Capítulo 06 – Entre brigas e encontros

O céu estava totalmente azul naquela manhã e o belo sol iluminava a cidade. Tudo parecia incrivelmente perfeito e passava a impressão de que nada poderia dar errado. A jovem de longos cabelos negros estava sentada à porta do pequeno chalé admirando aquela linda paisagem.

Distraída em pensamentos, foi despertada pelas vozes de Miroku e Sango que estavam chegando da feira. Sango parecia mais brava que o normal e Kagome, curiosa como sempre, escondeu-se rapidamente atrás de um arbusto para ouvir a discussão.

-Por favor, Miroku, não insista. Nada que você diga me fará mudar de idéia! Droga, nem sei por que me importo, você é sempre assim! – ela exclamou nervosa.

-Não, Sango! Perdoe-me, eu não faço por mal, você sabe disso! – ele implorava, seguindo-a.

-Não, não sei! A única coisa que eu sei é que você é um maldito pervertido! Já estou farta de esperar que um dia você mude!

-Eu prometo que vou mudar!

-Admita, Miroku, você não vai! Quantas vezes já me disse isso?

-Eu prometo!

-Não, chega! Céus, eu nunca posso confiar em você!

-Sango... – ele sussurrou surpreso, ficou parado olhando para a jovem que se distanciava.

"Nossa, parece que aconteceu alguma coisa séria dessa vez..." Kagome pensou consigo, observando o casal. Miroku suspirou triste e seguiu para sua casa, parecia mais miserável que nunca.

"Ah, até imagino o que aconteceu, mas apesar de tudo, eu estou com um pouco de pena dele. Ele realmente parece triste dessa vez... Droga, Miroku, não consigo te deixar desse jeito, parece que vou ter que te ajudar. Não se preocupe, eu, Kagome Higurashi, vou salvar o seu relacionamento com a Sango!" ela pensava empolgada, de joelhos, atrás de uma moita e com os olhos brilhantes.

-Kagome, o que está fazendo aí?

A jovem deu um pulo ao ouvir a voz de InuYasha, que a observava desconfiado, agachado logo atrás dela.

-Ah! Oi, InuYasha, tudo bom? – ela deu um sorrisinho sem-graça.

-Desembucha, menina! – ele completou, aproximando-se mais dela – ta se escondendo de quem?

-Hahaha! Escondendo-me? Ora, InuYasha, de onde tirou essa idéia? – ela comentava nervosa e ria de maneira extremamente estranha – não seja bobo, eu só estava... Eu estava... – "droga, o que eu falo? É melhor dizer algo logo, ele já está desconfiado, MAS O QUÊ?" Eis que surgi a imagem de Miroku passeando com uma pedra, conversando com outra, tropeçando em mais outra – É claro, eu estava colhendo pedras! – ela disse com um super sorriso – olha só a forminha dessa aqui! Tão bonitinha, parece um coelhinho! Hahahahaha...

"Pedras? Você é estúpida, Kagome?" ela pensou nervosa consigo.

-Pedras? ! – InuYasha exclamou, levantando-se subitamente com as mão na cabeça - Meu Deus, eu não sabia que a convivência com o Miroku podia ser tão perigosa assim! Não se preocupe, Kagome, eu não vou permitir que esse desmiolado te influencie assim! Ah, eu vou ter uma boa conversa com esse Miroku. O que ele pensa que está fazendo enfiando essas idéias na sua cabeça?

-Não, InuYasha, espere, deixe o Miroku em paz. Ele não está muito bem... – ela pediu segurando-o pelo braço.

-Hm? Do que está falando?

-Não é nada. Venha, vamos almoçar... – ela disse pegando-o pela mão e puxando-o.

InuYasha corou com o súbito gesto da jovem e ficou ainda mais vermelho ao perceber que agora andavam de mãos dadas. A moça parecia não ter percebido. "Ou, percebeu, mas está se fazendo de inocente, hah, eu sempre soube que eu era irresistível" pensou.

"Ou, talvez, você seja extremamente convencido"

"Quem te perguntou alguma coisa?"

"Céus, como pode distorcer um ato tão inocente?" ele discutia consigo mentalmente.

"Você é muito ingênuo se pensa que por trás desse gesto não há segundas intenções" sugeriu insinuante.

