— Edward, alguém deve ter roubado o carro — exclamou Bella, chocada.

— Duvido. — Havia uma irritação na voz dele que a fez olhá-lo de modo incerto. O celular havia começado a tocar, e Edward o tirara do bolso e o abrira, enquanto Bella se afastava discretamente para não dar a impressão de que queria ouvir a conversa.

— Era Lauren — anunciou ele, aproximando-se. — Apa rentemente, viu o bastante de Segovia, e as crianças estavam com frio e cansadas. Então, ela decidiu levar o carro e voltar sem nós.

A expressão de Bella revelou sua incredulidade.

— Está dizendo que ela nos deixou aqui, sem ter como voltar ao castelo?

— Exatamente — concordou ele brevemente.

— Mas por que ela faria isso?

Edward suspeitava que sabia a resposta. Lauren havia deixado claro que estava ofendida porque ele não respondera a suas inves tidas sexuais durante o trajeto para Segovia, e aquele, imaginava, era o jeito que encontrara de se vingar da recusa dele de entrar no seu jogo. Aquela situação era uma complicação com a qual Edward não contara, admitiu. Se pensasse no que de fato o levara à Espanha, fazia sentido esfriar as coisas com Bella. Podia continuar representando seu papel de noivo enquanto, ao mesmo tempo, discretamente usasse as indiretas nada sutis que Lauren lhe dava para deixar claro que estava flertando, uma vez que ela, sem dúvida, lhe proporcionaria uma rota mais direta para os segredos dos Cullen do que Bella. Com sua investigação em risco, Edward não estava em posição de se permitir o luxo de escrúpulos morais. Tinha o dever de expor a verdade. Mas nenhum dever de vivê-la?

Se tivesse de escolher entre inocentar aqueles que haviam trabalhado para revelar a verdade sobre Eliezer Denali e sacrificar a boa opinião de Bella sobre ele, precisaria escolher o bem maior. E quanto à própria Bella? E quanto às necessidades e sentimentos dela?

Edward podia sentir a raiva crescendo em seu interior. Estava lidando com questões que não precisavam estar na equação. Ele e Bella sentiam atração física um pelo outro. Não havia razão lógica ou moral para que dois adultos conscientes não desfrutassem um relacionamento consensual. Isso não precisava afetar seu propó sito original.

E poderia terminar tão rapidamente quanto começara. Era isso que esperava e queria? Porque não queria ver a expressão nos olhos de Bella quando ela descobrisse a verdade?

Não fazia sentido lhe contar. Sua decisão original fora tomada antes de conhecê-la, e não tinha nada a ver com ela. Mas não importava, Edward disse a si mesmo. E isso não era o bastante para apagar o desgosto crescente por sua própria desonestidade.

Bella olhou para o céu, do qual a neve caía rapidamente e em grande quantidade. Arrepios de ansiedade lhe percorriam a coluna. Tinha quase certeza de que Lauren agira por maldade e egoísmo, mas não queria falar nada na frente de Edward e acabar parecendo traiçoeira e crítica. Além disso, tinha coisas mais im portantes com as quais se preocupar do que reclamar sobre o que aquilo que a bruxa havia feito. Como de que forma eles iriam voltar para o castelo...

— Talvez possamos ligar para o castelo e perguntar se alguém pode vir nos buscar — sugeriu ela.

Ele meneou a cabeça.

— Será muito mais simples se tentarmos conseguir um carro por aqui. Notei uma loja que aluga carros mais cedo.

Meia hora depois, havia um olhar desgostoso no rosto de Edward ao ser informado de que só seria possível lhe conseguir um carro na manhã seguinte.

A neve estava cada vez mais forte.

— Não há mais nada a fazer. Sinto muito — murmurou ele para Bella. — Nós teremos de passar a noite aqui na cidade. Notei dois hotéis quando estávamos andando.

