Nota: Quanto tempo eim. –' Me desculpem pela demora, mas ando cheia de coisas p/ fazer :/ Bom o caso é o seguinte: mesmo que já tenha outra adaptação da fic aqui no FF, não vou parar de postar. Até pq comecei a postar a fic primeiro, e ela já está completa há muito tempo (só que em outro site). Fico grata a todos que me informaram e espero que compreendam.

Os: Estou postando toda a fic hoje!

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— Aqui? — Bella quase gritou. — Eu não posso dormir aqui.

— Eu não posso dormir aqui, Alteza— ele a corrigiu. — Posso perguntar por quê?

Ela estreitou os olhos.

— Porque este é o seu quarto de Sua Altezal— Ela olhou ao redor. — Onde Sua Altezavai dormir?

— Aqui, claro! — Edward riu da expressão indignada, do tom surpreso da voz dela.

Bella tinha um charme inocente todo especial. Pura en cenação, ele tinha certeza. As americanas fariam qualquer coisa por um título de nobreza. A ex-noiva o ensinara uma lição valiosa, ainda que dolorosa.

— Bella, o anel pertence à minha família há muitas gerações. Há muitos séculos. Prefiro ficar perto dele.

— Sua Alteza pode trancar-me num quarto, numa torre, se quiser, com um batalhão de guardas fortemente armados. Não vou fugir, Alteza. Prometo.

As promessas dela não significavam nada. Além do mais, Edward não poderia correr o risco de manter um guarda na porta do quarto de hóspedes. Sua mãe poderia ver, ou saber pelos empregados, e saberia que alguma coisa estava errada. E se a princesa Esme descobrisse sobre o anel... No dia seguinte, antes mesmo do anoitecer, os convites de casamentos já teriam sido distribuídos pelos quatro cantos do mundo!

—Você vai ficar aqui. Comigo.

Ela abriu a boca para falar, mas calou-se. Emmet franziu o cenho.

— Alteza...

— Boa noite, Emmet.

— Emmet — Bella chamou-o. — Obrigada pela ajuda.

— Foi um prazer, Bella. Feliz aniversário, Alteza. — Com uma reverência, Emmet saiu do banheiro.

Que aniversário!,Edward pensou contrariado. Uma viagem aos desertos gelados da Sibéria seria bem melhor do que aquilo. Qualquer coisa seria.

Mas ele estava ali, no banheiro, com Bella, que usava o anel real de noivado. Se a notícia vazasse, ele estaria casado com a americana em uma semana, no máximo.

Casado com uma estranha. Edward segurou com força a mão de Bella.

—Ai!

Ele soltou rapidamente a mão. Não deveria ter sido tão rude. —- Eu... eu só queria passar o óleo.

Bella encarou-o com as sobrancelhas franzidas. Duas pequenas linhas apareceram na testa, acima do nariz.

— Olhe aqui, eu quero livrar-me deste anel tanto quanto você. — Depois de breve hesitação, ela estendeu a mão. — Besunte-me, Alteza.

Irreverente, mas interessante.Talvez em outra ocasião, em outro lugar. Absurdo. Sabendo ou não, ela envolvera-se com a lenda. Depois que removesse o anel, nunca mais ele queria ver Bella Swan em sua vida!

Inclinando o vidro, ele derramou óleo no dedo delicado. De pois de colocar o vidro sobre o mármore da pia, começou a espalhar o líquido em volta do anel. As mãos dele engoliram a dela, pequena e delicada. Bella estremeceu.

Ela enrubesceu.

— Eu posso fazer isso, Alteza.

— Não. Eu faço.

Edward percebeu um brilho de desafio nos olhos dela. Mesmo assim, ela estendeu a mão. Tanto melhor. Pelo menos, ela sabia obedecer. Devagar, espalhou o óleo pelo dedo todo, prin cipalmente sobre o anel. Não notara antes as unhas esmaltadas de rosa-pálido. Como sua mãe costumava usar, antes da morte do pai dele.

Mas uma manicure francesa não fazia uma princesa.

— O que é isto? — Bella perguntou.

De novo, ela esquecera de dirigir-se a ele como "Alteza".

— Óleo.

Com a mão direita, ela pegou o vidro e leu o rótulo.

— Óleo de massagem?

Ela precisava de uma aula sobre protocolo real.

— Sim.

— Interessante. — Bella recolocou o vidro sobre o mármore. — Sua Alteza sempre tem um estoque de óleo para massagem? Ou tivemos sorte esta noite?

Aquela era a mulher mais irritante que ele já conhecera. Impassível, ele continuou friccionando o dedo.

— Foi um presente.

— Eu tinha certeza.

Ignorando o tom irreverente, Edward procurou lembrar-se de que ela era americana, que não estava habituada às for malidades da aristocracia real. Ele tentou tirar o anel, mas este continuava tão firme quanto uma rocha. Recusando-se a desistir, ele derramou mais óleo. Seus dedos deslizaram sobre os dela, o atrito das peles aquecia o óleo espalhado entre as mãos de ambos.

Macia. Sob os dedos, ele sentia a maciez da pele dela. A fragrância do perfume francês invadia-lhe as narinas. Não era à toa que Emmet insistira em ficar para ajudá-los. Era muito agradável. Edward observou a imagem refletida no espelho, até Bella perceber. Piscando, ela desviou o olhar. Ele também.

Ele não deveria estar apreciando aquilo. Não era um jogo, nem uma peça de teatro. A pele de Bella não era macia. A mão de qualquer mulher pareceria macia sob uma camada de óleo para massagem.

De novo, ele puxou o anel.

Nada.

Precisava pensar em algo. Uma nova técnica. Talvez devesse tentar as juntas inchadas. Sim, era isso.

Deixando o óleo agir como lubrificante, Edward massageou o nó do dedo. Certamente, funcionaria. Os dedos de Bella eram longos, elegantes. Conteve-se para não perguntar se ela nunca pintava as unhas com esmalte vermelho.

Seus olhares se encontraram.

— Oh, Alteza — ela disse, corando. — Este é o dedo errado!

Edward soltou a mão dela abruptamente. Não tinha como explicar o lapso, nem por que sentia-se como uma criança pi lhada em alguma traquinagem.

— Deixe que eu tento. — Bella puxou o anel. — Ainda está colado, Alteza.

Ele também.

Enquanto o anel estivesse no dedo de Bella, ele também estaria colado a ela.

Indo até a pia, a moça lavou as mãos.

— O dedo está muito inchado. Não acredito que consegui remos tirar o anel do meu dedo esta noite, Alteza.

Eles estavam tentando por muito tempo. Tempo demais. Edward notou as olheiras de Bella.

— Amanhã cedo, tentaremos de novo. Você deve estar cansada.

Os lábios dela se curvaram num sorriso encantador.

