Capítulo 10 - A empresária

Louca.

Essa palavra resume bem o meu estado ao fim de uma semana estudando com Henri, fazendo provas, compras, indo ao cabelereiro, manicure e, ainda por cima, organizando o show da Sharp no The Big Bang House. Sim, porque eu sou meio que a empresária dos quatro marmanjos que não conseguem sequer anotar os compromissos em uma agenda de papel. Então, no sábado em que fariam o show às onze da noite, eu estava em ebulição. E grande parte dela se devia ao fato que os Oleander confirmaram sua presença na apresentação.

Como eu tinha que estar no pub com uma hora de antecedência, às seis da tarde já comecei a me arrumar. Meu cabelo, repicado recentemente e já com a tinta platinada retocada, estava solto. Comprei o vestido perfeito: com uma pegada de anos 50, caía até pouco acima do joelho. O busto, listrado de preto e branco, era separado da saia rodada preta por uma faixa rosa, que combinava perfeitamente com as sandálias que eu escolhera com ajuda de Natalie. Para completar, luvas pretas que cobriam quase todo o antebraço. Por sorte, terminei de me arrumar com precisão, e então Vince chegou e tocou o interfone. Naquela noite, eu dispensara o motorista. Voltaria de táxi, ou carona. Não queria ninguém que pudesse contar ao meu pai o estado em que a filhinha dele tinha voltado da festa.

O idiota não abriu a porta pra mim, e isso era de praxe. No banco de trás, Harry, Frank e Elliot, os outros integrantes da banda, se espremiam.

"Boa noite, Liz!", disseram em tempos diferentes, Vince me deu um beijo no ombro, e então Frank estendeu uma garrafa de tequila.

Revirei os olhos, não aceitando. "Espero que vocês estjam sãos o bastante para conseguir subir no palco e tocar, e não vomitar em cima da platéia."

"Liz, parece que você não conhece a gente!", Harry gargalhou, o cabelo ondulado balançando "Nós somos de ferro, gatinha! E você, parou de beber?"

"Não, apenas quero chegar em um estado bom no The Big Bang House."

Vince gargalhou alto.

"É o novo paquera dela, ele é todo certinho e parece que a está contaminando."

"Cala. A. Porra. Dessa. Boca.", sibilei.

Mas não deu certo. Fui zoada por todo o caminho, até que finalmente chegamos ao pub. Lá, os queridinhos se ocuparam em afinar seus respectivos instrumentos e receber cantadas de umas tietes que madrugaram por ali. Eu apenas organizava as coisas, conversando com o donos do local, ajeitando o cabelo de um, a roupa de outro, e mantendo as piranhas longe o bastante, para o desespero delas e dos próprios garotos.

"Pô, Liz!"

Sorri diabolicamente. "Depois do show você pode comer quem quiser, mas, por favor, se concentrem em dar o melhor aí em cima hoje, e aí vocês podem fazer mais shows aqui, e, quem sabe, ser contratados por uma gravadora!", me empolguei, bagunçando mais o cabelo de Vince, de quem eu estava sentada no colo, e então meu pus de pé "Vamos, vamos! Daqui a vinte minutos o show começa!"

Desci do palco, para ser barrada por uma das garotas que havia expulsado no meio do caminho até um banco para me sentar.

"Você é a namorada do Vince Wallock, então?"

"Não. Sou a empresária.", e me desviei dela "Acho bom você ficar na frente, a fila de vadias aumenta conforme a hora do show começa. Talvez você não consiga nem um beijo, se ficar aqui dando bobeira."

Deixando-a reclamando qualquer coisa, consegui finalmente chegar ao meu destino, sentando em um dos banquinhos altos. Pedi ao garçom um copo da primeira coisa alcoólica que encontrei no menu, e estava ali esperando, enquanto sacudia minhas pernas infantilmente, numa mania louca que eu tinha desde que me entendia por gente. A bebida chegou, e era rosa. Ri baixinho, sei lá eu porque, e senti o olhar do garçom grudado em mim. Revirando os olhos, virei-me de costas. A cada pequeno gole meu, pessoas chegavam. Não conseguia tirar os olhos da porta, esperando a pessoa mais importante da noite - pelo menos pra mim - chegar. Quinze minutos se passaram, e nada dele. A bebida terminou, e não tive coragem de pedir outra. Talvez Vince tivesse mesmo razão, e a influência correta de Henri estivesse me influenciando. Mas eu pouco ligava para aquilo, porque, pouco depois, vi alguém que eu conhecia entrar no pub. Não era Henri, mas eu sabia que ele estava ali. Koko e Caled me avistaram e acenaram, se aproximando de mim, seguidos por Chastity (num vestido master curto e decotado que fez os olhos de Vince escurecerem lá do palco) e, então, lançando um olhar de nojo ao ver Chastity se afastar para conversar com Vince.

