A cada minuto que passava, a situação tornava-se mais e mais complicada.

Edward voltara ao escritório, sem saber o que fazer. Na noite anterior, ele analisara a lista de candidatas, enquanto Bella continuara pesquisando os livros. Tudo isso para quê?

Certamente, não para serem surpreendidos beijando-se na fonte.

A foto estampada na primeira página do jornal, enfureceu Edward. Antes, ele não teria se importado, mas depois de co nhecer Bella... Ele ainda sentia o gosto do beijo dela. A maciez daqueles lábios, o gosto adocicado de sua boca.

O mais revoltante era que a foto não mostrava apenas o beijo. Revelava seu desejo por Bella. Algo que ele fingira não sentir, no dia anterior. Algo que ele tentara ignorar, na noite anterior. Algo claro para o mundo ver naquele dia.

O mundo poderia ter acabado e ele não teria percebido, de tão envolvido, seduzido por Bella. Nem mesmo com Tania, ele se sentira assim.

Mais um ponto em favor da famigerada lenda.

Outro olhar para a foto e Edward tremeu de raiva. Ninguém tinha o direito de invadir sua privacidade. Atirou o jornal sobre a escrivaninha.

— Como se atrevem?

Sentado do outro lado, Emmet serviu-se de chá.

— Não é a primeira vez que você é fotografado beijando
uma mulher.

Não era a mesma coisa. Edward esfregou os olhos. — Quem bateu a foto?

— Não sei. — Emmet adicionou açúcar ao chá. — A foto foi publicada no Timese no Journal.E se você marcar uma coletiva para depois da visita ao Hospital Infantil?

Edward lembrava-se do que acontecera depois de seu rom pimento com Tania. A situação tornara-se insustentável e a imprensa transformara sua procura por uma noiva em verda deira piada. Só esperava que não magoassem Bella depois do "rompimento" deles. Ele não queria que ela sofresse, como ele sofrera.

—Nada de entrevistas.

—Uma declaração deverá acalmar a tensão com mídia.

—Farei uma declaração quando achar que estou pronto para dizer alguma coisa.

Emmet bebeu o chá. Depois de colocar a xícara na bandeja, sentou-se na beirada da escrivaninha.

— Sem entrevista ou declaração, os repórteres criarão suas próprias versões, ou chegarão aos extremos para descobrirem a verdade, Alteza.

Edward apontou o jornal.

—Esta não é a verdade.

—Você a estava beijando! — Emmet afirmou. — Não parece que tenha sido obrigado, Alteza.

O príncipe não apreciou o sorriso de Emmet.

— Foi um erro.

E o beijo da noite anterior?Seria -publicado na edição da noite?

O beijo de Bella fizera com que ele se sentisse no paraíso. O que havia de errado com ele? Alguns beijos, ainda que ma ravilhosos, não significavam nada.

Emmet inclinou-se sobre a fotografia.

—Esse é o tipo de erro que eu gostaria de cometer.

—Você não entende, Em. Quando Isabella vir esta foto...Ela detesta a imprensa justamente por isso.

—Então você não está furioso com a foto, mas porque poderá magoar Isabella?

— Estou furioso pelos dois motivos.

Emmet sorriu.

— Por que o sorriso? — Edward indagou.

— Você está começando a preocupar-se com ela, Alteza.

— Não estou. — Ele não se preocupava com Bella. Não do modo com que Emmet insinuava. Não daquelemodo.

Ele a respeitava. Gostava dela. Sua inteligência, seu senso de humor, seu calor. Eles formavam uma bela dupla. Dupla... não um casal.

—Ela é... agradável. — Edward ignorou o ar interrogativo de Emmet. — E também não acredita na lenda.

—Isabella será uma esposa maravilhosa e magnífica princesa.

—Sim. Não. — Edward não permitiria que o tom esperançoso da voz de Emmet o contagiasse. Não seria apanhado pela febre do casamento. — Ela será uma boa esposa... para outro homem. Não para mim.

Bella poderia invadir seus pensamentos e sonhos. Os sentimentos dele, porém, não tinham nada a ver com amor e casamento, mas tudo, com luxúria e atração.

Qualquer homem se sentiria atraído por Isabella Swan.

Mas ele não se apaixonaria, nem se casaria com ela. Bella não era mulher para ele. Era a mulher escolhida pela lenda. Ele não queria nada com ela, mas o trono estava em jogo. Assim que o anel saísse do dedo dela...

— Está pensando em abdicar, Alteza?

Edward olhou pela janela. O sol estava nascendo na ilha. Raios dourados enfeitavam o céu, iluminando a vegetação co berta de orvalho.

Todas as manhãs, a cena era a mesma. Depois de uma noite de sono, a cidade despertava, voltando lentamente à vida. Fios de fumaça saíam pelas chaminés do século dezessete. Carroças entregavam leite, pão e ovos nas casas. Da marina, barcos de pesca saíam para alto-mar.

Edward amava San Montico de todo coração, mas não queria tornar-se parte do legado de uma superstição arcaica. Não per mitiria que San Montico vivesse do passado. Não permitira que seu coração se partisse novamente.

— Continuarei no trono.

— Então vai se casar, Alteza?

Edward hesitou.

— Sim.

Mas não com Bella.

Os nomes ainda desfilavam diante dos olhos cansados de Bella. Em algum lugar, escondido entre as centenas de páginas, estava o nome da futura esposa de Edward.

Era primordial encontrá-la. Não permitiria que os beijos estonteantes do príncipe a afastassem da responsabilidade. Se pelo menos seus pensamentos não se desviassem tanto...

Olhou para o bloco de desenho. Naquela manhã, assim que acordara, desenhara um pouco. Mas o cavaleiro não era o cowboyque imaginara desde o início. Dormira pouco, estava can sada, essa era a única explicação. Fechando o bloco, voltou para os livros de registro.

Uma leve batida soou na porta.

— Entre.

Edward entrou no quarto com um jornal nas mãos.

— Bom dia.

Bella ajeitou os cabelos com os dedos.

— Oi.

— Encontrou... alguma coisa?

Na folha de papel, apenas quatro nomes. Ela estava come çando a ser tão exigente quanto Edward no processo de qua lificação da princesa ideal.

— Poucas possibilidades.

— Ainda bem. Já recebeu sua agenda de hoje?

— Já. Visita ao Hospital Infantil às dez, almoço ao meio-dia, e uma tarde cheia. Aposto que a sua é pior.

— É mesmo. — Edward desdobrou o jornal e estendeu-o para ela. — Veja isto.

Bella olhou para a foto publicada na primeira página do Sara Montico Times.Não. Aquilo não podia estar aconte cendo! O estômago se contraiu, a respiração parou na garganta.

Na foto, ela parecia tão libertina, tão voraz. Estava ali, em branco e preto, para o mundo ver. As emoções e a atração por Edward estavam claras como a água mais cristalina.

— Pensei que estivéssemos sozinhos.

— Eu também.

Ela desviou o olhar para o livro de registro.

— Sinto muito.

Com a ponta dos dedos, ele ergueu-lhe o queixo e fitou-a nos olhos.

— Você não fez nada de errado, Isabella. Nada.

— Mas... todos que virem... pensarão...

