Capítulo IV: Mudanças?
No dia seguinte, eu estava me sentindo ligeiramente estranha.
Passar o tempo fazendo trabalho com o Draco. Digo, Malfoy, não foi tão ruim.
Eu até tinha levado minha varinha, no caso de precisar. Sabe como é, eu sei que crescemos, mas tem coisas que nunca mudam.
Quando desci para tomar café, todos já estavam na mesa. Eu devia ter dormido demais.
Sou sempre a primeira a acordar e bem, até Michael estava tomando café já.
-Conseguiram não se matar ontem? – ouvi John perguntar animado.
-Claro. – eu disse baixinho. Não queria que minha mãe viesse com perguntas.
-Afinal, qual é a de vocês? – ele perguntou me passando o jarro de suco de abóbora.
-Digamos que, não nos dávamos bem em Hogwarts. – eu disse simples.
Ele não precisava saber de toda a história.
-Sonserinos e Grifinórios são inimigos por natureza. – completei.
Ele deu de ombros. John e Michael não estudaram em Hogwarts, os dois pertenciam a uma escola de magia americana.
A família só se mudou para cá quando a mãe deles faleceu. E bem, o resto você pode imaginar.
Nossos pais se conheceram em um evento comemorativo. Todo ano nós festejávamos o dia que Você-sabe-quem caiu.
Era algo que tínhamos que nos orgulhar, certo?
E bem, desde então minha mãe anda mais feliz. Ela até voltou a cantar enquanto cozinha. Muito desafinado por sinal.
-Gininha, - minha mãe começou, odiava quanto ela me chamava assim. – você foi rude com o menino Malfoy? – às vezes ela me tratava como se eu tivesse cinco anos.
-Não, mãe. – respondi ríspida.
-Ah, que bom. Ele se tornou um amor de garoto, não acha? – ela disse me olhando com uma cara de "vai, vocês deveriam sair".
-Hã? Amor de pessoa? – céus, estávamos mesmo falando de Draco Malfoy?
-Gina, as pessoas mudam. – ela disse simples. Sério, ela tem problemas. Eu amo minha mãe, mas tem dias... Nem Merlin aguentaria.
Engoli o resto do meu café e segui os meninos até o carro. Malfoy já estava encostado no carro com um par de óculos escuros no rosto.
Que – diga-se de passagem – deixava ele ainda mais gato.
Mas ele ainda era o Malfoy. Aquele ser irritante, prepotente e que atormentou grande parte da minha infância.
Entrei no carro sem nem ao menos dar bom dia. Por que ele não ia com o próprio carro?
Assim que chegamos na escola, vi um grupo de garotas reunidas. Elas berravam alto e soltavam risadas histéricas.
Merlin devia estar ali, ou porque desse barulho?
Quando nos aproximamos da roda, sim, Malfoy estava comigo, e Michael também.
Vi nada menos que Harry e um amigo. Esse amigo era bem bonitão, sabe, tipo aqueles modelos trouxas. Não era uma pessoa totalmente estranha.
Acenei para ele. Harry abriu um sorriso ao me ver e atravessou a pequena multidão de garotas oferecidas para vir falar comigo.
Há. Mas eu sabia que não tinha nada demais. Éramos amigos. Quase irmãos, sabe, fomos criados juntos e coisa e tal.
- Que saudade! – ele disse me abraçando forte.
Sorri. Ele não tinha mudado nada. Os mesmos cabelos bagunçados, os óculos, e aqueles olhos verdes.
-Eu também. – respondi vermelha. Já que agora todos pareciam estar interessados na nossa conversa. – Como vai a carreira de auror? – perguntei.
-Melhor que nunca. Estou voltando, vou ocupar um cargo no Ministério. – sorri. Isso era bem bacana e totalmente a cara dele.
-Parabéns, Harry. – e o abracei de novo.
O sinal tocou. Estava quase decidindo bolar a aula e ficar de papo furado com Harry quando senti alguém atrás de mim.
-Weasley, vamos? – ouvi Draco chamar. Quem ele achava que era para me dar ordens?
-Não, obrigada. – eu disse ignorando-o.
Ele bufou irritado.
-Olha, eu não quero fazer isso tanto quanto você. – ele apontou para nós. – mas eu quero essa droga de estágio. Certo? – e saiu me deixando atônita.
-Perdi alguma coisa? – Harry perguntou sem graça.
-Não. Ele continua o mesmo babaca. – uma súbita fúria estava me invadindo. Meu sangue fervia nas minhas veias.
