Capítulo 03 – De uma fuga a um acordo
Acordara cedo naquela manhã, estava com uma disposição incrível e tinha a sensação de que hoje seria seu dia de sorte. Já tinha o esquema todo bolado em sua cabeça, sabia perfeitamente bem o que fazer. E esperava que os lucros fossem grandes.
InuYasha estava dormindo e Miroku ainda não havia aparecido, o que significava que também estava dormindo. Era sempre assim, o moreno assim que acordava ia para casa dos irmãos para conversarem, apesar das constantes brigas, os três eram ótimos amigos.
Cansada de esperar os rapazes acordarem, a jovem entrou no quarto de InuYasha. Ele estava todo embolado na colcha e resmungava algumas coisas incompreensíveis. Sango se aproximou com cuidado e o observou por um tempo, ele dormia tão tranquilamente que ela ficou até com pena de acordá-lo, mas tinha assuntos importantes a tratar.
-Hm, InuYasha, acorda... – ela pediu cutucando-o – acorda! – e nada – acorda! – falou mais alto, e o rapaz apenas virou para o outro lado. Ela começou a chacoalha-lo – acorda!! – disse nervosa.
-Droga, Sango, – ele resmungou – o que você quer?
-Levanta logo, InuYasha, chega de preguiça. Hoje a gente não tem dinheiro nem pro pão! – ela reclamou.
-E o que você quer que eu faça? – ele perguntou sonolento – se não consegui emprego até hoje o que te faz que pensar que vou conseguir um agora?
-Ninguém falou em emprego, InuYasha. – ela falou puxando a coberta – vamos, levanta.
A jovem saiu do quarto e foi esperar na sala, para que ele pudesse trocar de roupa. Alguns minutos depois InuYasha entrou na sala mal-humorado.
-Sango, ficou doida? Pra que me acordar tão cedo?
-Nós temos que nos preparar, se não passaremos fome hoje.
-Como assim "nos preparar"? Preparar pra quê?
-Já te digo – ela comentou procurando algumas roupas adequadas no armário – vai chamar o Miroku.
-Ele ainda deve ta dormindo se não apareceu por aqui...
-Não importa. Acorde-o! – ela separou um vestido mais arrumado e voltou para o quarto do irmão, InuYasha a seguiu.
-O que está fazendo?
-Pare de fazer perguntas e vá chamar o Miroku! – ela ficou olhando o armário do irmão procurando por alguma coisa – vai logo! Estamos perdendo tempo!
InuYasha bufou e foi atrás do rapaz. Pouco tempo depois ele voltou arrastando Miroku.
-Pronto, ta aí! – InuYasha falou – mas não garanto que esteja acordado, não... – ele comentou observando o amigo que sentou na mesa e se debruçou sobre ela para poder dormir mais.
-Miroku, acorda! – Sango chamou – levanta daí e presta bastante atenção! Os dois.
Miroku gemeu e resmungou, mas se levantou.
-O que eu não faço por você, Sangozinha, meu amor?
-Fala logo por que acordou a gente, Sango. – InuYasha pediu.
-Porque eu tive uma ótima idéia de como a gente pode ganhar dinheiro fácil, fácil... – ela disse com um sorriso maligno.
-Você não pretende vender minhas roupas, não é? – InuYasha perguntou apreensivo.
-Não, não, não é nada disso – a jovem riu - Nós vamos assaltar a feira! – ela disse com um grande sorriso. Miroku e InuYasha olharam um para o outro confusos.
-Sango, eu não acredito que foi pra isso que você me acordou! – seu irmão reclamou – não tem como a gente roubar a feira sem sermos pego.
-Sango, eu sinto muito, mas dessa vez eu tenho que concordar com o InuYasha...
-Vocês estão enganados. Porque eu sei de um jeito! – ela disse convencida.
-Ah é? E como você faria isso? – InuYasha desafiou a jovem.
A jovem riu, certa de que ganharia a aposta. Sentou a mesa e explicou seu plano infalível. Os dois a acompanharam, sentando-se também e escutaram quietos. Quem sabe daria certo?