"Você está ficando pior que o Miroku!"

"Feh! Não fale besteiras..."

-InuYasha? – Kagome o chamou, soltando sua mão e sacudindo-a em frente aos seus olhos – você está bem?

-Ah, claro, to ótimo... - "Droga, eu não pedi pra você soltar" pensou emburrado. – vamos logo. To com fome...

Ele saiu na frente e ela apressou-se para segui-lo.

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Miroku estava sentado na pequena mesa de madeira de sua casa, pensando. Não sabia o que fazer, nunca tivera de ficar sozinho em casa, uma vez que sempre estava com InuYasha e Sango. Chegava a ser estranho, uma casa que não lhe parecia familiar. Suspirou pelo que parecia ser a vigésima vez.

Subitamente, levantou-se batendo com o punho na mesa, fazendo um copo de leite virar sobre o seu almoço.

-Hah, Sango! Eu não vou desistir de você! Chega de depressão, isso não faz meu estilo! – ele falou dando uma risadinha e fazendo pose de galã – Não me importa o que eu vou ter que fazer para você me perdoar, mas eu vou te provar que você não vive sem mim... – e lá ficou o rapaz rindo sozinho, até sair correndo de casa.

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A casa estava estranhamente silenciosa. Sango lavava alguns pratos e parecia absorta em pensamentos, e a bela jovem de cabelos negros remexia de forma entediada o macarrão que deveria ser seu almoço. Parecia extremamente interessada em um ponto qualquer da parede. InuYasha não agüentava mais aquele silêncio, cada segundo que se passava um pequeno rosnado escapava de seus lábios.

-Já chega! O que diabos está acontecendo aqui? – ele indagou subitamente se levantando da mesa de onde observava Kagome. Nenhuma das duas respondeu, apenas suspiraram se lembrando do ocorrido. Isso fez com que InuYasha bufasse nervoso.

O rapaz de longos cabelos prateados agarrou Kagome pelo braço e a puxou para fora de casa.

-Fala logo! Eu sei que você sabe.

-O que você sabe que eu sei? – ela perguntou tentando enrola-lo.

-Maldição, eu sei que você sabe o que está acontecendo! Pode ir falando...

-Ora, InuYasha, eu também sei que a Sango sabe, por que não pergunta pra ela?

-Por que eu estou perguntando pra você!

-E se eu não quiser falar? – a moça perguntou cruzando os braços e virando o rosto de forma desobediente.

-Por que você não quer falar? Desgraça, o que vocês estão escondendo?

-Bom dia pros doi— o moreno ia passando por eles, contudo foi detido por InuYasha.

-Você também sabe, né? – o rapaz gritou agarrando o outro pelo colarinho – Conte-me!

-O-o quê? – Miroku pediu desnorteado.

-InuYasha, eu já disse pra você deixar o Miroku em paz hoje! – Kagome falou segurando o braço do rapaz.

-Ei! Isso me lembra de uma coisa! – ele disse soltando a camisa do moreno – o que você falou pra Kagome?

-InuYasha, meu caro, eu não sei se você sabe, mas acho melhor te explicar, uma vez que parece não saber... – o outro jovem comentou arrumando as roupas.

-Eu estou farto de não saber das coisas!

-A ignorância é uma benção! – Miroku exclamou de forma dramática, os olhos brilhando – não queira perder essa virtude! Agradeça, agradeça agora!

-Eu vou te partir no meio! Pare de enrolar.

-Enfim, como eu ia dizendo antes de ser bruscamente interrompido – o moreno continuou – preste atenção, quando uma pessoa chega e encontra outras duas pessoas conversando, ela não pode adivinhar o assunto se você não contar! Então faça o favor de ser mais claro com suas perguntas! E nada de sair agarrando o pescoço dos outros, isso é feio. Meninos educados não fazem isso... – ele completou balançando o dedo de forma reprovadora.

-Eu não sei por que eu ainda tento... – InuYasha suspirou – e eu achando que ia conseguir respostas... – respirou fundo – Olha aqui, seu infeliz, chega de piadinhas... A Kagome não estava agindo de forma normal hoje!

-Ei, eu ainda estou aqui! – a jovem reclamou.

