Capítulo 05 – À procura da donzela

A escuridão noturna pairava sobre o lugar. Não sabia onde estava. Não sabia quem a cercava. Estava perdida no escuro. Sozinha.

Silêncio.

O vento soprava, e aos poucos trazia consigo a suave mistura de cores que preenchiam a paisagem. A lua cintilante no céu. Sentia que estava perto de casa, uma sensação estranhamente familiar. Estava de volta à casa que havia tentado abandonar.

Um campo vazio, que o vento percorria sozinho. Ela estava parada, por mais estanho que soasse, ela podia se ver parada sobre a grama verdejante. A ansiedade crescendo no peito. Esperava algo, rezava por alguém.

Sozinha.

Queria que alguém a amparasse, precisava de alguém que a protegesse. Alguém único. Alguém especial. Tão próximo que quase machucava.

A respiração trêmula. Os olhos brilhavam com as lágrimas que não caiam. Esperava. Esperava. Uma tortura sem fim.

Contudo a noite trás muitos mistérios, o que se esconde sob as sombras não é o mesmo que sob a luz. Era como se olhos que não podia ver a espiassem, seguissem cada um de seus movimentos, esperando por uma oportunidade. Denunciando-a. Entregando-a. Separando-os.

Uma mão masculina encobriu a sua. Uma sensação de alivio que nunca sentira na vida. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, tamanha era sua felicidade. Ela o abraçou com força, não querendo se separar nunca mais. Ouvindo as batidas de seu coração, que aos poucos foram a acalmando.

Não estava sozinha, ela tinha alguém.

Mas, tal sensação durou pouco. Pouco demais. Sentiu seu peito doer. Uma dor insuportável. A dor da perda de alguém. Perfurando seu coração. Dilacerando seu espírito. Roubando-lhe a felicidade que jamais encontraria novamente.

A solidão a amparou em seus braços gélidos.

Abandonada novamente. Viu seus sonhos escaparem por suas mãos. Um novo significado para vida surgiu em sua frente. Tamanha era a fragilidade da vida.

Escuridão.

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Sentou-se subitamente assustada. O coração disparado no peito. A respiração trêmula.

-Kagome? Você está bem? – ela ouviu a voz preocupada de Sango a chamando. Só então reparou que não estava sozinha. Sango e InuYasha estavam sentados ao seu lado, eles pareciam aflitos e a observavam surpresos.

O raciocínio demorou a voltar, estava em estado de choque. Sentia um aperto gigante no peito. Ela passou a mão pelo rosto e sentiu as lágrimas que haviam escorrido por sua face. Aos poucos se sentiu acalmar, apesar de ainda manter a expressão assustada no rosto.

-Kagome? Responda. Você está bem?

Ela pareceu despertar do estado de estupor em que estava.

-Aham, sim, eu... Eu estou bem – ela respondeu com a voz um pouco falha.

-Você nos acordou. O que houve? Teve um pesadelo? – InuYasha perguntou de forma dura tentando não deixar a preocupação transparecer.

-E-eu... Não sei... – ela comentou pensativa – não foi bem um pesadelo...

-O que quer dizer? – ele perguntou confuso.

-Eu não sei, mas é como se... Eu sinto como se... Fosse perder alguém muito especial para mim... – ela sussurrou sentindo as lágrimas tomarem seus olhos. Ela sentiu Sango a abraçar tentando acalma-la, retribuiu o abraço, permitindo-se mostrar uma fraqueza que quase nunca deixava aparecer. Não se importou, aquele sonho havia sido real demais, a dor tinha sido real demais.

InuYasha observou a jovem que tremia nos braços de sua irmã. Percebeu o quanto ela parecia insegura de tudo ao redor, parecia tão frágil. Ele, por um momento, chegou a pensar que ela não tinha medo de nada. Ela tinha uma personalidade tão forte, passava uma segurança em si mesma tão grande, jamais esperara vê-la daquele jeito.

Mas, afinal, ela era humana, e humanos são fracos.

-Venha, Kagome. Eu vou fazer um chá para você se acalmar. – Ele ouviu Sango falar para a moça e ajuda-la a se levantar. InuYasha as seguiu quieto, sentando-se a mesa ao lado de Kagome que ainda soluçava um pouco.

