Oi flores... reta final... esse é o penultimo capitulo... vou postar o ultimo sexta feira que vem... obrigadas pelas reviews... amei todas... bjuxx^^
— É véspera de natal e já ganhei o melhor presente que eu poderia ter — disse Bella emocionada para Edward.
Eles estavam no quarto se aprontando para jantar, tendo passado a tarde no jardim coberto de neve, brincando com as crianças. Ou melhor, Bella havia brincado com elas enquanto ele observava.
— É gentileza sua ser paciente com Phil, Edward. Ele realmente se alegra quando você chega e o deixa contar suas histórias. Mas creio que exagere em algumas delas. — Bella estremeceu de leve.
— Parece errado que homens como Phil tenham tanto poder e abusem disso desta forma.
— As coisas estão diferentes no momento — concordou Edward. — Mas quanto ao fato de Phil exagerar sobre o que acontecia no passado... — Ele fez uma pausa, ciente do que sabia... e Bella não. — Suspeito que Phil esteja, no mínimo, ocultando parte do que aconteceu. É claro que a maioria dos que cometeram os piores crimes não está mais por aqui. Contudo, isso não significa que o mundo não precise saber sobre elas.
— Tenho tanta sorte de ter conhecido você — disse Bella, espontaneamente.
Enquanto a olhava, Edward sentia seu coração apertar lenta e dolorosamente no peito, o amor que sentia por ela a preenchê-lo. Pegando-lhe a mão, entrelaçou os dedos de ambos. Ainda achava difícil acreditar na velocidade com que sua vida tinha mudado tão dramaticamente. E tudo por causa de uma pessoa.
— Você é um santo por agüentar tudo que tem agüentado.
— Um santo! Esta é a última coisa que eu sou. Na verdade... — Ele precisava lhe contar a verdade, decidiu Edward, embora soubesse que, fazendo isso, a estaria sujeitando a um "conflito de interesses". A mentira entre os dois o incomodava cada vez mais. Além disso, queria compartilhar seu trabalho com ela, agora que reconhecia que Bella era a parte mais vital e importante de sua vida. Não que envolvê-la no que estava pensando e planejando o fizesse se sentir privado da capacidade de trabalhar do jeito que queria. Na verdade, ansiava pelas opiniões e pelo apoio de Bella. Queria que ela soubesse, entendesse e aceitasse o que ele estava fazendo e por quê. Queria, admitiu, não apenas lhe entregar seu coração, mas também sua alma, de modo que ela pudesse conhecer toda sua força... e vulnerabilidade.
— Bella, há algo que preciso lhe... — começou ele, e teve de parar quando houve uma batida à porta do quarto e a voz de Renée chamou, ansiosa:
— Vocês não estão prontos ainda?
— Quase — respondeu Bella, pedindo desculpas a Edward em um olhar enquanto saía de seus braços e ia, relutantemente, abrir a porta.
— Oh, vocês precisam se apressar, então... porque Lauren acabou de entrar no nosso quarto dizendo que quer todos lá embaixo porque tem uma coisa importante a declarar. Você acha possível que ela esteja esperando outro bebê, Bella? Isso não seria adorável? Oh, vocês dois estão ótimos. Vamos descer juntos. Phil já está lá embaixo...
— Você falou que nós jantaríamos às 7h — Bella relembrou.
— Não são nem 6h ainda. — Ela estivera ansiosa para passar um tempo a sós com Edward, antes que se reunissem aos outros, mas era óbvio que sua mãe não sairia sem eles.
Ele contaria a Bella mais tarde, quando subissem para o quarto, prometeu Edward a si mesmo. De preferência na cama, enquanto a estivesse segurando em seus braços.
O anseio familiar de seu corpo pelo dela começou a percorrê-lo.
Enquanto eles desciam a escada, Bella podia ouvir o cânticos de Natal familiares preenchendo o hall de entrada.
— Lembrei-me de trazer um CD de cânticos de Natal comigo — Renée falou orgulhosamente para a filha. —Você costumava adorá-los quando era pequena.
As crianças estavam todas em um dos salões menores, assistindo televisão e tentando adivinhar o que Papai Noel lhes traria.
— Aí está você, Edward — soou a voz profunda de Phil. — Já tomamos alguns drinques e você ainda nem começou!
Bella meneou a cabeça quando Tyler se ofereceu para lhe preparar um drinque. Sabia, por experiência prévia, o quão forte seria.