-O que a senhorita Kagome poderia ter feito de tão estranho?

-Ela estava catando pedras! E disse que elas tinham formas de coelhinhos... Isso é coisa sua que eu sei!

-Ah! Senhorita Kagome, por favor, deixe-me ver essa raridade! Um coelhinho, mas que fofura!

-Espera, eu guardei ela em algum lugar... – Kagome começou a procurar pela pedra enquanto Miroku esperava com os olhos brilhando ao lado da garota. Uma veia começou a pulsar na testa de InuYasha enquanto ele apertava os punhos nervoso ao ser ignorado. – Achei!

Ela entregou a pedra ao rapaz que começou a analisá-la de forma minuciosa "eu não acredito que ele caiu nessa" Kagome pensou girando os olhos "essa pedra não tem nada a vê com um coelho... sinceramente".

-Oh, senhorita Kagome, estou vendo as orelhinhas! Quem é o coelhinho mais fofo? – ele começou a perguntar de forma débil para a pequena pedra. No entanto, de repente, ele se endireitou, pigarreou e entregou a pedra para Kagome – desculpe-me, Kagome, eu não vim aqui para isso...

Com isso o rapaz deixou os dois abismados e entrou no pequeno chalé.

-Grrr! Maldito, está me fazendo de idiota!

Após alguns minutos, Sango saiu irritada.

-Miroku, eu já disse pra me deixar em paz! – ela passou pelos dois – vou passear pela cidade, não me sigam... – ela os avisou.

-Droga! – Kagome praguejou estalando os dedos – esse Miroku realmente precisa de ajuda! Quanto mais ele tenta, pior a coisa parece fica... – ela já ia entrando para falar com o moreno, porém foi impedida por InuYasha.

-Ei, não acha que está me devendo uma explicação?

-Céus! Como você é irritante... Ta bom, eu te conto, com uma condição, claro...

-Qual?

-Você vai ter que me ajudar.

-Em quê?

-Não conto enquanto não concordar em me ajudar...

-Hmf, ta bom, eu ajudo, agora dá pra explicar?

-Claro – ela comentou com um sorriso – a Sango e o Miroku brigaram, e brigaram feio...

-Ah, é só isso? Eu não acredito, você fez esse drama todo por essa mixaria? Isso acontece quase todo dia...

-Não é mixaria, o que está em jogo é o amor! – ela disse de forma sonhadora.

-Feh! Qual o seu problema, menina? De que amor está falando?

-Do da Sango e do Miroku, é claro.

-Está doida? Minha irmã não ama esse pervertido!

-InuYasha, você é um sem-noção mesmo. E quer saber de uma coisa? Você vai me ajudar a fazer um encontro entre a Sango e o Miroku! – ela fez pose de heroína e o rapaz a olhou, entediado.

-Isso nunca daria certo.

-Vai dar, você vai ver!

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Uma batida na porta chamou a atenção do senhor Higurashi que estava lendo um jornal em seu escritório.

-Entre.

O criado entrou e trazia um papel nas mãos.

-Senhor, pediram para avisá-lo que os cartazes ficaram prontos. – ele falou entregando o papel para o senhor.

Senhor Higurashi fico admirando saudoso a foto da filha mais nova.

-Ótimo. Mande espalhar pela cidade.

-Certo – e com isso o criado se retirou fechando a porta.

-Kagome, vou achá-la. – ele falou se levantando e encarando os jardins de sua grande casa.

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Paf!

O eco seco de um graveto colidindo com força em uma mesa soou pela pequena casinha.

-Está errado, Miroku. Tente de novo. – Kagome ordenou brava.

Miroku estava sentado na sala de estar de frente para a mesa na qual costumava fazer suas refeições, um pequeno bloquinho de notas estava aberto a sua frente e uma caligrafia apressada e meio borrada marcavam as folhas brancas. No topo da folha havia o seguinte título "10 dicas para um encontro perfeito".

-Vamos, Miroku! Concentre-se! – Kagome exigiu.

Paf!

A jovem bateu com a vareta de madeira na mesa, fazendo o rapaz dar um salto.

-Qual é a dica número 5? ! – a jovem inquiriu.

