— Aqui está seu quarto, querida. É adorável, não é?

Renée havia aberto a porta de um quarto no segundo andar do castelo.

Mais porque queria ter certeza de que ninguém ouviria a conversa das duas do que porque estava sinceramente interessada em seu aposento, Bella passou pela mãe e entrou no quarto. Era grande, obviamente. Grande, frio e, com certeza, um sótão transformado em quarto, decorado com papel de parede verde desbotado e com o cheiro inconfundível de umidade.

— O quarto tem o seu próprio banheiro, com uma verdadeira banheira do período Eduardiano.

A animação forçada na voz de sua mãe deprimiu Bella. Renée parecia tão vulnerável que se zangar com ela seria como ser rude com uma criança. Muito gentilmente, Bella pegou as mãos de sua mãe e a conduziu para a enorme cama de casal, abaixando-a até que ambas estivessem sentadas frente a frente.

— Mamãe, o que está acontecendo? — perguntou o mais calmamente que foi capaz. — Você sabe que Edward e eu não estamos noivos de verdade. Nós nem mesmo nos conhecemos. Ele é apenas alguém que contratei para fingir ser meu noivo. Você sabe disso. Nós deveríamos ter quartos separados. Eu disse a ele que teríamos quartos separados. Você me garantiu que teríamos quartos separados. Então o que deu errado?

Lágrimas inundaram os olhos de sua mãe.

— Oh, Bella querida, por favor, não fique zangada comigo. Isso não é culpa minha. Eu tinha planejado colocar você e Edward... ele é muito bonito, a propósito, e seria perfeito para você... nos cômodos interconectados mais divinos. Mais como uma suíte dupla, na verdade, cada um com seu banheiro e uma pequena saleta de estar adorável, mas então, as filhas de Phil chegaram e tudo deu errado.

Bella esperou enquanto sua mãe parava para assoar o nariz e pigarrear.

— Sabe, eu não tinha me dado conta de que Jessica e Lauren iriam querer os filhos dormindo no mesmo andar que elas, ou que esperariam ter quartos conectados. Mas é claro que, uma vez que Jessica explicou que elas precisavam estar perto, e como fazia mais sentido que ficassem com a suíte que eu tinha reservado para você e Edward... Ela falou que as babás das crianças e as secretárias de Tyler e Bill... estes são os maridos delas... também teriam de ficar no mesmo andar, porque os dois freqüentemente trabalham até tarde da noite. Eles precisam estar em contato com a matriz da companhia o tempo todo, e o fato de terem viajado para tão longe lhes causou muita confusão. Eu me senti tão culpada sobre isso... principalmente quando Lauren me contou que os filhos estavam tristes porque não iam passar o Natal em casa. Não sei como aconteceu, mas, de uma forma ou de outra, elas praticamente se apossaram de todo o primeiro andar do castelo, aparte a suíte que Phil e eu estamos compartilhando... com dois quartos adjacentes... e isso significa que os únicos cômodos que sobraram estão no segundo andar.

Silenciosamente, Bella contou até dez. Alguma coisa lhe dizia que seu relacionamento com suas novas "irmãs" não ia ser nada bom, pensou com tristeza.

— Tudo bem, mas deve haver mais de um quarto aqui em cima, mamãe. Quero dizer, só há uma cama aqui...

— Querida, eu sei, e realmente sinto muito. Mas tenho certeza de que Edward vai se comportar como um verdadeiro cavalheiro. Quero dizer, um homem como ele não precisa sair por aí persuadindo mulheres a compartilhar sua cama, precisa? Sabe o que eu acho? — disse ela, animada. — Acho que ele provavelmente ficará feliz pela oportunidade de estar com uma mulher que não tenta seduzi-lo.

— Mamãe, vamos nos concentrar no ponto principal. Quantos quartos há neste andar?

— Diversos — replicou Renée de imediato. — Mas aparentemente houve um problema com o telhado, e a maioria deles está úmida, e os que não estão já foram ocupados pelos empregados. Estritamente falando, nós não deveríamos estar usando nenhum dos quartos aqui em cima, de acordo com o contrato que o conde nos deu, mas quando falei com o mordomo e expliquei o problema, ele foi muito gentil, e todos trabalharam arduamente para aprontar este cômodo para você. Eu detestaria que eles pensassem que não somos gratas.