O que Edward dizia fazia sentido, mas o coração de Bella se entristecera com cada palavra. Também havia notado os hotéis durante a caminhada pela cidade. Ambos pareciam muito sofis ticados, e, conseqüentemente, caros. Sabendo que estava com o orçamento apertado, ela deliberadamente deixara seu cartão de crédito no castelo, caso ficasse tentada a usá-lo, e tudo que tinha na bolsa era uma pequena quantia que não seria suficiente para pagar um único quarto de hotel, muito menos dois, além do custo do aluguel do carro.

— Faz sentido passar a noite aqui — concordou ela. — Mas lamento que tenhamos de achar um lugar barato, Edward. Eu não trouxe meu cartão de crédito...

Edward podia ver o quanto ela estava desconfortável e preo cupada.

— É culpa minha que ficamos presos na cidade — disse ele calmamente. — Suponho que eu deveria ter adivinhado que Lauren poderia pregar essa peça em nós. Não se preocupe com o custo do hotel e com o aluguel do carro. Eu pagarei por eles.

— Você não pode fazer isso aqueles dois hotéis parecem terrivelmente caros. Não seria justo. Eles custariam mais do que paguei à agência...

— Está tudo bem. Acalme-se. A agência sempre nos dá uma quantia para cobrir emergências. Aposto que eles irão reembolsá-la quando você voltar para casa — mentiu ele, acrescentando rapida mente: — Ouça, ou nos registramos em um hotel ou ficaremos an dando por horas na esperança de que Martin decida vir nos buscar e perca o dinheiro de meio dia de trabalho.

A referência de que Martin perderia meio dia de trabalho teve o efeito que ele esperara na consciência de Bella, que imediatamen te meneou a cabeça e protestou:

— Oh, não! Nós não podemos fazer isso. Não seria justo.

— E não será justo conosco, também, se ficarmos aqui e con gelarmos até a morte... será? — murmurou ele, pegando-lhe o bra ço e firmemente conduzindo-a de volta, em direção à cidade.

— Será muito estranho se nos registrarmos sem nenhuma ba gagem — Bella o avisou.

— Não com o clima nessas condições. Eles provavelmente es tão acostumados com viajantes que ficam encalhados.

Dez minutos depois, eles estavam parados na neve, do lado de fora de um dos hotéis que Bella havia notado. Parecia até mais sofisticado do que pensara quando o vira mais cedo.

— Nós não podemos nos hospedar aqui.

— É claro que podemos — disse ele, ignorando a propensão dela de voltar atrás e gesticulando com a cabeça para o porteiro uniformizado que segurava a porta aberta para eles.

Apesar de ter um trabalho bem remunerado, Edward não depen dia financeiramente dele. Seus avós maternos tinham sido ricos, e Edward, como único neto, herdara tudo. Normalmente escolhia viver com o que ganhava, mas se sentia perfeitamente confortável no tipo de ambiente ostentoso em que estavam entrando naquele mo mento... como Bella percebeu quando ele se aproximou do balcão da recepção enquanto ela se mantinha afastada.

Em cinco minutos, Edward retornou, explicando:

— O hotel está muito cheio devido à época do ano, mas eles podem nos dar uma suíte e cuidar do aluguel do carro para nós pela manhã.

— Uma suíte? Mas isso vai custar uma fortuna! — exclamou

— É tudo que eles têm disponível — disse Edward friamente. — É melhor subirmos e darmos uma olhada. Então, uma vez que não retornaremos ao castelo até amanhã cedo, acho que podemos encontrar algum lugar para comer e depois explorar o resto da cidade.

Ele não queria admitir, nem em seus pensamentos mais priva dos, o quanto estava dividido entre seu desejo intenso por Bella e a voz cautelosa em seu interior, dizendo-lhe que, se tivesse algum bom senso, manteria distância em vez de aumentar a in timidade entre os dois. Para a segurança dela, assim como para a sua própria. Segurança dela! Desde quando exatamente tinha começado a querer protegê-la?