-Não apalpar/ alisar/ tocar traseiros na presença (ou fora, mas talvez seja pedir demais) de sua dama. – O jovem leu palavra por palavra com cede de aprendizado.

-Feh! – resmungou InuYasha, que estava jogado em um sofá ali perto, fazendo questão que todos soubessem o quanto ele considerava todos aqueles esforços uma perda de tempo.

-Correto! Parabéns, Miroku!

-Obrigado! – o rapaz agradeceu com o olhar vidrado.

-Próxima! Qual a regra número 1?

-Não falar/ brincar/ catar/ tropeçar/ acariciar pedras por mais bonitinhas e fofinhas que sejam. Nem mesmo se encontra uma com formato de borbole-e-eta.. – o moreno leu e secou as lágrimas – o que eu não faço pela Sango?

-Feh!

-Seja forte, Miroku! – Kagome falou secando as lágrimas solidárias com um lencinho.

-Serei forte!

-Prosseguindo... Qual a regra número 7?

-Não falar coisas idiotas.

-Feh!

–Hm, não compreendi bem essa regra...

-O que não entendeu?

-Bom, por exemplo, falar sobre javalis está incluso em bobagens?

-Diga-me, por que falaria sobre javalis no meio de um encontro?

-Bom, não sei. Às vezes ela tem interesse nesse tipo de animal e seria um grande prazer ensiná-la todos meus conhecimentos sobre javalis. Veja bem, javalis são animais muito interessantes, se você observar a forma como ele comem perce—

Paf!

-Javalis estão inclusos em bobagens! – a moça falou interrompendo-o. - Chega de regras, vamos falar dos passos necessários para realizar um encontro perfeito.

-Feh!

-Primeiro passo... – Kagome começou a ditar e Miroku começou a escrever freneticamente. – Chegar na hora marcada. É muito feio deixar a dama esperando.

-"Meninos maus deixam damas esperando" – Miroku ia sussurrando enquanto escrevia.

-Segundo, a aparência é muito importante, tenha certeza de que está apresentável. Terceiro, seria interessante levar um presente para a moça, como uma forma de lembrança e para que ela perceba que esteve pensando nela. Quarto, leve-a para um lugar divertido e romântico. – comentou. – Eu sugeriria a praça, disseram-me uma vez que à noite o local fica todo iluminado e alguns músicos fazem apresentações lá, o clima é bem romântico e é um ponto para encontro de casais.

-Feh!

-InuYasha! Será que da pra parar com esse barulho irritante?

-Maldição, Kagome. Por que eu tenho que ficar aqui ouvindo essas besteiras?

-Não são besteiras! E você prometeu me ajudar – ela reclamou – bom continuando...

E assim passaram a tarde toda, discutindo sobre presentes, lugares para visitar e tópicos de conversa agradável.

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Após ensinar tudo para Miroku, Kagome correu para casa, pois ainda precisava convencer uma nervosa Sango a ir a um encontro com Miroku. Foi uma das tarefas mais difíceis que Kagome já realizara na vida e isso lhe custara a louça do dia seguinte.

Quando o horário marcado para o encontro foi chegando Kagome começou a ficar agitada, Sango trancara-se no quarto com a desculpa de estar se arrumando. InuYasha estava jogado no sofá, de sua casa, observando toda aquela agitação por algo que ele julgava e inútil.

-Kagome, o que acha? – a voz de Sango chamou sua atenção. Sango usava um vestido simples, porém muito bonito e que lhe caiu muito bem. Os cabelos estavam arrumados e penteados e ela trazia uma pequena bolsinha.

-Sango, você está linda! – Kagome exclamou feliz.

Leves batidas na porta soaram pela sala. Sango correu para atender.

-Boa noite, Sango. Devo dizer que está maravilhosa. – Miroku cumprimentou galanteador.

-Obrigada. – a moça sorriu. – InuYasha, Kagome, volto mais tarde, por favor, cuidem da casa enquanto eu estiver fora.

-Certo. Pode deixar, Sango! Aproveitem! – Kagome respondeu, fechando a porta quando os dois saíram.

A moça correu para o quarto que dividia com Sango pegou uma bolsa e voltou correndo para a sala.

-Certo, InuYasha, levante-se!

-O quê? Pra que diabos tenho que me levantar?