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Estava agitada, a idéia não lhe saia da cabeça. Cada vez parecia mais tentadora. Mas logo depois a razão vinha e a fazia pensar duas vezes. Talvez devesse tentar, se achasse que não daria certo era só voltar para casa. "Ora, isso não irá prejudicar ninguém, no máximo meus pais vão ficar um pouco preocupados." Ela pensou indo para o armário mais uma vez.
Separou algumas roupas mais simples e fez uma pequena trouxa. Satisfeita com o tamanho, que não era muito grande, pegou um vestido mais antigo que não fosse muito chique e vestiu. Depois, foi atrás de uma pequena quantia em dinheiro que tinha guardado na penteadeira.
-Onde está? – ela se perguntava enquanto procurava o dinheiro – tem de estar aqui... Ah, achei! – disse sorridente, não era muito mais daria pro gasto.
Parou na porta pensando se havia esquecido de algo. "Meu Deus, eu devo estar louca" pensou rindo "Pouco me importa, se terei de casar com um homem que não amo e ser infeliz para o resto da vida, nada mais justo que eu me divertir um pouco agora" e com isso saiu do quarto silenciosamente.
-Papai, mamãe e Kikyou ainda devem estar dormindo, então é só tomar cuidado com os empregados...
Atravessou a casa e saiu pelas portas do fundo, sempre se escondendo atrás de móveis quando encontrava algum criado.
"Como vou fazer para chegar à cidade?" a jovem pensou aflita olhando ao redor, "não importa, vou a pé".
Caminhou em passos apressados através do jardim até chegar aos altos portões. Saiu rapidamente antes que fosse pega. O caminho que se seguia era longo, cercado por árvores e tinha pedras por toda a estrada. Foi caminhando aproveitando ao máximo, desfrutando de uma sensação de liberdade que nunca tinha sentido antes. Tinha vontade de gritar de felicidade.
O tempo foi passando e o sol esquentando, seu ânimo acabando e parecia que não chegava à cidade nunca. Começou a ficar nervosa, e se lembrou dos assaltantes da estrada. "O que eu faria se encontrasse esses assaltantes?" ela se perguntou temerosa "o que uma dama pode fazer contra homens malvados?"
Começou a andar mais depressa e olhando ao redor constantemente. Foi quando começou a ouvir o som do trotar de um cavalo. Olhou para trás e viu um senhor em uma carroça cheia de melancias.
-Oi! Boa dia, senhor! – ela chamou a atenção do velho – está indo para a cidade?
-Sim, senhorita. – o senhor sorriu gentil – deseja uma carona?
-Por favor! Você é a minha salvação, já devo estar andando há horas... - comentou.
-Deixe-me ajuda-la a subir.
-Obrigada. – disse quando se sentou ao seu lado.
-O que a senhorita faz sozinha por essa estrada? Não ouviu falar sobre os assaltantes?
-Ouvi sim, mas precisava muito ir à cidade...
-Entendo. – o senhor comentou.
O galope da carroça não era muito rápido, mas com certeza era melhor do que ir a pé. O resto do percurso foi muito tranqüilo, passaram o caminho conversando e não foram atacados por nenhum ladrão.
Quando, finalmente, chegaram à cidade, Kagome se despediu do gentil senhor e desceu da carroça. Já devia estar na hora do almoço, portanto a jovem decidiu ir a feira comer alguma coisa.
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-Querido, você viu a Kagome? – a senhora Higurashi perguntou.
-Não, ainda deve estar dormindo, sabe como essa menina é preguiçosa... – senhor Higurashi respondeu, lendo o jornal distraído.
-Não, não está, fui ao quarto dela e não a encontrei.
-Será que está no jardim?
-Querido, se estou te perguntando é porque não está aqui em casa. Nenhum dos criados a viu, não sei onde ela foi parar.
-Como assim? Ninguém a viu?
-Simples, ela desapareceu.
-Ora, mulher, ninguém desaparece assim! Vou chamar todos os criados e ver se encontramos alguma coisa. Vá perguntar a Kikyou se ela a viu...
-Ta certo.