Passava uma sensação tão ruim vê-la daquele jeito. Queria confortá-la, não sabia de onde aquele sentimento vinha, mas não queria deixá-la sozinha. Ele se levantou, ajoelhando-se na sua frente e secando as lágrimas que teimavam em cair, manchando seu lindo rosto.

-Não chore... Vai dar tudo certo... – ele sussurrou. Ela o olhou nos olhos, não entendia porque aquela simples frase havia sido o suficiente para que parte da dor desaparecesse. Ela se jogou em seus braços, ajoelhando-se também e o abraçando com força.

-Obrigada, InuYasha.

Ele sentiu seu rosto esquentar com o toque da jovem. Era uma sensação desconfortável que nunca havia sentido, mas por alguma razão não queria se separar dela. Deixou-se ser abraçado, sentindo o cheiro dela tão próximo, o calor que ela emanava. Sorriu retribuindo o abraço.

Na verdade... Era uma sensação muito reconfortante.

Ela lentamente se afastou, um pouco corada, voltando a se sentar na cadeira, esperando o chá, que Sango preparava, ficar pronto. InuYasha se levantou também perdido em pensamentos voltando para seu lugar. Já era quase de manhã e por isso o rapaz decidiu não voltar a dormir, não valia a pena se logo teria de levantar de novo e além do mais estava preocupado com a jovem.

Já fazia algumas semanas desde que eles haviam permitido que a jovem permanecesse em sua casa. As coisas não haviam mudado muito. Desde a noite que InuYasha tinha surpreendido Kagome no jardim ele havia começado a agir como se nada tivesse acontecido. Kagome, por outro lado, não conseguia parar de pensar naquela dança. A indiferença de InuYasha a magoava um pouco, mas também não era como se já não estivesse acostumada.

Os dias passavam rápidos e tranqüilos. Ela decidira não sair com muita freqüência depois de ter se encontrado com Kouga, não queria que o mesmo erro se repetisse. Mas o que ele lhe dissera continuava a perturbá-la. Vez ou outra se pegava pensando em suas palavras. Outras vezes tentava entender as atitudes de InuYasha que nunca faziam sentido.

Sango continuava na mesma, discutia incansavelmente com Miroku, que por algum milagre parara de mencionar as pedras em qualquer que fosse a discussão. Apesar das tentativas, InuYasha e Miroku não conseguiram emprego. O que era extremamente frustrante já que o dinheiro que haviam conseguido na feira, apesar do enorme sufoco para economizá-lo, estava no fim.

-Kagome, aqui está... – Sango falou colocando o chá na frente da moça. Kagome ficou um tempo observando o vapor quente que saia da xícara e Sango sentou-se a mesa também.

-Obrigada. – Sussurrou.

-Kagome, não fique assim, foi só um sonho ruim... – Sango comentou.

-Não é o sonho que me preocupou, Sango... Foi mais a sensação que ele me passou. Nesses últimos dias eu tenho pensado em voltar para casa e--

-O quê? – InuYasha perguntou surpreso. Kagome olhou para ele confusa.

-É, quero dizer, acho que já abusei demais da boa vontade de vocês...

Por algum motivo aquelas palavras o magoavam. Não queria que ela fosse embora, apesar de que nunca iria admitir isso. As poucas semanas que ela havia passado com eles haviam sido maravilhosas, a casa nunca fora tão acolhedora. Pensar que ela não estaria mais ali era estranho, chegar em casa e encontra-la já havia se tornado um hábito. Pensara que aquilo duraria para sempre, e se durasse ele realmente não reclamaria.

"Droga, mas por que isso? Desde quando eu me importo?" InuYasha pensou emburrado.

-Kagome, você não precisa se preocupar com isso... Você não está nos dando trabalho, pelo contrário tem me ajudado muito!

"Isso, Sango! Faça-a ficar... Não a deixe ir embora!" ele pensava.

-Vocês são muito gentis... – Kagome comentou – Mas, mesmo querendo ir embora... Depois desse sonho... Eu fiquei com medo.

-Por quê? – InuYasha perguntou surpreso com a resposta da jovem.

-Eu não sei, mas... Mas se eu voltar, eu sinto que vou perder alguém importante pra mim! Eu não sei quem é, mas isso não faz da dor menor... Eu sinto que vou sofrer se voltar... E eu não quero isso! Esse sonho foi real demais!