-Se acalme. – ele disse abrindo um sorriso. – Vá para a aula. Mais tarde eu passo na sua nova casa. Tenho outras novidades. – e daí ele me deu um breve abraço e saiu.
Harry virara um amigo muito legal. Suspirei irritada. Mais um dia aturando o Malfoy.
~~D/G~~
Quando cheguei à classe, todos já estavam sentados, e o professor começava a discursar sobre algo.
Sentei no meu lugar costumeiro. Dei um aceno para Jack e para Suze. Olhei de rabo de olho para o Draco.
Ele parecia muito concentrado na aula. Ele me encarou do nada, tomei um susto. Sabe aquela sensação de estar fazendo o que não devia?
E por que diabos meu estômago estava se revirando?
Céus. Eu estava mesmo com problemas. Precisava ser internada urgente.
A aula estava monótona e chata. Eu estava me sentindo levemente irritada. E eu nem sabia o por quê.
Ou achava que não.
O resto do dia passou tranqüilo. Não via a hora de voltar para casa.
Tinha que avisar minha mãe sobre Harry. Era algo que ela gostaria de saber.
-Você é bem amiga do Potter né? – John comentou no carro.
-Ele é praticamente da minha família. – eu disse feliz.
-Eles não sabem do seu romancezinho com ele? – Draco falou malicioso.
Senti minhas bochechas queimarem. Ele tinha que falar de novo sobre isso?
-Cala a boca, Malfoy. – foi a única coisa que meu cérebro conseguiu processar.
John me olhava divertido. –Nunca tivemos nada. – eu disse olhando sério para ele.
-Tudo bem. De qualquer forma, deve ser bem legal ser amiga dele. – John comentou.
-E é. Mas não por causa da fama. Ele é uma boa pessoa. – comentei.
-Ele vai em casa hoje? – Michael estava subitamente interessado.
-Foi o que ele disse. – ouvi o Malfoy suspirar. Talvez isso deixasse ele longe por pelo menos um dia.
Quando Michael parou o carro na porta da Mansão do Malfoy, sorri feliz. Seria o primeiro dia, desde que cheguei aqui, a ficar sem a sua amável companhia.
-Ah, eu vou com vocês. – ele disse olhando para o banco de trás.
Não pude evitar de arregalar os olhos.
-Você não tem mais o que fazer? – perguntei sem rodeios.
Ele estava testando minha paciência. E ela não era muito grande.
-Nós temos que terminar um trabalho, então – ele fez uma pausa. – se você puder não ficar namorando, nós podemos terminar isso o mais rápido possível.
Bufei. Sério, eu estava cogitando a hipótese de não fazer esse trabalho.
Mas eu não era tão idiota assim. Eu acho.
-Malfoy, - falei assim que Michael parou o carro. – Me espera na sala.
Nem olhei para trás. Mas pude sentir o seu olhar me acompanhando.
~~D/G~~
Depois de me trocar, e enrolar o máximo que pude no meu quarto. Desci para encontrar o mala. Digo, Malfoy.
E adivinha quem estava conversando animadamente com ele?
Sim. Minha mãe estava toda cheia de sorrisos. Rolei os olhos.
-Gininha! – ela disse feliz a me ver. – O Draco estava me contando do trabalho de vocês. – forcei um sorriso.
-É, ótimo. – eu disse ácida.
-Não seja rude. – ela me lançou um olhar feio. – aposto que vocês vão tirar uma nota excelente.
-Certo. Vamos? – eu disse olhando para ele.
-Obrigado pelo convite, mais uma vez. – ele disse cumprimentando minha mãe.
Que convite? E porque ele tinha que se fazer de legal para ela?
Eu nunca vou entender como aquele mente doente funciona.
-Mãe. – eu disse antes de sair da sala. – Harry voltou de viagem. – ela abriu um enorme sorriso. – E vem jantar aqui hoje.
E antes que ela começasse a tagarelar, sai dali. Aturar o Malfoy mais uma vez já seria bem chato.
-Que convite é esse? – eu quis saber assim que estávamos longe dela.
-Para uma festa que ela está organizando. Acho que o noivado do seu irmão. – ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
-E porque você iria querer ficar no noivado do meu irmão? – eu disse achando aquilo estranho demais.
-Eu gosto da sua mãe. – ele disse como se aquilo fosse óbvio. – E claro, tenho uma amizade antiga com o Dennis. Meu pai tinha negócios com ele.
Mesmo assim. Aquilo não explicava tudo. Sério. Ron não iria gostar de saber que o Malfoy estaria na sua festa.
Tentei não pensar mais naquilo e me concentrar na tarefa.