— Sim, pensarão, e por isso eusinto muito. Eu deveria ter imaginado. — Edward acariciou-lhe o rosto com a ponta do dedo. — O que aconteceu na fonte, era particular, e não para ser publicado na primeira página dos jornais.

A ternura daquele gesto despertou a vontade de abraçá-lo e não soltá-lo mais. Mas Bella não devia pensar assim. Não devia querer ser abraçada por ele. Não devia ansiar pela proximidade do corpo dele. Não devia sentir nada pelo príncipe.

— Gostaria de não ter...

— Não permita que isso a aborreça. — Edward amassou o jornal e atirou-o no cesto de lixo. — Esse tipo de sensacionalismo era esperado, e agora não adianta fazermos mais nada.

Ele estava certo.

— Mas é terrível. Como você suporta?

Edward encolheu os ombros.

— Aprendi a tolerar.

— Acho que nunca aprenderei. — Ela mal podia esperar para mudar-se para o meio do nada, onde ninguém a conhecia, onde ninguém se importava se ela era uma Swan ou não.

— É como viver num aquário e ver o mundo todo observando seus movimentos.

— Você não terá que aguentar isso por muito tempo.

Com a mão direita, Bella tocou no anel, sentindo um misto de tristeza e alívio.

— Eu sei.

Entre outras coisas, a visita ao Hospital Infantil ajudou Bella a ver as coisas sob outra perspectiva. De repente, a foto estampada na primeira página dos jornais, não parecia mais tão importante. Não, com tantas crianças nos leitos de hospitais.

O brilho nos olhos e o sorriso de alegria das crianças por verem o príncipe, era emocionante e gratificante. Bella realizou-se, distribuindo presentes, sorrisos e carinhos.

Depois de uma rápida reunião com os médicos, Edward percorreu os corredores à procura de Bella. Ao passar diante de um quarto, pela porta entreaberta, ele a viu ao lado da cama de uma menina. Não sabia o que elas estavam fa zendo, mas ouviu as risadas. Soando tão bonito quanto os sinos de uma catedral, o riso de Bella e da menina tocou-o profundamente.

Enlevado, Edward observava-a. Ela fazia com que cada criança se sentisse querida e importante. Com certeza, seria uma excelente mãe.

Imaginou-a usando a tiara dos Cullen e dançando com ele. Visualizou-a acenando para o povo, enquanto a carruagem real percorria as ruas da cidade. Viu-a embalando o filho deles e apresentando a criança ao povo de San Montico.

Estava se tornando muito fácil imaginar o futuro ao lado dela. Isso era arriscado, perigoso até mesmo de pensar. A úl tima vez que tivera essas fantasias, fora com Tania. E, a exemplo da ex-noiva, Bella não o amava. Tinha que parar de pensar nela e encontrar outra noiva.

— A enfermeira disse que ele é o homem mais bonito do mundo. — A voz da menina interrompeu-lhe os pensamentos. — É verdade?

— Só entre nós, sim, é — Bella respondeu num tom de confidência.

— Como ele é?

Edward espiou pela porta entreaberta e viu bandagens nos olhos da menina. Não queria que percebessem a presença dele. Queria ouvir a resposta de Bella.

— Ele é... o príncipe mais bonito dos seus sonhos ou do seu conto de fadas predileto. Os olhos dele são verdes. O sorriso dele é encantador. Ele é alto, forte, e tudo o mais que um príncipe deve ser.

Era assim que Bella o via? Edward estremeceu. Seu coração começou a bater mais forte. A menina sentou-se na cama.

— Quem está aí?

Voltando-se, Bella apertou os olhos. Fitou-o por um lon go momento, depois estendeu-lhe a mão.

— Quem é? — repetiu a menina.

- É o príncipe — Bella sussurrou. — Alteza, quero apresentar-lhe uma das suas súditas mais leais, srta. Sônia.

Edward aproximou-se, sem desviar o olhar de sua noi... de Bella.

— É um prazer conhecê-la, srta. Sônia. — Edward beijou a mão da menina, que suspirou. Rindo, ela se desvencilhou é cobriu a boca com a mão. — Como está?

— Bem, Alteza.

Edward estava emocionado. Sônia e as demais crianças eram adoráveis. Ele queria fazer algo por elas. Uma exposição com os desenhos e outros trabalhos manuais que faziam, seria um bom começo. Ele sorriu.

— Alteza, Sônia teve muitas emoções por hoje — disse Bella. — Ela precisa descansar.

— Claro.

Depois de beijar a menina, Bella ajudou-a a deitar-se na cama. Edward cobriu-a e beijou-a na testa, como o pai o beijara tantas vezes.

— Durma bem — ele murmurou.

— Alteza, posso contar-lhe um segredo?

Ele ergueu as sobrancelhas. Nunca compartilhara o segredo de uma criança, antes. Ele se inclinou.

— O que é?

— Estou contente por Sua Alteza se casar com Bella. — A seriedade de Sônia surpreendeu-o. — Só entre nós, acho que você não encontrará ninguém melhor do que ela.

Edward sorriu pelo modo como Sônia imitava Bella.

— Só entre nós, acho que você está certa.

Bella segurava firme a pilha de desenhos das crianças para não perder nenhum no caminho até o saguão do hospital.

— Você foi maravilhoso com as crianças — ela comentou.

— Que nada. As crianças é que são maravilhosas.

Modéstia? A imagem que ela tinha dele, estava mudando. Para melhor.

— Não é só isso.

— Gosto de crianças — confessou o príncipe.

— Você foi paciente e gentil. Amigo e solidário.

— Você fala como se me considerasse um monstro, antes desta visita.

— Um monstro não. Um bicho-papão, talvez.

Ele riu.

— Já fui chamado de coisas piores.

— A propósito, o que você e Sônia estavam cochichando?

— Segredo. Não posso contar.

— Quanta lealdade aos súditos! Que príncipe valente você é!

— Jurei segredo. O que mais posso dizer?

Ela sorriu. A imagem de Edward tomando chá com uma garotinha, surgiu na mente de Bella. Ele seria um bom pai, ela tinha certeza. A rapidez das pulsações e a respiração ofegante preveniram-na de que deveria manter distância das fantasias que começavam a povoar sua imaginação.

Bella pôs os pés fora do hospital e parou. Piscou com o pipocar dos flashes. Luzes, câmeras, multidão.

— Oh, Deus...

Edward parou ao lado dela.

— O que...

Seguiu-se um bombardeio de perguntas. Mais flashes. As luzes cegaram-na.

— O que vamos fazer?

Edward enlaçou-a pelos ombros, segurando-a com firmeza, oferecendo segurança, conforto e força.

— Estamos cercados. Temos que agir com habilidade.

Bella apertou os desenhos no peito.

Edward ergueu a mão, pedindo silêncio.

— Isabella e eu ficaremos felizes em posar para algumas fotos.

Posar? Ela não queria ser fotografada. Não, depois da foto publicada nos jornais. Ficou tensa. Edward apertou-a mais, tranquilizando-a.

— Você consegue enfrentar isso? — perguntou ele.

— Tenho escolha?

— Não. — Os olhares se encontraram e Bella estremeceu, sentindo-se a única mulher na face da Terra e ele, o único homem.

— Tentarei.

— Esta é a minha Isabella — murmurou ele, antes de voltar a atenção aos repórteres. — Não podemos nos demorar, mas responderei a algumas perguntas.