-Ora, não é óbvio? Vamos segui-los! – a jovem falou cheia de animação, os olhos brilhando – não confio no Miroku, aposto que fará alguma besteira e é por isso que iremos, para nos certificar de que nada de errado aconteça. Agora, levante-se logo.

O rapaz se levantou muito a contragosto e os dois saíram correndo pela estradinha de terra e não demoraram muito para alcançar o casal.

-Psiu, InuYasha, vamos pelos arbustos. – Kagome sussurrou. – Sango, não pode perceber que estamos seguindo-a.

-Feh!

-Onde estamos indo, Miroku? – ouviram Sango perguntar.

-Você verá, minha dama!

Eles caminharam pelas ruas da cidade, virando aqui e ali, até chegarem a uma rua com vários restaurantes, o local estava animado e vários casais passeavam por ali. Miroku guiou Sango até um pequeno restaurante de ar aconchegante e sentaram-se em uma mesa. InuYasha e Kagome que os acompanhavam de perto, entraram no restaurante, escondendo-se atrás de garçons, mesas e balcões e se sentaram em uma mesa logo atrás de Sango.

Miroku arregalou os olhos quando os viu e Kagome fez "Shh!" freneticamente para o rapaz. InuYasha e Kagome pegaram os cardápios e começaram a fingir que estavam lendo para que não notassem sua presença.

-Que lugar agradável. – Sango comentou. – Tem certeza de que aqui não é muito caro?

-Não se preocupe, Sango.

InuYasha estava emburrado e entediado, Miroku e Sango conversavam sobre coisas triviais, para o alivio de Kagome, tudo estava ocorrendo conforme o planejado. O casal pediu o jantar, que veio em pouco tempo, eles comeram e logo Miroku pediu a conta. O rapaz verificou o valor, enfiou a mão no bolso e não achou nada, começou a suar frio "Onde está minha carteira!" pensou em pânico.

Miroku começou a ficar nervoso, vasculhando todos os bolsos.

-Está tudo bem, Miroku? – Sango perguntou desconfiada.

-Está sim. Está tudo ótimo, sua presença é incrível, Sango!

-Ei – Kagome sussurrou – tem algo errado. O Miroku ficou agitado de repente.

InuYasha ergueu a cabeça e começou a espiar a outra mesa, viu Miroku mexendo nos bolsos freneticamente e entendeu o problema.

-O maldito esqueceu a carteira!

-Oh não! Está na hora de entramos em ação! – Kagome abriu a bolsa e tirou um chapéu e algumas moedinhas de ouro. Socou o chapéu na cabeça do rapaz e passou-lhe as moedas – agora escute, leve essas moedas para o Miroku, mas faça isso discretamente.

-Por que eu tenho que fazer isso?

-Porque você é o ladrão aqui e teoricamente deveria ter mãos furtivas. Agora vai! – a jovem o chutou.

O rapaz ajeitou o chapéu de forma a esconder seu rosto e se dirigiu a mesa dos amigos, aproveitou a aproximação de um garçom e colocou o pé na frente. O garçom que carregava uma bandeja cheia de pratos tropeçou no pé do rapaz e estatelou-se no chão. InuYasha moveu-se furtivamente para o outro lado da mesa e enfiou o dinheiro no bolso do amigo que estava ocupado discutindo com o garçom.

-Por que o senhor fez isso? ! – o garçom gritou indignado com Miroku.

-Eu não fiz nada – o moreno retrucava.

-Fez sim! O senhor pôs o pé para que eu tropeçasse!

InuYasha correu para a porta do banheiro e virou-se para encara Kagome, quando conseguiu a atenção da jovem fez um sinal de "Okay!" para ela e ficou todo sorridente com a missão cumprida. Kagome sentiu um súbito impulso de bater com a cabeça na mesa, mas conseguiu se controlar.

-Acalme-se, senhor, por favor. – Sango pedia, tentando acalmar os ânimos em vão.

-O senhor vai pagar pelos os estragos que causou! – O garçom gritava.

Kagome aproveitou a distração de Sango e passou correndo pelo casal e sussurrou para Miroku:

-O dinheiro está no seu bolso.