-Kagome, foi um sonho, você não devia levar isso a sério... – Sango comentou – mas, independente desse sonho, eu gostaria muito que você continuasse com a gente. Eu sei que você provavelmente está sentindo falta da sua família, mas eu nunca me senti tão feliz... Sua companhia certamente fez muito bem a todos nós.

-Obrigada – Kagome disse sorrindo – tudo bem, eu fico mais um tempo... Eu também acho que não estou preparada para encarar meus pais ainda, eles certamente vão ficar muito bravos quando souberem que eu fugi de casa... Espero que pelo menos Houjo desista da idé—

-Houjo? – InuYasha a interrompeu subitamente – quem é Houjo?

-Ahh... – ela começou incerta "Eu tinha que abrir a boca! Como sou estúpida!" – hm... Ninguém?

-Acho que não. Vamos desembucha. Quem é Hojô?

-Hm, um garoto.

-Seu namorado, Kagome? – Sango perguntou surpresa.

-Não exatamente...

-Como assim? – InuYasha exigiu, a raiva crescendo dentro de si. Ela não tinha avisado que tinha um namorado!

-Bom, digamos que ele não é meu namorado... Já que é... O meu noivo – ela sussurrou as últimas palavras na esperança dos dois não ouvirem.

-NOIVO? – InuYasha exclamou surpreso e permaneceu atônito.

-Hm, poxa, Kagome, eu não sabia que estava noiva... – Sango comentou, observando o irmão que estava de boca aberta e parecia perdido – meus parabéns.

-Ah, Sango, essa é uma longa história, eu não pretendia contar a vocês...

-Ora, por que não? Afinal, agora que estamos falando sobre isso, que tal você falar também porque fugiu de casa? Parece que a gente não sabe muito sobre você, não é? – InuYasha comentou cínico, a raiva crescendo dentro de si, sentia-se traído. Como ela pôde?

-Eu sinto muito. Eu não queria esconder isso de vocês... Eu acho que vocês têm direito de saber. Meus pais deram minha mão em casamento ao Houjo em troca de negócios importantes. Eu já o conhecia, mas nunca havia conversado com ele realmente. Parece que ele adquiriu um certo, acho que, desejo por mim. E só fecharia o negócio se eu me casasse com ele.

Os dois observavam-na atentos.

-Eu tentei falar com meu pai, disse a ele que não queria me casar, mas ele insiste, quer que me case a qualquer custo. Então, eu pensei que... Que se fugisse de casa, talvez eu tivesse uma chance de me livrar desse casamento. Eu sei que é uma atitude egoísta, mas não sabia o que fazer, eu não quero me casar!

-Kagome, eu não podia imaginar... – Sango falou segurando sua mão – ninguém deveria ser obrigado a se casar sem amor.

-Acho que meus pais não pensam assim.

-Eu sinto muito!

InuYasha permanecia calado, não sabia o que dizer, jamais esperara por isso. Não imaginava que Kagome carregasse um peso tão grande como esse. Uma obrigação que não conseguia abandonar, mas era graças a essa obrigação que tivera a oportunidade de conhecê-la, e, apesar de ser um pensamento totalmente egocêntrico, ele nunca se arrependeria disso.

-Bom dia, família! – exclamou o moreno entrando pela porta com um sorriso nos lábios – credo, que cara de enterro, quem é que morreu?

-Miroku, será que dá pra se tocar e perceber que a gente ta falando de uma coisa importante aqui? – Sango perguntou nervosa com a interrupção – A Kagome não está bem!

-Não, Sango, tudo bem, eu até acho melhor pararmos com esse assunto. Isso me trás más recordações... – ela comentou se levantando – puxa, não tinha percebido que já era de manhã!

-Desculpa, Sangozinha, eu não podia imaginar! – ele pediu. Foi até Kagome e segurou suas mãos – não temas, donzela, o seu príncipe chegou. O que posso fazer para trazer um sorriso para esses lábios tão bonitos?

-Miroku! – Sango falou o arrastando pela orelha – deixe Kagome em paz, ela não teve uma noite boa... – ela foi até a cozinha preparar o café - Hm? Acabou o leite... InuYasha, onde você pôs o dinheiro?