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-Me explica de novo por que a gente tem que se vestir assim? – Miroku perguntou angustiado olhando para as roupas elegantes que trajava.
-Por que se estivermos vestidos como pobres, ninguém nos dará atenção... – Sango respondeu. Os três estavam parados ao lado da pequena fonte, perto da feira – InuYasha, você entendeu o que tem que fazer, certo?
-Entendi.
-E você, Miroku?
-Acho que sim...
-Não é acho, você tem quer ter certeza! – Sango reclamou – Tudo tem que sair perfeito. O moreno gemeu.
-O que a gente não faz por dinheiro? – ele resmungou.
-Vamos logo! – a jovem chamou. E assim eles seguiram em direção do seu mais novo alvo.
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Kagome comeu um pastel e decidiu passear pela feira. O lugar estava muito cheio e um pouco quente, mas não era nada insuportável. Observava uma barraquinha aqui outra ali e ninguém parecia a reconhecer, o que a deixou satisfeita. Tendo em mente que a cidade era pequena e a família Higurashi era uma das mais ricas pelas redondezas.
Foi quando um rapaz de roupas elegantes, acompanhado de uma senhorita com um belo vestido, desmaiou no meio da feira.
-Meu amor, o que houve? Fale comigo! POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDE! – a senhorita exclamou aterrorizada, chamando a atenção de várias pessoas. O pessoal correu para socorrer o rapaz e logo uma grande multidão formava-se ao redor do casal. Kagome ouviu alguém perguntar:
-O que houve? Você sabe por que ele desmaiou?
-Não, ele parecia tão bem! É tão jovem! O senhor acha que pode ser algo sério? – ela perguntou às lágrimas.
Kagome olhou ao redor, até os vendedores tinham abandonado suas barracas para acudir o jovem. Procurou por água, afinal ele podia ter ficado desidratado. Mas o que encontrou foi um rapaz de longos cabelos prateados passando despercebido pela multidão. Ele olhou ao redor e foi recolhendo os saquinhos de moedas de cada uma das barraquinhas.
Kagome ficou surpresa enquanto observava-o.
-Não posso garantir nada, senhora... É melhor levarmo-lo para o hospital... – um senhor sugeriu.
-Oh não! – ela exclamou e começou a chorar compulsivamente.
O rapaz de cabelos prateados pegou os últimos saquinhos de dinheiro e saiu o mais rápido possível do meio da multidão. Kagome ficou curiosa e decidiu segui-lo para ver onde ele estava indo. Mas não chegou a dar muitos passos quando ouviu um assobio.
O rapaz que havia desmaiado no meio da feira acordou e levantou-se perfeitamente bem.
-OH, você está bem, meu amor! Fiquei tão preocupada, que bom que está bem! É melhor irmos para casa. – ouviu a jovem dizer. Nisso os dois saíram em passos apressados da feira na mesma direção que o rapaz havia tomado.
"Eu não acredito..." Kagome pensou atônita "Céus, que cara de pau!"
E apressou-se em segui-los. Podia tirar proveito da situação, e sabia que se daria muito bem.
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-UAU! Isso foi simplesmente perfeito! – Sango exclamou satisfeita quando alcançaram InuYasha.
-Sango, você é uma ótima atriz – Miroku comentou impressionado com o talento da jovem. – Aposto que ninguém desconfiou...
-Obrigada, Miroku – ela sorriu – InuYasha, quanto conseguimos?
-Muito! – o rapaz comentou com um sorriso mostrando os vários saquinhos de moedas que havia roubado – acho que não precisamos nos preocupar com dinheiro por uma semana! Quem sabe mais...
-Vai! Conta logo esse dinheiro pra gente dividir em três... – a jovem comentou satisfeita.
-Ta, espera aí... – o rapaz disse.
-Ora, ora, ora, mas que bela cena vocês fizeram...
Os três se viraram subitamente, para ver quem os tinha descoberto. Era uma bela jovem com um simples vestido verde-musgo, os longos cabelos negros soltos. Ela observava-os com curiosidade.
-Você vai nos denunciar? – Sango perguntou temerosa observando a jovem se aproximar.