— Estou sim, Alteza, mas se quiser continuar, entenderei perfeitamente. Sei que deseja o anel de volta.

A sinceridade na voz dela, surpreendeu-o, assim como a disposição de continuar, apesar do cansaço. Ele estava acos tumado com as pessoas sempre exigindo alguma coisa dele. Poucas ofereciam algo em troca.

— Não, vamos esperar até amanhã. — Edward percebeu que o vestido dela já estava amassado, demonstrando sinais da longa noite. Ela não podia dormir com o vestido de baile.

— Vou arrumar algo para você dormir.

Bella enxugou as mãos na toalha.

— Estou bem assim, Alteza.

O corpete justo levantava os seios e o decote "V" realçava as linhas arredondadas.

— Realmente, seu vestido é lindo, mas acredito que o costureiro não tinha a intenção de transformá-lo em camisola. Venha comigo. — Edward abriu o armário de mogno em seu quarto. Procurou entre as roupas e tirou a blusa de um pijama verde da gaveta. — Pode vestir.

Bella correu os dedos pelo tecido.

— É de seda, Alteza.

— Qual o problema?

— Nenhum. É muito bonita. Não quero estragá-la. Pode emprestar-me uma camiseta?

— Você não vai estragá-la.

Ela deu de ombros.

— É o que sempre dizem — resmungou Bella antes de entrar no banheiro e fechar a porta.

O príncipe Edward não disse uma palavra, mas Bella podia notar, sentir a diferença. Du rante o banho, ele se transformara no príncipe encantado que ela conhecera no imenso hall, o príncipe sensual que balançara seu coração.

Ele saiu do banheiro e parou no meio do quarto. O sorriso irresistível, o olhar cheio de ansiedade e desejo. O olhar pe netrava, acariciava, fazendo-a sentir-se uma mulher desejável.

E Bella ressentiu-se por isso. Ressentiu-se pela fraque za, pela própria vulnerabilidade.

Mas não podia evitar essa sensação.

O homem poderia conquistar o coração de qualquer mulher, se ele se dispusesse a isso.

Não o coração dela.

Com toda sinceridade, ela preferia a cara feia de Sua Alteza, em vez da linha sensual que curvava os lábios dele.

Lábios feitos para mordiscar, para saborear, para beijar.

Calma!,-pediu a si mesma. Eram apenas lábios. Lábios reais com os quais ela não queria absolutamente nada. E daí que sua odiosa personalidade não diminuía seu sex appeal?

Não estava interessada. E ponto final.

Se ela afirmava não estar interessada, devia acreditar nisso. Não que isso tivesse importância. Claro que não. Ela estava apenas exagerando, permitindo que a imaginação e os hormô-nios corressem à solta.

O príncipe não lhe propusera nada. Na verdade, não dissera nenhuma palavra. Ele estava brincando. Sim, era isso. Ele brincava, para provocar-lhe uma reação. Aquele olhar convi dativo não significava nada. Absolutamente nada.

Além do mais, o príncipe Edward não gostava dela. Estava muito bravo, isso sim. Afinal, aquela moça estava usando o anel dele. Talvez, não usando exatamente, mas o anel estava no dedo dela.

O sorriso dele se alargou, realçando as linhas ao redor dos olhos. Aparentemente, esquecera-se do anel. Insanidade tem porária. Ou...

Não, não podia ser.

Mas ele estava olhando para ela, sorrindo. Um sorriso se dutor capaz de fazer qualquer mulher desmaiar. Talvez ele quisesse tocá-la, beijá-la, fazer amor com ela.

Talvez estivesse mesmo exagerando nas fantasias. Ou, quem sabe, tivesse alguma coisa no rosto. Bella tocou a própria face.

— Alguma coisa errada, Alteza?

— Não. — Edward deu um passo à frente.

Bella engoliu em seco, sentindo-se completamente des locada. Principalmente com o príncipe vestindo apenas a calça do pijama! A calça de seda verde aguçava-lhe a imaginação, e a curiosidade também. E o que estava à mostra, era sim plesmente estonteante. Os ombros largos, o peito musculoso, os braços rijos.

O típico homem vaidoso. Saltitando pelo quarto como um bailarino. Certo, parado, não saltitando.

— Não vai vestir a blusa do pijama?.

— Você a está vestindo — disse ele.

A intimidade de partilharem um pijama, algo que ela ima ginava que aconteceria apenas quando se casasse, provocou-lhe um estremecimento.

Ela não devia pensar assim. Não ali, fechada num quarto com um príncipe atraente e seminu. Bella cruzou os braços e afastou-se da cama.

Da cama dele.

Mostre-lhe o anel. O sorriso dele desaparecerá. O desejo es tampado nos olhos dele também.

Mas ela não conseguiu mover-se. Parecia enfeitiçada, hip notizada pelo olhar penetrante do príncipe, por seu incrível físico. Queria tocá-lo, ver se era de verdade.

Edward deu mais um passo na direção dela.

— Seda fica-lhe muito bem, Bella.

Um cumprimento? O pulso bateu mais forte. Ela recuou e bateu as costas na parede. Estava acuada. Não tinha como escapar. Deveria estar preocupada, muito mais do que estava.

— Obrigada, Alteza.

As palavras saíram enrouquecidas. Nada do tom de voz nor mal. O que havia de errado com ela? Nervosismo? Ela umedeceu os lábios secos.

— Quando estivermos a sós, pode chamar-me de Edward.

Edward? Ela não devia. Não podia.

Ele venceu a distância entre ambos. As pulsações de Bella bateram o recorde de velocidade. Ela olhou para a cama, depois novamente para o príncipe.

— Onde... hum... onde devo...

Faltavam-lhe palavras. A proximidade a deixava muda.

— Onde você deve dormir? — Edward completou a pergunta.

Ela confirmou com um gesto de cabeça, não confiando na própria voz. Não confiando nela mesma.

Os olhos dele cintilavam de prazer antecipado.

— Onde você gostaria de dormir?

A pergunta era delicada. A resposta poderia envolvê-la em outros, e maiores, problemas. Bella encolheu os ombros, contendo-se para não estremecer ao vê-lo chegar mais perto.

— A cama é bastante grande para dois.

Não, não era. Só o que lhe faltava para transformar sua viagem a San Montico num desastre completo, era acordar envolta nos lençóis, pernas entrelaçadas nas dele, cabeça re costada no peito nu.

O pai dela recomendara obediência ao príncipe Edward, mas Bella duvidava que era isso o que ele tinha em mente. Pressionou as mãos suadas contra a parede.

Com o canto dos olhos, ela procurou um caminho para es capar. Não viu nada, além de duas poltronas de couro diante da lareira. Tinham que servir.