— Então, qual é a novidade que Lauren tem para nós, Tyler? — perguntou Renée, excitada. — E onde ela está?
— Ela está lá em cima, dando um telefonema.
— Se conheço Lauren, ela provavelmente está falando com Hal para se certificar de que ele cuide de um acordo pré-nupcial para nós — brincou Phil.
Bella olhou com ansiedade para sua mãe, imaginando como ela aceitaria aquele comentário pouco romântico do futuro marido.
— Lamento ter feito todos vocês esperarem, mas eu queria garantir que sabia de todos os fatos antes de descer. — Lauren parou de modo dramático à porta da sala, e então se aproximou vagarosamente de Bella.
— O anel de noivado que você está usando pode ser muito bonito, Bella. Pena que nem o anel nem o seu noivado sejam verdadeiros. Na realidade, não existe nada de muito verdadeiro entre vocês... não é, Edward? Sabem, Edward não é noivo de Bella. De forma alguma. Não é, Edward?
Totalmente pálida, Bella pegou a mão de Edward e absorveu o calor confortante de seu aperto. Aquilo era terrível... pavoroso. E ela mal podia ousar olhar para sua mãe. Não havia dúvida de que aquilo era a vingança de Lauren pela rejeição de Edward. Mas Bella ainda não tinha idéia de como ela descobrira sobre eles.
— Bella pensa que Edward é um ator desempregado, que contratou para vir aqui e fingir ser seu noivo, de modo que nós pesássemos que ela era uma moça correta, prestes a se casar. Pobre Bella — zombou Lauren, dando-lhe um sorriso malicioso. — Realmente sinto pena de você. Olhe que coisa doce, de mão dada com ele. Mas lamento que o pior esteja por vir. Certo, Edward? Sabem, pessoal, Edward enganou a todos nós sobre seu propósito de estar aqui.
— Você não entende — protestou Bella com ferocidade. — Sim, admito que originalmente contratei Edward para me acompanhar aqui. Mas desde que chegamos... — Ela deu a Edward um olhar ansioso e suplicante, que fez o coração dele se contorcer de dor.
— Desde que vocês chegaram, o quê! — continuou Lauren de modo triunfante. — Ele a levou para cama e disse que a quer? Pobre Bella. Sinto muito, mas é você quem não entende. Porque se este é o caso, ele tem mentido para você da mesma forma que tem mentido para nós, e a fez de tola. Ele quer apenas uma coisa... tem apenas um motivo para estar aqui... e não tem nada a ver com desejá-la, certo, Edward? Ou devo chamá-lo de Anthony? Vejam, pessoal, este é Anthony Edward Corbet.
Bella, que estava lutando para assimilar as palavras de Lauren, viu a expressão de Phil e Tyler mudando, e alguma coisa fria como a morte começou a correr pelas suas veias.
— Sim — confirmou Lauren. — O jornalista que vem tentando entrevistar papai há meses. E isso mesmo, não é, Edward? Ele deve ter pensado que era seu dia de sorte quando você lhe deu a oportunidade de usá-la, Bella. E claro que a levou para a cama. Ele é famoso por sempre conseguir sua história... não é, Edward?
— Não, isso não é verdade. Não pode ser! Deve haver algum engano — protestou Bella, o rosto pálido. — Por favor, diga que isso não é verdade — suplicou, virando-se para Edward.
— Sim, houve um grande engano. — Lauren riu com ironia. — E foi você quem o cometeu, Bella. É claro que percebi seu truque rapidamente, Edward — disse ela —, motivo pelo qual pedi que os advogados de papai o investigassem.
— Edward? — implorou Bella. — Por que você não está negando o que Lauren falou?
— Bella, eu posso explicar tudo — disse ele, firme.
Ela o estudou. Onde estava a negação que esperara ouvir? Não podia suportar o que estava vendo nos olhos de Edward. Queria correr e se esconder do sofrimento que aquilo lhe causava. Podia sentir seu corpo começar a tremer violentamente por dentro. Sentiu uma onda de náusea, e uma dor como jamais sentira antes a despedaçou.
— Como você pôde? Como pôde?— Ela ainda segurava a mão de Edward, mas a soltou, não se importando com o que os outros iriam pensar, e correu em direção à escadaria.
