Capítulo 04 – Era uma vez
Senhor Higurashi estava parado na varanda observando o nascer do sol. Kagome estava desaparecida há um dia. Esperava que a moça houvesse saído e esquecido de avisar e logo a noite chegaria a casa, com aquele sorriso de sempre, pedindo desculpas por preocupá-los. No entanto, não fora isso que acontecera. Ficara sentado na sala observando a porta, e esta não se abrira nem uma vez indicando o retorno da garota.
O pai passou as mãos nervosamente pelo cabelo. Não podia ficar sem fazer nada, sem avisar ninguém, enquanto sua filha estava desaparecida. Precisava de ajuda. Precisava encontrá-la rápido. Sem perder mais um segundo, entrou apressado para dentro da casa. Passou por sua mulher que estava deitada na cama, que quando o viu, levantou-se e se apressou a segui-lo.
-Querido, o que pretende fazer? – ela perguntou aflita, fitando-o pegar o paletó e o chapéu – aonde vai?
-À cidade. Já chega. Não podemos continuar parados, precisamos fazer alguma coisa. Precisamos de ajuda para encontrá-la. Não vamos achá-la sozinhos.
-Tem razão. Espere-me, quero acompanhá-lo. – disse pegando o xale e seguindo-o em passos apressados.
0000
Caminhava satisfeita. Planejava fazer uma surpresa para os três novos amigos.
Ainda era muito cedo quando acordara. Trocara-se silenciosamente para não acordar ninguém. Passou pelo corredor e ouvira Miroku murmurar coisas durante o sono no quarto de InuYasha. Algo sobre "sangozinha, não precisa ter ciúmes das pedras... " Kagome abafou um risinho.
A noite anterior havia sido uma grande disputa, já que Miroku exigia dormir no quarto de Sango. Após algum tempo concordou em dormir no quarto do irmão da jovem, já que não agüentava mais socos na cabeça. E assim, Kagome dividiu o quarto com a jovem. A verdade era que estava se divertindo estando na presença deles. Eram pessoas simples, mas de bom coração. Não levavam a vida muito a sério. Faziam apenas o possível para aproveitarem os dias que tinham.
Kagome sorriu. Logo havia chegado ao seu destino. A padaria. Comprou alguns pães e leite e logo já estava voltando.
-Ora, se não é a Higurashi... – Kagome ouviu a voz de alguém conhecido, e se assustou, teria sido descoberta? Mandá-la-iam de volta a sua família? Ela virou-se subitamente para ver quem a chamava.
-Kouga! – ela exclamou e suspirou aliviada – o que faz aqui?
-Estava indo para a relojoaria... E a senhorita? Seu pai por acaso não estaria na cidade, estaria? – ele perguntou ao se lembrar do ótimo freguês – tenho umas peças novas que gostaria de mostrá-lo. Quem sabe ele não se interessasse...
-Sinto muito, não está.
-É uma pena. Falo com ele depois, então, com certeza passará por lá esses dias. De qualquer forma, o que faz tão cedo pela cidade?
-Estava na padaria, comprando pães e leite... – comentou mostrando as sacolas que trazia.
-Por que não mandaram que a empregada viesse? Quero dizer, certamente, têm alguma criada em casa, certo?
-Hm, claro! Mas, disse à mamãe que queria passear um pouco e que não me importaria de comprar... Gosto muito de vir visitar a cidade...
-Entendo. – o rapaz comentou, observando o simples vestido que ela usava, e estranhando. Resolveu ignorar. Tinha outras coisas para falar com ela - Hm, Higurashi, seu pai contou-me que está noiva, é verdade?
-Ah, sim, é sim... Não sei por que papai insiste em espalhar isso pela cidade...
-Perdoe-me...
-Não tem problema. Se não se importar, preciso ir... – ela falou sem graça, mas não podia perder tempo, se ficasse enrolando Sango poderia acordar.