-Ora, estava dentro desse pote aí... – ele disse indicando o pote ao lado da jovem.

-Mas não tem nada aqui...

-Não tinha muito mesmo... Até que durou bastante.

-Não acredito! Voltamos a ficar sem grana?

-É o que parece...

-Não!! Não diga isso, Sango! Desse jeito o InuYasha vai me arrastar de volta para a estrada! – o moreno choramingou.

-Estrada? – Kagome ecoou confusa.

-Não queira saber... – Sango comentou ao seu lado.

-Deixe de ser frouxo, Miroku. Quer passar fome? Aliás, nem é tão ruim assim...

-Não, eu não quero! Vida desgraçada!

-Ora, pensei que gostaria da idéia de ver as suas "amigas" – InuYasha comentou contrariado.

-Ah não, tudo bem, elas não fazem questão. Sabe como é vida de pedra... Sempre tão ocupadas, chacoalhando carroças, fazendo pessoas tropeçarem. Não quero incomodá-las...

-Sango, dá uma força. Se nem o papo das pedras ajudou, não sei o que vai ajudar.

-Se vocês quiserem, eu ainda tenho um pouco de dinheiro guardado, não é muito mais acho que pode ajudar... – Kagome comentou.

-Kagome, não poderíamos pedir isso... – Sango falou.

-Não é nada, Sango, eu estou devendo a vocês. Por favor, aceitem. – Kagome falou estendendo um saquinho de veludo.

-Kagome, eu não...

-Toma, eu não aceito de volta! – Kagome disse colocando o saquinho nas mãos da jovem e cruzando os braços.

-Obrigada, Kagome.

-Obrigado senhorita Kagome, Obrigado! – Miroku falou pegando as mãos dela e beijando-as – você me salvou de um triste destino! Adeus, cocheiros atropeladores sinistros! Adeus, javalis rosnantes! Adeus, viajantes perdidos! – ele falava teatralmente.

-Feh! Não era tão ruim assim...

-Pra você! Não foi você que quase foi atropelado, ou mordido, ou—

-Ta, ta, já entendi.

-Ei, vocês dois. Já que a gente parece estar sem comida que tal irmos comer algo na feira? – Sango sugeriu.

-Parece ótimo, Sango. – Kagome sorriu.

-Certo, Kagome, venha, vamos nos arrumar... – ela disse puxando a jovem para o quarto.

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Ainda era um pouco cedo, os feirantes estavam arrumando suas barraquinhas, e os clientes não haviam saído de casa ainda. Ele caminhava distraído pela rua. A cabeça cheia de preocupações e dúvidas. "Ela não pode ter desaparecido assim!" pensou indignado. Parou em frente a sua relojoaria e sentou-se em um dos degraus da frente da loja.

-Droga, será que fiz mal em não ter contado ao senhor Higurashi? – perguntou-se. – claro que não! Se tivesse contado ele certamente a encontraria e a levaria para casa, talvez ainda apressasse esse casamento...

Ele ficou observando a rua, chateado.

-Hmf, Kagome, se você pretendia fugir por que não me pediu ajuda? E ainda me enganou no dia que te encontrei... Parece que precisamos melhorar sua confiança em mim... – ele falou emburrado – por que será que ela fugiu?

Kouga estava procurando Kagome pela cidade já havia uma semana, mas não conseguia acha-la em lugar nenhum. Passara em todos os hotéis e não a encontrara, não tinha idéia de onde ela podia estar. Será que ela tinha algum parente na cidade? Talvez estivesse em sua casa. Mas se esse fosse o caso os Higurashi já teriam a encontrado.

-Heh, Kagome, você fez questão de não deixar pistas... – ele pensou com um certo orgulho – mas eu vou te achar custe o que custar!

Ele se levantou e voltou a caminhar pela praça. Foi quando ele sentiu um cheiro que o fez torcer o nariz, irritado.

-Droga, o cara de cachorro está por aqui...

Olhou ao redor procurando o odiado rapaz. Viu que ele vinha de uma rua cercada por altos prédios, estava com a irmã, um rapaz moreno que sempre andava com ele e conversava com... Não podia acreditar no que via. Não conseguiu conter um rosnado que escapou de seus lábios ao ver Kagome conversando e sorrindo para o rapaz de cabelos prateados. Ele parecia totalmente distraído, e parecia até mesmo... Feliz?