— Onde será a lua-de-mel, Alteza?

Edward sorriu.

— Se você fosse eu, contaria?

O repórter, autor da pergunta, riu.

— Não, se disso dependesse minha vida.

— Por isso, estou guardando segredo. Nem Isabella sabe.

— É verdade, srta. Swan?

— S... s... sim. O príncipe Edward é intransigente quando trata-se de segredos.

— E verdade que Delia está confeccionando seu vestido de noiva?

Bella hesitou. Não estava acostumada com perguntas diretas. A maior parte das notícias que a mídia publicava sobre ela, vinha de informações de terceiros ou mexericos, geralmente de forma exagerada.

— Sim, éverdade.

— Pode nos descrever como será?

— Não com o noivo por perto. — De repente, a tensão desaparecera. — Na América, dizemos que dá azar o noivo ver o vestido da noiva antes do casamento. Chamem-me de su persticiosa, mas não quero correr o risco.

Todos riram.

Mais perguntas eram feitas aos gritos, e Bella não se intimidou. Respondia a todas com clareza e objetividade. Minutos depois, Edward tornou a levantar a mão.

— Por favor, senhores. Temos que voltar ao palácio. Em breve, faremos um comunicado oficial.

A multidão aplaudiu.

— Sei que estão ansiosos por detalhes, mas espero que respeitem nossa privacidade. Esta é uma época... especial para nós. Se quiserem mais fotos, sugiro que batam agora.

Depois de algumas poses, Edward e Bella entraram no carro que ele mesmo dirigia.

— Foi muito difícil?

— Até que não.

Seria melhor se Edward não fosse um príncipe, se abdicasse ao trono e fosse com ela para o oeste americano.

Claro, isso jamais aconteceria, mas Bella poderia passar os dez minutos do trajeto até o palácio, fantasiando uma vida com Edward. Recostou a cabeça no banco do carro e suspirou.

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A tarde passou com incrível rapidez. Almoço om a princesa Esme, visita a reparti ções públicas, reunião com o bispo de San Montico.

A quarta-feira trouxe ansiedade. O dia do casamento estava próximo e Bella tinha que encontrar uma noiva para Edward. A única nota brilhante do dia, foi o telefonema da mãe dela, avisando que estava presa no Aeroporto Charles de Gaul-le, devido à greve dos funcionários. Pelo menos, uma chance de adiar o casamento.

No quarto, Bella tirou as luvas, os sapatos e jogou-se no sofá. Deveria estar vasculhando o registro dos nobres à procura da futura esposa do príncipe, mas seu coração não estava no trabalho.

Para distrair-se, pegou o bloco de desenho. Depois de alguns riscos, as feições do cowboyficaram definidas. Era Edward.

Se o Príncipe Encantado existisse realmente, ele seria exa-tamente igual a Edward. Lábios cheios, olhos claros, cílios lon gos, queixo determinado, às vezes arrogante.

As Unhas continuavam a tomar forma. Acrescentou armadura, espada. Imponente, Edward empunhava a lança, pronto para partir para a batalha, deixando a mulher amada para trás.

Céus! O que ela estava fazendo? Bella colocou o bloco num canto da escrivaninha. Era ridículo deixar-se envolver por contos de fadas. A fantasia estava muito distante da realidade.

A realidade era Edward procurar outra mulher para se ca sar. Realidade era...

Uma batida na porta.

Seu coração bateu mais forte. Edward?

— Entre.

A porta se abriu e Emmet entrou.

— Como foi a prova do vestido?

Naquela manhã, ela provara o vestido de noiva. Delia ca prichara. O vestido era digno de uma princesa de contos de fadas. Era triste pensar que Delia e suas assistentes estavam trabalhando tanto para nada. Se, por sorte, a noiva de Edward tivesse o mesmo manequim...

— Muito bem.

— Que bom. — O sorriso revelava a sinceridade dele. — Tenho uma surpresa para você.

Alice Swan Waters entrou no quarto carregando uma cesta de gato.

— Surpresa, priminha! Olhe quem veio comigo.

— Alice! — Bella levantou-se e abraçou a prima. — Você trouxe Francis.

— George é um ótimo babá de gatos. Quando cheguei em OTIare, ele esperava por mim com Francis e a caderneta de vacinação.

— Por que você a trouxe?

.— Você vai morar aqui, depois do casamento. Imaginei que quisesse Francis por perto.

Todos estavam exultando com o casamento. O que aconte ceria quando descobrissem a verdade? Ela forçou um sorriso.

— Obrigada, Alice. Espero que ela não tenha dado muito trabalho.

— Trabalho nenhum. Ambas viajamos de primeira classe. Ela teve um assento exclusivo.

Enquanto abria a cesta, Bella percebeu os olhares de Emmet para Alice. Os homens se encantavam com os olhos cor de violeta, os cabelos escuros compridos até a cintura e o sorriso radiante de Alice.

livre, Francis correu pelo quarto e escondeu-se debaixo da cama.

— Ela comeu? — Bella perguntou.

— Claro! Como eu disse, viemos de primeira classe. — Aper tando os olhos, Alice assobiou. — Então, este é o anel?

Bella estendeu a mão.

— Sim. O anel de noivado real.

— Poderia ser pior. — Alice riu. — Onde estão as luvas?

— Como você sabe sobre as luvas?

Emmet aproximou-se dela.

— Eu disse à srta. Waters que você lançou uma nova moda na ilha.

— Eu? — Bella era a mais desprendida dos Swan.

Preferindo conforto à rótulos, ela era presença constante na listas das mais deselegantes, para desespero de sua mãe.

— Sim. Todas as mulheres de San Montico copiaram a moda, acabando com o estoque de luvas de todas as lojas. É um toque de elegância e charme.

— Concordo. — Alice jogou os cabelos para trás. — Vou comprar, pelo menos, um par para mim.

—Se precisar de ajuda, por favor, avise-me — Emmet ofereceu-se.

Alice piscou.

—Você é muito gentil.

Emmet corou.

— Bem, vou deixá-las a sós. Com licença. — Inclinando-se Emmet saiu do quarto.

Assim que ele fechou a porta, Alice não perdeu tempo.

— Fale-me sobre Emmet. Ele não é encantador? Bonito, edu cado e adorável. Adoro o modo como ele me trata. "Srta. Waters". — Ela riu. — Ele é casado? Eu não vi aliança. Você pode descobrir para mim?

Emmeta sorriu. A prima se entusiasmava por homens bo nitos, mas depois do segundo encontro, achava todos aborre cidos e sem graça.

- Vou tentar.

— Eu sabia que podia contar com você. — Alice sentou-se no sofá e puxou Bella para sentar-se ao lado dela. — Agora, conte-me tudo sobre esse seu romance relâmpago. Desde o co meço, e não esqueça nenhum detalhe.

Quando Bella terminou de explicar toda a situação, Alice levantou-se.

— Não entendo. Um belo príncipe, um palácio maravilhoso, um feitiço de amor. Se eu fosse você, estaria pulando de feli cidade. Você tem certeza do que está fazendo?

— A lenda não significa nada para mim.

— Significa tudo, e você sabe disso. — Alice afagou o dedo de Bella. — Você está usando o anel. O príncipe tem que se casar com você.