-Fiz uma lista de perguntas para o Ministro. – comecei entregando meu caderno a ele. – Marcou a entrevista?
Ele pegou o caderno e começou a ler.
-Falei com o assessor de relacionamento dele hoje. Ele ficou de me dar uma resposta até o final da tarde.
-ótimo. – eu disse me sentindo mais tranquila.
Finalmente, eu estava achando que aquilo ia funcionar.
Sorri satisfeita.
-Sabe, Malfoy, talvez não seja tão ruim. – eu disse, sabe-se lá por que.
Eu devo estar com distúrbios. E sérios.
-Eu sei que você deve adorar passar esse tempo comigo, mas eu não vejo a hora de acabar. – ele disse azedo como sempre.
Bufei. Por que é mesmo que eu estava tentando ser legal?
-Digo o mesmo. Mas eu ainda vou ter que te aguentar na minha casa todo dia. – respondi grossa.
Ele não era o único que sabia ser insuportável.
-Não seja convencida. Eu venho nessa casa muito antes dela ser sua. – ele não podia me deixar ser a última a falar?
-É? Então, divirta-se nela. – e daí eu deixei ele plantado no meio da sala de estudos.
Mas eu não consegui fazer uma saída dramática como estava planejando.
Eu tropecei em uma das dobras do tapete. E o resto você pode imaginar.
Cai no chão igual a bosta de dragão. E claro, o Malfoy rolou de rir da cena.
Eu devia estar da cor dos meus cabelos.
Juntei o restinho de dignidade que havia sobrado em mim. Levantei sem olhar para trás e sai dali.
Por que eu sempre bancava a esquisita perto dele?
Não que eu quisesse impressioná-lo, mas só de não bancar a tonta eu estaria feliz.
Merlin não deve ir com a minha cara.
Decidi ir me trocar. Harry não iria demorar a chegar.
Não que eu fosse me arrumar por causa dele.
Claro que não. Eu não tenho mais onze anos. Sou uma mulher adulta e madura.
Isso, madura.
~~D/G~~
Um elfo simpático veio me avisar que muitas visitas estavam na sala.
Harry deve ter trazido companhias. Bem que poderia ser aquele amigo gato dele que eu vi na Academia.
Tratei de parar de pensar nisso e fui até a sala.
Levei um susto quando entrei na sala. Harry estava lá, e o tal garoto bonitão. E eles estavam conversando, com o Malfoy.
Eu devia estar em algum Universo Paralelo louco.
Eu não podia ser a única a lembrar dele nos tempos de escola.
-Gina! – Harry me chamou assim que coloquei os pés na sala.
-Oi. – eu disse sem graça. Até o Harry?
-Puxa, você está linda. – ele comentou. – Ah, esse aqui é o Bernard. – ele disse me apresentando o moreno gato.
Sorri simpática.
-Que surpresa, Malfoy. – eu disse com desdém.
-Não resisto aos convites da sua mãe. – ele disse simples e deu aquele sorriso torto.
Ignorei-o.
-Harry, quer conhecer a casa? – perguntei tentando me animar e esquecer da presença dele ali.
Harry aceitou e mostrei algumas coisas para ele e Bernard.
No meio do nosso "tour", ele decidiu me interrogar.
-O que está rolando entre você e o Draco? – ele estava falando sério?
-Não há nada entre nós. – respondi automaticamente.
-Eu entendi isso. Mas, céus, vocês não conseguem conversar normal um segundo só? – ele perguntou.
-Você falou com a minha mãe? – só podia ser ela a delatora.
-Também, Gina. Mas é porque nos preocupamos com você. – ele disse tentando me acalmar.
-Harry, ele é um Malfoy. Ou melhor, é o Malfoy. Lembra de Hogwarts? – eu disse explicando com calma.
-Eu sei, Gina. Só que as coisas mudaram depois da guerra. Sem a ajuda deles não iríamos conseguir. Você sabe. – é, eu sabia.
Mas não era por isso que seriamos melhores amigos.
-Mas ele continua me provocando, Harry. – eu falei fazendo um beicinho.
-E é só isso? – ele estava começando a me tirar do sério.
-O que mais poderia ser? – perguntei.
-Sei lá, Gina. Só tome cuidado, ok? – certo, eu não sabia mais do que estávamos falando.
Desisti de conversar com Harry. Talvez o amigo dele fosse mais interessante.
~~D/G~~
Bernard se formou com Harry da Academia de aurores, e agora, estava indo trabalhar também no ministério.
Ele não era muito interessante. Quer dizer, ele ficava falando dele, e da Academia e de como era legal sair com Harry Potter.
