A única outra ocasião em que Bella havia viajado em um avião particular fora em companhia de meia dúzia de colegas do sexo masculino, e o avião pertencera a um dos clientes mais ricos do banco. Ela não sonhara que a próxima vez em que voasse em um jato desse tipo, em que um comissário e uma comissária de bordo os esperavam para pegar suas bagagens e lhes dar as boas-vindas a um ambiente confortável e luxuoso, o avião seria de seu futuro padrasto.

Bella não soube bem por que achou necessário chamar atenção para seu "anel de noivado" grande e falso, brincando com ele, ao ver a comissária sorrindo para Edward. Contudo, o ato certamente pareceu atrair a atenção da outra garota e de Edward para ela.

— Srta. Swan. — A voz do comissário de bordo era tão suave quanto à aparência dele era agradável. — Não preciso perguntar se você viaja muito. — Ele sinalizou para alguém levar a bagagem a bordo. — Todos que estão acostumados a viajar levam pouca bagagem e fazem compras quando chegam ao destino... especialmente quando estão voando para um lugar como Madri.

Bella esperou que seu sorriso em resposta não parecesse tão falso quanto era. O motivo pelo qual estava viajando com pouca bagagem, como ele colocara, era simplesmente porque havia presumido que o castelo que o novo homem de sua mãe alugara vinha com uma máquina de lavar. As exigências de seu trabalho significavam que raramente tinha tempo de sair para fazer compras. Umas duas vezes por ano, reabastecia seu guarda-roupa de trabalho com mais conjuntos Armani e camisas brancas lisas.

Todavia, intimidada por Angela, se permitira ser arrastada pela Knightsbridge até a Harvey Nichols, para encontrar um traje menos executivo para o casamento e um vestido para o Natal. O jeans que usava naquele momento era sua roupa padrão para os fins de semana, mesmo não lhe servindo tão bem quanto de costume graças a sua ansiedade devido à decisão de sua mãe de se casar novamente.

No avião, Bella se acomodou no assento, tentando não ceder à vontade crescente de olhar para seu novo "noivo", que parecia demasiadamente à vontade no mundo dos super ricos para alguém que precisava aumentar sua renda com um trabalho de acompanhante.

Jason, o comissário de bordo, ofereceu champanhe. Bella não bebia muito, mas aceitou o copo que ele lhe estendia, esperando que a bebida pudesse ajudar a diminuir a tensão... causada principalmente pela indesejada consciência da potente sexualidade de Edward. Ele, por outro lado, meneou a cabeça.

— Prefiro não beber quando estou voando — disse ele a Jason.

— Quero uma água.

Por que ela de repente sentia que tomar uma taça de champanhe a transformava numa alcoólatra em potencial, que não podia perder a chance de tomar um drinque? Com rebeldia, deu um gole rápido no líquido borbulhante... e tentou não fazer uma careta quando percebeu o quanto o champanhe era seco.

Eles já estavam deixando a pista de decolagem, o avião subindo com suavidade em direção ao céu acinzentado. Bella não gostava muito de voar, e podia sentir o estômago se contraindo de nervoso enquanto esperava o avião nivelar. Edward, por outro lado, parecia totalmente calmo enquanto pegava um exemplar da revista The Economist.

— Certo, é melhor me contar o que está acontecendo — disse ele, manuseando a revista. — Fui informado de que você queria um acompanhante para o casamento de sua mãe.

— Sim, é isso mesmo... eu quero — concordou Bella. — Um acompanhante que seja meu noivo... eu expliquei tudo no e-mail — insistiu ela na defensiva ao ver o jeito como ele a fitava.

— E-mails são notoriamente pouco confiáveis. — Mas talvez não tão incompetentes em passar informações quanto seu querido irmão, reconheceu Edward, irritado. — É melhor você explicar de novo.

Bella olhou por sobre o ombro para se certificar de que eles estavam sozinhos na cabine. Aquele era o avião do novo namorado de sua mãe, repleto de empregados dele.

— O futuro marido de minha mãe é um americano conservador. Ele tem idéias muito fortes sobre a vida familiar e... relacionamentos familiares. Tem duas filhas do primeiro casamento, ambas casadas e com filhos, e minha mãe... — Ela fez uma pausa e respirou fundo. Por que estava achando aquilo tão embaraçoso? Como se, de alguma maneira, estivesse num tribunal, precisando provar sua inocência. Fora ela quem contratara Silas, ela estava no comando, e não o contrário. — Minha mãe sente que as filhas de Carlisle não estão muito felizes com o casamento deles.

As sobrancelhas de Edward se arquearam.

— Por que não? Você acabou de dizer que são ambas casadas e com filhos. Certamente elas devem estar felizes de ver o pai feliz.

— Bem, sim... Mas é que...