-Talvez... – ela comentou – talvez não...
-O que quer? – InuYasha perguntou com raiva. "Essa garota não me é estranha. Tenho a impressão de que já a vi em algum lugar, só não me lembro onde..." ele pensou observando-a procurando por alguma característica familiar.
-Quero propor um acordo... – ela disse indo direto ao assunto.
-Acordo? – Miroku ecoou.
-Sim, vejam bem, eu preciso de ajuda... – ela disse com um sorriso doce – se vocês me ajudarem eu prometo não os denunciar.
-Ajudar em quê?
-Bom, tecnicamente eu fugi de casa... E não tenho para onde ir, não posso ir para um hotel, porque meus pais achar-me-iam facilmente.
-Já entendi, se deixarmos você ficar em nossa casa por um tempo, você não nos denunciará, certo? Parece justo – Sango disse com um sorriso.
-Feh... Garota, quer mesmo se meter com a gente? – InuYasha perguntou.
-Não tenho nada a perder, senhor...
-Espero que esteja acostumada com uma vida bem simples, nossa casa não é de grande luxo... – InuYasha comentou sarcástico.
-Isso é perceptível... – ela comentou.
-Ahn? O que é? Acha que temos cara de mortos de fome? – InuYasha perguntou indignado, não estava com uma aparência tão ruim assim, estava?
-Não... – ela comentou confusa – só digo que é perceptível porque acho não fariam uma cena como a de pouco tempo atrás na feira se não estivessem precisando do dinheiro...
-Ah... É, a gente ta precisando mesmo, algo contra? As coisas estão difíceis hoje em dia. Se não fosse uma menina mimada como é entenderia do que estou falando. Você não sabe o que é vida difícil... – o rapaz comentou contrariado cruzando os braços.
-Ora, não me venha falar de dificuldades da vida, seu grosso! E como sabe que não sou uma pessoa necessitada de dinheiro como vocês?
-Não me faça rir, uma pessoa com mãos tão lisas e sem calos não sabe o que é trabalho duro... – ele respondeu, Kagome escondeu as mãos assustada. Miroku e Sango apenas observavam a discussão.
-Será que não devíamos interferir? – Sango sussurrou para o moreno.
-Claro que não, justo agora que a coisa ta esquentando... – a jovem girou os olhos com a infantilidade do rapaz.
-Ora, e só por isso acha que é a única pessoa que passa por dificuldades? – Kagome perguntou indignada.
-O que é que uma garota mimada como você sabe de dificuldade?
-Não me chame de mimada, senhor "eu carrego o mundo nas minhas costas"!
-Ora, garota, deixe de ser chata! – InuYasha retrucou nervoso.
-Seu grosso!! Como pode chamar uma dama como eu de chata???
-Dama? Faça-me o favor, nem que quisesse você seria uma dama! Damas têm classe coisa que você não tem...
-S-seu GROSSO!
-Chata!!
-Grosso!
-Chata!!
-Grrrr! Como você é irritante! – Kagome exclamou nervosa.
-Eu? Irritante?? Você que é uma mimada cabeça dura!
-Ta legal, já chega – Sango falou batendo palminhas para atrair a atenção dos dois.
-Sango, avise essa estranha que se ela quiser ficar na nossa casa vai ter que pagar pelo o que comer... – InuYasha falou fuzilando Kagome com um olhar.
-Ora, então fale para esse grosso, que eu não sou uma morta de fome como ele e que não pretendia passar uns dias na casa de vocês sem ajudar nas despesas! – a jovem retribuiu o mesmo olhar para InuYasha.
-Ótimo! – ele disse.
-Ótimo! – Kagome retrucou.
-ÓTIMO! – Sango respondeu – agora será que, por favor, podemos ir?
-Claro! – Kagome disse sorrindo para jovem e passando por InuYasha sem nem lhe dirigir o olhar. Os quatro foram andando pela cidade, satisfeitos. Porém, não menos nervosos.
-A propósito, eu sou Sango. – a jovem disse com um sorriso – e esse é o meu irmão, InuYasha...