Eu estava quase perguntando se rolava algo entre eles. Ironias a parte.
O jantar foi até que tranquilo.
Ignorei o Malfoy o máximo que pude. Inclusive na hora que ele me pediu suco de abóbora.
O que minha mãe classificou como nada educado.
Mas estávamos falando do Malfoy. Eu não precisava ser educada com ele.
-Gina, quer ir com a gente em uma boate? – ouvi John falar depois do jantar.
-A ideia parece boa. Amanhã é sábado. – pensei em voz alta.
-Grande dedução. – esse foi Draco.
Ignore. Ignore. Ignore. Repeti como um mantra.
-Você vai, Harry? – perguntei mantendo meu foco.
-Pode ser uma boa.
Sorri. Talvez fosse legal sair com eles.
-Só vou trocar de roupa. - anunciei e sai correndo escada acima.
~~D/G~~
A boate era bruxa e estava lotada. Fazia tempo que eu não ia a uma boate bacana.
Era bom descansar um pouco. Tocava uma música alta das Esquisitonas.
-Vamos no bar. – John berrou na minha orelha.
Segui todos. Claro, Malfoy foi junto também. E eu estava decidida a ignorá-lo.
Depois de todo mundo pegar um copo de firewhisky, fomos para a pista.
Fiquei dançando ao lado de Harry. Não pude evitar de vê-lo dançar.
Ele era realmente bonito. Sabe, os cabelos loiros ficavam insistindo em cair em seu rosto. E aquilo não parecia incomodá-lo. Nada parecia incomodá-lo.
Quando foi mesmo que eu comecei a reparar no cabelo do Malfoy?
Céus. Desse jeito eu iria mesmo ao St. Mungus.
-Você parece tensa. – Harry comentou no meu ouvido.
-Vou pegar mais firewhisky. – eu disse. Beber sempre melhora.
Ou quase sempre.
Pedi mais um copo para o barman. Voltei a olhar para a pista. E pude ver uma garota se aproximar do Malfoy.
Era uma loira peituda com pouca roupa. Provavelmente, o tipo dele.
Não que eu me importasse. Peguei a minha bebida. E para a minha surpresa, lá estava ele com a língua enfiada na garganta dela.
Suspirei. Isso era um tanto óbvio. Quer dizer, ele iria mesmo acabar ficando com alguém.
Aquilo realmente me irritou. E eu estava mesmo começando a achar que tinha problemas mentais sérios.
Quando ia voltar para perto do grupo, Bernard apareceu.
-Hei, Gina. – ele disse me dando um belo sorriso.
Dei um sorrisinho não muito convincente.
-Você quer dançar? – ele perguntou me surpreendendo.
Pior do que estava não podia ficar. Peguei apenas mais um copo e o segui.
Bernard dançava bem. Era alto e tinha incríveis olhos azuis. Tentei não olhar para o amasso louco que estava acontecendo do nosso lado.
Eles podiam ir a um motel, certo?
Bernard falou alguma coisa que eu não entendi.
-Vamos? – ele berrou.
- O que? – eu não estava muito a fim de papo.
-Para um lugar menos barulhento.
Ele me guiou até um canto perto do bar.
-Você é muito linda. – ele começou me dando aquela olhada.
Senti minhas bochechas ruborizarem. Devia ser a bebida.
-Obrigada. – eu disse sem jeito.
Não era todo dia que caras gatos me elogiavam.
E sem mais nem menos ele me beijou.
Aquilo me pegou de surpresa. Mas não o afastei.
Não me sentia tão a fim dele. Ele era realmente lindo. Mas não sei se era o meu tipo.
Eu nem sei qual é o meu tipo.
Ele tentou aprofundar o beijo e eu deixei.
Mal aquilo não podia fazer.
Ele enlaçou a minha cintura e ficamos assim durante um tempo.
Tentei não pensar mais na cena do outro beijo.
Eu tinha coisas melhores com o que me preocupar.
N/a não me matem ;x eu sei que deve ta todo mundo querendo umas actions, mas elas virão no momento certo.
Eles ainda estão se conhecendo, né? E bem, chega de falar. Eu mudei completamente esse capítulo, o original estava medonho. Mas a raiz é a mesma.
Pretendo não demorar muito para atualizar os próximos. Aiai, obrigada pelas lindas reviews. Amei todas, elas me deixam feliz e me animam a continuar.
Então, REVIEWS, pls. Preciso saber o que estão achando... Se tiver ruim, juro que paro ;x
beijinhooos, e até o próximo capítulo!
Flora Sly.*