-Claro, espero vê-la novamente – a jovem apenas sorriu se distanciando – ah, Higurashi...?
-Kagome.
-Ahn?
-Chame-me de Kagome.
-Certo. Kagome... Não pretendo deixa-la se casar... – ele comentou e saiu andando – até mais ver.
Kagome ficou parada, chocada, observando o rapaz se distanciar.
-Mas, o que... O que está havendo aqui? – ela se perguntou confusa – eu mal o conheço, por que será que disse isso?
0000
Quando enfim chegou a pequena casinha correu para a cozinha. Ninguém havia acordado ainda, para a sua sorte. Procurou pelos pratos e assim que os achou forrou a mesa com uma toalha. Pouco tempo depois já havia posto os pratos, copos e travessas na mesa. Fez um pouco de café, e preparou alguns ovos.
Observou sua obra-prima por um tempo, parecia impecável, nada comparada a de Kaede, claro. Mas, daria para o gasto. Arrumou mais algumas coisinhas quando ouviu alguns barulhos vindo dos quartos. Viu Sango se levantar, ainda um pouco tonta de sono, e entrar na sala. Ela observou a mesa por um tempo e se virou saindo.
-Perdão, acho que entrei na casa errada... – comentou. Kagome ficou observando o corredor vazio, confusa, havia algo errado com sua mesa?
Ouviu passos e viu Sango pôr a cabeça no portal para espiar desconfiada a sala, mais precisamente a mesa. Ela olhou para a mesa, e para Kagome, novamente para a mesa.
-Sango, o que está fazendo? – Miroku comentou entrando também e parando – uau! É o paraíso! Que obra de arte!
-Uhum. – Sango comentou boba parada ao seu lado – acha que é real?
-Talvez, tenho minhas dúvidas... A última vez que vi uma mesa assim estava observando uma vitrine... – ele comentou pensativo. Os dois permaneceram parados observando a sala, sem terem coragem de dar um passo.
-Hm, por que vocês não tentam se sentar e comer? Quem sabe assim vocês descubram se é real... – Kagome sugeriu dando um risinho, observando os dois com cara de bobos fitando a mesa.
-É uma boa idéia... – comentou animado. Mas parou ao sentir algo impedi-lo de sair do lugar.
-Vá chamar InuYasha também... – Sango disse.
-Ah é, tinha me esquecido dele. – comentou com um sorriso sem graça e foi atrás do outro rapaz. Sango se sentou à mesa.
-Kagome, não precisava ter feito isso... – falou observando a variedade de comidas.
-Era o mínimo que podia fazer depois de terem aceitado que eu permaneça em sua casa – a outra respondeu com um sorriso.
-Venha se sentar também...
-Só vou pegar o leite... – ela disse. Ouviram InuYasha resmungar pouco antes de entrar na sala junto de Miroku, que correu para se sentar ao lado de Sango.
-O que está havendo? Miroku falou algo sobre paraíso na Terra... – ele observou a mesa – quem arrumou isso?
-Kagome... – Sango disse quando a jovem pôs a jarra com leite na mesa.
"Essa mesa está realmente incrível..." InuYasha pensou consigo.
-Obrigada, Kagome – Sango falou com a jovem.
-É, obrigado! – Miroku disse feliz pegando um pouco dos ovos.
-Não foi nada – ela respondeu se sentando.
-Não vai agradecer, InuYasha? – Miroku falou provocando-o.
-Feh.
-Deixe de ser grosso, InuYasha! Kagome teve um grande trabalho para servir essa mesa, o mínimo que pode fazer é agradece-la – Sango censurou-o.
-Não se incomode, Sango, já me acostumei com as grosserias dele – Kagome comentou – não tem nem um pingo de elegância.
-Ora, cale a boca, menina. Afinal com que dinheiro comprou toda essa comida?! Espero que não tenha gastado nosso dinheiro sem nos consultar, garota.
-InuYasha! – Sango chamou-o – não tem educação?