Com isso Kagome puxou InuYasha para fora do restaurante. O rapaz que continuava alegre pela "ótima" missão cumprida seguiu-a feliz.

-InuYasha! - A jovem virou-se com raiva, mas encontrou o rapaz tão sorridente que perdeu as palavras.

-Kagome! Fiz tudo direitinho, você viu? Duvido que a Sango tenha me visto! Hah!

A jovem suspirou e deu leves tapinhas na cabeça do rapaz, como quem diz a um cachorrinho "bom trabalho". Voltou pra uma das janelas do restaurante para ver como iam as coisas.

-Senhor garçom, estou tentando ter uma conversa civilizada com o senhor. Mas o senhor está sendo muito mal educado com a minha pessoa. – Miroku falou teatralmente. Ele enfiou a mão em um dos bolsos e tirou as moedinhas de ouro – aqui está o pagamento pelo nosso jantar. Vamos embora, Sango querida, está espelunca tem péssimos atendentes!

E saiu com o nariz empinado. E mais uma vez InuYasha e Kagome começaram a segui-los.

-KAGOME!

A jovem deu um pulo ao reconhecer Kouga, em um rápido movimento, jogou o rapaz na primeira viela que viu e pôde ouvir Sango comentar "Que engraçado, podia jurar que ouvi alguém chamando pela Kagome".

Kouga tomara um susto quando fora arremessado no beco e acabara caindo no chão sentado, olhava a jovem assustado.

-Escuta aqui, Kouga! Pare de ficar me gritando toda vez que me vê! Como posso seguir a Sango se você fica gritando o meu nome? – ela perguntou brava com as mãos na cintura observando o rapaz.

-Kouga, seu desgraçado, o que está fazendo aqui? – InuYasha entrou correndo no beco.

-Não é da sua conta, cara de cachorro. Kagome, preciso falar com você. É urgente!

-Do que se trata? – a moça indagou intrigada.

Kouga se levantou de um pulo e puxou-a pelo braço, afastando-se de InuYasha.

-O que pensa que está fazendo? Ela não vai a lugar nenhum com você!

-Não amola! Preciso falar com ela.

-InuYasha, espera aqui, por favor.

Kagome e Kouga se afastaram, InuYasha os observava atento, vez ou outra ouvia um trecho da conversa:

-Preciso te mostrar uma coisa. – ele ouviu Kouga dizer.

A posição onde InuYasha estava não era muito favorável, Kouga se localizava de costas para ele e Kagome estava a frente de Kouga. O relojoeiro começou a mexer na parte da frente das vestes.

-Mas que diabos? – InuYasha resmungou.

Kagome soltou um gritinho agudo. O que fez com que InuYasha ficasse mais vidrado ainda na cena, a jovem parecia estar observando algo, chocada.

-Kouga, deixe-me ver isso melhor! – ela exclamou.

InuYasha arregalou os olhos, Kagome abaixou a cabeça e parecia chocada.

-É enorme! – disse a moça.

-Já chega! – InuYasha correu até os dois – o que pensa que está mostrando para ela, seu lobo indecente? !

Kagome pulou de susto e enfiou algo na bolsa rapidamente.

-Lobo indecente? – repetiu Kouga.

-E você, Kagome! Que bela safada você é!

-InuYasha, do que está falando? !

-Não tente me enganar. E tenho certeza que os atributos desse lobo fedido não são tão impressionantes assim! – ele gritou e saiu batendo o pé pelas ruas da cidade.

-De qualquer forma, Kagome, tome cuidado, esses cartazes estão espalhados por toda a cidade. – o rapaz completou ignorando a idéia absurda do outro moço. Kagome abriu a bolsa e tirou o papel, ficou a observar a própria foto, no cabeçalho lia-se "Desaparecida".

Tornou a guardar o papel e despediu-se de Kouga agradecendo o aviso. Apressou o passo para alcançar InuYasha que estava furioso.

-InuYasha, você entendeu tudo errado. – A moça comentou.

-Não adianta me enganar dessa vez, Kagome. Eu ouvi muito bem o que você disse!

-Mas ele só estava me mostrando um relógio que ele adquiriu recentemente.

-Relógio?

-Sim. – disse sorrindo.

Ele a olhou desconfiado cruzando os braços.

