lado esquerdo. Instantaneamente, peguei o celular e apertei o número de discagem rápida.

"Alô?", a voz grogue do meu melhor amigo se fez ouvir.

"Hora de sair cama, seu grandessíssimo drogado."

Ele xingou do outro lado, e, pelo barulho, percebi que estava se pondo de pé.

"Liz, se você me acordou à essa hora só pra me xingar, eu acho bom que desligue isso logo."

Me sentei. "Não foi pra isso que eu te liguei.", e mordi o lábio inferior.

"Foi para o quê então?"

"Vince, porque você colocou aquelas coisas sobre amor na minha cabeça? Agora elas não saem mais, seu desgraçado!", esbravejei, pouco me importando se Steve também escutava "Eu não consigo mais esquecer... Eu... Ah, se eu te ver, juro que te mato!"

Antes da resposta, ouvi a risada alta dele, e o som de alguma coisa sendo chutada, provavelmente um móvel fora do lugar. "Eu só falei por falar, Platina. Se você se apaixonou pelo cara de sotaque estranho, a culpa não é minha."

"Vai se fuder.", e ouvi o som de outra ligação em espera "Já volto."

Apertei o botão para ver quem era, certa de que, se fosse Natalie, não atenderia, pois, àquela hora, ela estaria tão grogue que com certeza poderia ligar para me convidar ao seu casamento com Cam, em Las Vegas. Da última vez que os dois beberam e foram pra cama juntos, só não se casaram pois os pais de ambos impediram a cerimônia comandada por um cara vestido de Papai Noel continuasse. Se fosse meu pai, também, eu não daria à mínima. Àquela hora, a nossa conversa se resumiria a saber se um estava bem, sabendo a única resposta dada pelos dois, mesmo que o mundo estivesse pegando fogo, seria um 'tá tudo ótimo'. Mas não era minha amiga, tampouco meu pai. A foto que aparecia era a de alguém com olhos douados e um sorriso charmoso, um tal de Henri. Antes de atendê-lo, voltei para a chamada de Vince.

"Te ligo depois.", e transferi rapidamente para a de Henri "Alô?"

"Oi Liz, aqui é o Henri."

Eu juro que nunca havia ficado tão entusiasmada e feliz ao ouvir a voz de alguém. "Ei Henri! Tuo bem com você?"

"Tudo bem. Quero dizer, mais ou menos.", ele deu uma risada estranha "Na última aula você me disse que estava precisando de ajua em Literatura... Eu tô livre essa tarde, você topa estudar?"

"Estudar?", aquilo não estava nos meus planos. Eu me divertiria muito mais saindo pra algum lugar legal com ele, mas, como não rolava e ele estava sendo extremamente simpático e fofo (ew, eu realmente falei isso?), decidi aceitar a proposta e sobrecarreá-lo com a minha burrice literata "Mas é claro! Que horas?"

Antes que ele pudesse responder, escutei sua voz gritando 'EEEEW!', e o som do celular sendo tomado de suas mãos. Logo depois, senti que o telefone estava no viva-voz, e então Moory, Koko e Caled me cumprimentaram em uníssono.

"OOOOOOOOI LIZ!"

"Err, oi?"

"Liz, aqui é a Moory. Não liga pro Henri, ele só é um nerd viciado em estudos. Não ligue se ele começar a declamar os versos de Homero pra você, e depois não conseguir parar mais. Sinceramente, eu sugiro um tapa-ouvidos.", pude ouvir Henri a xingando, ela gargalhou "Brincadeirinha. Bom, eu só queria dizer que você está sendo oficialmente convidada para a festa de aniversário de Koko, daqui a três semanas, e nós não aceitamos 'não' como resposta. Não vai ser uma festa grande, é só pra gente daqui de casa. De fora, só você. Que tal?"

"É claro que eu vou. Posso dormir aí no dia?"

"Com certeza!", foi Koko quem respondeu "Vai ser tão legal ter você aqui! Maaas... Deixe-me passar o celular pra Henri, ou ele vai me trucidar aqui."