-É claro que não fiz isso! E nunca faria! – Kagome retrucou nervosa – eu comprei essa comida com o MEU dinheiro! Seu ingrato!
-InuYasha, você deve tratar melhor as damas... – Miroku comentou.
-Fique quieto, Miroku! O que sabe sobre tratar uma mulher? Hah! Nada.
-Com certeza mais que você, isso eu garanto...
-Feh! Quer saber, perdi a fome... – ele comentou saindo da casa. Kagome ficou observando o rapaz, nervosa.
-Kagome, desculpe por isso... – Sango disse.
-Não se preocupe, Sango. Você não tem culpa se seu irmão é um grosso idiota.
Sango riu.
-Sim, ele é mesmo...
-Parente a gente não escolhe... – comentou tentando se acalmar e terminando de tomar o café da manhã – acha que ele ficou muito bravo?
-Ora, InuYasha tem de aprender a ser menos infantil... Acho que ele não vê que isso magoa as pessoas – Sango comentou com um suspiro.
-É verdade! Eu estou profundamente magoado com ele! – Miroku falou dramático – veja só, ontem ele magoou os sentimentos das minhas amigas pedras!
-Pedras? – Kagome repetiu.
-Não pergunte, por favor... – Sango pediu – Miroku, quando vai parar de falar dessas pedras?
-Nunca?
-Hoje, que tal? – Sango pediu esperançosa.
-Por que não gosta das pedras, Sango?
-Miroku, são pedras! Você não tem que gostar ou desgostar, apenas conviver!
-Pedras são legais!
-Não, não são!
-São sim.
-Não são!
-São sim!!!
-Qual o seu problema? – ela perguntou.
-Eu não tenho problema... Você que parecer ter uma aversão por pedras!
-Eu não tenho aversão por pedras!
-O que você tem contra as pedras?
Kagome apenas acompanhava a discussão inútil. Cada vez mais achava que não havia se envolvido com pessoas boas da cabeça.
-Eu não tenho nada contra pedras!
-Eu sei que tem! EU POSSO SENTIR! – ele exclamou apontando o dedo para a garota de forma acusadora.
-Sentir o quê?
-Você tem ódio delas! Sua assassina! – o moreno exclamou – não deixarei que as machuque!
-EU NÃO QUERO MACHUCAR ESSAS DROGAS DE PEDRAS! – Sango gritou para ver se ele entendia.
-Ui, assustou meu ursinho de pelúcia... – Miroku comentou sarcástico – e o nome dele é Bob...
-Cale a boca, Miroku! – Sango exclamou assustada com o que ele estava falando – está ficando demente?
-É claro que não! Estou protegendo minhas amigas!
-QUER QUE EU TE MACHUQUE?! – ela gritou – porque é o que eu vou fazer se você continuar com essa história!
-Por que está tão nervosa?
-Eu não to nervosa.
-Ta sim.
-Não to.
-Ta sim!
-EU NÃO TO.
-Viu? Ta sim...
-Grrrrr! – ela o agarrou pelo pescoço e começou a chacoalha-lo – seu idiota! Idiota!
-Miroku, você realmente não tem noção de perigo... – Kagome comentou observando os dois.
0000
InuYasha caminhava nervoso pelas ruas vazias da cidade. Ainda estava muito cedo e o comércio ainda estava abrindo. Não tinha um destino certo, apenas queria andar e se distanciar. A verdade era que sempre fazia isso com as pessoas, não gostava muito que elas tentassem se aproximar, não gostava de mostrar alguma fraqueza.
-Droga, que garota irritante... – resmungou.
"Você sabe que não é com ela que está bravo..."
"Ora e com quem mais seria?" ele discutia consigo mentalmente.
"Com você"
"Eu não fiz nada!"
"Você é sempre um grosso"
"Ei"
"Por que não diz o que pensa? Você queria agradecê-la, mas é orgulhoso demais para fazer isso. Qual o seu problema?"