— Quanto à questão da cama, Alteza, posso dormir numa daquelas poltronas ou no chão.

— No chão? — Príncipe Edward riu. — Seria desconfortável demais. Certamente, há soluções melhores.

Bella passou por ele e caminhou até as poltronas.

— Ficarei muito bem, Alteza. Você... oh, desculpe-me. Sua Alteza não acredita nos lugares que em já me deitei... isto é, em que dormi. — Precisava manter a boca fechada antes de falar alguma bobagem. Fingiu um bocejo. — Estou muito cansada.

— Se está tão cansada, que diferença fará se dividirmos a cama?

— Muita diferença — ela afirmou rápido demais. — Não, eu quero dizer...

— O que você quer dizer, Bella?

O nome fluía dos lábios dele com um leve sotaque francês. A maneira como Edward pronunciava o seu nome era adorável. Não. Detestável, na verdade.

— Eu me reviro muito na cama. E ronco.

— Foi Francis quem lhe contou?

Bella comprimiu os lábios. Sentia o rosto ardendo. O príncipe Edward sorriu do embaraço dela. Uma leve batida na porta salvou-a de um constrangimento maior.

— Quem é? — Edward perguntou com impaciência.

— Sua mãe.

A mãe dele? Mais problemas! Bella e o príncipe trocaram olhares assustados.

— Só um minuto — ele disse à mãe. Depois, virando-se para Bella: — Esconda-se.

— Onde?

Ele olhou para o banheiro e para outra porta.

— Se minha mãe a encontrar aqui...

Provavelmente, a bela princesa Esme não entenderia o motivo de Bella estar no quarto do príncipe, altas horas da noite, e ainda, vestindo a blusa do pijama dele.

Desistindo do banheiro e do closet, ele abriu a porta do armário.

— Entre — ordenou ele.

Bella hesitou.

— Aí?

— Edward? — a princesa Esme chamou-o. — Preciso falar-lhe imediatamente.

Ele ficou tenso. Sem pensar mais, Bella entrou no ar mário e ajeitou-se entre as camisas penduradas nos cabides. O príncipe Edward pegou o vestido dela e entregou-lhe. Depois, fechou a porta do armário, deixando-a na escuridão.

— Não esqueça meus sapatos, Alteza — avisou-o.

— Edward? Abra a porta — ordenou a mãe dele.

Edward despenteou os cabelos, desarrumou os lençóis e em purrou os sapatos de Bella para debaixo da cama antes de abrir a porta.

— Boa noite, mãe.

Esme entrou no quarto.

— Espero não ter interrompido nada.

— Não. Eu estava na cama.

— Sozinho? — Ela se voltou para olhar a cama dele.

A pergunta não merecia resposta. Ela sempre se mostrava decepcionada quando descobria que não havia mulher nenhuma no quarto do filho.

— Pensei que já estivesse dormindo, mãe.

— Como poderia dormir? Quero saber o que está acontecendo, Edward. — Atravessando o quarto, ela abriu a porta do banheiro. — E não me diga que dispensou os convidados por causa do ataque cardíaco de seu tio. Sei que ele fingiu.

— Ele não fingiu. — De repente, Edward notou a ponta de um dos sapatos de Bella visível sob a cama. — Tio Phillippe teve uma pequena indigestão.

— Ele estragou sua festa.

Enquanto a princesa relanceava os olhos pelo closet, Edward aproveitou para chutar o sapato mais para debaixo da cama.

— Ele pensou que estava sofrendo um ataque do coração, mamãe. Certamente a saúde dele é muito mais importante do que uma festa.

— Mas o anel... — Ela fechou a porta do closet. — Havia tantas moças adoráveis. Eu tinha esperanças de que você a encontrasse esta noite.

— Sinto muito tê-la desapontado.

— Você não tem culpa se o anel não serviu em nenhuma mulher, ou se a festa foi interrompida.

— Parece que o destino está tramando contra mim.

Definitivamente, estava. Um pedaço de tecido verde, o ves tido de Bella, aparecia por baixo da porta do armário. A mãe dele não notara. Ainda.

— Eu só queria que você conhecesse o mesmo amor e a mesma felicidade que a Lenda do Anel proporcionou à mim e ao seu pai.

— Felicidade, mamãe? — Edward não acreditava no que ouvia. Ele se aproximou do armário. Num gesto bem natural, encostou-se nele e, com o tornozelo, escondeu o pedaço de tecido.

— Nestes últimos dez anos, você não faz outra coisa se não usar roupas pretas e guardar luto por ele.

— Eu sinto muito a falta dele, meu filho. Não esqueça que foram vinte e um anos de alegria e felicidade, até ele morrer. As lembranças ficarão comigo para sempre, e eu só tenho que agradecer ao anel por tanta ventura.

Edward não acreditava que o anel trazia felicidade e amor verdadeiro, por mais que a mãe afirmasse o contrário. Bastava olhar para ela, ouvi-la... Ela falava como se tivesse morrido também. Era como a princesa vivia, desde a morte do marido. Edward atribuía tanta tristeza à Lenda do Anel.

— Por que não viver essa alegria novamente, mamãe? Você pode se apaixonar e tornar a casar-se.

A princesa se aproximou do filho, e do armário, e o sorriso dela desapareceu.

— Depois do amor que seu pai e eu vivemos... Jamais poderia compartilhar meus sentimentos com outra pessoa. Nem quero tentar. Tudo o que eu quero, Edward, é que se case e que tenha muitos filhos.

Ele sabia o quanto sua mãe desejava que ele se casasse para dar-lhe os tão sonhados netos, e principalmente, o herdeiro do trono de San Montico. Só de falar sobre a lenda e o baile de aniversário, o brilho voltara para os olhos da princesa. Ago ra, já se apagara.

Completamente.

Que espécie de filho era ele, colocando suas vontades acima dos desejos e anseios da mãe? Edward não queria saber a resposta.

— Onde está o anel?

Entre a própria felicidade e a dela, Edward hesitou. Bastava mostrar o anel no dedo de Bella. Sua mãe exultaria, e ele...

Não, ele não podia. Se ele cedesse e casasse por conta da lenda, iria se arrepender pelo resto da vida. Tinha que romper os laços da família Cullen com a Lenda do Anel. Não só por ele, mas também pelas gerações futuras.

A procura por uma esposa ensinara-o que "amor verdadeiro" e "felizes para sempre" só existiam em contos de fadas e fantasias. Nem mesmo um anel encantado poderia mudar a realidade.

—O anel está com você, meu filho?

—Não. Está com Emmet. — A mentira saíra com facilidade.

—Bem, pelo menos, poderei usá-lo de novo.

—Não.

Os olhos da princesa estreitaram-se.

—Você não quer que eu o use?

