Prólogo
— É um verdadeiro pesadelo. Não poderia ser pior.
— Passar o Natal em um castelo na Espanha é um pesadelo?
Bella deu um sorriso relutante ao notar o tom irônico na voz amiga com quem dividia o apartamento.
— Certo. Aparentemente é bom — concordou ela. — Mas Ang... a realidade é que será um pesadelo. Ou melhor, uma série interminável de pesadelos — acrescentou com amargura.
— Tais como?
Bella meneou a cabeça com tristeza.
— Você quer uma lista? Tudo bem! Primeiro, minha mãe está prestes a se casar com um homem pelo qual está tão loucamente apaixonada que me envia e-mails que fazem parecer que ela está vivendo de adrenalina e sexo. Segundo, o homem com o qual vai se casar é multimilionário... não, bilionário...
— Você tem uma idéia estranha sobre o que constituiu um pesadelo — interrompeu Angela.
— Eu ainda não terminei — disse Bella. — Phil... este bilionário de minha mãe... é americano, e tem idéias fortes sobre "Vida Familiar".
— E isso significa?
— Paciência. Estou chegando lá. Mamãe se sente culpada pelo fato de "eu ser contra os homens e contra o casamento porque ela e papai se separaram".
— E isso é verdade?
— Bem, vamos apenas dizer que o fato de ela ter se casado e divorciado quatro vezes não me faz ver o casamento com muito otimismo.
— Quatro vezes?
— Mamãe adora se apaixonar. E ficar noiva. E se casar. Desta vez, ela resolveu que quer se casar nas badaladas da meia-noite na véspera do Ano-Novo em um castelo espanhol. Então, Phil está transportando sua família inteira para passar o Natal e o Ano-Novo na Espanha, a fim de testemunhar a cerimônia... tudo por conta dele. Iremos todos ficar hospedados no castelo, de modo que possamos nos conhecer apropriadamente "como uma família". Porque, de acordo com mamãe, Phil não consegue pensar num momento familiar mais propício do que o Natal.
— Parece bom até agora.
— Bem, aqui vai uma parte que não é tão boa. A família de Phil inclui as filhas super-perfeitas do primeiro casamento dele, juntamente com seus maridos.
— E?
— E mamãe, por razões que só ela conhece, disse a Phil que estou noiva e vou me casar. E, é claro que ele insistiu que eu me reúna com a família feliz no castelo, juntamente com o meu noivo.
— Mas você não tem noivo. Sequer tem namorado!
— Exatamente. Apontei isso a minha mãe, mas ela está fazendo todo tipo de drama. Diz que teme que as filhas dele convençam a não se casar com ela, e que, seu eu aparecer sem um noivo, isso vá alimentar o argumento de que a nossa família não é feita para casamentos confiáveis e duradouros. Mamãe realmente deveria fazer teatro. — Bella olhou para sua amiga. — Sei que parece loucura, mas a verdade é que estou preocupada com ela. Se as filhas de Phil são contra o casamento, ela não terá a menor chance. Mamãe não é uma vigarista. Simplesmente não consegue evitar se apaixonar.
— Parece mais que você é a mãe e ela é a filha...
— Bem, mamãe gosta de lembrar que era pouco mais do que uma criança quando fugiu com meu pai e me teve. Mesmo que tivesse 18 anos na época, e tenha fugido com meu pai porque já estava noiva de uma outra pessoa... com quem se casou depois de perceber que havia cometido um erro se casando com meu pai. — Bella sorria enquanto falava, mas havia um tom de cansaço e resignação em sua voz. — Sinto que devo ficar do lado dela, mas não quero que ela me culpe se as coisas derem errado porque não apareci lá com um noivo.
— Bem... Você sabe o que fazer, não sabe?
— O quê?
— Contrate um acompanhante.
— O quê?
— Não precisa ficar tão assustada. Não estou falando do tipo de acompanhante que oferece "massagens". Estou falando sobre o tipo de companhia social que não envolve sexo, algo perfeitamente respeitável e aceitável.
Angela podia ver que Bella parecia tanto curiosa quanto desconfiada.
— Passe-me a lista telefônica. Vamos resolver isso agora.
— Você poderia me emprestar Ben — sugeriu Bella.
— Deixar você levar meu noivo para algum castelo espanhol no feriado mais carregado de emoções do ano, para casais apaixonados? — Angela meneou a cabeça com veemência. — De jeito nenhum! Não vou deixá-lo perder a avalanche de propagandas para casais felizes com seus narizes pressionados contra vitrines de joalheria. — Angela balançou a lista telefônica no colo. — Certo, vamos tentar esta agência primeiro. Passe o telefone.
— Ang, eu não...
— Confie em mim. Esta é a solução perfeita. Você está fazendo isso por sua mãe, lembre-se!
— Eu vou fazer o quê? — Edward Masen olhou para seu meio-irmão mais novo com expressão de incredulidade.
— Bem... Eu não posso fazer isso. Não em uma cadeira de rodas, com meu braço e perna engessados — apontou Joe. — E parece maldade decepcionar a pobre garota — acrescentou virtuosamente antes de admitir: — Eu preciso do dinheiro deste serviço, Eddie, e isso me proporcionará excelentes contatos.