"Não tenho problema nenhum"
"Você não pode me enganar..."
"Cale a boca"
"Depois não diga que não avisei..."
InuYasha bufou irritado.
-Ora, bem que senti esse cheiro enjoado de xixi de cachorro. – o jovem parou abruptamente ao ouvir a familiar voz do odiado Kouga.
Aquela rixa entre os dois existia desde que eram pequenos, sempre estavam competindo entre si. Sempre queriam provar qual era o melhor. Uma disputa que mesmo depois de já mais velhos não haviam conseguido superar. Kouga adorava esfregar na cara de InuYasha que era um cara bem sucedido, que tinha uma vida boa, ao contrário do outro que, segundo Kouga, vivia de esmolas.
-O que quer, lobo sarnento? - ele rosnou em resposta.
-Eu não quero nada, além de que você pare de impregnar minha loja com esse seu cheiro de cachorro molhado.
InuYasha olhou ao redor e viu que estava parado na frente da relojoaria do rapaz.
"Céus, como vim parar aqui? Justo nessa porcaria de loja"
-Kouga, seu idiota, se não percebeu eu estou na calçada, sabe o que é isso? Deixe-me explicar, é um lugar público. – ele comentou cínico.
-Pode ser público, mas a minha loja não é, então me faça o favor de dar o fora daqui.
-Feh! Eu não tenho que obedecer a ordens suas!
-Eu tenho o direito de tirar vagabundos e ladrões de perto da minha loja. Dê o fora, não quero que espante minha freguesia.
-Quem você está chamando de ladrão, lobo fedido?
-Tem mais alguém aqui, cara de cachorro?
-Eu não sou ladrão, e nem vagabundo, seu idiota!
-Mal tem dinheiro para se alimentar. Coitada da sua irmã, sinto pena dela, que vida mais miserável que ela leva... Tudo isso porque você não tem competência o suficiente para pôr dinheiro em casa – Kouga comentou esnobe.
-Cale a boca, você não tem direito de falar da minha vida!
-Tudo bem, eu não preciso falar, afinal você mesmo já deve saber o quão inútil é.
-Maldito, um dia eu ainda esfrego nessa sua cara feia todo o dinheiro que eu consegui. E você vai afundar com essa porcaria de loja de relógios.
-Não tenha tanta certeza...
-Ah, pode esperar. Um dia você ainda me paga por dizer isso!
-Pouco me importa, cara de cachorro! Agora, diabos, saia daqui! – Kouga exclamou. InuYasha bufou nervoso e se distanciou.
-Mais que desgraça, esse dia parece que só pode piorar. – ele reclamou. E continuou sua caminhada sem rumo.
0000
Senhor Higurashi desceu rapidamente da carruagem e ajudou sua mulher a descer. Logo apressou o passo em direção à delegacia. Ao entrar pediu para falar com o delegado, após esperar alguns minutos um dos guardas disse que o acompanhasse até a sala.
-Senhor Higurashi, em que posso ajudá-lo? – o delegado perguntou se levantando para cumprimentar o senhor.
-Aconteceu algo terrível... – senhora Higurashi se adiantou a dizer.
-Minha filha está desaparecida há um dia. – Senhor Higurashi disse apreensivo.
-Por favor, sentem-se – o delegado disse indicando as cadeiras – agora me digam direitinho o que aconteceu.
-Não sabemos direito. Acordamos ontem e não a encontramos em casa, esperamos o dia inteiro e nada... O senhor precisa nos ajudar!
-Eu farei o possível. Acalmem-se, nós a encontraremos, ela não pode estar longe.
-O senhor acha que ela foi raptada?? – senhora Higurashi perguntou aflita.
-Não tenho como saber... Mas vasculharemos toda a cidade.
-Conto com você – senhor Higurashi disse se levantando e apertando a mão do delegado – preciso ir agora.