"Ei, você está linda, Liz!", Koko me beijou docemente "A-M-E-I o vestido!"

Sorri. "Obrigada! E aí, Caled?"

O loiro me deu um beijo no rosto e olhou em volta. "Tá cheio isso aqui, eim! Vou lá pra frente logo, senão a gente não vê nada!", e saiu puxando Koko pelas mãos. Os dois se encontraram com Bernardo no meio do caminho. Ele me deu língua, que eu respondi do mesmo modo, e então apareceram Moory, que correu para me abraçar, e Sam, que acenou. Foram todos juntos para perto do palco, deixando Henri e eu sozinhos.

Ele estava simplesmente estonteante. De jeans bem cortadas, usava uma de suas batas características, dessa vez verde, de alpargatas nos pés. Ele sorriu torto, e beijou meu rosto, o que me fez arrepiar. Antes de se afastar, sussurrou em meu ouvido.

"Koko tem razão. Você está fabulosa, Liz."

OMFG! Que cara usa FABULOSA como adjetivo? Awwn, preciso dizer que me derreti e demorei bem uns trinta segundos para recuperar a capacidade de fala e movimentação? O que dizer? Henri me deixava em transe!

Sorri feito uma boba. "Obrigada.", corei ao notar seu olhar sobre mim "Você está incrível, também."

"Nada comparado à você."

Corei ainda mais, e então percebemos que o show iria começar. Era tanta gente que eu não conseguia achar um caminho que nos levasse para perto do palco. Henri, vendo minha total falta de coordenação para achar caminhos possíveis, colocou a mão em minha cintura e me guiou. Tremi com tal proximidade, mas nunca havia me sentido tão feliz. Em pouco tempo, estávamos em frente ao palco. Ele fez que ia tirar as mãos, mas pousei a minha sobre a dele, impedindo-o, e, covarde, nem tive coragem de olhá-lo. Senti seu riso ao meu lado, e, logo depois, um beijo no topo da minha cabeça. Henri me deixava nas nuvens com um simples gesto. Nada de sexo, ou beijos ardentes: uma simples mão em minha cintura e um beijo na testa eram o suficiente para que eu ficasse bobamente feliz.

Voltamos nossos olhares ao palco, onde Vince começara a falar.

"Boa noite, galera! Nós somos a Sharp, e agradecemos sua presença aqui essa noite!", as pessoas bateram palmas e gritaram "Antes de começar a cantar, tenho uns agradecimentos à fazer: primeiramente, à gerência do The Big Bang House, por nos deixar fazer barulho aqui hoje! Palmas pra eles, por favor!", e então mais palmas "E, em segundo lugar, quero agradecer à uma pessoa insuportável, que vocês conhecem de vista, porque sempre está conosco. Peço uma salva de palmas pra gata da nossa empresária, e também minha melhor amiga, Liz Zwecker!", ele apontou na minha direção, e todos os rostos se voltaram para mim. Pude ver Cam e Nat, juntos, gritando e assobiando. Acenei, e Vince percebeu a presença de Henri ao meu lado, pois ambos se cumprimentaram com discretos acenos de cabeça.

Terminados os agradecimentos, eles começaram a tocar o rock gostoso que faziam. Gritei, cantei e dancei, e percebi que Henri, ao meu lado, também era um fã de rock. Então, lá pelas tantas, eles deram uma pausa nas músicas agitadas, e tocaram "(There is) No greater love", da Amy Winehouse.

"Você quer dançar comigo?"

Segurei nas mãos dele, e então comecei a ser guiada por aquele ótimo dançarino. "É claro."

There is no greater love
Than what I feel for you
No sweeter song, no heart so true

Com suas mãos em minha cintura, joguei meus braços ao redor de seu pescoço, e deixei meu rosto descansar na curvatura de seu ombro. Ele tinha um cheiro incrível, algo doce e cítrico ao mesmo tempo, que me deixava extasiada. A respiração gelada de Henri no topo de minha cabeça bastava para que eu me sentisse feliz. Meu único desejo era poder falar a verdade pra ele sem me sentir idiota, deixar pra trás toda uma vida desacreditada no amor e poder senti-lo e ser correspondida. Porque eu nunca sentira aquilo por ninguém, e duvidava que um dia voltaria a sentir. Ali, abraçada a ele, eu percebia que tanto fazia, para Henri, se eu era uma milionária metida e bêbada, que fazia de tudo para chamar a atenção dos outros e menosprezá-los, o que ele não gostava nem um pouco. E aquilo era inesperadamente bom, ter alguém que não ligava para os meus feitos e loucuras. Meu coração batia apressadamente conforme dançávamos, e apertei os braços ainda mais. Não queria que o momento acabasse.