"Eu não deixo, amor."

Tive que rir com a última fala de Caled, e então o celular foi tirado do viva-voz, e novamente Henri estava em posse de seu aparelho.

"Eu realmente não mereço esse povo no meu pé."

"Ah, qualé Henri, eles são legais!"

"Porque não é você que passa 24 horas por dia ao lado deles!"

Eu não conseguia parar de sorrir ao imaginar a cena. Aquilo era tão... Tão família! "Pelo menos voce se livra deles na hora de dormir!", brinquei "Ou dorme todo mundo no mesmo quarto?"

Não entendi a pausa que ele fez antes de me responder, mas nem liguei. "Não, temos quartos invadiram o meu."

Ficamos um pouco em silêncio. Eu retomei o papo.

"Então, Henri, eu tô com dúvida em literatura sim... Essa tarde eu tô livre, se você quiser vir aqui em casa....?"

"Mas é claro! Me passa o endereço?"


Três horas depois, eu estava vestindo um short jeans, pantufas com garras de dinossauro e um camisetão branco com o desenho da Penélope Charmosa, com coque muito do mal feito na cabeça, quando bateram à porta.

"Entra."

A porta abriu, mas a voz que falou em seguida não era nem um pouco parecida com a da Baleia Ruiva.

"Oi, Liz."

Congelei no lugar e me virei aos poucos, apenas para ver Henri, em toda sua beleza perfeita, usando chinelos de dedo, uma bermuda azul-marinho e camiseta azul-clara. Ele sorria, e eu, a louca de pantufa verde com garras, não sabia o que fazer.

Vendo que eu não respondia, ele começou a se explicar.

"A Sra. Miles disse que eu podia entrar, porque você já estava me esperando."

Tentei coordenar meus pensamentos, e isso implicava em não olhar diretamente para aqueles olhos castanho-dourados dele, e sim para alguma ponto logo acima de seu rosto. Qualquer olhada em falso àquelas duas pedras de âmbar, e a minha linha de raciocínio estava perdida para todo o sempre.

"Ah, claro, Henri, fique à vontade.", respondi, indicando os pufes e o sofá "Eu só... Você é pontual.", concluí debilmente.

Ele sorriu, deixando os dentes perfeitos à mostra, e se sentou no sofá. Só aqueles simples gestos me fizeram hiperventilar. Eu precisava urgentemente de ar.

Enquanto eu andava para abrir a janela, ele colocou a mochila em cima da minha escrivaninha. "Talvez ser pontual não seja exatamente uma qualidade aqui em NY."

"Ah, é sim.", discordei, virando-me em sua direção "Nova York não é totalmente uma cidade à parte de todas as outras do resto do mundo. Apenas os novaiorquinos que são um tanto quanto..."

"Enrolados?", ele sugeriu, com um meio sorriso torto no rosto.

Eu ergui uma sobrancelha, pronta para brincar também. "Está me chamando de enrolada, Oleander?"

"Longe de mim, Zwecker.", ergueu as mãos em rendimento, e rimos juntos.

Henri, então, abriu a mochila e me fez sentar na cadeira da escrivaninha, e começou a explicar a matéria de Literatura que eu havia perdido na semana em que fui suspensa. Era praticamente impossível prestar atenção no que ele explicava, pois minha concentração estava toda em sua voz, em seu rosto e seu corpo. Nele todo. Dane-se Literatura!

Lá pelas tantas, ambos saturados de tantos versos decassílabos, Romantismo, Modernismo e etc, fomos salvos pela porta que se escancarou, revelando um Vince com duas sacolinha do restaurante japonês. Eu já sabia o que tinha ali dentro: yakisoba. Comer yakisoba nos dias em que não tínhamos nada para fazer era praticamente um ritual meu e de Vince. O mais entediado comprava, e ia á casa do outro. E ali estava ele, meio surpreso por não me encontrar sozinha, logo se recuperando.