Precisava escapar da zombaria e do desprezo de todos. Tinha de fugir de sua própria dor e humilhação. Porém, acima de tudo, precisava fugir de Edward. Queria se trancar em algum lugar escuro e solitário, enquanto tentasse entender o que acabara de descobrir. Teria defendido Edward contra todas as coisas que Lauren falara, assim como lhe teria oferecido sua confiança e sua crença inquestionável se ele tivesse negado as palavras de Lauren. Mas em vez disso, ele lhe mostrara, com sua alegação e com a expressão de seus olhos, que era culpado de todas aquelas acusações.
Bella mal conseguia pensar em meio da dor dilacerante que a assolava. Como havia sido tola... acreditando nas mentiras dele e se apaixonando. E não era de se admirar que ele viesse sendo tão gentil com Phil. Um sorriso amargo curvou-lhe os lábios. Que ironia ter sido estúpida o bastante para elogiá-lo por sua gentileza. A dor aumentou de intensidade, parecendo rasgar seu peito ao meio.
Edward a alcançou do lado de fora da porta do quarto deles, recusando-se a liberá-la quando ela tentou desvencilhar o pulso de sua mão, levando-a para dentro do quarto e fechando a porta, confinando-os no que era, para Bella, a uma intimidade traiçoeira.
— Solte-me! — exigiu ela.
— Ainda não. Não até que você me ouça. Sei que está chateada, e entendo como se sente...
— Como ousa me dizer isso? Você não sabe de nada! Se soubesse, jamais... Você me usou, mentiu para mim. Fingiu gostar de mim, quando o tempo todo...
— Bella, não!
— Então não é verdade? Você não é Anthony Corbet?
A boca de Edward se comprimiu. Por que não seguira seu próprio instinto, seu coração, e lhe contado a verdade antes?
— Escrevo como Anthony Corbet, sim.
— E também faz bicos como um ator desempregado, recebendo cachê para trabalhar como acompanhante?
A amargura na voz de Bella o fez querer abraçá-la o mais forte que pudesse, até que tivesse absorvido toda a dor para si mesmo.
— Não — respondeu ele baixinho. — Meu meio-irmão, Joe, deveria ter vindo para cá com você. Ele me pediu para substituí-lo porque sofreu um acidente. No começo, eu recusei, mas então, quando ele mencionou Phil...
— Você mudou de idéia.
Mentir não era da natureza de Edward, especialmente para alguém que lhe era tão importante quanto Bella.
— Sim.
— E quando você me acusou de tê-lo contratado para fazer sexo, estava apenas explorando o terreno, certo? Vendo quão longe teria de ir para conseguir o que queria?
— Isso não teve nada a ver com me aproximar de Phil. Eu estava preocupado com Joe. Ele é jovem e impressionável, e não foi capaz de me convencer de que o trabalho que fazia era tão honesto quanto alegava.
Edward respirou profundamente. O que teria de lhe dizer a seguir era a coisa mais difícil que já fizera. Sabia que sua honestidade iria magoá-la, mas a verdade precisava ser dita, de modo que pudessem continuar daquele dia em diante.
— Na primeira noite aqui, quando você ameaçou terminar o nosso "noivado", eu realmente pensei em estabelecer um relacionamento com você, a fim de garantir a minha permanência no castelo.
— Você me usou — Bella o acusou, a voz neutra e desprovida da emoção que temia tanto que a dominasse. — Mentiu deliberadamente, fingiu estar apaixonado por mim, quando eu nunca signifiquei nada para você.
— Não, isso não é verdade.
— Tem razão — concordou ela. — O fato de eu ter me apaixonado foi importante para você. Afinal de contas, isso lhe facilitou muito as coisas, não é?
— Não foi isso que eu quis dizer, e você sabe disso. Não pode realmente acreditar que eu mentiria sobre amá-la.
— Por que não? Mentiu sobre todo o resto, não mentiu? Se realmente gostasse de mim, Edward, você teria me contado a verdade.
— Eu pretendia lhe contar. Bella riu com amargura.
— Quando? Depois que conseguisse a sua história?
— Eu deveria ter lhe contado. Admito isso. Mas senti... Eu não queria estragar o que estava acontecendo entre nós.
Ela mal podia suportar ouvi-lo. A calma na voz dele fez os olhos de Bella queimarem com lágrimas. Edward parecia tão sincero, mas estava claro que não o era.
— A propósito, eu ia lhe contar mais cedo... um momento antes de sua mãe nos interromper.