"Eu gosto de você.", sussurrei contra sua pele, sabendo que, com o som alto, ele não escutaria.

Henri depositou outro beijo no topo de minha cabeça, e acariciou minha cintura. Levei aquela reação como simples coincidência. O som estava alto demais para ele saber o que eu havia dito. Para ele, não passara de uma respiração. Com certeza.

There is no greater thrill
Than what you bring to me
No sweeter song
Than what you sing, sing to me

Nossos passos eram sincronizados. Para completar, ele cantarolava a canção em meu ouvido, e a voz de Vince parecia desafinada e feia em comparação com a de Henri. Fechei os olhos, respirando com dificuldade, torcendo para que aquele momento nunca se acabasse. Porque, assim que a música tivesse seu fim, nós íamos nos separar, e ele voltaria a ser meu amigo inteligente. Eu não queria que aquilo acontecesse. Queria dançar com Henri pra sempre. Ficar em seus braços pra sempre.

You're the sweetest thing
I have ever known
And to think that you are mine alone

Ele era único. O garoto mais encantador do mundo, o cara mais doce e engraçado e bobo, que conseguia fazer milagres comigo, e me fazer rir de coisas bobas, como quando usara um guarda-chuva para ir à escola em um dia ensolarado, dizendo que aquele era o preço para uma pele tão branca. Henri era rico, mas não fazia questão de esbanjar seu dinheiro. O amor com que tratava sua família, e a sincronia entre eles, era algo que eu invejava e sentia falta de não ter. Dava valor para as coisas pequenas, e isso pude ver quando encontrou um desenho meu na última página do caderno de Física, e elogiou-o, dizendo que era magnífico. Aquele elogio sincero valia mais que qualquer presente. Toda aquela proximidade me dava a falsa impressão de que ele era meu, e eu queria que fosse realmente. Porque tê-lo ao meu lado era tudo o que eu queria. Tudo o que eu precisava.

There is no greater love
In all the world, it's true
No greater love
Than what I feel for you

Enquanto pensava nessas coisas, percebi que não era correspondida. E eu sabia que usar as táticas sujas de sedução não funcionariam com ele, ele sequer olhava para as meninas da escola com o olhar faminto que os outros garotos olhavam! Henri as respeitava, como respeitava a mim. Sem perceber, chorei, e, quando vi que tinha molhado sua bata, já era tarde demais: ele já vira.

"Desculpe!", tentei me soltar, para que ele não me visse naquele estado, a maquiagem escorrendo, o rosto inchado e vermelho, os oluços escapando sem querer "Desculpe, Henri, eu-"

"Eu também gosto de você, Liz.", foi o que disse, e parei na hora de sacudir meu corpo para soltar suas mão de mim "Muito.", e existia sinceridade ali.

Engoli em seco, não sabia o que fazer, ou falar. Ele escutara meu sussurro?

"Vamos conversar lá fora? Assim você se recompõe.", sugeriu, sorrindo.

Só pude assentir, e saímos de mãos dadas.


N/A: desculpa, de verdade, pela demora! eu tava sem net, babies! e, a não ser que exista um modo de passar as fics para cá por osmose, só com net posso postar!

mas de hj em diante vou ter net, pq até quarta fico na ksa do meu avô, e, depois, na ksa da minha irmã, e em ambos os locais existe internet! ahsuahsu' wooow!

então, dêem as opiniões, quero saber de verdade o que acharam... esse cap é meio que uma 'introdução' pro cap seguinte, onde Liz e Henri têm uma conversa e tomam uma decisão quanto aos dois. aaaah, também tem uma surpresa pra Liz no próximo cap, que vai fazer ela ficar totalmente DOIDA. sahushuahs' só com reviews bonitinhas eu posto, e vou parar de dar spoilers pra vcs ficarem na vontade, belê?

a tradução da música segue abaixo, quem quiser ouvir procurar no Youtube. é liiiiiiiiinda!


(Não Há) Amor maior

Não há amor maior
Do que o que eu sinto por você
Nenhuma doce canção, nenhum coração tão verdadeiro

Não há emoção maior
Do que a que você traz pra mim
Nenhuma doce canção
Do que você canta pra mim, canta pra mim

Você é a coisa mais doce
Que eu conheço
E pensar que você é totalmente meu

Não há amor maior
Em todo o mundo, é verdade
Nenhum amor maior
Do que o que eu sinto por você


eentão, esperando results dos vests da Unesp e UFES. dedinhos cruzados, orações e pensamentos positivos pra miiim, quem sabe eu seja uma futura geógrafa no ano que vem, huh? aaah, pra quem lê EAPSE, minha outra fic, tem cap novo lá desde ontem, certo?

eu amo vcs, pessoas!

Salut!:*