-E eu sou, Miroku. Fico encantado conhecer a senhorita...
-Kagome.
-Senhorita Kagome. Um nome encantador – disse beijando-lhe a mão. Kagome sorriu para o educado rapaz. InuYasha apenas soltou um "Feh!" e cruzou os braços.
-Kagome, tenho a impressão de que vamos nos dar muito bem! – Sango disse sorrindo puxando a menina – só preciso te ensinar umas coisinhas, como "o Miroku é um safado, não dê ouvido a ele". E além do mais, são poucas as pessoas que confio nessa cidade, será legal ter uma amiga.
-Tenho certeza que sim – a outra disse sorrindo – o que quis dizer com safado?
-Ei, Sango, não estrague minha reputação... – o moreno choramingou.
-Nem queira saber, Kagome... – Sango respondeu com um suspiro dramático – não se preocupe, Miroku, você já faz isso por mim...
-Senhorita Kagome, não dê ouvidos a ela... Ela está com ciúmes de mim, só isso. Sempre soube que era apaixonada por mim, Sangozinha... – ele respondeu tentando abraça-la, mas ela se desviou com facilidade.
-Por favor, Miroku, guarde seus sonhos para si próprio.
-Não são sonhos, é a mais pura realidade. Eu entendo que é tímida, meu amor... Posso esperar o tempo que for...
-Então vai espera sozinho...
-Você é tão má comigo! – o moreno choramingava enquanto os quatro caminhavam. InuYasha estava quieto, achava que aquela discussão no mínimo era ridícula. – um dia você reconhecerá o meu valor!
-Sei, sei...
Kagome estava se divertindo observando a cena. Apesar de eles serem, bom, tecnicamente, ladrões, eles aparentavam ser boas pessoas. Sango era muito amigável, Miroku era engraçado e InuYasha, bom, ele era um grosso, mas o que se pode fazer? Sempre existe uma ovelha negra no meio do rebanho.
-Aqui estamos... – Sango disse por fim parando em frente a uma pequena casinha – espero que goste de nossa humilde casa, Kagome.
-Oh, mas ela é adorável – Kagome disse observando-a. Parecia um pequeno chalé e havia algumas flores plantadas na frente da casa – e que lindas flores! – ela completou se ajoelhando ao lado das plantinhas e tocando-as delicadamente, quase como se fizesse carinho. O sorriso que ela dirigiu aos três impressionou InuYasha. Era um sorriso tão... Genuíno?
"Ora, afinal quem é essa menina?" ele pensou intrigado.
-Ah, fui eu que as plantei... – Sango respondeu gentilmente se ajoelhando ao lado da jovem e observando as flores também. Ela não sabia explicar, mas aquele sorriso inocente que a moça lhe dirigira havia-lhe acalmado a alma como se naquele momento mais nada importasse.
-Você é muito talentosa, Sango... – ela comentou.
-Obrigada.
As duas levantaram-se e Sango chamou Kagome para conhecer a casa. Ela mostrou cada um dos aposentos para a jovem e explicou como funcionavam as coisas.
-Qualquer coisa que você precisar é só me chamar... – Sango comentou por fim.
-Obrigada. Não precisa se preocupar. Não pretendo dar trabalho a vocês.
-Sinta-se em casa, Kagome.
-Pode deixar.
-Ahhh, isso não é justo – Miroku reclamou.
-O quê? – InuYasha perguntou confuso.
-Vocês três vão fazer a festa aqui enquanto eu vou ficar sozinho lá em casa! – o moreno disse fazendo beicinho e cruzando os braços.
-Ora, Miroku, deixe de frescura! – InuYasha repreendeu-o – sua infantilidade às vezes me surpreende...
-Ah, você fala isso, InuYasha, porque vai passar a dividir a casa com duas belas damas e não vai ficar sozinho...
-Pelo amor de Deus, Miroku, você mora à 200 metros daqui...
-Mesmo assim, não é a mesma coisa... – ele teimou.
-Se for para você parar de chorar, você pode dormir aqui hoje. Mas é bom não se acostumar! – InuYasha avisou.