-Certo. Qualquer coisa eu os aviso.
-Obrigado.
E o casal deixou a delegacia, decidiram passear pela cidade para tentarem espairecer. Não conseguiam acreditar que sua filha havia desaparecido. Jamais haviam esperado por isso. Quem sabe o que podia ter acontecido com ela. Ainda era tão jovem e cheia de sonhos, tinha uma vida inteira pela frente. Rezavam para que nada de ruim houvesse acontecia a ela.
0000
Passara o dia ajudando Sango a arrumar a casa. Miroku saíra logo depois do almoço para procurar por emprego, e InuYasha não voltara. Kagome sentia como se aquele fora um dos dias mais produtivos de sua vida, havia feito o almoço, regado as plantas e pendurado algumas roupas. Enquanto Sango havia lavado algumas roupas, e cuidado de seus canteiros.
Fora uma tarde bastante agradável, apesar de todo o trabalho. Havia se distraído conversando com a jovem. Era como se a cada minuto que passavam juntas ficassem mais próximas. Sango era uma pessoa muito calma, exceto quando Miroku estava por perto, o rapaz tinha o dom de tirá-la do sério. Parecia um pouco sozinha, e isso a fez se lembrar do que ela havia dito "são poucas as pessoas que confio nessa cidade, será legal ter uma amiga", sorriu, bom não era como se ela, Kagome, tivesse lá muitos amigos.
-Kagome, vou entrar para preparar o jantar, daqui a pouco InuYasha e Miroku devem estar chegando – Sango comentou se aproximando da jovem que estendia mais algumas peças de roupas.
-Ahn, Sango, o Miroku mora aqui? Quero dizer, a maior parte do tempo ele está aqui...
-Haha, não, ele não mora aqui, mas é quase isso. Há algum tempo ele perdeu o pai. Já era um senhor mais velho e eles dividiam uma casa perto daqui. – Sango respondeu – acho que ele não gosta muito de ficar sozinho... Porque ele só morava com o pai, e quando o perdeu ficou sozinho naquela casa.
-Coitado, deve ser duro...
-Sim, quero dizer, eu perdi meus pais há muito tempo, mas nunca estive realmente sozinha, porque, apesar de tudo, eu tenho o InuYasha comigo, já o Miroku, bom ele era filho único...
-De que o pai dele morreu?
-Não se sabe ao certo, os médicos não souberam diagnosticar a causa. O pai dele tinha uma saúde muito frágil e já era bem velho, estava meio doente... Não sabem se foi por causas naturais ou pela doença. De qualquer forma, nós nos conhecemos desde crianças e somos amigos desde então. Por isso, eu e InuYasha resolvemos não deixa-lo muito só. A princípio íamos à casa dele, tomávamos café da manhã lá, sabe? Só pra mostrar que estávamos ali caso ele precisasse...
-Sei...
-Então, acabamos por nos fazer companhia. E já é como se ele morasse mesmo com a gente. Todo dia ele passa aqui em casa, mesmo que seja só para dar um oi ou algo assim. Ele é um bom rapaz, apesar de toda a sua perversão, um bom amigo...
-Entendo. Sango, você gosta muito dele, não é?
-Do que está falando, Kagome?
-É que quando você fala dele, você fala em um tom de voz suave, que me transmite muito carinho...
-Ora, Kagome, ele é só meu amigo... – a jovem comentou corada. Kagome riu – melhor eu me apressar, e começar a preparar o jantar logo, antes que eles cheguem... – ela comentou se levantando e se distanciando rapidamente.
Kagome ficou observando-a. Apesar do que a garota havia lhe dito ela sentia que entre os dois havia algo muito mais profundo do que amizade. Não que ela achasse que a amiga estivesse mentindo, talvez, nem mesmo ela ainda havia percebido. Mas a única coisa que Kagome tinha a dizer era que aquilo era realmente digno de um conto de fadas. Onde o "era uma vez" havia acontecido há tempos atrás, quando os três ainda eram crianças e a amizade era tudo o que importava.