— Não, não tem. — Bella lançou um olhar enviesado para a prima. — Desde quando você se tornou defensora do casamento?

— Admito que a instituição do casamento não é para mim, mas é perfeita para você e outras milhares de pessoas. — Alice viu o desenho sobre a escrivaninha. — Você se apai xonou por ele, não?

Bella baixou a cabeça. Desde que conhecera Edward, ela lutava contra a intensa atração por ele. Sempre que ele estava por perto, alguma coisa acontecia. Os sentidos se aler tavam, o estômago se contraía. Porém, foi ao vê-lo com as crianças, que seu coração capitulou.

Sob a aparência nobre de Sua Alteza Sereníssima, ela en controu um homem de verdade, e, surpreendentemente, gostou do que viu. Um homem intocável que queria ser tocado. Um homem inconquistável que precisava ser conquistado. Um ho mem que amava, mas fingia não amar.

Edward devia pensar que seu coração estava protegido por uma armadura, mas estava errado. A magia não conseguia tocá-lo, mas o amor poderia. Um dia, ele descobriria sozinho.

Bella não acreditava num final feliz para o seu conto de fadas. Ela e Edward não viveriam felizes juntos.

Ela queria um homem para quem a família fosse prioridade. Um homem comum. Edward tinha muitas qualidades, mas não era um homem comum. Ele governava um país e sua vida sempre seria pública.

— Ele é tudo o que não quero num homem.

Alice meneou a cabeça.

— Ainda sonhando com uma casa no meio do mato? — Ela segurou a mão de Bella. — Pense muito, e sério, no que você está fazendo. Você não terá uma segunda chance.

— Eu sei. Eu...

Eu o amo.

Oh, não! Bella fechou os olhos, admitindo a verdade. Apaixonara-se por ele. Profundamente. Mas não queria que ele se casasse com ela por obrigação. Queria que ele se casasse com ela por vontade própria. Por amor.

Ela olhou para o anel e lembrou-se.

Somente o verdadeiro amor poderá removê-lo.

Ela puxou o aro dourado. Com força. O anel continuava firme como uma rocha.

Amor não correspondido não valia.

A magia do anel funcionara com ela, mas não com Edward. Jamais poderia se casar com um homem que não a amava. Bella escondeu o rosto com as mãos.

— Como pude ser tão tola?

— Você não é tola. — Alice confortou-a com um abraço. E também não é o fim do mundo. Tia Claire nunca se recuperará do golpe, mas você sairá desta.

Sairia, sim. Ela não encontrara o amor de sua vida. Estava apenas envolvida pelo encantamento da lenda. Como todos no palácio. Como todos em San Montico. Todos, menos Edward.

O jantar foi um acontecimento pródigo, com a presença de quase todos os membros da família Swan. Edward ansiava para que acabasse logo. Sentia falta de Bella. Monopolizada pela família, ela quase não lhe dera atenção. Assim que ter minaram a sobremesa, ele se desculpou por ambos e acompa nhou Bella até o quarto dela.

Tentava compreender o conflito de emoções que desenca deava-se em seu íntimo. Alívio por escapar dos convidados e, finalmente, ter Bella só para ele. Confusão por ver o en tusiasmo dela para voltar à tarefa de encontrar-lhe uma esposa. Sentimentos absurdos, dadas às circunstâncias.

Sentada diante da escrivaninha, com os registros abertos, Bella colocou a caneta atrás da orelha.

— Ainda bem que o jantar terminou.

— Seus primos são muito atenciosos.

— Claro. De repente, todos decidiram reparar em mim. Tudo mudará, assim que nosso noivado acabar.

— Isso a preocupa?

— Não tanto quanto eu pensava — admitiu ela. — Não posso passar minha vida tentando agradar minha família. Só agora percebi. Se todos em San Montico me aceitam porque estou com o anel, minha família pode muito bem aceitar-me sem ele. — Ela sorriu. — Talvez esse anel tenha mesmo algum poder mágico. Não estou falando de feitiço de amor. Você percebeu há quanto tempo não provoco um acidente, um incidente ou algum estrago?

— Coincidência.

Ela juntou as sobrancelhas e duas linhas surgiram na fronte.

— Não estrague tudo, está bem?

— Claro... — Ele viu a gata saindo de trás do sofá. — Francis já se acostumou?

— Ela ainda está estranhando um pouco.

— Francis, venha cá — ele chamou.

A gata correu para debaixo da cama e miou.

— Ela não entende muito sobre obediência às ordens reais.

— Aparentemente não. Eu só queria vê-la de perto.

— Logo você a verá. Mais uns dias, e ela estará correndo por este palácio como uma rainha.

Mas eles não teriam muitos dias. O tempo estava passando e ambos sabiam disso. Os olhares se encontraram.

— Novidades? — Edward perguntou.

Bella desviou o olhar.

— Não. Você verificou a lista de ontem?

Ele fez um gesto afirmativo de cabeça.

— Uma está esquiando nos Alpes, outra já está noiva, a outra entrou pára um convento.

Bella apontou para o livro.

— Já estou no fim do alfabeto. Faltam poucas letras...

O príncipe olhou para a mão dela. O anel de noivado brilhava sob a luz, provocando-o.

— Quem sabe nossa sorte esteja na letra "Z"? — ele tentou brincar.

— E se não estiver? Você tem algum plano reserva?

— Não. E você?

— Estou ocupada demais com estes livros e não consigo pensar em mais nada. Não é tarefa fácil organizar uma lista de candidatas elegíveis.

— Agora você sabe como estes últimos seis meses têm sido para mim.

— Posso imaginar.

— Por que não procuramos um marido para você? Será mais fácil. — A sugestão causou-lhe um certo mal-estar. — Posso reunir um grupo de cowboyse você escolherá um.

— Não, obrigada. Eu mesma encontrarei meu marido.

Edward ergueu os ombros.

— Vale a pena tentar.

— Sabe o que sua mãe me disse hoje?

Ele imaginava.

— O quê?

— Que sou muito melhor de tudo o que ela esperava de uma nora. E o seu tio... — Ela olhou para o livro, mas seu olhar estava distante. — É tão... Ainda nem nos casamos e todos têm sido gentis e mais receptivos do que a minha própria família. É realmente muito bom.

Edward acariciou-lhe a ponta do nariz.

—Um dia, você terá sua própria família e tudo o que sonhou.

—Eu sei. — Ela suspirou. — Vou terminar de ler estes registros enquanto você pensa num plano reserva. Mais tarde, nos encontraremos. Boa sorte.

—Para você também.

Edward foi para o quarto dele. Fechou a porta, sentindo o incrível peso da solidão. Olhando para as chamas na lareira, tentou pensar num plano reserva, mas não conseguia tirar Bella do pensamento.

Talvez estivesse começando sentir algum afeto por ela. Era natural, considerando o tempo que passavam juntos, cúmplices, conversando, planejando. Mas não podia dar-se ao luxo de sen tir nada mais. Qualquer coisa mais significava aceitar a Lenda do Anel, significava arriscar o coração e a alma na busca do verdadeiro amor.

Ele não queria apaixonar-se. Ainda sofria pela traição de Tania. Não queria sentir, de novo, a dor da rejeição. E não era só isso. As mulheres sentiam-se atraídas porque ele era prín cipe. Estava acostumado. Porém, Bella era diferente. Ela não o queria justamente por serpríncipe.