Bella envolveu os braços ao redor do corpo frio.

— Mamãe, está congelando aqui.

— Sim. Lamento sobre isso. O assistente do conde nos explicou como o sistema de aquecimento funciona, e que nós não deveríamos ligar nenhum dos radiadores porque, se fizermos isso, alguns dos outros não funcionarão. E tentei explicar isso para as filhas de Phil, mas entendo a necessidade das crianças se manterem aquecidas.

Bella escutou um barulho estranho em seus ouvidos. Levou vários segundos para perceber que era o som de seus dentes batendo de frustração.

— Mamãe...

— Por favor, não seja difícil quanto a isso, querida. Eu quero muito que tudo dê certo, e que todos vocês se dêem bem. As filhas de Phil têm sido tão amáveis... oferecendo me ajudar depois que Phil e eu estivermos casados, explicando como o círculo social deles funciona. Elas me avisaram que algumas das amigas da falecida dele serão hostis comigo, e que alguns dos homens podem tentar me seduzir por causa de minha aparência e porque fui casada antes. É gentileza da parte delas, realmente.

— É? Parece-me mais como se elas estivessem tentando menosprezar você — comentou Bella com sagacidade... e desejou não ter sido tão direta quando viu a expressão magoada de sua mãe.

— Querida, não diga isso. Você vai adorá-las, tenho certeza. Agora, por que não a deixo desfazer as malas, enquanto vou para a cozinha e organizo as refeições para todos?

— Algumas garrafas de água quente podem ser uma boa idéia, também — sugeriu Bella secamente.

Depois que sua mãe partiu, ela examinou o quarto e o banheiro adjacente. A banheira era, como sua mãe dissera, do período Eduardiano. De proporções gigantescas, estava posicionada no meio de um piso de linóleo, num cômodo que era tão frio que Bella tremia apesar de estar usando casaco. Havia também um chuveiro e um lavatório separado.

Ela ouviu a porta de fora se abrindo de novo, e correu de volta para o quarto, dizendo com desespero:

— Mamãe, eu não... Oh, é você. — Bella parou abruptamente quando viu Edward parado do lado de dentro, segurando a porta aberta para um jovem que carregava a bagagem deles.

Ela teve de esperar que o rapaz deixasse as malas lá e partisse antes que pudesse falar:

— Sinto muito sobre isso. Mamãe parece ter permitido que as filhas de Phil a convencessem a deixá-las ficar com a suíte de dois quartos que ela tinha reservado para nós, e parece que este é o único quarto que resta.

— E presumivelmente a única cama? — perguntou Edward em tom sedoso.

— Não gosto disso mais do que você — assegurou Bella. — Mas não há nada que eu possa fazer, exceto me oferecer para dormir no chão.

— E é claro que você está totalmente disposta a fazer isso...

— Na verdade, estou, sim — disse ela. Não gostava do tom de voz que ele estava usando, assim como não gostava do jeito como Edward a olhava. Se tivesse pensado que o quarto e o banheiro gelado eram frios o bastante para congelar seu corpo, não eram nada comparados à frieza do olhar de Edward.

— Este é um hábito seu? — Edward estava furioso por ela não perceber que ele possuía inteligência para ver o que estava acontecendo.

— De que hábito você está falando? — Bella exigiu saber, perplexa.

— De contratar homens para fazer sexo com você.

Bella estava satisfeita por ter a cama atrás de si, de modo que pudesse se sentar. A acusação não apenas a chocara, mas também causara em seu peito um nó de desgosto e uma vulnerabilidade indesejada... e dor. Dor? Porque um homem que não conhecia a estava Julgando de maneira errada? Tinha acabado de conhecê-lo. Ele não significava absolutamente nada para ela, mas estava reagindo às observações desagradáveis dele com sentimentos de mágoa e traição filais adequados a um relacionamento longo e íntimo. O que era àquilo? Secretamente queria fazer sexo com ele? Edward tinha, de alguma forma, sentido isso, embora ela mesma não tivesse consciência do fato? Era aquele o motivo da acusação dele, e sua própria reação emocional a isso?