-Ora, mais o que esse desgraçado está fazendo com a Kagome? Desde quando eles se conhecem?

Ele correu para trás de uma das bancadas da feira para que eles não o vissem. Ficou os observando, desconfiado. Kagome trajava um simples vestido azul, que em sua opinião, não fazia jus a beleza dela. Ela não parecia assusta, se o caso fosse de seqüestro, na verdade ela parecia diferente, talvez, livre? "O que está havendo aqui? Duvido muito que InuYasha tenha alguma relação com os Higurashi..."

"Por que esse idiota sempre se dá bem?" Kouga pensou com inveja os seguindo discretamente. "Ele não tem nem onde cair morto. Droga, InuYasha, você me paga!"

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-Eu não acredito que eram vocês que estavam assaltando a estrada da saída da cidade! – Kagome exclamou surpresa. Quando Sango terminou de explicar a história para Kagome – espera, disseram-me que havia um rapaz fascinado por pedras... Era você, Miroku?

-Senhorita Kagome, desse jeito você faz parecer que eu sou algum tarado que não resiste a pedras... – o moreno falou contrariado – não sei qual é o problema dessa gente, em tudo eles exageram... O cara vê um cachorro e diz que o animal é bonito e esse povo já fala que ele tentou agarrar o cachorro... tem cabimento? Eu não tenho fascínio por pedras coisa nenhuma, eu só acho elas interessantes...

-Ah claro, Miroku... – InuYasha comentou sarcástico – por isso que você sempre fala nelas, ou faz piadinhas, sem graças, sobre elas, realmente, elas não fazem parte da sua vida... – ele falou dando tapinhas nas costas do rapaz.

-Isso foi sarcasmo, InuYasha? – o moreno perguntou depois de um tempo pensando – porque se foi não teve graça...

-Claro que não, Miroku, de onde você tirou essa idéia? – ele perguntou irônico.

-Ah, eu só tive impressão...

Kagome e Sango deram uma risadinha.

-Miroku, ele deixa de ser lerdo... – Sango comentou.

-Do que está falando, Sango? – o moreno perguntou. InuYasha revirou os olhos entediado.

-Vamos comer... Miroku, essa brincadeira já cansou.

-Que brincadeira? Do que está falando? Sango, está vendo? Seu irmão vive para me perturbar! Oh, como eu sofro! – ele falou dramaticamente, seguindo a jovem.

-Claro, claro, por que você não vai comprar um chocolate, Miroku? – Sango sugeriu.

-Eu não quero um chocolate... – o rapaz falou confuso.

-Pra mim! – ela exclamou – toma o dinheiro e vai lá! Vai! Vai! – ela falou o empurrando.

O rapaz fez um "ahhh!" e saiu correndo atrás do doce para a jovem. Kagome riu.

-Aleluia! Esse Miroku me cansa... – InuYasha resmungou.

-Sango, você já tem muita prática com ele, não é verdade? – Kagome comentou.

-Hmf, Kagome, depois de se conviver anos com o Miroku a gente começa a desenvolver uns truques... – Sango respondeu parando em uma barraquinha de pastéis – vamos comer...

-E o Miroku? – Kagome perguntou – não vamos esperá-lo?

-Ah, logo, logo, ele volta... Vem, você quer de quê?

Assim como Sango havia dito, Miroku voltou pouco tempo depois trazendo o chocolate. Sango, InuYasha e Kagome já estavam comendo os pastéis.

-Sangozinha, aqui está, eu trouxe com todo o carinho... – ele falou entregando para ela, ela pegou o chocolate.

-Ué, por que está quebrado?

-O QUÊ? Onde está quebrado? – ele exclamou de repente atraindo os olhares de Kagome e InuYasha. O moreno pegou a barra e sentiu o grande quebrado que tinha no chocolate – OH! COMO PODE? Venderam-me um chocolate quebrado? É claro, só pode ser isso! – e continuou pensativo - com certeza não foi porque quando eu vinha eu tropecei em uma pedra e cai em cima dele... Não, não. Não deve ter sido por causa disso...

Sango girou os olhos.

-Ta, ta, pega um pastel pra você e fica quieto... – ela falou.