Kagome suspirou contente "quem dera eu vivesse um dia uma bela história de amor, espero que Sango perceba logo..." ela pensou sorrindo "acho que a única coisa que a impede de ver é esse pensamento de que o Miroku é um mulherengo, talvez ela não queira se magoar... Não importa, eu vou ajudá-los" ela sorriu e voltou a estender as roupas.
0000
Senhor e senhora Higurashi continuavam andando pela cidade, já haviam passado na delegacia mais de três vezes para saber de notícias, mas o delegado apenas negava tristemente e pedia desculpas, pois não tinham nem idéia.
-Nós precisamos achar nossa filha. Estou começando a ficar muito preocupada! – Senhora Higurashi comentou com o marido.
-Eu sei, mas acalme-se, nós vamos acha-la – senhor Higurashi tentou acalmar a mulher.
-Ah, querido, nós precisamos avisar o Houjo! Ele ficou de ir lá em casa dia desses. Meu Deus, que tragédia, imagine se ele não quiser mais se casar com nossa filha depois disso! – a mulher comentou aflita.
O marido permaneceu quieto por um tempo, pensando nas palavras da mulher.
-Senhor Higurashi, que bons ventos o trazem?
Senhor Higurashi se virou para encontrar Kouga vindo em sua direção para cumprimentá-lo.
-Ora, Kouga, que prazer... – ele comentou estendendo a mão para apertar a do jovem – está é minha mulher – indicou apresentando-a – querida, este o jovem dono da relojoaria que lhe falei...
-Prazer – ela cumprimentou.
-O prazer é todo meu – disse beijando-lhe a mão de forma elegante.
-Então Kouga, alguma peça nova? – senhor Higurashi perguntou querendo se distrair.
-Ah sim! Essa semana consegui pôr as mãos em uma peça fabulosa.
-Verdade?
-Sim, gostaria de ver?
-Seria ótimo... – ele disse acompanhando o jovem até a loja.
-Só um minuto, vou buscar a peça. Sintam-se a vontade.
-Obrigado. – Senhor Higurashi comentou observando os diversos relógios, enquanto senhora Higurashi observava algumas jóias que estavam na vitrine. Logo o jovem retornou com um lindo relógio de bolso feito de ouro – Mas é realmente magnífico.
-Sim, uma raridade. – eles discutiram mais alguns minutos sobre o relógio e o preço.
-Bom, Kouga, eu não tenho como comprar agora, sai de casa com tanta pressa que esqueci minha carteira, mas outro dia eu venho para comprar essa beleza.
-Certo. Não tem problema – o rapaz comentou guardando o relógio. – e suas filhas como vão?
-Ah, você nem sabe. Kagome está desaparecida desde ontem de manhã. – senhor Higurashi comentou com um suspiro. – já fomos à delegacia, mas eles não descobriram nada.
-Como é? – Kouga perguntou assustado. Lembrava-se claramente de ter visto a jovem ainda hoje de manhã na padaria. Até conversara com ela.
-Isso mesmo que você ouviu. E veja que o seu noivo, Houjo, ainda nem sabe da história. Pobre rapaz, ainda temos de avisá-lo.
Kouga permanecia chocado. Então, se a jovem estava desaparecida desde ontem, quando a encontrara hoje ela não estava indo para casa nem voltando de casa. Afinal, onde estava indo? Bem que reparara que a jovem estava vestida com um simples vestido verde, tinha algo de estranho aí. Mas, ela não parecia assustada ou com medo se o caso fosse de seqüestro. Teria ela fugido de casa?
-Bom, Kouga, preciso ir. Outro dia volto aqui.
-Certo. Tenha um bom dia. – o rapaz respondeu sem prestar muita atenção. Estava perdido em suas suspeitas. Kagome teria coragem o suficiente de fugir de casa? E por que fugiria? E por que ele não havia contado ao senhor Higurashi que havia visto a jovem ainda naquela manhã? - O que será que está acontecendo?