Desta vez, quando Bella tremeu, não foi apenas de frio. Não gostava do que estava acontecendo. Nunca quisera estar naquela situação, para começar... Não queria estar ali, não queria contratar um acompanhante e, com toda certeza, não queria compartilhar uma cama com Edward. Respirou fundo.

— Eu não contrato homens para fazer sexo comigo. Não preciso disso. — Bem, era verdade, não era? — Já deixei perfeitamente claro para você por que preciso de um acompanhante, e se achou que menti ou que eu tinha segundas intenções, então certamente dependia de você recusar o trabalho. Você não me parece o tipo de homem que se permitiria ser colocado numa situação que não quisesse — disse ela com astúcia.

A reação de Bella não era o que ele havia esperado. Presumira que ela usaria sua acusação como uma desculpa para pôr as cartas na mesa. Então, nesse momento, ele pretendera esclarecer que, enquanto se dispusera a agir como seu noivo em público, se aproveitar da intimidade proporcionada pela acomodação compartilhada deles definitivamente não estava no programa.

A natureza de sua profissão o obrigasse a ser sempre desconfiado dos motivos de todos. Pelo que sabia, todos tinham alguma coisa a esconder, algo que estavam dispostos a vender, e algo que estavam dispostos a comprar. Ele mesmo queria esconder o fato de que usaria sua posição de "noivo" para se aproximar de Phil, mas estava disposto a vender apenas seu tempo, não seu corpo. Era também um homem que detestava se equivocar, e se forçar a aceitar que cometera um erro de julgamento... especialmente em relação a uma mulher que não tinha nenhuma razão para respeitar.

— Achei que sua explicação se devia mais à imaginação do que à verdade — murmurou ele de forma intransigente. — Pelo que entendo, e em vista do que aconteceu, eu estava certo em questionar a validade do que você me contou. Não que eu admire o seu gosto por escapadas sexuais, devo dizer — acrescentou com desprezo. — Fora todo o resto, está congelante aqui. Os radiadores estão ligados? — Edward andou até um deles e o tocou.

— Aparentemente as filhas de Phil acabaram com o delicado equilíbrio da temperatura do radiador e do "calor para todos" — respondeu Bella com cansaço. — Ou ao menos acho que era isso que minha mãe estava tentando me dizer. — De alguma forma, Bella conseguira responder à pergunta mundana de Edward de uma forma igualmente mundana, embora seu coração estivesse tão acelerado que ela podia sentir a adrenalina. Não, permitiria que os insultos dele ficassem impunes.

— Você não precisa ficar aqui, sabia? — disse ela. — Não há nada que o impeça de partir, se assim quiser. Eu certamente não vou tentar impedi-lo — acrescentou, tentando colocar o máximo possível de desprezo em suas palavras.

Edward lhe deu um olhar zombeteiro.

— Nós acabamos de chegar e todos pensam que somos noivos. Dificilmente poderia partir agora.

— Por que não? — demandou Bella, numa voz frágil que traiu sua tensão. — Casais de noivos discutem e rompem relações. Acontece o tempo todo. Na verdade, acho essa uma idéia muito boa. — Ela pôde sentir o conforto de seu próprio alívio ao pensar na partida dele. Edward estava lhe causando um efeito de que não gostava... e que não desejava. Aquilo... ele... a fizera se sentir desconfortável e nervosa mesmo antes de ter lhe acusado de mentir. Não queria passar uma semana compartilhando um quarto com um homem que achava que ela estava prestes a agarrá-lo a qualquer minuto. Podia ser um pouco antiquada, mas a verdade era que Bella preferia um cenário tradicional, no qual imaginava que elea agarraria. Não que quisesse isso, é claro. Nem por rim segundo... — Na verdade — continuou ela com firmeza —, acho que seria uma idéia excelente se eu descesse agora, encontrasse minha mãe e lhe dissesse que o noivado foi rompido.

