De maneira alguma aquilo daria certo. Jamais seria capaz de convencer alguém de que um acompanhante contratado era seu noivo de verdade, concluíra Bella com amargura. Mas por que deveria se importar? Se fosse por ela, nem mesmo iria ao casamento. Sua mãe não havia escolhido um parceiro decente até agora, e Bella não tinha qualquer fé em que ela tivesse feito isso desta vez. E quanto à família de Phil... Bella tentou imaginar sua mãe, que gostava de chocar, violar regras e se divertir, vivendo feliz dentro do tipo de família que descrevia em seus e-mails, e fracassara.

O casamento não duraria cinco minutos. Na verdade, na opinião de Bella, seria melhor se nunca chegasse a acontecer... mesmo que sua mãe alegasse, com insistência, que o que sentia era amor de verdade.

Ela era uma tola por se permitir ser tragada pela vida de sua mãe e representar o papel de filha alegremente comprometida. Mas, como sempre, quando se tratava de sua mãe, era mais fácil ceder do que protestar.

A única coisa na qual Bella tinha sido capaz de enfrentar sua mãe fora sua própria determinação de nunca se apaixonar ou se casar.

— Mas querida. Como você pode dizer isso? — sua mãe protestara quando Bella e informara de sua decisão. — Todos querem encontrar alguém e se apaixonar. E um instinto humano básico.

— E se eu descobrir que não o amo mais, ou que ele não me ama mais?

— Bem, aí você encontra outra pessoa.

— Só para me casar de novo e de novo quando os relacionamentos não dão certo? Não, obrigada, mamãe.

Podiam ser mãe e filha, e até mesmo compartilhar as mesmas características físicas, mas definitivamente não pensavam ou se sentiam da mesma forma.

Não? A quem ela estava enganando? Não era verdade que, bem no fundo, desejava conhecer sua alma gêmea, encontrar aquela pessoa especial para quem poderia se doar completamente, com quem seria capaz de remover todas as barreiras que havia erguido para se proteger da dor de amar o homem errado? Um homem forte o bastante para acreditar no amor e demolir todas as suas dúvidas, nobre o bastante para conquistar não apenas seu amor, mas seu respeito. Humano o suficiente para lhe mostrar as próprias vulnerabilidades... Oh, é claro... ele deveria ser sexy, bonito e ter o tipo certo de senso de humor. Do tipo que se via as dúzias em qualquer lugar, zombou de si mesma. Bella nunca fora tola o bastante para contar a alguém sobre ele. O que diria? Oh, e a propósito, aqui vai uma descrição do que quero de Natal...

Encare a realidade, avisou a si mesma com severidade. Ele... seu "noivo", e com certeza não sua alma gêmea... chegaria a qualquer minuto. Bella franziu a testa. Enviara um e-mail na noite anterior, explicando detalhadamente o papel dele, e dizendo que deveria ser um noivo convincente em público. E em público. Independentemente de quantas vezes Angela lhe assegurara que não havia motivo de preocupação e que contratar um acompanhante era algo lógico e respeitável, Bella não estava totalmente convencida.

Felizmente, porque não havia tirado férias durante o verão, se afastar um mês do trabalho não fora um problema. Todavia, podia apenas imaginar a reação de seus jovens, e algumas vezes grosseiros, estagiários no banco se soubessem o que ela estava fazendo.

Outras mulheres em sua situação poderiam se vangloriar por ter tantos homens jovens e repletos de testosterona ao seu redor. Bella, contudo, tendia, mais do que qualquer outra coisa, a agir de modo maternal com seus estagiários.

Ela ficou tensa quando ouviu a campainha tocar, mesmo que já estivesse esperando por isso. Agora era tarde demais para desejar ter aceitado a oferta de Angela de entrar no jogo depois, para que a amiga pudesse avaliar previamente o acompanhante que a agência escolhera.

A campainha continuou tocando. Pisando sobre sua mala, Bella foi abrir a porta, enquanto tentava se convencer de que estava no controle da situação e que, portanto, deveria manter a calma.

Mas sua intenção foi sabotada pela avalanche de reações femininas que a paralisou, fazendo-a se segurar na porta entreaberta.