O que ele poderia fazer?

Em primeiro lugar, e mais importante, não podia perder o trono. Essa era a principal, a única, prioridade. Não podia permitir que o reinado de sua família terminasse. Tampouco, quebraria a promessa que fizera ao pai. Perdendo o trono, perderia tudo.

Tinha que se casar.

Com quem?

Bella. Era a escolha lógica, considerando a falta de outras candidatas qualificadas. Casando-se com ela, estaria alimentando a lenda, mas, em compensação, ele continuaria no trono. Depois do casamento, teria tempo para desmistificar a lenda, provando que não encontrara o verdadeiro amor. Poderia conseguir a anu lação do casamento e tornar a casar-se com a mulher que esco lheria. No final, conservaria o trono e o coração intato.

Sim, esse seria o plano reserva.

Havia outro problema. Como convencer Bella? Ela que ria casar com um homem a quem amasse. Ele precisava de...

Magia.

Se ao menos ele acreditasse!

Desesperado, Edward pegou o telefone. Não, não podia fazer isso. Não acreditava em magia. Ia recolocar o fone no gancho, mas desistiu. Seu trono estava em jogo. Tinha que fazer alguma coisa, ainda que egoísta e desleal.

Jurando que era em desespero de causa, discou um número. Uma voz sonolenta atendeu do outro lado.

- Alo?

— Desculpe acordá-lo, mas é importante — disse Edward.

— Alteza?

— Sim. — Era loucura acreditar que a magia daria certo, mas ele não tinha escolha. — Merlin, preciso daquela poção de amor.

Usando as passagens secretas, Edward saiu e foi até a casa de Merlin. Depois de pegar a poção, ele voltou ao palácio, sem ser notado.

No corredor, avistou Bella sentada no chão, na porta do quarto dele.

— O que está fazendo aqui?

Ela se levantou e esfregou as mãos nas calça.

— Estava à sua espera.

— Eu me lembrei de um assunto urgente. — Por que dissera aquilo? Ele não tinha que dar-lhe explicações de suas idas e vindas.

— Assunto urgente?

Ele confirmou com um gesto de cabeça. Talvez a presença dela fosse um sinal de que deveria dar continuidade ao plano.

— Você disse que estava à minha espera. — Edward abriu a porta do quarto. — Entre, vamos conversar.

— Obrigada.

Os círculos ao redor dos olhos dela, revelavam cansaço.

— Essa busca está acabando com você.

— Mas já terminei. — Ela não parecia entusiasmada, em bora o sorriso continuasse em seus lábios. — Eu...

— Que tal um drinque primeiro?

— Seria bom.

Abrindo um móvel, ele retirou dois copos de cristal e uma garrafa de Bourbon. De propósito, derramou o líquido de um dos copos sobre o móvel.

— Õh, por favor, poderia pegar uma toalha no banheiro?

— Claro.

Assim que Bella se afastou, ele abriu o tubo azul- cobalto com a poção do amor na 23. Resultado garantido ou seu dinheirode volta.Edward cheirou o líquido. Inodoro. Ele hesitou.

Deveria usá-lo?

Não podia abdicar. Não tinha tempo para encontrar outra noiva. Só restava uma alternativa. Bella. A exaustiva pes quisa provava que ela não pretendia se casar com ele. Ela queria um cowboy.A determinação dela de se casar somente por amor, não dava ao príncipe outra escolha.

A poção era sua última esperança.

Ele tinha bem claro em sua mente que só tomava essa de cisão extrema por uma questão de dever e praticidade, e não levado por sentimentalismo. Esvaziou o vidro de poção no copo de Bella e mexeu com uma colher de prata.

Estava feito.

Bella voltou com a toalha. Ele enxugou o tampo do móvel e ofereceu um dos copos a ela.

— Obrigada.

O coração dele batia ansioso como no início de uma regata. Só que aquilo era mais importante do que uma corrida. Era a vida dele.

— Um brinde. — Ela ergueu o copo. — À sua futura esposa.

Esposa? Ela teria encontrado...

O coração disparou. Tinha que impedi-la de beber a poção. Edward aproximou-se mais. Ela levou o copo aos lábios e bebeu. Num movimento rápido, ele tirou-lhe o-copo da mão. O copo caiu, mas não quebrou. O líquido amarelo espalhou-se pelo tapete.

Bella apertou os olhos.

— O que você fez?

— Você chegou a beber?

Ela usou a toalha para enxugar o tapete.

— Um pouco.

— Quanto?

— Um gole. — Ela colocou a toalha e o copo sobre o móvel.

— Não consigo beber depressa.

Talvez um único gole não surtisse efeito.

— Quer outro drinque?

— Não. Obrigada. — Ela sentou numa das poltronas diante da lareira. — Algo errado?

— Não. — Edward sentou-se ao lado dela, de onde podia observá-la bem. Não tinha certeza quanto ao efeito da poção.

— O que você queria falar comigo?

Bella umedeceu os lábios e olhou para as chamas na lareira.

—Sobre a princesa Julianna Von Schneckle, de Aliestle.

—Aliestle? — Edward quase derrubou o copo. — Nossos países estão rompidos há anos!

—Cento e trinta e nove anos — Bella esclareceu com precisão. — Eu li aqui.

—Jamais poderia me casar com uma aliestliana. — Edward deixou o copo na mesa de centro. — Meu povo jamais a aceitaria como princesa.

—Claro que aceitaria. O casamento com a princesa Julianna resolveria o seu problema e também uniria os dois países.

Edward levantou-se, cruzou as mãos nas costas e andou pelo quarto.

—Quero um casamento, não um tratado de paz.

—Você não pensa em casamento por amor. Portanto, que diferença faz?

Bella falava como se o casamento dele fosse um acordo de negócios. Ele continuava andando. De lá para cá. De cá para lá. Não poderia se casar com a princesa Julianna. Talvez, Bella ingerira uma quantidade suficiente para a poção sur tir efeito. Qualquer coisa, menos uma aliestliana.

— Quer sentar-se e relaxar por um minuto? Parece que estou assistindo a um jogo de ténis. Estou com dor no pescoço!

Edward sentou-se e cruzou as pernas.

— Não vai dar certo — reclamou ele.

Bella respirou fundo.

— Você quer casar com a mulher escolhida por você, não pela lenda. Pois bem. A princesa Julianna tem vinte e cinco anos e reúne todos os requisitos de sua lista. Você poderia, pelo menos, conversar com ela.

Por que a poção não fazia efeito? Edward coçou o queixo.

— Todos os requisitos?

— Sim. Além de tudo, é uma excelente marinheira.

— Ela veleja? Como sabe?

— Estamos correndo contra o tempo, Alteza. Por isso, achei por bem tomar algumas providências. Falei com algumas pessoas bem informadas que colocaram-me em contato com ela. Tudo no mais absoluto sigilo, lógico. A princesa mostrou-se compreensiva e... prestativa.

Na manhã seguinte, sentada no salão, Bella torcia as mãos enluvadas e esperava.

Edward e o Conselho Real de San Montico estavam reunidos com membros da família real e com o Conselho de Anciãos de Aliestle. A menos que resolvessem as disputas centenárias en¬tre os dois países, o rei Alaric de Aliestle não permitiria qual¬quer discussão sobre o casamento. Todos acreditavam que Bella queria que a princesa Julianna, "sua velha amiga", fosse sua dama de honra.