Bella mordiscou o lábio inferior com ansiedade... um pequeno gesto que automaticamente atraiu a atenção de Edward para sua boca. Como as mulheres eram peritas em focar a atenção dos homens em suas bocas, pensou ele com ironia. Mas com uma boca tão cheia e de aparência tão suave, ela não precisaria empregar velhos truques para chamar a atenção de um homem e fazê-lo imaginar com seria a sensação daqueles lábios sob os seus. A imaginação dele já estivera lá, e mais além. Na verdade, muito mais além, admitia com relutância.

Como explicaria aquilo, Bella se perguntou, sem ser desleal com sua mãe?

— Minha mãe não acha que as filhas de Phil sentem que ela o fará feliz.

— Por que não?

— Bem, ele é viúvo e mamãe é divorciada.

Edward deu de ombros ligeiramente.

— Então sua mãe cometeu um erro? Isso não é incomum nos dias de hoje.

— Não... mas...

— Mas?

— Mas mamãe já cometeu mais do que um erro — Bella o informou cautelosamente.

— Você quer dizer que ela já foi casada mais de uma vez?

— Sim.

— Quantas?

— Bem, quatro vezes, na verdade. Ela não consegue evitar. — Bella defendeu sua mãe rapidamente quando viu a expressão de Edward. — Mamãe se apaixona com muita facilidade, entende? E os homens se apaixonam por ela, e então...

— E então ela se divorcia deles e recomeça com um extrato bancário maior e com um homem mais rico?

Bella estava chocada.

— Não! Ela não é assim. Mamãe jamais se casaria só por dinheiro.

Edward registrou o "só" e disse cinicamente:

— Mas ela acha mais fácil se apaixonar por um homem rico do que por um pobre?

— Você é igualzinho as filhas de Phil e os maridos delas. Está criticando minha mãe sem conhecê-la. Ela ama ele. Ou pelo menos acredita que ama. Sei que isso parece ilógico, mas mamãe é ilógica, às vezes. Tem medo de que as filhas de Phil se tornem ainda mais antagônicas em relação a ela se souberem que sou solteira. Ele estava se vangloriando sobre as filhas e seus casamentos, e mamãe se irritou um pouco e disse que eu era noiva.

Era uma história tão ridícula que tinha de ser verdade, decidiu Edward.

— E você não conhece nenhum homem solteiro disponível que pudesse tê-la ajudado com isso?

É claro que ela conhecia. Conhecia muitos. Mas nenhum em quem sentisse que podia confiar para representar um papel de maneira convincente o bastante.

— Não, não realmente. — Com que facilidade a mentira saía de seus lábios. Era obviamente mais filha de sua mãe do que achara até o momento, admitiu Bella com alguma culpa. Mas Edward não sabia nada sobre suas circunstâncias pessoais ou profissionais... ou sobre o fato de que ela teria preferido andar sobre brasas a deixar os jovens e tempestuosos predadores sexuais de sua equipe saberem sobre sua falta de parceiro sexual. Mesmo que fosse por escolha.

Em sua opinião, essa era uma mentira pequena e inofensiva... não podia imaginar que Edward, enquanto viajava para completar uma pauta em Bruxelas depois de seu encontro com Joe, tinha pesquisado seu passado o máximo possível e, portanto, sabia exatamente quais eram suas circunstâncias profissionais.

Nenhum homem disponível na vida dela? Edward lutou para conter a resposta cínica que gostaria de lhe dar, perguntando por que Isabela não usava sua posição como chefe do próprio departamento para escolher um noivo falso entre mais de dez jovens que trabalhavam como seus subordinados.

Por outro lado, por razões que não estava preparado para investigar de perto, o fato de ter descoberto que ela era mentirosa, e portanto não-confiável, lhe causou certo alívio. Certamente não se deixaria levar por aquela pseudo-preocupação que Isabela expressava por uma mãe, que parecia mais do que apta a competir com qualquer número de filhas protetoras e seus maridos.

E claro que as filhas de Phil não eram exatamente filhas comuns. Ele havia descoberto muita coisa sobre elas quando fizera sua pesquisa inicial sobre ele. Elas tinham aprendido o que sabiam de política e finanças com o pai, e, enquanto adotavam um estilo southern belle em público, em particular não eram apenas flores de aço, mas flores de aço com espinhos.

Diversas pessoas haviam relatado com satisfação a Edward algo da mitologia urbana sobre a família. Dizia-se como as filhas de Phil tinham escolhido seus futuros maridos: desfazendo-se de alguns noivos e de pelo menos uma criança ilegítima, além de abafarem diversas acusações do uso de drogas e direção alcoolizada em seu caminho para o altar.

Sem sobra de dúvida, não tolerariam que o pai se casasse com uma mulher que elas mesmas não tivessem investigado.

— Certo, então sua mãe teme que as futuras enteadas possam persuadir o pai a não seguir com o casamento. Mas ainda não entendo como o fato de você ter um noivo possa influenciar nisso.

— Na verdade, nem eu, mas minha mãe estava começando a ficar tão desesperada que simplesmente me pareceu mais fácil ceder e fazer o que ela queria.