Edward fora muito rude. Odiava desapontar a mãe. A última coisa que desejava, era magoá-la. Ela era a única mulher que o amava pelo que ele era, simplesmente seu filho. O título não importava, nem os defeitos dele.

— Muitas mulheres o experimentaram, mamãe. Gostaria de mandar limpá-lo, antes.

A ternura nos olhos dela fez com que Edward engolisse o terrível sentimento de culpa. Ela acariciou o rosto dele.

— Você sempre pensa em tudo, meu filho. Como seu pai.

A luz do sol esquentava o rosto de Isabella. Lentamente, ela abriu os olhos, acostumando-se à claridade da manhã. Outro dia ensolarado. Ela abriu os braços e espreguiçou-se. Um banho rápido e estaria pronta para pegar o avião de volta para casa.

Levou alguns segundos para perceber onde estava. Não era a luxuosa suíte do hotel cinco estrelas que dividia com o pai. Estava no palácio. No quarto do príncipe Edward. Na cama do príncipe Edward.

Como chegara até a cama? Lembrava-se de que escondera-se no armário. Certamente adormecera, e o príncipe Harry le vara-a para a cama.

Ela sentou-se na cama. Olhou ao redor. Nem sinal do prín cipe. Só se...

Lembrou-se do sonho. Sonhara que o cavaleiro com armadura reluzente tomara sua mão entre as deles, jurando amor eterno. No sonho, não era um cavaleiro sem rosto. Era o príncipe. Fantasia e realidade fundiam-se, deixando-a ainda mais confusa em relação ao príncipe. Sentir-se atraída por ele, era uma coisa, mas sonhar com ele? Não, decididamente, era loucura.

Ouviu o som de vozes vindo do banheiro. Talvez, um criado de quarto para ajudá-lo a vestir-se. E se o príncipe não estivesse vestido? Só faltava deparar-se com aquele homem magnífico enrolado numa toalha! Ou pior, nu!

A porta do banheiro abriu-se. Uma morena atraente, de pele bronzeada, saiu de lá, seguida por duas jovens sorridentes.

— Bom dia, srta. Swan. Sou Delia — apresentou-se a morena. — Estas são minhas assistentes, Elise e Faye.

De minissaia vermelha e blusa justa, Delia não parecia go vernanta, nem empregada. Pelo menos, não do tipo que a mãe de Bella admitia. Quem seriam elas? Modelos ou atrizes?

— Dormiu bem, srta. Swan?

—Muito bem, obrigada.

—Está pronta? — Delia perguntou, uma ponta de expec tativa na voz.

Imediatamente, e por motivos óbvios, Bella lembrou-se de costumes bárbaros, como a guilhotina, por exemplo. Aquelas mulheres iriam prepará-la para cortarem-lhe o dedo para re cuperar o anel! Era a única coisa que fazia sentido. Seu dedo era um caso perdido.

Com a mão direita, Bella pegou as luvas que estavam na mesa de cabeceira. Escondendo-as sob os lençóis, vestiu-as sem pressa.

Faça-se de boba! Finja que não sabe o que está acontecendo.

—Pronta para quê?

—Para tirarmos suas medidas. — Delia sorriu, deixando à mostra os dentes alvos e perfeitos. Com maxilares proeminentes e feições exóticas, ela poderia brilhar nas páginas da Vogue.— Precisamos começar logo o seu vestido, se quisermos terminá-lo a tempo.

Medidas? Vestido? E o anel? Talvez ela ainda estivesse sonhando.

— Não estou entendendo.

Faye aproximou-se sorrindo também.

—Sua Alteza não contou que viríamos?

—Não, não contou nada.

As três mulheres trocaram olhares intrigados, e Elise mur murou algo. Delia fez um gesto evasivo com a mão.

—Deixe para lá. Entendo perfeitamente o esquecimento dele, agora que a conheci. Sua Alteza deve ter outras coisas em mente. Afinal, ele é homem! — Ela revirou os olhos e riu. Depois, baixou os olhos. — Perdoe-me, srta. Swan. Eu não deveria falar assim sobre o príncipe Edward.

—Não se preocupe — Bella tranquilizou-a, simpatizando com Delia. — Minhas amigas e eu também fazemos piadas sobre os homens. Costumamos chamar o cromossomo Y de mutação genética. Um erro ou uma brincadeira de mau gosto, dependendo de sua perspectiva.

Aliviada, Delia sorriu.

—O marquês tem razão.

—Como assim?

—Ele disse que você fará bem a San Montico. Entendo o que ele quer dizer. — Delia estalou os dedos. — Meninas, ao trabalho!

Elise tirou um caderno de medidas do bolso. Faye tirou amos tras de tecidos de uma sacola. As três olharam para Bella.

Acho que está na hora de me levantar.

Bella saiu da cama e Faye expôs as amostras diante dela. Com a fita métrica, Elise foi tirando as medidas enquanto Delia as anotava.

— Vamos desenhar um vestido que acentue suas curvas — comentou Delia.

Bella corou.

— Agradeço a oferta do vestido, mas não posso aceitar.
Elise e Faye arfaram. Delia franziu o cenho.

— Oh, eu pensei...

Bella apontou para o vestido verde. O príncipe Edward colocara-o na cadeira.

— Tenho o vestido que usei ontem à noite.

— É bonito, mas não poderá usá-lo de novo.

— Não? —Bella perguntou.

— Não. Causaria um escândalo — explicou Faye, mostrando-lhe uma amostra de seda branca. — O que acha deste?

Bella tocou no tecido valioso.

— E lindo, mas não posso...

— Acho que você ficará muito bem com seda natural —Faye sugeriu.

— Mas esta cor... — Bella hesitou.

Delia fez alguns rabiscos num bloco de desenho.

— Marfim éuma boa escolha, mas geralmente as noivas preferem o branco.

Noivas?

Aparentemente sem perceber o espanto de Bella, Delia continuou:

— É o seu vestido de noiva e, claro, queremos que se sinta muito feliz.

Bella não ouvira direito. Claro que não.

— Meu... ve... ve... vestido de noiva?

Difícil de acreditar, não? A ilha toda está exultando de alegria. Há muito estamos esperando por esse dia. — Delia sorriu e apertou o bloco de desenho de encontro ao peito. — Pense apenas que, dentro de uma semana, você estará casada com o príncipe Edward.

Da janela do salão, Edward olhava para o al voroço nos portões do palácio. Uma pequena multidão, cerca de cinquenta pessoas, pelo menos, portando câmeras fotográficas, de vídeo, microfones, esperavam por mais novidades. Um helicóptero sobrevoava a residência real.

Demais para manter Isabella e o anel em segredo.

A tensão apertava-lhe a garganta. Nem mesmo o perfume das roseiras do jardim de sua mãe que invadiam o salão pelas imensas janelas abertas, abrandavam o sentimento de frustração.