Bella franziu o cenho, seu coração parecendo parar por um instante enquanto se agarrava à esperança frágil daquelas palavras. Lembrava-se que ele estava prestes a lhe dizer alguma coisa. Queria muito ser capaz de acreditar em Edward, mas não se permitiria tamanha fraqueza. Não uma segunda vez. Ele a estava usando, manipulando suas emoções vulneráveis, exatamente como havia feito o tempo todo.
— Se você realmente me amasse, teria sido honesto comigo desde o começo.
— A vida não é assim, Bella. Eu não sabia que ia me apaixonar por você. Nem mesmo percebi como isso aconteceu. Quando me dei conta, era tarde demais. Você já havia me aceitado pelo que acreditava que eu fosse. E, certo ou errado, senti que nosso amor era ainda muito novo e muito frágil para suportar o peso das revelações que teria de fazer. Mas isso não significa que eu não planejava lhe contar tudo. Eu planejava. Amo você, Bella, e você me ama. E este amor... nosso amor... merece uma chance.
Bella lhe deu um olhar cínico.
— Você acha mesmo que pode continuar mentindo para mim, não acha? Posso ter sido estúpida o bastante para cair nas suas mentiras uma vez, Edward, mas não sou estúpida a ponto de cair nelas novamente agora. Você não me ama. E quanto ao meu amor... o homem que pensei amar não existe, existe? Você ainda está com o carro alugado. Acho que a melhor coisa que pode fazer agora é arrumar sua mala e partir. Não há mais nada aqui para você.
Edward sentiu o choque da rejeição dilacerá-lo, quebrando a corrente com a qual havia prendido suas emoções.
— Nada? Então, o que é isto exatamente? — perguntou.
Ele estava lhe segurando o pulso, portanto foi capaz de desequilibrá-lo o bastante para puxá-la contra si e cobrir o protesto furioso com o calor de sua boca.
Ela queria resistir. Lutou para resistir. Mas alguma coisa mais forte do que orgulho ou a dor parecia controlar suas reações. Então, em vez de comprimir a boca numa linha fina, seus lábios estavam se abrindo sob os de Edward, para retribuir o calor da paixão angustiada dele. De alguma forma, aquele era o único meio que tinha de lhe mostrar o dano que ele havia causado... violando a memória do que Edward lhe dissera ser amor, mas que agora ela sabia ser mentira.
Aquilo era tudo que eles tinham compartilhado. Não amor, não carinho, e certamente não o tipo de elo quase espiritual que Bella tão tolamente acreditará ter se estabelecido entre os dois. Era apenas aquele desejo físico primitivo, envenenado com amargura e desonestidade. Que o desejo a consumisse então. Que consumisse a ambos e os destruísse no processo, resolveu furiosamente.
De algum modo, ele acabaria com a raiva e a resistência de Bella. De algum modo, descobriria o jeito certo de lhe mostrar que o amor deles era forte o bastante para sobreviver aos danos causados por sua mentira. Edward tinha de encontrar um meio. Porque não podia suportar a idéia de perdê-la, admitiu, enquanto tentava amenizar a força de seu desejo e devolver a ternura à intimidade deles.
Queria tomá-la e lhe mostrar tudo que sentia... seu remorso e arrependimento, sua dor e desespero, seu sofrimento por tê-la machucado, e suas razões para ter feito isso. Queria segurá-la nos braços, corpo a corpo, pele com pele, e lhe beijar as lágrimas. Queria implorar por seu perdão e curar as feridas que lhe infligira com o remédio de seu amor verdadeiro. Queria apagar tudo que dera errado, e oferecer a ambos um recomeço. Porém, acima de tudo, queria que Bella soubesse que seu amor por ela era para sempre.
E esse não era o modo de lhe mostrar isso, Edward avisou a si mesmo enquanto lutava para não sucumbir a seu próprio desejo. Se a possuísse agora, daquele jeito, quando ela estava agindo por raiva e amargura, magoaria a ambos. Sabia disso. Entretanto, ao mesmo tempo, ansiava por aproveitar a chance de talvez remediar as coisas entre os dois, mostrando-lhe fisicamente tudo que ela significava para ele.
O fogo da raiva de Bella estava se apagando, deixando apenas um vazio preenchido pela dor. Ela tremeu nos braços de Edward.
— Bella...
— Vá embora, Edward. Por favor, apenas vá embora.