-Nem vem, vocês não estavam falando de um relógio. É enooorme! – ele imitou fininho.

-Bom, é que os ponteiros eram realmente grandes...

Ele a encarou.

-É melhor que isso seja verdade.

-Ora, InuYasha, está insinuando que iria para um beco escuro e pediria para ver... ver... aquilo? – ela perguntou, o rosto ficando tão vermelho que mais parecia um pimentão.

-Feh! Vamos procurar a Sango e o Miroku...

Demoraram um pouco, mas logo os encontraram na praça, sentados em um banco, conversando distraidamente. O local estava bem iluminado e havia um bonito chafariz no centro, próximo do qual os músicos tocavam belas melodias românticas. InuYasha e Kagome sentaram-se perto do casal, escondidos atrás de uma moitinha, pois a praça era envolta por algumas árvores que embelezavam o local.

-Humf. Estou cansado. – reclamou InuYasha se deitando na grama e olhando para o céu negro.

-Acho que eles estão bem agora... Não acredito que acontecerá mais algum infortúnio. – A jovem comentou distraída, apenas apreciando a música.

-Kagome, por que está se esforçando tanto por eles? – o rapaz perguntou pensativo.

-Ora, porque a Sango é minha amiga e eu sei que eles se gostam, além do mais, Miroku é um tarado, mas sei que é um bom rapaz. Eles merecem ficar juntos.

A noite estava tranqüila e ambos caíram no silêncio.

-InuYasha, obrigada por me ajudar hoje.

O rapaz pôde ver as bochechas rosadas da jovem e sorriu.

-Não há de que. Além do mais, foi divertido. – falou rindo.

-InuYasha... – a moça o encarou – você está sorrido.

O comentário fez com que ele fechasse a cara novamente e retrucasse mal educado:

-E por acaso não posso?

-Não é isso, é que você está sempre emburrado. Devia sorrir mais vezes... Fica muito bonito.

Os dois coraram e InuYasha desviou o olhar.

-Kagome?

-Sim?

-Quando voltar para sua casa, você virá nos visitar?

A pergunta a surpreendeu, um sorriso doce se formou em seus lábios.

-Eu não posso garantir, mas prometo que farei o possível.

Ele se sentou para fita-la. Ficou impressionado com o que viu, a face levemente corada em contraste com os delicados traços de seu rosto, a moça parecia tão serena. "Que vontade de abraçá-la..." pensou, surpreso.

A jovem se aproximou dele retribuindo o olhar. Quando se deram conta a pequena distância entre eles havia diminuído, estavam tão próximos que InuYasha podia sentir a respiração quente da jovem e o doce cheiro que ela exalava, embriagou-o. Os olhos fecharam-se lentamente e quando finalmente iam cruzar os poucos centímetros que os separavam, foram interrompidos.

-Ok, ok! Sabemos que estão ai. – a voz de Sango despertou-os. Quando a jovem abriu o pequeno arbusto, Kagome reagiu instintivamente, empurrou InuYasha tão forte que o jovem bateu a cabeça na árvore atrás deles.

-Maldição! Por que fez isso, Kagome?

-Hah hah, aproveitando o encontro, Sango? – ela perguntou ignorando o rapaz que a fuzilava com o olhar.

-Feh! Eu vou para casa! – informou nervoso e saiu apressado resmungando e xingando.

Miroku aproximou-se das duas moças.

-O que houve?

-Nem pergunte.

Kagome riu nervosamente.

-Vamos para casa então? – sugeriu.

-Vamos.

O caminho de volta para casa foi tranqüilo, apesar de Miroku ter tropeçado em uma pedra e ter começado um escândalo dizendo que elas estavam se vingando, pois ele as ignorara a noite inteira. Sango, apesar de tudo, pela primeira vez, parecia não se importar com as reclamações de Miroku, na verdade achava muita graça. Notava-se de longe sua felicidade.

"Bom, pelo menos a Sango teve um encontro feliz." Pensou Kagome e sorriu para a amiga que lhe retribuiu com um dos sorrisos mais genuínos que já virá.

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N.A.: Olá, quanto tempo!

Espero que tenham gostado do capítulo!

Obrigada a todos que leram e comentaram!

Beijos!

Nayome Isuy