Jamais perdoaria o tio Phillippe por ter revelado tudo à princesa Esme. Nunca o palácio precisara tanto de uma torre ou de um calabouço!

—Depois da missa nupcial, teremos umdesfile pela cidade numa carruagem aberta, puxada por cavalos brancos. Depois, acontecerá o jantar e o baile no palácio.— A voz da princesa revelava sua imensa alegria. — Oh, e a queima de fogos. Será o final perfeito para um dia grandioso.

—Não esqueça das esculturas de gelo — acrescentou tio Phillippe. — Adoro esculturas de gelo. São tão... frias!

—Realmente, seria maravilhoso — concordou Charlie Swan.

—O que acham de trinta esculturas — sugeriu Emmet. — Cada uma ilustrando um ano da vida do príncipe.

Incrível! Emmet estava participando daquela loucura. Edward afastou-se da janela e olhou para as pessoas planejando seu casamento, ou "núpcias", como preferia a mãe dele. Eles brilhavam com um entusiasmo mais contagioso do que uma epidemia de gripe. Nem mesmo Charlie Swan, o empresário bilionário, conseguira escapar daquele surto de insanidade.

Caos dentro, caos fora do palácio. Edward era a única pessoa sã em toda a ilha. A necessidade de sair em seu iate, ficar sozinho em alto-mar, tornava-se mais e mais urgente. Mas ele não podia sair. O príncipe tinha o dever e a responsabilidade de ficar e acompanhar todo o desenrolar dos acontecimentos. Tio Phillippe bateu palmas.

— Pombas. Devemos soltar pombas, muitas pombas!

Todos concordaram, e Emmet fez anotações numa agenda.

Edward revirou os olhos. Parecia que os quatro estavam num tribunal, discutindo sua condenação à prisão perpétua do casamento. Se fosse uma guerra, ele estaria perdido. Toda tropa desertara, deixando-o lutar sozinho. Mas ele estava muito longe da rendição.

Tinha que descobrir um modo de escapar.

Edward recomeçou a andar de um lado para o outro. O niído dos passos no assoalho de madeira ecoava pelo salão.

Esme suspirou.

— Oh, Edward, sente-se.

Sentar-se? Com o mundo prestes a desabar sobre sua ca beça? Sua vida estava terminando! Ele parou de andar e olhou para a mãe.

— Não me olhe assim, meu filho. — Ela umedeceu os lábios. — Eu deveria estar aborrecida. Custo a acreditar que você não tenha me contado nada, mas suponho que a mãe é sempre a última a saber.

Era tão difícil assim mão entenderem o que estava aconte cendo? Ele cerrou os punhos.

— O anel ficou apertado demais no dedo de Isabella. Por isso não conseguimos tirá-lo. O anel não serviu.

— Claro que não, Alteza. — Tio Phillippe sorriu.

— Sua Alteza é quem sabe — disse Charlie contendo o riso.

A princesa Esme não se conteve. Riu com gosto.

— Ele não é adorável?

Emmet sorriu. Um sorriso tão irritante que, por um momento, Edward quase se esqueceu que o conselheiro era um velho e íntimo amigo.

— A lenda diz que o anel sairá do dedo só depois que o casal descobrir que se ama verdadeiramente, Alteza.

O verdadeiro amor não existe.

Ele e Isabella jamais seriam um casal.

— A lenda não é nada mais do que um conto de fadas acalentado pelas mães românticas e sonhadoras.

— Nós, mães, também precisamos de passatempo.

— Eu posso encontrar uma noiva sozinho.

Esme meneou a cabeça.

— Você teve trinta anos para escolher uma noiva, Edward. A escolha não é mais sua. O anel encontrou a noiva para você. Agora, é só apaixonar-se.

Nunca!

— Depois que Sua Alteza conhecer Bella melhor, tenho certeza que pensará diferente. — Charlie sorriu. — Ela é uma menina muito meiga. Um pouco estouvada, é verdade, mas com as devidas precauções, tudo correrá bem.

Esme esfregou as mãos.

— Mal posso esperar para conhecê-la.

Enquanto Charlie falava da filha, Edward chamou Emmet de lado.

— Você tem que ajudar-me. Isso não tem nada a ver com a lenda.

— O fato de Sua Alteza acreditar ou não na lenda, é apenas um detalhe de menor importância — afirmou Emmet. — O anel está no dedo de Isabella. Esta é a única exigência.

Edward franziu o cenho. Fato e ficção tinham se fundido, na cabeça e na vontade daquelas quatro pessoas. E isso sig nificava um coisa. Se a família dele estava levando o casamento a sério, o povo de San Montico também levaria.

Ele precisava fazer algo.

Fizera uma promessa ao pai e queria cumpri-la. Para isso, precisava provar que a lenda falhara. Como?

Ele coçou o queixo, sentindo a barba despontando. Esquecera de barbear-se. Nunca esquecera de barbear-se. Aquela história o estava transtornando. Mas precisava manter o autocontrole.

Um criado de libré abriu as portas do salão. Isabella entrou, rosto corado, blusa do pijama, descalça e luvas brancas.

— Alteza, corri o palácio inteiro à sua procura. Há um terrível mal-entendido. Três mulheres entraram lá no seu quarto e tiraram minhas medidas para um ves... Papai?

Charlie levantou-se rapidamente. De tão vermelho, seu rosto parecia a ponto de explodir.

— Você andou pelo palácio vestida assim?

Edward imaginava os comentários dos criados ao verem aquela americana de pijama, despenteada, descalça, procurando por ele.

Tarde demais para preocupar-se com isso. Talvez algum dia, pudesse dar boas gargalhadas daquilo tudo. Enquanto isso...

— A cor fica-lhe muito bem — comentou Esme. — Você não acha, Charlie?

A pergunta deu tempo ao pai de Isabella para recompor-se.

— Sim, Alteza, acho.

Edward admirava os esforços da mãe para atenuar a situa ção constrangedora. Mas não justificava a presença inesperada de Isabella, nem sua aparência inapropriada. Só mesmo uma americana!

—O que aconteceu de tão grave que nem teve tempo de vestir-se?

—Desculpe-me, Alteza, mas entrei em pânico. — Ela ajeitou as luvas. — Nem pensei no que estava vestindo. Tinha que encontrá-lo e esclarecer esse engano. Elas tiraram minhas medidas para o... vestido de casamento.

Edward sentiu o rosto em brasas.

— Mãe.

— Sim, Edward? — Esme entendeu o pedido mudo do filho. E falou como se confeccionar um vestido de noiva fosse uma tarefa corriqueira. — Só temos uma semana. Delia terá de correr contra o relógio, para terminar a tempo. Não quero desperdiçar um só minuto.