-Não! Assim eu não vou conseguir dormir sabendo que tem um tarado a solto pela casa, à noite... – Sango reclamou.
-Sangozinha, prometo não tocar em seus atributos nem nos da senhorita Kagome enquanto dormem...
-O quê? – Kagome perguntou assustada.
-Não dê ouvidos a ele, Kagome. Já disse que não vale a pena... – a outra moça comentou.
-Sempre fazendo a minha cova, não é, Sango? Que amiga você é... - ele lamentou-se.
-Enfim, agora que já chegamos em casa e já está tudo nos conformes, eu acho que a gente devia ir comer alguma coisa... – Sango comentou – estou morrendo de fome.
-Concordo.
-Seria ótimo.
-Vamos logo...
Assim, os quatro jovens saíram e foram atrás de algum restaurante, com uma comida bem saborosa, já que naquele dia poderiam desfrutar do bom de ter dinheiro.
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-Senhor, já vasculhamos a casa inteira e nem sinal da senhorita Kagome – o serviçal avisou o senhor Higurashi.
-Como pode?! – ele exclamou nervoso – essa menina não pode sumir assim!
-Meu amor, talvez ela tenha sido raptada! – senhora Higurashi falou aos soluços.
-Não diga uma besteira dessas!
-Mas, já está ficando tarde e não a encontramos em lugar algum... – ela falou – ohh, o que será da minha filinha?
-Acalme-se, mulher! Nós vamos encontrá-la! – ele garantiu tentando confortar a esposa.
-Tomara, meu amor, tomara...
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-Acho que estou no paraíso...
-Não é pra tanto, Miroku.
-Sango! Você sabe quando foi a última vez que eu comi tão bem?
-Não...
-Pois é, nem eu sei.
Kagome riu do rapaz, ficava surpresa como eles se contentavam com pouco, porque, afinal, o almoço que tiveram comparado ao de Kaede não tinha a menor chance.
"Ora, Kagome, na primeira oportunidade que tem de tentar viver a vida como uma pessoal normal, você começa a comparar com a sua antiga vida?" ela se perguntou.
-Nossa, essa comidinha caiu bem... – Sango disse sorrindo enquanto passeavam pela praça da cidade. Não era exatamente hora do almoço, provavelmente já passava da metade da tarde, mas com os eventos da manhã acabaram indo almoçar um pouco tarde.
-Senhorita Kagome, onde gostaria de ir? – o moreno perguntou.
-Hm, perdão, não conheço muito bem a cidade... – ela comentou.
-Ah, quer dizer que não é da cidade? – Sango perguntou surpresa.
-É, mais ou menos isso... – ela comentou. "Bom, meus pais nunca me deixaram passear realmente para conhecer essa cidade. Mas é melhor que eles não saibam disso. Quanto menos souberem da minha vida, melhor..."
-Então já sei de um ótimo lugar onde podemos ir! – Sango disse dando pulinhos, satisfeita.
-Onde?
-Você vai ver quando chegarmos lá!
-Ta – Kagome respondeu.
Eles caminharam pelas ruas de pedrinhas, viraram aqui e ali. E logo a paisagem de prédios e casinhas foram dando lugar às árvores, quando avançaram um pouco mais chegaram na beira de um grande lago. Kagome arregalou os olhos com a beleza do lugar.
-Sango! É lindo! – ela disse correndo até a beira das águas cristalinas.
-Que bom que gostou.
Havia algumas outras pessoas, o lugar era uma espécie de parque.
-Sangozinha, já sei o que passou por sua cabeça quando decidiu nos trazer aqui... – Miroku comentou sedutor.
-Ahn? Do que está falando?
-Ora, minha querida, se queria ir a um local romântico comigo era só pedir... Não precisava usar essa desculpa barata... Bem que eu desconfiei na hora, você estava feliz demais... – o moreno comentou satisfeito.
-Miroku, fico impressionada com a sua grande imaginação... – Sango comentou com um suspiro.
-Não é imaginação... Eu vejo nos seus olhos o desejo de estar comigo. Ai, como eu sou sexy! – Sango decidiu ignora-lo – eu sei, eu sei, todas querem o cavalheiro Miroku. Venha, Sango! Venha para os braços do seu amor! – ele disse correndo atrás da jovem.