Após uma refeição nada calma, os quatro decidiram dar uma volta antes de voltarem para a casa. Era uma linda manhã de sol que não devia ser desperdiçada. Eles estavam passando pela praça, ouvindo Miroku reclamar de alguma coisa, indignado, mas que nenhum dos três prestava atenção, quando uma voz os parou:

-Cara de cachorro, o que está fazendo com a minha mulher?

InuYasha sentiu um arrepio de raiva percorrer sua espinha ao ouvir a voz de Kouga o chamando. Mas, do que ele estava falando o rapaz não tinha idéia. Virou-se irritado, para fitar o rapaz de cabelos negros que o observava nervoso.

-O que quer lobo fedido?

-Kouga! – Ele ouviu Kagome exclamar subitamente, assustada – o que faz aqui?

-Kagome, por acaso você conhece esse maldito? – InuYasha indagou com raiva fitando a jovem ao seu lado.

-Sim, ele é um amigo dos meus pais... – ela respondeu preocupada.

-Feh! Quem seria amigo do lobo fedido?

-Para sua informação, cara de cachorro, os Higu—

Kagome subitamente correu até Kouga e tampou sua boca. O rapaz a fitou assustado. E Sango, Miroku e InuYasha ficaram confusos com a atitude da jovem. "O que a Kagome está fazendo? O que o lobo fedido ia dizer que ela não queria que nós soubéssemos?" InuYasha pensou com raiva olhando os dois. Por acaso ela tinha algum segredo com o Kouga que não podia contar para eles? O rapaz sentiu a raiva crescer e tentou suprimir um rosnado que insistia em sair.

-Ah, Kouga, será que podemos ter uma conversinha? – ela perguntou sem-graça tirando a mão da boca do rapaz.

-KA-GO-ME! O que é que você tem para falar com ele? – InuYasha falou em meio a um rosnado. Sango olhou para o irmão assustada, nunca o tinha visto com tanta raiva.

-Ah... Eu... A gente... hmm

-Escute aqui, cara de cachorro, não é da sua conta o que a Kagome quer falar comigo! – Kouga falou colocando a mão na cintura da jovem, que por sua vez deu um pulo se afastando dele.

-O-o que está fazendo, Kouga? – ela perguntou.

-Ah, eu não to entendendo nada, Sango... – Miroku comentou – por que o InuYasha está tão nervoso? Eu sei que ele nunca se deu muito bem com o Kouga, mas parece que a senhorita Kagome o conhece...

-Miroku, eu acho melhor você ficar quieto... – Sango comentou, percebendo o olhar assassino que InuYasha lançou para o rapaz.

-Sinto muito, Lobo fedido, mas a Kagome vem comigo... – InuYasha falou segurando a jovem pela mão e a puxando – vocês conversam outro dia...

-Grrr, cara de cachorro, se ela disse que quer falar comigo, nós vamos conversar agora! – o outro exclamou a puxando também.

-Solte ela! – InuYasha gritou.

-Solte, você! – Kouga gritou de volta. Os dois se encaram rosnando.

-Soltem-me vocês dois! – Kagome disse empurrando os dois, cada um para um canto – InuYasha eu preciso falar com o Kouga, é importante, prometo que é rápido. E Kouga, pare de implicar com o InuYasha...

-Mas, Kagome! – InuYasha reclamou.

-InuYasha, por favor...

-Feh! – ele virou cruzando os braços, e Kagome balançou a cabeça puxando Kouga para se distanciar dos outros. Só quando estava a uma distancia considerável e nenhum dos três iriam escutar a conversa ela começou:

-Kouga, você não pode mencionar o nome da minha família de jeito nenhum na frente deles! Não pode dizer que eu sou uma Higurashi, por favor!

-Por que, Kagome?

-Kouga, a minha família é uma das mais conhecidas nessa cidade! Eu sei que eles não me entregariam... Mas eu tenho medo, eu não sei porquê, mas eu não quero que eles descubram. Se eles ficarem sabendo que pertenço a uma família rica eles certamente vão me tratar diferente, e eu não quero isso! Eu quero que eles gostem de mim, pelo o que eu sou e não pelo dinheiro da minha família... Eu sei que isso é estranho, mas eu sempre fui avaliada pelos outros por ser uma Higurashi essa é a primeira vez que me sinto importante pelo o que eu sou.