Bella assentiu em concordância com o plano de Edward. O ele vador chegou, e ele esperou que ela o precedesse, uma das mãos descansando em sua cintura num gesto discreto... porém muito possessivo... que homens poderosos tendiam a usar com suas par ceiras. Bella quase podia sentir o calor sensual no lugar onde ele a tocava se espalhando pelo seu corpo inteiro. Aquilo a fez querer se aconchegar mais a ele, de modo que pudesse absorver melhor a sensação. Na verdade, a fez desejar agir de maneira que jamais teria pensado em agir... tal como erguer o rosto para o dele no instante em que as portas do elevador se fecharam.

Como havia se tornado tão desesperada pelos toques dele? Havia se acostumado a ver a si mesma como o tipo de mulher que desprezava coisas como abraços apaixonados em elevadores. Mas agora se sentia dolorosamente desapontada porque Edward não estava fazendo nenhum movimento na sua direção.

Entrar no elevador com Bella, em vez de usar a escada, tinha sido um grave erro, admitiu. O pequeno espaço fechado significava proximidade o bastante para que sentisse o aroma fe minino da pele e dos cabelos dela. Um aroma que o atraía de forma natural e irresistível. Tamanha proximidade o fazia querer se aproximar ainda mais... Pegá-la nos braços e deitá-la sob si para explorar e saborear cada centímetro daquele corpo delicio so, começando pelos dedos dos pés, que vira se curvarem numa resposta instintiva a ele, e se movendo lentamente até os lábios sensuais.

O elevador parou, as portas se abriram. Bella saiu no elegante corredor e esperou por ele.

— Nossa suíte é aquela — disse, indicando a porta à direita e se adiantando para abri-la.

Edward dissera que ficariam em uma suíte, e ela presumira que isso significava que teriam dois quartos, cada um com seu banhei ro, pensou enquanto permanecia parada no meio da bela saleta de estar. Sem graça, comentou:

— Há somente um quarto.

— Eu sei, mas, como falei, esta suíte era tudo que eles tinham disponível. E, afinal de contas, não é como se nós já não tivéssemos compartilhado uma cama. — Alguma coisa nas palavras "compartilhado uma cama" teve um efeito emocional para o qual não estava preparada... quase como se não estivessem apenas tendo um relacionamento, mas fossem... um casal.

— Se você não está feliz com isso, podemos tentar outro hotel — ofereceu.

Bella meneou a cabeça.

— Isso seria tolice. Talvez não haja quartos disponíveis. Geralmente, ela teria ficado excitada por se hospedar em um lugar tão chique e elegante. O prédio do hotel tinha séculos de idade, mas, de algum modo, os arquitetos haviam conseguido combinar a construção antiga com um incrível design moderno, em vez de criar um ambiente destoante.

A suíte na qual estavam compreendia uma saleta de estar, um quarto, um banheiro moderno de pedra calcária e um closet. En quanto a vista do quarto dava para a rua, a da saleta dava para um jardim de inverno do hotel, que Bella supunha ser usado como uma área para refeições ao ar livre no verão, mas que no momento estava coberto com centímetros de neve.

— Eu só gostaria de ter trazido roupas que fizessem justiça a este lugar — comentou com tristeza.

Pelo menos estava usando um bom casaco de inverno e botas de couro de qualidade equivalente. Havia se tornado fã de inves timentos cuidadosos em vestuário com seu primeiro emprego no banco, embora sua mãe sempre reclamasse que sua escolha de rou pas era sem graça e nem um pouco sexy. O sobretudo preto que usava naquele momento era de corte simples, e as botas de couro eram elegantes e bonitas, assim como a saia até o joelho e o suéter liso de cashmere. Felizmente, decidira, no último minuto daquela manhã, após pensar no que vira da cidade no dia anterior, não usar jeans.

— Realmente preciso telefonar para minha mãe e explicar o que está acontecendo — murmurou ela.

— Por que eu não ligo para Phil, em vez disso? — sugeriu Edward.

Bella o olhou. Ele provavelmente queria falar com Phil e dei xar muito clara sua impressão em relação ao comportamento de Lauren.

— Não adianta fazer alarde sobre o que aconteceu. Lauren já devia ter se acalmado quando chegou ao castelo, e não quero que mamãe se aborreça.