O homem à sua frente não era apenas bonito, reconheceu com um pequeno choque. Ele era... era... Bella precisou fechar os olhos e contar até dez antes de ousar abri-los novamente. Um calor sensual parecia percorrer seu corpo, deixando-a num estado febril que só poderia ser luxúria. Aquele homem não tinha apenas uma boa aparência. Possuía também um olhar penetrante, emanava uma sensualidade tão perigosa que qualquer mulher reconheceria no momento em que o visse. Ela não conseguia parar de olhá-lo. Ele tinha cabelos acobreados de uma cor que nunca tinha visto antes e era alto... mais de l,80m, supunha... com ombros poderosamente largos e olhos de um verde intenso emoldurados por cílios longos. E, naquele momento, observava-a com uma expressão de impaciência, aguçada por uma confiança fria que dizia claramente não estar tão impressionado pela aparência dela.

— Isabela Swan? — perguntou ele brevemente.

— Não... quero dizer, sim... mas todos me chamam de Bella. — Pelo amor de Deus, ela parecia uma adolescente desajeitada, não uma mulher de 25 anos, capaz de dirigir seu próprio departamento em um dos ambientes mais machistas do mundo corporativo.

— Edward Masen — ele se apresentou.

Edward? — Bella repetiu incerta. — Mas em seus e-mails... eu pensei...

— Eu uso meu nome do meio para correspondências por e-mail — Edward a informou calmamente. Não era totalmente mentira. Ele usava seu nome do meio, juntamente com o nome de solteira de sua mãe, como seu pseudônimo. — É melhor irmos logo. O motorista do táxi não gostou muito de parar em local proibido. Aquela é a sua mala?

— Sim. Mas eu mesma posso levá-la — disse Bella.

Ignorando suas tentativas de fazer exatamente isso, ele passou por ela no hall estreito e ergueu a mala como se fosse uma pena.

— Está com todo o resto? — perguntou ele. — Passaporte, passagens, chaves, dinheiro...

Bella podia sentir um calor estranho começando subir ao rosto. Uma sensação igualmente estranha havia invadido seu corpo. Um misto de confusão e um desejo físico intenso, combinado com um choque de incredulidade. Por que não estava irritada por ele assumir o comando? Por que experimentava aquela sensação estranha e inacreditável de se sentir tentada a espelhar o comportamento de sua própria mãe e agir como se estivesse desamparada?

Seria por que era Natal, a famosa cilada emocional que humilhava as mulheres desafortunadas que o celebravam sem um parceiro que as amasse? Natal, segundo a mitologia moderna do bom deus da propaganda, significava famílias felizes sentadas ao redor do fogo, em salas muito grandes e decoradas. Ou, para aqueles que ainda não tinham atingido tal estágio, significava ao menos o casal de amantes fazendo uma guerra de neve... enquanto quase congelavam... interrompida por beijos apaixonados, a mão da mulher no braço do homem, revelando o diamante brilhante de um anel de noivado...

Porém, independentemente do quanto o materialismo envolvendo o Natal fosse vulgar, o motivo verdadeiro pelo qual as pessoas investiam na festa, tanto financeira quanto emocionalmente, era porque, no fundo, em todos, ainda existia uma criança que acordava na manhã de Natal esperando receber o presente mais perfeito... Que o mundo adulto certamente traduzia como o presente do amor incondicional, irrestrito, dado e recebido livremente. Um presente compartilhado e celebrado, embalado em esperança, uma momentânea suspensão da dura realidade que poderia se seguir.

Bella sabia tudo sobre isso, é claro. Então por que, por que, bem no fundo, estava sendo tola o bastante para desejar acordar na manhã de Natal e receber aquele presente impossivelmente perfeito? Era ela quem estava no comando, lembrou a si mesma com firmeza. Não ele. E se ele fosse realmente seu noivo, jamais deveria se comportar de uma maneira tão arrogante, nem mesmo se dando ao trabalho de beijá-la...

Beijá-la?

Bella permaneceu parada no hall e o olhou fixamente enquanto seu coração disparava.

— Alguma coisa errada?

Aqueles olhos verdes não perdiam muita coisa, notou Bella.

— Não, está tudo bem. — Ela lhe lançou o seu melhor sorriso profissional, que dizia "eu sou a chefe", e passou pela porta.