"E aí, pessoas?", fechou a porta com os pés "Eu trouxe o lanchinho do intervalo!"

Revirei os olhos, mas Henri ergueu os cantos da boca para cima. Calado, ele guardou o material rapidamente, fechando-o novamente em sua mochila escolar.

"Quê isso, cara, vai embora só porque eu cheguei?", Vince brincou, sentando-se em cima da cama e me entregando uma das sacolas de yakisoba "Fica aê, aposto que a Lizzie não vai aguentar comer nem a metade da metade da metade da..."

"Vince, ele já entendeu.", e revirei os olhos novamente.

Para a minha sorte, o loiro enfiou uma quantidade enorme de macarrão na boca, com aqueles hashis presos por elastiquinhos. Sem saber o que faze, fiquei com o pote na mão, e só fui lembrar de oferecer à Henri e comer depois de uma olhadela nada discreta de Vince, que Henri sequer pareceu notar. Homens são definitivamente mais lerdos que nós, mulheres. E tenho dito.

"Não, obrigado, Liz.", Henri se esquivou educadamente do yakisoba.

Ergui uma sobrancelha enquanto terminava de engolir a minha parte. "Não gosta?"

"Não é isso. É que... Prometi jantar com o povo lá de casa."

Dei de ombros, entendendo. E algo em mim murchou. Eu queria que ele ficasse mais.

Então, quando eu achava que estava tudo na boa, e Henri ia embora, me deixando a chupar dedos, a brilhante mente de Vincent Wallock resolveu dar o ar da graça.

"Não era do Henri que você me falou aquela hora no celular?"

Sabe quandovocê sente o sangue subindo do pé e indo se concentrar totalmente no rosto? Quando aquela quentura horripilante parece ter atingido o ápice e você chega a sentir fumacinhas saindo pelas orelhas, nariz E boca? E quando sabe que seu rosto está pior que o tomate mais maduro do mundo?

Pois é, eu sabia que estava pior.

Filho da puta, dilho da puta, filho da puta, filho da puta, filho da puta.

Quando se tem amigos como Vince, pra quê inimigos?

"Não, Vince, você confundiu.", afundeia cara no potinho de yakisoba. Antes disso, pude jurar ver um sorriso torto no rosto de Henri, o que fez minha situação piorar.

"Ué, mas eu jurava que o único cara novo de sotaque estranho na escola fosse ele!"

Valeu, Vince. Valeu MEEEEEEEEEEEEEEEEEESMO.

Engasguei, tossi, mandei Vince ao caralho à quatro mentalmente, continuei com a cara enfiaa dentro do potinho de yakisoba enquanto os dois rapazes se entendiam, conversando sobre... MÚSICA. É isso aí. Valeu por lembrarem só agora que o assunto anterior me deixava meio que 'envergonhada'. Quando Vince falou novamente, me tirou dos meus devaneios.

"Hey, Lizzie, você não chamou o Henri e a família dele para o show da Sharp?"

Junti as sobrancelhas. "Show?"

"O da semana que vem, no The Big Bang House."

Então a informaçou apareceu brilhando na minha cabeça. Mas é claro, o show da Sharp! Por que mesmo eu ainda não tinha convidado Henri gostoso-e-lindo-pra-caralho Oleander a família super gente boa dele?

Aê, Vince, pelo menos uma dentro!

"Cara, eu juro que tinha esquecido!"

"Admita que não queria eu e o povo estranho que mora comigo no show, Liz, eu aceito tranquilamente.", o fofo brincou, rindo torto.

Blérg, to ficando muito delicadinha.

"Putz, você descobriu!", coloquei as mãos no rosto, para logo depois tirá-las e riri junto com os dois "Mas eim, sinta-se convidado. Vai ser muito legal se vocês forem, tenho certeza que vão gostar do som dos caras."

Vince pigarreou, se achando o tal.

"Vai abaixando a bola aê, mermão!", brinquei, dando um tapa no ombro dele "Não é só porque o Vince faz parte, é legal mesmo."