— Trabalhar como acompanhante masculino? — Sob o leve tom de zombaria, Edward sentia tanto choque quanto desgosto. Outra indicação da lacuna cultural que existia entre ele, um homem de 28 anos, e seu irmão de quase 21 anos... o resultado do segundo casamento de seu pai... por quem Edward sentia um misto de amor fraternal e, desde a morte do pai deles, uma preocupação quase paternal.
— Muitos atores fazem isso como bico — defendeu-se Joe. — E esta agência é respeitável. Não é uma daquelas onde as mulheres que você acompanha vão se atirar em você pensando em sexo. Ouça. Pelo que eu soube, eles estão dispostos a pagar muito bem se você fizer isso, e pode ser excitante de certa forma. Pelo menos foi que ouvi dizer — acrescentou rapidamente quando viu a maneira como seu meio-irmão o olhava. — É apenas por alguns dias — emendou. — Olhe, aqui está o convite. Jato particular para a Espanha, hospedagem luxuosa em um castelo, e tudo por conta do noivo. Eu estava realmente ansioso por este trabalho. Vamos, seja um bom sujeito.
Edward olhou sem interesse para o convite que Joe lhe entregou, e franziu o cenho ao ver o nome do noivo.
— Este é um convite para o casamento de Phil Cullen? O magnata do petróleo? — perguntou ele sem rodeios.
— Sim, isso mesmo — replicou Joe com paciência exagerada. — A garota que vou acompanhar é a filha da mulher com quem ele vai se casar.
Os olhos de Edward se estreitaram.
— Por que ela precisa de um acompanhante?
— Não sei. — Joe deu de ombros. — Ela provavelmente não tem namorado, e não quer ir ao casamento parecendo uma perdedora. Coisa de mulher. Acontece o tempo todo — Joe o informou. —Aparentemente, ela ligou para a agência e disse a eles que queria alguém jovem, bonito e sexy. Oh, e que não fosse gay.
— E isso não lhe diz nada? — perguntou Edward secamente.
— Sim, isso me diz que ela quer o tipo de acompanhante que possa exibir.
— Você a conheceu?
— Não. Enviei um e-mail para ela, sugerindo que nos conhecêssemos antes a fim de combinar algum tipo de história passada, mas ela falou que estava muito ocupada. Disse que podíamos discutir tudo durante o vôo. O noivo está organizando um vôo particular. Tudo que tenho de fazer é entrar num táxi com minha mala e passaporte e apanhá-la em sua casa no caminho para o aeroporto. Muito fácil. Ou pelo menos teria sido se isso não tivesse acontecido durante o jogo de rugby. — Joe fez uma careta para seu gesso.
Edward ouviu as revelações de seu meio-irmão com desprezo crescente pela mulher que o estava "contratando". Quanto mais ouvia, menos inclinado se sentia a acreditar na ingênua afirmação de Joe de que suas tarefas como acompanhante excluiriam qualquer tipo de envolvimento sexual. Normalmente, ele não apenas teria dado a Joe uma definição patética do que pensava da mulher como também o teria aconselhado a não fazer mais esse tipo de trabalho para agências. Enquanto se recusaria terminantemente a substituir seu irmão naquilo.
Normalmente. Se o noivo em questão não fosse Phil Cullen. Ele vinha tentando contatar Phil pelos últimos seis meses para descobrir informações internas sobre o lendário magnata falecido do petróleo, Eliezer Denali. Denali tinha, durante sua vida, sido um gigante na indústria do petróleo quanto na cena política.
Como jornalista investigativo de um dos jornais mais prestigiosos do país, Edward estava acostumado com a relutância das pessoas famosas em lhe dar entrevistas. Mas, desta vez, fazia pesquisas para um livro sobre os relacionamentos às vezes inescrupulosos na indústria do petróleo. E havia rumores de que Eliezer Denali certa vez usara suas conexões para abafar um quase-desastre ecológico relacionado ao petróleo cerca de trinta anos atrás. Até recentemente, Phil Cullen havia sido uma força motriz no ramo, e ele tivera Eliezer Denali como mentor no começo da carreira.
Até agora, todas as tentativas de Edward de se aproximar haviam deparado com uma completa recusa. Supostamente semi-aposentado dos negócios, tendo passado a direção da companhia para os genros, era amplamente aceito que Phil ainda controlava os negócios... e suas conexões políticas... dos bastidores.
Edward não era o tipo de homem que gostava de ser forçado a desistir de alguma coisa, mas já começara a acreditar que desta vez não teria escolha.
Agora parecia que o destino estava lhe oferecendo uma oportunidade.
— Tudo bem — disse ele para seu meio-irmão. — Eu vou.
— Excelente, Eddie...
— Com uma condição.
— Certo, eu divido o cachê com você. E se ela for totalmente desprezível...
— A condição é que você não faça mais esse tipo de trabalho.
— Ei. Edward, o dinheiro é bom — protestou Joe, mas então viu a expressão do irmão e meneou a cabeça. —Tudo bem... Suponho que sempre posso voltar a trabalhar no bar.
— Muito bem. Explique os arranjos de novo.
Espero que gostem da fic... peguei o sobrenome emprestado um pouquinho...
Bjuxx^^