— Chaves? — A mulher não precisava de um acompanhante, e sim de uma pessoa que cuidasse dela, concluiu Edward com raiva, enquanto a observava vasculhar a bolsa fervorosamente à procura das chaves, e então lutar para inserir uma delas na fechadura. Ainda bem que não era Joe quem a acompanharia. Os dois não teriam sequer chegado ao aeroporto de Heathrow sem que um deles percebesse que tinha esquecido alguma coisa.

O que o intrigava, todavia, era por que Bella havia sentido a necessidade de contratar um homem. Com aquela aparência e aquele corpo, ele esperaria que ela estivesse lutando para afastar os homens que a perseguissem, não pagando para que a acompanhassem. Normalmente, Edward gostava de loiras altas e elegantes, mulheres inteligentes que faziam o jogo do relacionamento homem-mulher como grandes mestres no jogo da sedução. Mas seus hormônios, contradizendo a sabedoria de seu cérebro, estavam subitamente encantados pela bela mulher de aproximadamente l,70m, cabelos lisos castanhos, olhos castanhos como chocolate derretido, lábios rosados e cheios e um corpo deliciosamente curvilíneo.

Ele tinha, concluiu, feito a Joe mais do que um favor, substituindo-o. Seu impressionável irmão não teria sido capaz de tratar a situação com profissionalismo. Não que ele estivesse tentado, é claro. E mesmo que estivesse, havia muita coisa em jogo em sua própria profissão para arriscar se envolver fisicamente com Isabela Swan!

O que estava acontecendo com ela?, perguntou-se Bella fervorosamente. Aos 25 anos, era madura, responsável, sensata, e simplesmente não se comportava daquele jeito perto dos homens ou reagia a eles como estava reagindo a Edward. Não era ele quem estava lhe causando um comportamento atípico, assegurou a si mesma. Era a situação. Desconfortavelmente, lembrou-se da onda de desejo ardente e erótica que sentira. Seu corpo ainda doía um pouco, e essa dor se intensificava toda vez que se aproximara dele. Seu corpo parecia estar reagindo a ele como se fosse um imã atraindo-a.

Bella fez uma careta quando olhou para o céu cinzento e nublado de dezembro. Tinha começado a chover, e o chão estava molhado. Molhado e traiçoeiramente escorregadio, para quem tinha uma seria atração com o chão, reconheceu quando de repente começou a perder o equilíbrio.

Edward segurou antes que ela caísse diante da porta aberta do táxi. Ela pôde sentir a força dele através do tecido macio da manga de seu casaco e da blusa. Também pode sentir o calor... o calor dele, reconheceu, e de súbito foi difícil respirar normalmente. Quem teria pensado que um aroma sutil de colônia... tão sutil, na verdade, que ela tivera de conter o desejo de se aproximar mais e sentir melhor... podia fazê-la se sentir tão zonza?

Olhou para Edward, pretendendo lhe agradecer por salvá-la de uma queda. Ele a encarou. Bella piscou e, sem conseguir evitar, baixou o olhar do nariz esculpido com perfeição para a boca. Sua própria boca, descobriu, estava desconfortavelmente seca. Tão seca que a deixou tentada a correr a ponta da língua ao longo dos lábios...

— Eu não tenho o dia inteiro, amigo...

A voz impaciente do motorista de táxi levou Bella de volta à realidade. Agradecendo a Edward, entrou no táxi enquanto ele segurava a porta aberta.

Joe jamais teria sido capaz de lidar com uma mulher como aquela, pensou, enquanto o táxi partia. Depois da maneira como ela olhara para sua boca, ele estava lutando contra o tipo de reação física que não o pegava desprevenido desde a adolescência. Na penumbra do interior do táxi, moveu-se discretamente, permitindo que o casaco escondesse a evidência de seu desejo sob o tecido da calça.

— Por que eu não cuido dos passaportes e das passagens? — sugeriu ele para Bella. — Afinal de contas, sou o seu acompanhante...

— Meu noivo — Bella o corrigiu.

— Seu o quê?

— Você recebeu o meu e-mail, não recebeu? — perguntou ela, incerta. — Aquele no qual eu lhe expliquei a situação e o papel que você deve representar?

Pela primeira vez, Edward notou que ela estava usando um anel de diamante no dedo anular da mão direita.