— Delia é uma estilista muito conceituada — tio Phillippe explicou a Charlie. — Estou curioso para ver o que ela vai desenhar para Isabella.

Bella aproximou-se mais.

— Eu não preciso de um vestido de noiva.

— Você está usando o anel — Esme disse.

Bella arregalou os olhos.

— Sua Alteza já sabe sobre o anel?

— San Montico inteira sabe — respondeu a princesa.

— Bem, eu não tenho culpa. O anel parece colado no meu dedo. — Bella escondeu as mãos nas costas. — Vou conseguir tirá-lo.

Talvez com a explicação de Isabella, as pessoas entendes sem a verdade. Era uma esperança para Edward.

— E a lenda? — tio Phillippe perguntou.

Bella cerrou as sobrancelhas.

— Que lenda?

Todos olharam para ela. Edward também.

— A Lenda do Anel.

Ela deu de ombros.

Como ela não sabia? Edward não acreditou.

—Todos conhecem a lenda. Saiu em todos os jornais e revistas.

—Eu não...

Charlie pigarreou, interrompeu-a:

— A imprensa não dá tréguas à nossa família, principalmente à Bella, que é minha única filha e herdeira. Ela prefere levar uma vida mais comum. Por isso, se mantém à distância dessas... bobagens.

Aparentemente, todos entenderam. Menos Edward.

—Você não sabia nada sobre a lenda?

—Nada, Alteza — assegurou Bella.

—Talvez Sua Alteza devesse falar-lhe sobre a lenda do Anel — Emmet sugeriu.

—Sim, querido. — Esme cruzou as mãos, pousando-as graciosamente no colo. — Conte-lhe.

Edward ficou furioso.

—Uma vez que acredita tanto, Emmet, fale você sobre essa pretensa lenda.

—Será uma honra, Alteza. — Com um sorriso triunfante nos lábios, e ignorando os olhares furiosos de Edward, Emmet voltou-se para Bella. — Há muitos séculos, um príncipe Cullen jurou que nunca se casaria por acreditar que não encontraria a mulher amada. Nem entreas moças mais bonitas, nem entre a realeza europeia. A mãe ficou muito preocupada, pois queria que o filho se casasse e que tivesse um herdeiro. Então, ela pediu a uma feiticeira que encantasse o anel de noivado. O encanto garantia que o anel só serviria no dedo da mulher a quem o príncipe amasse de verdade.

Emmet fez uma pausa, mas ninguém ousou interrompê-lo.

— A mãe deu ao príncipe o anel encantado. Se o anel não servisse no dedo de nenhuma mulher até a meia-noite do dia do trigésimo aniversário dele, ela não tocaria mais no assunto do casamento e do herdeiro. Entretanto, se o anel servisse no dedo de alguma moça, o príncipe teria que desposá-la ou abdicar o troco em favor do irmão mais novo.

Com o canto dos olhos, Emmet percebeu a expressão contra riada do príncipe Edward. Suspirando, prosseguiu:

— O príncipe, conhecido por sua arrogância, aceitou o desafio da mãe. Na noite de seu trigésimo aniversário, a filha de um dos convidados, um comerciante estrangeiro, provou o anel e não conseguiu tirá-lo do dedo.

Os olhos de Bella brilharam.

— Então eu não fui a única!

— Não, você não foi a única — assentiu Esme.

Bella respirou aliviada.

— Graças a Deus!

Emmet continuou:

— O príncipe resistiu ao casamento, mas a perspectiva de perder o trono fez com que reconsiderasse e casasse com a moça.

— Como ela conseguiu tirar o anel? — Era isso o que mais preocupava Bella.

— O príncipe apaixonou-se por ela, e assim que admitiu seu amor, o anel saiu do dedo da moça.

— E tiveram seis filhos — Esme acrescentou. — Seis.

— É uma história bonita, mas lendas não são verdades. — Bella perscrutou o rosto de cada um, em busca de apoio. — São apenas., lendas!

— Exatamente. — Edward cruzou os braços. Pelo menos, Isabella era bastante sensata para não acreditar em lendas e magia. — São superstições.

— Conte-lhe a verdade, Edward — Esme ordenou num tom suave.

O príncipe Edward hesitou.

— Lendas não são verdades, mas o povo de San Montico acredita nelas. Esse é o problema.

— Que problema? — Bella perguntou.

— Está começando a ficar interessante — Esme sussurrou e Emmet riu. Tio Philippe sorriu para Charlie

Edward fez um gesto a Emmet para que respondesse.

–Tem que casar-se com o príncipe Edward antes de uma semana ou se verá obrigado a abdicar em favor de seu tio, o marquês.

Bella olhou a todo mundo com os olhos arregalados.

–Mas isso é uma tolice.

Esme soltou uma gargalhada.

–Edward, ela é adorável, um pouco desbocada, mas daremos um jeito.

–Admito que é uma linda história de amor, Alteza, mas não estamos na Idade Média. As pessoas não se casam por causa de velhas lendas. Nunca tinha ouvido algo tão ridículo em toda minha vida.

Beleza e caráter, uma potente combinação. Sua resistência a acreditar na lenda fez Edward sorrir.

–Não poderia estar mais de acordo contigo, Isabella.

Se pudesse contar com que ela se negasse a contrair matrimônio... Mas assim que pensasse no título e o reino que acompanhavam a uma simples cerimônia, mudaria de opinião. Tinha certeza.

–Ao menos, estão de acordo em algo – disse Charlie Swan –. É um bom começo.

–O anel lhe está pequeno – repetiu Edward por enésima vez.

–O anel escolheu Isabella –insistiu a princesa.

–Não, mãe. Ficou preso.

Bella assentiu.

–Meninos, meninos. Não se dão conta? É assim como funciona a magia do anel – explicou Esme – Não está preso. Está grudado a seu dedo e quando lhes apaixonarem, sairá sozinho. Têm que se casarem.

Bella parecia uma mariposa apanhada em uma rede. Poderia escapar sem acabar ferida?

–Como vou casar-me com ele, papai?

–Dizendo: "sim, quero", querida.

–Não posso.

–Claro que pode – insistiu Charlie Swan, apertando sua mão –. E o fará.

–Mas... é que nem gosto dele.

Todos se puseram a rir. Todos, exceto Bella e Edward.

Sentada na dura cadeira de brocado, Bella se sentia como se estivesse esperando que Mozart tocasse sua última peça especialmente para ela. Uma lástima que só estivesse esperando o príncipe Edward dizer o que tinha a falar.

Embora o vestido de flores parecesse desconjuntado naquele salão, era melhor que a camisa do pijama. Tinha tido tempo de tomar banho, embora por seu gesto de desdém, estava certa de que lhe era indiferente o que tivesse vestido.