-Tudo bem, Kagome. Já que isso parece ser tão importante para você... – ele comentou segurando sua mão e beijando-a – eu farei o impossível para fazê-la feliz... Por que fugiu de casa, Kagome?

-Kouga... – ela prendeu a respiração – você vai me denunciar? Vai me entregar aos meus pais? Por favor, eu pretendo voltar para casa, eu juro que pretendo. Eu só quero mais um tempo!

-Acalme-se, Kagome. Eu quero entender os seus motivos. Depois eu decido o que vou fazer...

-Kouga, você sabe o meu motivo...

-Ahn?

-Eu estou noiva. Eu não quero me casar!

-O quê? Eu sabia que estava noiva, mas não podia imaginar que não queria esse casamento... – ele comentou surpreso, sentiu uma pequena faísca de felicidade crescer em seu peito ao ouvir aquelas palavras.

-É claro que não quero. Meus pais deram minha mão em casamento sem me consultarem. E por mais que eu dissesse que não queria me casar eles não me ouviam. Diziam que o Houjo seria um bom marido, mas eu não quero só um bom marido! Eu quero alguém que eu ame!

-Mas, Kagome, se fugiu de casa por causa disso, quando voltar, não acha que seus pais adiantarão o casamento?

-Eu não sei... E nem quero pensar nisso.

-Tudo bem, eu não vou te entregar, Kagome.

-Obrigada. – ela agradeceu caminhando de volta para onde os três estavam, Kouga a seguiu.

-Mas, Kagome, onde está morando? Eu passei nos hotéis e não a achei...

-Ah, eu não estou em hotel... InuYasha e Sango permitiram que eu ficasse na casa deles...

-O QUÊ? – ele exclamou chamando a atenção dos três que os esperavam voltar, InuYasha parecia estar agoniado com a demora – você está na casa do cara de cachorro??

-Sim, eles foram muito gent—

-Você não pode ficar na casa daquela gente! Você deve estar passando fome! InuYasha nunca consegue levar dinheiro para a casa! Kagome não permitirei que fique na casa dele!

-Quem é você para permitir alguma coisa, Kouga? – InuYasha exclamou parando entre os dois.

-InuYasha, saia da minha frente, eu estou falando com a Kagome!

-Pare de me dar ordens! Maldição!

-É bom que você não tenha tentado nada com a Kagome, ouviu bem? – Kouga falou nervoso.

-Ora, lobo fedido, o que eu faço ou deixo de fazer com ela não é da sua conta!

-Err, Kouga, o InuYasha não fez nada, não se preocupe. Ele tem me ajudado muito! – Kagome disse tentando apaziguar o clima entre os dois. Eles estavam a ponto de se baterem.

-Você vem comigo, Kagome! Minha casa com certeza é muito melhor que o barraco que o InuYasha vive!

-Repita isso, seu desgraçado! Você não vai a levar a lugar nenhum!! – InuYasha rosnou.

-Kouga, pare com isso. Eu estou muito bem onde estou. Sango e InuYasha têm sido ótimos, eu não admito que fale assim com eles! – Kagome reclamou.

-Desculpe-me, Kagome. Eu me excedi, mas é que eu ainda acho que seria melhor—

-Feh! Ela vai ficar com a gente, não entendeu? Será que vou ter que te explicar?

-Está bem! Ela fica com vocês! – ele falou contrariado – mas eu vou ir à sua casa todos os dias para ter certeza de que ela está bem! Está me entendendo, InuYasha?

-Ora, nos seus sonhos, lobo fedido!

-Kouga, eu tenho certeza que você tem muito que fazer... Não precisa se preocupar, eu estou bem, juro – Kagome falou tenta faze-lo mudar de idéia.

-Já está decidido, Kagome. Se você vai morar com eles, eu vou ir lá ter ver todos os dias! E eu não vou mudar de idéia! – ele disse por fim e se virou, distanciando-se – te vejo em breve, Kagome...

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N.A.: Olá, bom cá estou eu atualizando outra fic, peço desculpas à todos os leitores pela demora. Espero que tenham gostado do capítulo. Por favor, deixem suas opiniões, elas são muito importantes.

Beijos

Nayome Isuy