Disclaimer: NADA me pertence. É tudo da tia J.K. Rowling e da Warner. Infelizmente. E não tenho intenção de ganhar dinheiro algum com essa fic.


Capítulo III: Mero acaso

Lá estava eu na aula de jornalismo impresso, e eu estava prestando atenção. Lógico que às vezes eu notava o que aquele insuportável estava fazendo.

Ele sempre consegue ser o centro das atenções. Isso me irritava, mas eu realmente ouvia cada palavra que o Sr. Edward falava. E meu caderno de anotações estava bem cheio.

E minha surpresa quando ele falou:

-Caro senhores, essa semana vamos começar de uma maneira diferente. Quero que vocês façam um trabalho.

A classe começou a murmurar e fazer barulho, mas o professor continuou.

-Vocês irão ter que fazer uma matéria sobre qualquer assunto. E é melhor vocês se empenharem, porque a melhor, digamos, a vencedora vai ser publicada no Profeta Diário.

A classe quase explodiu em conversas. O professor ignorou e continuou a explicação.

-Ah, e vai ser em dupla. – ele disse. Fiquei pensando em quem escolher. – Outra coisa, sou em quem decido as duplas. – ele disse virando e escrevendo algo no quadro.

Certo, ele iria me colocar com alguém legal, né? Ele não pode ter nada contra mim,

-Mais uma coisa. – ele fez uma pausa. – A dupla ganhadora vão estagiar um mês comigo lá no Profeta.

Agora a classe começou a falar mais alto ainda. Era uma oportunidade única. E ninguém iria querer perder.

Todos estavam muito animados, e Malfoy, para variar, não cabia em si de tanto ego.

-Ah esse estágio já está no papo. Vai ter muita sorte quem for minha dupla. – e terminando a 'fabulosa' frase deu um sorrisinho muito tosco e tirou inúmeros suspiros.

Revirei os olhos e minha cara de repugnância deve ter sido bem estranha. Porque até Suze, que estava atrás de mim, percebeu.

-Ruivinha, você realmente não gosta do Malfoy!

-E alguém gosta?

-Sempre tem aquelas parasitas de popularidade...- começou Jack.

-Grande coisa, um bando de interesseiras. Mas o que irrita é esse jeitinho que ele tem de sempre se achar superior.

-Não se preocupa. Gente como ele é o que mais tem aqui. – disse Suze.

Eu dei um sorrisinho amarelo. Certo, estudar num lugar onde as pessoas parecem Malfoys não é o que eu chamaria de lugar perfeito.

-Espero ser sua dupla heim, ruivinha! – Jack disse piscando para mim.

Até que seria legal formar dupla com ele. Jack era inteligente e muito legal comigo. Então apenas sorri de volta e murmurei um 'seria'.

-Gostaria que os senhores fizessem silêncio agora. – disse o senhor Edward, e todos voltaram a atenção para ele. - Vejamos, a primeira dupla será Suzannah Simon e Jack Slater. – ok, ele não seria mais o meu par.

O senhor Edward continuou falando todos os pares. Meu coração estava acelerado, ele ainda não havia falado meu nome...

-E por fim, Ginevra Weasley e Draco Malfoy. – ele terminou como se fosse a coisa mais normal do mundo juntar uma Weasley e um Malfoy.

Eu quase cai da cadeira. Sério, eu não conseguia pensar em nada, a não ser mandar o senhor Edward para aquele lugar.

Estava cogitando a hipótese de pedir para tocar de dupla, mas logo em seguida, o professor continuou.

-E não haverá troca de parceiros. Eu fiz as escolhas de acordo com suas primeiras matérias, tentei colocar quem mais combina. – e ele seguiu num discurso, o qual não dei a mínima.

Um certo loiro não parava de me encarar e enviar sorrisinhos sarcásticos.

Isso só podia ser piada.

~~D/G~~

Eu estava com a cabeça cheia de coisas. Voltei em silêncio para casa.

Já era ruim o bastante ir com ele todas as manhãs para a academia, ele ser amigo do meu meio irmão, minha mãe sempre convidá-lo para jantar e, claro, estudar na mesma classe que ele.

Mas em nenhuma das situações eu precisava necessariamente falar com ele. Eu podia ignorá-lo. Mas agora era diferente. Teria que conviver forçadamente com ele.

Era bem difícil aceitar a cruel verdade.

Antes de sair do carro ele olhou sério para mim.

-Weasley, eu venho aqui às 16 horas, esteja pronta para começarmos. – dá para acreditar o quanto autoritário ele podia ser?

-Malfoy, eu já tenho planos pra hoje. – disse apenas por dizer, não queria receber ordens dele.

-Weasley, - ele suspirou. – você quer ganhar aquele estágio? – acho que foi uma pergunta retórica. – bom, às 16 eu estou aqui.

E daí ele virou de costas e saiu andando.

Soltei um longo suspiro.

-Vai dar tudo certo. – era John tentando me animar.

Dei um meio sorriso. É, ele realmente não conhecia o Malfoy.