O príncipe estava apoiado num piano e a luz do sol que entrava pelas janelas parecia lhe proporcionar um halo. Mas o brilho de seu olhar era menos angélico. Bella teve que ignorar como as colunas de lápis-lazúli do salão intensificavam a cor de seus olhos.

Estava sem barbear, mas a sombra da barba lhe acrescentava um atrativo, em contraste com as calças azuis e a camisa branca imaculadamente engomada. Era uma pena que a única coisa que pudesse levar na cabeça fosse uma coroa. Com um grande chapéu e um pouco de pó, quase pareceria um vaqueiro.

–Isabella, o que disse antes no salão é verdade? –perguntou-lhe ele então.

–Sinto havê-lo ofendido. Alteza – se desculpou ela, apertando suas mãos enluvadas –. Não deveria haver dito que não gosto de você. Na verdade, me é indiferente.

–Indiferente? – repetiu ele – Sempre é tão...?

–Normalmente, sou muito pior, Alteza.

-Por que isso não me surpreende? – suspirou ele –. Suponho que sabe que o anel que leva no dedo não significa nada para mim.

–De verdade? – perguntou ela, animada. O príncipe assentiu –. Menos mal. Acreditei que ia ter que me casar com você.

–Não quer te casar comigo?

–Não, Alteza.

–Mesmo que desse modo te converta em princesa?

– Mesmo que me convertesse em uma rainha.

O príncipe Edward a estudou com o cenho franzido.

–Além de te ser indiferente, há alguma outra razão pela que não queira se casar comigo?

–Há muitas razões – murmurou Isabella, embaraçada.

–Por favor, conta-me as.

–Pois... eu não gosto que a imprensa fale de mim, por exemplo. Durante toda minha vida tive que suportar aos paparazzi e estou cansada. Quero viver minha vida de forma simples. E isso é impossível se alguém se casar com um príncipe.

–É verdade – admitiu ele –. Que tem mais?

–As crianças.

–Não quer ter filhos? – perguntou ele, surpreso.

-Quero um rancho cheio de crianças. Mas não um palácio - respondeu ela. Não queria ter que proteger a seus filhos do perseguição dos meios de comunicação que ela tinha tido que sofrer em sua infância. Um principezinho ou princesinha teriam que comportar-se de certa forma, seguir um protocolo. Como uma herdeira -. Quero criar minha família no campo, em um lugar como Wyoming ou Montana, com grandes espaços abertos e um céu enorme sobre suas cabeças. Um lugar onde ninguém possa criticá-los se sujam-se brincando com barro, onde possam ter cães e gatos e onde conheçam seus vizinhos.

–Seu sonho é tão... simples.

Ela assentiu.

–Por isso eu gosto. Quando voltar para minha casa, vou mudar me para o oeste.

–Para Montana ou Wyoming?

–Ou o Texas. Quero viver uma vida normal.

–Na verdade, essa não é a vida normal nos Estados Unidos – replicou ele – Quantas vezes esteve em um rancho?

–Muitas – respondeu ela, afastando uma mecha de cabelo do rosto- Meu pai tem muitos amigos no Texas.

–Quer te casar com um vaqueiro?

–Não especificamente. Poderia me casar com um mecânico ou um granjeiro, mas não poderia me casar com um...

–Com quem?

–Com alguém que tivesse um trabalho que requeresse dele as vinte e quatro horas do dia – admitiu ela –. Quero me casar com um homem para quem a família seja o mais importante. Um homem que passe tempo brincando com seus filhos. Um homem que trabalhe em contato com a terra e que não tenha que viajar de um lado para o outro.

–Seu pai viajava muito quando era pequena?

–Todo o tempo. Meus pais sempre estavam fora e me deixavam com as babás.

–Então, não quer se casar comigo porque sua vida não seria... simples?

–Em parte.

–Há mais? – perguntou o príncipe, perplexo.

–Bom, a primeira razão é porque não estou apaixonada – confessou ela. Bella não queria um matrimônio sem amor. Teria gostado de poder acreditar na romântica lenda, mas por uma vez em sua vida tinha que ser realista. O príncipe Edward era suficientemente bonito como para que lhe acelerasse o pulso, mas não o amava.

Edward a olhou, pensativo.

–Se dá conta de quantas mulheres quereriam estar em sua posição?

–Milhões, Alteza?

–Não sei se milhões, mas – murmurou ele, olhando as teclas do piano.

–Você tampouco quer casar-se comigo, verdade, Alteza?

–Não.

–Por quê? Não tem que me responder se não quiser.

–Você respondeu minhas perguntas e eu devo responder às suas – disse ele – Quero ser eu a escolher minha esposa.

Que romântico. Talvez uma pequena parte do Príncipe Encantado vivia dentro do príncipe Edward. Bella sentiu certa conexão com ele.

–Quer casar-se por amor Alteza?

–Por amor? Não – respondeu ele –. Mas se me casasse contigo, todo mundo acreditaria que a lenda do anel é verdadeira. É difícil fazer mudanças na mentalidade de meus súditos e me casar contigo seria um desastre para meu país. San Montico se tornaria tão arcaico e defasado como a lenda.

–E o amor, Alteza?

–Durante séculos, os membros da realeza se casaram por razões mais importantes. Uma pessoa pode ser feliz sem amor.

Grande conexão, pensou ela, irônica. De novo, o príncipe Edward tinha esmagado suas tolas idéias sobre o Príncipe Encantado.

–Mas ao menos estamos de acordo em algo – continuou Edward – Não haverá casamento.

–Nada de casamento – assentiu Bella.

–Os próximos dias serão difíceis para nós – explicou ele –. Preparativos de casamento, aparições públicas, entrevistas...

Bella tragou saliva, pálida. Nunca teve que suportar nada do tipo.

–Eu preferiria não dar entrevistas. O resto, suponho que poderei suportar.

–Verei o que posso fazer – murmurou o príncipe, olhando ao redor para assegurar-se de que estavam sozinhos – Quanto a tirar-te o anel, o faremos com o maior dos segredos.

–Sim, Alteza.

–Teremos que fazê-lo quando estivermos sozinhos.

–Entendo, Alteza.

–Ninguém pode sabê-lo.

–Olhe, Alteza, pode que eu não tenha sangue azul, – começou a dizer então Bella, fazendo um esforço para não esbofetear aquela orgulhosa cara - mas tampouco sou uma camponesa sem educação. Entendi perfeitamente.

O príncipe a olhou, surpreso.

–Muito bem. Temos que fazer o seguinte...

Edward levava Bella pelos corredores de palácio. Passaram pela biblioteca, o salão de baile, a saleta azul, o salão amarelo, o salão branco, o salão dos espelhos... Teria sido mais rápido levá-la pelos túneis, mas não queria que conhecesse as passagens secretas. Só os membros da família e os conselheiros privados conheciam os túneis e, acreditasse sua mãe o que acreditasse, Isabella Swan nunca seria uma Cullen.