— Quer dizer que você acha que devemos deixá-la impune? — Edward meneou a cabeça. — Não. Quando toleramos esse tipo de comportamento nos outros, permitimos que eles continuem a agir da mesma forma. Ela precisa saber que o que fez não é aceitável.

— Entendo o que você diz, mas é óbvio que Phil adora as filhas. — E igualmente óbvio... para ela, pelo menos... que sua mãe vivia com um medo mortal de que elas pudessem, de alguma forma, persuadir o pai a não se casar. Então, independentemente do quanto concordasse com ele, sua preocupação com sua mãe a fazia querer protegê-la.

— Eu concordo com o princípio — reconheceu Bella. — Mas, uma vez que vamos todos passar a próxima semana juntos no cas telo, acho que, nesse caso, faz sentido "oferecer a outra face", como se diz.

— Submeter-se aos caprichos de Lauren não vai impedir que ela tente expulsar sua mãe da vida do pai, sabia? — Bella não foi capaz de esconder completamente o quanto o fato de ele ler seus pensamentos a pegou desprevenida. — Realmente achou que eu não adivinharia por que você quer poupar aquela megera das repercus sões de uma atitude vil? Não foi difícil imaginar o que você estava pensando. Afinal de contas, Lauren não lhe deu nenhuma razão para querer protegê-la.

— Sinto tanta pena dos filhos dela. Ela os usa como...

— Instrumento de barganhas? — completou Edward astu tamente.

— Bem, eu não colocaria isso de forma tão direta. Diria mais que ela os usa para destacar seu papel como boa mãe.

— Oh, sim, ela faz isso muito bem. Mas você pode apostar o seu salário do banco que, se ela precisar, não terá nenhum tipo de remorso por lembrar Phil que, para o bem do futuro de todos eles, sua mãe não deve ser incluída na família.

— Você não acha que Phil vai se casar com mamãe, acha?

— Ele estaria lhe fazendo um favor se não se casasse — res pondeu friamente. — No início, presumi que sua mãe queria este casamento pelo status financeiro e os privilégios que Phil lhe daria, mas é óbvio que ela não tem...

— Cuidado — interrompeu Bella. — Especialmente se você for usar palavras como inteligência, bom-senso ou astúcia.

— Você tem razão. Não seria justo associar nenhuma destas palavras à sua mãe — replicou ele, com a expressão tão séria que Bella levou alguns segundos para reconhecer que Edward a estava pro vocando deliberadamente.

— Ora, seu... — protestou ela, pegando uma das almofadas do sofá e jogando sobre ele.

Edward pegou a almofada no ar facilmente, mas, quando a colo cou de volta no sofá, disse de modo ameaçador:

— Certo — e começou a andar com propósito na direção dela.

Bella reagiu por instinto e começou a correr.

Edward, como ela sabia que aconteceria, a alcançou em segundos, virando-a em seus braços, de modo que o encarasse, enquan to ela ria e fingia protestar.

Não era isso que havia pretendido de maneira alguma, reco nheceu Edward quando sentiu as batidas fortes do coração contra o peito... e a onda de compreensão que se seguiu.

— Isso é uma loucura completa... você sabe disso, não sabe? — ele se pegou murmurando com voz rouca.

— O que é loucura?

— Nós. O que está acontecendo entre nós. Isso.

Bella sabia que ele iria beijá-la, e também sabia o quanto que ria isso. Tanto que já estava se colocando na ponta dos pés, de modo que pudesse envolver-lhe o pescoço com os braços.

Sob a boca de Edward, ela emitiu um pequeno gemido de prazer quando ele deslizou as mãos por baixo de seu casaco e lhe tirou a blusa de dentro da saia para tocar sua pele nua. As mãos másculas eram quentes, sua força, de algum modo, acentuando sua própria fragilidade feminina. Bella queria se entregar completamente aos toques e saber que ele a manteria segura naqueles braços para sempre. As mãos de Edward se moveram por suas costas, acariciando-lhe a pele, os polegares sondando a linha do sutiã, fazendo-a tremer ao reconhecer o quanto desejava sentir aquelas mãos em seus seios, estimulando seus mamilos, já rijos, com as carícias torturantes dos dedos. Na verdade, o desejo era tão grande que ela teve de se conter para não lhe pegar uma das mãos e puxá-la.