— Entendi que eu seria apenas seu acompanhante — respondeu ele friamente. — Se isso mudou...

Havia uma expressão nos olhos dele que não a agradava, uma expressão cínica de enfado que mostrava que nem a respeitava nem gostava dela. Por que um homem como ele trabalhava como acompanhante para uma agência, afinal?, questionou-se. Ele parecia mais do tipo que dirigia uma empresa... ou que escalava montanhas... do que um ator desempregado que fazia bicos acompanhando mulheres.

— Você será o meu acompanhante, mas também será o meu noivo. Este é o verdadeiro propósito de estarmos indo para a Espanha.

— Verdade? Eu entendi que o propósito era que fossemos a um casamento.

Ela não se enganara quanto ao cinismo, percebeu Bella.

— Nós iremos a um casamento. O casamento de minha mãe. Infelizmente, minha mãe disse ao futuro marido que eu sou noiva... Não me pergunte por que, pois acho que também não sei bem a resposta. Tudo que sei é que, segundo ela, é imperativo que eu apareça com um noivo.

— Entendo. — E ele entendia. Bem demais. Estivera certo ao suspeitar de algum mistério envolvendo toda aquela história de acompanhante. Edward comprimiu a boca e, vendo isso, Bella começou a desejar que a agência lhe tivesse enviado outra pessoa. Não achava que seria capaz de lidar com um homem assim como seu "noivo".

— O que mais preciso saber do que estava no e-mail?

Bella ergueu o queixo.

— Nada. Minha mãe, é claro, sabe a verdade, e naturalmente eu disse a ela que precisamos ter quartos separados.

— Naturalmente? — Edward arqueou uma sobrancelha. — Com certeza não há nada natural em um casal de noivos dormindo separados.

Bella suspeitava que uma mulher que estivesse realmente envolvida com ele não dormiria de forma alguma. Imediatamente, imagens íntimas que não sabia ser capaz de criar se formaram em sua cabeça, fazendo-a olhar para fora da janela do táxi. Isso evitaria que ele visse em seus olhos exatamente o que estava pensando.

— O que fazemos em particular éproblema nosso — disse ela rapidamente.

— Espero que sim — concordou ele em voz baixa e suave. — Pessoalmente, nunca vi nenhum atrativo no voyeurismo.

A cabeça de Bella virou quase que por vontade própria, um tomou conta de todo seu rosto, causando um calor que a traía.

— Para que terminal vocês querem ir? O executivo? — perguntou o taxista.

— Vamos em um avião particular. É para cá que precisamos ir. — Bella se atrapalhou com os documentos, quase os derrubando. Quando Edward estendeu a mão e os pegou, e seus dedos se tocaram. Ela estava se comportando como uma idiota, censurou-se, enquanto Edward se inclinava para frente a fim de dar as instruções ao motorista... e pior: como uma idiota completamente perdida.

Provavelmente porque se sentia completamente perdida. Edward não era o que estava esperando. Para começar, imaginara que ele seria mais jovem, um rapaz fazendo bicos, e não um homem obviamente já passou dos 27 anos. E havia a sexualidade latente dele. Simplesmente não estava acostumada com esse tipo de coisa. A sensualidade era quase uma presença física com eles no táxi.

Como enfrentaria quase quatro semanas fingindo que ele era seu noivo? Como seria capaz de convencer qualquer um, principalmente as filhas de Phil, de que eram um casal dormindo em quartos separados? Aquele não era um homem que aceitava quartos separados, e nenhuma mulher sã iria querer tal distância se eles fossem realmente amantes. Com ansiedade, Bella se agarrou ao aviso de sua mãe de que o futuro marido era muito moralista. Eles poderiam dizer que ocupariam quartos separados por respeito ao ponto de vista de Phil, não poderiam?

— Chegamos — anunciou Edward quando o táxi parou com um solavanco. — Você pode me explicar exatamente o que está acontecendo quando estivermos a bordo.

Ela seria capaz de explicar?

Mas não fazia sentido discutir, uma vez que ele já tinha se virado para falar com o taxista.

Oi gente... estou feliz que tenha tanta gente lendo... mas quero reviews...então não esqueçam de deixar uma...

Bjuxx^^