Bella não parava de bocejar. Passara a noite em claro e agora, lutava contra o sono. A partir do dia seguinte, teria muito tempo para dormir. Tempo para fazer o que bem en-tendesse. Tempo para recolher os cacos* de seu coração partido.

As portas do salão se abriram e Emmet apareceu.

— Sua Alteza Real, príncipe coroado Brandt Roland Wilhelm de Aliestle e Sua Alteza Real, princesa Julianna Louise Marie.

Bella levantou-se. Um homem e uma mulher entraram no salão, seguidos por Edward.

A princesa Julianna tinha tudo o que Edward poderia querer numa esposa. Beleza, elegância e classe. Perto dela, Bella sentiu-se a própria Gata Borralheira. O príncipe Brandt tam¬bém era bonito, moreno, refinado.

De terno azul-marinho, camisa branca e gravata de seda em tons de azul, Edward parecia mais nobre do que nunca. Os lábios comprimidos dele revelavam que as negociações es¬tavam concluídas.

— Altezas, permitam-me apresentar-lhes a srta. Isabella Swan, dos Estados Unidos da América.

Bella fez uma reverência.

O príncipe Brandt pegou na mão dela, levou-a aos lábios e beijou-a de leve. Exatamente como Edward, na noite do baile de aniversário.

— … uma honra conhecê-la, srta. Swan.

O olhar avaliador dele embaraçou-a.

— … um prazer conhecê-la pessoalmente, srta. Swan — disse a princesa Juliana polidamente. — Apreciei nossa conversa por telefone.

— Obrigada, Alteza. Agradeço sua vinda.

A princesa Juliana ergueu o queixo.

— Depois de seu telefonema desesperado, eu não podia desperdiçar um segundo.

Edward lançou um olhar fulminante para Bella.

— Desesperado?

Bella fingiu não ouvi-lo. Mas fora desesperado, mesmo. Ela estava com pressa para encontrar alguém que pudesse dar a Edward o amor que ele merecia.

— Bem, estou aqui. — A princesa sorriu. — Seu desespero acabou.

Não exatamente. O desespero de Bella estava apenas começando, mas essa era outra história.

O chá foi servido para os quatro. As negociações para a reconciliação entre San Montico e Aliestle continuavam, mas a tensão pairava no ar, apesar do tom civilizado da conversa.

Enquanto bebia o chá, Bella observava Edward. Ele não parecia muito satisfeito com a reunião. Além da questão entre os países, Edward e Julianna precisavam esclarecer al-guns detalhes sobre o casamento.

— Como foram as negociações, Altezas?

Com um gesto de mão, o príncipe Brandt convidou Edward a explicar.

— Decidimos dividir igualmente as responsabiiidades pelo desentendimento. Está sendo redigido um documento em con¬junto pelo nosso Conselho e pelos Anciãos.

— Que notícia maravilhosa! — Só Bella não via o de¬sânimo no rosto dos três príncipes. — Não é?

A princesa Juliana sorriu.

— Sim, a notícia é maravilhosa. Perdoe-nos por não partilhar do seu entusiasmo, mas a reunião foi quase... uma imposição.

— Nesse caso, em vez de falarmos sobre política, por que não conversamos sobre coisas mais importantes, como as bodas reais?

Todos riram, e a tensão diminuiu.

— E espero, Altezas, que se sintam à vontade para chama¬rem-me de Isabella.

Os olhos do príncipe Brandt brilharam.

— Obrigado, Isabella.

— Não ligue para o meu irmão — disse Julianna. — Ele é um namorador contumaz.

— Não estou me justificando, mas tenho boas razões para ser assim — respondeu o príncipe Brandt. — Meu destino está selado desde os doze anos de idade, quando fui prometido à filha do nossa embaixador na América. Eu a vi apenas uma vez e a única imagem que tenho da minha noiva é a de uma menina de oito anos, de óculos e comendo chocolate. … com¬preensível que eu seja namorador, não?

Edward sorriu.

— Completamente compreensível.

O príncipe Brandt suspirou.

— Quem me dera ter um anel para encontrar meu ver¬dadeiro amor.

— Os casamentos arranjados são comuns em nosso país — explicou a princesa Julianna. — Muitos são combinados quando somos crianças. O meu noivado foi acertado quando eu tinha apenas sete anos.

— Sua Alteza é noiva? — Bella perguntou.

— Não sou mais. — A sombra da tristeza anuviou os olhos de Julianna. — Ele foi julgado inaceitável, anos atrás. — O sorriso desapareceu, depois reapareceu. — Desculpe, eu deveria ter contado antes.

A princesa podia achar engraçado o compromisso prematuro, mas ela ainda estava apaixonada. Bella reconhecia os sin¬tomas, por experiência própria.

A conversa prosseguia e ela esperava que Edward pedisse licença para ficar a sós com Julianna. Mas ele não dizia nada. E Bella não queria continuar ali, com eles, imaginando como seria o futuro dos dois juntos. Seria insuportável.

Colocou a xícara de chá na bandeja e levantou-se.

— Não estou certa quando ao protocolo, mas gostaria de mostrar os jardins para o príncipe Brandt.

— Excelente ideia. — Brandt ergueu-se rapidamente. — Você se importa, Jules? Alteza?

Edward hesitou.

— Eu...

Julianna olhou-o.

— Alteza?

— Sim, podem ir — Edward respondeu. — Tenho certeza que o príncipe Brandt apreciará o desafio do labirinto.

— Obrigada, Alteza. — Juliana olhou para o irmão. — Comporte-se.

O sorriso de Brandt alargou-se.

— Sou sempre comportado.

A princesa Julianna suspirou.

— Esse é o meu medo.

Edward franziu as sobrancelhas.

— Talvez...

— Até mais tarde. — Bella queria não gostar de Julianna, mas não conseguia. Ela não tinha culpa de ser tudo o que Edward desejava. Bella só não compreendia por que ele parecia tão infeliz. Ele teria tudo o que queria. Ela não teria nada.

Só o coração partido.

Edward convenceu-se de que Julianna era tão perfeita quanto Bella afirmara. Ela preenchia todos os requisitos da lista e causara-lhe ótima impressão. Seria uma princesa maravilhosa e um trunfo para San Montico. O casamento uniria os dois países e desmentiria a lenda. Ele teria condições de levar o progresso è a modernidade a San Montico, como era desejo de seu pai.

Todos os problemas de Edward seriam resolvidos.

Todos, menos um.

Julianna não era a mulher com quem queria passar o resto de sua vida. Ela não tinha sardas, nem duas linhas na fronte, logo acima do nariz, quando ficava séria. Ela não derrubava, nem quebrava coisas, rindo depois de seus estragos. Ela jamais incendiaria nada, exceto o coração dos admiradores. E nem perderia seu tempo procurando outra mulher para ele se casar.

Logicamente, nada disso importava. Ele deveria se casar com Julianna. Ela era a escolha certa. A melhor escolha para ele e a perfeita escolha para o país.

Sim, era ele quem a escolhia para esposa. Porém, Juliana não era diferente das outras mulheres. Ela o desposaria porque ele era um príncipe. O casamento poderia até tornar-se uma união feliz e da convivência poderia nascer o amor. Porém, não passava de um acordo de negócios, um tratado comercial. A fusão de dois países.
Só uma mulher o enxergava além do título de nobreza.