Ele, todavia, não possuía inibições, e se movia abertamente contra ela, de modo que Bella pudesse sentir sua excitação. Queria-a tanto quanto ela o queria.

Seria verdade mesmo? Ou estava apenas fingindo desejá-la porque achava que era isso que ela queria? A gentileza e intimidade que mostrava podiam não passar de um ato cínico? Ele a acusara de contratá-lo para fazer sexo. Ela negara aquilo com veemência. Mas e se ele não tivesse acreditado?

Freneticamente, Bella começou a empurrá-lo.

A reação instintiva e imediata de Edward foi mantê-la perto de si. Já estava fortemente excitado, e seu corpo e sua experiência lhe diziam que ela também o queria com desespero. Mas também podia ver a agitação e o pânico nos olhos de Bella, e soube que era àquilo que tinha de responder, não a seu próprio desejo. Contra sua vontade, liberou-a.

Fora seu velho medo de se envolver emocionalmente que a levara à decisão de interromper a intimidade crescente das carícias de Edward, admitiu. Tremeu de leve, já sentindo falta do calor do corpo dele. O problema era que não estava acostumada a esse tipo de intimidade e intensidade sexual. E isso a assustava. Ou melhor, seu desejo avassalador por ele a assustava. Havia lutado tanto contra o perigo de se apaixonar e se entregar a alguém, de se permitir se tornar emocionalmente vulnerável... Entretanto, lá estava ela, pronta para ignorar tudo a que sempre se propusera, a ignorar as barreiras protetoras que estabelecera para se resguardar... simplesmente por causa de Edward. Um homem que conhecia havia apenas poucos dias. Conhecia? Ela não o conhecia, na verdade.

— Você vai me contar qual é o problema, ou preciso adivinhar?

A determinação formidável na voz de Edward a fez se virar para olhá-lo.

— Não há nenhum... — começou ela.

Mas ele interrompeu o seu discurso de embromação, meneando a cabeça e declarando com firmeza:

— É claro que há um problema. Você não é Lauren, Bella. Não é do tipo que faz jogos. Você me quer.

— Sim — concordou ela, o mais levemente que foi capaz. — Porém, uma vez que já estou em débito com você pelo custo desta suíte, não achei que fosse uma boa idéia colocar mais pressão em minha conta bancária deixando-o pensar... Edward! — protestou ela, trêmula.

Ele se aproximado tão rapidamente que ela mal o vira se mover, quanto mais ter tempo para se esquivar. Ele segurava seus braços cora uma força quase dolorosa, olhando-a como se quisesse abalá-la fisicamente, e com uma paixão tão ardente no olhar...

— Se estiver realmente sugerindo que eu acho que você é...

Bella jamais vira tanta raiva nos olhos de um homem... entretanto, estranhamente, em vez se assustar com isso, sentiu-se mais forte.

— Foi você quem me acusou de querer contratar um homem para fazer sexo — ela o relembrou com firmeza.

— Você está dando desculpas — disse Edward, dando pouca importância. — Considero-me um bom juiz de caráter, e passei tempo o bastante ao seu lado para saber que minha primeira suposição estava incorreta. Você não me empurrou porque achava que eu iria exigir pagamento de sua parte, Bella. Nós dois sabemos disso. — Abruptamente, os olhos dele se estreitaram, enquanto continuava com suavidade: — Ou talvez você estivesse com medo de que o pagamento que eu exigisse pudesse ser algo além de dinheiro...

O que estava fazendo?, se questionou. Por que não havia deixado que Bella simplesmente se afastasse? Porque a queria com tanta intensidade que não era capaz? E o que exatamente isso significava?