~~D/G~~

Resolvi aproveitar meus últimos minutos de sossego no meu quarto.

Peguei meu antigo caderninho de poemas. Li algumas coisas que tinha escrito durante minha adolescência.

Tinham uns que até eram bonitinhos, agora, outros eram terríveis de melosos.

Depois de me acalmar, fechei o livrinho e joguei em cima da cama. Continuei ali esperando o Malfoy chegar.

-Gina? – minha mãe berrou já entrando no quarto.

-Hum? – foi a única coisa que consegui resmungar, eu sabia o que ela iria falar.

-Aquele moço adorável chegou. – e daí ela deu uma grande piscada para mim. "Adorável" não era um adjetivo que descreveria o Malfoy.

Algo como nojento, metido, arrogante eram mais apropriados. Claro que não falei nada para a minha mãe, apenas pedi que ela o chamasse.

Ela saiu toda feliz. Minha mãe tem a capacidade de achar que todos os garotos que eu conheço vão se tornar seus futuros genros.

Credo. Só a ideia já me dava arrepios.

Ele entrou no meu quarto com aquele ar arrogante de sempre.

-E então? – eu disse sem rodeios.

-Você não vai me convidar para entrar? – ele disse com aquele sorriso sarcástico.

-Você já entrou. – virei os olhos. Ele era mesmo irritante.

-Pode sentar. - apontei para uma cadeira que estava na minha escrivaninha. E ele assim fez, virou a cadeira para a minha direção e sentou me encarando.

-Vamos logo com isso, pois quanto mais cedo você sair daqui melhor. – falei rápido.

-Ah, relaxa, ruivinha. Podemos demorar o tempo que você quiser, sua mãe me convidou para jantar e eu aceitei. - ele era inacreditável. Ou melhor, eles. O que minha mãe tinha na cabeça?

-Ela te convidou, portanto, ela que te ature e não eu. – disse ríspida e levantei para pegar um caderno.

Mas ele me segurou pelo braço. Ele tinha mania de fazer isto e estava me irritanto, muito.

-Olha aqui, Weasley. – ele começou me encarando. Ele realmente tinha olhos muitos bonitos. Concentre-se, Gina. - Eu quero muito, mais muito ganhar esse estágio, entendeu? Sei que você é até inteligente, - ele fez uma pausa, isso foi elogio? - Só que se a gente não parar de brigar, não vai dar certo. E acho que você quer ganhar tanto quanto eu, certo?

Ele terminou sério.

Eu odeio admitir, mas ele realmente estava certo.

-Certo. Sem provocações? – perguntei.

-Você tem a minha palavra. – e daí ele me soltou.

-Você tem idéia de tema? – eu quis saber.

-Bem, na verdade, esperava que você tivesse. – ele disse um pouco sem graça.

-Hum, melhor a gente pesquisar.

Pesquisamos vários temas, mas nos decidirmos por escolher fala sobre as mudanças recentes no ministério e fazer uma comparação com outros governos.

Não sei se era o melhor assunto, mas não era tão ruim assim.

-Eu tenho uma biblioteca em casa, se quiser podemos ir lá. – comentou Malfoy depois de algum tempo perdidos na pesquisa.

Certo, Draco Malfoy acabou de me chamar para ir a casa dele. Tudo bem que foi para fazer trabalho, mas mesmo assim, era um acontecimento histórico!

-Certo, vou avisar minha mãe.

~~D/G~~

A casa ao lado era muito linda mesmo. A decoração não era assustadora como eu imaginava que fosse.

Era bem silenciosa, e diga-se de passagem, gigantesca. E eu que achava que minha nova casa era grande.

-Você não se sente sozinho? – sei lá porque eu disse isso.

Ele pareceu surpreso com a pergunta.

-Eu fui criado sozinho. Estou acostumado. – ele explicou sem rodeios.

-É, eu não iria conseguir. Sabe, seis irmãos e ainda os agregados em casa... – disse ainda olhando para a casa dele. Sempre que penso nos tempos da Toca não consigo não ficar triste.

-Vem. – ele disse me puxando. Ele não parava com essa mania terrível.

Entramos em cômodo enorme. Maior do que a sala gigantesca que estávamos. Aquilo era mesmo uma biblioteca. Tinha livros até o teto e até aquelas escadinhas para você procurar sabe?

-Eram do meu pai. – ele comentou dando de ombros. – na verdade, ele fez para minha mãe, ela gostava mesmo de ler. – de repente Draco Malfoy não parecia o petulante de sempre.

Pude ver um brilho estranho em seus olhos. Era como se ele tivesse sentimentos.

O que era muito esquisito, vindo dele.

-Você sente falta? – eu não sei porque dessas perguntas. Era como se eu me interessasse pela vida dele.

E eu não me interessava. Certo?

-Faz tempo. – ele disse seco.

-Eu sei. Mas eu continuo sentido falta do meu pai. Sabe, por mais que tenha se passado uns bons anos. – ele estava me olhando. E era um olhar curioso.

-Não dói mais tanto. – ele disse encarando uma prateleira de livros.

