Nota: Card Captor Sakura e seus personagens não me pertencem... Mas não me importo de ter o Eriol só pra mim. :)

Meu último Suspiro

O enterro foi em uma tarde nublada. Solitário, Shaoran observava desoladamente o caixão preto descer lentamente até a cova onde Sakura iria jazer após sua morte. Não quis cremar o corpo, pois enterrada seria uma forma menos longínqua de estar perto de si. Yelan respeitara o filho e saíra dali a alguns minutos, deixando o mesmo sofrer em silêncio vendo sua amada e única mulher partir. Deixando uma única lágrima cair, observou o caixão ser coberto pela terra que o separaria de Sakura pelo resto da sua vida.

Como se lembrasse de algo retirou do bolso um pequeno lírio branco. Era a flor preferida de Sakura. Lentamente, ergueu o braço e deixou o lírio cair em cima do caixão para logo ser coberto pela terra jogada. O coveiro, percebendo o sofrimento do jovem, saiu sem dizer uma única palavra, como se entendesse as dores que Li sentia.

Como os parentes de Sakura moravam distante, não puderam vir ao enterro. Olhou para o céu nublado, como se a resposta para que sua dor cessasse estivesse ali... Na imensidão cinzenta. Como se não tivesse achado, ajoelhou diante da lápide recém tampada, espalmando as mãos no chão. Não se importava se o terno italiano sujaria, ou se pegaria alguma doença. Até que a doença seja bem vinda, pois seria uma forma de chegar até Sakura.

-Shao... – o vento soprou em seus ouvidos. Fechou os olhos, deixando as lágrimas mancharem o rosto do moreno, lembrando de como ela o chamara antes de morrer.

-S-shao... Você está aqui – ouvi a voz rouca de Sakura. Abri os olhos imediatamente para fitar profundamente seus olhos verdes no qual sempre me perco.

-Ah, Sakura! – exclamou Shaoran, apertando a terra entre as mãos. – Estávamos tão perto, meu amor... Tão perto de sermos completamente felizes... – os soluços balançavam os ombros fortes, sem se importar se alguém o veria nesse estado ou não.

Pedira tanto, tanto, para que fosse um pesadelo... Mas sabia: ela se fora. Para nunca mais voltar.

Controlando-se, Shaoran respirou fundo, sentindo o perfume doce da árvore que fazia sombra em si. Ironicamente, a árvore continha flores de sakura. Preparou-se para levantar, mas sentiu uma pressão suave no ombro esquerdo. Foi quando olhou para trás, ainda ajoelhado, que a viu.

-S-sakura! Você est-tá... ?- tentou perguntar Shaoran. A imagem de Sakura negou levemente, esboçando um sorriso doce.

-Quero que supere e seja feliz, Shao... – disse ela, seu sorriso brilhando, assim como seu corpo. Shaoran se levantou, tentando tocá-la, mas suas mãos simplesmente passaram direto do 'corpo' de Sakura.

-Jamais serei feliz sem você aqui... – disse Shaoran, fitando profundamente os olhos verdes brilhantes encherem-se de água. Lágrimas.

- Errado. Eu sempre estarei aqui com você! – disse Sakura, desaparecendo lentamente. Shaoran tentou pedir para que ficasse, mas sabia que não seria ouvido.

Abaixando a cabeça, esboçou um sorriso triste. Mesmo achando loucura, acreditara nas palavras da mulher que sempre amaria. Erguendo o queixo, andou até a saída, para longe do cemitério, longe do túmulo, longe das lembranças que sempre teria ali.

oOoOoOoOoOoOoOoOo

cinco anos depois...

-Vamos, Shaoran, vamos nos atrasar! É o primeiro pediatra dela, não faz bem chegarmos tarde!– exclamou sua esposa Yume, apressando o marido. Shaoran sorriu de lado, depositando um selinho cálido em seus lábios.

- Estou pronto. – disse ele, olhando para o embrulho rosa no colo da esposa. Pousou a mão delicadamente no bebê para depois beijar a testa de Yume, arrancando um sorriso da mesma, com os olhos azuis brilhando.