Primeiro, havia sido forçado a lidar com algo perigosamente perto de uma admissão de sentimento de culpa... e agora isso. Esse desejo de impedir que tanto Bella quanto o relacionamento deles sofressem com a verdade sobre a razão pela qual ele estava lá.

Edward chegara muito perto da verdade. Bella se movimentou desconfortável-mente em seus braços, dividida entre abrir seu coração e se entregar, contando-lhe como se sentia, e seu hábito profundamente enraizado de proteger seus sentimentos dos outros.

— A situação em que nos encontramos está nos levando a ficar íntimos com muito mais rapidez do que estou acostumada. Acho que sou realmente um tanto cautelosa em relação a isso... e em relação a você — murmurou Bella, mascarando seus sentimentos reais com meias-verdades, e esperando que ele a desafiasse de novo.

Por que ele estava fazendo aquilo?, Edward se perguntou irritado. Seu comportamento era totalmente estranho e irracional. Havia concordado em substituir Joe naquele trabalho apenas porque se fingir de noivo de Bella lhe daria a chance de se aproximar de Phil Cullen, mas estava se comportando como se Bella fosse a pessoa de quem mais quisesse se aproximar. Aquele tipo de comportamento não lhe era típico.

Não que fosse contra relacionamentos sérios. Simplesmente ainda não vira nenhum motivo lógico pelo qual devesse se envolver em um. Sempre soubera que, quando a hora certa chegasse e acreditasse amar verdadeiramente uma mulher, iria querer um compromisso que levasse ao casamento. No entanto, também decidira não acreditar que esse tipo de amor existia. Até agora, vinha sendo muito feliz usando relacionamentos puramente sexuais de boa qualidade para substituir as confusões emocionais que outras pessoas chamavam de "amor", e nunca tivera nenhuma razão para empurrar esse tipo de relacionamento para suas parceiras. Na verdade, sempre havia mantido certa distância, permitindo que as mulheres o convidassem a persegui-las.

Então, o que estava lhe acontecendo agora, uma vez que Bella certamente não o estava convidando a isso? Entretanto, tudo em que Edward podia pensar era não somente levá-la para cama e mantê-la lá, mas... Mas o quê? Colocá-la em sua vida e mantê-la lá?

Relembrou-se mais uma vez de que sua primeira tarefa era escrever o artigo. Era inteligente o suficiente para reconhecer que sua determinação a revelar o escândalo dos danos ao meio ambiente causados pela companhia de petróleo de Eliezer Denali tinha suas raízes na infância, em seu desejo de ajudar uma causa que sua mãe defendera e apoiara... e que lhe tirara a vida.

Milhões de crianças sofriam traumas de infância muito piores. Edward havia sido querido. Amado. Por ambos os pais. Pais que tinham sido comprometidos um com o outro e com ele. E seu pai fizera de tudo para assegurar que a tragédia da morte da esposa fortalecesse seu próprio relacionamento com Silas, em vez de enfraquecê-lo. Quando seu pai se casara novamente, quase dez anos após a morte da mãe de Edward, a apresentação de sua madrasta havia sido feita de forma sábia e cuidadosa. Edward admirava e gostava de sua madrasta, e sinceramente amava seu meio-irmão. Não tinha motivos para se sentir um sofredor.

No entanto, a morte de sua mãe doera muito. O que Bella não devia sentir, vendo a mãe entrar em um relacionamento destrutivo atrás do outro? Bella! Como ela se infiltrara em seus pensamentos? O que estava acontecendo com ele?

— Só há um motivo pelo qual eu levaria uma mulher para cama — murmurou ele, enquanto afastava seus pensamentos e sentimentos interiores. — E este é o meu desejo por ela, e o dela por mim.

Se ela era corajosa o bastante para se aproximar agora, e sugerir abertamente que levá-la para a cama era exatamente o que ele deveria fazer... Mas não era. E tinha medo de confiar em seus anseios interiores, que estavam tentando tirá-la do terreno no qual se sentia confortável em um relacionamento. Estava tão acostumada a proteger suas emoções que sua capacidade de olhar para si mesma não parecia mais funcionar direito.