Só uma mulher o enxergava primeiro como homem, depois como príncipe.
Só Bella.

Edward estava preparado para chegar à reta final. Só que não estava numa competição. Estava em jogo muito mais do que uma taça de ouro. E não era apenas o destino dele que estava envolvido, mas também dois países com um passado de sangue.

— Alteza... — Edward hesitou. — Como se sente com relação ao nosso... casamento?

— Seria conveniente para os nossos países.

— Sim, seria. Mas como você se sente?

Julianna ficou em silêncio durante alguns instantes.

— Eu...

— Sua família forçou-a a vir?

— "Forçar" é uma palavra muito forte — respondeu Julianna. — Fui encorajada a vir. Como a filha mais velha, tenho a responsabilidade de dar bons exemplos aos meus irmãos. Eu faço o que me pedem.

Eu também. Edward fitou-a.

— Você quer esse casamento?

Ela baixou os olhos para a xícara de chá.

— Não ficarei magoada se o compromisso entre nós não se concretizar.

Edward suspirou aliviado. Juliana também tinha dúvidas.

— Verdade?

— Sempre sonhei em casar-me por amor. Mesmo com a tradição aliestliana de casamentos arranjados, se,mpre pensei que poderia acontecer comigo. — Ela suspirou. — Quem sabe, algum dia, eu encontre um homem que me ame como você ama Isabella.

Edward estremeceu.

— Como sabe que eu a amo?

— Não fique tão surpreso. — Julianna sorriu. — Lembre-se, eu tenho quatro irmãos mais novos.

— Não sei o que dizer. — Talvez, ele devesse arriscar tudo. A família, o trono, o país. Mesmo que isso significasse uma rejeição. Mesmo que significasse sofrimento. Até mesmo uma guerra. — Você não está ofendida?

— Um pouco, talvez — admitiu ela. — Mas para meu consolo, pensarei que sou a primeira aliestliana viva a pisar no solo de San Montico e a tomar chá sozinha com o príncipe governante. Isso assegurará meu lugar nos livros de história do país e deixará meus irmãos mortos de inveja. Detestaria in¬terferir na vontade da lenda.

— Ah, sim, a lenda.

Seria hora de parar de fugir e admitir a verdade? Ele não tinha o direito de determinar as crenças de seu povo. Algumas tradições eram antiquadas e verdadeiro atraso de vida para San Montico, mas outras enriqueciam a cultura e faziam da ilha um lugar especial para se viver. Ele estava tentando man¬ter o controle, fazer as escolhas corretas. Estava desperdiçando vida e amor. Sua teimosia em não acreditar na Lenda do Anel, impedia-o de ver o presente precioso que recebera.

Isabella.

Julianna ergueu as sobrancelhas.

— Os sentimeníos de Isabella são tão fortes quanto os seus.

— Gostaria que fosse verdade.

— Homens! — Julianna revirou os olhos. Depois, tirou uma folha de papel de dentro da bolsa e desdobrou-o. — Só de olhar para este desenho, qualquer mulher perceberia que Isabella o ama.

Edward observou o desenho, uma cópia do esboço de Bella. Só que no lugar do cowboy estava ele, de armadura, montado no cavalo. Tinha uma lança em uma das mãos, e o elmo na outra.

— Como o conseguiu?

— Isabella enviou-me pelo fax, ontem à noite. Em Aliestle, não são permitidas fotos da família de Thierry e eu quis saber como você era. O desenho era o que tinha em mãos. — Julianna entregou-lhe a folha de papel. — Isabella é muito talentosa.

O talento era apenas uma das suas muitas qualidades ma¬ravilhosas. Olhando para o desenho, Edward compreendeu que estava no princípio de algo novo, algo maravilhoso. A sensação era muito grande, a percepção também.

A lenda escolhera Isabella, mas, finalmente, ele próprio a escolhia. E não a deixaria ir embora sem lutar por ela, inde¬pendente das consequências.

— Sim, muito.

Julianna sorriu.
— Desejo-lhe toda a felicidade do mundo.

— Como poderei agradecer-lhe, Julianna?

Ela pousou a mão no ombro dele.

— Leve Isabella para passar a lua-de-mel em Aliestle. Já que não uniremos nossos países pelo casamento, porque não uni-los pela amizade?

Uma autêntica diplomata.

— Obrigado. — Edward segurou a mão dela. — Gostaria que ficassem para o casamento.

— Será uma honra! — Sorrindo, ela juntou as mãos. — Eu adoro casamentos!

Isabella e o príncipe Brandt estavam no centro do labirinto. Fascinado, o príncipe olhava para os jardins do palácio e, à frente, a imensidão do mar cor de safira.

— Que vista espetacular! — o príncipe Brandt exclamou.

— Realmente.

Bella sentiria falta não só da vista, mas de toda San Montico. A brisa morna com cheiro de mar tocou sua pele. Ao longe, as torres da catedral pareciam tocar o céu azul sem nuvens. As ruas estreitas serpenteavam por entre as casas coloridas encravadas nas montanhas. Um perfeito cartão pos¬tal. Como num conto de fadas.

Mas não era o seu conto de fadas, aquele em que se casava com o príncipe e viveriam felizes para sempre.

Aprendera muitas coisas durante sua estada em San Montico.

Ela sempre se lembraria de Edward e dos dias que passara no palácio. Mas, principalmente, ela se transformara numa outra mulher.

Quando estourasse a notícia do casamento de Edward com Julianna, a família de Bella a consideraria mais inconse¬quente do que nunca. Mas, ela não se importaria. Também ignoraria os comentários irónicos da imprensa. Não se escon¬deria mais atrás de uma tela de pintura e viveria sem preo¬cupar-se com as manchetes de jornais e suas repercussões.

Poderia até mudar-se para o oeste, mas por opção, não por necessidade. A bem da verdade, não tinha mais tanta certeza daquilo que sempre definira como "comum".
Talvez, qualquer dia, se ainda tivesse vontade, ela descobriria.

— Você precisa conhecer Aliestle — comentou o príncipe Brandt. — Temos lugares maravilhosos também.

Antes que pudesse responder, ela sentiu um frio no estô¬mago. Mesmo sem vê-lo, ela sentiu a aproximação de Edward. Ele parou ao lado dela e enlaçou-a pelos ombros.

— Onde está a princesa Julianna? — Bella perguntou.

— Lá dentro. Príncipe Brandt, ela está à sua espera no salão. Meu conselheiro, Emmet, está no fim da escada para acompanhá-lo até o palácio.

— Obrigada pela companhia, Isabella. — Brandt fez uma reverência e saiu.

Com supremo esforço, Bella desvencilhou-se para olhá-lo. Não queria perguntar, mas não podia fugir da realidade.

— E então? Como foi?

Um sorriso misterioso dançou nos lábios dele.

— "timo.

Ela esperava que ele contasse mais, mas ele se calou.

— E daí? — Bella insistiu.

— Gostei de conversar com ela. Julianna corresponde às minhas expectativas.

Bella nunca imaginou que doesse tanto ouvir a verdade. Sorriu apenas para disfarçar o tremor dos lábios.