-Ei, seu idiota! Pare de dar em cima da minha irmã! – InuYasha falou entrando no meio dos dois.
-Isso, InuYasha! Faz esse maldito pervertido ficar longe de mim! – a jovem gritou.
-Não há o que temer, minha donzela! Eu passarei por qualquer obstáculo no caminho, nem as pedras me pararão!
-Nossa, sinto-me tão honrada – Sango disse sem emoção – sou mais importantes que pedras, uau...
-InuYasha, não tente separar dois corações apaixonados!
-Cale a boca, Miroku! Você só está encurtando a sua vida...
O rapaz desviou-se de InuYasha e continuou a correr atrás de Sango, que correu para trás de Kagome.
-Kagome, por favor, faça alguma coisa! – a moça pedia.
-O que eu posso fazer?
-Miroku, você quer morrer? – InuYasha perguntou segurando-o pelo colarinho.
-C-calma, cunhadinho... – o moreno pediu.
-"Cunhadinho"?! – InuYasha exclamou nervoso – me chame disso mais uma vez e eu te castro!
-Ahhh, InuYasha, sua irmã não ia ficar muito feliz com isso, sabe?
Sango deu um gritinho e Kagome tampou os ouvidos.
-Abra a boca mais uma vez e você vai ser um homem morto!
-Desculpa, desculpa! Eu sou muito jovem para morrer!
InuYasha deu um soco na cabeça do rapaz e largou-o. O moreno ficou choramingando por um tempo e Sango rindo de sua cara.
"Meu Deus, com que tipo de gente eu fui me meter...?" Kagome pensou surpresa observando os três.
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O tempo foi passando e logo o sol começou a se pôr. Sango e Miroku ainda estavam discutindo alguma coisa sobre "ele ser um safado maldito e que não chegasse mais perto dela".
Kagome estava sentada em um banquinho observando o horizonte, absorta em pensamentos.
-O que está fazendo? – InuYasha perguntou se aproximando.
-Nada demais, apenas observando o pôr-do-sol, esse lugar é tão tranqüilo...
-Também gosto daqui... – InuYasha comentou com a sorridente moça, parecia mais calmo do que o normal – olhando para esse lugar a gente pensa que a vida pode ser melhor... – ele comentou se sentando ao lado dela.
-Ora, então resolveu ter uma conversa civilizada comigo? – Kagome comentou.
-O q— ele já ia se defender pensando que a jovem estava o gozando, mas ao olhar para ela viu que ela parecia feliz – hmpf, não vá se acostumando...
-Você vem muito aqui, InuYasha? – ela ignorou a resposta ingrata dele tentando puxar assunto.
-De vez em quando, quando quero pensar...
-Certamente é um bom lugar para isso.
-Uhum..
-Vou te dar um conselho... Já que você acha que nunca vai ser feliz em um mundo tão injusto. Sabe, felicidade é uma coisa muito relativa. Depende muito do seu referencial... Assim como dificuldades. Nem tudo tem só lados negativos. Você só tem que saber achar os pontos positivos...
-Pontos positivos? Feh! Que pontos positivos podem existir quando se tem que roubar para conseguir dinheiro?
-Pense melhor, InuYasha... – ela disse suavemente – você não está sozinho, você tem um amigo e uma irmã para te apoiarem. Culpar os outros não vai te levar a lugar nenhum... Afinal, somos nós que fazemos nossa felicidade... Só depende de você.
-Ora, não é minha culpa se não acho emprego! – ele respondeu irritado.
-Quem sabe não é você mesmo que está vendo problemas onde não existem?
-O quê? Do que está falando?! – ele perguntou nervoso.
Ela se levantou e sussurrou passando por ele:
-O maior cego é aquele que não quer ver...
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N.A.: Olá! Espero que tenham gostado desse cap! Finalmente o verdadeiro encontro do inu e da kagome! Obrigada a todos que comentaram! E continuem lendo! sorriso. beijos!