–Falta muito Alteza?

–Chegaremos logo. Quer descansar?

–Não, obrigado, quanto antes cheguemos, antes tirarei o anel.

Edward a olhou atentamente e ficou assombrado. Na verdade, apenas tinha apenas olhado-a brevemente até esse momento. Com aquele vestidinho de flores e as luvas, lembrava a Grace Kelly. Só lhe faltava o chapéu.

Mas Grace Kelly se casou com o príncipe Rainier e se converteu em uma princesa. Isabella e ela não tinham nada em comum, exceto serem ambas americanas.

–Gaston saberá como tirar-lhe o anel.

Se não fosse assim, Edward começaria a procurar um novo joalheiro real.

O príncipe continuou caminhando.

–Por que não viemos aqui ontem à noite?

–Porque tentava manter o do anel em segredo.

–Já não é mais um segredo, posso tirar as luvas?

–Posso tirar as luvas, Alteza? – corrigiu ele –. E a resposta é não.

Bella suspirou.

–Se dá conta de que não estamos enganando a ninguém Alteza?

–Sim, mas prefiro que ninguém veja o anel. Logo te darei um par de luvas menores.

Chegaram a um estreito corredor fechado por uma porta de carvalho depois da qual havia uma de aço com uma espécie de sistema de alarme.

–Onde estamos Alteza?

–Na joalheria real.

–Pois parece que vamos atacar o banco da Inglaterra –sorriu Bella.

–As jóias da coroa têm que ser guardadas em um lugar seguro – disse Edward.

–Pois deve dormir muito bem sabendo que estão tão protegidas.

Quando passou a seu lado, Edward notou quão bem que ficava o vestido. E as sandálias de salto alongavam suas pernas... Não deveria estar pensando essas coisas, dizia-se.

Bella se aproximou de um microscópio sob o qual havia uma pérola.

–Olhe. É absolutamente perfeita –murmurou.

Edward observou as caixinhas que continham pérolas, gemas e correntes de ouro e platina.

–Tome cuidado com...

Nesse momento, Bella tropeçou com a pata de uma mesa e, embora conseguisse manter o equilíbrio, uma das caixas saiu voando pelos ares.

–Oh, não! –exclamou, ficando de joelhos para recolher as jóias –. Não sabe como sinto, Alteza.

O príncipe se ajoelhou a seu lado para ajudá-la.

–Quantos anos tem, Isabella?

–Vinte e quatro.

–E sempre foste tão...?

–Desastrada? Sim. Não me dou bem com os espaços reduzidos e, se estiver nervosa, é muito pior.

–Eu te deixo nervosa?

–Temo-me que sim, Alteza. Se fosse você, tomaria cuidado – sorriu ela.

Aquela advertência foi suficiente para Edward.

–Levante-se.

–Mas as pérolas...

–Eu as porei na caixa, não se preocupe. Sente-se e não toque nada.

Bella obedeceu.

Incrível. Não só era uma ameaça para si mesmo, também para qualquer objeto com o que estivesse em contato. Edward se perguntava como a controlavam seus pais. A trancariam em um quarto?

Quando conseguiu reunir todas as pérolas, Edward colocou a caixa sobre a mesa e se sentou a seu lado.

–O que gosta de fazer normalmente?

–Trabalho.

–Trabalha?

–Não estamos na Idade Média, Alteza. As mulheres trabalham.

Edward tentou imaginar que carreira escolhido. Isabella Swan tinha um talento natural para destroçar as coisas, Provavelmente teria escolhido a política.

–Que tipo de trabalho?

–Sou artista. Alteza.

–E que classe de arte cultiva?

–A pintura –respondeu ela.

–Retratos?

–Retratos, paisagens, bares. Mas sobre tudo pinto animais: cães, gatos, cavalos, inclusive uma tarântula.

–Por quê?

–Porque tinha pensado estudar veterinária, mas não podia suportar ver sofrer aos animais. Sempre me encantou pintar, assim combinei meus dois interesses e voilá, um trabalho que eu adoro.

Antes que Edward pudesse responder, Gaston Carpentier, o joalheiro real, entrou no quarto com uma maleta.

–Perdoem que lhes tenha feito esperar. Alteza – se desculpou o homem.

Edward se levantou.

–Tem que tirar o anel do dedo da senhorita Swan agora mesmo.

–Tentarei, Alteza. Bom dia, mademoiselle. Posso ver o anel?

Bella tirou a luva esquerda e lhe mostrou a mão.

–Que métodos tentou Alteza? –perguntou Gaston, colocando uma lupa de joalheiro.

–Sabão, creme e óleo.

–E vaselina, gelo... –acrescentou Bella.

Gaston estudou seu dedo com cara de preocupação.

Por que demorava tanto? Edward queria que tirasse o anel e terminasse com aquilo de uma vez. Ela poderia voltar para seu país e ele a suas tarefas de governo. Um plano perfeito.

Suas esperanças estavam postas no alto e magro joalheiro de bigode engomado. Gaston abriu sua maleta e tirou uma frasquinho de cristal.

–Pode ser que isto funcione, Alteza.

–O que é? – perguntou Edward, olhando o líquido rosa.

O joalheiro colocou os dedos no líquido e lubrificou o anel.

–Uma fórmula especial.

–Cheira a caramelo – sorriu ela.

–É uma combinação secreta – explicou Gaston -. Só a conhecem os joalheiros reais. Acredito que foi inventada no Renascimento...

–Quanto tempo teremos que esperar? – interrompeu-o Edward, a quem não lhe importava nada a história do rosado líquido.

–Uns minutos. Alteza – respondeu o homem–. Está passando bem em San Montico, senhorita Swan?

–San Montico é lindo. eu adoro as ruas estreitas e os chãos de pedra. E as pessoas são encantadoras. Um dia me perdi na praia de Astarte e um homem muito simpático me explicou como voltar para hotel.

–Astarte – suspirou o joalheiro –. Uma das jóias de San Montico. Mas pensei que aos americanos não gostava das praias nudistas.

Bella ficou rubra.

–Já sabe: "onde for..."

–Não esqueça de usar protetor –riu Gaston.

Edward olhou seu relógio, farto do bate-papo.

–Não deveríamos tentar?

–Sim, Alteza – respondeu o joalheiro, limpando a mão da Bella com um pano. Depois, tentou puxar do anel. Nada –. Não sai, Alteza.

–Me deixe tentar – disse o príncipe, puxando o anel até que Bella teve que lhe pedir que parasse–. Continua preso.

–Não entendo – murmurou o joalheiro–. A fórmula deveria ter funcionado, Alteza.

–Temos que fazer algo.