— Tal revelação não seria contra-producente, de alguma forma? pensei que a idéia disso tudo fosse ajudar a sua mãe. — A conversa e o comportamento de Bella estavam tomando uma direção diferente daquela que Edward havia esperado, e não era uma em que quisesse seguir. Bella estava obviamente se mostrando ultrajada e, pior, lançando o tipo de desafio que ele não tinha intenção de aceitar.

Não era comum que ele julgasse uma situação erroneamente, e irritava-o o fato de que podia ter feito isso. Mas Bella estava se comportando de uma forma que não combinava com a imagem mental que fizera dela. Edward desprezava mulheres que insistiam em fazer jogos, e geralmente não teria tolerado a representação de Uma "inocente magoada". Contudo, no momento, havia muito em jogo para se arriscar a aceitar o desafio e partir. Por menos quegostasse de admitir, reconhecia que teria sido mais sábio jogar com o fingimento dela por mais tempo, antes de informá-la que supunha quais eram seus planos. Não podia permitir que aquela nova situação piorasse ainda mais.

Talvez não se importasse em abandonar Bella. Porém, se fizesse issotambém estaria abandonando sua chance de falar com Phil. Já havia semeado o que esperava se transformar em um diálogo mais Informativo, uma vez que Phil baixasse um pouco mais a guarda.

Edward andou até a cama e a estudou. Pelo menos era grande o bastante para assegurar que os dois mantivessem distância. Estava parado ao lado de Bella quando ouviram Renée chamando do outro lado da porta:

— Somos apenas nós, meus queridos!

— É minha mãe — Bella o informou desnecessariamente. — Eu já decidi. Não quero mais continuar com essa charada de jeito nenhum, depois das acusações que você me fez. Vou dizer a ela que tivemos uma briga, que nosso noivado acabou e que você estáindo embora.

Enquanto falava, ela começou a remover o anel que ele lhe dera, e Edward pôde ver que Bella pretendia fazer exatamente o que estava dizendo. A porta já estava se abrindo. Ele pensou rapidamente, e agiu com maior velocidade ainda.

A maneira silenciosa e letal como Edward se moveu, sentando-se na cama ao seu lado e aprisionando-a com seus braços quando a deitou sob seu corpo e cobriu-lhe a boca com a sua, a chocou.

Bella tentou empurrá-lo, mas ele a segurava com muita força. Uma perna musculosa estava sobre a sua, no que certamente era um dos abraços mais íntimos que um casal totalmente vestido podia dar... mesmo que ele só estivesse fazendo aquilo para mantê-la presa sob o peso de seu corpo. Presa de um jeito que a deixava muito consciente das diferenças físicas entre os dois... a rigidez pressionada contra a suavidade, o corpo másculo dominando, enquanto, para o horror de Bella, seu próprio corpo se acomodava, como se estivesse dando as boas-vindas à posse de Edward.

Enquanto ela refletia sobre suas próprias confusas reações, ele começou a beijá-la. Não gentilmente, mas de maneira voraz e possessiva, com uma urgência perigosa, como se não houvesse nada que quisesse mais do que lhe saborear a boca... Como se, a qualquer momento, fosse remover as roupas de seus corpos, de modo que a única coisa sobre ela fosse ele, e então... Antes que Bella pudesse entender como, a mão livre de Edward estava sobre um de seus seios, o polegar descansando sobre o mamilo enrijecido.

Aquilo não podia estar acontecendo. Certamente não deveria estar acontecendo. Incrédula, ela lutou para resistir, distantemente ciente da exclamação de sua mãe:

— Ops! Desculpem... — e então a porta do quarto foi fechada de novo.