-É, isso eu entendo. – e daí mergulhamos em um silêncio profundo.

Comecei a fuçar uma prateleira que estava a minha frente. Aquele silêncio me incomodava.

-Aqui. – ele disse apontando para a prateleira próxima a ele.

Andei em sua direção. O clima entre nós estava diferente. Não sei se foi a nostalgia da situação, ou sei lá o que. Mas estava quase suportável ficar com ele. Quase.

Ele separou alguns livros, jornais e revistas e começamos a pesquisar.

-Precisamos marcar uma entrevista com ele. – ele disse como se fosse a coisa mais simples do mundo.

-Com o Ministro? – eu perguntei incrédula.

-Não, Gina, com Merlin. – ele disse irônico.

Quando ele começou a me chamar de Gina? Aquilo me fez esquecer a provocação.

-Como você pretende fazer isso? – perguntei.

-Tenho contatos. E seu padrasto também. – ele disse por fim.

-Você agenda? – quis saber. Ele fez um gesto afirmativo e voltei a minha leitura.

Talvez trabalhar com Malfoy não fosse tão ruim.

~~D/G~~

Depois de quase duas horas lendo e fazendo várias anotações, minha barriga estava roncando. E alto.

-Com fome? – ele disse rindo com o canto da boca.

-Tá tão na cara? – perguntei já sentindo minhas bochechas corarem.

-Um pouco. – ele se levantou e deu uma espreguiçada. Não pude deixar de acompanhar, quando a camisa dele subiu, deixando um pedaço da sua barriga a mostra.

E que barriga. Por Merlin, eu deveria mesmo para de ter esses pensamentos.

-Vou me trocar. – ele anunciou saindo da sala.

Continuei ali. Resolvi levantar e dar uma esticada nas pernas.

Comecei a observar o título dos livros. Tinham muitos livros mesmo. Alguns romances, outros de história.

Hermione adoraria morar ali. Pensei comigo.

Ele voltou arrumado e muito cheiroso depois de apenas 20 minutos. Invejo essa capacidade nos homens. Sabe de se arrumarem em pouquíssimo tempo.

Eu ainda observava alguns livros.

-Pode pegar o que quiser. – ele disse apontando os livros que estavam na minha mão.

-Como? – só podia ser algum tipo de piada mórbida dele, que eu não entenderia.

-Os livros, Gina. – ele disse revirando os olhos. – pegue pra você. Já li quase tudo o que tem aqui.

Em que universo maluco, Malfoy virou um nerd que lê tudo o que tem na biblioteca? – eu pensei comigo mesma.

-Hum, Obrigada, eu acho. – murmurei a última parte.

Arrumei alguns livros no meu braço, não conseguia olhar na sua direção. Não sei se era o perfume bom que ele exalava, ou se era o fato dele estar sendo até que legal comigo.

Mas algo, definitivamente, estava estranho.

-Vamos? – ele disse me encarando.

E quando eu ia dizer algo como um sim, tropecei e derrubei todos os livros no chão.

Senti minhas bochechas pinicarem.

Ele abriu um sorriso torto e por incrível que pareça, começou a me ajudar a recolher os livros.

Quando eu já estava em pé de novo, decidi mudar de assunto.

-Quando você acha que consegue falar com o Ministro? – perguntei tentando manter uma pose séria.

-Amanhã já falo com um dos assessores dele e te aviso. – ele respondeu.

Nessa hora eu percebi que estávamos próximos. Muito próximos. Observei seus olhos azuis- acinzentados. Senti um leve arrepio percorrer meu corpo.

Por que diabos ele tinha esse efeito sobre mim?

Soltei um suspiro. Ele ainda me encarava. Senti minha respiração começar a ficar ofegante. Eu precisava me controlar.

Desviei o meu olhar e me afastei um pouco. Precisava de ar.

Desde quando ele me deixava sem ar?

Merlin, eu me odeio às vezes.

-Acho melhor irmos. – eu disse num fio de voz.

Ele meio que acordou dos próprios pensamentos.

Em segundos estávamos de volta, e desaparatamos na porta da minha casa. Ficamos ali parados e mudos por um tempo.

Eu só conseguia pensar em como ele ficava mais lindo ainda a luz do luar.

Eu realmente estava com sérios distúrbios.

Toquei a campainha. Tinha que me entreter com algo.

Logo minha mãe abriu a porta e falou toda sorridente:

-Vamos, queridos, o jantar está na mesa.

Olhei mais uma vez para ele, sentia que se ficasse mais um minuto ali poderia cometer uma loucura.

Então sai na frente, sem esperá-lo.


N/a nem demorei tanto né? E olha que esse capítulo deu trabalho. Reescrevi todinho mesmo. Se alguém não entender algo, me avise, explico com o maior prazer!

Obrigada a: Kandra; Laura G; Lally Sads; Larissinha D.S; Biela Bells; Tati Black pelos lindos comentários e incentivos! Valeu, flores. =)

Reviews, pls! Assim eu não desanimo e posto ainda mais rápido :P

Beijinhos e até logo,

Flora Sly.*