Mas não podia simplesmente fugir de uma situação que ajudara a criar e fingir que não estava acontecendo. Seria desonesto, e, se havia algo de que se orgulhava em si mesma, e que procurava em outras pessoas, era a mais completa honestidade. Respirou fundo e disse a Edward:

— Eu sei que lhe dei a impressão de que... que poderia haver sexo entre nós, se fosse o que nós dois quiséssemos. Mas...

— Mas?

— O que aconteceu ontem à noite não foi... não é... Eu simplesmente não faço sexo casual — declarou ela com sinceridade.

— Ontem à noite... eu me deixei levar pelo calor do momento, mas agora que ambos tivemos tempo para refletir...

— Você mudou de idéia? — Edward terminou por ela.

— Eu não mudei de idéia quanto a achar você sexualmente atraente — Bella se sentiu obrigada a admitir. — Mas mudei de idéia sobre quão sensato seria ir em frente com isso.

Ela o queria tanto... Mas, ao mesmo tempo, temia estar dando um passo que a levaria de um presente emocionalmente seguro para um futuro incerto. Talvez isso pudesse ser antiquado, mas para ela, entregar seu corpo não podia acontecer sem que desse algo de si mesma emocionalmente. Homens modernos nem sempre queriam isso. Bella não pretendia dar a Edward um fardo indesejado, e não queria dar a si mesma o fardo de um compromisso emocional com um homem que não fosse capaz de retribuir. Podia ser ilógico, mas sentia que, ao se resguardar sexualmente, estava protegendo o seu coração.

Bella estava lhe dando a oportunidade perfeita de abandonar aquela tentação indesejada, e ele seria um tolo de não aceitar. Então... por que hesitava? Não gostava de se sentir culpado. Assim como não gostava dos sentimentos que o dominavam agora. Disse a si mesmo que ainda não era tarde demais para recuar e se convencer de que não estava realmente sentindo o que pensava sentir.

— Você está certa — disse ele de maneira breve. — Afinal de contas, não se deve misturar negócios com prazer.

Aquelas palavras foram como um golpe físico, mas Bella disse a si mesma que fora algo que ela mesma provocara... e que o que não matava uma pessoa a deixava mais forte. E queria ser forte para lutar contra o misto de emoções e desejos perigosos e inebriantes que Edward lhe despertava.

— Vou ligar para Phil e explicar o que houve. Depois podemos sair para comer e explorar o resto da cidade.

Por que Bella o estava olhando daquela maneira? Fazendo-o querer se aproximar, abraçá-la e lhe dizer... Dizer o quê? Que havia mentido para ela?

A culpa pesava tanto na consciência de Edward que quase o fazia se curvar.

Bella assentiu com um gesto de cabeça. Estava disposta a concordar com qualquer coisa que a mantivesse a salvo da intimidade física com ele, e do efeito que isso lhe causava.

Edward tentou se convencer de que era a sua frustração por não ser capaz de continuar sua investigação que o estava deixando de mau humor. E não Bella, ou como se sentia em relação a ela...

Oi flores... sorry não ter comentado no ultimo capitulo... meu PC deu um prolbeminha no Word e estou tendo que usar o notbook do meu pai... então se não der pra comentar não fiquem bravas comigo...

Paula coimbra... oi flor que bom que esta gostando... tbm queria estar no lugar da Bella... aiai...

C Lopes... que bom que esta gostando... tbm fiquei com dó das criancinhas...

Karooly... a Lauren é realmente uma FDP... e vc vai ver que é a oportunindade que o Ed estava esperando...

Breese... concordo com vc Lauren é uma víbora...calma ta ai mais um capitulo... não tenha nenhum ataque por favor...

Ana c... ela levou o carro mais deixou os dois sozinhos ... ta ai mais um capitulo espero que goste...

Bom flores é isso... se der dêem uma passadinha na minha outra fic... santuário da morte... é um pouco mais sombria que essa mais é muito boa tbm...

Bjuxx^^ e não esqueçam de comentar viu...