— Ainda bem.

— Julianna é muito bonita.

Bella conteve o impulso de gritar, mas isso só tornaria a situação ainda pior.
Edward encolheu os ombros.

— E daí? Eu não quero mesmo me casar com ela!

— Você... o quê? — Certamente, ela não ouvira direito.

— Eu não quero me casar com ela.

Edward piscou e contemplou-a com seu sorriso mais char¬moso, com covinha e tudo.

— Se o príncipe Brandt se chamasse Tex ou Jake, e usasse
chapéu e botas de cowboy, eu teria me preocupado.

De repente, ela até pensou que Edward estava flertando, e que a confiança dele significava algo mais. Seu coração bateu mais forte. Queria confessar-lhe o quanto ele se tornara im¬portante para ela. Se ao menos... Ela desviou o olhar.

— Não sei o que esta conversa tem a ver com você e Julianna.

— Absolutamente nada.

— Você deve se casar, Edward.

— Eu sei.

— Por favor, não tem outro jeito.

— Sei disso também.

— Você não pode perder o trono.

— Não vou perder.

— Não suportaria se...

— Case-se comigo, Isabella.

— Case com Julianna.

— O quê? — Ambos perguntaram ao mesmo tempo.

Edward sorriu.

— Casa comigo, Isabella?

— Eu? Casar com você? — Deu um branco na mente dela.

Todos os pensamentos racionais desapareceram. Ela ficou imó¬vel, gelada, incapaz de falar, de piscar.

Não podia ser verdade. Certamente era um sonho. A qual¬quer momento acordaria. Esperou alguns minutos. Nada acon¬teceu. Edward continuava olhando-a com expressão ansiosa.

O que ele estava pensando? Deveria haver alguma razão es¬pecial para pedi-la em casamento. Alguma razão para querer... Bella ergueu o rosto, ciente de que estava tremendo.

— … o anel. Você está preocupado com o anel. Prefiro cortar meu dedo fora a...

— Esqueça, Isabella. — Suspirando, o príncipe a pegou pela mão. — Quero mostrar-lhe uma coisa. Venha comigo.

Ela o seguiu até o centro do labirinto. Lá, Edward abriu uma porta secreta e desceram por um escada em espiral. O ar estava pesado e cheirava a mofo. Os olhos de Bella ajustaram-se à escuridão. Caminharam por alguns minutos até descerem outra escada. Depois, ele abriu outra porta. Luz do dia. Bella piscou.

Cheiro de feno e cavalos, som de relinchos e cascos encheram o ar. Estavam nos estábulos.

Richard respirou fundo e Bella preparou-se para o pior.

— Não quero Julianna. Quero você.

Bella ficou muda.

— Não sou um cowboy com uma fazenda de gado, mas tenho este estábulo com alguns dos mais belos cavalos do mundo. Não sou fazendeiro, dono de uma casa construída há dois ou três séculos e plantações que se perdem de vista. Mas tenho uma ilha com muitos quilómetros de terra fértil. Não sou mecânico com as unhas sujas de graxa, mas sei consertar um pneu furado.

Ele segurou as mãos delicadas entre as dele e continuou:

— Não sou o homem dos seus sonhos, mas farei tudo para não decepcioná-la. Se você se casar comigo, me empenharei ao máximo para tornar sua vida o mais comum possível.

Os olhos de Bella encheram-se de lágrimas.

— Oh, Edward, você realmente está trocando a princesa Julianna por mim?

— Sem a menor hesitação.

— Você não imagina o quanto estou feliz!

— Mesmo? — Ele espreitou os olhos. — Então por que se matou tanto procurando uma noiva para mim?

— Bem, ambos concordamos que eu não era a princesa ideal.

— Eu estava errado. Completamente, absurdamente errado. Eu a amo, Isabella. — A ansiedade nos olhos dele, no rosto, revelavam sinceridade. — Eu a amo, como nunca amei ninguém.

Ela cobriu os lábios dele com as mãos. Se era um sonho, ela não queria acordar.
Jamais.

— Você preenche uma parte de mim que eu nem sabia que estava faltando. Você é bonita, carinhosa e generosa. — Edward sorriu. — Sem falar do seu senso de humor. O modo como ignora o protocolo real... Nunca imaginei que gostaria disso. E quando pronuncia meu nome... Você é a única mulher, além de minha mãe, que me vê como sou realmente. Como homem, não como príncipe. Eu a amo, Isabella. Jamais me cansarei de repetir isso.

As lágrimas escorriam pelo rosto dela. O coração batia mais rápido do que as asas de um beija-flor. Bella continha-se para não atirar-se nos braços dele e beijá-lo até perder o fôlego. Como se adivinhando os pensamentos dela, Edward inclinou-se e beijou-a levemente nos lábios.

— Eu a amo, Isabella e, talvez, com o tempo você aprenda a me amar. Quero um casamento como o do meus pais.

— Mas eu...

— Antes que você diga alguma coisa, tenho uma confissão a fazer. — Ele hesitou. — A noite passada, misturei a poção de Merlin ao seu Bourbon.

— Por isso você jogou meu copo!

— Desculpe-me. Eu pensei que, bebendo a poção, você se apaixonaria mim...

— Você acreditou na poção mágica?

De novo, ele hesitou.

— Sim... acreditei. Mas não funcionou.

Ela sorriu como um tola. Uma tola apaixonada. Edward acreditou na poção porque ele a amava. Ela exultou de alegria. Eles não precisavam da lenda. Não precisavam de magia.

— Sei por que não funcionou, Edward.

— Porque Merlin é uma fraude.

— Não, Alteza. Não funcionou porque... — Ela respirou fundo para acalmar-se. — Porque eu já estava apaixonada por você.

Edward olhou-a boquiaberto. Bella sorriu.

— Eu o amo, Edward. Mais do que eu poderia imaginar. Ela se calou por um instante. — Eu só queria ser amada e aceita. Achei que isso só seria possível mudando para o oeste. Mas descobri que tudo o que eu queria, está aqui em San Montico. Com você.

Bella fechou os olhos por um instante. Depois, abriu-os lentamente.

— Oh, Edward, em uma semana, você me deu muito mais do que eu tive na minha vida inteira. Mais amor, mais amizade, mais tudo. Você me ajudou a superar meus temores. Você ouvia o que eu tinha para dizer. Eu não poderia pedir mais nada nesta vida! Conhecê-lo foi a melhor coisa que podia ter me acontecido.

O sorriso radiante, mais a adorável covinha, iluminou o rosto dele.

— Vamos ver se o anel é mesmo encantado?

Com um brilho de ternura nos olhos, Edward pegou a mão que Bella lhe estendia. Ela prendeu a respiração. Ele se¬gurou o aro de ouro. O anel deslizou no dedo dela com a maior facilidade.

— Mágico — ele disse.

— Amor verdadeiro — completou ela.

Edward beijou-a. Bella desejava que o beijo nunca ter¬minasse. Mas logo compreendeu que era apenas o começo, o início de algo maravilhoso, algo realmente encantado.
Afastando-se, ele segurou a anel entre o indicador e o polegar.

— Este anel pertence a você, princesa.

Lenda ou não, Edward a escolhera. Ele a amava e ela o amava. Bella estendeu a mão esquerda. Edward colocou o anel no dedo dela. Perfeito.