0000
O céu já estava escurecendo quando decidiu voltar para casa. Passara a tarde inteira procurando novamente por emprego, e mais uma vez não conseguira nada.
Quando viu a pequena casinha, sentiu o doce cheiro da comida de sua irmã, ouviu a voz de Miroku animado conversando com a jovem. Por algum motivo não queria participar daquela felicidade. Deu a volta na casa, na intenção de entrar pelos fundos, mas foi detido ao ouvir uma voz suave. Kagome estava estendendo algumas roupas, distraidamente, enquanto cantava.
Ficou um tempo parado apenas ouvindo a canção, escondido atrás de uma das árvores que rodeavam a casa. Ela dançava, sem muita agitação, em movimentos singelos, enquanto pegava uma roupa e estendia no varal. Foi quando uma pergunta veio em sua cabeça "Quem é essa garota afinal?"
Reparou, a partir daí, que nada sabia sobre ela. Não tinha nem certeza se seu nome era realmente Kagome. De onde vinha? Por que havia fugido de casa? Onde estavam seus pais? Quem eram seus pais? As perguntas surgiam uma atrás da outra. E ele não encontrava resposta para nenhuma delas. Ele a observou, "ela é tão bonita..." pensou distraído "Mas, não sei, ela me parece familiar..."
Sem perceber, ele saiu de trás das árvores e em passos suaves se aproximou, ela continuava com a doce canção. O céu estava escuro, apenas a lua cheia iluminava o lugar. Ele sorriu ao perceber que ela não havia notado a sua presença.
Por mais que brigassem, por mais que ela tivesse um temperamento forte, mesmo não sabendo de onde vinha e quem ela era, ele se sentiu, naquela noite, atraído por ela. O que havia de diferente? Nada, ele não sabia, talvez fosse ele mesmo. Não importava.
Ela dançava de olhos fechados, sozinha, mas era como se estivesse acompanhada. Ele em um movimento rápido segurou sua mão e com a outra sua cintura. A jovem abriu os olhos subitamente para encontrar um belo par de olhos âmbar.
-InuYasha...?
Ele tinha o rosto sereno enquanto a fitava. Tinha alguma coisa diferente em seu olhar, um brilho que ela nunca havia notado antes. Ele lentamente a puxou fazendo com que ela voltasse a dançar, só que dessa vez, não mais sozinha. Era uma valsa lenta, sob a luz da lua, distante dos olhares dos outros. Sentia-se hipnotizada, e só naquele momento, ela se deixou levar.
-Sinto muito. – InuYasha sussurrou.
-Pelo quê? – ela perguntou confusa. Ele permaneceu em silêncio por um tempo como se procurasse pelas palavras certas.
-Por hoje de manhã... Não sou muito bom com as palavras – ele comentou parando de dançar e a soltando. Ela olhou nos olhos dele, procurando pela resposta de suas atitudes.
-Tudo bem... – ela comentou.
-Eu não quis te acusar... É só que...
-Tudo bem, InuYasha, não tem problema... – ela disse pegando a última peça de roupa e estendendo no varal. Ele se virou, seguindo em direção da casa.
-Vamos jantar. Acho que Sango já está terminando... – ele disse.
-Eu já vou.
-Ta. – ele entrou na casa e Kagome permaneceu fitando a porta.
"O que deu nele?" ela pensou "por que ele faz isso? É como se hora quisesse me afastar e hora mudasse de idéia e me pedisse desculpas"
Ela suspirou e olhou para o céu. As estrelas brilhavam distantes. "O que ele quer de mim afinal?"
00000000
N.A.: Olá, espero que tenham gostado do cap, comentem! sorriso talvez eu não poste nada por alguns dias, estou com muito dever e provas! (que triste) Muito obrigada por lerem a minha fic! o/