— Mais fácil, porém não muito prudente. Eu teria pensado em uma discussão calma e ponderada...

— Você não conhece minha mãe. Ela não age de maneira calma e ponderada — disse Bella, antes de acrescentar de modo protetor: — Estou fazendo-a parecer a rainha do drama, mas ela não é. Mamãe é apenas uma pessoa que vive intensamente e se alimenta de suas emoções. Meu palpite é que ela exagerou ao tentar competir com as filhas perfeitas de Phil. Eu falei que tinha encontrado alguém para posar como meu suposto noivo, mas não contei a ela sobre usar a agência — avisou Bella. — Ela provavelmente vai presumir que eu já conheço você.

— Ou que já fomos amantes?

Bella estava perplexa. Meneou a cabeça com veemência.

— Não, ela não vai pensar isso. Sabe que eu...

— Que você o quê? Fez um voto de castidade?

Por alguma razão, o tom cínico na voz dele magoava.

— Mamãe sabe que não tenho a intenção de me casar.

— Porque você não acredita no casamento?

Bella lhe deu um olhar nivelado e replicou friamente:

— Não. Porque eu não acredito em divórcio.

— Interessante.

— Não realmente. Suponho que diversas crianças com pais divorciados se sentem da mesma maneira. Por que está me fazendo tantas perguntas? Você parece mais um... advogado do que um ator. Pensei que atores gostassem mais de falar sobre si mesmos, não de fazer perguntas.

— Posso lhe assegurar que definitivamente não sou advogado. E, é claro, os atores precisam estudar outras pessoas a fim de representar bem seus papéis.

Não era advogado. Mas ela era astuta o bastante para ter reconhecido sua necessidade instintiva de sondar e questionar, reconheceu Edward.

O que havia em certo tipo de silêncio que fazia uma pessoa se sentir tão desconfortável?, Bella se perguntou, enquanto procurava fervorosamente um assunto sobre o qual conversar. Ou, naquele instante em particular, era o próprio Edward quem a estava deixando tão consciente de certas coisas sobre si mesma e sobre sua atitude diante da vida? Coisas sobre as quais ela não queria realmente pensar.

— Fiquei um tanto preocupada com a possibilidade de a agência não conseguir encontrar alguém adequado que estivesse disposto a trabalhar no Natal — tentou ela, mantendo a conversa o mais pacífica possível, numa tentativa de estabelecer um relacionamento apropriado entre empregador... ela... e empregado... ele. Não que isso fosse verdade, é claro. A verdade era que teria ficado bastante feliz se o plano de Angela de lhe arranjar um noivo tivesse se provado impossível.

— Se isso é uma tentativa sutil de descobrir se tenho uma parceira, a resposta é não, eu não tenho. E quanto a trabalhar no Natal, muita gente faz isso.

Bella teve de engolir o nó que se formou em sua garganta pela resposta.

— Eu não estava perguntando se você tinha uma parceira. Estava apenas tentando manter uma conversa educada — replicou ela.

— Mais champanhe?

Bella sorriu para Jason com alívio, dando boas-vindas à interrupção de uma conversa que estava adentrando um território cada vez mais pessoal e perigoso. Muito pessoal e perigoso para ela, pelo menos.

— Vamos aterrissar em dez minutos — Jason os informou. — Haverá um carro e um motorista esperando por vocês, é claro.

Bella sorriu, mas menos calorosamente.

— Qual é o problema? —Edward lhe perguntou.

— Nenhum. Bem, não realmente. — Ela deu de ombros quando Jason se afastou. — Sei que eu deveria estar apreciando esseluxo, e é claro que, de certa forma, estou... Mas ainda me sinto culpada quando penso sobre quantas pessoas estão lutando apenas para se alimentar.

— Uma gerente de banco que quer salvar o mundo? — zombou Edward.

Imediatamente, Bella ficou tensa.

— Como você sabe disso? Que sou gerente em um banco?

Silenciosamente, Edward se amaldiçoou por seu pequeno lapso.

— Não sei. Acho que a agência me falou — murmurou ele, sem interesse.

— Às vezes é mais fácil mudar as coisas do lado de dentro do que do lado de fora — explicou ela após uma breve pausa.

— Verdade. Mas algo me diz que seria necessária uma mudança interior extraordinária para fazer com que os executivos yuppies pensassem em salvar o mundo. Ou você estava pensando em algum tipo de incentivo para ajudá-los? Um Porsche novo, talvez...

— Brinquedinhos masculinos vêm no pacote, mas eles geralmente superam essa fase na mesma época que seu primeiro filho nasce — disse Bella levemente.

O avião tinha começado a descer, e o retorno de Jason à cabine marcou a tímida conversa.

Oi meninas, espero que estejam gostando... gostaria de agradecer a:

Karooly

Dri Teixeira

Mocho Azul

Pela reviews...

Bom é isso... se gostarem comentem, se não gostarem comentem tbm...

Bjuxx^^