-Sakura... Ouve-me? É o papai! – sussurrou Shaoran, feliz como nunca esteve. Sua filha nascera exatamente como imaginara. Morena como ele, surpreendentemente com olhos verdes límpidos. E sabia o que significara: Sakura lhe prometera que sempre estaria perto dele, no momento que fosse. Mesmo que sua alma se prendesse a outro corpo. No caso, o de sua filha. Claro que Yume achava loucura dele, sempre discutindo às vezes que Sakura estava morta e que fantasma nenhum havia se tornado sua própria filha. Mas logo percebera que Shaoran tinha razão ao ver a filha nascer e avistar os olhos verdes esmeraldas que pertenciam à ex-noiva de Shaoran..

-Não a acorde, Shaoran... Ela acabou de adormecer. – repreendeu Yume, vendo o marido concordar. Ficando séria de repente, lembrou de como Shaoran sofrera ao ver a noiva morrer em seus braços. Não estava lá, mas percebeu pelas palavras que ele ainda sofria. E que mesmo tendo se casado com ela, ele sempre amaria a outra.

-Shaoran... – chamou ela, recebendo atenção do mesmo – Acha mesmo que nossa pequena Sakura seja a sua noiva? Que ela reencarnou no nosso pequeno bebê? – perguntou a mulher, vendo Shaoran lhe endereçar um olhar surpreso.

-Se eu disse que sim, o que faria? – disse Shaoran, vendo Yume fitar a filha com carinho.

-Que eu acredito. Que ela atravessou cinco anos para que nunca se separasse de você... Quando você fala sobre ela, posso ver nas entrelinhas que vocês eram almas gêmeas e ainda são. – falou Yume, encarando o marido. Vendo Shaoran abaixar a cabeça, disse:

-Tenho certeza de que qualquer lugar que ela esteja vai olhar por você. –Disse Yume, arrancando um sorriso alegre de Shaoran, espantando dele lembranças infelizes.

Lentamente, andou até a porta abrindo-a para a esposa para depois trancá-la. Desceu as escadas segurando-a pelo braço e destravou a porta do carro para que Yume se acomodasse. Deu a volta no veículo e abriu a porta, mas logo parou de chofre ao avistar a imagem de Sakura do outro lado da rua.

Ela lhe sorria alegremente, como se estivesse feliz por ele ter seguido em frente. Percebera que o corpo de Sakura se transformava em uma pequena esfera brilhante, quase imperceptível. Arregalando os olhos, observava a esfera vir em direção ao carro, desaparecendo na janela do passageiro onde se encontrava Yume. Entrou rapidamente, surpreendendo a esposa pela pressa.

-O que foi? – Shaoran não respondeu, apenas olhava a esfera se aproximar da pequena mãozinha de Sakura e de postar ali, se transformando em uma pequena corrente.

-Shaoran! – chamou Yume, acordando o marido do devaneio, sem perceber a tal esfera – O que foi? Está estranho... – disse ela, vendo o marido sacudir a cabeça e colocar a chave na ignição, com um sorriso pequeno.

-Não é nada... – disse ele, colocando o cinto e colocou o carro na primeira marcha para andar e ir ao médico. Perdido em pensamentos, Shaoran percebera que Sakura cumprira sua promessa: A de estar perto dele pra sempre.

Fim.

Oi! Final tosco, meu deus! õ/ tentei fazer o máximo, gente, para que ficasse perfeito, mas saiu isso!

Espero mesmo que vocês gostem desse capítulo, mesmo eu mesma não gostando muito. Infelizmente não deu pra fazer mais um capítulo, pois estava sem tempo. Então encurtei!

Não podia fazer a Sakura ressuscitar do mundo dos mortos para ficar com nosso querido Shao, mas... de quebra ela reencarnou em outra vida: na pequena filhinha dele *=*

Agradeço a Teefy-chan e a Lis J.B por terem deixado reviews, me animaram! *-*

Beijos beijos, Lyric T.