Poderia soltá-la agora. Edward sabia disso. O perigo tinha passado. Bella não podia dizer à mãe que haviam brigado e ele partiria. Não depois do que Renée acabara de testemunhar. Mas o quarto estava terrivelmente frio, e o seio arredondado e quente de Bella cabia em sua mão como se tivesse sido feito para ele. Surpreendeu-o descobrir o quanto queria continuar tocando-o, e o quanto era forte seu desejo de lhe acariciar o mamilo lenta e infinitamente, até que ela respondesse a seu toque com o próprio desejo, arqueando-se em suas mãos, querendo despir todas as roupas, até que ambos pudessem ver a excitação dela. Edward certamente podia sentir a sua. Deslizou a sua outra mão pelos cabelos de Bella, afastando-se brevemente do beijo, observando-a abrir os olhos, a expressão suave e confusa neles. Ele lhe traçou o formato da boca com pequenos beijos provocantes, que combinavam com os toques delicados das pontas de seus dedos sobre o seio firme.

Bella tinha uma leve consciência de estar fazendo algo muito perigoso... de que Edward era muito perigoso. Mas o quarto estava tão frio que parecia entorpecer sua habilidade de responder e reagir de uma maneira normal. E ele estava tão quente, deitado sobre seu corpo, mesmo que a estivesse atormentando com aqueles beijinhos que a faziam ter vontade de se arquear contra ele, querendo o mais íntimo. Ela tremeu de prazer quando ele abriu os dedos sobre seu couro cabeludo e segurou-lhe a cabeça enquanto tomava sua boca com maior intimidade, beijando-a com ardor, repetidamente, até que Bella estivesse tremendo pelo desejo físico mais intenso que já havia experimentado na vida.

O choque de sua própria excitação sexual foi o bastante para fazê-la recobrar o bom-senso e empurrá-lo. Estava tremendo da cabeça aos pés, e se sentia tolamente perto das lágrimas. O que sentia no momento a deixava vulnerável e confusa. Nem mesmo sabia como aquilo havia acontecido... ou por quê.

— Você não tinha o direito de fazer isso! — exclamou, quase chorando.

— Pensei que fosse o que você queria.

O quê? Como pôde pensar uma coisa dessas? Acabei de dizer que queria que você fosse embora.

Edward olhou para o rosto vermelho e rebelde de Bella, e uma sensação, uma emoção que não foi capaz de reconhecer, atravessou a armadura de seu ceticismo. Ergueu uma das mãos para o peito, como se pudesse realmente sentir uma dor aguda e desconhecida, e então abaixou o braço enquanto reprimia a sensação.

— E eu acabei de lhe mostrar que não quero partir — respondeu ele suavemente. — Na verdade... nesse momento, acho que nem quero deixar este quarto. — Uma sarcástica voz interior, sem dúvida estimulada por sua consciência, estava exigindo, senão um cancelamento, pelo menos uma explicação para aquela mentira. Mas tinha um trabalho a fazer, uma verdade a descobrir, e necessitava de fatos reais. Na opinião de Edward, era seu dever ético conseguir tais fatos, e isso vinha antes do dever de ser totalmente sincero em relação àquele aspecto momentâneo de sua vida pessoal.

Por mais feio e desagradável que parecesse, Bella o estava usando... e ele a estava usando. Ambos poderiam alegar que estavam sendo forçados a fazer aquilo para beneficiar outras pessoas, é claro. E isso tornava a situação aceitável? Talvez não, mas certamente a tornava necessária, disse a si mesmo com firmeza.

A boca de Bella havia secado. Não conseguia olhar para ele. Seu coração batia tão forte que ela queria pressionar a mão contra o peito para acalmá-lo.

— Se está querendo dizer que você... — ela escolheu as palavras com o maior cuidado possível, mas, ainda assim, estavam literalmente presas na garganta — ... que você me deseja, então eu não acredito — conseguiu terminar finalmente. — Menos de dez minutos atrás, estava me criticando e me acusando de tê-lo contratado para fazer sexo — Bella o relembrou.

— Dez minutos atrás, eu não a tinha beijado, ou tocado em você — Edward falou com alguma sinceridade. — Dez minutos atrás, eu não estava tão excitado pela maneira como o seu corpo responde ao meu toque. Portanto, no momento, tudo que posso pensar é em levar essa resposta a sua conclusão natural... para o bem de nós dois.