"Mas...", Henri começou a falar, e eu o interrompi.

"Não tem desculpa! E nem vem com aquele papo de 'não conhecemos ninguém', porque eu prometo fazer companhia à vocês!"

Ele pensou por alguns minutos, e depois sorriu. Eu já sabia que a batalha estava ganha: ninguém resiste à Liz Zwecker.

"Tudo bem, eu vou. Só não garanto que o resto do pessoal vai."

"Eu sei que eles vão.", comentei, estirando a língua "Eles são meus amigos e não vão negar nada que eu pedir!"

"Se você diz assim...", ele deu de ombros, e olhou o relógio "Tenho mesmo que ir, Liz. A gente se vê amanhã na escola, ok?"

Me segurei para não fazer uma cara triste. "Com certeza! E o show é na sexta-feira, tá? Avisa as meninas, e os garotos também! Eu explico pra vocês onde fica o pub, e espero vocês lá!"

Trocamos mais algumas palavras, ele se despediu de Vince, e eu o levei até o elevador, onde ficamos parados, esperando, olhando um para cara do outro feito dois idiotas. Quando o elevador chegou, ele se aproximou de mim e me deu um beijo gelado no rosto, e se demorou ali por alguns segundos, me fazendo arrepiar.

"Ate amanhã, Liz.", murmurou enquanto entrava no elevador.

Eu sorri bem fraquinho, um pouco lerda. "Obrigada pela aula. Você é um ótimo professor."

"Não tem de quê. E você é uma ótima aluna."

A porta do elevador se fechou, me deixando sozinha no corredor.


N/A: Demorei mas postei! Booom, a partir de hoje sou ex-aluna de segunda grau! LIVRE DA ESCOLA! :DDDD

vou aproveitar meus poucos dias sem prova de vest pra ir à casa da minha mãe, em Minas. Vou amanhã, sábado, e vou na quarta, com ela. Vai ser rapidinho, mas já é o bastante pra fugir dessa vida de estudando sozinha.

ao que interessa: NEW MOOON TÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO LINDO! sério, gamei no filme! tuudo bem que tive que ver legendado, na matinê, porque tava mais barato e duas amigas minhas não queriam ver legendado, mas era a nossa despedida, porque cada uma vai prum canto... o que não fazemos pelas amigas?

de qualquer jeito, deu pra perceber o nível do filme em relação à twilight. sem comparações. e o tanquinho de Taylor Lautner? OMFG, eu pirei quando ele tirou a camisa, e quando a Bella abraçou ele sem camisa DENTRO do quarto dela. Sem noção, que garota em são consciência não agarraria tooodo aquele rapaz, digamos, muitíssimo bem dotado, naquela circunstância. ô lá em casa... aí eu com um melhor amigo daquele!

ushauhuah'

ah, claro, sem contar o fato de que eu gritei no cinema quando ele tirou a camisa. é, nada demais. mas eu gritei sozinha. e todo mundo olhou pra minha cara pra saber quem era a louca que gritou, e a minha amiga Remer ainda fez o favor de dizer: "ê, Iasmin, se segura senão você cai dessa cadeira!". ¬¬'

valeu, valeu, mas eu tinha que curtir meus últimos dias de ensino médio como uma típica adolescete de ensino médio, não? tipo, gritando e berrando e sendo feliz e pouco se lixando pros outros! e não importa se eu moro sozinha e que isso foi na minha última semana de aula, o que vale é a intençao! hauhuhauh'

anyway, ultimamente tenho escutado Taylor Swift dia e noite, pagando meus pecados por dizer à Malú que ela era brega, country e pop demais para os meus ouvidos. Ela pode ser brega, pop e country, mas ô garotinha que canta demais, e ô músicas que tem tudo a ver com gente!

ok, falei demais. brigada pelas reviews, mas nem tá dando mais responder... meninas, eu amo vocês, de verdade. e valeu por entender a causa da minha demora, e por me obrigar a continuar. eu escrevo isso aqui pra vocês, opinem!

Salut!