Para o desgosto de Edward, suas próprias palavras estavam invocando as imagens mais eróticas em sua cabeça, e seu corpo respondia a elas com vigor. Com tanto vigor que o fez pensar que, independentemente do que seu cérebro tivesse a dizer, seu corpo estava mais do que disposto a fazer sexo com Bella.

O quarto ainda podia estar frio, mas subitamente Bella sentia muito calor. Ele só podia estar mentindo, e era melhor que ela se lembrasse disso. Todavia... Todavia, o quê? Queria que Edward estivesse falando a verdade? Queria que ele realmente a desejasse? Estava louca? Aquele tipo de coisa era o território emocional de sua mãe, não o seu. Bella era mais sábia do que isso, não era? Começou a tremer. Não queria mais continuar naquele quarto com Edward... um quarto que podia jurar estar agora envolto pelo sutil aroma de excitação mútua, pela mentira dele e por seu próprio desejo. Queria voltar para o andar de baixo, onde estaria mais segura... e mais aquecida.

— Foi culpa sua o fato de eu a ter beijado, sabia? — murmurou Edward.

Bastava para Bella.

— Ouça, eu já lhe disse, não contratei você para fazer sexo comigo — insistiu ela com ferocidade.

— Não foi isso que eu quis dizer. — Edward estava sorrindo tão ternamente que o desejo dela aumentou. — Falei que foi culpa sua porque, quando você me ofereceu a chance de partir, eu soube que não poderia. E isso, por sua vez, me mostrou o quanto eu a quero.

Bella o encarou. Realmente não era justo ter de passar por aquilo. Era quase Natal, pelo amor de Deus, e estava muito vulnerável. Edward tocara algo em seu interior, algo que ela preferia ignorar. Seria muito perigoso se permitir acreditar que ele estava sendo sincero, e ainda mais perigoso admitir que queria que estivesse sendo sincero.

— Nós acabamos de nos encontrar — apontou ela. — Mal nos conhecemos... — Estava quase gaguejando, percebeu, enquanto se contorcia interiormente ao som de suas próprias ridículas palavras.

— E daí? O destino não está nos dando a oportunidade de remediar isso? — Ele lhe sorriu de novo, e Bella sentiu o coração saltar no peito em um movimento brusco. — Ele está até mesmo assegurando que dividamos um quarto e uma cama, e proporcionando o incentivo adicional da necessidade de compartilharmos o calor de nossos corpos para nos mantermos aquecidos.

Bella pôde sentir não somente seu rosto, mas seu corpo inteiro esquentando de súbito, enquanto curvava os dedos dos pés dentro dos sapatos e olhava para a cama. Não era esse tipo de pessoa. Era muito sensata, muito cautelosa, muito desconfiada... muito estúpida! Olhou para Edward.

— Nós estamos noivos, afinal de contas. Quem sabe o que pode acontecer, ou onde o destino pode nos levar? — Enquanto falava, ele se aproximou, pegando-lhe a mão e entrelaçando os dedos de ambos. — Por que não deixamos que o destino nos leve para onde desejar? — sugeriu com voz sexy.

— Não, não, não! Não quero ouvir mais nada. — Bella colocou as mãos sobre os ouvidos em desespero. — Eu vou descer.

— Então eu vou com você — disse Edward prontamente. Não lhe daria a oportunidade de terminar o "noivado" deles em sua ausência.

Oi gente... gostaria de agradecer as reviews que recebi...

Karooly bom vc viu nesse capitulo um pouquinho do que vai acontecer com os dois no mesmo quarto...

Natyc que bom que vc está gostando da fic...

Romanita-sama adorei saber que ai em Portugal gostam das minhas fic... espero que goste desse capitulo... como viu as coisas vão esquentar um pouco agora...

ane lautner que bom que esta gostando... vou fazer o Maximo para postar segunda e quinta feira...

Ana Kroloi flor... então a mãe da Bella é muito doida nessa fic... ela não gosta de ficar sem se apaixonar... não importa quem seja... vc vai entender melhor no decorrer da fic...

Lize G.oi flor... seja bem vinda...

Bjuxx^^ para todas e não esqueçam das minhas reviews...